Mostrando postagens com marcador Marcia Gay Harden. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marcia Gay Harden. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Crítica: Garota Fantástica (Whip It, 2009)

Além de atriz, Drew Barrymore, desde muito tempo, tem participado da produção de diversos filmes e "Garota Fantástica", lançado em 2009, marca sua estreia como diretora. Apesar de não ter voltado na função, ela demonstra aqui um talento notável, realizando uma obra simples, mas extremamente divertida, cool, que difere e muito do que já foi feito no cinema independente norte-americano, justamente por trazer em sua alma algo que carece no gênero, autenticidade.

por Fernando Labanca

Baseado no livro "Derby Girl" de Shauna Cross, que também roteiriza o filme, conhecemos a trajetória de Bliss Cavendar (Ellen Page), uma jovem que vive numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos, trabalha numa lanchonete beira-de-estrada e não tem muitos sonhos para o futuro, até porquê se vê forçada a participar dos concursos de beleza que sua mãe (Marcia Gay Harden) tanto ama e que ela não consegue ver sentido algum. Até que, certo dia, ao visitar uma cidade vizinha, descobre a existência daquilo que poderia ser sua salvação, o roller derby. Esporte que ganhou popularidade na década de 70, mas ressurge como o grande entretenimento daquele local, uma competição formado apenas por equipes femininas, que requer velocidade, força e muito contato físico, e tudo em cima de um patins. Fascinada por aquele universo, Bliss forja sua idade para conseguir competir dos torneios e esconde de sua mãe, que jamais aceitaria o fato de que sua grande habilidade estaria na patinação.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Crítica: O Substituto (Detachment, 2011)

"(...)Nunca me senti tão profundo e ao mesmo tempo tão alheio de mim e tão presente no mundo." 
Do diretor Tony Kaye, o mesmo de "A Outra História Americana", nos traz mais uma vez uma trama forte e intensa capaz de gerar grandes discussões. Muito mais do que um importante papel social, mais do que nos fazer refletir sobre a atual situação nas escolas, "O Substituto" nos faz pensar na vida e nas relações que temos com as pessoas ao nosso redor, é, acima de tudo, um relato duro, cruel e realista sobre a complexidade humana.

por Fernando Labanca

Conheci este filme por acaso, pesquisando sobre a filmografia de Tony Kaye, no qual nunca compreendi o porquê dele ter sumido mesmo depois de uma obra-prima como "A Outra História Americana", foi quando que me deparei com este que estava prestes a ser lançado, até então sem título em português e isso já era 2011. Até que depois de muito tempo, as pessoas começaram a assistir e me recomendaram e foi quando que me dei conta que sua passagem pelo Brasil foi praticamente nula, onde a última notícia que tive foi que a obra fora lançada diretamente nas locadoras, no qual chegara no começo deste ano, o que é uma pena, pois a meu ver, "O Substituto" é um filme raro e obrigatório.

Henry Bates (Adrien Brody) é este professor substituto que dá nome à obra, sempre optou por nunca se envolver com as pessoas com que trabalha, inclusive seus alunos, por isso, sempre preferiu ser este indivíduo temporário, que chega do nada e logo vai embora. Sua nova missão é trabalhar ocupando as responsabilidades de outro professor em uma escola pública, lugar onde passa a refletir sobre sua relação com aquele universo alheio a tudo, alheio ao mundo, onde nada lhe toca, nada lhe comove, onde vê alunos totalmente perdidos, jovens indiferentes. É neste mesmo lugar onde Henry se vê cercado por outros profissionais, que no íntimo de cada um, se sentem tão vazios quanto ele, seres tão miseráveis, vivendo numa obrigação contínua, sem razão, apenas pelo costume de viver. Eis que ele se depara com três mulheres que o farão ver sua trajetória de forma diferente, uma professora (Christina Hendricks), uma aluna (Betty Kaye) e principalmente uma jovem garota de programa (Sami Gayle) que passa a abrigar em seu apartamento, a resgatando de sua vida suja. São elas que farão Henry compreender sua importância e o quanto seu envolvimento pode salvar vidas.

"Temos a responsabilidade de guiar nossos jovens para que eles não terminem se desintegrando. Caindo no esquecimento. Tornando-se insignificante."


Um soco na cara. É isso o que "O Substituto" é. Poucos filmes tem este milagre da reflexão, não aquela reflexão bobinha de uma bela lição de moral que vem ao final, uma reflexão densa, que ao seu término nos faz perguntar: "e agora?". A escola como cenário nunca foi tão melancólica quanto neste filme, que funciona quase que uma extenção do longa-metragem francês "Entre os Muros da Escola". Em tom documental, vemos os relatos de Henry e dos outros professores enquanto trabalham numa escola pública, tão abandonada e tão real quanto qualquer escola que já tenhamos frequentado ou lido nos jornais. Tony Kaye denuncia a ruína do sistema educacional, de forma realista, impactante e com uma linguagem universal. Uma dura realidade, que ganha proporções ainda maiores quando são inseridos personagens tão miseráveis, tão distantes de si, sentindo o vazio diário, vazio que vem em resposta de um mundo que não os vê. "O Substituto" é um flagra do ponto limite desta situação, o limite de cada personagem, é como se em cada cena algo gritasse, "este é o mundo em que vivemos", podre, devastado e sem lógica.

"Independentemente do que tenha em mente, digo que há sentimento. Estou sendo honesto comigo mesmo. Sou jovem e estou velho. Tenho sido comprado e vendido tantas vezes. Sou difícil de encarar. Estou sumido. Sou simplesmente como você."

Henry Bates é como aquele homem cansado que vemos diariamente sentado no ônibus, prestes a viver sua rotina vazia, tão presente no mundo, tão distante de si. Se colocado em outro contexto, ele teria potencial para ser um herói, mas no universo em que vive só lhe resta tempo para suas crises existenciais, questionamentos de uma vida que não mais caminha, permanece. Ainda atordoado com seu passado que o impede de ver o futuro com mais clareza, mais esperança. Para transmitir toda essa mente confusa, colocaram Adrien Brody que se entrega ao personagem por inteiro, que comove com cada olhar, cada diálogo, onde tudo se torna ainda mais real quando os sentimentos de Henry passam a ser a sua verdade. O filme ainda nos presenteia com coadjuvantes de ouro, nomes pesados que me fazem entender ainda menos o porquê de não ter tido chance nos cinemas, todos sensacionais: Marcia Gay Harden, Christina Hendricks, Lucy Liu, Blythe Danner, James Caan, Bryan Cranston, Tim Blake Nelson e a novata Betty Kaye, a mais fraca do elenco. Entretanto, a grande surpresa fica para a belíssima e comovente atuação de Sami Gayle, também nova no cinema, mas que certamente tem um futuro promissor, realiza um trabalho admirável.

"O Substituto" já inicia de forma densa, é preciso estar preparado psicologicamente para enfrentar seus minutos, é do tipo que não funciona com os amigos em um divertido final de semana. Em suma, um filme único, belo, edificante, onde o diretor Tony Kaye se utiliza de uma linguagem poética para debater os problemas sociais e revelar os conflitos existenciais de seus personagens, havendo beleza em cada cena, em cada diálogo, auxiliado por sua constante e emotiva trilha sonora. Um mergulho na alma desses indivíduos, que como consequência, nos faz questionar sobre nossa própria existência. Recomendo.

"Acreditar deliberadamente em mentiras. (...)'preciso estar linda para ser feliz'; 'preciso de uma cirurgia para ficar bonita'. (...) Trata-se de um holocausto. 24 horas por dia, para o resto de nossas vidas. A energia que movimenta trabalha arduamente no nosso emburrecimento até a morte. Então, para nos defendermos e pelejarmos contra esse processo de emburrecimento de nosso pensamento precisamos aprender a ler, para estimular nossa própria imaginação, cultivar nossa própria consciência, nosso próprio sistema de crenças. Todos nós precisamos desta habilidade para defender, preservar nossas vontades próprias."

NOTA: 9







domingo, 17 de julho de 2011

Crítica: O Nevoeiro (The Mist, 2007)

Baseado na obra de Stephen King, "O Nevoeiro" conta com a direção de Frank Darabont, o mesmo que já havia trabalhado com adaptações de King como "Um Sonho de Liberdade" e "A Espera de Um Milagre", mas agora fugindo um pouco do drama e encarando um terror bem elaborado que digo sem a menor dúvida, uma das melhores adaptações do autor para os cinemas.

por Fernando Labanca



No filme, conhecemos uma pequena cidade que acaba de passar por uma terrível tempestade, preocupado, David (Thomas Jane) vai para um mercado junto com seu filho de 8 anos, Billy (Nathan Gamble), logo que os mantimentos poderiam se esgotar rapidamente devido aos acidentes causados. Local cheio, paredes de vidro, os moradores logo se deparam com um nevoeiro que cobre a cidade, não muito tempo depois, um indivíduo entra correndo pelas portas com o nariz sangrando e dizendo para todos não saírem mais do lugar e que algo muito estranho estaria acontecendo além daquelas paredes.

No depósito, David e outros homens acabam se deparando com uma espécie de monstro e que era dele que estavam se escondendo, algo gigantesco e com tentáculos, extremamente assustador e difícil para todos acreditarem que era real. Contam para todos o que estava acontecendo, uns não acreditam, outros acham que é uma piada sem graça e inconveniente e outros como a Sra. Carmody (Marcia Gay Harden) acreditam que assim como dizia a Bíblia, este era o fim de tudo. Até que estranhos acontecimentos passam a assustar os moradores, os fazendo refletir sobre o inacreditável, os fazendo pensar em sua vidas, e até que ponto poderiam suportar aquela nova realidade, até que ponto vai a civilização de um ser humano, os fazendo questionar sobre a bondade e se realmente o perigo estava fora daquele mercado.


O que faz de um filme de terror um bom filme de terror? Uma boa história, bons atores, cenas que assustam, que nos faz sentir medo, agonia ou algum sentimento muito forte. "O Nevoeiro" trás todos os elementos que um bom filme do gênero, somado a outros aspectos que fazem desta obra não só uma das melhores adaptações para o cinema de Stephen King, mas um dos melhores de terror dos últimos anos. O longa consegue nos amedrontar com cenas simples, mas choca pela maneira realista como trata os acontecimentos, nos faz realmente acreditar. Frank Darabont é um excelente diretor, nos mostra esta história um tanto quanto "fantasiosa" de maneira magestral, poderia muito bem nas mãos dos roteiristas e diretor errado parecer uma obra patética de monstro e mortes grotescas, mas aqui tudo é bem planejado e bem filmado, acreditamos, entramos facilmente na "brincadeira" e nos deixamos levar por esta trama bem criada, que nos prende no início ao fim.

"O Nevoeiro" vai muito além de um filme de terror, é um drama complexo repleto de bons diálogos e idéias inteligentes, que não subestima seu público mal acostumado com histórias baratas que inundam o cinema de porcarias com muito sangue e pouco nos faz pensar. Neste, aquele que assiste passa por momentos de tensão, agonia, medo e aflição, mas que também se emociona com a sensibilidade dos personagens, tão reais e tão humanos, além do fato do filme nos fazer pensar e refletir sobre inúmeros assuntos. O longa questiona de maneira impecável esta condição vulnerável do ser humano, até que ponto praticamos nossa civilização, o homem é capaz de perder o controle quando elementos que constituem sua rotina se perdem, como a alimentação, família, segurança e como o próprio filme questiona o limite da civilização é quando o 190 e máquinas ainda funcionam. Podemos não ser tão racionais quanto os livros indicam, há um limite para a civilização, dignidade e bondade.

Em relação aos atores, ninguém desaponta. Thomas Jane surpreendentemente bom e o pequeno Nathan Gamble se mostra mais uma vez um ator promissor. Destaque para a incrível coadjuvante, Marcia Gay Harden que rouba as cenas e constrói cenas memoráveis. O elenco ainda conta com o sempre ótimo Toby Jones. Os personagens é o que move este longa, são bem desenvolvidos, o roteiro respeitou cada ator ali em cena, são bem complexos e acabam, para minha grande e grata surpresa, assustando mais que os próprios "monstros".

Frank Darabont é simplesmente um diretor fantástico, realiza cenas incríveis, sua movimentação de câmera tem um diferencial. O que dizer das sequência dos insetos assassinos ou quando um dos moradores sai para fora do mercado com uma corda amarrado na cintura, simplesmente assustador, entre outras cenas ótimas que Darabont capta de forma admirável. Mas o que faz de "O Nevoeiro" um filme marcante é definitivamente seu final, conhecia este longa como "aquele com um final surpreendente", mas realmente não esperava o que vi, foi muito além de um filme convencional, foi muito além que qualquer outro filme de terror tenha ido nos últimos anos, é chocante, de deixar sem palavras, de emocionar de forma muito profunda. Enfim, não há como ficar indiferente ao desfecho, surpreendente, magnífico e porque não, muito corajoso da parte de Darabont. Uma obra que traz reflexões interessantes sobre a sociedade, representada pelos moradores trancados no mercado, uma obra por vezes melancólica, pessimista e bem realista diante deste cenário apocalíptico. Intrigante e inteligente, "O Nevoeiro" ficará na mente por muito tempo...recomendo, não sou muito fã de terror, mas este, entrou para minha lista de melhores!

NOTA: 10

Outras notícias