quinta-feira, 30 de julho de 2015

Crítica: Cidades de Papel (Paper Towns, 2015)

Pegando carona no sucesso que "A Culpa é das Estrelas" fez ano passado, o filme é mais uma adaptação de John Green para as telas. Mais descompromissada, a obra não deixa de ser, ainda, um interessante relato sobre a adolescência, e no meio de boas ideias, diálogos e personagens, "Cidades de Papel" surpreende, ao ser muito mais do que pretende ser.

por Fernando Labanca

Tenho percebido que o público tem encarado, de longe, o filme com um certo preconceito. Muitos já o acusam de ser clichê e previsível somente pelo trailer. O garoto desajustado que se apaixona pela vizinha, que é inclusive, muito popular no colégio. Os adolescentes norte-americanos que tanto conhecemos e já estamos cansados de ver. Sim, ele foi vendido como "mais do mesmo". Por isso é tão bom chegar ali, no cinema e se deparar com algo maior, se surpreender pela forma como o roteiro consegue escapar dessas previsibilidades. Li o livro e fiquei feliz em saber que os responsáveis pela adaptação foram Scott Neustadter e Michael H.Weber, que já mereciam todo o respeito por obras como "500 Dias Com Ela" (2009) e "O Maravilhoso Agora" (2013). Aqui, eles realizam mais um excelente trabalho, compreendem o que é ser jovem, entregam beleza à adolescência e aos tempos que passaram. Nos fazem sentir falta de uma época que adorávamos odiar, o colégio. Trata-se de um produto extremamente simples, leve, teen, mas que ganha pontos por esta vibe saudosista que insere em sua trama, pela nostalgia que nos traz.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Crítica: Frank (2014)

"Frank" é um daqueles filmes independentes um tanto quanto especiais, que instiga por toda sua estranheza e excentricidade, ao mesmo tempo em que encanta por todos os seus sentimentos, que diverte, que inspira e nos faz querer viver um pouco da loucura que oferece.

por Fernando Labanca

Levemente baseado no personagem Frank Sidebottom, criado pelo músico e comediante Chris Sievey. A trama foca na jornada de Jon (Domhnall Gleeson), um aspirante tecladista que escreve suas próprias canções, porém, enfrenta um bloqueio criativo no qual não consegue se ver livre. Eis que se depara com a banda The Soronprfbs, um grupo bastante alternativo que iria se apresentar em sua cidade mas acaba perdendo, coincidentemente, o tecladista, devido ao surto que teve, e sem muitas opções, resolvem colocam Jon no lugar. Ansioso por fazer exatamente o que sempre sonhou, ele ainda aceita participar de uma viagem para Irlanda, ao lado dos desconhecidos, para que pudessem gravar um álbum. E deste inesperado contato, Jon se vê cada vez mais fascinado por aquele universo, pela loucura e excentricidade dos membros da banda, principalmente por Frank, o vocalista, que usa uma cabeça grande de papel machê e não a tira por nada, e com seu jeito estranhamente amigável, ele busca extrair o que há de mais louco em cada um, os inspirando na criação de suas músicas.


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Crítica: O Ano Mais Violento (A Most Violent Year, 2014)

Sendo apenas o terceiro filme de J.C. Chandor, que dirigiu anteriormente "Margin Call" (2011) e "Até o Fim" (2013), vemos aqui mais uma prova de que seu nome é um dos mais promissores do cinema atual. Ignorado nas grandes premiações de 2015, "O Ano Mais Violento" é uma daquelas obras quase que irretocáveis, que se torna um deleite cinéfilo, ao oferecer uma história interessante e um primoroso visual. 

por Fernando Labanca

A trama acontece no ano de 1981 em Nova York, época em que os gangsters dominavam os negócios e construíam seus reinados através de métodos não muito louváveis. É neste cenário em que Abel Morales (Oscar Isaac), que herdou de seu sogro uma empresa no setor de combustíveis, tenta se erguer, sempre com a ajuda de sua esposa Anna (Jessica Chastain), como um dos melhores empresários no ramo, passando a investir muito dinheiro para conseguir uma área onde poderia armazenar seu produto. Alvo forte de seus concorrentes, tudo começa a se desestabilizar quando uma série de assaltos e ameaças começam a ocorrer contra seus funcionários, além da pressão que sofre pelo promotor (David Oyelowo) que decide iniciar uma investigação sobre seu negócio. E dentre tantos obstáculos, Abel tenta se manter limpo, honesto, sempre distante de tudo aquilo que vai contra sua moral.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Crítica: Cake - Uma Razão Para Viver (Cake, 2015)


Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz - Drama, "Cake" é uma grande chance para Jennifer Aniston, que depois de tantos anos se dedicando à comédia, se entrega com força neste papel intenso, que não só confirma seu inegável talento como também prova o quão longe ela é capaz de ir.

por Fernando Labanca

"Cake" é um filme que me surpreendeu bastante. Já esperava uma boa atuação de Aniston, mas pelo trailer me pareceu mais uma daquelas dramédias do Festival de Sundance, onde todos os problemas são resolvidos com bom humor. Não, bem diferente disso, o longa é um drama pesado, que discute assuntos delicados como o suicídio, sem jamais apelar ou cair no dramalhão, por outro lado, sem nunca procurar caminhos fáceis para seus personagens. Acompanhamos o caminho árduo de sua protagonista, Claire Bennett, que parece estar o tempo todo no fundo do poço, não há chances para ela, o que torna seus minutos em instantes dolorosos. Chega a ser claustrofóbico ver o mundo por sua perspectiva, ela é a personificação da dor, de uma mulher que perdeu demais na vida e não sabe como se reerguer, e se não fosse o bastante, sua dor também é física, mal consegue se locomover e possui uma pele cheia de cicatrizes. O que, de fato, aconteceu com ela é o mistério que move a obra.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Crítica: Sob o Mesmo Céu (Aloha, 2015)

Finalmente consegui ir ao cinema e ver um dos filmes que mais aguardava neste ano. O motivo por esta minha espera? Como já disse algumas vezes no blog, sou um grande fã de Cameron Crowe e fiquei contando os meses, assim que soube que seu mais novo trabalho seria lançado em 2015. Por tudo isso, digo que ao final da sessão só conseguia sentir uma única coisa: decepção.

por Fernando Labanca

Aquele que assinou obras como "Quase Famosos", "Vanilla Sky" e até o subestimado "Elizabethtown", Cameron Crowe é um diretor que acompanho desde mais jovem, gosto de sua filmografia e alguns de seus filmes estão entre os meus favoritos. A leveza e originalidade com que consegue construir um feel good movie, o tornam em um profissional muito único, além de outros elementos sempre presentes que fazem de seus trabalhos bastante autorais, como uma excelente trilha sonora, personagens carismáticos e diálogos marcantes e inspiradores. E o fato dele demorar muito para lançar um filme, sempre fico no aguardo, esperançoso sobre seus próximos projetos e assim, é quase que impossível não criar uma alta expectativa a cada vez que ele ressurge.

"Sob o Mesmo Céu" teve uma campanha de marketing das boas, com direito a comerciais na TV e um excelente trailer, além de atores conhecidos estampados no poster. Aliás, que produto estrelado por Emma Stone, Bradley Cooper e Rachel McAdams poderia dar tão errado? A grande decepção vem de tudo isso, se trata de uma propaganda enganosa, que vende o que o filme não é e nem se esforça para ser. Sendo, na verdade, uma comédia sem graça, um drama que não emociona e um romance que não empolga, onde nem mesmo o brilhante elenco consegue salvar, este que é, infelizmente, o grande fracasso na carreira de Cameron Crowe, que faz seu último trabalho, "Compramos um Zoológico", até então, seu projeto menos interessante, parecer uma obra-prima.