quinta-feira, 30 de junho de 2016

Crítica: Amizades Improváveis (The Fundamentals of Caring, 2016)

Mais um produto original da Netflix, "Fundamentals of Caring" é uma obra genérica para ser vista em um sábado a tarde e esquecida logo depois.

por Fernando Labanca

Impossível não comprá-lo com outros dois filmes recentes, o francês "Intocáveis" e o romance "Como Eu Era Antes de Você". Em todos eles, temos o curioso encontro entre uma pessoa que sofre de alguma deficiência com aquele que é responsável por seus cuidados e ao decorrer da história, ambos acabam aprendendo e muito um com o outro. A ideia é até interessante e funcionou bem nos exemplos citados, mas deixou de ser novidade, não existe mais o elemento surpresa porque sabemos exatamente como tudo irá acontecer e justamente por isso, "Amizades Improváveis" se torna um produto totalmente descartável, pois não consegue, em momento algum, oferecer um argumento novo ou algo que justifique sua criação. E dentro do contexto que já conhecemos, esta lá o homem frustrado, Ben (Paul Rudd), que teve duras perdas ao longo de sua vida e como forma de se reerguer, se oferece como um "cuidador" e seu primeiro cliente é Trevor (Craig Roberts, de "Submarine"), portador de atrofia muscular. Cansado de ver a rotina do jovem trancafiado dentro da própria casa, Ben resolve levá-lo a uma viagem, realizando alguns de seus inusitados desejos como conhecer "o maior bovino do mundo" e "o buraco mais fundo do mundo".


terça-feira, 28 de junho de 2016

Crítica: Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2, 2016)

Grande sucesso de 2013, "Invocação do Mal" era visto na época como um dos melhores títulos de terror que o cinema havia lançado desde muito tempo. Era certo que uma continuação viria. O que não era muito certo, porém, é que conseguiriam o feito de manter o alto nível do primeiro, entregando não somente uma sequência que vale uma conferida, o que já é muito raro, mas também, uma trama envolvente e uma direção ainda muito notável de James Wan.

por Fernando Labanca

"Invocação do Mal 2" relata o caso real conhecido como Enfield Poltergeist, registrado no final da década de 70, na Inglaterra. No filme, acompanhamos uma família bastante fragilizada, tanto pelas condições financeiras quanto pelo abandono do pai. Eis que estranhos acontecimentos começam a assombrá-los e logo percebem que não estão sozinhos na casa, chegando ao ápice quando ocorre uma manifestação poltergeist na jovem Janet (Madison Wolfe). É então que o casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), que planejavam parar com as investigações paranormais, viajam para passarem alguns dias no local, observando de perto a família e certificando a veracidade dos fatos.



quinta-feira, 23 de junho de 2016

Crítica: The Beach Boys - Uma História de Sucesso (Love and Mercy, 2015)

Bem diferente do que denuncia este preguiçoso título nacional, "Love & Mercy" relata o lado oculto além da conhecida jornada de sucesso da banda The Beach Boys, focando na conturbada mente de seu criador, Brian Wilson e em como ele viveu durante anos entre o limite da genialidade e a insanidade.

por Fernando Labanca

Cinebiografias tem o poder de revelar a vida por trás daqueles que conhecemos apenas através dos holofotes. É sempre interessante ter a chance de conhecer o lado de uma carreira que desconhecíamos e sinto, no entanto, que "Love & Mercy" leva esta máxima a outro nível, porque no fundo, o cinema adora maquiar essas trajetórias, dando um tom mais épico e mais romantizado do que realmente foi a realidade. Seja qual for sua intenção, a obra acabou me surpreendendo mais do que outras do mesmo gênero, principalmente porque eu não fazia ideia do fim que havia tido os integrantes dos Beach Boys, não fazia ideia deste universo imenso existente por trás da fama, por trás do verão, das praias e de todo este conceito leve que a banda optou por seguir. Bate um certo desconforto acompanhar este filme, talvez por compreender que esta história tão pesada permaneceu quase que oculta durante todos esses anos. É sempre triste entender que por trás do sorriso que a mídia expõe, pode haver um ser vazio, que nitidamente precisa de ajuda e que por trás do esquecimento, do fim da fama, poderá haver um individuo que segue uma vida desgraçada e ninguém se dará conta disso. O peso da obra vem justamente disso.