segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Crítica: Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!, 2015)

Denominado como sequência espirituosa de "Jovens, Loucos e Rebeldes" (1993), o filme, novamente escrito e dirigido por Richard Linklater, traz novos personagens mas a mesma sensação libertadora de seu grande clássico.

por Fernando Labanca

"Jovens, Loucos e Mais Rebeldes" é, de longe, a obra mais simples da carreira de Linklater, o que, de certa forma, é compreensível se pensarmos que seu último trabalho foi o complexo e grandioso "Boyhood". É quase como um momento de descanso, de regresso, de voltar às origens e a simplicidade de quando havia começado. Ao mesmo tempo em que isso é  aceitável, é estranho assistir ao filme e pensar que estamos falando do mesmo diretor que realizou obras tão incríveis como a Trilogia do Antes. Estamos falando de um cineasta que sempre soube encontrar a genialidade na sutileza, que revelou ao longo de sua carreira o poder que pode ser encontrado no cinema menor, mais genuíno. Tudo isso se perde aqui, onde entrega mais do que um produto pequeno, mas um produto sem relevância e sem a inteligência que o trouxe até aqui.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Crítica: O Programa (The Program, 2015)

Baseado em uma das maiores farsas da história do esporte, "The Program" nos revela que na vida é possível encontrar tramas tão absurdas quanto as da ficção.

Fernando Labanca

O ciclista Lance Armstrong foi protagonista de um polêmico capítulo do esporte. O longa, dirigido pelo veterano Stephen Frears, se baseia no livro "Sete Pecados Capitais" escrito pelo jornalista David Walsh, que durante anos se dedicou a compreender as mentiras por trás da gloriosa carreira do competidor. Armstrong, vitorioso por anos consecutivos da Tour de France, uma das maiores e mais prestigiadas competições de ciclistas, teve todos os seus prêmios invalidados em 2012, quando revelou na mídia aquilo que escondeu durante toda sua trajetória, que fez parte do mais sofisticado esquema de doping já visto na história. O filme acompanha todo o caminho percorrido pelo promissor esportista (interpretado por Ben Foster), que sobreviveu a um câncer e se revelou um herói, ajudando organizações em prol de vítimas da doença e superando sua fraqueza, se tornando um grande campeão.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica: Destino Especial (Midnight Special, 2016)

Se há aqueles que duvidam do potencial das ficções científicas atuais ou que o gênero perdeu a originalidade, "Midnight Special" vem para provar que ainda é possível reciclar ideias sem perder o frescor, sem subestimar o público. Trata se de uma obra sensorial, intrigante e que ao longo de seus belos minutos, conquista pela sensibilidade e pela comoção causada por sua trama.

Se em 2016 o grande achado da Cultura Nerd foi "Stranger Things", podemos dizer que "Destino Especial" não poderia ter vindo em melhor hora, logo que dialoga muito bem com os admiradores da série. Desde suas boas referências ao clima oitentista. Os projetos secretos do governo também estão lá e mais uma vez, um criança com habilidade sobrenatural é o centro de tudo. Uma das grandes diferenças, porém, está na condução do diretor Jeff Nichols, que foge da aventura familiar e constrói uma obra mais intimista, mais realista, flertando muito mais com a complexidade dos quadrinhos do que com as ficções de Spielberg. Aqui, ele também traz muitas características do cinema independente norte americano, remetendo aos seus ótimos trabalhos anteriores (Take Shelter, Mud), ainda que este seja seu primeiro filme financiado por um estúdio. Com baixo orçamento, o diretor faz aqui seu produto mais completo, onde a simplicidade de sua produção não o impediu de realizar algo grandioso, belo, tão intrigante quanto fascinante.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Crítica: Demônio de Neon (The Neon Demon, 2016)

O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn chamou a atenção dos críticos com "Drive" (2011), sua obra mais prestigiada, nascendo ali uma expectativa muito grande para seu próximo projeto. No entanto, com a recepção bastante negativa de "Apenas Deus Perdoa" (2013), seu segundo longa-metragem lançado em grandes Festivais, deixou de ser aquele profissional aclamado por todos, ainda que sua obra chamasse a atenção por sua belíssima estética, onde entrega uma forte assinatura. "Demônio de Neon" traz consigo este peso. Seria ele realmente um diretor promissor ou apenas um profissional perfeccionista preocupado em manter uma identidade forjada? Vaiado no último Festival de Cannes, NWR tornou-se quase que uma persona non grata após a exibição de seu filme, perdendo a confiança dos críticos. Cabe agora, esperar a reação do público, que sendo aprovado ou não, sempre haverá aquela curiosidade sobre seus próximos trabalhos.

por Fernando Labanca


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Crítica: A Garota no Trem (The Girl on the Train, 2016)

Desde seu lançamento nas bancas, o best seller "A Garota no Trem" ganhou comparações com o elogiado "Garota Exemplar". Digamos que ambas as tramas acontecem no mesmo ambiente e possuem o mesmo público. Mas ainda que seja um excelente livro, estamos falando de dois produtos distintos e essa diferença se torna ainda maior quando assistimos suas adaptações na tela grande.

por Fernando Labanca

"A Garota no Trem" é mais uma obra que encontra fascínio nesta espécie de thriller doméstico, onde os mistérios são trabalhados dentro dos limites das casas do subúrbio e tem seus simples moradores como protagonistas. É uma dinâmica interessante e torna suas tramas mais próximas do público. Aqui, temos uma única história guiada por três mulheres, três olhares distintos que vão se somando e construindo, assim, um intrigante quebra-cabeça. Rachel (Emily Blunt) é uma mulher alcoólatra, que divorciada de seu marido, tenta seguir com sua vida miserável e sem novos propósitos. Diariamente, quando embarca no trem, avista de longe a casa que um dia foi sua, mas que agora é habitada por seu ex (Justin Theroux) e sua atual esposa, Anna (Rebecca Ferguson) . Bem perto dali, ela também consegue observar uma outra casa, onde vive um casal, aparentemente perfeito, Megan (Haley Bennett) e Scott (Luke Evans). Eis que certo dia, ao passar por ali, percebe que aquela mulher está traindo o marido. Se apegando as dores de alguém que ela nem sequer conhece, mas que de certa forma abre feridas antigas, Rachel decide, erroneamente, se aproximar dessa história e acaba se transformando na principal suspeita quando Megan, misteriosamente, desaparece.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Filmes vistos em outubro




Começo hoje uma nova coluna aqui no blog. Como costumo assistir alguns filmes por mês e não dou conta de fazer a crítica de todos eles, vou tentar fazer um apurado de tudo o que vi, com pequenos comentários.