Sabe quando você escolhe um filme aleatório só para passar alguns minutos vendo qualquer coisa? Encontrei "Um Amor a Cada Esquina" dessa forma, título genérico, comédia com elenco famosinho...por que não? É fantástico quando isso acontece, quando você espera absolutamente nada de um filme e de repente se vê diante de algo tão bom, tão incrível, que renova não só o gênero, como renova, mesmo se utilizando de uma beleza e um formato retrô, o próprio cinema.
por Fernando Labanca
E quando sobem os créditos finais, me deparo com a grande surpresa: o longa fora produzido por ninguém mais que Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste) e Noah Baumbach (Frances Ha). O que fez aumentar ainda mais a admiração que já tinha do filme. A obra também marca o retorno do diretor veterano Peter Bogdanovich, que esteve longe das câmeras por cerca de doze anos e ao assinar o roteiro, ao lado de Louise Stratten, traz como grande referência as comédias da década de 30, as conhecidas screwball comedies, com suas histórias malucas e situações inesperadas. E a partir disso, é o cinema de Woody Allen que nos vem mais a cabeça, com seus inteligentes e rápidos diálogos e com sua história simples, concisa e divertida. Vemos uma comédia leve, sem altas pretensões e um tanto quanto refinada. O cenário também nos remete aos trabalhos de Allen, aqueles personagens vivendo da arte em uma Nova York bela e aconchegante, em uma trama onde realidade e ficção se misturam.
Na trama, somos apresentados ao diretor de teatro Arnold Albertson (Owen Wilson), que vai à cidade para selecionar o elenco de seu mais recente trabalho. Entretanto, apesar de casado, ele não resiste aos encantos do local e como de costume, entra em contato com uma agência de prostitutas, é assim que conhece Izzy (Imogem Poots), com quem passa a noite. Jovem e bela, o sonho da garota, por sua vez, é ser atriz e justamente por isso, logo no dia seguinte, ela vai a uma audição para conseguir um papel em uma peça de teatro, onde, inesperadamente, se reencontra com Arnold. O grande problema é que Izzy precisa contracenar com a esposa do diretor, Delta (Kathryn Hahn), que acredita no talento da moça e insiste para que ela tenha uma chance em cima dos palcos, sem jamais imaginar a traição de seu marido. Apesar da grande confusão, o circo se arma completamente quando entram em cena outros personagens, como a psicanalista Jane (Jennifer Aniston), seu namorado Josh (Will Forte), um detetive (George Morfogen), um juiz apaixonado (Austin Pendleton) e um outro ator (Rhys Ifans), que assiste de camarote todos os problemas causados por um simples incidente.
Ignorando completamente a trilogia de Sam Raimi (2002 -2007), assistimos a um novo início do Homem Aranha, dessa vez na pele do ator Andrew Garfield e com a direção de Marc Webb (500 Dias Com Ela). O filme revela, a meu ver, a falta de criatividade em Hollywood, sem ter mais o que lançar de novo, acaba se perdendo em remakes e reboots, agindo como se a obra original jamais tivesse existido. Existem casos em que o original é ruim e o que eles tentam é refazer tentando melhorar as falhas do anterior, mas não é este o caso, a trilogia conquistou fãs e recebeu inúmeros elogios e de fato nunca haverá uma razão para ter sido ignorada dessa forma. O reboot é bom, entretenimento que vale a pena, mas infelizmente não cumpre sua premissa básica, ser melhor que o original e este acaba sendo seu maior defeito.
por Fernando Labanca
Nesta nova versão, Peter Parker (Garfield) ainda é aquele nerd do colégio que não é bem visto pelos populares, sente uma forte atração pela bela Gwen Stacy (Emma Stone) que não demora muito tempo para notar a presença do jovem. Quando criança, Peter havia sido abandonado por seus pais e a razão disso nunca lhe fora explicada e desde então vive com seus tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field). Eis que certo dia ele encontra alguns objetos de seu pai e através deles passa a verificar seu passado e seguindo algumas pistas descobre um antigo amigo, o cientista Curt Connors (Rhys Ifans) e através dele tenta descobrir um pouco mais sobre seu pai, e nisso acaba se envolvendo em sua pesquisa, um longo estudo sobre mistura de genes de diferentes animais. Como consequência, Peter é picado por uma aranha em uma das salas da Oscorp, a partir de então, passa a ter algumas novas e inusitadas características, e passa a usar seu novo "dom" para agir como herói nas ruas violentas de sua cidade. Para sua surpresa, porém, o experimento de Connors falha e o cientista se transforma em seu pior inimigo, o lagarto.
"O Espetacular Homem Aranha" tem como principal função dar um novo início ao herói, partindo do zero, possibilitando uma nova trilogia e novos caminhos para os personagens. Neste ponto, o longa de Marc Webb acerta, consegue fugir do que Sam Raimi já havia feito, procura outras alternativas e como estrutura, o novo filme pouco se assemelha com o original. Vemos na tela, um outro Peter Parker, surge mais natural, mais engraçado, mais jovem e isso faz bem para a trama e o talento do expressivo Andrew Garfield contribui e muito. Por outro lado, por mais que a presença de Tobey Maguire não seja tão marcante quanto a de Garfield, a composição e o desenvolvimento de Peter Parker original se mostra superior, parece sofrer dilemas um pouco mais intensos e se depara com conflitos ainda maiores e toda a forma como o Homem Aranha compreende seus poderes e como tudo se inicia, ainda fico com a versão anterior, logo que dessa vez, tudo ocorre de forma muito rápida, parece não haver processos, uma cena ele não tem poderes, na próxima ele já sabe como lidar com eles, em uma cena ele se mostra interessado pela mocinha, na próxima ela já o convida para conhecer a família. Por falar na mocinha, ela ganha destaque simplesmente por ser Emma Stone, mas infelizmente pouco interage com a história, está presente somente para ser o par romântico e diga-se de passagem, as cenas do casal são bem feitas e são devido a elas que o filme acaba se aproximando ainda mais de seu público. Entretanto, Mary Jane de Kirsten Dunst parecer ter maior importância na trama, existe toda uma história da personagem que se desenvolve durante a trilogia. Já o vilão, o lagarto, está longe de ser tão bom quanto qualquer outro vilão da versão original, há algumas sequências lamentáveis como sua invasão no colégio e outras em que ele parece que vai destruir tudo, mas temos a impressão que ele não põe medo em ninguém e a cidade quase não se altera com sua presença, mesmo ele sendo um lagarto gigantesco e "aterrorizante".
O filme tenta se apegar também ao passado do pai de Peter Parker e usa isso como "aquilo que a trilogia não havia mostrado", se firma nisso como se fosse sua grande revelação, o que acaba sendo decepcionante. Naquela velha história onde nada é revelado para se poder fazer um segundo filme essa trama fica vazia e sem respostas e pouco que descobrimos sobre ela não é nada surpreendente e nada que nos faça querer saber sobre ela. Como já havia dito, o pior defeito do longa é a existência da trilogia original, onde consegue superá-la em pequenos pontos, como seu humor, as boas cenas de ação e de romance, mas no geral, fica devendo, se mostra um filme de ação como qualquer outro de herói, com direito aos velhos clichês, como o herói observando a cidade pela ponta de um prédio, ele tirando a máscara para dizer algo importante, aliás ele faz isso demais como se não entendesse o lance de ser um herói mascarado, além do vilão que nasce de um experimento malsucedido. Enfim, pouco inova como cinema, tenta fugir da versão anterior, mas não consegue fugir dos velhos hábitos do gênero ação.
No entanto, "O Espetacular Homem Aranha" tem como grande ponto positivo a escolha de seu elenco. Andrew Garfield já havia provado ser um grande ator em filmes como "A Rede Social" e "O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus" e aqui ele se mostra a vontade na pele do herói. Já Emma Stone mostra mais uma vez seu enorme carisma e convence na pele da mocinha, que aliás, não é tão indefesa quanto o de costume. Destaque também para os tios de Peter, Martin Sheen está incrível na pele do Tio Ben, assim como Sally Field, que para minha grande surpresa, consegue fugir de seus trejeitos da série "Brothers and Sisters". O vilão de Rhys Ifans está normal, não decepciona, mas também não surpreende.
Os efeitos especiais estão bons, apesar da composição do vilão por vezes parecer um pouco bizarra, mas no geral, agrada. O 3D faz sua parte, faz diferença em determinadas cenas. Um filme que diverte pelo bom humor e por seus personagens interpretados por grandes atores, tenta focar a trama mais na história de Peter e não tanto no vilão, mas acaba falhando neste quesito, pois o roteiro não consegue criar nada de tão interessante. Aliás, o roteiro é bem óbvio, não vai além dos caminhos já percorridos por outros filmes e é quase que impossível não compará-lo ao original, que a meu ver, não o supera. Um filme, de certa forma pretencioso, que pretende ser melhor que o primeiro, mas não consegue. Que pretende revelar uma grande novidade jamais revelada sobre o herói, mas falha em sua premissa. Que pretende ser mais emocionante, mas também não consegue, os dramas de Peter nunca aparecem de forma palpável, se tornando um mero filme de ação que tenta trazer uma carga psicológica ao personagem e não consegue devido ao razoável roteiro e nisso a trilogia de Sam Raimi teve mais êxito, sem a intenção de emocionar, emocionava mais e sem a intenção de ser tão grandioso, conseguiu ser mais memorável. Muito aquém de um diretor que um dia realizou "(500) Dias com Ela. Vale a pena, mas infelizmente não foge do rótulo..."mais um filme de herói".