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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Crítica: Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock, 2009)

Já devo ter dito em algum outro momento, aqui no blog, sobre o quão versátil é o diretor Ang Lee (O Tigre e o Dragão, O Segredo de Brokeback Mountain). A cada novo filme que resolvo conferir de sua filmografia, me deparo com algo novo, um outro tema e sempre acabo me surpreendendo. "Aconteceu em Woodstock" é um de seus projetos menos conhecidos, no entanto, só me fez admirá-lo ainda mais. Aqui, voltamos no tempo e embarcamos em um dos eventos mais importantes da história da música. Mais do que compreender a época, compreendemos os sentimentos daqueles que vivenciaram o Festival.

por Fernando Labanca

O Festival de Woodstcock aconteceu no ano de 1969 e foi um marco para a história da música popular. "Três dias de paz e música", era assim que os jovens organizadores anunciavam o evento que trouxe, numa vasta área ao ar livre, no interior de Nova York, nomes como Janes Joplin, The Who, Grateful Dead e Jimi Hendrix. A trama do filme começa pouco antes do início do Festival, quando o mesmo havia sido barrado na pequena cidade de Wallkill. É então que somos apresentados à Elliot (Demetri Martin), um jovem esforçado que retorna para a casa dos pais (interpretados por Imelda Staunton e Henry Goodman), onde passa a ajudá-los a administrar um pequeno hotel que passa por sérios problemas financeiros. Decidido a reerguer o negócio, Elliot, que sempre foi um grande incentivador da arte no local, resolve entrar em contato com os organizadores do Festival de Woodstock e oferece a pequena aldeia de White Lake como novo lugar do evento. Entretanto, os moradores não aceitam bem a ideia e começam a protestar sobre a "invasão hippie" que estava por acontecer, até se darem conta do quanto tudo aquilo poderia ser lucrativo.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar 2013 - Os Vencedores



 por Fernando Labanca

A cerimônia do Oscar aconteceu neste domingo, 24 de fevereiro, e consagrou, assim como se esperava o filme de Ben Affleck, "Argo", que levou para casa os prêmios de Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Edição. Outro grande destaque foi "As Aventuras de Pi", vencendo em quatro categorias, Diretor para Ang Lee, Trilha Sonora, Efeitos Visuais e Fotografia. 

O favorito do ano "Lincoln" saiu apenas com dois prêmios, aquele que todos já sabiam, de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis, o terceiro de sua carreira, o que já é um recorde, e Direção de Arte. Ver este novo trabalho de Steven Spielberg perdendo em tantas categorias é a prova de que algo mudou na Academia, se antes era tão óbvio ver o favorito ganhando em todas as suas indicações, desta vez, houve um senso maior, não houve o "grande vencedor da noite", foi uma premiação justa, como há muito não acontecia. Repararam o erro de não colocar Ben Affleck como diretor lhe entregando o de Melhor Filme, que de fato, muito mereceu, pois era, definitivamente, o melhor dentre os indicados. Premiaram o melhor dentre os diretores, ignorando o favorito Spielberg e entregando o troféu para aquele que realizou uma das obras mais fantásticas do ano passado, Ang Lee. Títulos como "Django Livre", "007-Operação Skyfall" e "O Lado Bom da Vida", também tiveram seus momentos e mereceram os prêmios que levaram. A meu ver, o grande erro da noite, foi na categoria de Longa-metragem de animação, que premiou "Valente", havia concorrentes melhores como "Detona Ralph" e "ParaNorman".

Houve aqueles momentos vergonhosos, como sempre. Não, o tombo de Jennifer Lawrence não conta, nunca vi ninguém caindo com tanta classe como ela. Achei bizarra a aparição de Barbra Streisend, que fez um tributo aos artistas que morreram, mais esticada impossível. Acho bem triste ver essas atrizes que não aceitam a idade que tem. Outro caso ainda mais bizarro foi Renée Zellweger, a atriz surgiu no palco ao lado de seus colegas de elenco do filme "Chicago" e mal conseguia abrir os olhos ou falar o nome dos vencedores. Por falar no filme, que este ano comemora dez anos desde seu lançamento, a atriz Catherine Zeta-Jones realizou um número musical bastante interessante. Aliás, a cerimônia parece que resolveu apostar suas fichas nos musicais, onde o incrível elenco de "Os Miseráveis" fizeram uma belíssima performance com a música indicada na categoria Canção Original, além do momento "x" da noite, onde a esquecida Jennifer Hudson cantou uma canção do musical "Dreamgirls". Vale claro citar um dos momentos mais incríveis que foi ver Adele cantando "Skyfall", música na qual levou seu Oscar, por incrível que pareça, o primeiro da série 007 por esta categoria.

Não acredito que houve muitas surpresas, a maior mesmo foi Ang Lee e seu prêmio de Melhor Diretor, ou o inusitado empate na categoria Edição de Som. Mesmo sem as surpresas, confesso que fiquei bem feliz com os resultados, foi tudo muito justo, o que quase nunca acontece no Oscar. Vamos aos vencedores...



MELHOR FILME
Argo


MELHOR DIRETOR
Ang Lee (As Aventuras de Pi)


MELHOR ATRIZ
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)


MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Lincoln)


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anne Hathaway (Os Miseráveis)


MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz (Django Livre)


MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Amor (Áustria)


MELHOR ANIMAÇÃO
Valente


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Quentin Tarantino (Django Livre)


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Chris Terrio (Argo)


MELHOR TRILHA SONORA
Mychael Danna (As Aventuras de Pi)


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Skyfall - Adele (007 - Operação Skyfall)


MELHOR FOTOGRAFIA
As Aventuras de Pi


MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Lincoln


MELHOR MAQUIAGEM
Os Miseráveis


MELHOR FIGURINO
Anna Karenina


MELHOR EFEITOS ESPECIAIS
As Aventuras de Pi


MELHOR EDIÇÃO DE SOM
007 - Operação Skyfall
A Hora Mais Escura


MELHOR MIXAGEM DE SOM
Os Miseráveis


MELHOR EDIÇÃO
Argo


MELHOR CURTA-METRAGEM
Curfew


MELHOR DOCUMENTÁRIO
Searching for Sugar Man


MELHOR DOCUMENTÁRIO (curta-metragem)
Inocente


MELHOR ANIMAÇÃO (curta-metragem)
Paperman


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Crítica: As Aventuras de Pi (Life of Pi, 2012)

Ang Lee é aquele diretor que sempre se permitiu reinventar, já trabalhou diversos temas e já realizou bombas como "Hulk" (2003) ou grandes filmes como "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005), no qual ganhou o Oscar de Melhor Diretor. Mas uma coisa é única na carreira deste veterano taiwanês, ele sempre nos surpreende e com "As Aventuras de Pi" ele vai além do que já realizou e alcança um nível onde pouquíssimos diretores ousaram chegar. Baseado na obra de Yann Martel, assistimos uma das mais belas obras do ano, com seu argumento bem planejado, repleto de simbologias e mistérios a seus impecáveis efeitos visuais, que diferente de qualquer outro 3D já feito, este, auxilia em sua história.

por Fernando Labanca

Piscine Patel, é um indiano que mora na parte francesa do país, vive com sua família, onde são donos de um zoológico. Seu nome significa "piscina" no vocabulário francês e desde criança era alvo de piadas devido a isso, mas força a todos o chamarem de "Pi", aquele que no alfabeto grego significa "razão". Tinha a mente aberta e por isso se deixou acreditar por diversas crenças e diferente de sua família, era guiado por sua fé, se denominava muçulmano, católico e hindu. Eis que seu pai decide partir para o Canadá e vender os animais, colocando toda sua família e os animais num grande navio, eles não esperavam, porém, uma grande tempestade, matando todos que estavam ali dentro, exceto Pi, um tigre bengala, um orangotango, uma zebra e uma hiena, que partem em um pequeno bote. É então que conhecemos a sua aventura, após perder todos aqueles que amava tenta sobreviviver em meio a natureza, buscando encontrar significados para tudo aquilo e redescobrindo o amor de Deus e os misteriosos caminhos que Ele o guia.


O filme se inicia com aquela introdução básica, o escritor a procura de uma boa história para contar, é então que ele se depara com Pi (Irrfan Khan), já adulto, decidido a contar sobre sua aventura, dizendo ainda que ao seu final o escritor e quem tivesse acesso a sua jornada passaria acreditar em Deus. Bem longe de ser um filme gospel, a obra de Ang Lee dispensa rótulos e por mais que fé e religião sejam muito discutidas na trama, são pequenos elementos de um plano bem maior. Também em nenhum momento aponta o que é certo e errado, só nos dá a todo instante argumentos para nossa própria reflexão. É exatamente isso o que "As Aventuras de Pi" é, reflexão. É daquelas raras obras onde se deve ver apenas com o coração e não tanto com os olhos, por mais que seu visual nos prenda, estão nas simbologias as respostas para tudo, se é que elas realmente existem e acredito que este seja o grande mérito deste filme, assistimos a tudo acreditando ser algo totalmente simples é então que em seu final compreendemos a grande brincadeira do roteiro, muito maior do que aparenta ser, muito mais reflexivo do que parece ser. Pequenos detalhes ao longo do filme, cada parte tendo sua função, nada está a li por mero acaso, repleto de símbolos e alegorias, a jornada de Pi pode surpreender muita gente que esperava encontrar apenas um visual 3D.

Um jovem indiano, um tigre, um barco e um imenso oceano. Basicamente é isso o que vemos na tela grande parte do filme. Lendo até parece algo impossível de se fazer, difícil imaginar como desenvolver uma história e prender a atenção do público apenas com esses elementos. É então que surge a grandiosidade e genialidade de Ang Lee, fazendo tudo isso ser possível e com uma qualidade indiscutível. A primeira parte, bastante didática pode parecer cansativa para muitos, no entanto é de extrema importância para o resto da aventura, mas é quando surge a tempestade e Pi se vê obrigado a partir com os quatro animais é que o filme ganha sua força. Tudo extremamente bem realizado, efeitos especiais que surpreendem pelo realismo, como o tigre bengala, onde não sabemos ao certo quando ele é real ou feito por CGI, além de seu estonteante visual, sendo um dos mais belos filmes a passar pelos cinemas este ano, é tudo muito mágico, bonito de se ver, paisagens fortes que ficarão na memória muito tempo depois do filme terminar. Ganha ainda mais pontos quando o incrível visual não tira o brilho de sua história, sendo ela que nos prende, mesmo que num cenário tão limitado, "As Aventuras de Pi" consegue falar sobre muita coisa, indo muito além do jovem tentando sobreviver, de Pi tentando adestrar o animal feroz, é uma longa jornada de autodescobertas, é sobre Deus, um tema quase que tabu para o cinema onde pouquíssimos roteiros tiveram a ousadia de por em discussão e surge desta vez sem hipocrisia e sem ofensas. É também sobre a relação do homem com a natureza, é belo a relação de Pi com o tigre, ele insiste em dizer que vê alma nos olhos do animal e não apenas sua alma refletida como dizia seu pai. É sobre perdas, onde em um dos momentos mais emocionante do filme, o jovem indiano sofre mais por ter perdido a quem amava do que por ter sobrevivido e como diz em certo momento que a vida é puro desafeto, vemos pessoas que amamos indo embora e jamais temos a chance de nos despedir. Mais do que tudo isso, é também sobre aquele antigo sentimento que nos dá força para lutar, a amizade.

Os atores que interpretam Pi ao decorrer de sua vida dão conta do recado. Se Irrfan Khan consegue passar aquela expressão de experiência e comoção diante de sua própria história, os pequenos atores convencem ao vivenciar as curiosidades de sua infância. Destaque ainda maior para o jovem Suraj Sharma que interpreta Pi a maior parte do tempo, em um papel nada fácil de se fazer, coloca sentimento, fúria, coragem, é através dele que enfrentamos esta aventura, ele que traduz o que se passa, e convence em cada momento, carregando o filme como um grande protagonista. Ainda encontramos o veterano Gérard Depardieu em uma pequena participação, mas bastante importante. Além do elenco, o longa ainda possui outros pontos positivos como sua belíssima fotografia, assinado pelo chileno Claudio Miranda, mais conhecido por seus trabalhos ao lado do diretor David Fincher, como "Benjamin Button" e "Zodíaco", além do fantasioso "Tron Legacy". É tudo extremamente belo o que vemos na tela, ganhando uma proporção ainda maior quando entra em cena a sensível trilha sonora de Mychael Danna. Enfim, um grande espetáculo visual e sonoro. 

Em um pensamento muito antigo, nós seres humanos, nos vemos presos entre dois únicos caminhos, o caminho do coração e o da razão. "As Aventuras de Pi", porém, nos oferece os dois caminhos, e esta é a grande genialidade da obra. O que vemos a todo instante é o coração falando, ao seu final conhecemos a razão, o roteiro então, nos oferece duas respostas, e nos deixa livres para fazer nossas escolhas, a história deixa de ser apenas de Pi, passa ser nossa também, nós escolhemos como contar, mais do que isso, nós escolhemos como interpretar tudo o que vimos. Ou seja, este texto acima nada mais é o que eu vi do filme, podendo ser diferente de qualquer outra pessoa. Este é Ang Lee, servindo o público com uma obra capaz de entreter, mas sem subestimar sua inteligência. Muito mais do que "visual", o que vemos é um trabalho de gênio, com um roteiro brilhante e surpreendente, surpreendente simplesmente por ser muito maior do que aparenta ser, uma obra complexa que nos oferece grandes reflexões. Um filme belo e único, uma das experiências mais fantásticas do cinema em 2012, onde até mesmo seu 3D faz a diferença. Memorável...recomendo!

NOTA: 9



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