sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Crítica: O Verão da Minha Vida (The Way Way Back, 2013)

Todo ano, o cinema indie norte-americano nos presenteia com sua graça, com tramas simples, divertidas e com aquela pitada de drama e boa trilha sonora. Pois bem, 2013 estava mesmo precisando de uma obra tão incrível que preenchesse essa vaga. Por fim,“O Verão da Minha Vida” se firma, facilmente, com um dos filmes mais adoráveis deste ano, que diverte e emociona com sua simplicidade e surpreende ao conseguir extrair de seu público tantas sensações. O feel good movie que 2013 merecia e precisava.

Por Fernando Labanca

O filme se inicia com Duncan (Liam James), um garoto de quatorze anos, indo passar o verão na casa de campo de seu padrasto, Trent (Steve Carell), ao lado de sua mãe (Toni Collette). Ele passa por uma fase complicada, enfrentando todas as crises de qualquer adolescente e sua baixa autoestima se reafirma com as atitudes nada agradáveis de Trent, que insiste em coloca-lo em situações embaraçosas e que tanto o afasta de sua mãe. Sem encontrar muito sentido neste verão, Duncan acaba fazendo amizade com a loirinha bonitinha que é sua vizinha temporária (AnnaSophia Robb), filha de uma amiga de seus pais (Alisson Janney), a única que parece compreender seu universo. Ao mesmo tempo, o garoto conhece um parque aquático perdido no meio da cidade, é onde faz novos amigos, onde encontra, enfim, um lugar para curtir e se sentir livre. É lá que conhece o insano e despojado Owen (Sam Rockwell), o cara que tenta colocar ordem em toda aquela bagunça e é ele quem oferecerá refúgio para seus problemas, ao mesmo tempo em que lhe dará forças para enfrenta-los.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crítica: A Família Flynn (Being Flynn, 2012)

Em 2001 chegou aos cinemas uma incrível obra chamada “Um Grande Garoto”, comédia dramática bastante sensível e divertida que revelou o diretor Paul Weitz, que até então tinha apenas se aventurado no primeiro filme da saga “American Pie”, e ao longo desses anos ele realizou alguns trabalhos de qualidade duvidosa, outros, até interessantes mas pouco conhecidos. Eis que este ano me deparo com um filme que me recordou o porquê de eu admirar tanto o trabalho deste cara, surge tão bom quanto em seu início de carreira, “A Família Flynn”, drama com Paul Dano e Robert De Niro, que aqui no Brasil teve o azar de ser lançado diretamente nas locadoras, o que é uma grande pena, pois se trata de um filme poderoso, conflitante, surpreendentemente bom.

Por Fernando Labanca

Baseado no livro “Another Bullshit Night in Suck City” escrito por Nick Flynn, o filme acompanha o embate entre duas vozes, a de Jonathan Flynn (Robert de Niro) que narra sua incrível jornada sendo, segundo ele mesmo, um mestre em contar histórias, um dos nomes mais importantes da literatura norte-americana. Por outro lado, vemos sua própria história sendo contada por seu filho, Nick Flynn (Paul Dano) que perdeu a mãe por suicídio e que fora abandonado por ele, seu pai, que não o vê há dezoito anos. É então que Nick nos revela o verdadeiro Jonathan, passou pela prisão por ações ilegais, perdeu a casa e seu carro, no qual o usava para trabalhar como taxista, é um alcóolatra, um indigente, perdido no mundo. Até que Nick, que é um aspirante escritor, que tão transtornado pelos acontecimentos de sua vida, decide ajudar o próximo, trabalhando em um centro comunitário, que ajuda moradores de rua, é onde, depois de tantos anos, se reencontra com seu pai e se vê obrigado a resolver os problemas e conflitos que os levaram até ali.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Crítica: O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond The Pines, 2013)

Dirigido por Derek Cianfrance, o mesmo que em 2011 trouxe para as telas o melancólico “Namorados Para Sempre”, e repetindo a parceria entre ele e o ator Ryan Gosling, este filme é ainda mais impactante que seu projeto anterior. E com seu talento em construir personagens tão humanos, “O Lugar Onde Tudo Termina” surpreende com sua trama brilhantemente bem escrita, intensa e reflexiva. Um dos melhores filmes do ano.

Por Fernando Labanca

A obra gira em torno de um acontecimento que definiu a vida de algumas pessoas, com começo, meio e fim bem pautados. Um evento que surge por pura ironia do destino e que as coloca diante uma das outras. “O Lugar Onde Tudo Termina” narra o momento na vida desses indivíduos em que eles ficam presos a este acontecimento, um clico que nasce e parece não ter fim, passando por gerações. Não há, portanto, um protagonista, são, na verdade, três histórias, três momentos, o começo, o decorrer e a consequência, e o roteiro muito bem escrito, as une de forma inesperada, quase como capítulos muito distintos, mas que não funcionam isoladamente. É como a vida mesmo, uma trajetória necessitando do impulso de outra para existir.

No primeiro momento, conhecemos Luke (Ryan Gosling), trabalha como motoqueiro em eventos esporádicos, até que reencontra com Romina (Eva Mendes), um caso do passado que logo revela ter tido um filho com ele mas preferiu se afastar. Para recuperar o tempo perdido como pai, Luke decide sustentar a família que acreditar ter, larga o emprego e passa a assaltar bancos. No segundo momento, o policial Avery Cross (Bradley Cooper) tenta se manter digno diante da corrupção de seus próprios colegas. Na terceira parte, Jason (Dane Dehaan), um jovem que decide ir atrás de seu pai no qual nunca teve notícias.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Crítica: A Datilógrafa (Populaire, 2013)

Dirigido pelo estreante Régis Roinsard, uma deliciosa comédia romântica francesa que resgata com competência o charme do cinema da década de 50. O gênero que teve pouquíssimos bons exemplares em 2013, ganha um ótimo reforço com “A Datilógrafa”, extremamente cativante e divertido, com uma direção de arte impecável e uma grande revelação chamada Déborah François.

por Fernando Labanca

Filha de um pai conservador que a quer casada com o homem que ele mesmo escolheu, Rose Pamphyle (Déborah François) sai de sua cidade, se recusando a ter a vida comum de todas as mulheres, foge da obrigação de ser uma dona-de-casa, tinha um plano maior em mente. Consegue um trabalho como secretária no escritório de seguros de Louis Échard (Romain Duris), e apesar de não ter muito talento na profissão, acaba chamando a atenção por sua agilidade em datilografar, despertando assim o espírito esportivo de Louis, que a faz participar de uma competição entre datilógrafas. A partir de então, ele passa a treiná-la e Rose aos poucos vai ganhando notoriedade na mídia, conquistando fãs, conhecendo a fama, conseguindo viver a vida que na época era o “sonho de toda mulher moderna”.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Crítica: Bling Ring - A Gangue de Hollywood (The Bling Ring, 2013)

No ano de 2008, um grupo de adolescentes ficou famoso por invadir e roubar a casa de celebridades. “Bling Ring”, novo filme de Sofia Coppola, é baseado em um artigo que Nancy Jo Sales escreveu para a Vanity Fair sobre o ocorrido. Sem a intenção de julgar ou compreender a mente destes jovens, o que vemos é um filme sobre futilidades, que assusta por ser tão real e tão perto do que vemos diariamente na mídia e nas redes sociais. Mais do que isso, a obra de Coppola expõe o vazio existencial, aquele mesmo sentimento (ou ausência de) tão presente em sua filmografia.

Por Fernando Labanca

Conhecemos Marc (Israel Broussard), um jovem que não se sente tão bonito e atraente e por isso, se sente tão distante dos outros. É seu primeiro dia de aula em seu novo colégio, é onde conhece Rebecca (Katie Chang), uma garota que o enturma em seu grupo de amigos, e logo percebe que ela realiza alguns furtos para não cair na rotina e não demora muito até que Marc passe a auxiliá-la. No entanto, eles querem mais, é a cidade de Los Angeles, local onde residem grandes celebridades, eles passam a invadir suas mansões em busca de qualquer coisa. Até que outros amigos ficam sabendo, como Chloe (Claire Julien), Sam (Taissa Farmiga) e Nicki (Emma Watson) e se deslumbram por este mundo cheio de possibilidades, joias, roupas de grife, vestidos, sapatos, bolsas, de Paris Hilton a Lindsay Lohan. Nada os impede, vivendo loucamente a liberdade de uma vida vazia, sem sentido, exatamente como aquela que a mídia insiste em vender.


“É incômodo que tantos me adorem por algo tão odiado pela sociedade. Se fosse por algo que beneficiasse a comunidade ou algo parecido, eu adoraria. Mas isso demonstra que a América tem um fascínio mórbido por Bonnie e Clyde.”

Quem são nossos heróis? Quem queremos ser? Quem realmente nos fascina, nos inspira? “Bling Ring” coloca essas questões de forma sutil, sem deixar de chocar, de nos fazer refletir, pensar no mundo em que vivemos, na futilidade que vemos diante de nossos olhos diariamente, na televisão e nas revistas que definiram o que é beleza e o que é ser bem sucedido, ou até mesmo nos clipes musicais (que aqui os jovens fazem questão de cantar em alto e bom som) que exaltam a cultura do gangsta e o fascínio que a sociedade tem sobre Bonnie e Clyde. Muitos podem até achar que o filme vangloria este tipo de vida, o “lifestyle of rich and famous”, muitos até o julgarão de vazio, até porque é este sentimento que fica ao seu final. Vejo de forma diferente, vejo que Sofia Coppola acerta ao retratar este mundo, no qual conhece tão bem, a vida destes jovens que tem em comum a ausência dos pais e a fascinação, quase que inconsciente, pela futilidade. Jovens que veem a felicidade nas roupas de grife e principalmente na foto em que vai postar no facebook, nesta vontade imbecil de querer vender a própria vida, ou neste caso, viver, nem que seja por alguns instantes, como se fosse uma celebridade, desfrutando daquilo que eles jamais teriam, desfrutando do holofote que nunca seria deles, num mundo em que glorifica este ato, ser o centro da atenção por não fazer nada, ser tão descartável como uma capa de revista. É impactante, ao mesmo tempo compreensível, o sorriso em que Marc lança ao receber tantos convites de amizade nas redes sociais, como se isso realmente importasse, sua felicidade em perceber que está presente nas fotos, é como se passasse a ser como os outros. “Bling Ring” é extremamente realista nesses detalhes e não foi preciso se aprofundar tanto, conseguiu em poucos minutos extrair a verdadeira e atual sociedade, de forma cruel e chocante. 

O filme em nenhum momento julga o que é certo ou errado, apenas nos mostra os acontecimentos, a parte da reflexão e compreensão cabe a nós. E assim como todas as obras de Sofia Coppola, se instala, em seu final aquele sentimento de vazio, que surge não como um erro, mas por ela, justamente relatar, sempre de forma tão intimista, o vazio existencial, seja do reinado de Maria Antonieta, daquele pai em “Um Lugar Qualquer”, do casal de estranhos em “Encontros e Desencontros” ou das jovens em “Virgens Suicidas”. “Bling Ring” dialoga muito bem com os dias de hoje, mesmo sendo tão simples consegue ser complexo, assim como seus projetos anteriores. Não é seu melhor momento, mas não deixa de ser ainda um grande filme. É até irônico e bastante coerente a maneira como Coppola flagra os acontecimentos da trama, em tom documental, parecendo um verdadeiro reality show, é como se ela entregasse a esses jovens exatamente o que eles queriam, a fama fácil, o espaço para se vender, onde ninguém é amigo de ninguém, estão todos preocupados com suas próprias conquistas. 

A simplicidade está entre as características mais marcantes da cineasta, entretanto, chega alguns momentos que isso passa a ser um defeito, quando ela se limita ao máximo, tanto no roteiro quanto em sua direção, como as cenas das invasões ou dos jovens sendo perseguidos por jornalistas, dando entrevistas. É tudo muito repetitivo e muito igual, não há dinamismo, dando às vezes a impressão de estarmos vendo as mesmas cenas em diferentes momentos. Chega a ser muito didático, quadrado, há um processo muito esquemático no filme que incomoda, primeiro eles roubam, depois ficam famosos por isso, são perseguidos pela polícia e pela mídia, primeiro um dá entrevista, depois o outro, depois o outro, e Coppola não se esforça em criar maneiras diferentes para contar a mesma coisa.

O elenco jovem não desaponta, Israel Broussard constrói um personagem interessante, faz um homossexual sem ser forçado ou irreal, é com certeza, o personagem melhor desenvolvido na trama, é através dele que visualizamos o vazio e a futilidade daquela vida. Muitos acharam que Emma Watson seria a protagonista e se desapontaram por ela não ser, e penso que foi uma escolha acertada, ela é uma grande coadjuvante e se destaca fácil, rouba a cena, eu diria, há filmes feitos para os coadjuvantes, “Bling Ring” é de Emma Watson, ofuscando sem muito esforço suas colegas de cena, como Katie Chang e Taissa Farmiga, ainda que muito competentes. É inevitável não dedicar toda a nossa atenção a Emma em todas as cenas em que aparece.

“Bling Ring” é mais um grande trabalho de Sofia Coppola que se firma como uma das diretoras mais interessantes do cinema atual, que mesmo com suas falhas, conseguiu, somando este, construir uma das filmografias mais adoráveis e coerentes que já se teve notícias. Sou um fã, por isso, é importante deixar claro que sou bem suspeito para falar de qualquer filme que ela faça. Tirando as reflexões e complexidade, a obra é simplesmente deliciosa, gostosa de se ver, com personagens interessantes, história inusitada e uma das trilhas musicais mais envolventes do ano. Recomendo.


NOTA: 8,5  



País de origem: EUA
Duração: 90 minutos
Elenco: Israel Broussard, Katie Chang, Emma Watson, Taissa Farmiga, Leslie Mann, Claire Julien
Diretor: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Crítica: A Espuma dos Dias (L'écume des jours, 2013)

Baseado no livro de Boris Vian, importante obra da literatura francesa escrita no final da década de quarenta, “A Espuma dos Dias” conta com a direção de Michel Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) que abusa do surrealismo, construindo algo bizarro, estranhamente encantador, uma espécie de fábula adulta onde tudo é possível. Simplesmente incapaz de ser comparado a qualquer outro filme já feito.

Por Fernando Labanca

Colin (Romain Duris) é um bom vivant, um homem que não trabalha e passa seu tempo com invenções futurísticas, como as mesas ondulares, um piano que produz bebidas de acordo com suas notas musicais, sapatos com vida própria, entre outras coisas. Divide sua casa com um antigo amigo e cozinheiro Nicolas (Omar Sy) e um pequeno rato que age como um humano. Recebe sempre a visita de outro amigo, Chick, que é obcecado pelos pensamentos de Jean Sol Partre e costuma gastar todo seu dinheiro em seus livros. Até que, percebendo que tanto Chick quanto Nicolas estavam se relacionando com uma mulher, Colin decide fazer o mesmo, é então que conhece Chloe (Audrey Tatou), uma bela e encantadora moça que fará ele se apaixonar perdidamente. Eles se casam com o pouco dinheiro que lhes restavam, eis que não demora muito até que Chloe descobre que sofre de uma doença rara, um nenúfar está crescendo em seus pulmões. Para salvá-la, Colin abandona seu modo de vida e se entrega aos mais absurdos trabalhos a fim de sustentar o caro tratamento, mesmo ela não indicando nenhuma melhora.


Desde a primeira cena, o filme já nos alerta, estamos diante de algo extremamente inovador, diferente de tudo que estamos acostumados a ver, um universo onde tudo é possível, onde não há lógica, pessoas voam para chegar mais rápido nos lugares, sombras e comida possuem vida, casais precisam correr de carrinho de brinquedo para conseguir se casarem, um mundo onde limusines são transparentes e existem carros em formato de nuvem. Esqueça o que você conhece sobre a realidade, Michel Gondry desconstrói a lógica do cinema, a lógica da própria vida e mesmo levando tudo isso consideração, “A Espuma dos Dias” pode ainda não ser compreendido, porque de fato, nada faz muito sentido, muitos até se esforçarão para encontrar alguma metáfora, mas talvez a graça seja realmente essa, não encontrar o sentido. Essa fuga de paradigmas e conceitos passa a ser uma experiência muito única e só por esta experiência, o filme já vale muito a pena.

Por um lado, essas inovações mirabolantes de Michel Gondry são admiráveis, a cada nova cena, milhares de novos artefatos, engenhosidades de extrema criatividade, raros no cinema, é de chocar se pararmos para pensar todo o trabalho da produção. Entretanto, infelizmente Gondry não é capaz de dar a essas criações um motivo para estarem ali, não alteram a narrativa, não interferem em nada, por fim, acabam sendo meros objetos de cena, mas que erroneamente possuem um destaque muito grande na trama. Tenho a sensação que o diretor se perdeu em sua própria grandeza, deu tanta importância a essas engenhosidades que esqueceu os próprios personagens, havia uma bela história a ser contada, mas ela sempre acaba ficando em segundo plano.

“São as coisas que mudam, não as pessoas”. Esta frase é fundamental para toda a construção e compreensão deste universo. Enquanto Colin tenta sempre ver o copo meio cheio, jamais enxergando suas incapacidades, jamais pensando que poderá perder aquela mulher que mais ama, aquele universo em que ele mesmo criou vai perdendo a vida aos poucos, curiosamente sua casa vai diminuindo, e a fotografia, tão genial, expõe, visualmente, os sentimentos dos personagens, que perdem a cor ao decorrer da trama. Se ao início, o filme explodia em detalhes e cores, terminamos assistindo a uma obra em preto e branco. A fotografia, por sua vez, é bastante crua, deixando tudo muito real, por mais que haja este universo fantasioso, ele é muito crível, isso ocorre também, devido a maneira como são usados os efeitos especiais, com uma plasticidade retrô, apesar de futurístico, me lembrando, por vezes, programas infantis da década de noventa, é tudo bastante nostálgico. “A Espuma dos Dias” também apela para o humor, bem peculiar, mas que funciona, diverte, mas aos poucos, assim como suas cores, o humor e aquele romance delicado e gostoso de ver dá espaço para o pessimismo, a angústia, é, por fim, uma obra melancólica. 

“A Espuma dos Dias” é muito diferente daquilo que vendeu nos trailers, pode ser um choque para muitos, principalmente aqueles que desconhecem a obra de Michel Gondry. Faz diferença também conhecer um pouco do autor do livro, Boris Vian, que aliás, eu desconhecia, estudou engenharia, é um apreciador do Jazz e de Jean Paul Sartre, são apenas detalhes, mas que trás um pouco mais de sentido à história, pois são, nitidamente, a base para a construção da obra. Confesso que achei tudo muito interessante, mas ainda assim, este interesse causado pela criatividade de cada sequência não foi capaz de prender tanto a atenção, não se mantém num bom ritmo, chegando a ser tedioso, por algumas vezes. Ainda assim, é belo, a presença de Romain Duris e Audrey Tatou ajudam e muito, são extremamente incríveis e funcionam perfeitamente bem juntos, o que acaba sendo uma pena o roteiro e a direção não ter percebido a força deles, a força da história do casal principal, os conflitos, os dramas, sempre se distancia de tudo isso, focando em personagens sem o mesmo carisma e importância, focando nas criações de Michel Gondry que nada interferem na história. É bom, é inovador, encantador, mas faltou alma, faltou sentimento, teria sido perfeito se Gondry percebesse que esses elementos ele encontraria nos personagens e não em seu cenário. Gostei, apesar dos inúmeros e nítidos defeitos, só não superou minhas expectativas, não é tão bom quanto eu esperava e queria, mas ainda assim, recomendo.

NOTA: 7,5


País de origem: França
Duração: 125 minutos
Elenco: Romain Duris, Audrey Tautou, Omar Sy, Gad Elmaleh
Diretor: Michel Gondry
Roteiro: Luc Bossi, Michel Gondry