No começo deste ano, algo surpreendente aconteceu: um longa-metragem brasileiro venceu um importante prêmio de atuação no Festival de Sundance, consagrando, assim, as atrizes Regina Casé e Camila Márdila, além de ser premiado no conceituado Festival de Berlim. Tal repercussão internacional elevou a expectativa em torno de "Que Horas Ela Volta?". A verdade é que, mais do que superar aquilo que prometia, a obra é tão fantástica que passa a ser, facilmente, um marco no nosso cinema atual.
por Fernando Labanca
Regina Casé interpreta Val, que deixou sua pequena filha em Pernambuco para trabalhar como empregada doméstica em uma mansão de São Paulo. Além de cuidar da casa, ela acaba cuidando de Fabinho, o único filho dos patrões Bárbara (Karine Teles) e Carlos (Lourenço Mutarelli). Morando integralmente no local, Val é como se fizesse parte da família e acredita ser tratada como tal, até que, treze anos depois, recebe uma chamada inesperada de sua filha Jéssica (Camila Márdila), que diz estar indo para São Paulo devido a uma prova de vestibular. Os patrões a recebem de braços abertos até o momento em que ela se mostra contra as "regras" de convivência ali instauradas, e quase como num ato de rebeldia, começa a questionar o que faz dos donos da casa tão superiores à sua mãe.
