Lançado no último Festival de Berlim, no qual concorria ao Urso de Ouro, "Praia do Futuro" marca o retorno do diretor cearense Karin Aïnouz (Madame Satã, O Céu de Suely) e conta com atuações marcantes de Wagner Moura e Jesuíta Barbosa. Uma produção caprichada, que cria na tela, cenas de uma beleza irreparável. Uma obra rara, que não se prende a um tema, mas que expõe de forma intensa, sensações.
por Fernando Labanca
Difícil escrever sobre este filme. Não é do tipo que tem uma história pronta e personagens de fácil compreensão. Acredito que assim como qualquer obra de arte, "Praia do Futuro" poderá significar coisas diferentes para outras pessoas, cada um verá algo, sentirá algo, não há uma única maneira de encará-lo e compreendê-lo, portanto, naturalmente, uns poderão amá-lo, outros, odiá-lo, consequência desta trama que é tão subjetiva, tão ampla, tão aberta. Escrevo aqui, o que vi, e só digo de antemão, fiquei extasiado.
Donato (Wagner Moura) é um salva-vidas na Praia do Futuro, em Fortaleza. Certo dia, falha ao não conseguir salvar uma vítima de afogamento, porém acaba conhecendo o amigo desta mesma vitima, o alemão Konrad (Clemens Schick), com quem acaba se envolvendo. Até que Donato resolve morar ao lado dele em Berlim, abandonando seu trabalho e sua família. Anos depois, quando Ayrton (Jesuíta Barbosa), seu irmão mais novo, completa dezoito anos, resolve ir atrás dele, entender as razões por ele ter ido embora, entender o porquê aquela vida não o satisfazia.