segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Crítica: A Viagem (Cloud Atlas, 2012)

Quatro anos de desenvolvimento, dificuldades em ser concluído e dificuldades em conseguir apoio financeiro, logo que poucos acreditavam neste projeto. "A Viagem", que fora baseada no livro de David Mitchell de 2004, tem todos os elementos que o tornam uma obra impossível de se fazer, é então que com o comando dos famosos irmãos Wachowski, da trilogia "Matrix" e do cultuado diretor Tom Tykwer, que arriscam tudo e levam esta ideia adiante, tornam aquele impossível no possível e realizam uma das obras mais ambiciosas de nosso tempo.

por Fernando Labanca

Várias histórias, vidas diferentes em tempos diferentes. Passado, presente e futuro. Não adianta resumi-las aqui, como faço de costume em minhas resenhas, logo que elas não funcionam isoladamente, são histórias bem simples, algumas aliás, com personagens fortes, no entanto fazem parte de uma só composição e que funcionam quando visto o plano geral. "Tudo está conectado", a frase clichê é a premissa de todas elas, pode parecer básico, mas as tramas nem sempre se unem de forma óbvia, é preciso pensar para compreender. O que percebemos logo de início é que teremos um só grupo de atores, interpretando diversos personagens. Tom Hanks, Halle Berry, Doona Bae, Jim Sturgess, James D'Arcy, Ben Whishaw, Jim Broadbent e Hugo Weaving são os principais e são vistos em quase todas as histórias, no entanto, nem sempre são reconhecidos facilmente, é então que surge a maquiagem transformando estes atores de acordo com cada tempo.

"Cloud Atlas" é definitivamente bastante confuso, é muito fácil se perder nesta viagem, isso porque o roteiro não nos entrega uma obra redondinha, como geralmente é feito neste tipo de filme, que praticamente já virou um gênero a parte, aquele que conta diversas histórias ao mesmo tempo e que de alguma forma tudo se conecta. Além do fato de serem tempos diferentes, a ligação de uma trama para outra surge nos pequenos detalhes, nem sempre perceptíveis ao primeiro olhar. Porém, é apenas em seu final onde tudo faz realmente sentido, onde conseguimos finalizar este complexo quebra-cabeça. A história, por fim, gira em torno de um "legado", elementos do passado que são somados e alteram o futuro, e estas tramas contadas nada mais são que o nascimento deste legado e como pequenas ideias sobreviveram no tempo. Em certo momento do filme eles lançam a frase "Nossas vidas não são nossas. Estamos vinculados a outras, passadas e presentes. E de cada crime e de cada gesto generoso nasce nosso futuro". Acredito que esta frase sintetize bem a ideia de "A Viagem", onde um ato do futuro não nasceu ali, nasceu muito antes, onde uma escolha de alguém de outra época, um caminho alterado, um simples discurso improvisado, tudo leva a história a uma nova saída. "Cada encontro sugere uma nova direção possível."


Claro que com tantas ideias, o que o filme nos permite ao seu final é nossa própria interpretação. Não há como dizer exatamente sobre o que se trata. Uma das interpretações possíveis é a vida após a morte, onde a alma de um determinado personagem ressurge em outra época, levando consigo algumas ideias. "Cloud Atlas" nos revela não só a jornada destes pensamentos pelo tempo, mas toda a evolução da vida no planeta, onde essas almas vão se readaptando a cada geração, no entanto, cometendo os mesmos erros. É então que surge a ironia do roteiro ao retratar o último estágio da evolução como o mais primário de todos, revelando esta natureza destrutiva do ser humano. É interessante perceber também, que em cada passagem, encontramos personagens que de alguma forma deixam algo que no futuro fará diferença, mas que no momento de sua existência era feito apenas para salvar alguém, um puro gesto de amor ou de afeto. Pessoas que tentam fugir daquilo que um dia alguém estabeleceu como certo, seja do advogado salvando o escravo ou o velhinho se libertando do asilo. "Existe uma ordem natural neste mundo e aqueles que tentam abandoná-la não se dão bem."

Um ambicioso filme, que aposta em tudo, que em nenhum momento se permite ser pequeno, ordinário. É pretencioso, mas diferente de muitos filmes com esta característica, consegue nos oferecer uma obra completa capaz de preencher esta pretensão, de ser tão grande quanto pretende ser. É tudo muito incrível o que vemos na tela, uma junção de elementos que provam que Andy e Lana Wachowski (que antes era o Larry) , assim como Tom Tykwer, realizaram algo a altura do que já fizeram no cinema. Da belíssima e sensível trilha sonora, dos efeitos visuais e toda a construção de diferentes épocas, fazendo bonito tanto nos cenários do século XX quanto na elaboração de um futuro distante, tendo a todo instante um cuidado com detalhes como locações e figurinos. Conseguem ainda arquitetar cenas memoráveis como o acidente de carro vivido por Halle Berry, num maravilhoso plano sequência, e a cena dos amantes, Whishaw e D'Arcy, arremessando pratos. Vale, claro, destacar a maquiagem, que ao mesmo tempo em que deixa seus atores irreconhecíveis em algumas histórias, peca, por muitas vezes, não ser realista e exagerada, jamais convencendo Jim Sturgess e Hugo Weaving como orientais, mais parecendo alienígenas, e assim, acabam realizando cenas bizarras, mesmo com boas intenções.


Acredito que "Cloud Atlas" teria sido ainda mais potente se não picotasse tanto suas histórias. Há algumas passagens que perdem o foco e a intensidade justamente por serem cortadas em horas indevidas e o problema se torna ainda maior quando, resolvem colocar na sequência de uma grandiosa cena uma história sem a mesma força. É quase que injusto colocar a fraca passagem dos velhinhos de 2012 ao lado da genial e eletrizante sequência futurística de Nova Seul. Claro que isso nem sempre acontece, a maior parte da projeção houve uma preocupação nestas sequências, ou seja, ao mesmo tempo que isso é um de seus maiores defeitos, por vezes, acaba sendo seu grande mérito. Se torna mérito quando a edição insere elementos que contribuem para diversas histórias simultaneamente, seja a trilha sonora que acompanha vários segmentos, fazendo sentido tanto para um quanto para outro, ou algumas narrações em off, que mesmo vindas de um determinado personagem, revelam o mesmo sentimento vindo de uma outra época. E são essas conexões que provam a genialidade da obra.

E todas essas tramas entrelaçadas também não possuem a mesma força. Encontramos a genialidade dos irmãos que um dia realizaram "Matrix" de volta ao nos depararmos com o futuro de Sonmi-451 (Doona Bae), definitivamente, um dos pontos altos de todo o filme. Há beleza em toda a criação daquele mundo, seja pela arquitetura, pelo design inovador, pelo clima e principalmente por suas ideias, sem contar a força desta incrível personagem. Dirigido por Tykwer, o segmento do compositor interpretado por Ben Whishaw é outro momento marcante, tudo é guiado com uma certa delicadeza e sensibilidade, além da complexidade do personagem que de certa forma, cria uma curiosidade acerca desta trama que termina de forma impactante. Por outro lado temos histórias como a do escritor (Jim Broadbent) que vai parar num asilo e com a ajuda de alguns companheiros, tenta fugir de lá. Parece haver um desinteresse enorme da equipe para com esta trama, que surge sempre quebrando o clima, é pequeno demais perto do resto, a impressão que fica é que tentaram usá-la como uma espécie de alívio cômico, mas não funcionou, é tudo caricato e forçado. Enfim, há histórias facilmente esquecidas ao mesmo tempo em que há momentos memoráveis. No entanto, o que acaba sendo muito interessante na diferença de uma trama para outra, é que "Cloud Atlas", por fim, consegue trabalhar todos os gêneros possíveis, da comédia para o romance, de uma aventura épica para um suspense policial, de um drama intenso para uma ficção científica. É então que compreendemos a dificuldade em realizá-lo, em torná-lo algo possível. Por mais que seja nítido as falhas do longa, também é nítido a coragem dos roteiristas e diretores em finalizá-lo. Um filme com inúmeros gêneros, inúmeras histórias, personagens tão distintos interpretados pelos mesmos atores. Tramas complicadas, repletas de ideias e que ainda não segue uma ordem cronológica correta. Há ainda cenas de sexo e nudez, além de uma relação homossexual, chave para todo o resto da trama, que querendo ou não, o torna um projeto ainda mais arriscado. É exatamente isso o que "A Viagem" é, três grandes diretores correndo o risco de por tudo a perder, que não se contentam com pouco e testam na tela todas as possibilidade possíveis. E que bom que tiveram tanta coragem, caso contrário, jamais poderíamos ver algo tão único como este filme. 

A grande sacada de colocar os mesmos atores em tramas diferentes não seria tão interessante caso não fossem escolhidos os atores certos. Tom Hanks, que há muito tempo não se destacava em um longa, retorna demonstrando mais uma vez seu talento, ele, que praticamente aparece em todas as histórias, demonstra uma capacidade imensa em se transformar e surpreende. Halle Berry não tem nenhum grande momento no longa, mas convence em todas suas transformações também. O veterano Jim Broadbent também não desaponta, seja como um velhinho inocente ou como um severo compositor de música. Jim Sturgess sofre um pouco com a maquiagem, mas fez bem seus papéis, assim como Hugh Grant, longe de suas comédias românticas, que infelizmente não tem tanto espaço nas tramas, mas é nítido seu esforço. Hugo Weaving que surge irreconhecível em diversas passagens, tem na maioria, o papel do vilão ou de alguém que pretende mantar a ordem das coisas. Ainda temos o ótimo James D'Arcy e Susan Sarandon. Os destaques ficam para o jovem e talentoso Ben Whishaw e para a atriz coreana Doona Bae, que demonstram sensibilidade diante de seus personagens e emocionam por suas trajetórias. 

"Cloud Atlas" pode incomodar muita gente, muitos já o odeiam e o criticam. De certa forma, até entendo essas opiniões, o filme possui seus defeitos, é confuso e por muitas vezes lento, além de possuir quase três horas de duração. No entanto, aos que ainda não viram, eu realmente espero que sintam o que senti, não o considero uma obra-prima nem a coisa mais inovadora da história, mas confesso que nunca foi tão difícil escrever sobre um filme, até mesmo depois da sessão, simplesmente não conseguia reunir palavras para descrever o que acabara de ver, fiquei dias remoendo o filme na cabeça tentando chegar a uma conclusão. Quando se entra na grande ideia dos Wachowski e Tykwer, talvez esses sejam algum dos sintomas. O filme não entrega respostas nem significados, deixa pontas soltas e momentos que são livres para nossa própria interpretação. Não há certo ou errado quando se trata de "A Viagem". Talvez, quem sabe, seja um filme a frente de seu tempo, que não conseguiu espaço nos tempos de hoje, mas faça mais sentido daqui uns anos. Um filme que me tocou profundamente, seja por sua sensibilidade ou por seus personagens. "Cloud Atlas" é algo que nunca se viu igual, grandioso, inovador, corajoso, visualmente belo e repleto de ideias, de um roteiro inteligente e uma edição dinâmica e muito bem realizada. Um filme raro e memorável. Recomendo.

NOTA: 9



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Crítica: Holy Motors (Holy Motors, 2012)


Exibido no Festival de Cannes ano passado, "Holy Motors" marca o retorno de Leos Carax, diretor francês que não fazia filmes há mais de uma década. Podemos dizer que este tempo lhe fez bem, quando nos deparamos com esta obra extremamente inovadora e ousada, que foge completamente do que já foi feito, trazendo novas ideias e uma nova forma de encarar o cinema.

por Fernando Labanca

Somos apresentados a Oscar (Denis Lavant), um senhor aparentemente rico, que logo pela manhã entra em uma limousine, ao que tudo indica, encarar seus inúmeros compromissos. É sempre guiado por Céline (Edith Scob) que dirige o automóvel e lhe entrega uma pasta revelando o que precisa ser feito. O interior da limousine, por sua vez, funciona quase como um camarim, contendo figurino e maquiagem, é onde Oscar se transforma, mais do que isso, ele renasce, adquire outra identidade, outra personalidade, vive durante seu dia diversas vidas que não é a sua, podendo ser uma senhora pedinte, uma criatura monstruosa que vive nos esgotos, um pai infeliz, um senhor em coma, entre outros personagens, transitando pelas ruas da cidade, um lugar onde a ficção é a nova realidade e a representação, sua verdade. 


"Holy Motors" veio para quebrar certos paradigmas da sétima arte. Sem começo, meio e fim, sem um grande clímax, sem um personagem que se desenvolve durante a trama, que enfrente conflitos ou que aprenda algo ao seu final. Um estudo interessante e inovador de como se fazer um novo cinema, que nos guia a um caminho inovador e repleto de surpresas, que nos treina durante seus minutos a encarar o cinema de uma forma diferente, ignorando tudo aquilo que nos prende a um filme. Aqui, o que nos prende é a originalidade, a curiosidade que a trama nos faz sentir ao nos apresentar um universo tão inusitado. Leos Carax também não fez questão de fazer algo adorável, pois de fato, seu longa trás momentos que causam bastante estranheza, repulsa, fazendo aquele que assiste se sentir incomodado, mas ao mesmo tempo, hipnotizado por tudo aquilo, nos faz querer compreender do que realmente se trata. 

Um estranho e misterioso homem que pode viver inúmeras vidas. De início, nada faz sentido e até seu final, não fará. O que diferencia é o nosso olhar e o modo como encaramos a novidade. Se no começo vemos Oscar como um louco vivendo uma vida bizarra, ao decorrer da trama, vivenciamos sua rotina, passamos a ver lógica dentro do que se propõe. Não é uma mera atuação, pois ele encarna outros "personagens" mesmo quando não há público, o que ele pretende? Aonde tudo isso vai chegar? São questões que nos rodeiam todo o filme, mas que ao ser refletido, percebemos as boas e loucas intenções de Carax. Uma diferente e inovadora homenagem ao cinema, o roteiro extremamente criativo e ousado constrói esta fábula bizarra sobre a sétima arte, cria uma espécie de universo paralelo, onde a representação está por todos os cantos, onde ninguém vive, apenas encena, sentimentos são apenas palavras soltas e não reais. O que seria o cinema se não o local onde vivenciamos os sonhos de outra pessoa? Os conflitos de uma vida que não é nossa. E tudo isso é transmitido através de pouquíssimos diálogos, é então que surgem as imagens, com uma ótima fotografia e trilha sonora eficiente, o que vemos é um trabalho competente de Carax, que realiza cenas de grande impacto, que transita entre o poético e o grotesco.

A capacidade de Denis Lavant em se transformar como ator, se reinventando a cada sequência, torna toda esta ideia possível. Apesar de não ser um ator carismático, faz um ótimo trabalho. Ainda temos as aparições da bela Eva Mendes, como uma modelo, mas não fala em cena, e da cantora pop Kylie Minogue, que não só atua bem, como canta e realiza uma das cenas mais enigmáticas do filme. "Holy Motores" também possui seus defeitos, acredito que os delírios do cineasta, mesmo que ainda consiga construir uma obra criativa, também peca pelo excesso, onde o bizarro nem sempre cai para o bom gosto, como a cena final, totalmente nonsense, que mais do que causar incômodo, também causa irritação. No geral, é um filme que definitivamente ganhará um público ainda daqui uns anos, quem sabe será reconhecido como obra-prima por alguns. Poucos filmes ousaram se arriscar tanto quanto este, algo que pouco se viu nos últimos anos e sei que jamais farão um igual. Brilhante! Recomendo.

NOTA: 8,5



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Crítica: Detona Ralph (Wreck-it Ralph, 2012)

Era disso que eu estava falando, uma animação capaz de agradar crianças e adultos, um filme que nos prende não apenas pelo seu visual, mas por sua história, extremamente criativa, repleta de detalhes bem pensados, um roteiro capaz de construir personagens fortes e conflitos que nos emocionam. É o retorno triunfal da Disney. "Detona Ralph", é sem sombra de dúvida, uma das melhores animações dos últimos anos.

por Fernando Labanca

Conheça o universo por trás dos video-games, quando um jogo termina um novo mundo se inicia, onde os avatares ganham vida e traçam suas próprias jornadas. É neste local que vive Ralph, do jogo de fliperama "Conserta Felix Jr.", ele é basicamente o vilão, tem a função de destruir tudo o que encontra para justamente o Felix Jr. consertar, até que Ralph se cansa dessa vida de sempre, de ser obrigado a realizar as mesmas coisas e nunca ser reconhecido por isso, de ser ignorado pelos demais simplesmente por ser o vilão. Até que decide provar para os habitantes do Conserta Felix seu devido valor e ao descobrir que em outro jogo, os personagens ganham medalhas por suas ações, decide roubá-la, por puro mérito seu. No entanto tudo dá errado e ele vai parar em Sugar Rush, um jogo de corrida cheio de cores e doces, é onde ele conhece Vanellope, uma garotinha que rouba sua medalha, pois somente assim, ela conseguiria correr, logo que possui uma deficiência e é menosprezada pelas demais jogadoras e nunca consegue participar como avatar. Para conseguir sua medalha de volta, Ralph passa a ajudá-la, mais aos poucos vai percebendo que sua relação com Vanellope é muito além de sua busca pela medalha, percebe que ambos possuem as mesmas dores, descobre nela uma amizade e a chance de ser um herói.


Assim como as animações clássicas, como "Toy Story" ou "Procurando Nemo", onde nos apresentaram um universo novo, descobrimos como é viver através de outra perspectiva, sendo um brinquedo ou bicho do mar. Uma das grandes graças de se ver um filme do gênero ao decorrer dos últimos anos foi justamente esta divertida transição que os bons roteiros conseguiram realizar, de nos mostrar como é determinada realidade, como seria se ela realmente existisse e trazendo grandes argumentos sempre é possível acreditar, mesmo que em poucos minutos. A Disney ressuscita em "Detona Ralph" o que houve de melhor nos últimos anos neste gênero, consegue através de seus grandes argumentos nos fazer acreditar nesta nova realidade, a vida por trás dos jogos. É simplesmente inacreditável como cada pequeno elemento ali em cena foi bem pensado, beira a genialidade toda a jornada no protagonista e toda a construção de seu universo. Resgatar os jogos de fliperama realmente foi uma grande sacada, não tem preço ver Sonic, Bowser do "Super Mario" ou Zangief e Bison do "Street Fighter", ou outros grandes nomes de nossa infância surgindo como meros figurantes ao fundo das cenas, em um grandioso prédio onde se tem acesso a todos os video-games, algo que me lembrou muito a fábrica de "Monstros S.A." Apesar de haver esses clássicos, o longa acaba dando destaque para novas criações, como o "Conserta Felix Jr." e "Sugar Rush", onde é neste segundo mundo, todo colorido, que quase toda a trama se desenrola, pode até incomodar de início, mas a história tão interessante nos faz querer viver tudo aquilo. O roteiro extremamente criativo, assinado por Phil Johnston e Jennifer Lee, ainda trás outras ideias inovadoras, como o soldado em "primeira pessoa" no moderno e realista jogo de tiro, a personagem Vanellope sendo um "bug", não podendo participar da mesma forma que não pode sair de seu "mundo", a inusitada reunião dos vilões numa espécie de encontro dos anônimos, ou o simples movimento robótico dos habitantes de Conserta Felix. Enfim, provam que a equipe pensou em cada pedaço do filme, onde pequenos detalhes deste universo são resgatados e muito bem inseridos durante toda a jornada.

"Detona Ralph" também não escapa dos clichês. Uma trama sob o ponto de vista do vilão, que acaba amolecendo o coração e descobrindo como é ser herói já foi trabalhada outras vezes e nem faz tanto tempo assim, como nas animações "Meu Malvado Favorito" e "Megamente". Claro que as histórias são completamente diferentes, mas a essência é a mesma. No entanto, mesmo com essas repetições, o longa acaba se destacando é por sua originalidade, até porque os clichês são muito bem aproveitados aqui, não sendo assim, um defeito. A trajetória de Ralf também é repleta de questões existencialistas, e por mais que isso também não seja novidade em animações, aqui o roteiro faz bom proveito de seus dramas particulares, construindo ótimos conflitos, como ver nosso protagonista cansado de sua vidinha de sempre, vivendo no automatico, sem ser livre e sem ter escolhas, ou também os que ele vive ao lado de Vanellope. É realmente emocionante vê-lo ajudando a garotinha a vencer a corrida, já não mais sendo por sua medalha, mas por simplesmente vê-la vencer. A relação entre os dois é ao mesmo tempo divertida e bela, uma amizade que vai sendo construída aos poucos e logo nos afeiçoamos a estes incríveis personagens e nos vemos torcendo por eles, logo que o roteiro em nenhum momento facilita a jornada dos dois, e este é um dos grandes méritos do longa, mesmo sendo destinado ao público infantil, não perde tempo com tramas fáceis e conflitos resolvidos rapidamente, colocando seus personagens a enfrentar um grande vilão, muito bem construído, aliás, além dos dilemas que precisam encarar. Ou seja, tem grandes chances de conquistar os adultos também, não só porque a infância dos já crescidos de hoje está na tela, mas porque diferente das últimas animações lançadas, este nos faz pensar e refletir, além de nos fazer rir bastante e nos emocionar de verdade, elementos básicos que infelizmente se tornaram raros neste gênero. 

Seu visual, claro, também não decepciona. Aliás, grande parte de sua originalidade e genialidade está em seu visual, desde a criação dos cenários, ambientações, personagens, se utilizando sempre de boas referências, muitas delas vindas de nossa infância e por isso se torna um filme tão prazeroso de se ver. "Detona Ralph", aliás, nada mais é que um ode à infância, parece que nos faz voltar no tempo e nos faz sentir novamente como crianças. Rimos de coisas bobas e nos divertimos com coisas simples. Pouquíssimos filmes conseguem este tipo de milagre, por isso o considero, sem pensar duas vezes, é uma das melhores animações dos últimos anos. É a prova do quanto a junção com a Pixar fez bem para a Disney, um filme que se preocupa e muito com seu visual, mas não mais que suas ideias, que seus argumentos. Até que enfim, uma animação inteligente, ousada, original e extremamente criativa. Recomendo!

NOTA: 9

Obs: Destaque positivo para a dublagem nacional, que confesso, me surpreendeu bastante pela qualidade, pois nem sempre dublagem com "famosos" dão bons resultados, com o ator Tiago Abravanel, a VJ MariMoon e o "repórter" Rafael Cortez, dublando os personagens principais. 





segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Glodo de Ouro 2013 - Os Vencedores

 
Neste domingo, dia 13/01, foram anunciados os vencedores ao prêmio Globo de Ouro, conhecido como o principal termômetro para o Oscar. A premiação ocorreu em Los Angeles e teve como apresentadoras, as comediantes Tina Fey e Amy Poehler.

A premiação foi longa, isso devido aos inúmeros intervalos comerciais, no entanto, a apresentação de Tina e Amy foi divertida, deram dinâmica e conseguiram fazer ótimas piadas, não daquele humor forçado típico de premiações norte-americanas, acabou sendo engraçado simplesmente porque elas são ótimas no que fazem, fazer rir sem grandes esforços. Ainda teve o convidado especial, o ex-presidente Bill Clinton, para surpresa de todos, para comentar sobre o filme "Lincoln", acabou que sendo pura política mesmo.  Durante a noite, surgiram no palco diversos astros, mas sem sombra de dúvida, os melhores foram Will Ferrell e Kristen Wiig, que anunciaram o prêmio para Atriz Coadjuvante, foi simplesmente hilário.

Para minha grata surpresa, sim, o Globo de Ouro foi surpreendente. Não deu muitas chances para os favoritos e diferente do Oscar, compreendeu a qualidade do obra de Ben Affleck e o premiou como Melhor Diretor e a grande surpresa da noite, lhe deu o prêmio de Melhor Filme Drama para "Argo". "Os Miseráveis" também fez bonito na noite, ganhou 3 prêmios, desbancando o até então favorito "O Lado Bom da Vida" na categoria Filme - Comédia ou Musical. Outra surpresa foi "Django Livre" e seu prêmio de Melhor Roteiro. Outras premiações foi como se esperava mesmo, como não poderia ter sido ninguém além de Daniel Day-Lewis a ganhar Melhor Ator Drama, como também não poderia ter sido outra a ganhar Atriz Comédia além de Jennifer Lawrence. Como toda ano, sempre tem aquele premiado injusto, dessa vez ficou para a animação "Valente", bem inferior aos seus concorrentes como "Detona Ralf" e "A Origem dos Guardiões".

Vamos aos vencedores...



FILME - DRAMA

Argo
Django Livre
Lincoln
As Aventuras de Pi
A Hora Mais Escura


FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
 
Os Miseráveis
O Lado Bom da Vida
Moonrise Kingdom
Amor Impossível
O Exótico Hotel Marigold


DIRETOR

Ben Affleck (Argo)
Steven Spielberg (Lincoln)
Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)
Quentin Tarantino (Django Livre)


ATRIZ - DRAMA

Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Naomi Watts (O Impossível)
Helen Mirren (Hitchcock)
Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)


ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Emily Blunt (Amor Impossível)
Judi Dench (O Exótico Hotel Marigold)
Maggie Smith (Quartet)
Meryl Streep (Um Divã Para Dois)


ATOR - DRAMA

Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O Mestre)
Richard Gere (A Negociação)
John Hawkes (As Sessões)
Denzel Washington (O Voo)


ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL

Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Jack Black (Bernie)
Ewan McGregor (Amor Impossível)
Bill Murray (Um Final de Semana em Hyde Park)


ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Amy Admas (O Mestre)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As Sessões)
Nicole Kidman (The Paperboy)


ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz (Django Livre)
Alan Arkin (Argo)
Leonardo DiCaprio (Django Livre)
Philip Seymour Hoffman (O Mestre)
Tommy Lee Jones (Lincoln)


ROTEIRO

Quentin Tarantino (Django Livre)
Mark Boal (A Hora Mais Escura)
Tony Kushne (Lincoln)
Chris Terrio (Argo)
David O.Russell (O Lado Bom da Vida)




FILME ESTRANGEIRO

Amor (Austria)
A Royal Affair (Dinamarca)
Intocáveis (França)
Kon-Tiki (Noruega)
Ferruagem e Osso (França)


ANIMAÇÃO

Valente
Detona Ralph
A Origem dos Guardiõs
Frankenweenie
Hotel Transilvânia




TRILHA SONORA

Michael Danna (As Aventuras de Pi)
Alexandre Desplat (Argo)
Dario Marianelli (Anna Karenina)
Tom Tykwer (A Viagem)
John Williams (Lincoln)


CANÇÃO ORIGINAL

"Skyfall" (007 - Operação Skyfall)
"For You" (Um Ato de Coragem)
"Not Running Anymore" (Stand up Guys)
"Safe and Sound" (Jogos Vorazes)
"Suddenly" (Os Miseráveis)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Oscar 2013 - Os indicados


Nesta quinta, dia 10/01/13, foram anunciados os indicados ao Oscar. A premiação ocorrerá dia 24 de fevereiro. Antes das indicações...vamos às considerações...

por Fernando Labanca

"As Aventuras de Pi" foi realmente uma das grandes surpresas, o segundo mais indicado, em 11 categorias, perdendo apenas para o novo projeto de Steven Spielberg, "Lincoln", que soma 12 indicações. Havia tempo em que a Academia não valorizava tanto o trabalho de Spielberg e mesmo com 2 Oscars em sua prateleira acredito que seja bem possível o veterano levar mais uma. Outra surpresa foi "Indomável Sonhadora" que concorre prêmios importantes como Melhor Filme, Diretor e Atriz, para a pequena Quvenzhané Wallis de apenas 9 anos. A comédia dramática "O Lado Bom da Vida" que tem dois fortes protagonistas, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, ambos indicados por suas interpretações, também acabou se destacando entre os indicados, assim como o tão aguardado musical "Os Miseráveis" e o novo filme do austríaco Michael Haneke, "Amor".

Como todo ano, há os famosos ignorados pela Academia. Christopher Nolan realizou um dos grandes filmes de 2012, "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" e foi totalmente ignorado, até mesmo nas categorias técnicas, como efeitos especiais, som e trilha sonora. "Moonrise Kingdom" de Wes Anderson, aclamado pelo público e crítica, surgiu tímido com apenas a indicação de Melhor Roteiro Original. A comédia independente "As Sessões" já cheirava Oscar desde que seu trailer fora divulgado, mas apenas Helen Hunt o está representando como Atriz Coadjuvante. E preciso escrever...que bom vê-la em destaque mais uma vez, é uma atriz fantástica. Me surpreendeu não ver "The Paperboy" entre os indicados, o novo filme de Lee Daniels me pareceu bastante promissor, não tendo nem mesmo Nicole Kidman como coadjuvante, já indicada no Globo de Ouro. Apesar da boa seleção na categoria Ator Coadjuvante, senti falta de Javier Bardem por "007-Operação Skyfall". Faltou obviamente, Paul Thomas Anderson, sem sombra de dúvida, um dos melhores diretores da atualidade e seu filme "O Mestre" que apareceu pouco entre os indicados. E para surpresa de todos, o francês "Intocáveis" ficou fora de Melhor Filme Estrangeiro. Seria bom também, se a Academia reconhecesse o trabalho de Ben Affleck como diretor, não seria exagero colocá-lo entre os indicados por seu excelente desempenho em "Argo". Kathryn Bigelow também pode ser considerada uma ignorada, todos já esperavam sua indicação como diretora.


Com algumas surpresas em algumas categorias, mais pela ausência de alguns nomes do que pelas escolhas, no geral, Oscar 2013 não inovou em muita coisa, trouxe aqueles filmes que todos esperavam ver, isso porque é uma premiação que chegar muito tarde, depois de Globo de Ouro, Bafta, SAG Awards, entre outras premiações que fazem desta, a considerada mais importante de todas, se tornar óbvia.

Vamos aos indicados...

FILME

 A Hora Mais Escura
Amor
As Aventuras de Pi
Argo
Django Livre
Indomável Sonhadora
Lincoln
O Lado Bom da Vida
Os Miseráveis

É estranho pensar que para definir os vencedores exista uma regra, mas sim, elas existem. Talvez não regras, mas uma certa lógica que o Oscar vem se utilizando ao longo dos anos. Geralmente Melhor Filme também leva de Melhor Diretor, logo podemos dizer que os únicos verdadeiros indicados, porque 9 indicações é mera democracia disfarçada, são apenas 5 filmes, "Indomável Sonhadora", "Amor", "As Aventuras de Pi", "Lincoln" e "O Lado Bom da Vida". O filme de Michael Haneke também está sendo indicado em Melhor Filme Estrangeiro, é bem possível que leve este, portanto o descarto como Melhor Filme. "Indomável Sonhadora" me parece a grande zebra do ano, não aposto. "O Lado Bom da Vida" é bonitinho demais, tem cara de Roteiro Adaptado. Ficamos apenas com "As Aventuras de Pi" e "Lincoln", apesar de ter adorado intensamente o longa de Ang Lee, acredito que o filme de Spielberg seja mais tradicional, acho que será o grande vencedor. Mas, quem sabe a Academia resolva se redimir com Ang Lee, lhe dando o prêmio, coisa que não aconteceu em 2006, quando "O Segredo de Brokeback Mountain" não ganhou Melhor Filme, enquanto que ele ganhara o de Diretor.

DIRETOR

Michael Haneke (Amor)
Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora)
Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Steven Spielberg (Lincoln)
David O. Russell (O Lado Bom da Vida)

"Indomável Sonhadora", diretor desconhecido, enfim, sem chances. Também não aposto em David O.Russell, comédias dramáticas nunca ganham prêmios importantes. Michael Haneke tem grandes chances, logo que venceu ano passado a Palma de Ouro por este mesmo filme. Ainda acho que Spielberg tenha mais chances que Ang Lee, apesar da minha torcida ser contrária. Vejo mais Spielberg como vencedor, mas quem sabe a Academia surpreenda e podemos ver Haneke ou Ang Lee subindo no palco.



ATOR

Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Denzel Washington (Voo)
Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Joaquin Phoenix (O Mestre)

Bradley Cooper? Acho que não. O filme de Robert Zemeckis, "O Voo" passou despercebido, não aposto que leve algum prêmio na noite. Joaquin Phoenix parece estar incrível em "O Mestre", assim como Hugh Jackman soltando a voz no musical "Os Miseráveis", mas não é de hoje que digo sem pensar duas vezes, Daniel Day-Lewis é, de fato, o melhor ator da atualidade, me surpreende vê-lo tão pouco nos cinemas. Já tem 2 Oscars, acredito que leve seu terceiro, merecidamente. Sempre.


ATRIZ

Naomi Watts (O Impossível)
Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Emmanuelle Riva (Amor)
Quvenzhané Wallis (Indomável Sonhadora)

A pequena Quvenzhané já fez seu papel, surpreendeu a todos ao ser indicada, já é um feito, ou seja, não levará o prêmio. Jessica Chastain não pareceu ser tão forte a ponto de sair vencedora, assim como Naomi Watts que emocionou muitos com "O Impossível", mas também não aposto nela. Acredito que as chances ficam entre Emmanuelle Riva que tem chamado a atenção de muita gente por sua atuação em "Amor" e Jennifer Lawrence, simplesmente por ser a nova queridinha de Hollywood, ela é ótima, mas não acho que mereça tanto quanto Riva. Mas é claro, adoro Naomi Watts, ficaria feliz se o Oscar me surpreendesse.


ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz (Django Livre)
Philip Seymour-Hoffman (O Mestre)
Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)
Tommy Lee Jones (Lincoln)
Alan Arkin (Argo)

Christoph Waltz é um grande ator fazendo o mesmo papel, acho bem difícil ele sair vencedor. Alan Arkin também fez o de sempre em "Argo", seria mais justo ter John Goodman ou Bryan Cranston representando o filme. Robert De Niro, sem chances. Aposto nos dois que sobram, em Philip Seymour Hoffman, que sempre é indicado, mas nunca leva o prêmio, é um incrível ator, merece este prêmio, e Tommy Lee Jones, que tem grandes chances de vencer simplesmente por fazer parte do elenco de "Lincoln".


ATRIZ COADJUVANTE

Sally Field (Lincoln)
Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Jacki Weaver (O Lado Bom da Vida)
Helen Hunt (As Sessões)
Amy Adams (O Mestre)

Tenho três queridas atrizes entre as indicadas, Helen Hunt, Amy Adams e Anne Hathaway, seria ótimo ver qualquer uma dessas vencendo. Tirando Jacki Weaver de "O Lado Bom da Vida", acho que as quatro tem grandes chances de vencer, a categoria que pode surpreender este ano.  


ROTEIRO ORIGINAL

Michael Haneke (Amor)
Quentin Tarantino (Django Livre)
John Gatins (Voo)
Wes Anderson e Roman Coppola (Moonrise Kingdom)
Mark Boal (A Hora Mais Escura)

Talvez por ter ignorado "Moonrise Kingdom", a Academia lhe dê este único prêmio, seria ótimo, aliás. Mas acredito que dentre todos, "Amor" de Michael Haneke tenha mais chances. Mas "Django Livre" e "A Hora Mais Escura" podem surpreender.


ROTEIRO ADAPTADO

Chris Terrio (Argo)
Lucy Alibar e Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora)
David Magee (As Aventuras de Pi)
Tony Kushner (Lincoln)
David O. Russell (O Lado Bom da Vida)

Categoria difícil. Todos os indicados são bem fortes e todos estão presentes na categoria de Melhor Filme. Por outro lado, comédias dramáticas geralmente levam este prêmio e por isso "O Lado Bom da Vida" pode levar o prêmio. No entanto, se "Lincoln" provar este aparente favoritismo, pode levar também, simplesmente por ser favorito.


FILME ESTRANGEIRO

Amor (Áustria)
No (Chile)
War Witch (Canadá)
O Amante da Rainha (Dinamarca)
Kon-tiki (Noruega)

Se "Amor" não for levar o de Melhor Filme, tem grandes chances de levar este. Porém, o chileno "No" tem feito barulho e pode surpreender.


ANIMAÇÃO

Valente
Frankenweenie
ParaNorman
Piratas Pirados!
Detona Ralph

Acredito que "Piratas Pirados" e "ParaNorman" são os que tem menos chances, mas claro, posso estar enganado. Geralmente as animações dos grandes estúdios levam. "Valente" é fraco, nem mesmo merecia estar entre os indicados, mas pode vencer por ser da Pixar, que sempre monopolizou o Oscar na categoria. Tim Burton tem chances, mas confesso que minha torcida é para "Detona Ralf", que mostra uma Disney superior à Pixar, não tanto pelas técnicas, mas pelo roteiro.


FOTOGRAFIA

Anna Karenina
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 – Operação Skyfall

Fortes indicados, mas não há como negar, "As Aventuras de Pi" trouxe um dos visuais mais impactantes dos últimos anos, seria injusto não levar.  É possível, também, que o longa de Quentin Tarantino leve este, pois ao que parece, não levará outro. Mas todos são bons, qualquer um será uma surpresa.


EDIÇÃO

Argo
As Aventuras de Pi
Lincoln
A Hora Mais Escura
O Lado Bom da Vida

Acredito que "O Lado Bom da Vida" não leve este, é estranho, mas geralmente filmes mais sérios levam este prêmio, portanto, fico entre "Argo", "Lincoln" ou "A Hora Mais Escura". 



TRILHA SONORA ORIGINAL

Dario Marianelli (Anna Karenina)
Alexandre Desplat (Argo)
Mychael Danna (As Aventuras de Pi)
John Williams (Lincoln)
Thomas Newman (007 – Operação Skyfall)

Só não aposto em Thomas Newman por 007, do resto, todos tem grandes chances de vencer. Dario Marianelli já fez boas parcerias com o diretor Joe Wright, como "Orgulho e Preconceito" e "Desejo e Reparação" e acredito que "Anna Karenina" leve algo, se não for trilha sonora será por seu visual. No entanto, Danna, Desplat e Williams são sempre nomes fortes.


CANÇÃO ORIGINAL

Before my time, de "Chasing ice" – J. Ralph
Everybody needs a best friend, de "Ted" – Walter Murphy
Pi's lullaby, de "As Aventuras de Pi" – Mychael Danna
Skyfall, de "007 - Operação Skyfall" – Adele
Suddenly, de "Os Miseráveis" – Claude-Michel Schönberg 

Quase nunca uma canção de um filme se torna manchete de notícia, "Skyfall" de Adele é sem dúvida a canção mais forte dentre os indicados. Acho que o longa de James Bond, um dos mais aclamados dos últimos anos, leve pelo menos um prêmio, e pode ser este. No entanto, temos um musical e "Os Miseráveis" pode vencer.


EFEITOS VISUAIS

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
As Aventuras de Pi
Os Vingadores
Prometheus
Branca de Neve e o Caçador

Fico entre "O Hobbit" e "As Aventuras de Pi", os mais elogiados entre os indicados, pois geralmente os mais aclamados vencem, como "Hugo Cabret" em 2012 e "A Origem" em 2011.


EDIÇÃO DE SOM

Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
A Hora mais Escura
007 – Operação Skyfall


MIXAGEM DE SOM

Argo
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 – Operação Skyfall


FIGURINO

Anna Karenina
Os Miseráveis
Lincoln
Espelho, Espelho Meu
Branca de Neve e o Caçador

Aposto em "Anna Karenina", pois muito antes de ser lançado, seu figurino já era assunto. Mas "Os Miseráveis" também tem grandes chances. 


DESIGN DE PRODUÇÃO

Anna Karenina
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis
A Aventuras de Pi
Lincoln

Acredito que "O Hobbit" seja o mais fraco dentre os indicados, qualquer um dos quatro pode vencer.

MAQUIAGEM

Hitchcock
Os Miseráveis
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

"Hitchcock" só teve esta indicação, acredito que será seu prêmio de consolação. 


CURTA-METRAGEM

Asad
Buzkashi boys
Curfew
Death of a shadow
Henry


DOCUMENTÁRIO (LONGA-METRAGEM)

5 broken cameras
The gatekeepers
How to survive a plague
The invisible war
Searching for a sugar man


DOCUMENTÁRIO (CURTA-METRAGEM)

Inocente
Kings point
Mondays at Racine
Open heart
Redemption


ANIMAÇÃO (CURTA-METRAGEM)

Adam and dog
Fresh guacamole
Head over heels
Maggie Simpson in 'The Longest Daycare
Paperman


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Crítica: Argo (Argo, 2012)

Indicado ao Oscar 2013 de Melhor Filme, "Argo" foi uma das grandes surpresas do cinema ano passado, com roteiro ágil e inteligente, o longa é apenas o terceiro filme de Ben Affleck atrás das câmeras e marca a curta e já bem sucedida carreira como diretor, realizando não apenas seu melhor trabalho, como também um dos melhores filmes de 2012.

por Fernando Labanca

Década de 70. Somos apresentados a nova realidade do Irã, quando a população decide fazer um grande protesto contra os norte-americanos, mais precisamente no alvo mais vulnerável, a embaixada dos Estados Unidos, ameaçando invadi-la. Tudo isso porque o país apoiava o governo de opressão do antigo líder iraniano, e o protegeu quando este foi deposto, impedindo assim, que a população fizesse a justiça que desejava. É então que invadem a embaixada e apenas seis diplomatas conseguem escapar. "Argo" é sobre a incrível ideia da CIA, plano escondido há anos, de como eles planejaram a fuga dessas seis pessoas do país, sem que elas fossem percebidas na fronteira. 

Ben Affleck interpreta Tony Mendez, especialista em exfiltrações, que após ouvir ideias bizarras sobre como salvá-los, desenvolve seu próprio plano, não menos bizarro que as outras e muito mais complicada que todas elas. Usar uma produção hollywoodiana como fachada, contratando toda uma equipe, diretor, maquiador, e fazendo assim, os seis norte-americanos se passarem por membros deste grupo, se utilizando de um roteiro ignorado, para um filme chamado "Argo", uma ficção científica que tem como cenário o Oriente Médio.


O filme já começa com uma introdução bastante interessante, uma narração que explica o que precisávamos entender sobre aquela época, sobre aquele país. É neste momento que "Argo" já nos revela dois pontos cruciais, a seriedade com que trata suas ideias e seu tom crítico ao falar sobre política. Nos próximos minutos até seu final somos inseridos dentro da trama, não conseguimos mais escapar. O roteiro faz com que tudo ali mostrado seja de nosso interesse, ficamos curiosos a cada passo, a câmera parece situar-se nos locais ideias para nos colocar a frente de todas as ações. Chega a ser chocante seu início e a bela sequência da invasão à embaixada e já neste ponto percebemos que "Argo" está sob o comando de uma grandioso diretor. Ben Affleck. É tudo muito real, chocante e acima de tudo, prazeroso, que funciona não só como um relato histórico, mas como um cinema de extrema qualidade. O filme cresce a cada instante e aos poucos vamos sendo apresentados a esta louca história real, quase que impossível de acreditar. Uma trama absurda, de eventos absurdos, que nos faz ter uma única certeza...precisava ser feito.

É definitivamente muito bizarro todo o esquema da CIA e Tony Mendez e a graça do filme vem exatamente disso. E o bom é que mesmo se tratando de uma obra tão séria, o filme ainda consegue enxergar a comicidade desta situação, nos fazendo rir diante do inusitado. É brilhante como o roteiro consegue inserir comédia nos diálogos, através de seu humor sarcástico, fazendo piada de si mesmo, fazendo piada de Hollywood e política. Aliás, os coloca no mesmo patamar, provando que no fundo é tudo ficção mesmo. Assinado por Chris Terrio, o excelente roteiro nos fisga no instante em que começa até seu término. É tudo tão interessante, a fuga dos diplomatas, a criação do filme fake, a relação de Tony com tudo isso, o como de repente ele se tornou o herói de uma história que jamais poderia ser publicada, uma luta delicada, sofrida, porém silenciosa. E mesmo relatando de forma tão séria, "Argo" em nenhum momento deixa de ser um entretenimento agradável. Ben Affleck consegue este feito ao construir sequências memoráveis, trabalhando com competência todas as nuances deste fantástico roteiro, que transita facilmente entre um filme político denso, com discursos convincentes e críticos, chegando a ser ousado principalmente ao citar o intervencionismo norte-americano, ponto que nem sempre é discutido, e diferente de outros títulos não pretende rotular as nações entre heróis e mocinhos. Sendo ainda um potente filme dramático, humanizando seus personagens, nos fazendo torcer por eles. Ainda encontramos ação e suspense, com direito a cenas eletrizantes como a fuga final que é simplesmente de tirar o fôlego e como disse anteriormente, a comédia, que surge de forma imprevisível, mas seu humor é bom e por isso é sempre bem-vindo. 

Outro ponto positivo é seu elenco. Mas é válido citar...é um filme de coadjuvantes. Ben Affleck atuando ainda é um ótimo diretor, faltou um protagonista mais forte e mesmo com uma aparência bastante diferente, o ator surge bem morno a frente das câmeras, o lado bom é que ele ainda não prejudica o resultado final, até porque os coadjuvantes fazem um excelente trabalho e em quesito de atuação não há do que reclamar. Mesmo Bryan Cranston roubando a cena em todos os episódios da série "Breaking Bad", ele ainda consegue surpreender aqui, assim como John Goodman que aparece mais uma vez fantástico. Alan Arkin fazendo o que já fez antes, mas ainda faz bem e sua participação é ótima. Ainda vemos nomes como o carismático Tate Donovan, Chris Messina, Kyle Chandler e a ótima Clea DuVall.

"Argo" já é um marco. Raras vezes nos deparamos com obras tão completas como esta. Daqueles filmes que terminam e não há o que mudar, pois tudo surge em perfeito estado. Do inteligente e ousado roteiro, da direção impecável de Ben Affleck, da trilha sonora assinada pelo francês Alexandre Desplat, além da ótima seleção de músicas de época que embalam esta inusitada jornada. O filme ainda nos revela uma excelente fotografia e belíssimos figurinos. Enfim, foram poucas as vezes em 2012 que saí tão satisfeito de uma sala de cinema. Um filme completo, realista, que hipnotiza, que emociona, que faz rir e ainda em seu final faz o coração parar. Um filme obrigatório. Uma obra-prima.

NOTA: 10

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Crítica: Drive (Drive, 2011)

Vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes em 2011, Drive fora baseado no livro de James Sallis, sendo que sua versão nos cinemas parece funcionar ainda melhor devido a grande direção do dinamarquês Nicolas Winding Refn, que conseguiu transformar uma história tão simples em um filme extremamente interessante e estiloso.

por Fernando Labanca

Ryan Gosling interpreta um misterioso homem, trabalha como dublê em filmes de ação e para isso conta sempre com a ajuda de seu fiel agente Shannon (Bryan Cranston), onde juntos trabalham em uma oficina mecânica. Entretanto, o piloto age fora da legalidade nas horas vagas, dirigindo seu carro pelas perigosas ruas de uma cidade, buscando bandidos, os ajudando a fugir da policia, sem nunca se envolver com os roubos, respeitando sempre seu código de ética. Eis que ele acaba conhecendo sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), e ao lado dela e deu pequeno filho, acaba construindo um elo no qual não estava em seus planos, no entanto, tudo foge realmente do controle, quando o ex-marido dela (Oscar Isaac) retorna da prisão precisando de ajuda para resolver os assuntos do passado. O piloto passa a ajudá-lo, mas aos poucos vai percebendo que o plano é muito mais complicado do que parecia, mas ele se mostra disposto a sujar suas mãos de sangue para salvar a família, para salvar a mulher que passou a amar.


"Diga-me onde começamos e onde vamos depois. Eu te dou cinco minutos depois que chegarmos lá. Estou a sua disposição nesses cinco minutos, haja o que houver. Após os cinco minutos, está por sua conta. Eu não participo do roubo e não porto armas. Eu dirijo!". É assim, que nosso protagonista sempre se apresenta, esta é sua função e é apenas isso o que ele faz. É interessante este "código" no qual ele mesmo inventou e ele o respeita com seriedade, sem nenhuma relação com os bandidos, sem nunca falhar. A trama ganha fôlego, porém, quando este seu código é alterado, quando ele passa a se envolver com as vítimas e quando já não é mais dono do plano. "Drive" nos mostra com maestria todo o processo deste misterioso homem, quando tudo vai fugindo do controle é quando então vamos conhecendo o que havia por trás do dublê ou do piloto, a verdadeira saga do herói, ou do vilão, tudo depende do ponto de vista. É interessante visualizar toda sua jornada, onde em poucos minutos de duração, o roteiro nos revela sua transformação, onde enfim o protagonista ganha uma vida de ação real, não aquelas que força diante da câmera, onde enfim ele descobre o que é uma relação, o que é amar, quando seus planos deixam de ser apenas por cinco meros minutos, passam a ser uma questão de honra, questão de querer proteger a quem ama.

A história do livro "Drive" é extremamente simples, mas se diferencia dos demais pela escrita de James Sallis onde conta a história em ordem não cronológica. O roteiro do filme ficou por conta do iraniano Hossein Amini, que realiza uma grande adaptação, alterando inúmeros elementos, optando por uma trama cronologicamente correta, não contando, porém, a infância do protagonista e dando mais espaço para os coadjuvantes, item, aliás, que fez bem para obra, caso contrário, personagens como Irene seria inútil e Carey Muligan não daria o ar de sua graça. Mas o que faz do filme ser ainda melhor que o livro é sem sombra de dúvida a direção de Nicolas Winding Refn. Parece até uma comparação injusta, mas a obra original não inova em muitas coisas, a história é simples e facilmente esquecida, bem diferente de sua versão no cinema, onde o diretor conseguiu contruir mais do que um longa visualmente belo, deu alma para a história, lhe deu personalidade, "Drive" é muito mais que um filme de ação e romance, é uma obra memorável, repleto de incríveis momentos, cenas tão bem realizadas, tão bem arquitetadas, detalhes que fazem deste filme um marco. O que dizer da já antológica cena no elevador? Ou das belíssimas cenas de perseguição? Com bom uso da câmera lenta, violência à la Cronemberg, que acaba nos pegando de surpresa, fotografia impecável, cenas milimetricamente bem pensadas, um conjunto de elementos que só enaltecem o que poderia ser um filme qualquer com uma história qualquer, Refn prova que uma pequena ideia pode virar um grandioso filme. A trilha sonora também faz sua parte, assinada por Cliff Martinez, com canções pop e uma pegada dos anos 80.

Falar bem de Ryan Gosling é chover no molhado, é um cara talentoso, realiza grandes cenas, e mesmo com um personagem que pouco fala, consegue dizer muitas coisas com seu forte e intenso olhar. Carey Mulligan mostrando mais uma vez seu carisma, leva brilho e beleza ao longa, trás uma deliciosa naturalidade que poucas atrizes conseguem, enfim, é de fato uma das melhores de sua geração. Drive ainda nos presenteia com grandes coadjuvantes como Bryan Cranston, sempre magnífico, Albert Brooks, Ron Perlman, Christina Hendricks e Oscar Issac. Um elenco fantástico que surge através de um incrível roteiro, com uma trama que nos deixa vidrado, hipnotizados durante todos seus 100 minutos, com pouquíssimos diálogos mas que ainda transmite muitos sentimentos, ainda consegue ser impactante. Do figurino à trilha sonora, do roteiro à direção, do visual ao bom conteúdo, raríssimos filmes conseguem o equilíbrio perfeito de tudo isso, "Drive" é um cinema raro, muito mais do que isso, é um filme que tem personalidade, tem estilo, estilo que poderá servir de referência aos próximos que virão.

NOTA: 9,5