Mostrando postagens com marcador Ben Affleck. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ben Affleck. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Crítica: Garota Exemplar (Gone Girl, 2014)

Produzido por Reese Witherspoon e baseado no livro de Gillian Flynn, que também assina o roteiro, "Garota Exemplar" é mais um interessante trabalho do diretor David Fincher, que constrói um suspense inteligente, intrigante e surpreendente, onde ninguém sairá ileso da sessão.

por Fernando Labanca

Nome por trás de obras como "Clube da Luta" e "Seven", David Fincher tem trilhado um caminho admirável em Hollywood, e nos últimos anos tem se especializado no suspense investigativo, onde o diretor parece ter se "encontrado" no gênero. E seguindo quase como uma fórmula, o diretor resgata boas ideias da literatura e as adapta de uma forma muito única na tela. Ainda que suas obras sejam muito distintas, todas parecem seguir o mesmo intuito. "Zodíaco", "A Rede Social", "Millennium" e agora este, "Garota Exemplar", todos tem uma investigação como premissa, seja do paradeiro de um serial killer, seja a investigação por trás do sucesso - ou fracasso pessoal - do criador do facebook. Cada um, a sua maneira, Fincher usa da investigação, do suspense, do mistério, para revelar a complexidade da mente humana, ele nem sempre está interessado nos eventos ou consequências, seu interesse maior está naquele que age, no suspeito, na vitima, seja na mente por trás de um crime, seja na mente por trás de uma criação.

É assim que "Garota Exemplar" começa. O marido, enquanto acaricia sua amada esposa, se pergunta o que há em sua mente e se mostra disposto a fazer de tudo para compreender o que há naquele olhar e no silêncio que nada revela. Amy Dunne, interpretada por Rosamund Pike, é uma das personagens mais enigmáticas que Fincher já trouxe para os cinemas e o mistério do que há por trás desta mulher é o que guia a trama, é o que nos prende neste ótimo suspense, longo, mas que provavelmente você não sentirá os minutos passarem.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Crítica: Gênio Indomável (Good Will Hunting, 1997)

Nunca é tarde para ver um filme e "Gênio Indomável" é um daqueles que sempre vi a capa, sempre tive vontade de ver e nunca via, eis que tive a oportunidade e faço questão de colocá-lo aqui. É quase como um clássico dos anos 90, dirigido pelo renomado Gus Van Sant. Para aqueles que se surpreenderam recentemente ao ver Ben Affleck como diretor em "Argo", é válido lembrar que este cara, subestimado por muitos, já esteve por trás das câmeras antes, não só como diretor mas também como roteirista, o que é este caso, escrevendo ao lado do talentoso Matt Damon, onde aliás, venceram o Oscar de Melhor Roteiro. O filme fora lançado em 1998 aqui no Brasil.

por Fernando Labanca

Matt Damon, que além de escrever, protagoniza o filme. Ele interpreta Will Hunting, um jovem dotado de grande inteligência, mas que possui uma vida perdida, alguém que não sabe a que rumo seguir, além do fato de desperdiçar seu tempo se envolvendo em brigas de rua ao lado de seu amigo Chukie (Ben Affleck) e trabalhando em empregos que não exijam qualificação. Após inúmeras passagens pela polícia, Will exerce uma atividade como pena, limpando os corredores de uma faculdade, é onde, para surpresa de um dos mais renomados professores do local, Gerard Lambeau (Stellan Skarsgard), ele consegue encontrar a resposta de um indecifrável teorema matemático. Percebendo o alto potencial do garoto, Lambeau faz um acordo com o juiz, onde o jovem passaria a fazer terapia como forma de se livrar de sua sentença. Eis que depois de várias tentativas, o professor entra em contato com um antigo amigo, Sean (Robin Williams), um psiquiatra que possui um passado parecido com o deste gênio indomável. São nessas conversas com Sean, que Will encontra sua força para seguir em frente, superando seu difícil passado e encarando de vez seu futuro, tendo força inclusive para conquistar a garota que amava, Skylar (Minnie Driver).


"Gênio Indomável" possui um excelente roteiro, assinado por Matt Damon e Ben Affleck, que são amigos de infância, poderiam muito bem ter feito aquele filme descontraído, criado enquanto conversavam numa mesa de bar, entretanto, o que vemos na tela é uma obra densa e de grande complexidade. Eles nos convencem sobre cada relação ali tratada. sobre cada conflito, é tudo muito sensível, muito humano, ele nos toca aparentemente de forma sutil, mas quando menos percebemos estamos sofrendo por dentro, sofrendo por estes grandes personagens, extremamente bem escritos e muito bem interpretados. Há, certamente, descontração, nitidamente uma obra feita por amigos, por pessoas que se conhecem, há uma naturalidade em cada cena, em cada diálogo, e assim, rapidamente nos sentimos afeiçoados por cada situação.

O filme é cheio de grandes ideias, é daqueles que poderá ser visto e interpretado de formas diferentes, cada pessoa levará consigo algo, é uma obra que deixa rastros, nos faz pensar e refletir sobre muita coisa. É sobre amizade, sobre como pessoas podem ser salvas por outras, sobre como uma palavra, uma conversa, pode ser confortante, inspiradora. É de se analisar também o desenvolvimento de Will Hunting, aquele que evita o próprio crescimento, sua agressividade, sua loucura, é resposta de seu medo, medo de admitir a própria genialidade, mais do que isso, medo do desapontamento e foi apenas isso que o limitou, medo de ser decepcionado, seja quando não consegue aceitar os planos de Lambeau, seja quando evita um relacionamento mais profundo com Skylar. "Gênio Indomável" é a bela prova de que não está nos livros a resposta para uma vida plena, a resposta disso está no dia-a-dia, está na convivência, nas relações humanas, de que há uma diferença entre inteligência e conhecimento, de que um indivíduo não é apenas composto pelo conhecimento teórico que ele adquiri, seu conhecimento está relacionado ao que adquiriu com a vida, com as conquistas, perdas e a sabedoria de lidar com tudo isso. E que sucesso não é necessariamente conquistado por um diploma.

Outro grande mérito da obra são suas atuações. Matt Damon dá um belo show de interpretação, um personagem difícil mas que o ator conseguiu dosar bem cada uma de suas oscilações, melhor ainda é quando ele divide a cena com o mestre Robin Williams, que há muito tempo nos deve uma atuação tão boa como esta, se mostrando como poucos conheceram, um incrível ator dramático. Os coadjuvantes são ótimos também e possuem grande espaço e importância na trama, como Ben Affleck e Stellan Skarsgard, mas é Minnie Driver quem se destaca, realizando cenas surpreendentemente boas. É interessante como estes personagens surgem na trama, surgem como meros conhecidos, aquelas pessoas que passam por nossas vidas e mal reparamos, de repente, enxergamos todos como grandes amigos e quando menos esperamos estamos com um sorriso no rosto com cada diálogo, cada abraço, e assim, porém, sentimos também nossas lágrimas, por cada erro que cometem, cada confissão, cada despedida. Gus Van Sant é definitivamente um grande diretor, teve em suas mãos a difícil missão de transmitir a excelente ideia de Damon e Affleck, e conseguiu com grande êxito. Destaco também a belíssima trilha sonora. Um filme para se guardar na memória. Recomendo.

NOTA: 9



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar 2013 - Os Vencedores



 por Fernando Labanca

A cerimônia do Oscar aconteceu neste domingo, 24 de fevereiro, e consagrou, assim como se esperava o filme de Ben Affleck, "Argo", que levou para casa os prêmios de Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Edição. Outro grande destaque foi "As Aventuras de Pi", vencendo em quatro categorias, Diretor para Ang Lee, Trilha Sonora, Efeitos Visuais e Fotografia. 

O favorito do ano "Lincoln" saiu apenas com dois prêmios, aquele que todos já sabiam, de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis, o terceiro de sua carreira, o que já é um recorde, e Direção de Arte. Ver este novo trabalho de Steven Spielberg perdendo em tantas categorias é a prova de que algo mudou na Academia, se antes era tão óbvio ver o favorito ganhando em todas as suas indicações, desta vez, houve um senso maior, não houve o "grande vencedor da noite", foi uma premiação justa, como há muito não acontecia. Repararam o erro de não colocar Ben Affleck como diretor lhe entregando o de Melhor Filme, que de fato, muito mereceu, pois era, definitivamente, o melhor dentre os indicados. Premiaram o melhor dentre os diretores, ignorando o favorito Spielberg e entregando o troféu para aquele que realizou uma das obras mais fantásticas do ano passado, Ang Lee. Títulos como "Django Livre", "007-Operação Skyfall" e "O Lado Bom da Vida", também tiveram seus momentos e mereceram os prêmios que levaram. A meu ver, o grande erro da noite, foi na categoria de Longa-metragem de animação, que premiou "Valente", havia concorrentes melhores como "Detona Ralph" e "ParaNorman".

Houve aqueles momentos vergonhosos, como sempre. Não, o tombo de Jennifer Lawrence não conta, nunca vi ninguém caindo com tanta classe como ela. Achei bizarra a aparição de Barbra Streisend, que fez um tributo aos artistas que morreram, mais esticada impossível. Acho bem triste ver essas atrizes que não aceitam a idade que tem. Outro caso ainda mais bizarro foi Renée Zellweger, a atriz surgiu no palco ao lado de seus colegas de elenco do filme "Chicago" e mal conseguia abrir os olhos ou falar o nome dos vencedores. Por falar no filme, que este ano comemora dez anos desde seu lançamento, a atriz Catherine Zeta-Jones realizou um número musical bastante interessante. Aliás, a cerimônia parece que resolveu apostar suas fichas nos musicais, onde o incrível elenco de "Os Miseráveis" fizeram uma belíssima performance com a música indicada na categoria Canção Original, além do momento "x" da noite, onde a esquecida Jennifer Hudson cantou uma canção do musical "Dreamgirls". Vale claro citar um dos momentos mais incríveis que foi ver Adele cantando "Skyfall", música na qual levou seu Oscar, por incrível que pareça, o primeiro da série 007 por esta categoria.

Não acredito que houve muitas surpresas, a maior mesmo foi Ang Lee e seu prêmio de Melhor Diretor, ou o inusitado empate na categoria Edição de Som. Mesmo sem as surpresas, confesso que fiquei bem feliz com os resultados, foi tudo muito justo, o que quase nunca acontece no Oscar. Vamos aos vencedores...



MELHOR FILME
Argo


MELHOR DIRETOR
Ang Lee (As Aventuras de Pi)


MELHOR ATRIZ
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)


MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Lincoln)


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anne Hathaway (Os Miseráveis)


MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christoph Waltz (Django Livre)


MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Amor (Áustria)


MELHOR ANIMAÇÃO
Valente


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Quentin Tarantino (Django Livre)


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Chris Terrio (Argo)


MELHOR TRILHA SONORA
Mychael Danna (As Aventuras de Pi)


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Skyfall - Adele (007 - Operação Skyfall)


MELHOR FOTOGRAFIA
As Aventuras de Pi


MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Lincoln


MELHOR MAQUIAGEM
Os Miseráveis


MELHOR FIGURINO
Anna Karenina


MELHOR EFEITOS ESPECIAIS
As Aventuras de Pi


MELHOR EDIÇÃO DE SOM
007 - Operação Skyfall
A Hora Mais Escura


MELHOR MIXAGEM DE SOM
Os Miseráveis


MELHOR EDIÇÃO
Argo


MELHOR CURTA-METRAGEM
Curfew


MELHOR DOCUMENTÁRIO
Searching for Sugar Man


MELHOR DOCUMENTÁRIO (curta-metragem)
Inocente


MELHOR ANIMAÇÃO (curta-metragem)
Paperman


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Glodo de Ouro 2013 - Os Vencedores

 
Neste domingo, dia 13/01, foram anunciados os vencedores ao prêmio Globo de Ouro, conhecido como o principal termômetro para o Oscar. A premiação ocorreu em Los Angeles e teve como apresentadoras, as comediantes Tina Fey e Amy Poehler.

A premiação foi longa, isso devido aos inúmeros intervalos comerciais, no entanto, a apresentação de Tina e Amy foi divertida, deram dinâmica e conseguiram fazer ótimas piadas, não daquele humor forçado típico de premiações norte-americanas, acabou sendo engraçado simplesmente porque elas são ótimas no que fazem, fazer rir sem grandes esforços. Ainda teve o convidado especial, o ex-presidente Bill Clinton, para surpresa de todos, para comentar sobre o filme "Lincoln", acabou que sendo pura política mesmo.  Durante a noite, surgiram no palco diversos astros, mas sem sombra de dúvida, os melhores foram Will Ferrell e Kristen Wiig, que anunciaram o prêmio para Atriz Coadjuvante, foi simplesmente hilário.

Para minha grata surpresa, sim, o Globo de Ouro foi surpreendente. Não deu muitas chances para os favoritos e diferente do Oscar, compreendeu a qualidade do obra de Ben Affleck e o premiou como Melhor Diretor e a grande surpresa da noite, lhe deu o prêmio de Melhor Filme Drama para "Argo". "Os Miseráveis" também fez bonito na noite, ganhou 3 prêmios, desbancando o até então favorito "O Lado Bom da Vida" na categoria Filme - Comédia ou Musical. Outra surpresa foi "Django Livre" e seu prêmio de Melhor Roteiro. Outras premiações foi como se esperava mesmo, como não poderia ter sido ninguém além de Daniel Day-Lewis a ganhar Melhor Ator Drama, como também não poderia ter sido outra a ganhar Atriz Comédia além de Jennifer Lawrence. Como toda ano, sempre tem aquele premiado injusto, dessa vez ficou para a animação "Valente", bem inferior aos seus concorrentes como "Detona Ralf" e "A Origem dos Guardiões".

Vamos aos vencedores...



FILME - DRAMA

Argo
Django Livre
Lincoln
As Aventuras de Pi
A Hora Mais Escura


FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
 
Os Miseráveis
O Lado Bom da Vida
Moonrise Kingdom
Amor Impossível
O Exótico Hotel Marigold


DIRETOR

Ben Affleck (Argo)
Steven Spielberg (Lincoln)
Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)
Quentin Tarantino (Django Livre)


ATRIZ - DRAMA

Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Naomi Watts (O Impossível)
Helen Mirren (Hitchcock)
Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)


ATRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Emily Blunt (Amor Impossível)
Judi Dench (O Exótico Hotel Marigold)
Maggie Smith (Quartet)
Meryl Streep (Um Divã Para Dois)


ATOR - DRAMA

Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O Mestre)
Richard Gere (A Negociação)
John Hawkes (As Sessões)
Denzel Washington (O Voo)


ATOR - COMÉDIA OU MUSICAL

Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Jack Black (Bernie)
Ewan McGregor (Amor Impossível)
Bill Murray (Um Final de Semana em Hyde Park)


ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Amy Admas (O Mestre)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As Sessões)
Nicole Kidman (The Paperboy)


ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz (Django Livre)
Alan Arkin (Argo)
Leonardo DiCaprio (Django Livre)
Philip Seymour Hoffman (O Mestre)
Tommy Lee Jones (Lincoln)


ROTEIRO

Quentin Tarantino (Django Livre)
Mark Boal (A Hora Mais Escura)
Tony Kushne (Lincoln)
Chris Terrio (Argo)
David O.Russell (O Lado Bom da Vida)




FILME ESTRANGEIRO

Amor (Austria)
A Royal Affair (Dinamarca)
Intocáveis (França)
Kon-Tiki (Noruega)
Ferruagem e Osso (França)


ANIMAÇÃO

Valente
Detona Ralph
A Origem dos Guardiõs
Frankenweenie
Hotel Transilvânia




TRILHA SONORA

Michael Danna (As Aventuras de Pi)
Alexandre Desplat (Argo)
Dario Marianelli (Anna Karenina)
Tom Tykwer (A Viagem)
John Williams (Lincoln)


CANÇÃO ORIGINAL

"Skyfall" (007 - Operação Skyfall)
"For You" (Um Ato de Coragem)
"Not Running Anymore" (Stand up Guys)
"Safe and Sound" (Jogos Vorazes)
"Suddenly" (Os Miseráveis)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Crítica: Argo (Argo, 2012)

Indicado ao Oscar 2013 de Melhor Filme, "Argo" foi uma das grandes surpresas do cinema ano passado, com roteiro ágil e inteligente, o longa é apenas o terceiro filme de Ben Affleck atrás das câmeras e marca a curta e já bem sucedida carreira como diretor, realizando não apenas seu melhor trabalho, como também um dos melhores filmes de 2012.

por Fernando Labanca

Década de 70. Somos apresentados a nova realidade do Irã, quando a população decide fazer um grande protesto contra os norte-americanos, mais precisamente no alvo mais vulnerável, a embaixada dos Estados Unidos, ameaçando invadi-la. Tudo isso porque o país apoiava o governo de opressão do antigo líder iraniano, e o protegeu quando este foi deposto, impedindo assim, que a população fizesse a justiça que desejava. É então que invadem a embaixada e apenas seis diplomatas conseguem escapar. "Argo" é sobre a incrível ideia da CIA, plano escondido há anos, de como eles planejaram a fuga dessas seis pessoas do país, sem que elas fossem percebidas na fronteira. 

Ben Affleck interpreta Tony Mendez, especialista em exfiltrações, que após ouvir ideias bizarras sobre como salvá-los, desenvolve seu próprio plano, não menos bizarro que as outras e muito mais complicada que todas elas. Usar uma produção hollywoodiana como fachada, contratando toda uma equipe, diretor, maquiador, e fazendo assim, os seis norte-americanos se passarem por membros deste grupo, se utilizando de um roteiro ignorado, para um filme chamado "Argo", uma ficção científica que tem como cenário o Oriente Médio.


O filme já começa com uma introdução bastante interessante, uma narração que explica o que precisávamos entender sobre aquela época, sobre aquele país. É neste momento que "Argo" já nos revela dois pontos cruciais, a seriedade com que trata suas ideias e seu tom crítico ao falar sobre política. Nos próximos minutos até seu final somos inseridos dentro da trama, não conseguimos mais escapar. O roteiro faz com que tudo ali mostrado seja de nosso interesse, ficamos curiosos a cada passo, a câmera parece situar-se nos locais ideias para nos colocar a frente de todas as ações. Chega a ser chocante seu início e a bela sequência da invasão à embaixada e já neste ponto percebemos que "Argo" está sob o comando de uma grandioso diretor. Ben Affleck. É tudo muito real, chocante e acima de tudo, prazeroso, que funciona não só como um relato histórico, mas como um cinema de extrema qualidade. O filme cresce a cada instante e aos poucos vamos sendo apresentados a esta louca história real, quase que impossível de acreditar. Uma trama absurda, de eventos absurdos, que nos faz ter uma única certeza...precisava ser feito.

É definitivamente muito bizarro todo o esquema da CIA e Tony Mendez e a graça do filme vem exatamente disso. E o bom é que mesmo se tratando de uma obra tão séria, o filme ainda consegue enxergar a comicidade desta situação, nos fazendo rir diante do inusitado. É brilhante como o roteiro consegue inserir comédia nos diálogos, através de seu humor sarcástico, fazendo piada de si mesmo, fazendo piada de Hollywood e política. Aliás, os coloca no mesmo patamar, provando que no fundo é tudo ficção mesmo. Assinado por Chris Terrio, o excelente roteiro nos fisga no instante em que começa até seu término. É tudo tão interessante, a fuga dos diplomatas, a criação do filme fake, a relação de Tony com tudo isso, o como de repente ele se tornou o herói de uma história que jamais poderia ser publicada, uma luta delicada, sofrida, porém silenciosa. E mesmo relatando de forma tão séria, "Argo" em nenhum momento deixa de ser um entretenimento agradável. Ben Affleck consegue este feito ao construir sequências memoráveis, trabalhando com competência todas as nuances deste fantástico roteiro, que transita facilmente entre um filme político denso, com discursos convincentes e críticos, chegando a ser ousado principalmente ao citar o intervencionismo norte-americano, ponto que nem sempre é discutido, e diferente de outros títulos não pretende rotular as nações entre heróis e mocinhos. Sendo ainda um potente filme dramático, humanizando seus personagens, nos fazendo torcer por eles. Ainda encontramos ação e suspense, com direito a cenas eletrizantes como a fuga final que é simplesmente de tirar o fôlego e como disse anteriormente, a comédia, que surge de forma imprevisível, mas seu humor é bom e por isso é sempre bem-vindo. 

Outro ponto positivo é seu elenco. Mas é válido citar...é um filme de coadjuvantes. Ben Affleck atuando ainda é um ótimo diretor, faltou um protagonista mais forte e mesmo com uma aparência bastante diferente, o ator surge bem morno a frente das câmeras, o lado bom é que ele ainda não prejudica o resultado final, até porque os coadjuvantes fazem um excelente trabalho e em quesito de atuação não há do que reclamar. Mesmo Bryan Cranston roubando a cena em todos os episódios da série "Breaking Bad", ele ainda consegue surpreender aqui, assim como John Goodman que aparece mais uma vez fantástico. Alan Arkin fazendo o que já fez antes, mas ainda faz bem e sua participação é ótima. Ainda vemos nomes como o carismático Tate Donovan, Chris Messina, Kyle Chandler e a ótima Clea DuVall.

"Argo" já é um marco. Raras vezes nos deparamos com obras tão completas como esta. Daqueles filmes que terminam e não há o que mudar, pois tudo surge em perfeito estado. Do inteligente e ousado roteiro, da direção impecável de Ben Affleck, da trilha sonora assinada pelo francês Alexandre Desplat, além da ótima seleção de músicas de época que embalam esta inusitada jornada. O filme ainda nos revela uma excelente fotografia e belíssimos figurinos. Enfim, foram poucas as vezes em 2012 que saí tão satisfeito de uma sala de cinema. Um filme completo, realista, que hipnotiza, que emociona, que faz rir e ainda em seu final faz o coração parar. Um filme obrigatório. Uma obra-prima.

NOTA: 10

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Crítica: Atração Perigosa (The Town, 2010)


Entre os filmes da 34ª Mostra Internacional de Cinema e que também entra em circuito normal, o mais novo filme de Ben Affleck, "Atração Perigosa", que trás pela segunda vez o astro como diretor, porém desta vez, ele também aparece na frente das câmeras como protagonista deste suspense policial bem armado, que ainda conta com atuações de Rebecca Hall, Jeremy Renner, Jon Hamm e a nova queridinha dos Estados Unidos, a bela Blake Lively.


por Fernando Labanca

Em 1998, Ben Affleck ganhou ao lado de Matt Damon o Oscar de Melhor Roteiro por "Gênio Indomável". Muitos anos depois, apenas em 2007, o astro volta a trabalhar por trás das câmeras, mas desta vez como diretor, no ótimo "Medo da Verdade". Voltando na mesma função, Affleck não foge muito daquilo que já conhece onde havia trabalhado em seu primeiro filme, a cidade de Boston, que também é sua cidade de origem e palco de grandes filmes policiais.

Lá, é onde vivem os melhores bandidos, aqueles mais inteligentes e que entendem do "negócio", funciona como tradição, passando os dons de pai para filho, formando gangues temidas pela população, reconhecidas entre os perigosos e perseguidas por policiais. Entre essas gangues está a de Doug (Affleck) e seu amigo Jem (Jeremy Renner), que juntos trabalham com competência em grandes assaltos. Eis que foram assaltar um banco, mascarados, e fogem do cotrole, fazendo uma refém, a gerente Claire (Rebecca Hall), só para assustá-la. Entretanto, percebem que ela viu coisas demais e poderá acabar com tudo com uma simples denúncia, logo que o FBI está em sua cola.

Decidido a impedir isso, Doug vai atrás de Claire, apenas como Doug, um simples desconhecido, fazem amizade fácil e ele acaba percebendo o quanto aquele ato irresponsável afetou a vida dela. O problema é que ele acaba se apaixonando e esta improvável união acaba fazendo com que passe a refletir sobre sua vida e se é exatamente isso o que ele quer para viver, e fica dividido entre qual lado deve permanecer. Entretanto a escolha não será tão fácil, logo que abandonar seu amigo está fora de cogitação, pois Jem faz questão de lembrá-lo que devido a ele passou nove anos preso e que esta dívida ainda não foi paga.


Uma história não muito original, porém interessante, ainda mais sobre o olhar de Ben Affleck que mais uma vez acerta como diretor. O bandido que fica dividido após se apaixonar e tem que escolher qual será seu destino, clichê. Entretanto, o longa ainda reserva algumas surpresas e durante a projeção vamos nos deparando com situações que não esperávamos e acaba que tendo um final satisfatório, não muito previsível.

Tudo é muito correto em "Atração Perigosa", uma direção segura e atores competentes conduzem esta trama que facilmente nos sentimos inseridos nela. Ainda temos uma fotografia bela e uma boa trilha sonora, além de uma edição ágil e bastante dinâmica, principalmente nas ótimas cenas de perseguição e assaltos, ação de qualidade.

Ben Affleck não é um Martin Scorsese, soube trabalhar bem no gênero mas ainda não se pode compará-lo aos veteranos, por outro lado, juntando seu excelente desempenho em "Medo da Verdade" com este em cartaz, podemos perceber claramente seu dom e que definitivamente está no caminho certo. Como ator, entretanto, não tem desempenho tão bom assim, convence, está simplesmente correto, sem nenhuma surpresa, em determinadas cenas, até, poderia ter se entregado um pouco mais. O destaque fica para Rebecca Hall, ótima como Claire e que faz deste filme bem superior, assim como a excelente atuação de Jeremy Renner. Chris Cooper ainda faz uma pequena participação, muito bem, aliás. Ainda vemos a bela Blake Lively, mais conhecida como Serena em Gossip Girl, aqui ela tenta algo extremamente diferente do que faz no seriado, da boazinha menina rica, ela se transforma radicalmente na viciada em sexo e drogas, não convence tanto, mas não atrapalha, muito pelo contrário, é interessante vê-la se testando e ousando fazer algo novo.

Enfim, roteiro bom, mas não muito diferente, baseado no livro de Chuck Hogan, direção segura e bastante competente, há rumores como um dos possíveis indicados ao Oscar ano que vem. Vale a pena arriscar, não só para quem procura entretenimento, que aliás funciona muito bem, mas também para aqueles que simplesmente admiram algo que foi bem realizado.


NOTA: 8,5




sábado, 4 de abril de 2009

Crítica: Ele Não Está Tão Afim de Você


Baseado no livro de Greg Behrendt e Liz Tuccilo (Ele Simplesmente Não Está Afim de Você), que por sua vez, foi inspirado em um episódio do seriado Sex and the City. O que esperar de um filme baseado na história de mulheres fúteis e consumistas?? Nada disso do que você pensou, o filme surpreende e se supera dentre tantas comédia românticas.

por Fernando

Ele Não Está Tão Afim de Você conta histórias de várias pessoas baseadas em situações amorosas que faz, que fez ou que um dia fará parte da vida de qualquer ser apaixonado.

E quem dá a partida inicial dessas histórias é Gigi, interpretada por Ginnifer Goodwin. Gigi vive na intensa procura de sua alma gêmea, sai com vários caras com o intuito de encontrar o homem certo para ela. O filme inicia quando ela conhece Conor (Kevin Connolly), ela dá seu telefone mas ele não liga no dia seguinte, o que faz com que ela crie em sua mente vários motivos para isso ter acontecido. Estaria ele doente, perdeu o telefone, está muito ocupado, não está preparado para iniciar uma vida amorosa ou acabou de sair de um relacionamento difícil e não está preparado para reiniciar um novo namoro?? Entre tantas questões, Gigi decide perder o orgulho e vai atrás dele, mas ele não estava no momento, e quem estava era o colega de quarto dele, Alex (Justin Long), que trabalha num sofisticado bar e atrai todos os tipos de mulheres e age como se conhecesse todas elas, todos os estilos, todas as neuroses do mundo feminino. Os dois se tornam amigos confidentes, logo que Gigi, desesperada para encontrar alguém, descobre em Alex uma enciclopédia das perguntas que ele sempre fez a si mesma mas nunca encontrava a resposta, mas a resposta para todas elas, é uma resposta simples, curta e grossa: ele não ligou porque simplesmente...ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ!!

Enquanto Gigi descobre o confuso mundo dos homens, surgem outras histórias. Anna (Scarlett Johansson) conhece por acaso Ben (Bradley Cooper) num mercado, ela é uma cantora iniciante e ele ajuda profissionais no ínico de carreira, uma espécie de caça telentos. Era para ser só uma ajuda profissional, mas acaba virando amizade, e da amizade surge algo a mais, não um romance, mas algo mais "carnal", entretanto, Ben é casado e Anna seria então sua amante, ela topa, aliás ela não queria nada mais sério, inclusive se espanta quando ele revela que está decidido a largar a esposa para ficar com ela. Anna é uma mulher as avessas, é a amante, não quer nada mais que isso, aliás, já estava com um caso com nada mais nada menos com Conor (aquele que conheceu Gigi mas não ligou no dia seguinte, por causa de Anna). Por sua vez, Ben é casado com Janine (Jennifer Connelly), uma neurótica esposa que só pensa na atual construção da casa deles, não liga para o sexo, algo que Ben encontra em Anna.

Em outros momentos, conhecemos a simpática Beth (Jennifer Aniston) que sonha em se casar com Neil (Ben Affleck) com quem namora há 7 anos. Ela vê suas amigas e irmãs se casando e se pergunta por que isso não acontece com ela e chega a triste conclusão de que talvez ele não a amasse tanto a ponto de querer se casar. Também conhecemos, Mary (Drew Barrymore) uma outra mulher a procura do cara perfeito, porém, seus relacionamentos se resumem a internet, e-mails, caixa postal, mensagem de voz, recado no my space, uma mulher ligada na modernidade que interage a todo momento com a globalização, mas nunca tem a chance de conhecer alguém cara a cara.

O filme conta um certo período na vida dessas pessoas e as atitudes que elas decidem tomar em relação a seus relacionamentos, sejam eles frustrantes, ou aqueles que nem chegaram a acontecer. Gigi se torna mais confiante em relação aos homens e decide agir como eles, usando a cabeça e não coração. Beth se separa de Ben e decide viver sua vida sózinha e aos poucos percebe o quanto isso é difícil depois de 7 anos ao lado dele e que talvez não se casar teria que ser seu sacrifício. Anna não quer nada mais profundo de um relacionamento, mesmo tendo dois amantes, entre o sexo e a diversão de Ben e responsabilidade, fidelidade e conforto de Conor. Mary se sente presa na modernidade (e na verdade, não sai disso) e Janine descobre a traição de Ben e decide salvar o casamento, uma atitude desesperada, com medo de ficar sózinha e perder o homem que tanto ama, mesmo quando a verdade estava estampada na cara dela, ele não estava mais afim dela.

Ele Não Está Tão Afim de Você poderia ter se perdido no meio do caminho, mas as situações que ele expõe são tão rotineiras e tão possíveis de acontecer, cada diálogo, cada momento é como se tivessemos visto em algum lugar, em histórias de algum amigo, ou familiar, ou até mesmo na nossa própria vivência. As desculpas dos homens, as neuroses e frustrações das mulheres, as complicações de um casamento ou de um simples relacionamento a dois nunca foram expostos de uma maneira tão direta e coesa, mas acima de tudo, de uma maneira sincera e fiel a realidade.

Provavelmente, alguma pergunta que você já fez sobre homens ou mulhres vai ser respondida em algum momento do filme, ele poderia até ser utilizado como um filme de auto-ajuda. Pode até parecer exagero, mas o longa responde e explica questões muitas vezes profundas demais para algumas pessoas que não compreendem as atitudes do parceiro. Questões que nunca são questionadas em comédias românticas que perdem o tempo mostrando vidas superficiais e situações inusitadas, sejam elas interessantes, engraçadas ou românticas, mas nunca compativeis com a verdade. Ele não está tão afim de você é uma frase difícil e arriscada, mas a verdade é que ela existe e não deve ser omitida e finalmente um filme decidiu expô-la, com bom humor, entre situações engraçadas e momentos marcantes.

O bom elenco não apaga o brilho do roteiro, mas é impossível não deixar de prestar a atenção num cast dificilmente reunido. Scarlett Johansson tem bastante destaque no longa e ela por si só já se destaca, sua persogem é doce e carismática mas ao mesmo tempo possui caráter duvidoso, mas no final, suas atitudes são compreensíveis. Drew Barrymore fez o que já havia feito antes em vários filmes, mas sua presença é sempre indispensável, seu sorriso enche a tela, mas infelizmente o longa não exige muito dela que aparece pouco. Jennifer Aniston anda surpreendendo bastante em seus novos filmes, depois de sua mais que excelente atuação em Marley e Eu, ela volta a se destacar, sua Beth é uma daquelas personagens que torcemos bastante para que seu final seje feliz. O Elenco masculino é normal, nada de surpresas, temos a volta de Ben Affleck na frente das camêras, Kevin Connolly e Bradley Cooper, são simpáticos e bons atores, mas não chamam tanto a atanção. O destaque dentre os homens, fica para Justin Long, com a personagem masculina de maior destaque, ele segura as pontas, tem presença e carisma suficiente para um quase protagonista.

Todos estão ótimos, mas palmas para Jennifer Connelly, que depois de sua personagem no fiaco O Dia em Que a Terra Parou, voltou com grande estilo em uma boa projeção Hollywoodiana. Janine sem dúvidas é a personagem mais interessante, com um lado psicológico mais profundo que as demais. É uma esposa, e tem dificuldades em ser a mulher, não faz sexo com o marido e não sabe o satisfazer como homem. Torcemos tanto para ela, principalmente quando descobrimos que ela está sendo traída, é triste ver ela se matando para ser um boa esposa e se quebrando com as responsabilidades do lar, enquanto seu marido está se divertindo. Mas suas atitudes são surpreendentes, a sua reação diante das situações que a envolvem nesse pequeno período, marca algum dos melhores momentos do longa. Outro destaque fica com Ginnifer Goodwin, uma excelente atriz que já fez parte de alguns filmes como Johnny e June e O Sorriso de Monalisa, mas nunca teve sua atuação valorizada, espero que dessa vez, Hollywood veja a pérola que estava escondida. Ele é divertida, carismática, simpática e meiga, constrói uma personagem que é difícil não se envolver, ela praticamente é a protaginista e mesmo com um nome e um rosto desconhecido no meio de tantas beldades, ela consegue brilhar.

Ele não Está Tão Afim de Você surpreende, pelo seu roteiro, não que seje ousado ou profundo, mas contrói o filme utilizando a melhor ferramenta, a realidade. O diretor Ken Kwapis não inova, mas tem seu mérito por conseguir equilibrar, um filme comercial, com um elenco de peso com uma história inteligente, sem ofuscar o brilho de nenhum deles.

A trilha sonora é bacana e ajuda em alguns momentos do filme, do rock de R.E.M ao romantismo de James Morrison. E uma ponta de Somewhere only we know do Keane, que aparece mais uma vez na trilha sonora de um filme, mas até isso o filme trabalha bem, a música parece ser diferente e é fundamental, pois aparece numa das melhores cenas do filme.

Não é um filme revolucionário que vai mudar a história do cinema, mas merece ser visto e ser reconhecido pelos tantos pontos positivos que o filme carrega. Assista, nem que seje pelo elenco, mas assista. Não é uma comédia romântica fútil ou banal, é inteligente e tem seu propósito. Além do fato, do filme não ser totalmente previsível, nunca sabemos ao certo o que irá acontecer com cada pessoa, nem sempre acontece aquilo que imaginamos. Resumindo, vale a pena. E não esqueça...Ele pode não estar tão afim de você. A verdade muitas vezes dói, mas ela deve ser encarada uma hora ou outra.

NOTA: 9

Outras notícias