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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Crítica: Cake - Uma Razão Para Viver (Cake, 2015)


Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz - Drama, "Cake" é uma grande chance para Jennifer Aniston, que depois de tantos anos se dedicando à comédia, se entrega com força neste papel intenso, que não só confirma seu inegável talento como também prova o quão longe ela é capaz de ir.

por Fernando Labanca

"Cake" é um filme que me surpreendeu bastante. Já esperava uma boa atuação de Aniston, mas pelo trailer me pareceu mais uma daquelas dramédias do Festival de Sundance, onde todos os problemas são resolvidos com bom humor. Não, bem diferente disso, o longa é um drama pesado, que discute assuntos delicados como o suicídio, sem jamais apelar ou cair no dramalhão, por outro lado, sem nunca procurar caminhos fáceis para seus personagens. Acompanhamos o caminho árduo de sua protagonista, Claire Bennett, que parece estar o tempo todo no fundo do poço, não há chances para ela, o que torna seus minutos em instantes dolorosos. Chega a ser claustrofóbico ver o mundo por sua perspectiva, ela é a personificação da dor, de uma mulher que perdeu demais na vida e não sabe como se reerguer, e se não fosse o bastante, sua dor também é física, mal consegue se locomover e possui uma pele cheia de cicatrizes. O que, de fato, aconteceu com ela é o mistério que move a obra.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Crítica: Um Brinde à Amizade (Drinking Buddies, 2013)

Escolha sua bebida, sinta-se entre um grupo de amigos jogando conversa fora, em um dia qualquer, num bar qualquer e prepare-se para a ressaca que sentirá ao final deste filme.

por Fernando Labanca

"Um Brinde à Amizade" é mais uma exceção à regra das comédias românticas. Com ar descompromissado, os atores esbanjam naturalidade em cena, e a trama surpreende ao não cair nas armadilhas do gênero, oferecendo um final bastante original, além de todo o seu decorrer que em nada me lembrou outro filme. Acompanhamos a vida de dois amigos, Kate (Olivia Wilde) e Luke (Jake Johnson), que trabalham em uma fábrica de cerveja e sempre que podem, separam algumas horas do dia para beber e conversar. Há entre eles uma bela sintonia, entretanto, ambos estão compromissados, ela com o responsável Chris (Ron Livingston) e ele com a professora Jill (Anna Kendrick). Eis que em um final de semana, os quatro decidem se reunir para uma viagem no campo, e entre bebidas, todos terão suas amizades testadas, é quando sentimentos antigos vem a tona e novos desejos são revelados.

O que mais me impressionou nesta obra, e isso me ocorreu já nos primeiros minutos, foi o realismo mostrado em cena, seja dá ótima composição desses personagens e a naturalidade com que os atores se entregaram, mas também de toda a construção deste "universo", dos momentos no trabalho e aquela liberdade que nasce entre os "buddies", às conversas nos bares, tudo é mostrado de forma crível, extremamente próximo à realidade, e por isso os dramas e conflitos que acabam nascendo se tornam tão aceitáveis, pois já estamos muito bem inseridos naquele mundo.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Crítica: A Escolha Perfeita (Pitch Perfect, 2012)

Enquanto grande parte dos musicais que chegam aos cinemas são adaptações da Broadway e contam com uma mega produção, "A Escolha Perfeita", que por sua vez não encontrou seu público aqui no Brasil, funciona quase como um escape do próprio gênero, ignorando canções cultuadas, se entregando ao popular e não tendo vergonha disso, dando espaço a música contemporânea, lhe dando uma importância que quase nunca é reconhecida. Simples e original, uma nova forma de encarar os musicais!

por Fernando Labanca

Em um colégio norte-americano, diversos grupos "educacionais" são formados, não apenas para ocupar o tempo dos jovens, serve também como um grande medidor de popularidade, nascendo assim, uma inevitável rivalidade entre os estudantes. É neste cenário assustador que Beca (Anna Kendrick) precisa ficar e provar para seu pai que é capaz de se envolver em algo, não focando apenas em seu sonho distante, ser DJ e produtora musical em Los Angeles. Como forma de encarar e aceitar aquela sua nova realidade, se perde num grupo de garotas que cantam acapella, The Barden Bellas, cantando música pop e tendo os sons da boca como único auxílio instrumental. Entretanto, a líder, Aubrey (Anna Camp) é uma louca obsessiva por seu trabalho e devido a um grande desastre em sua última apresentação, recruta diversas garotas novas no colégio para superar seu passado e sair finalmente vencedora da competição anual. Percebendo, porém, o quão presa no passado a líder está, Beca decide inovar em suas apresentações, indo contra a própria Aubrey e dando um novo ânimo ao grupo com seus mashups. Outro problema surge, quando Beca se envolve com Jesse (Skylar Astin), do grupo rival. 


A garota descolada que não se encaixa mas aos poucos se vê enturmada, a garota que se apaixona pelo cara do grupo rival, a megera loira que não aceita opiniões contrárias, enfim, diversos clichês que já passaram por qualquer trama juvenil norte-americana. É então que o bom roteiro se apropria de tudo isso, comanda bem cada estereótipo, exagera até, faz piada da própria ideia, entende o quão bizarro tudo isso é. Previsível, mas interessante, que nos prende, não só pelas canções, mas também por seus bons personagens. Tem boas referências como o clássico de John Hughes, "O Clube dos Cinco", em uma sutil homenagem com a canção "Don't You (Forget About Me)" do Simple Minds e ignora, para seu bem, a maneira tradicional como são guiados os atuais musicais no cinema, sem ser pretensioso, sem a intenção de impactar visualmente, é um filme para um final de semana, feito na medida certa para divertir, é comédia pura e das boas, com diálogos rápidos e bem pensados, o humor surge, por vezes, quase como um improviso, destacando assim, o elenco jovem e totalmente empenhado em fazer o melhor, criando uma boa química entre todos e surpreendendo na voz e nas performances em cima do palco. 

A diferença deste filme para os outros musicais também está na forma como nos são apresentadas as canções, através da acapella, não necessitando de instrumentos, apenas das vozes do elenco. E assim, com este inusitado e interessante recurso, presenciamos cenas fantásticas, por mais simples que sejam, é tudo muito bonito e incrível de ver e ouvir, nos fazendo querer cantar junto a cada nova canção, como os ótimos mashups feitos na "Competição Final", com direito a Jessie J, B.o.B, Bruno Mars entre outras revelações do mundo pop atual ou a divertida competição de improvisos, com uma deliciosa mistura de gêneros, valendo destacar também a rápida apresentação de Anna Kendrick com "Cups (When I'm Gone)" e sua habilidade em fazer sons com copos. Nada disso seria possível, sem o esforço do elenco, que não desapontam na voz e nem na atuação. Como foi bom ver a adorável Kendrick se jogar no meio desse projeto, é tão interessante o fato dela não se encaixar neste tipo de filme, mas se adapta, assim como sua personagem e no final a vemos toda desenvolta em cima do palco, soltando a voz. Rabel Wilson é outro destaque, é naturalmente engraçada e surpreende também ao se entregar ao musical. Skylar Astin é extremamente carismático e com certeza tem uma das melhores vozes do elenco. Vemos ainda Brittany Snow, Anna Camp e boas participações de John Michael Higgins e Elizabeth Banks, que também produz o filme.

"A Escolha Perfeita" fora baseado no livro de Mickey Rapkin e conta com a direção de Jason Moore, novato no cinema, acostumado com séries de TV, ele acaba que limitando grande parte das cenas, as fazendo parecer retiradas de um seriado mesmo. Há cenas bem bizarras e de qualidade bem suspeitas, no entanto, o roteiro e o elenco parecem acreditar tanto naquilo e nos convencem, entretém facilmente e conquista com sua simplicidade quase que nostálgica. É daqueles que nos fazem ficar com um sorriso bobo no rosto o filme inteiro, se deliciando pelas sequências e principalmente pelas canções selecionadas. É sobre, basicamente, adaptação, sobre Beca querer provar para seu pai e para si mesma que é capaz de sentir as coisas, se sentir parte de algo, se envolver, mesmo que para isso ela precise fazer aquilo que jamais imaginou fazer, em sua oposição, Aubrey, tão presa ao passado e as tradições, acreditando que apenas assim seria respeitada por seu pai, no entanto para ser vencedora, era necessário se adaptar ao novo, ou seja, Beca precisava ser um pouco Aubrey para se adaptar e Aubrey precisava ser um pouco Beca para seguir em frente. Previsível, mas ousado até, divertido e envolvente, uma ótima escolha para um final de semana. Recomendo. 

NOTA: 8



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Crítica: 50% (50/50)

Mais uma pérola do cinema indie norte-americano que vai direto para as locadoras aqui no Brasil, sem ter a chance de conquistar um público. Baseado em fatos reais, mais especificamente na história de como o escritor Will Reiser, o mesmo que roteirizou o filme, enfrentou seu câncer. A luta contra a doença mostrada de forma leve, descontraída, com muito humor e palavrões, mas sem deixar de ser comovente.

por Fernando Labanca

Joseph Gordon-Levitt interpreta Adam, saudável rapaz que certo dia descobre que tem câncer e que tem apenas 50% de chance de sobreviver. Tem apoio de sua namorada Rachel (Bryce Dallas Howard) mesmo mostrando nítido desconforto com a situação e ainda tem que aturar o descontrole de sua mãe (Anjelica Huston). Para piorar tudo, descobre que estava sendo traído por Rachel, através de seu grande e fiel amigo, Kyle (Seth Rogen), aquele que faz de tudo para levar vida e humor a sua rotina e ajuda a enfrentar as dificuldades de estar doente. Adam ainda passa a se encontrar com uma analista, Katherine (Anna Kendrick), iniciante na profissão, mas que logo percebe que seu cliente precisava muito mais do que termos técnicos.

O cinema indie tem como característica trazer leveza aos assuntos sérios, as definitivas comédias dramáticas, ou como alguns dizem, as dramédias. Foi assim com a gravidez na adolescência em "Juno" ou até mesmo a catástrofe do fim do universo no recente "Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo". Não há dor ou conflito que este gênero não possa trabalhar. A luta contra o câncer é a premissa da vez e o que de início pode parecer clichê, "50%" vai muito além do "fazer rir para não chorar", não dispensa o humor, muitas vezes politicamente incorreto e o que em muitos filmes a vítima sai chorando pelos corredores, aqui, o protagonista sai feliz com sua erva, jamais compreendendo a intensidade do problema. No melhor do estilo "Judd Apatow", mesmo que este não esteja envolvido no projeto, temos Seth Rogen representando a nova geração das comédias e tudo funciona bem e diverte. Inevitavelmente, o longa cai no drama, seria difícil fugir por completo, mas felizmente, este não é um problema, muito pelo contrário, é através do drama que o filme alcança seu ápice, é nele que conhecemos a fragilidade dos personagens, é quando o roteiro passa a humanizar cada um deles, é então que compreendemos a profundidade da obra e o quanto ela se difere das demais já lançadas. 


Mais do que a história de um jovem lutando contra uma doença, é sobre como sua doença altera a vida das pessoas ao seu redor, ou até mesmo como altera sua relação com elas. É bastante interessante a personagem vivida por Bryce Dallas Howard, apesar de pouco explorada, onde através da pena que sentia de Adam foi incapaz de magoá-lo, omitindo o fato de não gostar mais dele, como se não pudesse haver mais problemas em sua vida além do câncer. A relação que o mesmo tem com sua mãe é outro ponto alto do roteiro, o distanciamento que ele tem com ela, onde somente a doença foi capaz de uni-los. É belo também a história dos iniciantes, Adam que não sabe como viver sem saúde, que não sabe lidar com os obstáculos, que não é capaz nem mesmo de sofrer justamente por não compreender o que é ter câncer, no outro lado, temos Katherine, a analista, iniciante na profissão, que mal sabe cuidar de seu cliente, é então que ao decorrer da trama, um acaba percebendo o quanto precisa do outro, mais do que um cliente para cuidar, mais do que aprender, ela precisava sentir. São nestes momentos em que se comprova a qualidade do roteiro assinado pelo próprio Will Reiser, que consegue fugir dos clichês, fugir do dramalhão, mas sem deixar de ser complexo, profundo e emocionante.

Joseph Gordon-Levitt mais uma vez provando ser um grande ator, se destacando ainda mais nas cenas dramáticas. É divertido vê-lo atuando ao lado de Seth Rogen, a dupla funciona, por vezes, tudo parece um grande improviso como a excelente sequência em que Adam raspa cabeça, mesmo que Rogen não seja capaz de fazer nada mais além do que já mostrou em outros filmes. Anna Kendrick é uma querida, a película se torna ainda mais encantadora com sua performance, com aquele jeitinho único que só ela sabe fazer. Eis que ainda vemos na tela a veterana e sumida Anjelica Huston, em mais uma grande atuação, construindo algumas das melhores cenas. Enfim, elenco afiado interpretando personagens muito bem escritos, através de um roteiro bem elaborado que enche a tela de bons diálogos, que mistura humor e drama de maneira eficiente. De bônus uma incrível trilha sonora, não só a instrumental composta por Michael Giacchino, mas também a excelente seleção de músicas, entre algumas bem alternativas, ainda encontramos Radiohead e Pearl Jam. Perde alguns pontos por demorar a decolar, até a metade do longa, tudo parece um pouco perdido, mas logo se recupera e prova sua força e qualidade. Recomendo.

NOTA: 8,5



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World, 2010)

Baseado na HQ de Bryan Lee O'Malley, o filme dirigido por Edgar Wright, o mesmo de "Todo Mundo Quase Morto", trás as aventuras de Scott Pilgrim que para ter a garota de seus sonhos teve que lutar por ela, literalmente!

por Fernando Labanca

Scott Pilgrim, aqui interpretado por Michael Cera (de Juno e Superbad), é um jovem nerd, que divide seu quarto com seu amigo homossexual (Kieran Culkin) e tem uma banda de rock, a "Sex-Bob-OMB!" com outros colegas. Vive em Toronto, Canadá e acaba de conhecer uma garota, bem mais nova que ele, Knives Chau (Ellen Wong), completamente apaixonada por Scott e amiradora fiel de tudo que ele faz e diz.

Eis que sua vida muda completamente, quando vê Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), a tal garota de seus sonhos, fica loucamente interessado por ela e toda sua estranhesa, por seu olhar vazio e por toda emoção que ele não transmite e seus cabelos que sempre estão de cores diferentes. Começa então, a meio que persegui-la para ter uma chance de ao menos ter alguma conversa com ela. Até que isso acontece, Scott conhece Ramona, mas o que não imaginava é que para tê-la ele precisaria lutar, isso mesmo, lutar com todos os ex-namorados dela (um mais bizarro que o outro), que possuem poderes especiais e surgem sempre quando ele menos espera. A partir de então, Scott Pilgrim entra numa batalha inusitada e cheia de surpresas, tudo para ter Ramona Flowers!


"Scott Pilgrim Contra o Mundo" chamou a atenção dos cinéfilos por sua inovação estética, insere toda essa trama no universo nerd, com referências à HQ's e principalmente Video-Games, suas batalhas, realmente parecem ter sido tiradas de um jogo, desde sua trilha sonora, ao visual, passando por pequenos detalhes, como "ganhar vida extra" entre outras coisas. Edgar Wright faz com seu filme, o que Robert Rodriguez fez com "Sin City", até hoje a obra mais inovadora no quesito HQ, com aquele visual que conseguia transmitir com precisão suas referências. "Scott Pilgrim" foi a obra que mais chegou perto do universo dos "Video-Games" e conseguiu, com muita competência e com muita qualidade passar essa idéia.

Edgar Wright é um dos bons diretores da atualidade e com este filme consegue provar isto. O longa tem um bom ritmo, seja na comédia, que aliás tem ótimas sacadas e um humor afiado ou nas cenas de ação, com direito a câmera lenta e ainda estilosas onomatopéias. Soube trabalhar muito bem com os efeitos visuais, e toda a estética do filme é interessante, a fotografia é incrível. Destaque para a equipe que conseguiu fazer uma incrível e muito detalhada transição da HQ de Lee O'Malley para o cinema. Uma obra cheia de detalhes e curiosidades que nos prende a atenção, é tudo muito novo e original.

O problema de "Scott Pilgrim Contra o Mundo", não é exatemente o roteiro, mas sim a idéia, o propósito. Quanto a idéia de transmitir o universo dos 'video-games', nota 10, entretanto, no quesito história fica devendo e muito. Não colou a história de um jovem que precisa lutar com os ex-namorados de uma garota para poder ficar com ela (WTF?), para mim, não fez o menor sentido, mesmo entrando na vibe do filme e em todo seu clima nostálgico, a história não convense. Chega ao ponto de ser boba, isso mesmo, a trama é boba, tudo ocorre maravilhosamante bem até que do nada aquele jovem normal e nerd começa a dar uns mortais e consegue manusear espadas (???) e todo mundo lida normalmente com tudo isso acontecendo, como se fosse muito natural no meio de um show, surgir alguém dando início a uma batalha com direito a poderes especiais e dizendo que você é obrigado a participar dela para ter a garota que ama, fala sério!!! Não faz sentido, é uma idéia muito pequena e completamente sem lógica. E o pior é que em nenhum momento sentimos que Ramona faria o mesmo por ele, em nenhum momento sentimos que ela realmente o ama, então...qual o sentido de passar por isso?? Nenhum.

A escolha no ator principal também me incomoda. Michael Cera insiste em fazer o mesmo, a mesma face, a mesma expressão, o mesmo tom de voz, a única sorte que ele teve é que Scott Pilgrim é o mesmo personagem que ele havia feito em todos seus outros filmes. Quando vi "SuperBad" até achei engraçado, mas depois descobri que ele só conseguia fazer isso, perdeu a graça e aqui é complicado vê-lo em cena e assistir sua performance nada inovadora. O resto do elenco convense e são eles que dão o ritmo ao filme, Mary Elizabeth Winstead consegue provar talento mesmo quando sua personagem não transmite emoção, mas tem carisma e Ramona é bem cool e chama a atenção. Destaque para Kieran Culkin que há anos não aparecia num filme, rouba diversas cenas como o amigo gay de Scott, sem trejeitos e com naturalidade. Ainda tem a doce e carismática Anna Kendrick como irmã de Pilgrim e o sempre interessante Jason Schwartzman, estranho como sempre.

Enfim, vale a pena, principalmente pelo visual inovador e todas suas referências, mesmo quando a história fica devendo. A originalidade de "Scott Pilgrim Contra o Mundo" se limita a sua estética e a pequenos detalhes de cada cena que nos remetem a elementos do universo nerd, e por essa experiência, vale a pena. Destaque para a ótima direção de Edgar Wright e ao jovem elenco de atores promissores (exceto de Michael Cera). É algo novo e por mais que a história seja simplória, não a vimos em nenhum outro lugar (felizmente), portanto é uma obra acima de tudo, original, tem seus pontos altos e baixos, as qualidades superam, mas é inevitável não ver seus defeitos e com tantos elogios que ouvi e li sobre este filme, não pude deixar de sentir, por mais que eu tenha lutado para que isso não acontecesse, decepção, admito que vi para gostar e dar nota 10, mas não foi dessa vez...Recomendo, mas ficou abaixo de minhas expectativas!

NOTA: 6.5


Obs: Quem tiver a oportunidade de ver em "DVD" vale mais a pena ainda, os 'extras' são ótimos e o final alternativo é melhor.





GAME OVER

domingo, 24 de janeiro de 2010

Crítica: Amor Sem Escalas (Up in The Air, 2009)

Esqueça esse título, pois ele nada tem a ver com o ótimo drama de Jason Reitman, um filme inteligente e maduro que retrata com fidelidade o mundo atual.

por Fernando Labanca

Ganhador do Globo Ouro, recentemente, por Melhor Roteiro, é uma das grandes apostas para o Oscar. Jason Reitman também é um grande nome para o Melhor Diretor, pelo menos uma indicação é bem provável. Reitman, depois de dirigir os ótimos Obrigado por Fumar e Juno, volta seguindo mais a linha do primeiro, deixando a "ingenuidade" do mundo jovem para os problemas mais complexos da idade adulta.

George Clooney interpreta Ryan Bingham, um homem compromissado com uma profissão muito inusitada. Ele ganha para demitir pessoas. Na atual crise mundial, onde várias empresas estão prestes a falir, começam a demitir milhares de empregados e pagam pessoas como Ryan para esse serviço nada agradável. Ele, viaja para várias partes do mundo, simplesmente entra nas empresas e faz seu trabalho, demite! Para infelicidade de todos, mas felicidade de sua companhia que basicamente lucra com o fracasso alheio. Ryan ainda faz palestras motivacionais, onde até mesmo na hora das demissões, tenta mostrar a luz no fim do túnel, mostra que nem tudo está perdido, estar desempregado pode não ser o fim de tudo, muito pelo contrário, pode ser o ínicio de uma grande conquista.



Bingham praticamente não tem moradia, vive sua vida nos ares, viajando para todos os cantos e por isso se esqueceu completamente do termo "lar", logo que nem ao menos mantém uma relação com suas duas irmãs. Não é casaso, não tem filhos e é feliz dessa maneira. Até que um dia conhece uma mulher incrível, Alex (Vera Farmiga), sua versão feminina, vive da mesma forma que ele e juntos descobrem muitas coisas em comum e com isso a relação entre eles flui facilmente, nada muito sério, sem compromissos, só diversão. Mas seu mundo se abala completamente, quando seu chefe (Jason Bateman) anuncia a chegada de Natalie (Anna Kendrick), uma jovem executiva, extremamente inteligente e dedicada ao trabalho que trás uma grande novidade que suspenderá todas as viagens e assim diminuir os custos da empresa, ela cria um sistema onde as demissões são feitas via internet. A vida de Ryan é viajar, e vendo que seu emprego está sendo ameaçado tenta provar a ineficência desse sistema e a inexpreiência de Natalie. Para fazer esse projeto decolar, o chefe coloca Natalie e Ryan lado a lado, para que a moça acompanhasse suas próximas demissões para que ela conhecesse os dois lados da moeda.

A partir de então, Bingham mostra a bela jovem seu agitado mundo e a triste realidade do mundo contemporâneo, e mesmo que num trabalho difícil, ele tenta fazê-lo com toda a dignidade, sem misturar sentimentos e tentar ser o mais profissional possível. Natalie, por sua vez, tem algumas dificuldades em ser tão forte, mesmo quando as pessoas estão "caindo" ao seu redor, e ainda mais quando seu namorado termina com ela via torpedo, seus sentimentos vão a flor da pele e passa junto com Ryan e mais para frente com Alex, refletir sobre a vida, carreira, o que quer fazer com sua vida, pensa o que vai ser quando chegar na idade adulta e o casal começa a refletir se são exatemente o que queriam ser quando eram mais jovens. E essas duas mulheres, juntamente com suas irmãs, logo que uma delas está prestes a se casar, começam a abalar as estruturas desse mundinho fechado a que ele vive, em seu "casulo de autoexílio", fazendo ele por os pés e a mente, finalmente no chão.

Um filme belo, divertido com piadas leves, que nos leva a grandes reflexões sobre a atual vida da sociedade, sobre casamento, família e outros desastres. O maior triunfo de Amor Sem Escalas é o roteiro, principalmente no desenvolvimento das personagens, elas são reais, suas atitudes são compreensíveis de acordo com as características que são impostas a elas, e graçás a isso, o final, não é dos mais felizes, logo que o roteiro se aproxima muito da realidade, e para muitos, isso pode ser decepcionante. Os diálogos também são ótimos, em conversas rápidas e francas, e o que em "Obrigado por Fumar" a persuasão era referente à "comprem cigarro", agora é sobre "é possível ser feliz sózinho, sem casa fixa, casamento e família". E por mais egoísta que essa reflexão pareça ser, não deixa de ser um modo de vida, e isto é interessante neste filme, pois em outros longas essa idéia seria desmanchada no final e o protagonista passaria a dar valor a coisas em que mal enchergava, neste, ainda há reflexões valiosas, mas não há uma auto punição em cenas dramáticas, cada personagem segue fielmente seu ponto de vista, portanto, o filme não nos apresenta uma verdade absoluta, uma única ideologia de vida.

As atuações também são um ponto alto neste longa, vale lembrar que as principais foram indicadas ao Globo de Ouro, Bafta e outros prêmios importantes. George Clooney, depois de tantos anos tentando, acredito que essa seja sua melhor performance como ator, não que ele seje ruim, mas desta vez, ele está muito melhor. Seu jeitão sedutor, canalha e sarcástico, mesmo que já usado por ele em outros filmes, neste é encaixado com mais conveniência, portanto, com mais perfeição. Está incrível, transmite segurança no que faz, assim como sua personagem. Vera Farmiga, mais uma vez, muito agradável, depois de ser a delicadeza e sensibilidade em pessoa diante de tanta testosterona em Infiltrados de Martin Scorcese, ela brilha mais uma vez, sua Alex é simplesmente adorável, divertida e encantadora e há uma boa química entre ela e Clooney, sendo as cenas em que contracenam juntos de extremo bom gosto. Anna Kendrick está muito bem, diverte facilmente com sua Natalie e consegue transmitir com fidelidade as angústias e os medos de qualquer iniciante na fase adulta.

A trilha sonora é perfeita. Ótimas canções no mesmo estilo de Juno. As músicas utilizadas facilitam a identificação do público para com o que acontece na tela. A edição também acrescenta o filme, rápida e conveniente em ótimas sequências. A direção de Jason Reitman, mais uma vez, brilhante, e se consagra como um dos melhores diretores da atualidade.

Não há como rotular, ora comédia romântica, ora comédia dramática, seja o que for, vale a pena assistí-lo. E mesmo que esteje presente aqueles momentos básicos sobre a importância da família, Amor Sem Escalas foge dos clichês, nos apresentando uma história madura com personagens maduros. Quando o filme termina, sinti a mesma sensação que senti quando vi Obrigado por Fumar e Juno, que ainda é possível fazer filmes inteligentes, filmes que não nos subestimam. Brilhante, sensível, 2010 começando com o pé direito!

NOTA: 9

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