quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Crítica: Magia ao Luar (Magic In The Moonlight, 2014)

Como todo ano que passa, este não poderia faltar um filme de Woody Allen. O título da vez é "Magia ao Luar", protagonizado por Colin Firth e Emma Stone. Assim como algumas de suas obras anteriores, como "Escorpião de Jade" (2001) e "Scoop" (2006), Allen volta a flertar com a fantasia em mais uma deliciosa comédia romântica. É mais um daqueles momentos descompromissados do diretor, leve, gostoso de ver, mas que aos poucos, prova ser bastante reflexivo e tão bom quanto seus trabalhos anteriores.

por Fernando Labanca

Nos palcos, Stanley (Colin Firth) é um renomado ilusionista conhecido como Wei Ling Soo, fora dele, na vida real, é um cético rabugento incapaz de acreditar em qualquer coisa que não se tenha provas de sua existência, por isso sempre é convidado a desmascarar charlatões que ganham dinheiro em cima de inocentes que creem no além. É então que, atendendo o pedido de um amigo (Simon McBurney), viaja até o sul da França para desmascarar a bela e jovem norte-americana Sophie (Emma Stone), que tem chamado a atenção de uma família rica devido aos seus dons como médium, capaz de falar com os mortos e desvendar o passado de qualquer pessoa. Entretanto, quanto mais tempo Stanley passa ao lado de Sophie, mais difícil se torna acreditar em sua farsa, mais impossível ainda, passa a ser renegar seus encantos.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Crítica: Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, 2014)

John Carney é um musico irlandês que ganhou notoriedade no mundo do cinema ao dirigir o longa "Apenas Uma Vez" (2007), sucesso no Festival de Sundance e que acabou ganhando o Oscar de Canção Original. "Mesmo Se Nada Der Certo" marca seu retorno e chega com aquela expectativa sobre como seria seu novo trabalho, agora em Hollywood. A verdade é que a espera valeu muito a pena, trata-se de um filme encantador, que nos inunda de ótimas vibrações, que preenche a alma, que é tão bom e tão gostoso de ver que chega até ser um exagero. Com certeza, uma das experiências mais incríveis que tive no cinema este ano.

por Fernando Labanca

Gretta (Keira Knightley) é uma compositora que se muda para Nova York, ao lado de seu namorado (Adam Levine), um cantor em ascensão. Não demora muito até ela descobrir uma traição, culminando no fim do relacionamento e a deixando sem rumo nesta cidade que desconhece. Desiludida, busca abrigo com seu amigo e também cantor Steve (James Corden) que ganha a vida cantando em bares, onde, certa vez, a faz subir no palco e cantar uma de suas composições. É neste instante, que a vida de Gretta se depara com a vida de Dan (Mark Ruffalo), um fracassado produtor musical, recém demitido e sem planos futuros, que vê em sua voz uma chance de recomeçar. Juntos, decidem apostar na carreira musical de Gretta, e para gravar uma demo, montam uma banda aos improvisos, e passam a gravar uma canção em cada canto da cidade.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Crítica: Garota Exemplar (Gone Girl, 2014)

Produzido por Reese Witherspoon e baseado no livro de Gillian Flynn, que também assina o roteiro, "Garota Exemplar" é mais um interessante trabalho do diretor David Fincher, que constrói um suspense inteligente, intrigante e surpreendente, onde ninguém sairá ileso da sessão.

por Fernando Labanca

Nome por trás de obras como "Clube da Luta" e "Seven", David Fincher tem trilhado um caminho admirável em Hollywood, e nos últimos anos tem se especializado no suspense investigativo, onde o diretor parece ter se "encontrado" no gênero. E seguindo quase como uma fórmula, o diretor resgata boas ideias da literatura e as adapta de uma forma muito única na tela. Ainda que suas obras sejam muito distintas, todas parecem seguir o mesmo intuito. "Zodíaco", "A Rede Social", "Millennium" e agora este, "Garota Exemplar", todos tem uma investigação como premissa, seja do paradeiro de um serial killer, seja a investigação por trás do sucesso - ou fracasso pessoal - do criador do facebook. Cada um, a sua maneira, Fincher usa da investigação, do suspense, do mistério, para revelar a complexidade da mente humana, ele nem sempre está interessado nos eventos ou consequências, seu interesse maior está naquele que age, no suspeito, na vitima, seja na mente por trás de um crime, seja na mente por trás de uma criação.

É assim que "Garota Exemplar" começa. O marido, enquanto acaricia sua amada esposa, se pergunta o que há em sua mente e se mostra disposto a fazer de tudo para compreender o que há naquele olhar e no silêncio que nada revela. Amy Dunne, interpretada por Rosamund Pike, é uma das personagens mais enigmáticas que Fincher já trouxe para os cinemas e o mistério do que há por trás desta mulher é o que guia a trama, é o que nos prende neste ótimo suspense, longo, mas que provavelmente você não sentirá os minutos passarem.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Crítica: Se Nada Mais Der Certo (2008)

Dirigido por José Eduardo Belmonte, "Se Nada Mais Der Certo" é mais um daqueles dramas nacionais que passam despercebidos pelo público, que se o acharem, acredito eu...terão uma grata surpresa. Um filme brilhante, extremamente bem conduzido, que choca por suas ideias e seus diálogos e encanta por sua poesia, pela natural beleza que consegue extrair de cada cena.


por Fernando Labanca

No caos de São Paulo, vivem esses seres, perambulando pelas ruas, vivendo uma rotina banal, sem rumo, Léo (Cauã Reymond) é um jornalista que tem sérios problemas financeiros e para piorar, divide seu apartamento com uma amiga, a depressiva Ângela (Luiza Mariani) e seu pequeno filho de seis anos. Até que certa noite, em uma badalada casa noturna, Léo conhece Marcin (Caroline Abras), que apesar de se vestir como homem e agir como mulher, prefere não definir seu sexo. Não demora muito até que Marcin lhe apresente um antigo amigo, o taxista Wilson (João Miguel), que acredita ter problemas mentais. Juntos, Léo, Marcin e Wilson começam a trocar experiências, revelam seus medos e a vulnerabilidade que sentem ao viver neste sistema sem lógica do país, é então que decidem fazer algo, por dinheiro, por uma chance de terem uma vida mais digna, começam a planejar alguns golpes, sem jamais imaginarem que esta ligação que nasceria entre eles seria tão profunda e tão afetuosa.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Crítica: Será Que? (What If, 2013)

Baseado na peça canadense "Cigars and Toothpaste" de T.J.Dawe, "Será Que?" se mostra, aos poucos, uma comédia romântica interessante, ainda que nunca negue alguns clichês, consegue se diferenciar de tantas que existem por aí, além de contar com atuações de Daniel Radcliffe e Zoe Kazan como o casal protagonista,  que encantam e fazem a sessão valer a pena.

por Fernando Labanca

A trama não é nada incrível. Conhecemos Wallace (Radcliffe) que após ser traído por sua namorada, permanece um ano sozinho, sem jamais saber como seguir em frente. Até que em uma festa organizada por seu amigo Allan (Adam Driver), ele conhece Chantry (Kazan), é então que ele sente que este é, enfim, o momento para tentar algo novo, pois se trata de uma garota adorável e que possuí muitos gostos em comum com ele. Não demora muito até Wallace descobrir que ela tem um namorado, situação que o coloca em um grande dilema: continuar amigo, logo que se dão extremamente bem, ou estragar a amizade contando a verdade, contando sobre seu real sentimento por ela. E assim, ambos seguem nesta relação amigável, Wallace sempre esperando algo a mais e Chantry que se torna cada vez mais confusa sobre o que deseja em sua vida, pois a natural afinidade que constrói com seu novo amigo acaba abalando sua relação com seu atual namorado.