domingo, 30 de agosto de 2009

Crítica: Se Beber, Não Case (The Hangover, 2009)

A comédia mais surpreendente do ano, Se Beber, Não Case, é hoje um dos filmes mais vistos do gênero esse ano, e conquistou o público facilmente com atores desconhecidos e uma história extremamente sem noção, porém, extremamente engraçada.

por Fernando

Doug (Justin Bartha) está prestes a se casar, mas antes, ele, junto com seus amigos decide ir a Las Vegas curtir sua despedida de solteiro. Os amigos são: Phil (Bradley Cooper), uma pai de família, que mais parece um garoto de colegial, Stu (Ed Helms) um dentista que se diz doutor e que vive atormentado por seus amigos por ter sido traído por sua esposa num navio com um barmen enquanto estava bêbada. E o outro, é seu cunhado, o divertido Alan (Zack Galifianakis), um cara solitário que se empolga com a situação de estar no meio de três grandes amigos.

O plano é simples, curtir a noite, porém eles acabam indo longe demais, bebem tanto, e quando acordam não se lembram de mais nada, o problema é que o noivo desaparece, e Phil, Alan e Stu precisam imediatamente lembrar o que realmente aconteceu na noite anterior, para que assim, descubram aonde Doug está, logo que o casamento é no dia seguinte. A partir de então, os amigos partem para uma jornada de descobertas bizarras e surpreendentes, começam a juntar pistas e descobrem aos poucos passo a passo, as loucuras que fizeram em Las Vegas.

Essas loucuras incluem, uma ida ao hospital devido ao excesso de drogas, o casamento de Stu com uma stripper, a bela Jade (Heather Graham), e o mesmo se depara sem um dente e o motivo ninguém sabe, uma ida a mansão de Mike Tyson (??!!!) e o furto de seu tigre (??????????!!!!!!!!!!!). Além de se meterem com os piores mafiosos de Las Vegas, e devido a isso, eles começam a ser perseguidos constantemente sem saberem o porquê. Ainda se deparam com um bebê na porta do apartamento, e Alan acaba se apegando a ele, mas logo descobrem que era de Jade, a nova noiva de Stu. Em falar nisso, Stu precisa reverter essa situação, logo que é casado uma neurótica, além do fato dos seus cartões de crédito terem sumido, e além do fato deles terem sacado muitos dólares em seu nome. E tudo isso, acontece em um dia de muitas surpresas, o dia da ressaca, e quando tudo parecia estar perdido, tudo piorava, e quando achavam que já haviam visto de tudo, mais loucuras surgem.

Não há muito o que falar da história, ela é apenas isto, confusões em Las Vegas, mas a confusão é tanta, mas tanta, que nos perguntamos, aonde tudo isso var dar, como essa confusão toda vai terminar??!! O final não surpreendente, é simples, divertido como o filme todo, mas nada demais, mas mesmo assim, vale a pena ver o filme inteiro e se divertir com esse três caras completamente pirados, interpretados por atores extremamente cômicos, que fazem a público rir, mesmo quando não é a intenção. Um daqueles filme que nos perguntamos, quem teve essa bendita ideia??, um filme pirado, louco, em suma, uma filme "da hora", no linguajar mais popular possível, que aliás palavrão e coisas obscenas rolam soltas no longa, mas não perde o grande estilo, uma comédia popular que vai conquistar muito mais do que já conquistou.

É muito fácil se envolver com "Se Beber, Não Case", claro que as situações são impossíveis de acontecerem, mas é sempre colocado com tanta naturalidade que aceitamos os absurdos, além dos atores estarem tão a vontade em seus respectivos personagens, são naturais, engraçados, divertidos. Palmas para Bradley Cooper, Ed Helms e Zack Galifianakis, indiscutivelmente incríveis. Além dos atores desconhecidos, ainda vemos a pequena participação, mas que ainda tem seu destaque, a bela atriz Heather Graham, que depois de muitos anos, surge em uma comédia de grande sucesso.

Todd Phillips constrói um filme altamente divertido, dinâmico, cheio de piadas boas e cenas que já possuem um ar cômico e a piada vem livremente, as vezes até parecendo improviso. Além das ótimas localizações, e uma ótima trilha sonora.

Confesso, existem comédias melhores, inclusive comédias que foram lançadas esse ano, perde, talvez, a nomeação de melhor comédia do ano, por utilizar uma história, muito engraçada, porém fraca, sem um grande momento, um clímax, um momento em que sentimos que realmente valeu a pena, um momento em que vemos que o filme teve um propósito maior, mas não teve, a verdade é que Todd Phillips queria mesmo só divertir, e consegue, e com muito êxito. A comédia é um gênero que está passando por uma boa fase, e Se Beber, Não Case, futuramente pode ser lembrado por contribuir por essa passagem. Assista, mas tenha certeza que vai se deparar com situações absurdas, mas a risada vai vir facilmente, pois se trata de um filmes hilário, absurdamente hilário!!

NOTA: 8,5

Crítica: O Contador de Histórias (2009)


Filme nacional que mescla fantasia com realidade, traz aos cinemas a vida de Roberto Carlos Ramos, que como diz no cartaz, ele escreveu sua história contando muitas outras.


por Fernando

Roberto Carlos hoje é um contador de histórias formado em pedagogia, mas até chegar aonde chegou muitas coisas aconteceram. Quando criança, morava com sua família numa favela em Minas Gerais, com sua mãe e seus mais nove irmãos. Sua mãe sonhava em proporcionar uma vida melhor a seus filhos, mas não podia, eram pobres e mal conseguia pagar a comida, até que o governo lança na TV (a mesma que assistiam uma vez por semana na casa de um vizinho) um projeto que mudaria a vida dos jovens, a FEBEM, um instituto que permitiria que garotos futuramente se tornassem doutores, médicos, engenheiros. Com isso, a mãe decide levar o caçula e assim, mudar o rumo de sua vida, Roberto Carlos é o escolhido e vai tal instituto, acreditando que seria um paraíso, assim como via em sua imaginação, como se fosse um circo com trapezistas e palhaços, mas não era bem assim. Na Febem, ele tanta se adaptar a nova vida, longe da família, sofre com a separação, mas percebe que aquela era sua vida a partir daquele momento, gostando ou não, e tenta com sua criativa imaginação viver a realidade, assim como via sua professora de educação física como sendo um hipopótamo. As coisas pioram quando completa sete anos e é levado para viver junto com os maiores, é espancado, violentado, e a partir de então, participa de mais de cem fugas e entra para o mundo em que sua mãe tentava impedir, um mundo que envolvia policia, furtos e violência. Roberto Carlos cresce, se torna um garoto, assim como diziam, irrecuperável.

Sua vida muda quando conhece Margherit, uma pedagoga francesa que viajava temporariamente no Brasil para fazer uma pesquisa, conhecer o nossa cultura, o nosso estilo de vida, a nossa língua, ela já vivia aqui por um longo período, até que sua grande chance surge, se depara com o rebelde quando visitava a Febem, decide conversar com ele e conhecer a sua história, é quando ele decide colocar sua imaginação em prática, e começa a contar sua vida de um modo que só ele sabia contar, um jeito próprio, sob um ponto de vista criativo sobre tudo o que havia vivido, mas ele precisava ir e não termina sua história. Empolgada com a situação, Margherit vai atrás do garoto, ele estranha tal perseguição e percebe que é sua chance de "se dar bem", vai até sua casa e a rouba, a deixando espantada, mas descrente de que ele fosse realmente irrecuperável.

Roberto vai embora da Febem e percebe que o mundo que lhe esperava não havia mais espaço para imaginação, um mundo cruel, não tinha mais oportunidades, o mundo fechou para ele, sua única opção é a criminalidade, até que decide roubar, mas é abusado sexualmente, até que decide morrer, mas falha, até que decide ir atrás da única pessoa que havia lhe dito "obrigado" e "por favor", a única pessoa que abriu a porta da prórpia casa, Margherit.

A pedagoda lhe dá outra chance, lhe dá conforto e comida, temporariamente, até ele arranjar um lugar para ficar, em troca, ele conta sua história e consequentemente, aprende com ela, o francês. Juntos, eles descobrem uma improvável amizade, enquanto ele percebe que ela é um milagre que ocorreu com ele, a probabilidade de alguém salvar outra pessoa e dar todas as oportunidades que ela lhe dá, são mínimas.

O Contador de Histórias nos trás talvez um tema batido, a pobreza, a vida nas favelas, a criminalidade nas ruas, mas ele inova esses temas, os colocando na tela, com maior leveza, sem apelar para a violência, em alguns momentos, é forte, mas nunca é mostrado com tanta crueldade como é sempre mostrado nos filmes nacionais. A pobreza está lá, marcando presença, mas a vida nas favelas nunca foi mostrada com tanta beleza, tranquilidade, sofrimento também existe, mas também há um toque de felicidade. E está aí, o grande mérito do filme.

Além do fato, de juntar realidade com a imaginação fértil do garoto, dando maior sensibilidade ao longa. As cenas em que ele coloca suas histórias da maneira como ele quer acreditar, são perfeitas, assim como a cena do circo, a maneira como ele acreditava que era a Febem, no maior estilo de Em Busca da Terra do Nunca de Marc Forster, ou como quando ele colocava o seu ato de roubar ao lado de seus amigos como sendo uma partida de futebol, ou como quando vê o maior bandido da favela, seu ídolo, como sendo um rei, descendo as escadarias da igreja, simplesmente incrível. O filme ainda utiliza de efeitos visuais para reproduzir uma de suas imaginações. E esses momentos, sem sombra de dúvida, são os melhores do filme.

O diretor Luiz Villaça é competente, reproduz a incrível jornada de Roberto Carlos com muita leveza e descontração, emocionante em algumas passagens, e divertida em outras. O drama é bem colocado, sem cair no dramalhão, apesar de algumas cenas exigirem mais carga dramática do que realmente é exposto. A comédia é outro ponto positivo, o filme, mesmo se tratando de um drama, não perde a piada e nem o estilo, sempre dando espaço, principalmente, na primeira parte do longa, para boas cenas cômicas.

Atuação não é o forte do filme, onde alguns atores deixam a desejar, o destaque fica para Maria de Medeiros, que interpreta Margherit, dando a personagem extrema delicadeza e carisma. Facilmente conquista o público, é meiga e trás uma mensagem interessante, um exemplo de ser humano.

O Contador de Histórias chega aos cinemas, mesmo quando se tratando de cinema nacional, a preferência do público é comédia. Mas o filme tem seus méritos, merece ser visto, assim como muitos filmes nacionais que ainda enfrentam certo preconceito. E mesmo com a chuva de filmes Hollywoodianos chegando constantemente, o filme tem seu destaque. Não é o melhor filme nacional de todos os tempos, mas é melhor que muitos que vi ultimamente. Não o veja achando que vai ser mais um drama nacional sobre preconceitos, pobreza, criminalidade, é sobre a vida de um homem que enfrentou todas as dificuldades, e que para isso, ele precisou de uma mão amiga, e é isso o que as pessoas precisam, de um apoio, de que outras pessoas acreditem nelas, é sobre integração social, é sobre dar uma segunda chance para aqueles que veem diariamente todas as portas se fechando, pois todos merecem uma vida mais digna.

NOTA: 7

domingo, 16 de agosto de 2009

Crítica: O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)


O Casamento de Rachel é um dos filmes mais interessantes que chegou na locadora recentemente, mais do que isso, um dos melhores filmes do ano, surpreendentemente emocionante, uma experiência única e inovadora.


por Fernando.

O filme, dirigido por Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes) conta uma história ocorrida em um final de semana, era para ser um final de semana belo e cheio de boas surpresas, até a chegada do elemento principal que destruiria toda a harmonia. É o casamento de Rachel (Rosemarie DeWitt), e para isso, ela convida toda os parentes para celebrar o dia mais perfeito de sua vida, todos se reunem na casa da família, grande e com um belo jardim, que seria palco da união. Porém, chamar toda a família, inclui em chamar Kym (Anne Hathaway), sua irmã, que tira uma folga da clínica de reabilitação para participar do casamento. Kym é símbolo de problemas, usava drogas e se embebedava na adolescência cheia de conflitos, hoje, tenta se recuperar nessa clínica.

Kym é hospedada na própria casa, com o maior desprezo da parte dos familiares, que praticamente ignoram sua chegada. Seu pai, Paul (Bill Irwin), extremamente atencioso, não tira os olhos dela, com medo de aprontar alguma na tão esperada festa. Seus pais são separados, e sua mãe, como sempre, atrasada. Reencontra com Rachel, e as duas tentam esquecer, ou fingir que esqueceram os problemas do passado, entretanto, evitar que brigas acontecem vai ser uma tarefa bem mais difícil que Kym imaginava, logo que se depara com sua prima mais detestável como sendo a madrinha do casamento. Briguinhas a parte, vamos ao casamento. Primos, primas, tios, tias de toda a parte, e a chegada do noivo só complementa essa diversão, trazendo toda sua família, fazendo não só a união com Rachel, mas prestigiando a celebração da união das famílias, além disso, comida a vontade e música ao vivo.

Porém, nada vai ser tão perfeito, Kym não perde a oportunidade, e com suas ironias e seu sarcasmo, sempre encontra um espaço para reviver as mágoas do passado e consequentemente, trazer a tona todas as fraquezas e manchas do passado que deveriam ter sido apagadas. Pais separados, nunca foi fácil para as irmãs aceitar isso, Kym se embriagava, porém elas tinham um irmão mais novo, e pela falta de responsabilidade de Kym, ele acaba morrendo em um acidente de carro, controlado por ela, e isso, a família nunca esquece. E a cada discussão que surge, sua morte sempre aparece, apontando Kym como a causadora de todos os problemas familiares. E como ela mesma diz na festa, ela já teve que pedir desculpas para tanta gente fora de casa, pessoas que foram afetadas pela sua má conduta, e precisava desse final de semana para pedir perdão para aquelas pessoas que realmente importam na sua vida, mas o modo como pretende fazer isso é que dificulta, optando sempre pelo sarcasmo, ela acaba fazendo não só uma tentativa de ser perdoada, mas revitalizar não só os seus erros, mas os erros de todos da família, tenta provar que ela não pode ser culpada por todos os problemas, pois todos erram, todos falham, e mostra para todos o quanto sofre por ter matado alguém, e que precisa do perdão para seguir em frente. E Rachel sempre vê sua postura como sendo uma tentativa de criar um campo de batalha, destruindo seu final de semana que deveria ter sido perfeito, tentando destruir o brilho e atenção que deveria ter sido toda sua nesses dias. Agora, Kym e Rachel terão que acertar as contas do passado, para manterem a harmonia do casamento, e mais além, se aceitarem como membros da mesma família, uma família como todas as outras, cheias de fraquezas, mágoas e medos, uma família que é capaz de perdoar não só para manter a postura, mas também para conseguirem seguir em frente, apagando de vez o passado, mesmo que cada um siga seu canto, mas pelo menos se amarão, mesmo distantes.


Jonathan Demme é incrível como diretor, conduz o filme com tanta delicadeza, sensibilidade, e ao mesmo tempo, com intensidade, é forte, maduro. Constrói um belo filme através do ótimo roteiro, assinado por Jenny Lumet, uma história inteligente que se fortalece pela maneira como é reproduzida. E esse é o diferencial do filme, como ele é conduzido, do início ao fim, uma camêra na mão, uma espécie de video caseiro, o que se encaixa perfeitamente no contexto, dando mais realidade na trama, intensificando cada cena, entrando no particular de cada indivíduo, penetrando a alma da cada um, e isso ocorre também, graças a ótima e surpreendente atuação de todos, sim, isso mesmo, de todos em cena, sem exceção, não só pela maravilhosa atuação da protagonista, mas os coadjuvantes estão perfeitos também, estão extremamente naturais. E por esses pontos que fazem O Casamento de Rachel ser tão natural e real, nos coloca dentro da história, participamos de cada conflito, e nesses minutos de projeção, é como se fizéssemos parte da família mostrada.


Anne Hathaway merece um parágrafo inteiro. Sua atuação é surreal, esqueça a garota bobinha de Diário de uma Princesa, agora a menina cresceu, evidentemente se tornando uma excelente e grandiosa atriz. Teve uma ótima performance em O Diabo Veste Prada, seu melhor trabalho até então, mas ela conseguiu evoluir mais, chegando ao ápice, daqui para frente, já não sei que caminho a atriz irá seguir, mas O Casamento de Rachel, registra sua mais incrível aparição na tela. Hathaway eleva o nível do filme, a cada momento em que surge, surpreende, quando está em cena, o filme se torna hipnotizante, empolga em cada fala, é carismática, e até mesmo engraçada, assim como revelou seu lado cômico em seus trabalhos anteriores, mas aqui prevalece seu lado mais dramático, é tão verdadeira, intensa, sensível,sincera, cada palavra que pronuncia, é um sentimento novo que produz, ela sente cada dor de Kym, dando a personagem, uma realidade inquestionável. A atriz consegue oscilar com facilidade, entre o drama e o cômico, entre a tristeza e sua felicidade sarcástica, entre a alegria e a angústia, entre a vitalidade e a melancolia.


"O Casamento de Rachel" é um filme surpreendentemente agradável. Maravilhoso, emocionante, incrível. Anne Hathaway melhor do que nunca, além de coadjuvantes de peso, como Rachel, interpretada verdadeiramente por Rosemarie DeWitt, além de todo o fortíssimo e desconhecido elenco. Um filme inovador, criativo, inteligente, hipnotizante, cheio de surpresas, tanto na história quanto na produção. Uma bela fotografia e uma ótima trilha sonora embalada pelas músicas tocadas no casamento, tudo muito real. Pode ser um filme chato para quem não curte dramas familiares, mas o diretor não exagera no dramalhão e não se rende aos clichês, construindo um verdadeiro e sincero filme sobre família e as dificuldades em manter relações com as outras pessoas, aceitar cada erro, perdoar o próximo, amar e ser amado.


NOTA: 9,5

domingo, 9 de agosto de 2009

Crítica: Pagando Bem, Que Mal Tem? (Zack and Miri Make a Porno, 2008)


O polêmico diretor Kevin Smith volta com um filme que nos mostra um assunto sempre evitado, para gerar polêmica, talvez, mas acima de tudo, para divertir o público e quebrar certas barreiras que existem entre a sociedade e sexo.


por Fernando

Miri (Elizabeth Banks) e Zack (Seth Rogen) são dois amigos de infância que dividem um apartemento, e consequentemente, as dívidas e até mesmo suas confidências. Resumindo, são melhores amigos e estão juntos nos melhores e piores momentos, nesse caso, mais nos piores, logo que as dívidas começam a aumentar, até porque eles preferem gastar dinheiro em objetos sexuais na internet, do que abrirem os olhos e perceberem que já são adultos e agora eles têm maiores responsabilidades, porém entrar nessa fase não é nada fácil para os dois, principalmente quando percebem que só estão afundando e não realizaram nada de muito importante em suas vidas, não conquistaram nada o que desejaram.

Até que cortam a água, a luz e enfim eles percebem que precisam reagir o mais rápido possível, já que o salário da lanchonete onde trabalham não é nada muito eficiente. E depois de muitas discussões, descobrem que há um jeito de ganhar muito dinheiro, sem grandes esforços e que ainda lhes trará prazer, entrar no ramo da pornografia, fazer filmes caseiros e publicá-los e rapidamente seriam um sucesso e ganhariam dinheiro fácil. Porém são melhores amigos e percebem que não será nada legal ver o outro dentro de um filme pornô, mas esquecem a ética da amizade, esquecem o quanto será estranho ver o outro transando com um estranho e mais do que isso, enfrentar a tensão e o medo de transar com um estranho e pior, com uma câmera na frente filmando tudo.

A partir de então encontram um salão abandonado, começam a fazer testes na cidade para encontrar novos e antigos talentos da pornografia, criam os figurinos e escrevem um incrivel roteiro se baseando nas história de Star Wars (hilário!!). Porém quando tudo estava indo perfeitamente bem, o salão é destruído para uma nova construção e perdem todo o figurino e todo o cenário, sendo forçados a começarem tudo de novo. Até que Zack tem a brilhante idéia de utilizar seu próprio ambiente de trabalho para fazer o filme pornô, fácil e simples, o cenário já está pronto e o figurino não precisa ser nada de especial, serão só pessoas que frenquentam um Café e transam com as garçonetes, e com a ajuda de alguns desconhecidos e de alguns amigos, eles começam a rodar o filme. Mas antes de tudo, Zack e Miri fazem uma espécie de trato, onde nada do que acontecer nas filmagens iria estrangar a amizade entre eles, mas o que eles não esperavam, é que as coisas começam a ficar cada vez mais "quentes" envolvendo cada vez mais os que participam do filme, inclusive eles, onde a amizade começa a ficar cada vez mais abalada, criando situações embaraçosas e consequentemente, briguinhas de ciúmes, e a cada dia, Zack e Miri percebem que há mais entre eles do que uma simples amizade, e mesmo em um ambiente tão pervertido, fica cada vez mais difícil esconder o que um sente pelo outro.

Pagando Bem, Que Mal Tem?, já o nome sugere algo não muito família, isso porque aqui no Brasil decidiram deixar o título não muito explícito assim como no país de origem, "Zack and Miri Make a Porno". Já está estampado no título, o filme não é para a família, mesmo se tratando de uma comédia não arrisque colocar seu pai ou sua mãe todos juntos para um programa de domingo, vai ser constrangedor. Isso ocorre pois o filme utiliza, talvez não para chamar a atenção ou apelar mesmo para conquistar mais público, mas porque se trata, dentro do contexto, de um filme pornô, portanto nada mais lógico que haver cenas para maiores. Talvez algumas pessoas se sintam ofendidas pelas cenas de sexo, por mais que sejam cômicas, ainda é sexo, mas não venha dizer que não esperava por elas, uma hora ou outra elas iriam aparecer. Por outro lado, algumas passagens, a nudez surge desnecessariamente, causando uma certa estranhesa no longa, estando aí, seu pior defeito. Sim, nesses momentos, podemos chamar de apelação.

Porém, estamos falando de um filme de Kevin Smith, um diretor ousado, original e polêmico e nesse filme, ele reúne características que fizeram ele ser o que é hoje, a ousadia no roteiro, sem medo de ofender os mais conservadores (Dogma, 1999), o humor escrachado ( do engraçado e nonsense "impérios do besterol Contra Ataca", 2001) e claro, mesmo no meio do humor, o diretor e também roteirista, sempre arranja um espaço para emoção, para criar não só o clímax da projeção, mas também criar um propósito maior, nesse caso,vemos mais do que comédia e sexo, vemos dois amigos se descobrindo com um casal (assim como o comovente "Menina dos Olhos", 2004), além do romance em cena que o consagrou em "Procura-se Amy", em 1997.

Na parte técnica, o filme não é fraco, mas é longe de ser grandioso. Apesar da boa trilha sonora, Kevin Smith, que também assina o roteiro e a edição do longa, economiza em todos os detalhes, contruindo uma história que tem como pano de fundo cenários simples e pequenos, com poucas locações, fazendo um filme um tanto quanto pobre, que apenas se fortalece no elenco e na história.

Em Pagando Bem, Que Mal Tem? não vemos sua trupe formada por Ben Affleck, Matt Damon e Jason Biggs, além dos personagens Jay e Silent Bob, mas vemos dois atores incríveis em cena, surpreendendo a cada momento do filme. Estou falando de Seth Rogen, o sempre engraçado ator de Ligeiramente Grávidos, O Virgem de 40 Anos e SuperBad. Rogen é hilário, e faz de Zack uma personagem divertida e carismática. Mas destaco principalmente a bela Elizabeth Banks, que talvez nunca tenha tido, infelizmente, tanto destaque em um filme, e depois de três episódios, praticamente figurando na saga do Homem Aranha, a atriz fez por merecer estar protagonizando um filme de Kevin Smith. Depois de sua bela performance em Três Vezes Amor (2008), ao lado de Ryan Reynolds, mostrando seu lado mais dramático e romântico, neste filme, ela nos mostra sua descontraída versão mais cômica, natural e carismática a cada instante, nunca esteve tão engraçada e tão bela em cena.

O longa de Smith nada mais é do que uma sátira dos filmes pronográficos, que nos choca por estampar em nossa cara algo que não é tão discutido e pouco mostrado no cinema Hollywoodiano, talvez por medo da rejeição dos mais conservados, talvez por puro preconceito contra aqueles que trabalham neste ramo. Mas o filme não deixa de ser descontraído, é ousado, mas não tem o intuito de assustar ninguém, muito pelo contrário, é pura comédia, comédia boa, com piadas originais e inteligentes referentes não só ao mundo pornô mas também a cultura pop. O filme nos reserva boas tiradas, mas também uma sensível e sutil história de amor entre duas pessoas que se conhecem tanto, mas como no próprio filme é dito, que ás vezes não enchergamos o que está na nossa frente e no caso deles, não enchergavam o amor que estava ali, a todo momento. Eles só precisaram de uma camêra, um bando de desconhecidos fazendo sexo para perceberem o quanto se amavam.

NOTA: 7

domingo, 26 de julho de 2009

Crítica: Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009)


Harry Potter retorna, junto com seus amigos, ao sexto ano em Hogwarts, e no cinema, a saga chega a reta final, sem perder o estilo construído há 8 anos atrás.

por Fernando

Harry Potter (Daniel Radcliffe) cresce e passa a se comportar de maneira diferente, aceitando seu destino, como o eleito, como aquele que pode derrotar o temido Voldemort. O mundo já não é mais o mesmo, o medo está tomando conta não só no mundo dos bruxos, mas também no mundo dos humanos, os Comensais da Morte estão a solta, destruindo e botando terror em tudo o que veem pela frente. E para isso, Dumbledore toma uma grande decisão, trazer o antido professor de poções mágicas, Horácio Slughorn (Jim Broadbent) de volta para Hogwarts.

Dumbledore (Michael Gambon) procura Harry Potter e pede para que ele se aproxime do experiente professor, pois só ele pode descobrir o modo como destruir Voldemort. Dumbledore mostra a Harry uma sala que contém todas as mais importantes memórias de Tom Ridle, mas há somente uma, a mais crucial de todas em que foi perdida, uma lembrança que pertence somente a Slughorn, onde há a grande revelação, de como Voldemort se tornou imortal. Para isso, Harry Potter, juntamente com Hermione (Emma Watson) e Ronny Weasley (Rupert Grint), passa a participar das novas aulas de poções mágicas de Slughorn, e nessas aulas, Potter acaba encontrando um livro de magias, igual ao que todos ganharam, com um diferencial, há "colas", rasuras, explicações fáceis sobre tudo e é assinado por Príncipe Mestiço, Harry fica fascinado pela descoberta e passa a se destacar facilmente nas aulas do professor.

Enquanto isso, Draco Malfoy segue cada vez mais para o lado negro das forças, enquanto Harry é o eleito, Malfoy segue seu destino de Comensal da Morte. Ele passa a ter alguns problemas familiares e tem a ajuda de Bellatrix (Helena Bonham Carter) que vai atrás de Severo Snape (Alan Rickman) para fazer um pacto com a mãe de Malfoy, Narcisa (Helen McCrory), de que ele ajudaria acima de qualquer dificuldade o jovem, que livraria ele de qualquer mal, e se por ventura, Malfoy fizesse o mal, Snape tomaria a responsabilidade e o faria ele mesmo.


Mas nem tudo é terror, em Hogwarts, enquanto os jovens tentam desvendar os mistérios que o cercam, seus hormônios estão a flor da pele, Ronny entra para o quadribol, chamando a atenção da mulherada, chateando Hermione, que se surpreende por ele nunca enxergar quem realmente ama ele, de verdade. Enquanto isso, Harry tenta de qualquer forma esconder seus sentimentos por Gina Weasley (Bonnie Wright) que cresce e passa a paquerar os garotos de Hogwarts, deixando Harry com ciúmes. Ele, por sua vez, tenta se concentrar em Slughorn, mas impedir de que todos saibam o que ele realmente sente por Gina fica cada vez mais difícil.

Aventuras, emoção, romance. Tem de tudo no novo filme de David Yates, que como diretor, faz um trabalho exemplar. Harry Potter, pode se dizer, que foi o filme mais aguardado do ano, logo que reuniu legiões de fans em todo o mundo, graças ao sucesso dos livros, mas também graças ao grande trabalho cinematográfico que foi feito em cima das histórias de J.K Rowling.

Yates, constrói um belo filme, com espertas movimentações de câmeras, e um ritmo interessante, lento, mas interessante. Os efeitos especiais são excelentes, muito bem trabalhados, mas infelizmente, pouco explorados. As cenas de ação e aventura são poucas, não empolgando o quanto era esperado, a maioria das cenas são mais lentas, deixando o filme com a sensação de longo demais, pois acontecem poucas coisas no longo tempo de projeção. E quando surge uma grande cena, alcançando o auge da emoção e adrenalina, a próxima surge, lenta e cansativa, destruindo o que fora feito na cena anterior, fazendo com que não haja um clímax, um grande momento.


O Enigma do Príncipe é um bom filme, tem ótimos efeitos especiais, fotografia belíssima, cenários encantadores, trilha sonora empolgante, tudo muito bem dirigido nas mãos de Yates, é de dar gosto estar sentado na sala de cinema a apreciar tudo o que há de belo exposto no filme. O sexto episódio, em algumas passagens, chega a ser um dos melhores da saga, é sem sombra de dúvida, o mais engraçado, o mais divertido e claro, o mais romântico, dando bastante espaço para as personagens em si, e não tanto para as magias e efeitos visuais. Por outro lado, falha como todos os anteriores, é bem melhor que A Ordem da Fênix, mas repete seu mesmo erro, não deixa de ser um filme de passagem, uma passagem para o final, uma ponte entre o que já foi feito e o desfecho. Harry Potter foi uma saga belíssima, mas já estamos no sexto filme, e se pararmos para pensar, pouca coisa ocorreu, os filmes costumam ser longos mas com poucas ações, poucas histórias. E O Enigma do Príncipe não foge disso, é ótimo, mas falta muita coisa. O filme acaba, e sentimos satisfeitos, mas não deslumbrados, pois sentimos que faltou algo, e faltou mais o que contar. Como sempre, o filme nos enrola a projeção inteira, para colocar as grandes emoções para o final, e decepcionam, pois mostram batalhas sem graças, sem ação, sem clímax. E nesse caso, nem há batalha, há alguns efeitos (ótimos), mas passam rápido e nem nos empolgamos. Talvez esse último se difere, por não deixar as grandes emoções somente para o final, durante a projeção, há algumas perseguições, no entanto, logo no ínicio já vimos grandes destruições, e ainda há algumas histórias interessantes, mas nada tão inovador, nada do que deveria ser, deveria ter sido algo muito, muito maior, já estamos no sexto filme, não queremos mais aulas de poções mágicas e conversas sobre o passado, queremos ver ação e um roteiro incrível, digno de sexto filme da saga de maior sucesso dos últimos anos.

Os atores estão melhores, o trio principal cresceu, fisicamente, mas também na questão de atuação, até Daniel Radcliffe conseguiu divertir nesse filme. Mas o grande destaque fica por Jim Broadbent, que surge no papel de Horácio Slughorn, excelente, muito divertido, engraçado, carismático, e rouba todas as cenas em que está presente, perfeito. O resto dos atores, como sempre ótimos, Alan Rickman como o severo, Severo Snape, e Helena Bonham Carter, que infelizmente, pouco mostrada no filme, mas dá a Bellatrix uma loucura interessante, se encaixa perfeitamente nesse mundo gótico de Harry Potter. Outro que cresce, é Tom Felton, o Draco Malfoy, sua personagem cresce na trama, assim como a ator em si. Bonnie Wright tem bem mais destaque como Gina, mas ela é completamente inexpressiva, faltando emoção nas cenas românticas, aliás, que deveriam ter sido românticas, ao lado de Radcliffe. Outra personagem, é a original Luna, interpretada por Evanna Lynch, mais uma vez dando o carisma e estranheza necessária para a jovem bruxa.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem seus defeitos e muitos, não sei avaliar como adaptação, mas como filme, é belo e divertido. Tem inúmeras qualidades, mas poderia ter sido muito melhor, logo que repetiu os erros dos filmes anteriores, mostrando que a projeção nunca evolui, construindo uma saga linear. Porém, numa época onde o cinema prefere colocar efeitos especiais de cegar os olhos se esquecendo de colocar boas histórias, Harry Potter ganha mais um ponto por preferir estender sua duração para colocar conteúdo, do que encher a tela de efeitos desnecessários para arrecadar mais dinheiro e conseguir mais fans.

NOTA: 8

sábado, 25 de julho de 2009

Crítica: A Proposta (The Proposal, 2009)


Sandra Bullock retorna em mais um filme de comédia, porém, mais uma vez, a atriz acerta, e ao lado de Ryan Reynolds, fazem de A Proposta uma das melhores comédia românticas do ano.


por Fernando

No filme, Sandra Bullock interpreta Margaret Tate, uma poderosa, autoconfiante, perfeccionista e arrogante editora de livros em Nova York. Ela trabalha duro para alcançar seus objetivos dentro da empresa, mesmo que isso signifique ter que pisar em cima de todos ao seu redor, humilhá-los na frente de muitos e demitir outros para não perder a pose de diretora eficaz. Para isso, há três anos ela conta com a ajuda de Andrew Paxton (Ryan Reynolds), seu secretário, que anota seus recados e faz de tudo para ser reconhecido no trabalho. Andrew é o típico bom rapaz, que ama a família e sonha em conseguir publicar seu livro e assim, subir de carreira, mesmo que isso signifique ter que aturar a pior das piores chefes, que o atormenta todos os dias.

A confusão começa quando, Margarett recebe a desagradável notícia de que será deportada para o Canadá, seu país de origem, pois está ilegalmente vivendo nos Estados Unidos, e isso, para ela, é o fim de tudo, fim de sua carreira, de tudo o que ela "plantou" no novo país. Para resolver seu probleminha, ela repentinamente revela para o oficial de imigração que vai se casar com um americano em breve, o que a torna legalmente uma americana, no entanto, o felizardo nada mais é do que seu auxiliar, Andrew, que chocado, não consegue reagir diante da notícia surpreendente de que vai se casar com a pessoa mais detestável. Ele aceita ajudá-la a ficar no país, se casando com ela, porém, ele impõe algumas condições, de que ela o ajudaria, publicando seu livro e lhe dando uma promoção no trabalho, proposta aceita, o jogo começa.

Entretanto, nada vai ser tão fácil assim, Margaret terá que provar que vai realmente se casar com ele, e mais que isso, terá que provar que tem um relacionamento verdadeiro e estável com Andrew, caso contrário, fora do país. Para isso, Margaret tem a idéia de viajar com o "noivo" para um final de semana com a família dele, o que ela não imaginava, é que a adorável família Paxton vive no Alasca. Agora os dois precisam viajar para provar para todos na família dele que eles se amam de verdade, logo que serão eles quem darão os depoimentos para a polícia. Em sua família, vemos uma mãe adorável e sua avó, um tanto quanto, pervertida e cheia de surpresas, e um pai distante que tem problemas com Andrew, principalmente quando recebe a notícia de que seu filho vai se casar, e acredita que ele está usando a chefe para subir de cargo na empresa. Andrew, por sua vez, tenta resolver seus conflitos com ele, ao mesmo tempo que reencontra com uma antiga namorada, a bela Gertrude (Malin Akerman), e ao mesmo tempo, tenta provar para todos que ama Margaret, que tem uma certa dificuldade em aceitar sua nova realidade, logo que ela é acostumada com a vida corrida da cidade. Margaret também terá esses dias para descobrir o máximo que puder sobre ele, pois mesmo depois de tanto tempo trabalhando ao lado dele não sabe nada sobre sua vida. E nesse lugar tão distante, ela acaba vivendo a mais inusitada aventura de sua vida que se resume ao trabalho, trancada no escritório. E nesse período, Margaret descobre um novo Andrew, sua passado, suas angustias, seus medos, seus maiores conflitos, e descobre que há uma alma dentro de cada terno que vê no seu dia-a-dia.

Andrew e Margaret anunciam a todos que vão se casar, a família fica surpresa pelas coisas estarem indo tão depressa, mas aceitam, e optam por eles se casarem ali mesmo, na capela da cidadizinha onde moram, e fazem todos os preparativos, e a durona Margaret se surpreende com a atitude da família de ajudar em todas as situações, aliás, ela percebe que havia esquecido o que isso significava. E mentir para todos eles acaba ficando cada vez mais difícil para ambos.

A Proposta é simplesmente hilário, do começo ao fim. O casal se coloca em uma situação tão cômica que diverte facilmente o público. É realmente muito engraçado ver Margaret e Andrew mostrando para todos que se amam, contando todas as mentiras, como foi o dia em ele a pediu em noivado, a vida de noivados, os costumes do casal, as histórias, até quando se beijam é hilário. E mais que isso, o roteiro os coloca em situações extremamente cômicas, como a cena em que se esbarram completamente pelados no quarto dele ou quando fingem que durmiram juntos para não assustar a família. Isso, é claro, não seria tão divertido sem a presença de Sandra Bullock e Ryan Reynolds. Os dois atores estão perfeitos em seus respectivos papéis. Sandra é ótima, e mesmo que já tenha feito tantas comédias, parece nunca perder o gosto, é sempre bom vê-la em situações engraçadas, ela faz tudo ser mais engraçado do que realmente é, mas ela vai além em A Proposta, ela prova que não é humorista, é uma atriz, acima de tudo, que consegue oscilar entre uma boa cena de comédia com uma ótima cena, tanto dramática quanto romântica. Ryan Reynolds surpreende nesse filme, mostrando que consegue arrancar gragalhadas do público, trabalha muito bem na comédia, e ao lado de Bullock, os dois fazem um casal extremamente divertido e carismático na longa.

A diretora Anne Fletcher, já havia se dado bem em outra comédia romântica, em Vestida Para Casar, a diretora constrói junto com bons atores, boas cenas tanto cômicas quanto românticas. Mas ela evolui, e faz melhor em A Proposta, que acerta num gênero que está ficando cada vez mais batido, mas ela inova, construindo um filme não só divertido, mas também, original.

A Proposta é um daqueles filmes que saímos dando risada, relembrando as cenas engraçadas e com vontade de conversar com alguém para contar todas as coisas divertidas que ocorreram. Claro, o filme também não acerta em tudo, há cenas patéticas que chegam ao ridículo, mas é simplesmente impossível não dar risada, porque há uma coisa essencial em cena, Sandra Bullock, que mesmo diante do rídiculo, é realmente engraçada, aumentando o nível do filme, tudo fica engraçado com ela em cena, até mesmo as cenas patéticas que poderiam ter dado errado nas mãos de outra atriz.

Veja, mesmo que não curta comédias românticas, veja por Sandra Bullock ou por Ryan Reynolds, ou para dar risadas, mas não deixe de ver. Um filme descomprometido, divertido, não deixa de ser inteligente e muito bem dirigido em determinadas cenas, que aliás, há cenas não tão cômicas que são extremamente bem feitas, graçás, também, aos atores com performances que chamam a atenção, como a cena em que conversam a noite, deitados na cama, e ela conta sobre sua vida, sobre sua infância e no final cantam sua música predileta na juventude, excelente! Não só essa, como várias outras, atores competentes que não só nos divertem mas também nos comovem. Dinamismo, sensibilidade, originalidade e competência dos atores fazem de A Proposta a melhor opção para essas férias, o filme mais completo em cartaz (nos cinemas mais comerciais). Assista!!

NOTA: 9

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cinemateca - 100ª postagem: Especial Batman : Begins & The Dark Knight

No dia 18/07/2009, fez 1 ano que Batman - O Cavaleiro das Trevas estreou nos cinemas de todo o mundo, o maior fenômeno de bilheteria de 2008 e até agora a melhor adaptação de HQ que o cinema pôde oferecer.
Sequência de Batman Begins ( 2005 ) , O Cavaleiro das Trevas não é somente uma adaptação, é uma mistura bem balanceada de filme policial, ação e suspense de melhor qualidade.
Além disso, ainda conta com um dos melhores vilões da história recente do cinema, o insano Coringa, interpretado por Heath Ledger, que foi premiado com o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante em 2009.
Em comemoração ao 1º ano de vida da maravilhosa empreitada de Christopher e Jonathan Nolan e também à 100ª postagem do blog, o Cinemateca apresenta:



Especial Batman : Begins & The Dark Knight

Por Bárbara





Batman Begins ( Batman Begins, 2005 ) :



Gênero: Ação

Duração: 140 min

Origem: EUA

Estúdio: Warner Bros

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: David S. Goyer

Produção: Larry J. Franco, Benjamin Melniker, Charles Roven, Emma Thomas, Cheryl A. Tkach




Um novo começo para a franquia que acabou ridicularizada por Joel Schumacher com "Batman - Eternamente " e com o horroroso "Batman & Robin".O único filme até hoje que contou decentemente a origem do herói, desde o assassinato dos pais quando tinha 10 anos até sua viagem ao redor do mundo para entender a mente dos criminosos e o seu retorno à Gotham City,onde vestido de morcego e com um arsenal bélico e tecnológico, combate o crime.

Dirigido por Christopher Nolan ( Amnésia ) e com o roteiro escrito por David S. Goyer,Batman Begins é um filme digno de aplausos,pois conta a história nos mínimos detalhes,preferindo dar ênfase à origem do herói, ao contrário dos outros 4 filmes da franquia Batman, que preferiram a ação e os vilões que sempre ofuscavam o protagonista.

Desde o trauma e o sentimento de culpa causados pelo assassinato dos pais quando criança,as armas e aparatos tecnológicos que nos filmes de Tim Burton e Joel Schumacher apareciam num passe de mágica, o treinamento e técnicas de lutas, que também apareciam num passe de mágica nos filmes anteriores e até o porquê da fantasia de morcego,tudo tem sua devida explicação e se tornam totalmente críveis.

O longa perde o tom infantil que havia se tornado tão característico às adaptações de quadrinhos e se torna sombrio e melancólico, finalmente com um protagonista à altura.

Quanto ao elenco, nomes consagrados dão espaço aos novos talentos em ascenção e nenhum se sobrepoe ao outro,causando um equilíbrio necessário a franquia,já que nomes como Jack Nicholson e Arnold Schwarzenegger e seus respecetivos vilões roubavam a cena e tinham mais destaque do que o próprio Batman.Os intérpretes de Bruce Wayne nos filmes anteriores não fazem falta alguma, sendo que Christian Bale é o melhor intérprete até agora,transmitindo a raiva,indignação,solidão, melancolia e sede de justiça que tornaram a personagem tão marcante para os fãs de quadrinhos e , posteriormente, para os de cinema também, de forma natural.

Michael Caine passa toda a sua maturidade e sabedoria como o fiel mordomo Alfred, sendo mais do que um tutor, chegando a ser uma figura paterna de Bruce.O humor também fica por conta Alfred com alguns diálogos engraçados entre ele e Bruce,mostrando a dedicação e o afeto dele para com o patrão. Morgan Freeman é Lucius Fox, homem de confiança de Bruce nas Indústrias Wayne e quem fornece todo o material a ele para o combate ao crime, sendo todos eles protótipos de projetos militares.Morgan é sempre Morgan,mesmo como um coadjuvante de luxo,ele consegue ser marcante e sua atuação foi impecável.

Gary Oldman é o único policial que presta em Gotham, o incorruptível James Gordon, o futuro aliado de Batman no combate ao crime.Muito melhor em Begins do que na série Harry Potter, Gary passa toda a fibra moral e honestidade do policial e também sua solidão por ser o único policial honesto da cidade, com extrema competência.
Liam Neeson é o misterioso Henry Ducard ,o mentor de Bruce durante o seu treinamento junto à Liga das Sombras, é outro que dispensa comentários.Extremamente competente, ele oscila entre o bem e o mal,fazendo o espectador ficar em dúvida, se gosta dele ou se o odeia.

Katie Holmes faz o básico como a amiga de infância de Bruce e assistente da Promotoria de Gotham,Rachel Dawes.Também luta pela justiça,mas prefere usar o sistema para conseguir seus objetivos,sendo mais do que a "namoradinha do herói" que corre perigo.Cilliam Murphy é o lunático psiquiatra Jonathan Crane,que usa uma máscara e se autodenomina como Espantalho.Ele se sai bem e equilibria ganância e loucura em uma personagem interessante.
Tom Wilkinson, como o mafioso Carmine Falcone, caiu como uma luva para essa personagem,esbanjando cinismo mas ao mesmo tempo carisma.
Ken Watanabe e Hutger Hauer fazem pequenas participações como Ra's Al Ghul e Richard Earle, respectivamente.

Portanto, Batman Begins foi um ótimo recomeço para a personagem,porém derrapa em alguns momentos tais como o plano arquitetado pelo vilão, de intoxicar Gotham com uma toxina que provoca pânico e deixa a cidade descontrolada,apenas despejando a toxina no sistema de distribuição de água da cidade e usando um emissor de microondas que evapora água.

Eles despejaram a toxina na água, ligaram o emissor e ninguém teve a água evaporada de seus corpos,somente a água dos canos que foi evaporada, dispersando a droga no ar.Mas o ser humano não é feito de cerca de 70% de água?E como ninguém teve o seu corpo evaporado durante o tempo que o emissor ficou ligado?Pois é...
Entretanto, isso não diminui em nada a qualidade do longa,que finalmente retratou com fidelidade e respeito a história do herói mais sombrio dos quadrinhos.Recomendado!!!

Nota : 9



______________________________________________


Batman - O Cavaleiro das Trevas ( The Dark Knight, 2008 ) :


Gênero: Ação


Duração: 152 min


Origem: EUA


Estúdio: Warner Bros.


Direção: Christopher Nolan


Roteiro: Jonathan Nolan


Produção: Charles Roven, Emma Thomas, Christopher Nolan

Depois de um reinício digno para o herói,agora o vemos em ação.
Dois anos depois do surgimento de Batman, os criminosos têm muito o que temer.Batman ( Christian Bale ) plantou esperança na cidade e mais ainda quando ganha um outro aliado no combate ao crime.
Na incessante luta para vencer o crime organizado e devolver paz e tranquilidade à Gotham City,entra no jogo o promotor público Harvey Dent ( Aaron Eckhart ), denominado o Cavaleiro Branco de Gotham.

Assim ele, Batman e Tenente Gordon ( Gary Oldman ) fazem uma verdadeira limpeza na ciadade o que faz com que os mafiosos tomem um aatitude drástica: pagar uma fortuna ao lunático e desconhecido Coringa ( Heath Ledger ) para ele matar o Batman e, dessa forma, tudo voltar ao normal.

Tão louco que mal sabe sua própria história,ele causa terror e caos, para saber a verdadeira identidade do Cavaleiro das Trevas e fazer com que cidadãos de bem passem pela fronteira que separa loucura de sanidade,certo de errado e claro, pôr a cidade contra o Batman,através de violentos atentados e assassinatos do Comissário da Polícia de Gotham, da Juíza que presidiu o julgamento contra os mafiosos e posteriormente o Prefeito de Gotham, mas que não deu certo,devido a dedicação do Tenente Gordon e tinha outros nomes na lista, tais como Harvey Dent e Rachel Dawes,fazendo com que Harvey quase perca o controle.Tudo isso para que Batman se entregue.

Depois de Ra's Al Ghul ter incendiado sua mansão, Bruce Wayne se muda para uma cobertura de luxo no centro de Gotham com direito a heliporto e tudo.Mas o seu centro de operações fica em um armazém que pertence as Indústrias Wayne, onde ele guarda sua armadura e seu carro ( Tumbler ) e onde vigia todos os passos de Harvey Dent,para saber se ele realmente é confiável e também por que ele tem um envolvimento amoroso com Rachel Dawes ( Maggie Gyllenhaal ).

Se dedicando para que Gotham tenha um herói digno e que não se esconda por trás de uma máscara,Bruce acredita que Harvey é o herói que Gotham precisa, por isso o apóia e até faz uma festa para arrecadar fundos,pensando na sua aposentadoria e no dia em que Rachel ficaria com ele.

O longa tem ação de tirar o fôlego em ótimas cenas de perseguição com carrros, com a moto do Batman, que sai de dentro do Tumbler ( Bat Pod ), caminhão e com os carros-forte da Polícia de Gotham, quando Harvey Dent diz que é o Batman, numa cena de ação mais perfeita que eu já vi na minha vida.Com poucos efeitos especiais, para quem possui a Edição Especial de DVD Duplo, é possível ver cada cena de ação em construção passo-a-passo, em extras muito interessantes.


Christopher Nolan e sua equipe fazem quase tudo à mão, com dublês de corpo, pilotos e até conseguem tombar um caminhão e explodir um hospital.
Falando em hospital, outra cena memorável foi o atentado do Coringa contra o Hospital Geral de Gotham.Ele ameaçou explodir esse hospital alegando não querer mais saber a identidade do Batman, já que um funcionário da contabilidade das Indústrias Wayne descobriui que Bruce Wayne é o Batman.Em um primeiro momento,ele tenta chantageá-lo através de Lucius Fox ( Morgan Freeman ),mas ele contorna a situação.Quando o Coringa começa a matar pessoas para descobrir a identidade de Batman, ele decide fazer acabar com tudo isso, então vai à um programa de televisão dizendo que revelaria a verdadeira identidade de Batman.O retardado do Coringa liga para o programa e diz que se ele não morresse em 60 minutos, explodiria um hospital.Como ninguém matou o imbecil, o hospital foi pro saco.

Outro ponto fantástico foi a prisão do Coringa e o plano de Harvey com o Tenente Gordon ( que depois disso virou Comissário ).Fingindo ser Batman para atraí-lo e com o Comissário fingindo estar morto desde o atentado contra o prefeito de Gotham, o palhaço do crime se deixar capturar,para depois executar um plano de fuga fantástico, mas que não contarei aqui para não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme ( coisa bem difícil ).


Para dar um descanso ao espectador, depois de toda essa correria, perseguições e explosões, chega o momento de uma conversinha à sós entre Batman e Coringa,Harvey e Rachel tinham desaparecido depois da prisão dele.Justamente nessa parte, vemos que Heath criou um vilão único em seu sarcasmo e loucura, que rcai na gargalhada de tanto apanhar,fazendo com que Batman e o público percam a paciência.Porém, não deixamos de simpatizar com ele e até sendo engraçado,ele é amedrontador.

A transformação de Harvey Dent em Duas Caras é digna de nota.Definitivamente não foi de uma hora para outra e por um motivo banal, como " Batman Eternamente ", no qual Tommy Lee Jones paga um King Kong com aquelas roupas e maquiagem ridículas em uma personagem extravagante e que não condiz com o Harvey dos quadrinhos.O Duas Caras de The Dark Knight é uma personagem trágica, que teve sua vida mudada pela falta de caráter de várias pessoas que na verdade,deveriam estar do seu lado e pela omissão de uma pessoa em especial.Além de ter parte do rosto desfigurado, sofre uma perda irreparável,que faz com que ele perca o controle permanentemente,jogando tudo pro alto em prol de sua vingança.

A perda de Harvey também foi significativa para Bruce,que fica atordoado e em dúvida se deve seguir como Batman em uma crise existencial de dar dó.Christian passa essa melancolia muito bem,diga -se de passagem,assim como Harvey "passa para o lado" de Coringa.Toda aquela raiva,indignação e dor é transmitida com maestria por Aaron Eckhart,que faz um belo trabalho neste filme, sendo um dos destaques.O jeito que Harvey fica,totalmente transtornado,pelo menos em mim, me deu vontade de ir lá e ajudá-lo na sua vingança.
Um dos melhores momentos foi quando Coringa provocou uma fuga em massa e todos os cidadãos de Gotham tentam fugir,porém ele proíbe as pessoas de fugirem pelas estradas,fazendo com elas se agrupem em duas barcas,uma com civis "meigos" - segundo ele- e outra com os piores criminosos da cidade,cada barca com um detonador do explosivo que está na outra,à meia-noite,uma delas deveria explodir ou então,ele explodiria as duas.Simplesmente fantástico!

Mas,chega de falar do filme, senão eu ficaria aqui pelo resto dos meus dias, tamanha qualidade do filme e de cenas memoráveis e diálogos inteligentes.Começando a falar sobre o elenco,serei redundante ao elogiar Heath Ledger e seu Coringa totalmente louco.Cada gesto, o modo de falar, de andar, o olhar ameaçador e o humor negro da personagem envolve o espectador e impressiona,tamanha a naturalidade.Coringa é doido sim,mas jamais caricatural, como Jack Nicholson em Batman ( 1989 ).Adoro o Nicholson, mas convenhamos, o Coringa é o Heath Ledger e não há outro que o faça como ele fez.



Aaron Eckhart também é digno de muitos elogios.Toda revolta e amargura pelo o que foi feito a Harvey foi passado com uma intensidade incrível e se no lugar dele tivesse sido um ator não muito competente,comprometeria um pouco o resultado final.Michael Caine volta como o mordomo Alfred,com mais tempo em cena e também mais importante,se transformando no pai que Bruce Wayne precisa, ajudando, consolando, dando força e principalmente dando várias broncas, tal como um pai de verdade deve ser.Morgan Freeman também retorna como Lucius Fox, a voz da razão e da ética de Bruce Wayne,esbanjando humor e carisma cada vez que aparece.Cilliam Murphy volta em uma pequena participação,apenas para fechar o arco narrativo de sua personagem aberto em Batman Begins.Eric Roberts,como o mafioso Salvatore Maroni,participa de cenas impagáveis com todo o seu cinismo ( prefiro ele à Julia Roberts, sua irmã ).Gary Oldman volta como Tenente e depois Comissário James Gordon,melhor do que em Batman Begins,mostrando todo o arrependimento e sentimento de culpa por não ter agido contra a corrupção que o cercava,que trouxe consequências terríveis,além da solidão por ser o único policial decente em Gotham.

Substituindo Katie Holmes, Maggie Gyllenhaal interpreta Rachel Dawes.Apesar de ser mais talentosa do que a atriz anterior,eu não gostei da mudança.Katie fazia de Rachel uma personagem feminina forte e decidida, porém muito humilde e simpática, e principalmente altruísta e apaixonada por Bruce.
Maggie,como disse, apesar do seu talento,na minha opinião transformou Rachel numa mulher fria,chata,desprovida de carisma ( e de beleza também ) e com um ego do tamanho de um bonde.
Christian Bale, como o protagonista , tem uma melhora significativa de um filme para o outro.Mais maduro,balanceando melhor sua transição de Batman para Bruce e vice-versa ( inclusive na voz - grave em excesso em Begins,perfeita neste ) e ótimo interpretando um playboy cafajeste que chega de helicóptero na sua cobertura e rodeado de mulheres sempre,esbajando charme e tem uma química muito contagiante com Michael e Morgan,rendendo alguns momentos de humor e descontração.
Encantador,tanto como playboy falso quanto um herói amargurado e cansado de ter sangue nas mãos, como ele mesmo diz.Ele constrói um herói humano,passível de erros e que não respeita seus próprios limites em prol do bem maior,carregando toda a culpa pelo que o Coringa faz à cidade.
Christopher Nolan e toda a equipe fazem um trabalho simplesmente impecável e melhor,sem abusar de efeitos visuais.Indicado a 8 Oscar, 7 deles em categorias técnicas,sendo elas: Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Maquiagem,Melhor Montagem, Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia e a indicação póstuma para Heath Ledger como Melhor Ator Coadjuvante.Venceu somente duas: Melhor Edição de Som e Melhor Ator Coadjuvante.Uma pena que não foi indicado por Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora,pois ambos os trabalhos são fantásticos!!!!Tanto Christopher melhorou na direção como Hans Zimmer e James Newton Howard,que modificaram o tema presente em Batman Begins e o transformaram em uma das mais belas trilhas sonoras que eu já ouvi.A Academia fez média de novo!Um dos melhores filmes da história do cinema.Recomendadíssimo !!!
Nota : 10

domingo, 19 de julho de 2009

Crítica: O Som do Coração (August Rush, 2007)


Simples e encantador, este é O Som do Coração. Filme que conta com um elenco interessante, mas falha no roteiro e se sustenta nas belas cenas e nas belas canções que embalam uma trama fraca, porém de carisma incontestável.


por Fernando

O filme nos mostra a saga de August Rush (Freddie Highmore), um garoto que foge do orfanato para reencontrar sua família, e encontra na música o caminho para achá-los. Ele sabia, aliás, ele sentia, que eles ainda estavam vivos, acreditava que havia um propósito maior para ele estar onde estava, acreditava no amor acima de tudo e sentia que não havia sido abandonado, mas que simplesmente o destino o separou daqueles que o amam de verdade, num mundo onde todos diziam para ele desistir, num mundo guiado pela falta de esperança.

E August Rush tinha razão. Algo no passado aconteceu e precisa ser concertado. Lyla (Keri Russel) é uma jovem que ama música, pratica em seu violoncelo, as mais belas músicas clássicas, seu destino era certo, a música, somente a música. Até que ela conhece Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers), um cantor de rock, com uma banda buscando ser reconhecida. Lyla e Louis se apaixonam de imediato, dois jovens que tinham a música em comum e decidem compartilhar entre si, o amor que um sente pelo outro. No entanto, o relacionamente que parecia perfeito toma caminhos inesperados, Lyla engravida precocemente, para espanto de seu pai que tanto a incentivava e a apoiava na música. Ele a impede de viver com Louis, e num momento de desespero, ela acaba sofrendo um acidente e recebe a notícia de seu próprio pai de que seu filho que nem havia nascido, estava morto.

Lyla, a partir de então, sofre, não tem mais notícias de Louis que desaparece. Ele, por sua vez, sofre por saber que precisam ficar separados, que cada um precisa seguir seu próprio caminho. Ele tenta seguir com sua carreira de cantor, mas seu passado revive em sua mente constantemente, abandona sua carreira e segue outro rumo. E alguns anos depois, ambos, cada um em seu canto, tantam, através da música se reerguerem de alguma forma, esquecendo o passado e tentando viver novamente sob a força que a música tem sobre eles.

August acaba conhecendo nas ruas, Wizard (Robin Williams), um homem que explora crianças para ganhar dinheiro fácil, ele lhes dá abrigo e comida em troca de dinheiro, ao estilo Oliver Twist, e Rush decide ficar com ele, pois vê nele, um amigo, de início, principalmente quando descobre que August sabe tocar violão maravilhosamente bem, isso, claro, depois de alguns breves treinos, mas ele surpreende a todos por aprender tão facilmente e encanta todos ao seu redor, sua facilidade com a música e paixão que ele exprime por tocá-las. Wizard vê no garoto a grande chance de sua vida e aposta tudo nele, o leva nas ruas e faz ele tocar para o público, e juntos começam a ganhar dinheiro. August Rush sabia que a música o levaria até seus pais, os sons emitidos pelo violão fariam com que fosse ouvido por eles e os traria de volta. Mas Wizard não pensa em seus sonhos, só pensa no dinheiro.

No entanto, o garoto prodígio, acaba seguindo um caminho diferente do que Wizard havia proposto, vai para uma igreja onde encontra pessoas cantando, lá ele revela seu grande talento e é onde é descoberto, e todos começam a ajudá-lo, logo que percebem de que se trata de um jovem muito talentoso, ele vai para uma escola superior de música, onde estuda com pessoas bem mais velhas, mas August era especial, isto fica claro, principalmente quando fica encarregado de comandar uma orquestra toda. Pronto, a música o guiou ao topo, e ele acaba se deparando no maior concurso de música. Enquanto isso, Lyla descobre que seu filho não morreu no acidente e ela começa a fazer de tudo para encontrá-lo, e utiliza da música o instrumento para tal objetivo, e se inscreve no maior concurso de música de Nova York.

Pronto, não preciso dizer o que vai ocorrer no final. E este, com certeza, é um grande defeito do filme, ser previsível. Assistimos ao longa, por satisfação própria, não por curiosidade de chegar até o fim, pois desde cedo, já sabemos o que irá acontecer, não exatemente como vai acontecer, mas o destino das personagens é claro desde o princípio. Não havendo surpresas nenhuma para o final, o longa se enfraquece, mas felizmente não cansa o público e nem perde o grande estilo.

O final é simples demais, estando aí o pior defeito do longa. Claro que o final é sempre muito importante, mas o Som do Coração é tão belo, que quando acaba sentimos falta de um final mais intenso e emocionante, assim, como foi o longa inteiro, mas não decepciona por inteiro, logo que vale a pena chegar até o final, assistir a cada cena que nos levou ao último minuto. Pois apesar de muito simples, é encantador, envolve o público facilmente na história desse jovem talento, August Rush, que belíssimamente interpretado por Freddie Highmore, que parece sentir cada palavra que fala, um dos melhores atores de sua idade, perfeito para o papel. Nos encantamos facilmente por sua jornada, e torcemos, por mais que óbvio, para sua felicidade.

Keri Russel, surpreende. E prova nesse filme que entra na lista dos bons atores e atrizes do cinema atual que saíram de séries de TV, em seu caso, Felicity. Ela é adorável, faz de Lyla uma parsonagem inspiradora e emociona o público em sua busca por seu filho. Jonathan Rhys Meyers, sempre ótimo, mas parece que nesse filme ele se identifica bastante, por ter espaço para colocar sua bela voz na maioria das canções do longa, tem uma atuação cativante, mas suas músicas se superam, belas, emocionantes, e entram em cana em momentos importantes no filme. Robin Williams, sempre o mesmo, sempre ótimo, mas sempre o mesmo. Também temos a participação de Terrence Howard, que tem uma atuação eficiente.

Como já foi dito, as músicas são ótimas, e são nelas que o filme se sustenta. Para ser sincero, vale a pena ver o filme, só pelas músicas, mas felizmente o filme tem conteúdo a mais para ser mostrado além das belas canções. Aliás, O Som do Coração marcou sua presença no Oscar este ano, com sua indicação de Melhor Canção original, por Raise It Up, ótima música que toca no momento em que August Rush chega na igreja, onde é descoberto. Bela letra, bela melodia.

A direção de Kirsten Sheridan é boa, faz um singelo e delicado filme, sobre amor e música, traçando a trajetória de grandes personagens, mas é simples demais seu trabalho, fazendo de O Som do Coração, um filme pequeno, de grande encanto e que trás coisas boas para o público, mas não se expande, é limitado, é coeso, breve. É um filme linear, tem seus bons momentos, mas nada que arranque lágrimas de espectador.

É belo, simples, delicado, sutil, mas tem sua eficiência. Existem pensamentos bem intensionados nele, é um filme inocente que não faz mal a ninguém, muito pelo contrário, só trás sentimentos bons e positivos, vale a pena acompanhar essa trajetória, ninguém vai passar a ver o mundo de maneira diferente, nem vai mudar a opinião de ninguém sobre qualquer coisa, mas por alguns minutos, se prenda ao filme, e sentirá apenas coisas boas, aliás um pouco de amor, esperança e música não faz mal a ninguém. Um filme contra indicações.

NOTA: 7

sábado, 11 de julho de 2009

Especial Watchmen - Parte 13/13

Especial Watchmen


Crítica: Watchmen - O Filme



Por Bárbara


Depois de 20 longos anos, foi a vez de Watchmen ganhar sua adaptação cinematográfica.Dirigido por Zack Snyder, que também dirigiu 300, outra adaptação de quadrinhos, é o típico caso de "ame ou odeie".Para a maioria dos fãs, foi uma boa adaptação.Mas para quem sequer havia lido uma página da história de Alan Moore ilustrada por Dave Gibbons, o longa não passa de um filminho de ação que falhou em seu propósito: divertir e entreter.


Considerada a melhor obra de histórias em quadrinhos do mundo e presente na lista das 100 maiores obras literárias,até que demorou muito para que Watchmen ganhasse sua adaptação cinematográfica.Para ser exata,foram 20 longos anos para os milhares de fãs dessa obra fantástica.Criar uma história de super-heróis não é uma tarefa tão difícil de realizar.Basta criar uma história e por os estereótipos que fazem parte desse universo.O herói bonzinho, altruísta e idealista.A namorada que nem suspeita da sua outra identidade ou o interesse amoroso que o herói insiste em mantê-la longe de si para que não prejudique a vida dela.Os parentes velhinhos que precisam de ajuda para se sustentarem.A população carente de alguém que os proteja incondicionalmente.Vários e vários outros estereótipos mais.Ah, e não podia faltar o típico vilão:ou ele sofreu um acidente que o desfigurou e quer se vingar da sociedade por isso,ou perdeu as pessoas que amava e enlouqueceu ou é um bandido mau mesmo.




É disso que Watchmen se desfaz desde o seu início.Aqui não há altruísmo.Nem heróis totalmente bonzinhos que só se fantasiaram para conbater o crime e proteger os cidadãos inocentes.Muitos deles fizeram por puro sadismo,por dinheiro e fama ou por não terem mais nada de interessante para fazer.Aqui não tem um órfão que busca fazer justiça com as próprias mãos, e que gasta sua fortuna para tal, ou um alienígena que foi enviado à Terra antes da destruição de seu planeta natal ,e que foi criado por um casal de fazendeiros bonzinhos que ensinaram ao filho adotivo valores éticos e morais, e depois de bem-criado foi ser jornalista e um super-homem nas horas em que a cidade precisasse dele.

Em Watchmen há um homem sádico, amoral ,que matou uma mulher grávida de um filho dele mesmo e tentou estuprar outra.Ele é o protetor da sociedade, ele é um dos heróis.

Outro herói tenta seguir os passos de Alexandre, o Grande e faz um enorme sacrifício para instaurar a paz na Terra, e que lucra com a venda de bonecos baseados nos seus colegas e inimigos do passado.

Ah, tem outra que não se importa com os outros, mas que se tornou uma heroína por que a mãe era no passado e a treinou desde pequena para continuar seu legado.Ela detesta,mas vai por que a mãe quer.

E como não podia faltar alguém com super poderes, há também o cientista que por causa de um acidente,se transforma num semi-deus,que tem poderes sobre a matéria, espaço e tempo.E que esqueceu que a humanidade tem seu valor, apesar de tudo, e que não se importa com o planeta Terra.



Justamente por causa dessa desconstrução dos típicos heróis de quadrinhos,adaptar Watchmen não foi uma tarefa fácil.O que funciona em uma mídia talvez não funcione em outra totalmente diferente.E é isso que também ocorre em adaptações literárias.O público das mídias são totalmente diferentes e os estúdios, que não são nem um pouco bestas,sabem o que a grande massa procura quando vai ao cinema.

E é por isso que Watchmen demorou para ganhar sua adaptação.Além do problema referente aos elementos que funcionaram numa HQ também funcionar em tela grande, ainda houve a saída e entrada de vários diretores e roteiristas diferentes, como Darren Aronofsky e Paul Greengrass, atualizando, modificando e consequentemente engavetando o projeto por falta de investimentos por parte do estúdio,que não estava nem um pouco satisfeito com os resultados.



Depois de um certo Zack Snyder ter obtido sucesso em sua empreitada na adaptação de outra HQ, Os 300 de Esparta, de Frank Miller, finalmente houve uma luz no fim do túnel para Watchmen.Retomaram o projeto, Snyder na direção, David Hayter e Alex Tse como roteiristas.Porém, a adaptação esbarra em outro obstáculo: o elenco.Nomes consagrados do cinema foram sondados, como Denzel Washington, Tom Cruise e Jude Law.No entanto,atores praticamente desconhecidos ficaram com os papéis.Para completar,pouco antes da estreia do filme, teve um problema com os direitos de exibição do longa, lucros com a bilheteria e com produtos relacionados à marca, entre a 20th Century Fox e a Warner.Sem falar no pai da criatura, Alan Moore, que não quis ser creditado e deixou que somente Dave Gibbons fosse creditado, como co-criador da HQ.Assim, em 06/03/2009, Watchmen estreou nos cinemas.



Depois dessa "retrospectiva", finalmente começo a falar do filme propriamente dito.

Watchmen - O Filme, tem duas faces.A primeira é uma adaptação tão fiel a sua fonte, e feita com tanto carinho de um fã para outros fãs da HQ, que não tem como admirar a obra.Tudo é feito com um cuidado, com um zelo e seria injustiça falar que o filme não foi bem feito.Para quem é fã ou está familiarizado com a história, o longa é tão fiel que não só há referências dos quadrinhos no filme, ele é os quadrinhos.Os mínimos detalhes, as cenas e até os diálogos estão lá como estavam na HQ.Para os fãs, foi um adaptação digna de aplausos, mesmo que algumas coisas tiveram que ser omitidas por causa da duração do filme, que tem quase 3 horas.


A segunda face é de um projeto que ignorou quase que totalmente o restante do público.Pessoas que nunca tiveram contato com a HQ e que foram ao cinema buscando um filme interessante se decepcionaram com o ritmo arrastado do longa em determinados momentos, com monólogos que pareciam não ter mais fim e com personagens que apareciam e desapareciam do nada.
Portanto, Watchmen é uma bela adaptação.Mas como obra cinematográfica, ele falha em muitos aspectos, entre eles, o descaso com os "não-fãs" da obra original.



Mas, falando como uma nova fã,mesmo não ter conseguido ler todos os 12 capítulos, fui ao cinema e não me decepcionei em momento algum.Pra mim, funcionou como adaptação e como cinema.Tudo se encaixou perfeitamente, o elenco, o roteiro ( que modificou pouca coisa, mas que foi essencial ), a direção, o figurino, a trilha sonora, ou seja, o conjunto me encantou.Personagens humanos, somente humanos com seus defeitos e qualidades, envolvidos numa conspiração que poderia ter como consequências um holocausto nuclear e com um possível assassino à solta me envolveram totalmente, que nem vi as 2:41 de duração.

A história se passa numa realidade alternativa em 1985.No auge da Guerra Fria, o presidente Nixon altera a constituição e consegue se candidatar a um terceiro mandato e se elege.O mundo vive sob a ameaça da Terceira Guerra Mundial. Nova York está num verdadeiro caos, depois que baniu os vigilantes, que eram uma parcela ativa da sociedade,através da Lei Keene, em 1977.Neste contexto, acontece o assasinato de Edward Morgan Blake, um antigo vigilante,chamado de Comediante, que trabalhava para o governo.
Um vigilante clandestino chamado Rorschach decide investigar o motivo do assassinato.Quando descobre que o falecido também era um vigilante, ele acha que um assassino de mascarados está à solta.Então, decide avisar seus antigos colegas de vigilância, os Watchmen ( nome usado somente no filme ): Laurie Juspeczyk ( Espectral II ), Dan Dreiberg ( Coruja II) e Jon Osterman ( Dr. Manhattan ) sobre esse possível perigo.
Ele fica mais evidente depois de um atentado contra um outro "Watchmen", Adrian Veidt ( Ozymandias ) no seu escritório e quando o Dr.Manhattan é acusado de causar câncer às pessoas próximas dele.,causando o seu exílio em Marte.A partir daí, Rorschach,Coruja II e Espectral II terão que voltar à ativa para descobrirem o que ou quem está por trás dessa conspiração.
Um dos méritos do filme é o seu prólogo impecável, que mostra o assassinato de Edward Blake e que em seguida, nos créditos iniciais , conta a história de uma geração de vigilantes anterior à dos "Watchmen " , os Minutemen.Com a canção de Bob Dylan "The Times They Are A-Changing" ao fundo, sabemos do destino dos vigilantes dos anos 40, como Coruja I , que depois de se aposentar escreveu um livro narrando suas aventuras,Silhouette , que foi assassinada por ser lésbica, junto com a sua namorada,o Homem-Mariposa, que enlouqueceu e foi internado em um hospício no Maine e Sally Júpiter, a Espectral I, que casou com o seu agente e teve uma filha,Laurie, que fez questão de treiná-la para seguir os seus passos.

Outro ponto de destaque é o figurino, que remete totalmente às ilustrações de Gibbons, quase todos iguais aos quadrinhos, falhando apenas no uniforme de Ozymandias, que mais parece o uniforme do Robin nos dois filmes do Batman dirigidos por Joel Schumacher, com direito à mamilos e tudo !!!
A trilha sonora tem seus altos e baixos, sendo os altos as músicas de Bob Dylan ( uma interpretada por My Chemical Romance que tocou nos créditos finais e eu particularmente achei bem legal )Billie Holiday, Paul Simon & Garfunkel ( com The Sound of Silence , no enterro do Comediante ) e Leonard Cohen, com Hallelujah, ironizando uma cena em particular, o que eu achei bastante inteligente da parte de Snyder,apesar das várias críticas negativas que essa cena teve por conta disso.
Os baixos são as músicas instrumentais, que quebram o clima de vez em quando, deixando o filme monótono ás vezes.
O roteiro, apesar de ser inconsistente em alguns momentos,foi bem escrito por David Hayter e Alex Tse, que conseguiram a proeza de compactar 12 capítulos da HQ em um roteiro que manteve o tronco principal da trama, que é a conspiração por trás da morte do Comediante.
O roteiro também conseguiu manter a essência das personagens, principalmente a paranóia e a sociopatia de Rorschach, a personagem mais complexa da história e magistralmente interpretada por Jackie Earle Haley.Outro que também merece destaque é Edward Blake, o Comediante.Seu sadismo, sarcasmo e cinismo são tão bem transpostos para a tela que dificilmente não sentiremos raiva dele, mas ao mesmo tempo gostamos de sua presença.
Referente ao elenco, foi até bom que atores pouco conhecidos tenham encarnado as personagens, para dar mais veracidade ao longa.Imaginem se, no lugar de Billy Crudup,Denzel Washington fosse o Dr.Manhattan??Ficaria estranho,seria como o Alonzo Harris de Dia de Treinamento, só que todo azul.
E mesmo sendo pouco conhecidos, todos deram conta do recado.Jeffrey Dean Morgan e o já citado Jackie Earle Haley deram um show de interpretação nos seus respcetivos papéis, duas pessoas com condutas morais suspeitas e com um passado violento,mas no fim, são as únicas que morrem por seus ideais.
Matthew Goode como Ozymandias/Veidt também se saiu muito bem, tanto na aparência física, mesmo que não lembre tanto o Veidt dos quadrinhos,que era muito mais musculosoquanto na interpretação, que transmitiu o jeito refinado do vigilante e a sua paixão por um mundo em paz.
Patrick Wilson caiu como uma luva para Dreiberg, o sujeito quarentão, pacato e gentil,mas que se sente acuado pela ameaça da Terceira Guerra e por ter vontade de vestir o seu uniforme mais uma vez.
Malin Akerman até que tem química com seus colegas, Patrick,Billy e com Carla Gugino, que interpreta sua mãe, contudo nas cenas com mais carga dramática,como a cena de Marte, que ela descobre fatos importantes da sua vida, ela não segura a onda, resultando numa interpretação fraca.
Billy Crudup, como Jon Osterman antes do acidente, tem pouco tempo em cena para mostrar o seu talento,comprovado em Quase Famosos, porém ele consegue passar a personalidade vaga e distante da humanidade de Jon quando ele se transforma no Dr.Manhattan, sempre mantendo a voz calma.
Stephen McHattie(Hollis Mason) e Carla Gugino( Sally Júpiter), como os vigilantes mascarados dos anos 40 são fundamentais à história, pois dão um tom de paternidade em algumas cenas, como os dois Corujas,Dreiberg e Hollis Mason conversando na oficina,mantendo uma amizade como a de um pai com seu filho e acontece a mesma coisa com Malin e Carla.Até brigando as duas se amam e isso é refletido na interpretação das duas.Carla também capricha no tom cômico que Sally possui..Pena que ambos tem pouco tempo em cena.
Todavia, como tudo que é bom dura pouco,Watchmen também derrapa em alguns momentos.
O ritmo do filme não é constante, sendo bastante monótono algumas vezes, embasado somente nos diálogos das personagens, principalmente para a pessoa que não conhece a história, e que não vê a hora de aquilo acabar.Como exemplo, tem a já citada cena de Marte, nos instantes finais, que o diálogo entre Laurie e Jon parece interminável,realmente muito parado e que perde a atenção do espectador que queria ver mais ação.
Um ponto bastante comentado entre os fãs foi a mudança do final, que ficou bem mais coerente, dando mais credibilidade à trama.
Em suma,somando prós e contras, Watchmen como já disse, é uma ótima adaptação, para quem não gosta de ler e prefere assistir o filme para conhecer a obra original, mas como cinema é um filme mediano que impressiona com as ótimas cenas de ação e que em contra-partida,entedia o público com cenas arrastadas nos momentos errados e ignora os leigos no universo complexo escrito por Alan Moore.De qualquer modo, é satisfatório.
Nota:8

Outras notícias