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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Crítica: Pássaro Branco na Nevasca (White Bird in a Blizzard)

Baseado no livro de Laura Kasischke, o longa fora lançado no Festival de Sundance no ano passado. Com direção do sempre polêmico Gregg Araki, "Pássaro Branco na Nevasca" é mais uma trama que ele usa para falar sobre a juventude, realizando, como de costume, um cinema muito único, estranho e bizarro, mas ainda assim, fascinante.

por Fernando Labanca

Escrevo "estranho e bizarro" no melhor dos sentidos. Este é o cinema independente de Gregg Araki, que ele realiza ainda com muita competência. Para quem já dirigiu obras como "Mistérios da Carne" (2004) e "Kaboom" (2010), "Pássaro Branco" poderá até soar um trabalho mais contido do diretor, entretanto, é um filme que se encaixa perfeitamente em sua filmografia e mesmo que sendo uma adaptação de um livro, Araki não perde a chance de assinar o que faz, é um cinema ainda autoral, ele deixa muito claro sua visão sobre a trama. O interessante é que não deixa de ser um filme "teen", feito para os jovens, os diálogos, as conversas descontraídas, as festas, o mistério um tanto quanto bobinho e a presença da atriz-sensação do momento, Shailene Woodley . Apesar de ser diferente e por trilhar um caminho não muito usual em toda sua construção, espero que o longa encontre este público.


domingo, 17 de julho de 2011

Crítica: O Nevoeiro (The Mist, 2007)

Baseado na obra de Stephen King, "O Nevoeiro" conta com a direção de Frank Darabont, o mesmo que já havia trabalhado com adaptações de King como "Um Sonho de Liberdade" e "A Espera de Um Milagre", mas agora fugindo um pouco do drama e encarando um terror bem elaborado que digo sem a menor dúvida, uma das melhores adaptações do autor para os cinemas.

por Fernando Labanca



No filme, conhecemos uma pequena cidade que acaba de passar por uma terrível tempestade, preocupado, David (Thomas Jane) vai para um mercado junto com seu filho de 8 anos, Billy (Nathan Gamble), logo que os mantimentos poderiam se esgotar rapidamente devido aos acidentes causados. Local cheio, paredes de vidro, os moradores logo se deparam com um nevoeiro que cobre a cidade, não muito tempo depois, um indivíduo entra correndo pelas portas com o nariz sangrando e dizendo para todos não saírem mais do lugar e que algo muito estranho estaria acontecendo além daquelas paredes.

No depósito, David e outros homens acabam se deparando com uma espécie de monstro e que era dele que estavam se escondendo, algo gigantesco e com tentáculos, extremamente assustador e difícil para todos acreditarem que era real. Contam para todos o que estava acontecendo, uns não acreditam, outros acham que é uma piada sem graça e inconveniente e outros como a Sra. Carmody (Marcia Gay Harden) acreditam que assim como dizia a Bíblia, este era o fim de tudo. Até que estranhos acontecimentos passam a assustar os moradores, os fazendo refletir sobre o inacreditável, os fazendo pensar em sua vidas, e até que ponto poderiam suportar aquela nova realidade, até que ponto vai a civilização de um ser humano, os fazendo questionar sobre a bondade e se realmente o perigo estava fora daquele mercado.


O que faz de um filme de terror um bom filme de terror? Uma boa história, bons atores, cenas que assustam, que nos faz sentir medo, agonia ou algum sentimento muito forte. "O Nevoeiro" trás todos os elementos que um bom filme do gênero, somado a outros aspectos que fazem desta obra não só uma das melhores adaptações para o cinema de Stephen King, mas um dos melhores de terror dos últimos anos. O longa consegue nos amedrontar com cenas simples, mas choca pela maneira realista como trata os acontecimentos, nos faz realmente acreditar. Frank Darabont é um excelente diretor, nos mostra esta história um tanto quanto "fantasiosa" de maneira magestral, poderia muito bem nas mãos dos roteiristas e diretor errado parecer uma obra patética de monstro e mortes grotescas, mas aqui tudo é bem planejado e bem filmado, acreditamos, entramos facilmente na "brincadeira" e nos deixamos levar por esta trama bem criada, que nos prende no início ao fim.

"O Nevoeiro" vai muito além de um filme de terror, é um drama complexo repleto de bons diálogos e idéias inteligentes, que não subestima seu público mal acostumado com histórias baratas que inundam o cinema de porcarias com muito sangue e pouco nos faz pensar. Neste, aquele que assiste passa por momentos de tensão, agonia, medo e aflição, mas que também se emociona com a sensibilidade dos personagens, tão reais e tão humanos, além do fato do filme nos fazer pensar e refletir sobre inúmeros assuntos. O longa questiona de maneira impecável esta condição vulnerável do ser humano, até que ponto praticamos nossa civilização, o homem é capaz de perder o controle quando elementos que constituem sua rotina se perdem, como a alimentação, família, segurança e como o próprio filme questiona o limite da civilização é quando o 190 e máquinas ainda funcionam. Podemos não ser tão racionais quanto os livros indicam, há um limite para a civilização, dignidade e bondade.

Em relação aos atores, ninguém desaponta. Thomas Jane surpreendentemente bom e o pequeno Nathan Gamble se mostra mais uma vez um ator promissor. Destaque para a incrível coadjuvante, Marcia Gay Harden que rouba as cenas e constrói cenas memoráveis. O elenco ainda conta com o sempre ótimo Toby Jones. Os personagens é o que move este longa, são bem desenvolvidos, o roteiro respeitou cada ator ali em cena, são bem complexos e acabam, para minha grande e grata surpresa, assustando mais que os próprios "monstros".

Frank Darabont é simplesmente um diretor fantástico, realiza cenas incríveis, sua movimentação de câmera tem um diferencial. O que dizer das sequência dos insetos assassinos ou quando um dos moradores sai para fora do mercado com uma corda amarrado na cintura, simplesmente assustador, entre outras cenas ótimas que Darabont capta de forma admirável. Mas o que faz de "O Nevoeiro" um filme marcante é definitivamente seu final, conhecia este longa como "aquele com um final surpreendente", mas realmente não esperava o que vi, foi muito além de um filme convencional, foi muito além que qualquer outro filme de terror tenha ido nos últimos anos, é chocante, de deixar sem palavras, de emocionar de forma muito profunda. Enfim, não há como ficar indiferente ao desfecho, surpreendente, magnífico e porque não, muito corajoso da parte de Darabont. Uma obra que traz reflexões interessantes sobre a sociedade, representada pelos moradores trancados no mercado, uma obra por vezes melancólica, pessimista e bem realista diante deste cenário apocalíptico. Intrigante e inteligente, "O Nevoeiro" ficará na mente por muito tempo...recomendo, não sou muito fã de terror, mas este, entrou para minha lista de melhores!

NOTA: 10

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