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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Oscar 2020: Os Vencedores, as surpresas e injustiças


Foi anunciado, nesta noite de domingo (09/02), os vencedores do Oscar. A premiação mais importante e aguardada do cinema veio com algumas previsibilidades mas com boas surpresas também. Os favoritos aos prêmios de atuação foram definidos com bastante antecedência nesta temporada e a Academia optou por não ousar, premiando o quarteto formado por Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Brad Pitt e Laura Dern. 

A grande surpresa, claro, ficou por conta da forte presença de "Parasita", o mais premiado da noite, com 4 estatuetas, vencendo ainda nas categorias principais como Melhor Filme, Direção e Roteiro Original. Foi um momento histórico, pois nunca um filme internacional chegou tão longe na premiação. Épico eu diria. Essa renovação faz um bem enorme ao Oscar e podemos afirmar que essa foi uma das maiores e mais adoráveis reviravoltas que o evento teve nos últimos anos. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Retrospectiva 2019: Os Melhores Atores

Em 2019 tivemos ótimos personagens masculinos e, como consequência, grandes atores se destacam durante o ano. Foi uma lista um pouco difícil de fechar, logo, acabei deixando nomes fortes de fora. Caso sinta falta de alguém, deixe nos comentários. 

Essas são, na minha opinião, as melhores atuações masculinas de 2019. Espero que gostem dos selecionados. Sempre bom lembrar que na retrospectiva aqui no blog, os filmes possíveis de seleção são todos aqueles lançados no Brasil entre janeiro e dezembro, independente do ano em que foram lançados nos países de origem. 

por Fernando Labanca



15. Timothée Chalamet (O Rei)
É surpreendente a força de Timothée Chalamet em cena. Apesar de muito jovem, ele encara o protagonista de “O Rei” com garra e prova ser mais do que uma mera nova promessa de Hollywood. Aqui ele interpreta Henrique V, que contra sua vontade, aceita o reinado deixado por seu pai, assumindo o posto de rei da Inglaterra e liderando uma violenta guerra. Toda a construção do personagem é interessante e vê-lo crescendo na pele de Chalamet é ainda mais fascinante. 




14. Eddie Murphy (Meu Nome é Dolemite)
“Meu Nome é Dolemite” marca uma volta triunfal do veterano Eddie Murphy, que depois de anos longe do cinema retorna em um papel que lhe cai como uma luva. É a sua cara. É o seu momento. Na pele de Rudy Ray Moore, um homem que na década de 70 fez absolutamente de tudo para conseguir emplacar uma carreira artística, o ator encontra espaço para explorar todo o seu talento, fazendo stand up, cantando e provando que é capaz de ir muito além da comédia. 




13. Daniel Craig (Entre Facas e Segredos)
No início de “Entre Facas e Segredos” há um certo mistério diante do famoso detetive que entre em cena para solucionar um crime. Quando, enfim, o rosto de Daniel Craig é revelado e seu personagem ganha destaque na trama, o filme ganha uma nova vida, um novo brilho. Depois de tanto tempo se dedicando ao James Bond, acabamos que esquecendo do quão bom ator ele é. Benoit Blanc é um personagem pomposo, inteligente, cômico e parece ter sido tirado de um filme antigo. Craig, por sua vez, é este ator intrigante, que diante desta baixa expectativa que existe sobre sua presença, vem e nos entrega uma grande atuação. Ele tem carisma e um charme que é difícil de tirar os olhos quando está frente à câmera. 




12. Zain Al Rafeea (Cafarnaum)
Me emociona e me faz pensar no quão milagroso o cinema consegue ser. Zain, o ator, é um refugiado sírio e quando filmou “Cafarnaum”, não sabia ler. É brilhante, então, a veracidade e intensidade que ele traz ao personagem Zain, o garoto pobre libanês, que processa os pais por tê-lo colocado no mundo. É muito forte toda a trajetória do garoto e nos choca como ele, que não é um ator profissional, conseguiu trazer tanta honestidade e tanta comoção em cena. Zain é um desses milagres e que lindo foi poder vê-lo aqui. 




11. Taron Egerton (Rocketman)
Taron Egerton tem construído uma carreira interessante em Hollywood. Rosto bonito, ele é o típico jovem padrão que tem tudo para ser um galã de sucesso. É curioso, então, perceber o quanto ele se recusa a isso e consegue, através de projetos tão arriscados, apagar essa imagem fútil e provar o quão talentoso é. Em “Rocketman”, nada é capaz de apagar o brilho que ele tem. Taron canta, dança e entrega uma atuação digna de prêmios. Na pele do astro Elton John, o ator foge da caricatura ou imitação e faz sua própria versão daquilo que acredita ser Elton. E traz verdade, traz intensidade e nos convida a enfrentar sua mágica e dolorosa jornada ao seu lado. 




10. Brad Pitt (Ad Astra)
Brad Pitt é um grande ator, mas por alguma razão, sempre esquecemos disso. “Ad Astra” veio para nos lembrar do quão competente ele é capaz de ser quando recebe um bom filme e um bom personagem em mãos. Ao interpretar o engenheiro espacial Roy, que viaja ao espaço a procura de seu pai, o vemos quase que o tempo inteiro sozinho em cena. É preciso ser um grande ator para segurar a público diante deste isolamento e, apesar de extremamente sutil, ele nos hipnotiza e nos emociona. Brad é bastante honesto ao revelar os dramas de seu personagem e entrega uma atuação, surpreendentemente, sensível e delicada, muito distante de tudo o que ele realizou anteriormente. 




09. Christian Bale (Ford vs Ferrari)
Não fechei esta lista até assistir “Ford vs Ferrari” pois sabia da possibilidade que havia de Christian Bale entregar uma atuação digna de ser lembrada como “uma das melhores”. Afinal, quando foi que ele errou? Bale é unânime e segue construindo uma carreira de acertos. Muito a vontade na pele do piloto Ken Miles, o ator entrega mais uma grande interpretação. É um cara grosseiro, meio truculento e no meio de sua comicidade, o ator encontra sua humanidade. Ao fim, criamos um laço forte com aquele personagem, uma afeição que nos faz torcer fortemente por suas vitórias e isso se deve a Bale e a capacidade dele de nos convencer. De acreditar no quão humano, quão real e verdadeiro ele é.  




08. Jonathan Pryce (Dois Papas)
Eu não consigo imaginar outro ator sendo o Papa além de Jonathan Pryce. Mais do que uma questão de fisionomia, ele nos prova, cena após cena, que ninguém poderia incorporar aquele personagem além dele. Há algo de muito especial em sua composição, que nos transmite verdade, que nos transmite paz. A naturalidade com que ele fala outros idiomas também impressiona e revela o quão preparado ele estava para viver aquilo. Os diálogos são ótimos e são como presentes dados ao veterano que poucas vezes, nos últimos anos, recebeu um material tão completo como este. 




07. Marcello Fonte (Dogman)
Marcello venceu, ano passado, o prêmio de Melhor Ator em Cannes e não só por isso merece estar aqui. Estrela do elogiado filme do italiano Matteo Garrone, Marcello surpreende por não ser um ator profissional e ter se entregado com tanta garra. Ele foi achado ao acaso pelo diretor para dar vida ao protagonista Marcelo, um humilde funcionário de uma pet shop. Seu carisma enche a tela e sua presença nos impacta, tamanha força. Ele traz honestidade em cada diálogo e em cada situação vivida pelo personagem e nos envolve facilmente em sua jornada. 




06. Ethan Hawke (Fé Corrompida)
Foi uma grande surpresa ver Ethan Hawke na pele do reverendo Toller no drama “Fé Corrompida”. Ele sempre foi um ator muito correto, no entanto, confesso que nunca o tinha visto desta forma, tão entregue a seu personagem. Pela primeira vez me fez esquecer seus outros papéis e encará-lo como um ator realmente competente, capaz de sair de sua zona de conforto e viver por completo uma outra realidade. 




05. Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez em Hollywood)
Leonardo DiCaprio é um desses grandes atores que nunca erram. Pelo menos nesta última década, não me vem à cabeça um projeto que ele tenha se envolvido e dado errado. Na pele do ator Rick Dalton, ele entrega mais uma irretocável atuação. Aqui ele é um astro da comédia, do drama, da ação e trilha com perfeição por todos os gêneros, explorando ao máximo todas as possibilidades de seu personagem. DiCaprio nos mantém atentos e é ele a grande razão do novo filme de Tarantino valer a pena.  




04. Adam Driver (História de Um Casamento)
Queridinho do cineasta Noah Baumbach, os dois tem construído uma bela parceria nos últimos anos. É nítido o quão pessoal e intimista é o texto de “História de Um Casamento” e Driver serve quase como um alter ego do roteirista aqui. É nítido, também, o quanto o ator se doou aqui, mergulhando de cabeça nos dramas de seu personagem e entregando umas das interpretações mais viscerais do ano. Ao viver o marido que está se divorciando, Driver se mostra intenso e muito honesto em cada diálogo. É seu melhor momento, com certeza. 




03. Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Não que Willem Dafoe seja a escolha mais óbvia para dar vida a Van Gogh no cinema, mas quando “No Portal da Eternidade” começou, ficou claro que não poderia haver outro ator para interpretá-lo. Ela abraça o personagem, vive com intensidade aquela verdade e durante aqueles minutos nos juntamos a ele em sua jornada e acreditamos em seus dramas e relatos. É linda e irretocável sua presença em cena, emociona e nos faz ter a certeza do quão completo ele é como profissional.   




02. Antonio Banderas (Dor e Glória)
Acho que esquecemos do grande ator que Antonio Banderas é. Talvez por isso tenha sido tão surpreendente vê-lo em “Dor e Glória”. Ele renasce em cena para viver o alter ego do diretor Pedro Almodóvar, Salvador Mallo. É uma performance sutil, que encanta, nos envolve e nos deixa ali, hipnotizados por cada diálogo que pronuncia. Banderas nos convence e prova que por muitos anos o subestimamos. É um ator incrível, que domina a cena e que merece mais chances como esta. 




01. Joaquin Phoenix (Coringa)
Foi a atuação de 2019, fato. Me deixou sem palavras por diversos momentos e arrepiado pela entrega e transformação do ator. Joaquin Phoenix é um monstro, um camaleão e não resta dúvidas de que ele é um dos maiores atores ainda em atividade. Na pele do Coringa, Phoenix renasce e supera as altíssimas expectativas que existam em cima de sua interpretação. É brilhante sua entrega, em como ele entende o personagem e se permite crescer em cena. Cada nova sequência, um novo choque, um novo impacto. Phoenix deu um show, um show que vamos lembrar daqui há muitos e muitos anos. Foi mágico, foi memorável. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Retrospectiva 2019: Os Melhores Atores Coadjuvantes



2019 nos presenteou com grandes filmes e, como consequência, tivemos o prazer, também, de nos depararmos com grandes atuações. Confesso que minha lista estava grande, mas me esforcei para deixar apenas 10 nomes, até para deixá-la mais concisa e conseguir reunir o que, de fato, foram os melhores, na minha opinião. 

Com vocês, então, as 10 melhores atuações masculinas em papeis coadjuvantes. Lembrando que cito os filmes que apenas foram lançados no Brasil em 2019, independente do ano em que foram lançados em seus respectivos países de origem. Se vocês lembrarem de outros nomes que mereciam estar aqui, deixem nos comentários. Espero ter sido justo e espero que gostem dos selecionados. 

por Fernando Labanca



10. Jonathan Pryce (O Homem Que Matou Dom Quixote)
Para encarar o surrealismo de Terry Gilliam é preciso estar aberto a um roteiro sem muitas regras. O que para um ator deve ser uma oportunidade única, libertadora. É assim que o veterano Jonathan Pryce abraça esta grande chance, dando vida às loucuras de um texto criativo e irreverente. Ele dá vida a um ordinário sapateiro que após ser chamado para viver Dom Quixote em um projeto de universitários, ele passa a acreditar que realmente é o personagem de carne e osso de Cervantes. Um herói pronto para salvar sua donzela em perigo. É cômico, mas existe uma boa dose de tragédia. Jonathan é um ator incrível e consegue tornar o filme melhor do que realmente é. 




09. Wesley Snipes (Meu Nome é Dolemite)
Uma das boas surpresas da Netflix em 2019, sem dúvidas, foi o longa "Meu Nome é Dolemite". No meio de diversos personagens carismáticos está Wesley Snipes, que ressurge depois de muitos anos longe da tela. É muito bom vê-lo em cena porque ele retorna provando ser aquilo que sempre duvidamos dele: sendo um bom ator. Snipes interpreta D'Urville Martin, que aceita dirigir o filme de Dolemite. É um personagem cheio de afetações e poderia ser apenas um retrato caricato ali se não fosse a habilidade dele em tornar aquele indivíduo tão irritantemente adorável.




08. Anthony Hopkins (Dois Papas)
"Dois Papas" se concentra, basicamente, nos diálogos entre o cardeal Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce) e o papa Bento XVI. Acompanhamos ao longo de seus minutos, os dois discutindo sobre os mais diversos assuntos e obviamente, nada disso teria dado certo sem a escalação perfeita dos veteranos Pryce e Anthony Hopkins. Os dois parecem ter nascido para esses papéis. É lindo de ver eles contracenando e justamente por isso, cito Hopkins aqui. É um coadjuvante de ouro, que brilha e consegue debater a altura do talento de Pryce. Sabe ser cômico e comovente na mesma medida, sem perder a seriedade de seu personagem e trazendo honestidade em cada palavra que pronuncia.




07. Al Pacino (O Irlandês)
Em 2019, Martin Scorsese resolveu dar um presente ao público e, de certa forma, homenagear a própria carreira. É assim que ele conseguiu reunir, em "O Irlandês", três dos grandes atores que já trabalharam com ele. Al Pacino é um deles e retorna com fôlego admirável. No papel de Jimmy Hoffa, ele traz uma força em cena que tínhamos esquecido que ele era capaz. Se trata do personagem mais intrigante da obra, que oscila e ao mesmo tempo em que nos faz torcer por ele devido seu carisma, nos faz temer os caminhos que ele seguirá. Um trabalho de mestre.




06. Jake Gyllenhaal (Vida Selvagem)
Talvez tenha sido o papel menos prestigiado da carreira recente de Jake Gyllenhaal. Quase ninguém viu, pouco se falou. No entanto, ele consegue demonstrar aqui, em poucos minutos de cena, uma força notável e uma atuação digna de prêmios, que infelizmente foi ofuscado pela pouca divulgação da obra. Na pele de um pai de família frustrado, Gyllenhaal emociona e traz um embate potente ao lado da atriz Carey Mulligan. 




05. Brad Pitt (Era Uma Vez em Hollywood)
Depois de alguns anos afastado de bons papeis no cinema, Brad Pitt se reinventa neste novo trabalho de Tarantino. Ele dá vida à Cliff Booth, um dublê decadente de filmes, assistente pessoal e amigo de Rick Dalton, interpretado por Leonardo DiCaprio. São dois personagens inseparáveis ali, cada um com suas características marcantes. Brad está ótimo em cena e traz um charme inegável. Vem bastante canastrão também, mas sempre fugindo de uma possível caricatura. É um anti-herói cheio de mistérios e nos deixa vidrados por sua jornada dentro da história. 




04. Timothée Chalamet (Querido Menino)
Baseado na relação real entre um pai e um filho, "Querido Menino" dá ao jovem ator Timothée Chalamet uma chance de brilhar e ele agarra essa oportunidade com força. Ele interpreta o filho Nic Sheff, que prestes a entrar na universidade, se perde no mundo das drogas. Seu vício, obviamente, acaba abalando a relação da família e o ator dá um show nesses instantes. É muito corajoso sua entrega, traz honestidade para um tema tão sério e nos faz acreditar, no tempo de filme, em toda a dor enfrenta. 




03. Song Kang-ho (Parasita)
Esta não é a primeira parceria entre o ator e o diretor sul-coreano Bong Joon-ho. Depois de filmes como "Memórias de Um Assasino", "O Hospedeiro" e até mesmo o hollywoodiano "Expresso do Amanhã", os dois retornam nesta belíssima obra-prima que é "Parasita". Na pele do pai desafortunado da família Kim, Song surge cômico, mas permite que seu personagem cresça ali, se transformando e nos fazendo questionar até que ponto ele suportaria a situação em que vive. Ele demonstra uma naturalidade muito grande, chegando a ser difícil imaginar ele sendo outra coisa além daquilo que mostra em cena. É real e acreditamos nele. 




02. Joe Pesci (O Irlandês)
Joe Pesci não atuava desde 2010 e somente Scorsese poderia retirá-lo dessa aposentadoria. E que bom que o mestre o trouxe de volta e nos presenteou com sua atuação em "O Irlandês". Na pele do mafioso Russell Bufalino, ele rouba a cena. É um personagem carismático e que nos hipnotiza por sua força em cena, por fazer tão bem aquilo nas mãos de outro ator seria esquecível. É um ambiente familiar e Pesci prova que somente ele poderia estar ali.  




01. Richard E.Grant (Poderia Me Perdoar?)
Foi no começo do ano e eu sabia que essa atuação seria imbatível. É, de longe, meu coadjuvante favorito de 2019. Há um tempo tenho notado a boa presença do britânico Richard E.Grant em algumas produções (inclusive em Star Wars recentemente) e finalmente lhe foi dado o papel que ele merecia, um papel a sua altura. Ao dar vida ao caloteiro Jack Hock, Richard consegue expor todo seu talento como ator. É cômico na mesma medida que é trágico. É o vilão ao mesmo tempo em que é parceiro. Sua dinâmica ao lado da fantástica Melissa McCarthy foi um dos mais belos presentes do ano. Que gostoso foi ver os dois atuando juntos, dividindo a cena e trocando diálogos tão bem escritos. Richard destrói e me fez querer entrar dentro do filme e agradecê-lo por construir um indivíduo tão bem, por ter me afeiçoado a ele e por ter me feito emocionar como poucos personagens conseguiram em 2019. Foi lindo. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Crítica: Happy Feet 2 - O Pinguim (Happy Feet Two, 2011)

Continuação do vencedor do Oscar, "Happy Feet" de 2006, o filme australiano, dirigido novamente por George Miller, vem para mostrar o alto nível que as animações chegaram, com perfeição nos detalhes que alcançam a perfeição, por outro lado, também vem para provar a carência que o gênero vem sofrendo em relação aos roteiros.

por Fernando Labanca

Na sequência, vemos Mano (Elijah Wood) e Gloria (P!nk) já bem crescidos, vivendo felizes na comunidade dos Pinguins Imperadores, ao lado do amigo Ramon (Robin Williams) e agora, cuidando do filho Erik. Erik, porém, possui uma característica muito forte de Mano, a de sempre questionar a vida, e desde pequeno começa a se perguntar o porquê dele ter que cantar e dançar como todos os outros, eis que influenciado por Ramon, que também não se sente parte dos Imperadores, vai conhecer um outro grupo de pinguins, é onde conhece Sven (Hank Azaria), um pinguim idolatrado por todos e que voa e que ensina uma lição valiosa para Erik, a de sempre acreditar nos seus desejos para que eles possam acontecer.

Até que um acidente natural acontece, e todos os "imperadores" ficam presos, e por serem os únicos do lado de fora, Mano e Erik, passam a procurar ajuda de outros grupos, procurando por solidariedade. É neste momento, também, em que os valiosos ensinamentos e os talentos de Sven são colocados em teste. 


Como disse anteriormente, "Happy Feet 2" peca justamente em seu roteiro, e infelizmente, peca feio. Nem mesmo o alto nível da animação consegue disfarçar o erro. O longa não trás absolutamente nada de novo, muito do que ocorreu no primeiro retorna, mas sem a mesma força, os conflitos pessoais de Mano agora são os mesmos só que de seu filho, Erik, além das mensagens que vemos em todos os outros filmes de animação, como solidariedade, a união de raças diferentes, a luta pelos sonhos, além é claro, da importância das diferenças. O que vemos na história, é uma tentativa um tanto quanto insistente dessas mensagens, que surgem do nada, tentando tapar o buraco deixado pela inexistência de um bom roteiro, uma boa idéia. A verdade é que nada acontece no filme, é uma sequência de belas imagens mas sem nenhuma boa história sendo contada, e as poucas coisas boas que surgem, como por exemplo a dupla de "camarões" Bill e Will the Krill (Brad Pitt e Matt Damon), que me pareceram uma alusão à homossexualidade, trazem pensamentos existencialistas bastante complexos, mas que não são tão bem explorados. Aliás, há muito existencialismo em "Happy Feet 2", mas os roteiristas infelizmente não exploraram este potêncial, ou seja, temos a certeza de que há pessoas inteligentes por trás do projeto, mas que por algum motivo resolveram ir pelo caminho mais fácil e entregaram um trabalho preguiçoso, nada inovador.

O lado positivo são as técnicas avançadas de animação, a riqueza de detalhes, a textura dos animais, as cenas na água chegam à perfeição, o que é quase impossível, os detalhes da neve, enfim, é de deixar qualquer um que goste do assunto de boca aberta, o filme chega ao ápice da perfeição, o que espanta, pois o filme é da Warner, distribuidora que pouco aposta no gênero. O filme é salvo também por alguns diálogos inspiradores, por vezes, clichê, mas boas intenções são sempre válidas, como "Ás vezes é preciso regredir para seguir em frente", entre outras, como também as discussões de Bill e Will que surpreendem pelos pensamentos um tanto quanto complexos. Além, das cenas musicais que são sempre bem-vindas, mas que infelizmente não aparecem tanto, destaque principalmente para a cena final ao som de "Under Pressure" do Queen, simplesmente fantástica.

Em suma, faltou muita coisa em "Happy Feet 2", está muito longe de ser como o primeiro, que é muito superior. Não há nada que vemos na tela que justifique sua realização, um filme preguiçoso, sem idéias, por muitaz vezes cansativo simplesmente por não apresentar nenhuma história. Bela imagens, efeitos incríveis, animação rica que alcança a perfeição, personagens carismáticos mas que perdem o brilho pela ausência de uma boa trama, além de possuir uma ótima trilha sonora assinada por John Powel, destaque também pelos efeitos sonoros, muito bem realizados. 


NOTA: 5


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cinema: A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011)


Vencedor do Palma de Ouro de Melhor Filme no último Festival de Cannes, "A Árvore da Vida" mostra o retorno de um dos diretores mais aclamados da indústria, Terrence Malick (Além da Linha Vermelha, Terra de Ninguém), que em quase quatro décadas de carreira, estréia seu quinto filme, apenas. O longa, também, levou cerca de quatro anos para ser editado, mostrando o aprimoramento quase que obsessivo do diretor, e na tela vemos o resultado perfeccionista e cheio de belos detalhes. "The Tree of Life" conta com Brad Pitt e a novata Jessica Chastain no elenco.

por Fernando Labanca

Texas, década de 50, conhecemos Jack (Hunter McCracken), um garoto que vive com seus dois irmãos e seus pais, a Sra. O'Brien (Jessica Chastain) que mantém uma conexão muito forte com a natureza, enxerga beleza nas coisas mais simples, além de manter um relação muito íntima com Deus. O pai (Brad Pitt) é o patriarca, gosta de provar que ele é quem manda no lar, é rígido e não aceita desrespeito às suas regras. E através do jovem e inocente olhar de Jack, veremos a rotina desta família, os conflitos com o pai, o ciúmes que mantém de seu irmão mais novo, e a vontade de querer mais atenção e ter uma relação mais profunda com o pai, a intenção de compreender Deus assim como a mãe ao mesmo tempo em que O questiona. A beleza da mãe e toda a harmonia que ela consegue transmitir, as brincadeiras no jardim, as conversas e a liberdade que sentiam na ausência da rigidez do pai.

E essa história de família vai além, desde os primórdios da história, o início de tudo, o Big Bang, passando pela evolução humana, década de 50 no Texas, anos mais tarde, a perda de um dos filhos e o desiquilíbrio emocional que se instala, até muitos anos depois, Jack (Sean Penn) perdido em sua rotina no mundo contemporâneo, tentando encontrar algum sentido para sua vida e relembrando sua jornada e tudo o que marcou para sempre em sua mente e o transformou no que ele é hoje.


"A Árvore da Vida" dá um volta enorme para contar a jornada de uma família, mas o filme vai muito além disso, mostra o quanto nossa história se iniciou muito antes do que nós lembramos, a nossa vida é só uma pequena parte na história do universo. Terrence Malick transforma a vida em poesia, é um ode a vida, ao milagre que existe e pouco percebemos, nossa árvore genealógica se iniciou muito antes, houve grandes acontecimentos para hoje estarmos vivos, logo, cada amanhecer, cada anoitecer, uma brincadeira de família, um simples abraço, uma conversa, um olhar, é tudo um pequeno pedaço de um plano maior, é um milagre. O quanto nós somos pequenos diante do universo, mas o quanto cada pequena ação de um dia pode nos marcar, o quanto as conexões que fazemos a cada dia com as pessoas que amamos nos é impostante, e uma época feliz assim como a infância pode nos definir para sempre, pode ter valido uma vida inteira.

Terrence Malick testa aqui um cinema completamente novo, fora dos padrões, não há um roteiro organizado, não há começo, meio e fim, há apenas imagens (e belas imagens) com diálogos soltos como narrações em off, são como poesias ilustradas. E digo com toda a certeza, foi uma das experiências mais profundas e emocionantes que tive numa sala de cinema este ano, é bom ver algo novo, original, mas é melhor ainda ver algo feito com tanto cuidado, com muita alma, é tudo muito sentimental, cada palavra ali parece ter sido selecionada e feita para mexer com o público, faz com que nos emocionemos em cenas simples como um simples almoço de família, é tocante, é um projeto único, feito com verdade, para ser refletido e ser levado em nossas memórias durante muito tempo.

O visual é fantástico, fiquei realmente sem palavras, visualmente falando, o filme mais lindo de 2011 até agora, cada imagem ali é de tirar o fôlego, é tudo muito belo, as cores, o modo como a câmera as captura, é surreal. Fotografia impecável. Para aprimorar nada melhor que uma boa trilha sonora, Alexander Desplat foi o selecionado e fez, digamos, um trabalho excepcional.

O longa peca por distanciar o público em várias passagens, como uma longa sequência nos mostrando detalhadamente a evolução humana, praticamente estava diante de um documentário ciêntífico, quase me esqueci que havia uma história acontecendo ali, acredito que tenha sido um grande erro, desiquilibra o que estava ótimo, quebra o clima totalmente. Além de vários diálogos soltos que temos que deduzir quem é o destinatário, é feito de forma interessante e bastante bonita, confesso, mas nem sempre funciona. Mas o pior de todos os erros, foi a inserção de Jack adulto, na pele de Sean Penn, o personagem não faz o menor sentido, aparece em algumas cenas, não fala, e parece completamente perdido, deslocado, não há como compreender sua existência, até mesmo o próprio ator confessou recentemente que não entendeu sua presença no filme.

Não há o que comentar de Sean Penn, lamentável. Brad Pitt, por sua vez, constrói um personagem interessante, mas longe de ter uma grande atuação, faz muito bem, mas nada surpreendente. O destaque fica para os novatos, a bela Jessica Chastain está irretocável, brilha assim como a trilha sonora e as imagens surreais, está perfeita, convense como a mãe dedicada e esposa submissa, há tanta beleza e leveza em seu olhar, enfim, fantástica. O jovem Hunter McCracken é quase que um protagonista, é ele quem vai nos guiando, há muito força neste pequeno ator, como há poucos diálogos, os sentimentos se prendem no olhar, e seu olhar é poderoso, consegue transmitir os sentimentos um tanto quanto complexos de Jack.

"A Árvore da Vida", mais uma vez, é um filme belo, tanto no visual, quanto no roteiro, nas atuações, na trilha sonora, enfim, um conjunto de elementos em estado perfeito capaz de criar uma das obras mais marcantes do ano. Terrence Malick faz um incrível trabalho, me lembou por muitas cenas o cinema de Stanley Kubrick, principalmente em "2001: Uma Odisséia no Espaço", desde a riqueza de detalhes, ao silêncio, a lentidão, a perfeição. Há sim seus erros, mas são pequenos no meio de tantos acertos. Um projeto poderoso, grandioso, que fala sobre a vida e todos seus desdobramentos, sua complexidade, sua intensidade, seus mistérios, seus milagres, e sobre os caminhos que seguimos, no caso, o diretor nos apresenta dois: o caminho da graça, o dom de Deus e da natureza, a vida terrena. Recomendo, um filme memorável.

NOTA: 9



quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2007)


Baseado no livro de mesmo nome de Ron Hansen, o filme fora dirigido por Andrew Dominik, e conta com atuações de Casey Affleck, Sam Rockwell e Brad Pitt numa interpretação que lhe rendeu o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza em 2007. O longa conta o declínio do mais famoso fora-da-lei dos Estados Unidos, Jesse James.


por Fernando Labanca


Desde quando fora lançado nos cinemas, confesso que tive um certo preconceito com este filme, passando pelo nome que já entrega o que vai acontecer na trama e pelo fato de nunca eu ter me deparado com um faroeste que me despertasse grandes emoções, nem mesmo o elogiadíssimo "Bravura Indômita" me agradou. Eis que resolvi dar uma chance e logo nos primeiros minutos tive a certeza de que não me decepcionaria com minha decisão.

Conhecemos Jesse James (Brad Pitt) em seu último grande roubo, ao lado de seus inseparáveis companheiros, Charley (Sam Rockwell), Wood (Jeremy Renner) e Dick (Paul Schneider). No meio do seu bando, também havia outros comparsas, como alguns novatos no ramo, assim como Robert Ford (Casey Affleck), um rapaz tímido e um tanto quanto fracassado, nunca conseguia o que realmente queria, chamar a atenção de seu ídolo, Jesse James, por quem mantinha uma admiração obsessiva. Neste plano, o fora-da-lei acaba descobrindo que sua cabeça está a prêmio, existem pessoas além do próprio governo atrás de sua vida em busca de recompensa. A partir de então, ele compreende que enfim suas atitudes terão uma consequência, tudo está perto do fim, e passa a fugir, parando em locais diferentes para não ser descoberto, ao mesmo tempo em que se afunda em constantes oscilações de sentimentos, como fúria, medo, cautela e emoção.


Nesta situação complicada em que o herói dos bandidos se encontra, ele se depara, enfim, com Robert Ford, aquele que sempre esteve ao seu lado mas nunca o via de verdade, acha graça da adoração do jovem em sua personalidade e passa a admirá-lo por ser sempre fiel, enquanto passa a duvidar de seus antigos comparsas, os deixando cada vez mais de lado de seus problemas pessoais, sem nem sequer imaginar que Ford já havia se oferecido para matá-lo, tudo por uma questão de fama e de enfim ter reconhecimento por algo, nem que para isso precisasse matar aquele que mais admirava. Começa então, uma sequência de jogos sujos e trapaças por trás de Jesse James, que por sua vez, passa a "dar um fim" naqueles que o traíram em sua longa jornada, sem perceber que o pior de todos os golpes viria daquele que estava exatamente ao seu lado.


A pergunta que me veio à cabeça logo no início do filme, era como manter uma história se já sabemos a resolução dos conflitos, quem morreria e quem o mataria, fato que só acontece no final do longa. E esta é a grande genialidade de "O Assassino de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford", justamente por já nos revelar o que seria o grande suspense da obra logo em seu título, e mesmo assim, conseguir construir uma trama tão intensa e tão interessante, capaz de prender o público, mesmo já sabendo o que vai acontecer. A questão, então, passa a ser os porquês e como esta morte seria executada. O filme é longo, mais de duas horas e meia de duração, e nestes minutos, conhecemos vários personagens e algumas tramas que nos levam para o fim predestinado e em nenhum momento cansa, simplesmente não há como não desgrudar os olhos e prestar atenção a cada detalhe, pois é tudo muito fascinante, dos personagens a seus belos diálogos, do visual impactante ao final, que mesmo já revelado, ainda nos oferece beleza, nos oferece um fim marcante.

Andrew Dominik constrói um belo filme, não havia visto nada anteriormente deste diretor e me surpreendeu e muito. O filme tem um ritmo lento, mas ainda assim muito interessante, há personagens muito agradáveis e são por eles e pelas situações em que eles se encontram, que nos prendemos a obra. O visual é fantástico, as cores, a fotografia, é tudo muito belo, com suas bordas embaçadas, lembrando quase que uma pintura à óleo antiga mas com cores muito vivas, e a opção desta estética reforça a beleza do longa e é um dos pontos mais positivos do filme. Vale ainda citar a delicada trilha sonora assinada por Nick Cave.

As atuações são um show à parte. Brad Pitt está incrível na pele de Jesse James, o personagem já é extremamente interessante, mas sua performance o enriquece. Não há como não se envolver com ele, dá um realismo a cada oscilação que seu personagem enfrenta, convence nos momentos mais descontraídos quanto nos momentos mais intensos, se mostra mais uma vez um ator competente. Casey Affleck, por sua vez, é um coadjuvante de ouro, marcante, fora indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro por seu papel, é através dele que a trama segue, é através dele que conhecemos todo este universo, constrói uma performance muito original, admirável, sua sensibilidade, seu fracasso, sua luta patética pela fama que é de partir o coração ao mesmo tempo que nos faz odiá-lo. Outros coadjuvantes brilham como Sam Rockwell, um ator que respeito muito, se destaca na pele de Charlie, além de Jeremy Renner e Paul Schneider muito bem em seus respectivos papéis. Ainda há participações de Zooey Deschanel (muito diferente do costume), Sam Shepard e Mary-Louise Parker.

"O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford" é simplesmente um filme fantástico, e falo isso mesmo não gostando muito do gênero, mas a obra está longe de ser taxada, é muito mais do que só um filme de faroeste, é um drama maravilhosamente construído, com um grau de complexidade muito além de filmes do gênero, com diálogos muito ricos e personagens muito bem desenvolvidos, marcantes, onde o roteiro trabalha perfeitamente suas inúmeras faces. Nunca sabemos ao exato quem são Jesse James e Robert Ford, aonde eles querem exatamente chegar e os porquês, ora são os heróis, ora são os mocinhos e quanto mais o filme vai adiante, mais conseguimos enxergar a humanidade presente neles, por mais crua que ela seja, e vamos entrando fundo na alma destes indivíduos, tentado achar as perguntas para as respostas que já temos. A história de um homem por trás de uma máscara de herói, a verdade de um homem por trás de um ato covarde.

NOTA: 9,5


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cinema: Megamente (Megamind, 2010)

A mais nova animação da DreamWorks é diversão garantida, com um roteiro bastante original e inteligente, ou seja, longe de ser um entretenimento barato!

por Fernando Labanca

Predestinação, uma vida que era para ser, já estava escrito, assim era o destino do ser misterioso que veio para nosso planeta, se auto denominou de "Megamente" e nasceu para ser vilão. Quando chegou à Terra, acabou caindo numa prisão, onde teve os primeiros contatos com a maldade, ia para a escola, mas era ridicularizado pelos demais, por ser azul e ter uma cabeça enorme, é onde conhece o seu arqui-inimigo, um garoto bonito, inteligente e adorado por todos. Este, quando cresceu, se tornou o Metroman (Brad Pitt), o herói de Metro City, enquanto o outro, se tornou o mais terrível de todos os vilões, o Megamente (Will Ferrell) ao lado de seu fiel amigo, o Criado (David Cross).

Os anos se passaram, e Megamente já não era mais tão temido assim, suas maldades caíram na rotina, ele fazia coisas ruins para a população, principalmente para réporter Roxanne (Tina Fey), alvo preferido dele, e o Metroman a salvava, que devido sua adoração, ganha um Museu, até que no dia de sua inauguração, para surpresa de todos, perde uma batalha com Megamente e morre. Megamente ganha notoriedade, começa a roubar tudo o que queria, e assim como o desejo de todo vilão, dominar toda a cidade.

É quando se pergunta, e agora? Percebendo que ainda não estava feliz, chega a conclusão de que não existe um vilão sem um herói, e para isso, transforma um ex-cinegrafista, Hal (Jonah Hill) em super herói. Hal era um zero a esquerda e apaixonado por Roxanne, que por sua vez não lhe dava atenção, e percebe que ser um herói poderia enfim conquistá-la. Até que por incidente, Megamente, com seu "relógio" que o transforma em outras pessoas, acaba se transformando em Bernard, um funcionário do Museu e nisso, acaba conhecendo a bela repórter, e para sua surpresa, acaba se apaixonando, e tem a chance de tê-la por perto, logo que ela nunca se apaixonaria por alguém azul de face estranha.

Tudo muda para Megamente, está apaixonado e treinando Hal, o que ele não esperava é que Hal descobre que Roxanne está com outro e somando com o fato de que ser herói não o levaria para lugar algum, percebe que ser vilão é o que há. E nessas crises de identidades, onde o homem predestinado a ser herói morre, o cara que supostamente deveria se transformar em herói se torna o vilão, e Megamente que deveria ser o vilão, percebe que predestinação não é tudo, o destino, na verdade, é aquilo que ele escolhe.



Do diretor Tom McGrath, o mesmo de Madagascar e Madagascar 2, faz desta animação, uma das mais interessantes que surgiram recentemente, isso, devido principalmente ao roteiro bastante criativo, cheio de inovações e surpresas. Outro ponto que faz de "Megamente" um sucesso, são as personagens, Megamente é hilário, muito interessante, conhecemos durante os minutos de filme toda sua trajetória e torcemos por ele e até nos emocionamos com ele, mesmo sabendo que ele é o vilão, e este acredito que seja o grande triunfo do filme, conseguir com competência inverter os papéis, quebrando o arquétipo do vilão, e o transformando num ser adorável sem deixar de fazer maldades. Além dele, há seu amigo, o Criado, outro ser divertidíssimo, dono de cenas hilárias, e a doce repórter Roxanne, a mocinha muito bem inserida na trama, não sendo aquela chata que sempre é alvo, mas alguém que faz parte da história e até torcemos por ela.

A trilha sonora completa o show, com canções clássicas de AC/DC e Elvis Presley, até as instrumentais que fazem das cenas ainda melhores pelo sempre ótimo compositor Hans Zimmer. Além das locações, dos cenários, dos feitos, dignos de um filme de herói, uma animação caprichada que se esforça bem nas cenas de ação, além do 3D muito bem inserido no filme, que aliás, vale muito a pena vê-lo desta forma.

"Megamente" é uma animação, mais uma vez, indicada para todas as idades, logo que os já crescidos não se decepcionarão com toda a certeza! Um filme divertido, com boa piadas que faz rir fácil em todas as situações, além de um roteiro bem escrito que nunca se permite derrapar sempre tendo uma surpresa durante o longa, fugindo sempre do óbvio. Além de questões interessantes que o filme aponta, desde a ricularização que o personagem sofre na escola por ser diferente e como isso afetou toda sua vida, levantando aquela idéia de que os outros o transformaram num vilão, nos fazendo refletir sobre como nossa relação com outro pode lhe afetar, as maldades de algumas pessoas podem ser uma resposta daquilo que elas viveram. Além das clássicas, seja quem você é, o destino é você quem faz, tudo depende de suas escolhas, e aquilo que define o ser humano não é sua aparência, mas sim suas atitudes. Enfim, um belo filme, com boas intenções, que vale muito a pena ver! Recomendo, muito mais do que apenas entretenimento para um final de semana, mas um filme para se rever muitas outras vezes.

NOTA: 9,5

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