Mais um para a sessão "filmes que não sei porque não vi antes", "Um Estranho no Ninho" é, com certeza, um clássico, uma obra fantástica, atemporal, que sobreviveu durante todos esses anos e tem potencial para se manter na memória daqueles que assistem. Venceu o Oscar por Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro Adaptado.
por Fernando Labanca
Baseado no livro de Ken Kesey e produzido pelo ator Michael Douglas, o longa nos apresenta Randle McMurphy (Jack Nicholson), um cara preguiçoso e que devido a alguns surtos de agressão, é retirado da prisão, da qual já havia passado várias outras vezes, para ser tratado e observado em um sanatório. Ciente de que não possui problemas mentais, McMurphy passa a usar o local para desfrutar de sua liberdade, ser o louco que eles procuram, além de incentivar e persuadir seus colegas internos a ir contra à ordem vigente, questionar os medicamentos e a rotina que levam ali dentro. No entanto, seus atos revolucionários se chocam com o pensamento conservador da enfermeira Mildred Ratched (Louise Fletcher), que não pretende facilitar a jornada de McMurphy no local.
James L.Brooks, que em 1997 realizou sua obra-prima "Melhor é Impossível", retorna em 2010, com filme lançado ano passado aqui no Brasil, a comédia romântica "Como Você Sabe", trazendo de volta o que o roteirista sabe fazer de melhor, a originalidade de seus diálogos e a inusitada composição de seus excêntricos personagens. Muitos apontaram como o grande fracasso de sua carreira como autor e diretor. Vejo diferente. Vejo como um filme incompreendido pelo público e pela crítica, que não teve espaço justamente por não ser convencional e apostar em algo que o gênero nunca explora, a reflexão e a inteligência.
por Fernando Labanca
Começamos pela história, que de longe parece muito clichê, mas de fato, não é. Infelizmente pela sinopse não é possível compreender a originalidade da obra, devido a isso, o longa surpreende bastante. Reese Witherspoon interpreta a impulsiva Lisa, jogadora profissional de tênis, que nunca sabe o que quer exatamente de sua vida, mas segue em frente, mesmo assim. Namora um outro jogador, Manny (Owen Wilson), nada afetivo e que não filtra muito bem suas palavras. Lisa, por sua vez se questiona com uma amiga sobre a possibilidade de namorar alguém que não tenha a mesma vida que a dela, é então que é apresentada a George (Paul Rudd), um cara muito azarado que está passando por um momento difícil, levou um fora de sua namorada e seu nome foi levado na justiça graças aos erros de seu pai (Jack Nicholson).
Para mais azar de George, que conhece Lisa num péssimo dia e se torna então, um péssimo pretendente. Na mesma época, porém, Lisa é colocada de fora dos campos por seu técnico, perde seu chão, seu rumo, seus objetivos. Duas pessoas que se encontram e nada compreendem de suas trajetórias. É então que ambos se tornam grandes amigos quando descobrem que possuem algo em comum, a busca de um sentido maior para suas vidas. No entanto, Lisa encontra em Manny o que muitas vezes procurava, sua insensibilidade, além de ter em comum com ele sua incapacidade de amar.
"Como Você Sabe" aborda as dúvidas da mente humana. Como saber se tal pessoa é a que devemos escolher para o resto de nossas vidas? Como saber que estamos caminhando pelo caminho certo? Como saber se estamos encontrando o que queremos e não mais o que precisamos? O roteiro brilhantemente escrito por James L.Brooks explora com delicadeza e inteligência esses conflitos. É quase que impossível não se identificar com alguns dilemas vividos por algum dos personagens, tantos questionamentos, não só sobre as relações afetivas, mas também sobre o que estamos fazendo de nossas vidas, sobre nossas escolhas. A caracterização de Lisa é interessante, uma protagonista que não sabe o que faz, que não sabe onde ir, que se prende em frases clichês sobre superação, mas nunca consegue tomar uma atitude sem parecer fria ou impulsiva. Melhor ainda é ver que a trama não é sobre alguém perdido que se encontra, mas sim sobre alguém como todos nós, que permanece e permanecerá sem rumo, em busca de uma resposta que no fundo todos sabem a verdade, nunca virá. E como certa hora o filme coloca em discussão, não é sobre descobrir o que se quer da vida, é sobre saber como pedir, como ir atrás daquilo que almejamos.
Assim como todos os filmes de James L.Brooks, algumas cenas surpreendem. É comédia romântica, dificilmente assistimos esperando algo inusitado, algo que fuja do convencional. E este é o maior triunfo do filme, fugir do lugar comum, usa uma premissa até que simples, o coração da moça dividido por dois homens, não havia como não subestimá-lo. Eis que ele nos surpreende. Surge na tela, sequências tão originais quanto belas. Foi bizarro e ao mesmo tempo interessante ver Lisa chorando enquanto lia suas frases manjadas no espelho escovando os dentes, ou vê-la abrir seu coração, revelando sua incapacidade de encontrar sentido naquilo que todas as mulheres encontravam, como amar, casar e ter filhos, um diálogo nada menos que complexo e de extrema sensibilidade. E mais uma vez, a originalidade de Brooks se encontra nos incríveis diálogos, seja nos mais humorados, seja nas belíssimas declarações de amor, que assim como "Melhor é Impossível" supera inúmeros filmes românticos, mesmo se tratando de uma comédia. Como as últimas declarações de George a Lisa, é simplesmente de cortar o coração, como há muito tempo eu não via. Foi ótimo ver, numa época em que fazer filmes românticos se tornou clichê, que ninguém mais é capaz de fazer o público suspirar por um diálogo entre duas pessoas apaixonadas, algo inteligente, comovente e original, que utiliza de inúmeros recursos, menos do que já foi usado pelo cinema. Uma comédia, para rir e pensar. Pronto, já é um tempo válido, pois é algo muito raro em Hollywood.
James L.Brooks como roteirista, o colocaria entre os grandes gênios do cinema atual. Entretanto, como diretor, ele se perde. Há cenas fracas, que mesmo com grandes atores em cena interpretando grandes personagens, é nítido a má qualidade de inúmeras sequências. Por vezes, me sentia diante daquelas cenas deletadas que encontramos nos extras de qualquer DVD, sem ritmo, sem nada que empolgue, só o que vemos são motivos para terem sido facilmente deletadas. Mais uma razão para isso é sua longa duração. Os conflitos poderiam ser mais concisos, há muita coisa que se estende sem a necessidade e muitas cenas descartáveis, como quase todas de Jack Nicholson, onde os conflitos vividos por ele e Paul Rudd são tão chatos que não há como ter algum interesse nos problemas do pai e filho. Sendo a única coisa interessante entre eles, a resolução, que como tudo no roteiro, acontece de forma simples e bastante madura. Mas é válido citar que nem sempre Brooks erra como diretor, também há seus momentos que causam um certo interesse visual, auxiliado pela fotografia e a boa trilha sonora de Hans Zimmer.
O elenco é outro ponto positivo do filme. Reese Witherspoon soube passar muito bem os estranhos sentimentos de Lisa, suas oscilações e sua incompreensão da vida, com seu olhar vazio e distante, conseguindo se destacar muito bem nas variações de sua personagem, da comédia para o drama, e claro, seu grande carisma ajuda a nos afeiçoarmos a ela. Assim como Paul Rudd, sempre muito carismático e muito versátil em cena, entretanto, seu personagem só se torna interessante ao lado de Reese. Owen Wilson está até interessante, é o grande alívio cômico do longa e consegue arrancar alguns risos, fazendo sua atitudes patéticas parecerem normais, convence. Jack Nicholson quase que dispensável se não fosse sua grande atuação, mas tem lá sua importância na trama, mas é tudo muito chato. Outra coadjuvante que acaba surpreendendo é Kathryn Hahn, que não é importante na história, mas acaba se destacando.
"Como Você Sabe" começa com inúmeros defeitos e prometendo ser uma grande bomba. História até certo ponto desinteressante, diálogos fracos e humor que em nada agrada. É então que ele cresce, os personagens mostram suas verdadeiras intenções e o roteiro surpreende com diálogos e situações raras no gênero comédia romântica. Quando ele termina há um sentimento que poucas vezes senti diante de uma comédia, estive, definitivamente, diante de algo maior do que parece, que faz pensar pelas ótimas frases de efeito, que faz refletir por inúmeros questionamentos um tanto quanto complexos para o gênero, sem querer ser dramático ou exageradamente existencialista e faz emocionar como poucos filmes românticos conseguiram. Existem erros, existem. Porém, a obra é de uma raridade tão grande que vale e muito a pena conferir. Se para muitos críticos, James L.Brooks "perdeu a mão" aqui, ainda torço para ele continuar o mesmo, porque mesmo realizando este tal fracasso de sua carreira, ele conseguiu ser muito melhor que qualquer diretor e roteirista que circula por Hollywood.
Vencedor do Oscar 1998 de Melhor Ator para Jack Nicholson e Melhor Atriz para Helen Hunt, "Melhor é Impossível" é um longa-metragem norte-americano que conta com a direção de James L.Brooks, mais conhecido por ser roteirista e produtor executivo da série de TV "Os Simpsons". Além do seriado, James trabalhou como diretor em filmes como "Laços de Ternura" (1983) e "Espanglês" (2004). O filme em questão é uma comédia dramática, mas que alcança, devido a seu ótimo roteiro, momentos de grande emoção com seu romantismo.
por Fernando Labanca
Jack Nicholson interpreta Melvin Udall, um escritor de romances de Nova York e que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo, que não pisa nas rachaduras das calçadas e joga fora seu sabonete após um único uso, sem contar outras tantas manias que ele utiliza para se sentir bem consigo mesmo. Não o suficiente, Melvin é racista, homofóbico e misantropo, aquele que tem aversão a qualquer outro tipo de vida. Com todas essas características, o escritor tem grandes problemas de convivência, principalmente com seu vizinho homossexual, Simon (Greg Kinnear) e com a garçonete Carol (Helen Hunt), a única que compreende suas estranhezas e o modo como ele gosta de ser atendido, mas se irrita facilmente quando ele resolve abrir a boca.
Tudo muda na vida de Melvin Udall quando Simon é agredido e passa a ter um fracasso total em sua profissão, entrando em uma profunda depressão e Udall é o único vizinho que aceita cuidar do suicida pois tinha uma grande simpatia por seu cachorro, animal que faz nascer sentimentos desconhecidos no escritor. Para piorar, Carol sai do restaurante para cuidar de seu pequeno filho que sofre de asma. É então, que para ter sua garçonete de volta, Melvin contrata um médico particular ao garoto, para que ela pudesse trabalhar e servi-lo. De imediato, achando tudo estranho, Carol compreende que o irritante senhor havia salvado sua vida. E numa troca de favores, a vida de Melvin, Carol e Simon irão se entrelaçar de formas inimagináveis. Três pessoas completamente diferentes com uma única coisa em comum, o medo de encontrar a normalidade em suas vidas.
"Melhor é Impossível" conta com um roteiro brilhantemente escrito também por James L.Brooks. É um dos pontos altos do filme. Tudo o que vemos na tela é de extrema originalidade, não remete a quase nada do que o cinema já fez. E assim, cada passo das personagens se torna inesperado. A total ausência dos clichês a torna uma obra imprevisível. Interessantíssimo a composição dessas personagens, aliás. Melvin Udall é muito bem desenvolvido na trama, a construção de suas estranhas características o fazem um indivíduo muito único na história do cinema. Assim como a garçonete Carol, com seu medo de ter uma vida normal, feliz, pressionada por suas responsabilidades. A união desses indivíduos acaba que resultando em cenas adoráveis e de extrema inteligência. O roteiro de Brooks também se destaca por seus diálogos, muito originais, que surpreendem. Há muito humor, um humor diferente mas que funciona quase sempre. Os diálogos se tornam ainda mais interessantes quando o filme se joga no romance, e surpreende também, pois no meio daquela comédia surge um romantismo tão belo, tão profundo, cheio de boas intenções e emociona. Desde o comovente pedido de desculpas de Carol às belíssimas declarações de amor de Melvin, tudo muito bem escrito, algo a ser admirado.
Jack Nicholson é Jack Nicholson. É um grande ator e isso é inegável. O que ele faz na tela é maravilhoso, sabe ser cativante, engraçado, sabe muito bem emocionar, é expressivo e sem ele, a força desta incrível personagem não seria nítida. Consegue com perfeição demonstrar este "estranho mundo de Melvin". Helen Hunt também realiza um trabalho admirável, surpreende muito na tela, faz cenas que chegam a ser memoráveis, se entrega com vontade, convence. Acredito que ela tenha sido o grande brilho do filme, uma atriz poderosa, que chega em cena e faz qualquer diálogo ser melhor do que já é. Não foi a toa que Nicholson e Hunt levaram o Oscar para casa. Ainda temos o coadjuvante de ouro, Greg Kinnear, no papel de sua carreira. É incrível o que o ator faz, principalmente na primeira metade do longa, Greg consegue carregar muita emoção em seu olhar. E ver os três atores contracenando é algo que já vale e muito a pena conferir a obra. Além deles, Cuba Gooding Jr, ótimo.
Com uma direção segura de James L.Brooks, que soube mostrar o melhor de seus atores, além das belas composições de diversas sequências, o filme ainda possui a bela trilha sonora de Hans Zimmer que realça ainda mais o trabalho de Brooks. "Melhor é Impossível" peca por alguns conflitos repetitivos na trama, como as diversas discussões entre Melvin e Carol que parecem começar sempre do mesmo ponto, sempre pelos mesmos motivos e terminam sempre da mesma forma, e mesmo que nessas discussões o brilhante roteiro soube inserir belíssimos diálogos, ainda não foi suficiente para apagar o sentimento de "déjà-vu". Vale por esses incríveis diálogos, vale pela originalidade da obra, pelos belos momentos românticos, que mesmo sendo uma comédia soube emocionar muito mais que filmes do próprio gênero romance. Vale principalmente pelas incríveis atuações de Jack Nicholson, Helen Hunt e Greg Kinnear. Divertido, original, inteligente, romântico e emocionante. Recomendo.
Algum artista francês sob o codinome MTO pintou e bordou pelas ruas de Berlim. O artista recriou imagens de clássicos do cinema nas paredes e portas de estabelecimentos da cidade. Apesar do incrível trabalho, ninguém sabe de fato quem é seu autor - ou autora.
Eu, particularmente, achei fantástico, mas ainda pelo fato do anonimato...ele ( ou será, ela?? ) mandou muito bem...Pois então, vamos aos grafites:
Por Bárbara
Ewen Bremner, Ewan McGregor e Robert Carlyle em Trainspotting - Sem Limites