quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Corrida Rumo ao Oscar


Dia 2 de Fevereiro deste ano foram anunciados os indicados ao Oscar 2010. Descubra agora quem são os principais nomes desta disputa...

Avatar

Avatar, filme de James Cameron, que estreiou nos cinemas em Dezembro do ano passado acabou sendo a grande surpresa do ano, por revolucionar em todos os sentidos o que chamamos de cinema. Foi incrivelmente bem nas bilheterias, sendo uma das maiores de todos os tempos. Nomes como Zoe Saldana e Sam Worthington estão no elenco.

Tem muitas chances de ganhar o Oscar esse ano e é um dos favoritos ao prêmio. Além de melhor filme, Avatar concorre em mais 8 categorias, empatando com Guerra ao Terror. James Cameron também foi lembrado, sem nenhuma surpresa como Melhor Diretor.

Indicações: Melhor Filme, Diretor, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som, Mixagem de Som, Efeitos Especiais

Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi

Direção: James Cameron

Status: Estreiou nos cinemas dia 18 de dezembro de 2009, e ainda permanece em grande circuito.


Distrito 9

Dirigido por Neil Blomkamp, o filme foi a grande surpresa dentre todos os indicados, muitos dizem que conseguiu esse feito pelo fato deste ano serem 10 indicados, o que antes eram apenas 5. Essa afirmação tem certa lógica levando em consideração que Distrito 9 não tem características de filmes que geralmente são indicados, mas é tão bom quanto qualquer um que esteje na lista e se está nela, fez por merecer!

Ficção Ciêntífica, sobre conflitos entre civis sul-africanos e extraterrestres, que atrapalham a vida das pessoas e por isso estão sendo despejadas para uma área de menos risco. Mas por trás desse projeto, há uma luta intensa e impiedosa pelo poder.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Montagem, Efeitos Especiais

Elenco: Sharlto Copley

Direção: Neil Blomkamp

Status: Estreiou dia 16 de outubro de 2009, e chegou recentemente nas locadoras


Amor Sem Escalas

Dirigido por Jason Reitman, o mesmo de Juno e Obrigado por Fumar, trás Georgey Clooney e Vera Farmiga no elenco. Também tem grandes chances de ganhar, foi bem nos cinemas e chamou bastante a atenção dos críticos. Comédia leve e sutil, que mescla um pouco de drama e romance.

No filme, um homem que vive nos ares, vive viajando para todo canto do mundo para demitir pessoas, até que surge em sua vida duas mulheres que vão fazer ele refletir sobre suas atitudes como ser humano, com isso, ele coloca os pés e a mente no chão, abalando completamente seu mundo.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (George Clooney), Roteiro Adaptado, Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga), Atriz Coadjuvante (Anna Kendrick)

Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, JK Simmons

Direção: Jason Reitman

Status: Estreiou dia 22 de janeiro


Up- Altas Aventura

Nos últimos anos, a Disney Pixar se superou, lançando a cada ano filmes memoráveis, como Procurando Nemo e Wall-e, e como estes citados, ficaram apenas com o Oscar de Melhor Animação, o que já é ótimo, mas este ano, com a expansão dos indicados, a animação teve mais chance e diferente dos outros anos vai estar onde merece estar: entre os indicados de Melhor Filme.

Up-Altas Aventuras conta e sensível história de um velho solitário que amarra em sua casa balões e voa com o intuito de chegar no local dos sonhos de sua falecida esposa, mas para sua surpresa, um garoto acidentalmente fica na sua casa e passa a viver essa grande e improvável aventura ao seu lado.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Original, Animação, Trilha Sonora

Direção: Pete Docter

Status: Estreiou dia 4 de stembro de 2009 e já está nas locadoras


Bastardos Inglórios

Dirigido por Quentin Tarantino e com Brad Pitt e Diane Kruger no elenco. Um dos filmes mais comentados de 2009, não foi surpresa vê-lo entre os indicados e também tem grandes chances de vencer.

Na história, um tenente é responsável por uma missão suicida contra alemães nazistas e para isso ele terá de reunir um pelotão de soldados de origem judaica. A intenção é matar sem piedade, da maneira cruel o maior número de nazistas possível

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Roteiro Original, Ator Coadjuvante (Christopher Waltz), Fotografia, Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som

Elenco: Bard Pitt, Christopher Waltz, Mélanie Laurent, Diane Kruger, Eli Roth, BJ Novak, Daniel Brühl

Direção: Quentin Tarantino

Status: Estreiou dia 9 de outubro de 2009 e já está nas locadoras


Preciosa - Uma História de Esperança

O filme, aparentemente, o mais forte e mais dramáticos dentre os indicados, vem chamando a atenção dos críticos, além do fato de estar sendo bem recepcionado nos festivais de cinema e ganhando alguns prêmios importantes.

Em Preciosa, vemos a triste jornada de Claireece, uma jovem de 16 anos, pobre, muito acima do peso, sofre preconceito, é abusada pela mãe e violentada pelo pai. Tem um filho com sindrome de down e quando fica grávida do segundo é suspensa da escola, a partir de então é enviada para uma escola alternativa, onde se apega a sua imaginação para tentar superar os problemas da vida real.

Indicações: Melhor Filme, Diretor (Lee Daniels), Roteiro Adaptado, Atriz (Gabourey Sidibe), Atriz Coadjuvante (Mo'nique), Montagem.

Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Rodney Jackson, Paula Patton, Mariah Carrey, Lanny Kravitz

Direção: Lee Daniels

Status: Estreiou dia 12 de fevereiro


Educação

Filme premiado, que liderou as indicações ao Bafta e que tem a jovem Carey Mulligan e o veterano Peter Sarsgaard como protagonistas. Suas chances são mínimas, logo que está concorrendo com bluckbusters e alguns filmes bem comentados, por outro lado, chama a atenção por seu visual e pelo grande elenco.

No filme, uma jovem estudante do colegial que sonha com a faculdade e em estudar muito para ser alguém na vida, até que seus planos mudam quando é seduzida por um homem mais velho, que lhe mostra os encantos da fase adulta, da liberdade, da burguesia e de uma Paris cheia de vanguardas.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Atriz (Carey Mulligan).

Elenco: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Olivia Williams, Dominic Cooper, Alfred Molina, Sally Hawkins, Emma Thompson

Direção: Lone Scherfig

Status: Estreiou dia 19 de fevereiro


Guerra ao Terror

Curiosamente, lançado primeiros nas locadoras, foi lançado há pouco tempo nos cinemas devido as surpresas que teve, a chuva de indicações nos principais prêmios do cinema, liderando a lista do Oscar ao lado de Avatar.
Além da diretora Kathryn Bigelow ter desbancado o favorito James Cameron no Bafta, que aliás foi o grande vencedor da noite, levando o prêmio de Melhor Filme. Em outras premiações recentes vem levando a melhor e diante dos novos acontecimentos é o filme com a maior probabilidade de levar o prêmio, para surpresa geral.

No filme, um esquadrão de anti-bombas do exército americano trabalham em missão no Iraque, a procura de um explosivo, para que seja destruido sem que haja danos.

Indicações: Melhor Filme, Diretor (Kathyn Bigelow), Ator (Jeremy Renner), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som, Mixagem de Som.

Elenco: Jeremy Renner, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly

Direção: Kathryn Bigelow

Status: Está nas locadoras desde abril de 2009, mas foi lançado posteriormente nos cinemas dia 5 de fevereiro deste ano.


Um Homem Sério

Para não perder o costume, os irmãos Joel e Ethan Coen marcam presença na lista dos indicados ao Oscar. Depois do prêmio de Melhor Filme e Melhor Diretor para o mediano Onde Os Fracos Não Têm Vez, ano passado foi a vez de Queime Depois de Ler, que não para melhor filme mas ainda obteve algumas indicações, e este ano estão eles novamente, com uma comédia.

Neste novo filme da elogiada dupla, o professor Larry Gopnik, no ano de 1967 vê sua rotina desmoronar quando sua mulher decide abandoná-lo porque se apaixonou por um de seus colegas, e para piorar divide a casa com seu imprestável irmão e uma família com costumes nada corretos.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Original.

Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind

Direção: Joel e Ethan Coen

Status: Estreiou dia 19 de fevereiro


Um Sonho Possível

Talvez suas chances para melhor filme sejam mínimas, mas Um Sonho Possível já ganhou o título de queridinho do Oscar 2010, com uma trama bem fácil de identificação do público, o filme faturou milhões nos EUA e colocou Sandra Bullock como a atriz mais lucrativa do ano passado, que aliás é a favorita ao prêmio de Melhor Atriz.

Inspirado numa história real, o filme trás a emocionante trajetória de um jovem negro, abandonado, que é acolhido por uma família norte-americana. Sandra Bullock interpreta Leigh Anne, que após descobrir que o estranho faz parte da turma de sua filha na escola, o acolhe e o coloca para participar de um importante campeonato de futebol americano, e tanto dentro como fora dos campos, a família vai lhe ensinar lições valiosas, além do fato, da própria família passar um processo de autodescobertas.

Indicações: Melhor Filme, Atriz (Sandra Bullock)

Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Kathy Bates

Direção: John Lee Hancock

Status: Estréia nos cinemas dia 19 de março

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Crítica: Chéri (Chéri, 2009)


Depois de alguns anos afastada do cinema, Michelle Pfeiffer retornou em 2007 com filmes de pouco conhecimento do público, e ainda longe dos holofotes, Cheri marca seu melhor trabalho desde sua volta. Um filme simples, objetivo e simplesmente irresistível!

por Fernando Labanca

O filme, dirigido por Stephen Frears (A Rainha, 2006), chegou tímido aqui no Brasil, em poucas salas de cinema, fora do grande circuito e ainda permanece um pouco desconhecido do público. Mas é interessante que as pessoas ao menos saibam que o filme está lá, e que Michelle Pfeiffer ainda está radiante, para aqueles que ainda admiram a atriz, vale a pena ir atrás desse longa.

Na história, em 1906, numa Paris que ainda vivia os encantos da "belle époque", prostitutas ainda faziam os rapazes da época suspirarem. Lea de Lonval (Pfeiffer) era uma cortesã, daquelas que frequentava a elite, luxuosa e elegante, ela já não mais estava na flor da idade, e refletindo sobre isso, ela decide parar e se aposentar definitivamente. Sempre exerceu seu trabalho com toda a dignidade, por isso, nunca se permitiu envolver com algum cliente, sua vida amorosa foi seu trabaho, seus maiores prazeres foi por dinheiro e agora está só.


Entretanto, ainda mantinha contato com a alta classe, ia nas festas, jantares com pessoas importantes e para seu desgosto, ainda tinha uma amiga, Madame Peloux (Kathy Bates), uma relação nada sincera, cheia de diálogos venenosos e sarcásticos, apenas por manter as boas aparências. Madame Peloux, desiludida com a vida a qual seu filho se apegou, bebidas, sexo e nada de responsabilidades, decide chamar Lea para colocar ele de volta aos eixos. Lea era a mulher mais inteligente que ela conhecia e a pessoa mais próxima da família e a única a qual seu filho mantinha algum respeito. Ele, conhecido como Cheri, apelido que recebeu da própria Lea na sua infância. Peloux, então, entrega seu filho a Lea, afim de que ele aprenda o amor e seje um rapaz decente.


Cheri, vinte anos mais novo que Lea. Ela, liberal, madura, responsável. Ele, imaturo e mimado. Os dois, facilmente se identificam e se envolvem. Lea faz por trabalho, ele, por inocência. E nesta relação, a luxuosa cortesã descobre algo que jamais imaginou sentir, algo que ela evitou a vida inteira, algo que ela mesma havia construido uma barreira para não sentir devido sua profissão, o amor. Cheri e Lea acabam tendo uma relação intensa e profunda, uma paixão ardente, daquela que eles esquecem completamente do mundo afora. Até que, seis anos mais tarde, sigilosamente, Madame Peloux marca o casamento de seu filho com Edmee (Felicity Jones), uma jovem, filha de uma rica cortesã e que tem a mesma idade que ele. Os dois aceitam o destino, Cheri sabia que precisava seguir sua vida e que Lea já havia tido suas próprias experiências, agora era a vez dele viver as dele, ela, por sua vez, sabia que estava ficando cada vez mais velha e ela não era o destino do jovem, não poderia mais fazer parte de sua vida. Mas quando os dois se separam definitivamente, cada um em seu canto, eles percebem o quanto um era importante ao outro.

Stephen Frears, trabalha com filmes de época muito bem. Em Cheri, ela nos trás o encanto fascinante da belle epoque, com figurinos extremamente bem feitos, cenários bem cuidados. Além disso, o filme ainda desfruta de uma bela trilha sonora, capaz de emocionar e empolgar facilmente o público.


Michelle Pffeifer está encantadora, e mesmo que a idade acuse em seu rosto, ela parece estar mais bela do que nunca. Sua voz sussurrante, seu jeito de andar e de se expressar, seus olhares penetrantes e hipnotizantes, está magnífica, irretocável. Mas tudo isso não seria possível sem o belo roteiro, que trabalha muito bem sua personagem, seu desespero, sua mágoas, seu intenso amor por um homem mais jovem. Rupert Friend interpreta Cheri, faz o necessário, se encaixa perfeitamente no papel, mas não faz mais do que o esperado, mas em nenhum momento ele estraga o encanto do filme. Outro destaque fica para Kathy Bates, uma atriz que por mais que não seje tão conhecida, está presente em muitos títulos, e este foi um dos melhores papeis de sua carreira, sua atuação também está incrível, há muito tempo não a via tão a vontade em cena, tão cheia de brilho numa personagem de destaque e muito bem desenvolvida na trama.

Ás vezes, o longa vai perdendo força, principalmente quando as personagens principais estão separadas, o que acaba até sendo interessante, vendo pelo ponto em que o filme ganha vida quando estão juntos. Por outro lado, essa perda de força em determinadas sequências, fazem a trama perder também o dinamismo. Mas no geral, Cheri se sai bem, um romance, que por mais que haja seriedade, não perde a piada, tendo um bom humor durante toda a projeção, cheio de sacadas rápidas e inteligentes. Um filme belíssimo, com uma parte técnica impecável e atuações memoráveis. Maduro, envolvente, sensível e realista e com direito a um ótimo final, comovente!

NOTA: 8

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Crítica: Preminição 4 (The Final Destination, 2009)

No cinema, ás vezes, para uma obra ser lembrada com certa credibilidade, é preciso ter senso e fazer com que o filme pare no primeiro, pois as sequências tendem a estragar o que já estava bom. Felizmente ainda há aquelas sagas que vão melhorando, o que não é o caso de Premonição, onde a quarta parte estraga tudo o que já foi feito, levando a quadrilogia, enfim, para o fundo do poço!

por Fernando Labanca

O primeiro, de 2000, teve uma boa recepção nos cinemas, e no entanto é lembrado até hoje e serviu de referência para muitos filmes de suspense. E assim como disse anteriormente, deveria ter parado por ai, as sequências foram de mal gosto, destacando principalmente a última parte, que foi ao extremo, o que já estava ruim, agora ficou péssimo.

Na história, o mesmo de sempre, um cara, neste caso, Nick (Bobby Campo), enquanto estava junto de seus amigos, Hunt, Janet e sua namorada Lori (bela, é claro!) numa arquibancada de uma famosa corrida de carros, percebe que as instalações do local são muito antigas e portanto, frágeis, até que acontece um terrível acidente na pista, despedaçando carros, peças voando para todo o local, pessoas morrendo das formas mais inusitadas, e com isso a estrutura do local não aguenta e a quantidade de mortes é absurda. Logo, Nick acorda no meio da corrida e percebe que tudo foi uma visão e tenta salvar seus amigos do terrível acidente, pois em sua premonição todos iriam morrer, inclusive ele, alguns da arquibancada lhe dão ouvidos, outros saem irritados pela agitação que o jovem provocou, e logo quando chegam do lado de fora, exposões e gritos, Nick estava certo, para felicidade de alguns e desconfiança de outros, mas apenas o grupo estava salvo.


Porém, uma sequência de mortes começam a ocorrer, e Nick e Lori começam a juntar as peças do quebra-cabeça e percebem que aqueles que foram salvos ainda seriam pegos de surpresa pela morte, pois é impossível fugir duas vezes do destino final. E ainda, as mortes ocorrem na mesma sequência que deveriam ter ocorrido se todos estivessem na arquibancada. Nick, passa a partir de então, a lembrar de sua premonição para tentar salvar as próximas vítimas, além de ter novas visões destorcidas sobre como cada um vai morrer.

Nada de original, tudo do mesmo, o roteiro, nem ao menos se esforça para tentar ressucitar o que já houve de bom em Premonição, muito pelo contrário, ele resgata tudo de pior que foi utilizado nas sequências. E para meu espanto, o roteiro é de ninguém mais que Eric Bress, o mesmo de Efeito Borboleta, um dos roteiros mais incríveis dos últimos anos. Ele, assim como o diretor David R.Eliss, participaram também de Premonição 2, o pior desde então.

E mais uma vez, os rostinhos bonitinhos estão ali, atores completamente fracos, que parecem se preocuparem mais em fazer belas poses e expressões para sairem bem nas câmeras e serem capturados por seus melhores angulos do que se esforçarem para interpretar bem, não maravilhosamente bem, apenas "bem", suas respectivas personagens.

Diante de um roteiro ruim, atores fracos, diálogos forçados e cheios de clichês, só resta ao público se prender nas mortes, "como o próximo vai morrer?" Essa é a única preocupação e interesse que surge durante o longa. E infelizmente, até nisso o roteiro falha, a criatividade se esgotou, há uma chata e desinteressante sequência de mortes extremamente forçadas e apelativas, fugindo completamente da realidade e alcançando o auge do absurdo.

Quem não viu, nem perca tempo. Conseguiu ser pior que os piores do ano passado, é sem graça, tosco, péssimo, mortes grotescas, não há sustos e não faz o público sentir medo, e ainda há uma pitada de humor, aliás, de péssimo humor, empregadas inconvenientemente nas cenas. Em outras palavras, passe longe, bem longe!

NOTA: 1

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Crítica: Zumbilândia (Zombieland, 2009)


Os zumbis atacam novamente os nossos cinemas, mas agora, com um grande diferencial! Além de inserir na trama, comédia, o grande roteiro ainda se permite, mesmo com tanto sangue e pancadaria, ser inteligente e sensível!


por Fernando Labanca

Hollywood não se cansa, eles querem mesmo os zumbis! Filmes como Resident Evil e Madrugada dos Mortos tiveram destaque nos cinemas e agora o mesmo tema volta com outra perspectiva.

Zumbilândia, filme de Ruber Fleischer, conta sobre a praga do século XXI, onde o planeta inteiro foi contaminado por um perigoso vírus que transformou todos (quase todos) os seres humanos em terríveis zumbis, que se arrastam pelas ruas atrás de carne viva! O mundo se torna um verdadeiro caos, não há mais vida, casas foram destruídas. E no meio de tudo isso, há um sobrevivente, Columbus (Jesse Eisenberg), um jovem que mora sózinho, longe da família, que provavelmente virara zumbis, não tem vida social, não namora, não tem amigos próximos, mas quando se vê diante desse desastre, passa a sentir falta de tudo aquilo que nunca teve...vida! Porém, há um grande motivo por ele ainda estar vivo, criou mentalmente regras para não ser pego por zumbis e virar um deles, pratica exercícios físicos para poder correr deles, não entra em banheiros públicos pois é um péssimo lugar para fugir e um ótimo lugar para ser encontrado, sempre olha no banco de trás do carro, para não correr o risco de ser pego de surpresa, entre outras.


Até que Columbus, em busca de sua família, encontra um outro sobrevivente, Tallahassee (Woody Harrelson), porém, um ser bem diferente dele, não cria regras para não ser pego, muito pelo contrário, faz de tudo para encontrar um zumbi e espancá-lo até a morte, e por isso, anda para todos os lados com todos os tipos de armas possíveis. Percebendo que são um dos poucos sobreviventes, se unem, cada um com seu objetivo, Columbus deseja encontrar sua família e Tallahasse um bolinho Twinkie. Eles se tornam os heróis do pedaço, até a chegada de duas damas, que é onde o jogo vira completamente. Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) são duas irmãs, bem espertas que passam a sacanear com os dois valentões, roubam o carro deles e suas armas, mas logo percebem que estão lutando contra aqueles que estão no mesmo time e que todos deveriam estar do mesmo lado, os zumbis é quem são os inimigos! Wichita tem o plano de levar sua irmã mais nova para um famoso parque de diversões, logo que a pequena aprendeu a ser gente grande muito cedo e diante de tanto sangue e violência, ela pretende resgatar para a irmã, digamos, a infância perdida, a inocência que não vivenciam mais. Columbus começa a se envolver muito com Wichita, porém a jovem se recusa a se envolver profundamente com alguém, logo que a perda é algo constante nessa nova vida e que ninguém é tão confiável assim. E juntos, descobem as fraquezas e angústias de cada um, e mais do que isso, descobrem o que é ter uma família de verdade, logo que se tornam órfãos, órfãos de tudo, e que ser um verdadeiro zumbi é não se deixar envolver com pessoas e não se permitir viver uma vida digna.



Zumbilândia nos remete ao que há de mais trash do cinema, Quentin Tarantino deve ter se sentido grato com esta obra. E mais do que isso, o filme coloca em cena, o que há de melhor no trash, e a fusão de comédia e terror há muito tempo não a faziam com tanta competência. E ainda o filme dá espaço para um pouco de drama, logo que diferente dos outros filmes de zumbis, neste, as personagens não são um mero pano de fundo, não são apenas um pedaço de carne que futuramente seriam as próximas vítimas, são humanos acima de tudo, com falhas, medo e insegurança e diante disso, o roteiro consegue trabalhar muito bem com cada personagem, em cenas delicadas e sensíveis. E é claro, romance não podia ficar de fora. Há uma harmonia fantástica entre terror-comédia-aventura-drama-romance, e este é o grande triunfo de Zumbilândia, por não se permitir escorregar diante de tantas possibilidades, o brilhante roteiro consegue trabalhar perfeitamente todas essas diferenças, construindo um filme original e muito estiloso.

As personagens são um ponto alto na trama, logo, as atuações se superam. Jesse Eisenberg é extremamente divertido, suas expressões, seu jeito de andar e falar são tão cômicos e faz o público rir e se identificar com a personagem facilmente. Woody Harrelson é Woody Harrelson, fantástico, hilário, diverte fácil com seu jeitão valentão e diverte mais ainda com as oscilações de Tallahassee, ora sedento por violência, ora profundamente sensível. Emma Stone é ótima, fez bonito em "Superbad" em 2007 e brilha novamente neste longa. Abigail Breslin, diferente de outros filmes, sua participação é um pouco menor, mas ainda de muita eficiência, sempre carismática e iluminando a cena.


Zumbilândia é daqueles filmes que facilmente conquista o público, por abranger em seu tema, mais do que sangue e boa pancadaria, inteligência também foi colocada em questão, ousando no gênero e incluindo diálogos reflexivos, personagens bem escritos e interpretados, comédia, drama, terror e ação em boa dose e em perfeita harmonia. Todas as cenas são ótimas, até mesmo as mais sangrentas são de extremo bom gosto. Indico para todos os gostos, neste, a diversão, sem sombra de dúvida, é garantida!

NOTA: 9.5