Mostrando postagens com marcador Ron Howard. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ron Howard. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Crítica: Frost/ Nixon (2008)

O Ano de 2009 passou, mas isso não significa que os bons filmes do ano sejam simplesmente esquecidos. Para quem ainda não viu, vale a pena buscar esses filmes que fizeram bonito no ano passado. Um deles é o longa de Ron Howard, indicado a Melhor Filme no Oscar, entre outras indicações.

Frost/ Nixon conta sobre um fato verídico, um momento marcante que fez história, não só na política como na vida de muitos norte-americanos.

por Fernando Labanca

O filme mostra dois lados opostos, dois homens que se encontram, cada um com seu objetivo. Richard Nixon foi presidente dos Estados Unidos, um político polêmico, o primeiro a renunciar seu cargo após tantos escandalos, ele abandona tudo, some e não dá satisfação a ninguém, gerando grandes protestos entre a população, principalmente quando ele foi simplesmente "perdoado" pelos políticos, e três anos depois do ocorrido ele decide voltar atrás e falar. Por outro lado, vemos David Frost, um apresentador de TV britânico, que tem uma carreira estável mas que nunca recebe a credibilidade que deseja, ninguém acredita realmente em seu talento, o subestimam, até que ele decide abandonar tudo, seu programa de TV e aposta tudo o que tem em uma história, a que ele acredita ser o passo que faltava em sua carreira, a renuncia de Nixon. Ele, então, reune uma equipe de especialistas em política, jornalistas e cinegrafistas para elaborar a melhor entrevista de todos os tempos. Mas poucas pessoas o apoiaram.

Richard Nixon precebendo que ele era só mais um mero apresentador de TV, que nem entrevistador era, resolveu aparecer na mídia, acreditando escapar de qualquer armadilha, assim como sempre escapou. Nixon era inteligente, para qualquer pergunta, por mais perigosa que ela fosse, ele sabia como responder, tinha as palavras certas. Os dois enfim se encontram, e durante quatro dias, Frost vai fazer de tudo para se superar e mostrar seu talento e que pode ser mais do que as pessoas esperam e Nixon, por sua vez, vai aproveitar cada pergunta para mostrar que ainda há um político decente dentro dele e que ele precisa de perdão, para poder seguir em frente.

Ron Howard é um diretor competente, no mesmo ano lançou nos cinemas, o ótimo Anjos e Demônios, e antes nos privilegioiu com Frost/Nixon, não havendo nenhuma semelhança entre os filmes, sendo que ambos foram, nitidamente, muito bem elaborados, planejados e executados. Neste, Howard realiza um excelente trabalho, um filme inteligente, um roteiro bem escrito, com boas edições e boa utilização da trilha sonora e principalmente de seus atores. A grande falha, é por nos mostrar um grande evento sem nem ao menos nos apresentar a ele, quem não lembra dessa parte da história (que aliás, quem soube foi por curiosidade, pois poucas escolas trabalham a fundo a presidência de outros países) pode ficar "viajando", e nesse caso, era preciso saber bem a fundo sobre a presidência de Nixon, e em nenhum momento é explicado, mesmo que num diálogo qualquer o que realmente (de tão ruim) aconteceu em seu governo, eles simplesmente citam, como nas longas cenas das entrevistas ou em conversas secretas entre Nixon e Frost, mas é tudo muito implícito, "viajar" durante as entrevistas é algo muito possível, logo que nem ao menos entendemos do que se trata, sabemos, na verdade, mas bem por cima.

Mas mesmo assim, o filme consegue ser ágil, prendendo a atenção, mesmo daqueles que não gostam de política, ainda mais quando colocam em cena não só duas incríveis personagens, mas também, dois incríveis atores. Frank Langella é o Richar Nixon, renasceu um presidente dentro dele, o modo como fala e como se expressa é magnífico. Michael Sheen é David Frost, também ótimo, protagoniza o filme com muita categoria, é carismático, assim como um apresentador de TV, mas sabe ser mais sincero do que muitos que vemos na televisão de verdade. O elenco é de primeira, ainda vemos a elegante e incrível Rebecca Hall, Kevin Bacon, Oliver Platt e Matthew MacFadyen, e destacando principalmente a ótima participação de Sam Rockwell.

Não recomendo para todos os gostos, apesar de ser dinâmico e algumas vezes divertido, Frost Nixon ainda tem aquele defeito que citei acima e essa pode ser uma grande decepção para muitos, pois esse pequeno detalhe, faz com que o longa se torne chato e cansativo em muitas passagens e pior, afasta aos poucos o público do que está acontecendo na tela, não nos coloca dentro da história. Porém é bem feito, então, vale a pena arriscar.

NOTA: 7

domingo, 31 de maio de 2009

Crítica: Anjos & Demônios (Angels & Demons, 2009)


Ron Howard (Uma Mente Brilhante) volta na direção de mais uma adaptação da saga criada por Dan Brown, depois do criticado O Código da Vince, agora ele investe em Anjos e Demônios. E fez bem, ele mostra que dessa vez ele se empenhou de verdade e constrói um filme que vale a pena conferir, até mesmo aqueles que não leram o livro.

por Fernando Labanca

Não compensa contar a história do livro, porém, é necessário saber que houveram algumas mudanças e elas merecem ser ressaltadas. Esqueça o personagem Maxmilliam Kohler, o ciêntista do CERN, ele simplesmente foi tirado da trama. Assim como o Leonardo Vetra, em seu lugar, foi colocado Silvano, um mero cientista e colaborador de Vittoria que também foi assassinado pelo mesmo motivo do livro. Gunther e Chinita também são desprezados. Entretanto todas essas mudanças, felizmente são bem trabalhadas pelo roteiro do excelente Akiva Goldsman, que trabalhou ao lado de Hovard em Uma Mente Brilhante, O Código da Vince e Luta Pela Esperança, também trabalhou em Eu Sou a Lenda e Hancock. O roteiro é esperto e ágil e consegue trabalhar bem com as mudanças que foram feitas, em nenhum momento a falta de uma personagem ou de uma situação muda a história. Para quem leu, sente falta, mas como roteiro de filme, a história convence e aceitamos fácil as mudanças.

No longa de Hovard, tudo se inicia no CERN (incrível as cena dos laboratórios e a criação das partículas da antimatéria no início) onde um cientista é assassinado e uma partícula da antimatéria é roubada. Ela, por sua vez, foi levada para o Vaticano onde quatro cardeias foram sequestrados e tudo segue como no livro. Os futuros assassinatos relacionados com os elementos, o envolvimento de Robert Langdon, mais uma vez interpretado por Tom Hanks, para desvendar o esconderijo dos Illuminatus e o local onde está a antimatéria e impedir que a população seja exterminada por ameaça terrorista baseada numa antiga vingança contra a Igreja Católica.

Robert se une a Vittoria (Ayeler Zurer), a criadora da antimatéria e a responsável por tudo isso, para encontrar as pistas, contam com algumas ajudas, como o inspetor Olivetti (Pierfrancesco Favino) e Chartrand (Thure Lindhardt), assim como no livro. Também contam com a ajuda do conservador comandante Richter (Stellan Skarsgard) e do carmerlengo Patrick (Ewan McGregor) que trabalha no Vaticano a serviço da Igreja e auxilia no atual conclave e passa a liderar tomando a posição do antigo Papa, enquanto não é elegido um novo, porém a Igreja entra em crise com o sequestro dos cardeais que seriam os possíveis escolhidos.

Robert e Vittoria desvendam os mais inigmáticos mistérios, começam a traçar uma linha lógica sobre Roma para acharem o paradeiro dos Illuminattus e acabar de vez com esse terrível acontecimento. E eles tem até meia noite para acharem a antimatéria e até que essa hora chegue, os cardeis vão sendo assassinados de maneiras inimagináveis, assustando a todos que se envolvem no caso.

E com essa nova arma e esse mistério ao redor do Vaticano, voltam os fantasmas do passado que a Igreja tanto tentou esconder durante anos. E os religioso tem que encarar de frente a verdade, de que a Igreja perseguiu inocentes e os matou e agora isso está acontecendo com eles, o jogo inverteu. Mas seriam eles os verdadeiros vilões, logo que os Illiminatus estão os matando de maneira hedionda e terrorista? E as questões sobre religião e ciênci e essa antiga rivalidade voltam a tona.

Ron Howard é um dos diretores mais aclamados da atualidade, devido o seu elogiado Frost/Nixon, um dos melhores filmes entre os indicados ao Oscar esse ano segundo alguns críticos. Ele falhou em O Código da Vince, um filme fraco e totalmente fora do que foi mostrado por Dan Brown, acabou com a espertesa e o brilho da trama, uma adaptação muito mal feita, com uma parte técnica incrível mas roteiro falho. Howard ousa por voltar e praticamente clicar na mesma tecla, mas acerta em cheio dessa vez, pois Anjos e Demônios não é, e está longe de ser, uma adaptação fiel, mas como filme funciona.

Ron Howard tira as situações das páginas do livro de Brown com grande habilidade para as telas, chega a ser espantoso determinadas cenas, onde a maioria são externas e são feitas com tanta dedicação e competência. Quem leu livro vai adorar o que foi feito no filme, as cenas facilitam a compreensão do livro, tudo parece feito perfeitamente de acordo como foi descrito por Dan Brown. As igrejas, os quadros, o CERN, o vaticano, tudo reproduzido da melhor maneira possível, genial.

O elenco não surpreende muito. Tom Hanks está melhor, assim como sua personagem, Robert Langdon está mais parecido com o do livro, não fiscamente, mas os jeitos, a maneira como trabalha, o humor sutil e suas ironias. Vittoria Vetra é interpretada pela israelense Ayelet Zurer, logo nas primeiras cenas vemos que ele á uma grande atriz, mas infelizmente a trama não faz tão bom proveito dela, a Vittoria do livro é mais ágil, fala mais, aparece mais, no filme, eles a apagam, diminuindo o brilho que esta personagem tem sobre Anjos e Demonios, logo que no livro, ela é disparada, a melhor personagem. O maior destaque fica para Ewan McGregor e seu carmerlendo Patrick, que também é uma incrível personagem, ele não faz nada muito especial, mas num elenco mediano, ele se destaca.

Palmas para a parte técnica do filme. Trilha sonora de arrepiar, cada cena de suspense se torna mais tensa com a trilha mais que eficiente. Mas o destaque fica para os cenários que são perfeitos, vemos que tudo foi pensado e bem colocado no filme. Todas as cenas são tão bem feitas que surpreendem. Anjos e Demonios é um filme bem feito, bem trabalhado, diferente de O Código da Vince, vemos que foi um filme mais bem cuidado, planejado, não é uma trama corrida, eles apagam alguns fatos mas não acrescentam outros piores como foi feito no anterior, todas as mudanças são coerentes e bem trabalhadas. Muito melhor que o anterior, mais dinâmico, mais empolgante, mais surpeendente. Um suspense maravilhoso que faz você esquecer de tudo ao seu redor, você se prende fácil, e até que o filme acabe você não consegue desgrudar o olho da tela, hipnotizante! É um excelente filme, só não dou 10 por não ser uma adaptação tão fiel, mas bem que merece.

NOTA: 8,5

Outras notícias