Mostrando postagens com marcador Alec Baldwin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alec Baldwin. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Crítica: Sob o Mesmo Céu (Aloha, 2015)

Finalmente consegui ir ao cinema e ver um dos filmes que mais aguardava neste ano. O motivo por esta minha espera? Como já disse algumas vezes no blog, sou um grande fã de Cameron Crowe e fiquei contando os meses, assim que soube que seu mais novo trabalho seria lançado em 2015. Por tudo isso, digo que ao final da sessão só conseguia sentir uma única coisa: decepção.

por Fernando Labanca

Aquele que assinou obras como "Quase Famosos", "Vanilla Sky" e até o subestimado "Elizabethtown", Cameron Crowe é um diretor que acompanho desde mais jovem, gosto de sua filmografia e alguns de seus filmes estão entre os meus favoritos. A leveza e originalidade com que consegue construir um feel good movie, o tornam em um profissional muito único, além de outros elementos sempre presentes que fazem de seus trabalhos bastante autorais, como uma excelente trilha sonora, personagens carismáticos e diálogos marcantes e inspiradores. E o fato dele demorar muito para lançar um filme, sempre fico no aguardo, esperançoso sobre seus próximos projetos e assim, é quase que impossível não criar uma alta expectativa a cada vez que ele ressurge.

"Sob o Mesmo Céu" teve uma campanha de marketing das boas, com direito a comerciais na TV e um excelente trailer, além de atores conhecidos estampados no poster. Aliás, que produto estrelado por Emma Stone, Bradley Cooper e Rachel McAdams poderia dar tão errado? A grande decepção vem de tudo isso, se trata de uma propaganda enganosa, que vende o que o filme não é e nem se esforça para ser. Sendo, na verdade, uma comédia sem graça, um drama que não emociona e um romance que não empolga, onde nem mesmo o brilhante elenco consegue salvar, este que é, infelizmente, o grande fracasso na carreira de Cameron Crowe, que faz seu último trabalho, "Compramos um Zoológico", até então, seu projeto menos interessante, parecer uma obra-prima.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Crítica: Para Sempre Alice (Still Alice, 2014)

Baseado no livro escrito pela neurocientista Lisa Genova e Vencedor do Oscar 2015 de Melhor Atriz para Julianne Moore, "Para Sempre Alice" narra, de forma bastante realista, a luta diária de uma professora afetada pelo mal de Alzheimer.

por Fernando Labanca

Alice é uma talentosa e renomada professora de linguística, divide seu tempo entre o trabalho e os afazeres de casa, tentando sempre dar atenção a seu marido (Alec Baldwin) e seus três filhos, Anna (Kate Bosworth), Lydia (Kristen Stewart) e Tom (Hunter Parrish). A família, porém, é desestabilizada com o recente diagnóstico de Alice, que sofre, precocemente, pelo mal de Alzheimer. É então, que aos poucos, ela vai perdendo, cada dia mais, um pouco de si, são palavras que somem, nomes e costumes que se apagam, perdendo sua memória, e como consequência, sua própria identidade.

É um caminho bastante doloroso, este vivido por Alice, vendo sua própria vida ser apagada diante de si. A vergonha que tem perante os outros, o medo que sente por não ser mais a mesma com sua família e com aqueles que tanto ama e a força que demonstra ao tentar viver cada dia como se fosse o último. É sufocante assistir essa triste transição da personagem e o filme acerta e muito ao mostrar isso tão de perto, de forma tão honesta. São pequenos instantes, como Alice esquecendo onde deixou seu celular ou como quando passa a anotar coisas banais de seu dia-a-dia. É através desses pequenos detalhes que o tornam um projeto tão verdadeiro.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Crítica: Blue Jasmine (2013)

Woody Allen tem sua carreira marcada por altos e baixos, não é de se esperar que tudo produzido por ele seja perfeito, até porque o diretor tem praticamente um longa lançado a cada ano, no entanto, ainda assim, é de se espantar a qualidade de suas obras e mesmo em seus "filmes menores" há sempre algo a ser admirado. "Blue Jasmine" parecia, de longe, um trabalho qualquer, um intervalo para um próximo grande filme, estava enganado, Woody surge, surpreendentemente renovado, construindo uma de seus obras mais corajosas. Pode até não se enquadrar no grupo de seus "filmes maiores" como "Annie Hall", "Match Point" ou "Meia-Noite em Paris", mas se enquadra, com toda certeza, no grupo dos melhores que ele já realizou.

por Fernando Labanca

Em cada novo trabalho de Woody Allen, está lá, a cidade como personagem e um protagonista intelectualizado e idolatrado pelo próprio roteiro. A revolução do diretor começa neste ponto, por retornar ao seu país, tendo a cidade de San Francisco como cenário, mas não uma cidade bela que tem vida própria, e sim, uma cidade vazia, fria, que não acolhe seus habitantes, que por sua vez, estão em total decadência. E esta é a nova protagonista escrita por ele, Jasmine, em decadência, que perdeu seu dinheiro e precisa se reerguer mesmo fazendo parte de uma classe a qual sempre rejeitou, a dos desafortunados. Ele não a idolatra, não lhe dá chances, muito pelo contrário, sua personagem é sofrida, lhe entrega a dor e rejeição, exatamente como não tivemos a oportunidade de ver em nenhum outro filme dirigido por ele.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Crítica: Rock of Ages - O Filme (Rock of Ages, 2012)

Desde a estreia de "Moulin Rouge" em 2001, que marcou a retomada dos musicais, a indústria cinematográfica percebeu que ainda existia espaço para o gênero nas telas,. Desde então, os principais nomes da Broadway passaram a ter suas adaptações para o cinema. A adaptação da vez é "Rock of Ages", história contada através dos clássicos do rock da década de 80/90 que conta com a direção de Adam Shankman (Hairspray) e com grandes nomes no elenco como Tom Cruise e Catherine Zeta-Jones.

por Fernando Labanca

Através das canções de Journey, Guns n'Roses, Bon Jovi, entre outros, conhecemos a trajetória de Sherrie (Julianne Hough), a garota boba do interior, que saiu da cidade pequena em busca do grande estrelato. Seu sonho era ser cantora e por ironia do destino, acaba conhecendo Drew (Diego Boneta), que trabalha no bar de uma grande casa de shows de rock, que tem como dono Dennis Dupree (Alec Baldwin), que por sua vez, tem uma grande arma para o grande sucesso do local, as apresentações da banda Arsenal. Stacee Jaxx (Tom Cruise) é um mega astro do rock, vocalista da banda que pretende seguir carreira solo, mas tem em seu pé atrapalhando seus planos, seu próprio empresário, Paul (Paul Giamatti). É então que Drew decide colocar Sherrie para trabalhar no local, e juntos lutam em crescer, pois ambos almejam o mesmo destino, a música, no entanto, a vida não é nada justa e nada fácil e logo se veem caminhando caminhos totalmente opostos do que estavam planejando. Para piorar, a primeira dama da cidade, Patricia Withmore (Catherine Zeta-Jones) está decidida a acabar com a promiscuidade que o rock infestou pela cidade.

É preciso gostar e compreender o formato de um musical para apreciar o filme. Músicas que surgem do nada, personagens que começam a cantar no meio da rua como se fosse a coisa mais natural do mundo. Para muitos, isso ainda pode parecer estranho, entretanto, se admirar essas liberdades que o gênero permite, "Rock of Ages" se torna um programa bem interessante. Adam Shankman que já dirigiu "Hairspray- Em Busca da Fama", demonstra entender como os musicais funcionam e faz deste filme um grande espetáculo, seja visual ou sonoro. Por vezes parece que o foco do longa nem é seu roteiro, sua trama fica a todo instante no segundo plano, onde as canções cantadas por um elenco afiado é quem realmente brilha. Por um lado isso é ruim, temos a sensação de estarmos vendo uma maratona de clipes, onde a história pouco importa. Por outro lado, as cenas são tão bem feitas, as coreografias, as performances convincentes e geralmente divertidas dos atores e uma seleção rica de canções que provavelmente farão muita gente cantar junto, prendem a atenção e fazem o ingresso valer a pena. No fundo "Rock of Ages" é uma grande brincadeira, funciona quase como uma sátira dos musicais, abusa dos clichês e não tem vergonha em admiti-los, usa das músicas para compor grande parte das piadas, não destruindo a imagem do rock, muito menos a dos musicais. Uma brincadeira bem realizada, bem intencionada, que funciona grande parte do tempo.


É bom deixar claro que o filme não foi feito para quem curte rock, aliás, provavelmente, estes poderão sair até um pouco decepcionados. É uma versão bem mais limpinha e mais bonita, infelizmente, por vezes, parecendo algum episódio de "Glee". O filme tem atitude, as canções são boas e as adaptações e mash-ups ficaram interessantes, mas é nitidamente destinado a quem admira musicais e não para os que ouvem rock e se identificam com aquelas bandas. Grande parte disso ocorre por colocarem Julianne Hough e Diego Boneta como protagonistas. Ela, cantora country e atriz iniciante. Ele, ex-ator de Rebelde. Enfim, além de estragarem grande parte das cenas, não há nada que nos faça convencer que eles fazem parte daquele universo, não há química entre eles e os diálogos são bem fracos. São assim que os coadjuvantes surgem e fazem deste filme algo melhor. Tom Cruise é quem definitivamente mais se destaca, surpreende, eu diria. A trama acaba criando um certo suspense em torno do personagem, como se ele fosse algo grandioso, digno de muito respeito e, de fato, Cruise merece muito respeito ao interpretar Stacee Jaxx. Faz dele o que há de melhor em "Rock of Ages", convence e muito no palco, canta bem e rouba a cena. Catherine Zeta-Jones é outro ponto bem positivo, infelizmente, pouco aproveitada. Mary J.Blige canta maravilhosamente bem, mas sua personagem acaba tendo um destaque desnecessário, está ali para cantar mesmo. Russell Brand e Alec Baldwin fazem uma boa parceria, divertem e fazem alguns bons números musicais. Malin Akerman surge para algumas cenas mais ousadas e não decepciona ao soltar a voz. 

Se Julianne Hough não convence com sua personagem, pelo menos não atrapalha os números musicais. Tem espaço para ela no excelente mash-up "Just Like Paradise / Nothin' But a Good Time" e "Shadows of the Night". Boneta também não faz tão feio na boa introdução ao lado de Russell Brand e Baldwin em "Juke Box Hero / I Love Rock n' Roll". Tom Cruise surpreende em "Wanted Dead or Alive", de Bon Jovi e "Paradise City" do Guns. E Zeta Jones que surge encantadora e fatal em "Hit Me With Your Best Shot", de Pat Benatar e ao lado de Russell a ótima "We Built This City / We're Not Gonna Take It", dois dos melhores momentos do filme. Ainda temos outras excelentes performances como em "Here I Go Again" de Whitesnake e "Every Rose Has Its Thorn" do Poison. Enfim, música de qualidade não falta ao decorrer de "Rock of Ages" e a cada cena, uma nova boa surpresa, que dá aquela vontade de ter a trilha sonora e faz com que saímos da sala de cinema com um sorriso no rosto, cantando os refrões viciantes.

"Rock of Ages" tem lá seus defeitos e são bem nítidos. Seja pelos clichês, a falta de química do casal irritante principal, o humor, às vezes apelativo, a ausência de uma boa história para contar. No entanto, ainda assim, entra para a lista dos musicais que merecem ser vistos, como disse anteriormente, é uma grande brincadeira, que em nenhum momento tem a intenção de ser levado a sério. É no fundo, uma piada muito bem realizada, que funciona como cinema e não compreendo por ter sido tão ignorado aqui no Brasil. A história é boba, pequena, mas em nenhum momento cria um desinteresse. O filme segue por bons caminhos, agrada, diverte, e nos faz querer cantar, ou seja, tem tudo o que um bom musical tem. E de bônus, um grande elenco cantando excelentes canções. Recomendo. 

NOTA: 8



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

3 em 1: Comédia Romântica

Comédia Romantica, um gênero um pouco duvidoso, devido a falta de criatividade daqueles que as criam. Duas pessoas se conhecem de uma forma inusitada, durante o filme há alguns conflitos bobos para no final perceberem que se amam. Entretanto, confesso que ainda tenho esperanças no gênero pois sempre encontro algum com que me identifico, são raridades, mas sei ainda existem, citarei algumas que assisti nos últimos dias, que não são necessariamente os melhores exemplos para o estilo, mas que por determinados motivos, valem a pena serem conferidas, seja por algum ator ou atriz ou por alguma inovação.

por Fernando Labanca

Simplesmente Complicado (It's Complicated, 2009)

Com direção de Nancy Meyers, veterana nas comédias românticas, criadora de algumas das melhores do gênero, como "Alguém Tem que Ceder" e "O Amor Não Tira Férias", ela retorna no que a consagrou e como roteirista e diretora, inegavelmente na atualidade é uma das melhores. Para completar, ainda tem em mãos a protagonista de ouro, Maryl Streep.

Jane (Streep) é uma mulher madura e independente, mãe de três filhos, separada há dez anos e vive muito bem sózinha. Tem uma relação bastante amigável com seu ex, Jake (Alec Baldwin), que por sua vez, está casado com uma mulher bem mais nova. Até que quando um dos filhos está para se formar em outra cidade, a família faz uma viagem, o que faz com que todos se reúnem, porém, deste encontro, ocorre algo que ninguém imaginava, Jane e Jake depois de algumas bebidas acabam transando e passam a manter um relacionamento secreto, o que a torna amante de seu ex, a outra mulher, a mulher que ela sempre detestou e nunca imaginou ser.

Eis que em sua vida, surge Adam (Steve Martin), um arquiteto renomado, educado e inteligente, tudo o que Jake não é, e depois de alguns encontros, ela fica dividida entre começar do zero um relacionamento com quem admira e respeita ou voltar no tempo e retomar aquilo que não terminou no passado.

História interessante, uma brincadeira de Nancy Meyers com a inusitada hipótese daquela que um dia foi traída, tomar as rédeas do jogo, virar o mesa e se tornar a amante. E no roteiro, essa idéia flui bem, realmente divertido as situações, entretanto, nem tudo flui tão bem assim. Tudo ocorre bem no longa, eis que Meyers decide incluir determinados elementos completamente fora de contexto, como a personagem de John Krasinski (o Jim, da série The Office), com bastante destaque na trama, ele não altera nada e só piora, não pela atuação, que aliás está correto, mas pela personagem inútil mesmo. Outro problema é a patética sequência de Maryl Streep e Steve Martin fumando um "baseado", simplesmente essa foi a gota d'água, ou seja, o que já não estava indo tão bem, vai por água abaixo nessas cenas, deixando de ser um filme respeitável, até porque o modo como a sequência funciona é totalmente grotesca, sem graça, criada por alguém que não entende nada desses "negócios" mas quer bancar de "cool".

Maryl Streep está incrível, maravilhosa, adorei sua personagem e sua atuação. Steve Martin provando ser um ator mais versátil, deixando o humor escrachado de lado e encarnando um personagem mais sério e convense. Alec Baldwin, convense no humor e sua veia cômica só melhora o filme e sua química com Streep funciona, por outro lado, nas cenas mais sérias, deixa a desejar. Ou seja, "Simplesmente Complicado" é interessante até certo ponto, digamos, é algo assistível, porém, o pior de Nancy Meyers.

NOTA: 6






Maluca Paixão (All About Steve, 2009)

Vencedor do Framboesa de Ouro este ano de Pior Atriz para Sandra Bullock, que em contra partida ganhou o Oscar, o filme ainda trás Thomas Haden Church e Bradley Cooper no elenco. Sempre tive o pé atrás com este longa, pelo título, pela capa, pelo trailer e pelas indicações ao Framboesa de Ouro, por outro lado, tinha Sandra Bullock como protagonista, eis que tive a oportunidade de vê-lo e enfim formar minha própria opinião, então vamos lá.

Em "Maluca Paixão", Mary (Bullock) é uma mulher excêntrica, diferente na forma de ser, agir e se vestir, trabalha fazendo palavras cruzadas para um jornal e devido a isso é ótima em palavras. Num encontro às escuras, conhece Steve (Cooper), um cinegrafista da CNN. Ele, se assusta com a personalidade de Mary e ela tem a certeza absoluta que ele á homem de sua vida.

Decidido a nunca mais encontrá-la, Steve parte numa grande reportagem, num lugar muito distante, ao lado de seus colegas de trabalho, Angus (Ken Jeong) e o repórter narcisista Hartman (Church), o que ele não imaginava é que Mary vai atrás dele. Ela enfrenta milhões de obstáculos para encontrá-lo e provar que foram feitos um para o outro.

Não há muito mais para comentar da história, o resto é só palhaçada, o filme viaja muito, o que o torna algo nada previsível, pois nunca dá para saber o que vai acontecer, tudo de mais louco acontece, Mary enfrenta desde um tornado, até ficar presa num buraco com kilômetros de profundidade, tudo por amor! Engraçadinho, só isso, não há nenhuma cena em que a risada apareça, só um sorrisinho sem graça, até porque o roteiro se esforça mais no humor forçado em situações exageradas do que na comédia mesmo.

Sandra Bullock definitivamente não mereceu seu Framboesa, já fez coisas piores em sua carreira e sua Mary está longe de ser classificada como a pior. A atriz se esforça, constrói uma personagem estranha, mas carismática e sua atuação não está nada mal, muito pelo contrário, está simplesmente hilária. Thomas Haden Church está bom em cena, diferente de seu colega, Bradley Cooper, bem fraco.

Mas teve algo que me chamou muito a atenção em "Maluca Paixão" e por isso merece ser comentado, seu final. Que foi contra todos os "padrões" hollywoodianos em comédias românticas, foi algo inovador e surpreendente, e só pelo final, vale a pena conferir. A verdade é que vi o filme com expectativas tão baixas que a sensação que tive é que é algo muito melhor do que aparenta ser, que apesar dos exageros, no fim, percebemos que tudo teve um propósito para a mensagem final: não mude pelos outros! Com piadas sem graça, algumas até que funcionam, cenas forçadas e algumas sequências grotescas (nem todas), "Maluca Paixão" força a barra por uma boa intenção, e boas intenções é o que vale.

NOTA: 7






Casa Comigo? (Leap Year, 2010)

Lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, "Casa Comigo?" é um delicioso filme com a queridíssima Amy Adams e Matthew Goode. E como tradição aqui no Cinameteca, deixo o melhor para o final.

No filme, Anna (Adams) é uma mulher extremamente romântica que se decepciona por não ganhar um anel de noivado no aniversário de quatro anos de namoro com Jeremy (Adam Scott). Decidida a não ficar de mãos vazias toma uma grande decisão, e quando Jeremy viaja para Dublin a trabalho, vem em sua mente o pretexto perfeito. Numa antiga tradição irlandesa, as mulheres pediam seus namorados em casamento nos anos bissextos, e Anna, então, decidi viajar a Irlanda para pedí-lo exatamente no dia 29 de fevereiro.

Porém, nesta viagem, ela acaba parando no lado errado do país, parando especificamente numa cidadezinha bem sem graça, bem interiorrrr mesmo. Lá, ela conhece Declan (Goode), um irlandês arrogante e taxista e promete levá-la até seu destino correto. Até que, devido a um incidente, ele perde seu carro, mas como parte de sua promessa, ele passa a guiá-la, o problema é que ambos não se suportam devido a personalidades completamente destintas e por se desintederem em vários aspectos. E nessa viagem em busca de ter seu casamento, ela acaba percebendo que o que procura não é exatamente o que precisa.

Parece bobo, mas "Casa Comigo" surpreende fácil. Nesta viagem, muitas coisas interessantes acontecem e o filme nunca derrapa, muito pelo contrário, ele vai crescendo e evoluindo, isso devido ao ótimo roteiro que permitiu que muitas coisas acontecessem, e nisto temos o privilégio de vermos diversas locações, belas, por sinal, e facilmente entramos na história e nos identificamos e viajamos juntos e é tudo muito belo, bem feito, divertido e algumas vezes comovente. Poucas comédias românticas se preocupam em levar o público a um universo novo, a história não é tão inovadora, mas a forma como ela é mostrada é o grande diferencial.

Amy Adams é sempre bela, divertida e carismática ao extremo, parece que ela nem existe de tantas coisas boas que ela consegue transmitir na tela, sua ótima interpretação só aumenta o nível do longa que por si só é alto. Matthew Goode também agrada e juntos tem uma ótima química, simplesmente delicioso ver os dois juntos, se o filme tivesse quatro horas, ficaria lá sem cansar, de tão interessante e delioso que é o longa, bem diferente do que se espera não só de uma comédia romântica, mas também de um filme que foi direto para locadora, que aliás, algumas vezes surgem algumas pérolas, e este com certeza é uma delas. Simplesmente surpreendente.

NOTA: 9,5

domingo, 27 de setembro de 2009

Crítica: Uma Prova de Amor (My Sister's Keeper, 2009)


Do diretor, Nick Cassavetes, o mesmo de "Diário de Uma Paixão" e o mais recente "Alpha Dog", traz as telas um dos filmes mais comoventes do ano, ou até mesmo, em anos!

por Fernando

O filme, baseado no best seller de Jodi Picoult, nos mostra a jornada de uma família no auge do caos, graças ao câncer de uma das filhas, e essa doença aos poucos vai corroendo o sentimento de cada um. Nos mostra a jornada de uma garota de 15 anos que deixa de sonhar e ter uma vida plena para sofrer em uma cama do hospital, e mais que isso, o que essa doença acaba refletindo em cada membro dessa família.

Sara (Cameron Diaz) e Brian (Jason Patrick) um casal completamente apaixonados, se deparam com uma terrível notícia, a leucemia da filha pequena, a mais jovem até então, Kate. O outro filho, Jesse, infelizmente não tem compatibilidade suficiente para salvar a vida dela, devido as transfusões de sangue e doações de órgãos que deveria ser feita e há poucos doadores, e a possibilidade de compatibilidade e muito pequena o que aumenta as chances da criança morrer logo, é quando o casal decide fazer um filho de proveta, reunindo os genes de Sara com o de Brian para criar a filha perfeita para salvar Kate. Nasce Ana, que aos 11 anos (interpretada por Abigail Breslin) percebe o que faz na Terra e tira as conclusões sobre sua vida, nasceu para salvar sua irmã, não foi um acidente nem coincidência, foi planejada.

Refletindo sobre tudo isso, e lembrando no fato de que os seus 11 anos de vida, foram resumidos em idas obrigatórias ao hospital para exames de sangue, retiradas de sangue, operações, cirurgias, injeções, tudo para a melhoria de Kate (Sofia Vassilieva), ela decide ter liberdade sobre seu corpo e poder ter direito a ter uma alternativa, decide poder escolher entre ir ou não ir ao hospital, entre querer e não querer fazer uma cirurgia. Ana vai até um famoso advogado, Campbell Alexander (Alec Baldwin), junta uma grana, vendendo algumas coisas valiosas e com a ajuda de seu irmão Jesse (Evan Ellingson), ela vai atrás dele para levar seu caso para o tribunal, e assim poder ter controle sobre o próprio corpo.


A notícia chega em casa, para o espanto de todos, principalmente para Sara, que não admite a atitude da filha. O caso é estudado pela juiza (interpretada por Joan Cusack) que decide levá-lo ao tribunal. Kate aprova a atitude de Ana e sabe que ela tem consciência sobre o que está fazendo. A verdade é que uma operação em Ana está próxima, vai doar um rim para Kate, mas essa operação é muito arriscada, e as chances de salvar Kate são mínimas e pior, pode deixar lesões em Ana. E por isso a jovem decide enfrentar a própria família para poder sobreviver e ter uma vida digna, não ser um objeto para salvar outra pessoa.

Conflitos a parte, essa família nos dá uma lição de superação, enfrenta os problemas com cabeça erguida, por mais dolorosos que eles sejam. Ana ama muito a todos, inclusive a Kate e deixa claro que faria qualquer coisa para salvá-la, mas é preciso ter uma opção. Kate, por sua vez, tenta enxergar a vida da melhor forma possível, vive com dores e idas constantes ao hospital, mas tenta superar e ter esperança acima de tudo, mesmo que seja difícil aceitar a possibilidade da morte, sendo tão jovem, sabendo que tem tanta coisa para viver. Kate junta em uma caderno, fazendo um mosaico de fotografias, recordando tudo o que já viveu de bom, todas as boas lembranças, e são muitas. E mesmo que sua passagem na vida seja breve ela quer ter certeza que passou por ela e que deixou sua marca.

Por outro lado, Sara, que abandonou seu trabalho como advogada para ajudar a filha, retoma para ir no tribunal contra a decisão de Ana. Ela vai lutar com todas as forças para impedir que Ana consiga o que quer, simplesmente para salvar Kate, não por ferir Ana, mas por saber que essa é a única saída, caso contrário, ela perderia a filha que tanto ama. Ela vai passar por todos os obstáculos e enfrentar quem tiver de enfrentar para ter Kate saudável mais uma vez.





Uma família que tinha todos os motivos para desistir, mas todos resistem, cada um de sua forma, cada um tem um motivo para sofrer, por outro lado, cada um tem um motivo para querer seguir em frente, a própria família. Uma Prova de Amor entra na mente de cada personagem para entendermos o que se passa na mente de cada diante de uma situação tão difícil e a maneira que cada um encontra para superar essas dificuldades.


O filme nos dá a sensação de algo "retrô", algo passado, como se fossem lembranças quase apagadas, com uma iluminação clara e marcante como se desfigurasse as imagens. O filme funciona mesmo como lembranças, alternando entre o passado e o presente, a mesma tática usada por Cassavetes em Diário de Uma Paixão, que funciona mais uma vez. E inevitavelmente comparando os filmes, Cassavetes usa da delicadeza e sensibilidade para conquistar o público, deixando de lado seu realismo e cenas pesadas com um clima mais agressivo do seu, também excelente, Alpha Dog. Uma Prova de Amor, é leve, calmo, mas ao mesmo tempo, nos trás uma história forte, marcante e extremamente emocionante.


As atuações são magníficas. A novata Sofia Vassilieva surpreende, dando a Kate um tom tão belo quanto triste, mostrando com sinceridade o sofrimento da jovem com câncer, fazendo com que torcemos e ao mesmo tempo, sofremos com ela. Cameron Diaz também é outra que surpreende, sempre vista nas comédias, mostrando seu belo sorriso e sua facilidade com o humor, ela encara de frente esse drama pesado, arrisca e acerta bonito com sua desesperada Sara, emociona o público com sua luta interminável para salvar a vida da filha, é tão bonito ver sua passagem, compreendemos suas atitudes, por mais agressivas que sejam, Diaz dá um show na tela, principalmente nas cenas em que chega ao ápice do desespero. Abigail Breslin é uma jovem atriz extremamente talentosa, quem sabe, a melhor de sua geração, se entrega a uma personagem com tal facilidade que alguns atores já crescidos não conseguem, emociona e diverte o público com sua simplicidade e carisma, dá um toque tão real naquilo que representa, é natural, interpreta como sendo uma garota de 11 anos na mesma situação, não como um adulto em forma de criança. Ela é perfeita para o papel e tem um desempenho incrível na frente das câmeras. Além das boas participações de Jason Patrick, Evan Ellingson, Joan Cusack e Alec Baldwin.


Uma Prova de Amor, é belíssimo, comovente ao extremo, impossível não se deixar levar e se emocionar com a jornada dessa família, tão incrivelmente exposta por Nick Cassavetes e por atores tão competentes. As cenas são belas, a trilha sonora se encaixa perfeitamente no clima nostálgico do filme, assim como a fotografia e a iluminação, tudo em perfeita sintonia. Diálogos memoráveis e cenas marcantes, como quando Ana enfrenta sua família pela primeira vez, palmas para Abigail Breslin, ou quando Kate ao manusear seu álbum de fotografias, em pensamento, perde perdão para a família, impossível não se emocionar, ou com os desesperos de Sara, ou com o discurso inicial do filme, sobre as conclusões de Ana sobre sua vida, onde o filme já começa perfeitamente bem, ou com os diálogos profundos sobre família, vida e morte, entre outros. Um filme que nos apresenta grandes reflexões. Um daqueles filmes que ficarão na memória por muito tempo.

NOTA: 9

Outras notícias