segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crítica : Jogo de Cena

Atendendo a um anúncio de jornal, 83 mulheres contaram sua história de vida em um estúdio.
23 delas foram selecionadas, em junho de 2006, sendo filmadas no teatro Glauce Rocha.
Em setembro do mesmo ano, várias atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas por essas mulheres.



Por Bárbara




Um documentário com pitadas de "atuação", Jogo de Cena, é uma ótima produção do cinema brasileiro recente, tão envolto em projetos com o padrão Globo Filmes de ( duvidosa ) qualidade. Depois de selecionar 23 mulheres e de tê-las ouvido narrar acontecimentos importantes de suas vidas, Eduardo Coutinho, um renomado documentarista brasileiro, passou a bola para um time de grandes atrizes, tais como Marília Pêra, Fernanda Torres e Andréa Beltrão, para interpretar essas histórias.
Realmente a produção revela um interessante jogo de cena, tal qual o nome dado a ela, pois há momentos em que não se sabe o que é real ou o que é meramente interpretação das atrizes, principalmente quando entra em cena as atrizes menos ( ou não ) conhecidas do grande público.
Além disso, houve relatos muitos interessantes feitos por Fernanda Torres e Andréa Beltrão, que ainda não sei se fazem parte dos relatos ou se foram experiências de vida das atrizes.

Mas o que toma conta mesmo é a emoção.Muitos dos relatos são de fazer até os mais insensíveis se emocionarem..como por exemplo a história de uma jovem que perdeu o seu segundo filho pouco depois do nascimento, e por ser espírita, acredita que ele virou um anjo que lhe protege.Ela sente a presença do filho e isso a reconfortou e a fez se conformar e até achar melhor tê-lo perdido, do que criá-lo com limitações e dificuldades financeiras, já que o pai da criança terminou o relacionamento com ela pouco depois do ocorrido, poupando-o do sofrimento que isto causaria, tanto a ela quanto ao filho.O mais impressionanete é que ela fala com uma calma e com uma serenidade, mas nota-se o quanto ela sofre por reviver essa dor.
Andréa Beltrão foi a atriz que interpretou essa história.Foi muito difícil ( mas eu consegui - hehehe ) conter as lágrimas quando ela começou a falar,pois até ela não conteve o choro.Bastante emocionada, Andréa, que é atéia, fala que se emocionou com a história justamente por que a jovem tem a fé de que o filho ainda está com ela, mas para Andréa, morreu acabou...
Outra história comovente foi a de uma senhora, muito extrovertida e engraçada, mas que chora toda vez que assiste Procurando Nemo.O quê??Como assim??


Pois é, eu também me fiz essa pergunta..por que ela chora assistindo um filme tão 'pra cima' quanto Procurando Nemo???Depois ela acaba revelando que por causa da relação pai-filho abordada pela animação através do peixinho Nemo e seu pai Marlin, ela lembra de sua filha, e de sua pouca relação com ela, já que as duas moram muito longe uma da outra e o passado delas não é dos melhores.Marília Pêra interpreta essa história, mas não chega a ser tão comovente quanto a senhora, porém revela um dos métodos usados pelos atores para que consigam chorar em abundância: cristal japonês.

Mas o relato que quebrou as pernas mesmo, tanto na ficção quanto na realidae, foi de uma senhora que perdeu o filho, que reagiu a um assalto.Enquanto ela falava que, depois de 20 e tantos anos de casamento simplesmente foi abandonada pelo marido ( que queria curtir a vida ) e ficou só com os dois filhos, nada demais.Entretanto, quando ela começa a contar da felicidade que sentia quando estava com eles, que até esqueceu o ex-marido e que depois o filho acaba morrendo depois que reage a um assalto, ela não consegue se conter ( tanto a atriz quanto a senhora 'real').
Até hoje nunca vi uma frase tão marcante quanto a que ela falou no fim do depoimento, enquanto contava sobre o sonho que teve com o filho depois da morte dele,e quando pedia para Deus ressuscitá-lo.
"Deus foi injusto comigo, ele tirou o meu filho de mim.Tá me recompensando agora com a minha filha , mas ele foi injusto comigo", alguma coisa assim...ultimamente a minha memória não está lá essas coisas...então não me lembro beeemm como era, mas quebrou as minhas pernas...
Porém, nem tudo são lágrimas.Como citei anteriormente, Andréa e Fernanda relataram histórias comoventes, mas também engraçadas e o clima ficou mais alegre.O bacana disso tudo é que não se sabe se essas histórias faziam parte do conjunto ou se são experiências de vida delas próprias.

Fernanda contou uma ida a um terreiro de candomblé, de uma forma bem divertida e Andréa, de uma babá muito querida por toda a família.Outra história divertida é de uma mineira que veio morar em São Paulo em busca de uma vida melhor e acaba , logo nos primeiros dias morando em São Paulo, se envolvendo com um funcionário do terminal de ônibus e ainda po cima, ficando grávida dele e nunca mais o viu.Super legal também....

Bom, o que eu escreveria para encerrar esse post é que vão atrás dessa obra linda ( e rara ) no cinema nacional e se surpreendam...eu não vou comentar mais nada senão acaba com a graça de se assistir esse filme.No mais, digo: eu recomendo!
Nota:10

sábado, 17 de abril de 2010

Crítica: O Mensageiro (The Messenger, 2009)


Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Ator Coadjuvante para Woody Harrelson, que fora também indicado no Globo de Ouro e vencera na mesma categoria no Independent Spirit Award, o Oscar dos filmes independentes. Com tantos prêmios na estante, o filme passa a impressão de ser maravilhoso e acaba criando expectativas exageradas nos cinéfilos como eu...mas no final, é pura decepção.


por Fernando Labanca

Na história, o sargento Will Montgomery (Ben Foster) acaba de ser nomeado para uma inusitada missão, fazer parte de um setor do exército norte-americano chamado "Mensageiro". Ele passa a trabalhar ao lado do veterano na missão, o capitão Tony Stone (Woody Harrelson), e sua função é simplesmente ir na casa das pessoas e avisar que um dos integrantes da família está morto. Uma terefa difícil, mas necessária.

Will vai aos poucos aprendendo a lidar com isso, ser o mais profissional possível e não se deixar se envolver com as emoções dos outros. Entretanto não se envolver com os outros é fácil para ele, logo que nunca conseguiu se prender a alguém, no entanto, mantém um caso com Kelly (Jena Malone), algo sem compromisso, sem planos, o que faz com que a moça se afaste e se envolva com outro rapaz, e ele mal se importa. Até que a forma como ele lida com seus próprios sentimentos começa a mudar quando ele avisa a morte de um soldado para sua respectiva esposa, Olivia (Samantha Morton), e ela reage de uma forma diferente de todas as outras famílias, com calma e ainda agradece a coragem e atitude dos dois em informá-la. Will fica curioso com este caso e duvida que ela já esteja em outro relacionamento e começa a "persegui-la", os dois fazem amizade fácil e ele passa a se envolver com ela. Porém, essa atitude vai contra as ideologias de trabalho de Tony, mas depois de algumas conversas sinceras, os dois acabam se entendendo, e nesta forte e intensa missão, acaba nascendo uma amizade, e um passa a apoiar o outro nos momentos mais difíceis.


Primeiro trabalho como diretor, Oren Moverman, que também assina o roteiro, que aliás, através desse roteiro um tanto quanto inteligente, acreditei que fosse possível fazer um filme interessante. Mas infelizmente O Mensageiro escorrega legal, se tornando um drama extremamente cansativo, chato, um filme monótono que nada acontece. Além de cair no clichê várias vezes com diálogos sobre guerra e perdas, nada criativo, frases que ouvimos em qualquer documentário sobre guerra. A participação do veterano Steve Buscemi marca muito bem isso, com uma boa atuação, sua personagem é uma péssima combinação de todos os clichês baratos que vimos com tanta frequência, frases como..."Está vendo aquela árvore? Ela tem a idade do meu filho, ela está viva e ele não"...falá sério!!!



Woody Harrelson é um ótimo ator, isso é inegável, mas sua indicação ao Oscar, na minha opinião, foi algo como "respeitamos sua carreira", logo que em sua personagem não vemos nada além do que ele já havia feito antes, inclusive em Zumbilândia, por incrível que pareça, as personagens são muito parecidas!! Ben Foster chamou a atenção da crítica desde sua participação em Alpha Dog (2007), e desde então eu me questiono se eu não consigo ver o que esses críticos vêem, acredito muito em seu potêncial, mas inclusive neste filme, sua atuação não me agrada nem um pouco. Jena Malone, ótima atriz, pouquíssima aproveitada no roteiro, uma pena. Samantha Morton fica com o destaque do filme, a única coisa boa que acontece nele, uma atriz surpreendente, capaz de se transformar em qualquer coisa, uma atuação simples, mas adorável.


A trilha sonora é questionável, colocam um rock pesado, talvez para dar mais intensidade na trama, mas não convence em nenhuma cena, muito pelo contrário, parece entrar sempre em hora indevida.

O Mensageiro acaba e esquecemos dele no segundo seguinte, temos a impressão de termos perdido nosso precioso tempo em algo que não disse nada, tentou dizer, mas com as palavras erradas. Um filme fraco, sem emoção, vazio, e o pior de tudo, sem um final, somos enrolados durante intermináveis duas horas e não vemos um mero final decente! Quer um filme que explore muito melhor o lado humano em plena guerra? Assista Guerra ao Terror! Conclusão: dinheiro jogado fora!

NOTA: 3

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Crítica: Preciosa - Uma História de Esperança (Precious, 2009)


Vencedor do Oscar 2010 de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante para Mo'Nique. Preciosa surpreende pela ousadia numa história forte e extremamente chocante, com bom humor e atuações memoráveis.


por Fernando Labanca

Baseado na obra de Sapphire, o filme, dirigido por Lee Daniels que fora indicado a Melhor Diretor, nos mostra a trajetória de Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe), uma jovem que sonha em ser uma celebridade, com pessoas gritando seu nome e querendo ser como ela, em ter um namorado bonito e ser admirada por todos, porém, sua realidade é bem diferente. Preciosa tem 16 anos, negra, acima do peso, nunca namorou pois sente que ninguém é capaz de amá-la, é analfabeta, praticamente não fala, tem vergonha de si mesma, e para piorar é humilhada dentro de casa, maltratada por sua mãe e abusada sexualmente por seu pai, com quem tem uma filha com "síndrome de Down". É quando fica grávida de seu segundo filho que as coisas começam a seguir outro rumo.

Preciosa é suspensa da escola por estar novamente grávida e também pelo fato de nunca ter se comprometido com seus estudos. Ela é indicada para uma escola alternativa, para jovens que não se formaram e estão correndo atrás do prejuízo. Ela, de início, não leva a sério e age como agia na outra escola. Sua mãe (Mo'Nique), passa a humilhá-la mais ainda por tanto desgosto, principalmente pelo fato de Preciosa receber uma remuneração do governo e está prestes a perdê-la e para conquistar o direito de ter essa ajuda financeira, Preciosa passa a se encontrar com uma psicóloga (Mariah Carey), para eles entenderem o que se passa na vida da jovem e a quem estão tentando ajudar, mas ela, mais uma vez, não se abre.


Até que na escola, a professora, a sra. Rain (Paula Patton), passa a dar um sentido em sua vida. E em suas aulas, por mais simples que sejam, começam a provar à Preciosa que todos tem seu valor, inclusive ela, que ela pode ter um talento, um dom, que pode amar e ser amada e começa a perceber que sua vida ainda pode ter uma chance.

Um filme poderoso. Um roteiro audacioso e chocante, preferi não comentar todos os detalhes para não estragar as surpresas que o filme reserva. Há cenas que não acreditamos no que estamos vendo, e como é difícil imaginar que toda essa história é possível e quantas "preciosas" podem existir em nossa sociedade.

Lee Daniels é fantástico, realizou um trabalho excepcional. Uma história que caíria no melodrama fácil, mas ele consegue dar outro rumo a trama, pode até ser difícil imaginar, mas Preciosa, na verdade, é uma comédia dramática, toda a tristeza do roteiro é trabalhada com bom humor, mas o drama pesado também está presente e lágrimas podem até rolar em determinadas cenas.

Entretanto, o filme não teria todo esse poder se não fosse as atuações. Gabourey Sidibe é encantadora, se encaixa perfeitamente em Preciosa, soube representar fielmente a trajetória de sua personagem. Mo'Nique é fantástica, mais que merecido seus prêmios, é incrível var sua versatilidade na trama e como ela se entrega a sua personagem. Antológica a cena em que defende seus atos cruéis contra sua filha, brilhante! Vale citar o carisma de Paula Patton e o brilho que ela traz ao filme. E ainda temos Mariah Carey na mesma posição em todas as cenas, parecendo um robô, suas expressões são mínimas, mas por incrível que pareça, não estraga nada, faz seu papel, nada além do esperado, até apaga os traços de sua beleza dando mais realidade a sua participação, e ainda temos Lenny Kravitz, nada mal.

A trilha sonora ainda é um bom complemento, assim como a edição dinâmica. O filme escorrega um pouco nas cenas que representam a imaginação de Preciosa, quase todas são chatas.

Mas no geral, um filme merecedor do destaque que teve e dos prêmios que recebeu. Com cenas comoventes e diálogos marcantes, principalmente na parte final do longa. Uma bela história sobre esperança e sobre acreditar em si mesmo.

NOTA: 9

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Crítica: Ilha do Medo (Shutter Island, 2010)


Voltando um pouco as raízes, Martin Scorsese retorna ao suspense, provando que ainda há a possibilidade de se fazer bons filmes do gênero, logo que hoje, isso é uma raridade!

por Fernando Labanca

Depois dos bem sucedidos e também elogiados O Aviador e Os Infiltrados, Scorsese resolve mudar, alternando seu estilo que foi usado há alguns anos atrás em filmes como Cabo do Medo de 1991. E o gênero suspense agradece a escolha do diretor, que revitaliza o que está quase perdido. Logo quando o filme começa percebemos que não é de um diretor qualquer, mas sim, de um diretor experiente que sabe o que faz. Entretanto, mesmo mudando um pouco de estilo, ele ainda tem um "ás" na mão, um elemento que esteve presente em seus trabalhos anteriores, Leonardo DiCaprio.

No filme, dois detetives, Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) se conhecem no mesmo dia em que estão prestes a desvendar um mistério. Ano de 1954, Shutter Island é um sanatório que abriga os piores tipos de loucos, aqueles que devido a alguma doença mental, mataram pessoas e precisam de um forte tratamento. Porém, misteriosamente, uma das pacientes some, é quando entram em cena os dois detetives. Um lugar sombrio, no meio do Oceano, os dois estão sózinhos, não podem entrar com armas e precisam respeitar as regras do local, logo são apresentados a Dr.John Crawley (Ben Kingsley), um médico que não vê as pessoas abrigadas como loucos e sim como pacientes, pessoas que necessitam de ajuda e não compreende a fuga de Rachel Solano (Emily Mortimer). Os detetives passam a entrevistar os médicos, as enfermeiras e até mesmo os "pacientes" para entender como ela fugiu, logo que se há uma maneira disso acontecer, é um caso de alerta, pois são perigosos, ela por exemplo, matou os dois filhos e o marido e age como se nada tivesse acontecido.

Conforme os dias vão passando, Teddy vai revelando suas verdadeiras intenções, que o caso não passa de um pretexto para ele infiltrar em Shutter Island. Há alguns anos atrás, Teddy perdeu a mulher que amava, Dolores (Michelle Williams), em um incêndio provocado por um homem com problemas mentais e que foi levado para o sanatório, e ele com sede de vingança, decide ir até o local se vingar do homem que lhe tirou os motivos para querer viver. E mais do que isso, Teddy Daniels sabia de algumas hipóteses de que em Shutter Island, os médicos faziam experimentos radicais, usando medicamentos ilegais nos pacientes e ele queria ir atrás de provas para poder fechar os portões do local. Mas nada seria fácil, e os detetives começam a questionar as leis, os métodos, passam a ser perseguidos, e ambos entram num terrível jogo de alucinações, onde nada é exatamente o que parece ser.

Martin Scorsese realiza um belíssmo trabalho, utilizando elementos fantásticos que fazem Ilha do Medo ser um dos melhores filmes de suspense dos últimos anos. A trilha sonora bem colocada nas cenas, hipnotizando o público mesmo quando não acontece nada, os cenários, tudo muito sombrio, o filme tem um clima pesado e interessante para o gênero. Desde O Orfanato ( de Juan Antonio Bayona, 2007) não via um filme de suspense ser tão bem realizado.

O elenco é um dos pontos mais positivos do filme. Leonardo DiCaprio há um bom tempo ele vem acertando no cinema, fazendo não só incríveis filmes, mas também acertando em sua brilhante atuação e em Ilha do Medo não é diferente, sendo essa, uma de suas melhores performances. Mark Ruffalo não alcança o nível que DiCaprio atingiu, mas fez um bom trabalho, como sempre. Ben Kingsley tem uma personagem interessante, fazia tempo que não o via tão bem, uma atuação linar, mas irretocável. Destaque também para as participações femininas, Emily Mortimer está fantástica, melhor do que nunca, assim como Michelle Williams, se despreendendo por total de Dawson's Creek e se tornando uma atriz exemplar. Palmas principalmente para a veterana Patricia Clarkson e para Jackie Earle Haley, ambos participam de apenas uma cena, mas com atuações arrebatadoras, irreconhecíveis, brilhantes.


Entretanto, encontrei um defeito que me incomodou em várias sequências, a edição. Não é possível que não repararam nos erros de sequência antes de finalizarem o filme, chega ao extremo, até eu que não sou muito de reparar nisso fiquei irritado. Sabe aquele tipo de cena, que quando o ator é filmado de frente está em uma posição, mas quando é filmado de costas está em outra, completamente diferente, pois é, isso tem de monte.

Ilha do Medo, tem sim seus defeitos, mas perante a tantos fiascos no gênero suspense, acaba sendo uma raridade. É diferente quando um diretor experiente arrisca em algo que tem tudo a perder, sabe o que faz e tudo é conduzido muito bem. Vemos ainda atores competentes dando tudo de si, o que não vemos muito isso em filmes desse tipo. Não é preciso fantasmas e nem violência gratuita, muito menos coisas nojentas ( o que se tornou hábito em filmes do gênero, para muitos, ver um corpo sendo triturado com muito sangue a mostra é o novo terror). Um filme inteligente, com um roteiro brilhante e cheio de reviravoltas, suspresas boas não faltam em Ilha do Medo, e para fechar com chave de ouro, ainda vemos um final chocante e surpreendente.


NOTA: 8.5


sábado, 27 de março de 2010

Crítica: Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008)


O vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme.

por Fernando Labanca

Sobre um assunto batido e ainda querendo humanizar os soldados norte-americanos, o que vem sendo feito em quase todos os outros filmes sobre isso, Guerra ao Terror ainda há seu diferencial, e é neste diferencial que acredito ter recebido o mais importante prêmio do cinema.

Lançado curiosamente primeiro nas locadoras aqui no Brasil, logo que ninguém acreditava no sucesso desse longa, até que alguns críticos começaram a ver e passar a informação da existência dessa obra e chegaram a conclusão de que: "tem coisa boa passando despercebido!". Foi quando resolveram buscá-lo do fundo das prateleiras das locadoras e colocá-lo na lista das premiações como Melhor Filme. E por fim, de injustiçado passou para o topo, o melhor filme de 2009!

O longa nos mostra o fim de uma missão de uma equipe em Bagdá, Iraque. Nesta arriscada missão, três jovens soldados, JT Sanborn (Anthony Mackie), Owen Eldridge (Brian Geraghty) e Matt Thompson (Guy Pearce) e alguns reforços, são enviados aos campos de batalha para reforçarem a segurança dos locais e impedir que algo pior aconteça, a missão deles é encontrar bombas e desativá-las, parece simples, mas é sempre uma questão de vida ou morte, se falharem, não voltam para casa. Até que Matt acaba morrendo em missão e outro sargento é enviado em seu lugar, o melhor que encontraram, o jovem que mais tem habilidade, seu nome era William James (Jeremy Renner), e sua entrada para equipe vai significar grandes mudanças.


Will odeia receber ordens, faz o que tem que fazer, logo que ele sempre sabe o que tem a fazer e o que é o certo a fazer, não demonstra medo e nem insegurança e mesmo trabalhando em equipe, apenas segue suas próprias regras. O que acaba irritando Sanborn, sargento dedicado e sempre seguindo as ordens ao pé da letra. Por outro lado, há Owen, aparentemente o mais jovem, e o mais inseguro, e faltando poucos dias para retornarem para casa, ele acaba refletindo a cada minuto sobre a droga que é a guerra e como suas vidas são vulneráveis num local onde nunca se sabe ao certo o que irá acontecer e se voltarão vivos. Mas Will, mesmo sendo durão, acaba percebendo essa fragilidade que afeta sua equipe, e começa a usar sua coragem para incentivá-los, é quando surge uma inevitável ligação entre eles, uma amizade que serve de apoio para cada um expor seus medos, suas fraquezas.






















Não, não é apenas mais um filme de guerra. Não há batalhas longas e sangrentas. No lugar disso, há o cotidiano, ora monótono, ora ágil, a dura realidade de quem se entrega, que coloca sua vida em jogo para cumprir uma missão. Há tiros, há conflitos, mas tudo na hora certa, no tempo certo, sem apelação. E tudo isso mostrado com extremo realismo, há cenas que duram longos minutos, apenas para vermos o sargento desativando uma bomba, não nos priva de nenhum detalhe, é tudo muito real. Em determinado momento, os soldados começam a trocar tiros no meio do deserto com um inimigo impossível de se ver, mas é mostrado como nunca foi mostrado no cinema, eles erram, não acertam o tiro, há vários outros agravantes simples mas que nunca estão presentes nos filmes de guerra.

Kathryn Bigelow realiza um trabalho fantástico, seu prêmio como Melhor Diretor foi prova disso. Não há como não se espantar com a forma como Guerra ao Terror foi feito, com pouco dinheiro envolvido, a diretora faz tudo tão bem, as movimentações de câmera, os efeitos visuais e principalmente os sonoros. É também espantoso imaginar uma mulher filmando um filme de guerra, e ela faz melhor que muitos homens, aliás, poucos foram capazes de realizar um filme violento com tanta originalidade, inteligência e realismo.



Guerra ao Terror mereceu o prêmio de Melhor Filme, é complicado dizer isso, logo que seus concorrentes eram extremamente bons também, os outros também mereciam o prêmio, Avatar e até mesmo a animação Up deram grandes motivos para vencer também. Mas infelizmente o prêmio é só de um, e porque não Guerra ao Terror? Um filme bem feito, ousado, real, que expõe uma opinião sobre a guerra sem cair no clichê, com personagens bem escritos e verdadeiros, interpretados por três atores competentes: Jeremy Renner, Anthony Mackie e Brian Geraghty, guardem estes nomes!! E esqueçam Guy Pearce, Ralph Fiennes e David Morse, seus nomes aparecem na capa do filme como uma forma desesperada da distribuidora de não conseguir vender o filme, na verdade suas aparições são mínimas.

Assistam, acreditam neste filme, nesta idéia, suas premiações não vieram a toa. Vale a pena arriscar!

NOTA: 8

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Corrida Rumo ao Oscar


Dia 2 de Fevereiro deste ano foram anunciados os indicados ao Oscar 2010. Descubra agora quem são os principais nomes desta disputa...

Avatar

Avatar, filme de James Cameron, que estreiou nos cinemas em Dezembro do ano passado acabou sendo a grande surpresa do ano, por revolucionar em todos os sentidos o que chamamos de cinema. Foi incrivelmente bem nas bilheterias, sendo uma das maiores de todos os tempos. Nomes como Zoe Saldana e Sam Worthington estão no elenco.

Tem muitas chances de ganhar o Oscar esse ano e é um dos favoritos ao prêmio. Além de melhor filme, Avatar concorre em mais 8 categorias, empatando com Guerra ao Terror. James Cameron também foi lembrado, sem nenhuma surpresa como Melhor Diretor.

Indicações: Melhor Filme, Diretor, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som, Mixagem de Som, Efeitos Especiais

Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi

Direção: James Cameron

Status: Estreiou nos cinemas dia 18 de dezembro de 2009, e ainda permanece em grande circuito.


Distrito 9

Dirigido por Neil Blomkamp, o filme foi a grande surpresa dentre todos os indicados, muitos dizem que conseguiu esse feito pelo fato deste ano serem 10 indicados, o que antes eram apenas 5. Essa afirmação tem certa lógica levando em consideração que Distrito 9 não tem características de filmes que geralmente são indicados, mas é tão bom quanto qualquer um que esteje na lista e se está nela, fez por merecer!

Ficção Ciêntífica, sobre conflitos entre civis sul-africanos e extraterrestres, que atrapalham a vida das pessoas e por isso estão sendo despejadas para uma área de menos risco. Mas por trás desse projeto, há uma luta intensa e impiedosa pelo poder.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Montagem, Efeitos Especiais

Elenco: Sharlto Copley

Direção: Neil Blomkamp

Status: Estreiou dia 16 de outubro de 2009, e chegou recentemente nas locadoras


Amor Sem Escalas

Dirigido por Jason Reitman, o mesmo de Juno e Obrigado por Fumar, trás Georgey Clooney e Vera Farmiga no elenco. Também tem grandes chances de ganhar, foi bem nos cinemas e chamou bastante a atenção dos críticos. Comédia leve e sutil, que mescla um pouco de drama e romance.

No filme, um homem que vive nos ares, vive viajando para todo canto do mundo para demitir pessoas, até que surge em sua vida duas mulheres que vão fazer ele refletir sobre suas atitudes como ser humano, com isso, ele coloca os pés e a mente no chão, abalando completamente seu mundo.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (George Clooney), Roteiro Adaptado, Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga), Atriz Coadjuvante (Anna Kendrick)

Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, JK Simmons

Direção: Jason Reitman

Status: Estreiou dia 22 de janeiro


Up- Altas Aventura

Nos últimos anos, a Disney Pixar se superou, lançando a cada ano filmes memoráveis, como Procurando Nemo e Wall-e, e como estes citados, ficaram apenas com o Oscar de Melhor Animação, o que já é ótimo, mas este ano, com a expansão dos indicados, a animação teve mais chance e diferente dos outros anos vai estar onde merece estar: entre os indicados de Melhor Filme.

Up-Altas Aventuras conta e sensível história de um velho solitário que amarra em sua casa balões e voa com o intuito de chegar no local dos sonhos de sua falecida esposa, mas para sua surpresa, um garoto acidentalmente fica na sua casa e passa a viver essa grande e improvável aventura ao seu lado.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Original, Animação, Trilha Sonora

Direção: Pete Docter

Status: Estreiou dia 4 de stembro de 2009 e já está nas locadoras


Bastardos Inglórios

Dirigido por Quentin Tarantino e com Brad Pitt e Diane Kruger no elenco. Um dos filmes mais comentados de 2009, não foi surpresa vê-lo entre os indicados e também tem grandes chances de vencer.

Na história, um tenente é responsável por uma missão suicida contra alemães nazistas e para isso ele terá de reunir um pelotão de soldados de origem judaica. A intenção é matar sem piedade, da maneira cruel o maior número de nazistas possível

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Roteiro Original, Ator Coadjuvante (Christopher Waltz), Fotografia, Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som

Elenco: Bard Pitt, Christopher Waltz, Mélanie Laurent, Diane Kruger, Eli Roth, BJ Novak, Daniel Brühl

Direção: Quentin Tarantino

Status: Estreiou dia 9 de outubro de 2009 e já está nas locadoras


Preciosa - Uma História de Esperança

O filme, aparentemente, o mais forte e mais dramáticos dentre os indicados, vem chamando a atenção dos críticos, além do fato de estar sendo bem recepcionado nos festivais de cinema e ganhando alguns prêmios importantes.

Em Preciosa, vemos a triste jornada de Claireece, uma jovem de 16 anos, pobre, muito acima do peso, sofre preconceito, é abusada pela mãe e violentada pelo pai. Tem um filho com sindrome de down e quando fica grávida do segundo é suspensa da escola, a partir de então é enviada para uma escola alternativa, onde se apega a sua imaginação para tentar superar os problemas da vida real.

Indicações: Melhor Filme, Diretor (Lee Daniels), Roteiro Adaptado, Atriz (Gabourey Sidibe), Atriz Coadjuvante (Mo'nique), Montagem.

Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Rodney Jackson, Paula Patton, Mariah Carrey, Lanny Kravitz

Direção: Lee Daniels

Status: Estreiou dia 12 de fevereiro


Educação

Filme premiado, que liderou as indicações ao Bafta e que tem a jovem Carey Mulligan e o veterano Peter Sarsgaard como protagonistas. Suas chances são mínimas, logo que está concorrendo com bluckbusters e alguns filmes bem comentados, por outro lado, chama a atenção por seu visual e pelo grande elenco.

No filme, uma jovem estudante do colegial que sonha com a faculdade e em estudar muito para ser alguém na vida, até que seus planos mudam quando é seduzida por um homem mais velho, que lhe mostra os encantos da fase adulta, da liberdade, da burguesia e de uma Paris cheia de vanguardas.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Atriz (Carey Mulligan).

Elenco: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Olivia Williams, Dominic Cooper, Alfred Molina, Sally Hawkins, Emma Thompson

Direção: Lone Scherfig

Status: Estreiou dia 19 de fevereiro


Guerra ao Terror

Curiosamente, lançado primeiros nas locadoras, foi lançado há pouco tempo nos cinemas devido as surpresas que teve, a chuva de indicações nos principais prêmios do cinema, liderando a lista do Oscar ao lado de Avatar.
Além da diretora Kathryn Bigelow ter desbancado o favorito James Cameron no Bafta, que aliás foi o grande vencedor da noite, levando o prêmio de Melhor Filme. Em outras premiações recentes vem levando a melhor e diante dos novos acontecimentos é o filme com a maior probabilidade de levar o prêmio, para surpresa geral.

No filme, um esquadrão de anti-bombas do exército americano trabalham em missão no Iraque, a procura de um explosivo, para que seja destruido sem que haja danos.

Indicações: Melhor Filme, Diretor (Kathyn Bigelow), Ator (Jeremy Renner), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som, Mixagem de Som.

Elenco: Jeremy Renner, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly

Direção: Kathryn Bigelow

Status: Está nas locadoras desde abril de 2009, mas foi lançado posteriormente nos cinemas dia 5 de fevereiro deste ano.


Um Homem Sério

Para não perder o costume, os irmãos Joel e Ethan Coen marcam presença na lista dos indicados ao Oscar. Depois do prêmio de Melhor Filme e Melhor Diretor para o mediano Onde Os Fracos Não Têm Vez, ano passado foi a vez de Queime Depois de Ler, que não para melhor filme mas ainda obteve algumas indicações, e este ano estão eles novamente, com uma comédia.

Neste novo filme da elogiada dupla, o professor Larry Gopnik, no ano de 1967 vê sua rotina desmoronar quando sua mulher decide abandoná-lo porque se apaixonou por um de seus colegas, e para piorar divide a casa com seu imprestável irmão e uma família com costumes nada corretos.

Indicações: Melhor Filme, Roteiro Original.

Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind

Direção: Joel e Ethan Coen

Status: Estreiou dia 19 de fevereiro


Um Sonho Possível

Talvez suas chances para melhor filme sejam mínimas, mas Um Sonho Possível já ganhou o título de queridinho do Oscar 2010, com uma trama bem fácil de identificação do público, o filme faturou milhões nos EUA e colocou Sandra Bullock como a atriz mais lucrativa do ano passado, que aliás é a favorita ao prêmio de Melhor Atriz.

Inspirado numa história real, o filme trás a emocionante trajetória de um jovem negro, abandonado, que é acolhido por uma família norte-americana. Sandra Bullock interpreta Leigh Anne, que após descobrir que o estranho faz parte da turma de sua filha na escola, o acolhe e o coloca para participar de um importante campeonato de futebol americano, e tanto dentro como fora dos campos, a família vai lhe ensinar lições valiosas, além do fato, da própria família passar um processo de autodescobertas.

Indicações: Melhor Filme, Atriz (Sandra Bullock)

Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Kathy Bates

Direção: John Lee Hancock

Status: Estréia nos cinemas dia 19 de março

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Crítica: Chéri (Chéri, 2009)


Depois de alguns anos afastada do cinema, Michelle Pfeiffer retornou em 2007 com filmes de pouco conhecimento do público, e ainda longe dos holofotes, Cheri marca seu melhor trabalho desde sua volta. Um filme simples, objetivo e simplesmente irresistível!

por Fernando Labanca

O filme, dirigido por Stephen Frears (A Rainha, 2006), chegou tímido aqui no Brasil, em poucas salas de cinema, fora do grande circuito e ainda permanece um pouco desconhecido do público. Mas é interessante que as pessoas ao menos saibam que o filme está lá, e que Michelle Pfeiffer ainda está radiante, para aqueles que ainda admiram a atriz, vale a pena ir atrás desse longa.

Na história, em 1906, numa Paris que ainda vivia os encantos da "belle époque", prostitutas ainda faziam os rapazes da época suspirarem. Lea de Lonval (Pfeiffer) era uma cortesã, daquelas que frequentava a elite, luxuosa e elegante, ela já não mais estava na flor da idade, e refletindo sobre isso, ela decide parar e se aposentar definitivamente. Sempre exerceu seu trabalho com toda a dignidade, por isso, nunca se permitiu envolver com algum cliente, sua vida amorosa foi seu trabaho, seus maiores prazeres foi por dinheiro e agora está só.


Entretanto, ainda mantinha contato com a alta classe, ia nas festas, jantares com pessoas importantes e para seu desgosto, ainda tinha uma amiga, Madame Peloux (Kathy Bates), uma relação nada sincera, cheia de diálogos venenosos e sarcásticos, apenas por manter as boas aparências. Madame Peloux, desiludida com a vida a qual seu filho se apegou, bebidas, sexo e nada de responsabilidades, decide chamar Lea para colocar ele de volta aos eixos. Lea era a mulher mais inteligente que ela conhecia e a pessoa mais próxima da família e a única a qual seu filho mantinha algum respeito. Ele, conhecido como Cheri, apelido que recebeu da própria Lea na sua infância. Peloux, então, entrega seu filho a Lea, afim de que ele aprenda o amor e seje um rapaz decente.


Cheri, vinte anos mais novo que Lea. Ela, liberal, madura, responsável. Ele, imaturo e mimado. Os dois, facilmente se identificam e se envolvem. Lea faz por trabalho, ele, por inocência. E nesta relação, a luxuosa cortesã descobre algo que jamais imaginou sentir, algo que ela evitou a vida inteira, algo que ela mesma havia construido uma barreira para não sentir devido sua profissão, o amor. Cheri e Lea acabam tendo uma relação intensa e profunda, uma paixão ardente, daquela que eles esquecem completamente do mundo afora. Até que, seis anos mais tarde, sigilosamente, Madame Peloux marca o casamento de seu filho com Edmee (Felicity Jones), uma jovem, filha de uma rica cortesã e que tem a mesma idade que ele. Os dois aceitam o destino, Cheri sabia que precisava seguir sua vida e que Lea já havia tido suas próprias experiências, agora era a vez dele viver as dele, ela, por sua vez, sabia que estava ficando cada vez mais velha e ela não era o destino do jovem, não poderia mais fazer parte de sua vida. Mas quando os dois se separam definitivamente, cada um em seu canto, eles percebem o quanto um era importante ao outro.

Stephen Frears, trabalha com filmes de época muito bem. Em Cheri, ela nos trás o encanto fascinante da belle epoque, com figurinos extremamente bem feitos, cenários bem cuidados. Além disso, o filme ainda desfruta de uma bela trilha sonora, capaz de emocionar e empolgar facilmente o público.


Michelle Pffeifer está encantadora, e mesmo que a idade acuse em seu rosto, ela parece estar mais bela do que nunca. Sua voz sussurrante, seu jeito de andar e de se expressar, seus olhares penetrantes e hipnotizantes, está magnífica, irretocável. Mas tudo isso não seria possível sem o belo roteiro, que trabalha muito bem sua personagem, seu desespero, sua mágoas, seu intenso amor por um homem mais jovem. Rupert Friend interpreta Cheri, faz o necessário, se encaixa perfeitamente no papel, mas não faz mais do que o esperado, mas em nenhum momento ele estraga o encanto do filme. Outro destaque fica para Kathy Bates, uma atriz que por mais que não seje tão conhecida, está presente em muitos títulos, e este foi um dos melhores papeis de sua carreira, sua atuação também está incrível, há muito tempo não a via tão a vontade em cena, tão cheia de brilho numa personagem de destaque e muito bem desenvolvida na trama.

Ás vezes, o longa vai perdendo força, principalmente quando as personagens principais estão separadas, o que acaba até sendo interessante, vendo pelo ponto em que o filme ganha vida quando estão juntos. Por outro lado, essa perda de força em determinadas sequências, fazem a trama perder também o dinamismo. Mas no geral, Cheri se sai bem, um romance, que por mais que haja seriedade, não perde a piada, tendo um bom humor durante toda a projeção, cheio de sacadas rápidas e inteligentes. Um filme belíssimo, com uma parte técnica impecável e atuações memoráveis. Maduro, envolvente, sensível e realista e com direito a um ótimo final, comovente!

NOTA: 8

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Crítica: Preminição 4 (The Final Destination, 2009)

No cinema, ás vezes, para uma obra ser lembrada com certa credibilidade, é preciso ter senso e fazer com que o filme pare no primeiro, pois as sequências tendem a estragar o que já estava bom. Felizmente ainda há aquelas sagas que vão melhorando, o que não é o caso de Premonição, onde a quarta parte estraga tudo o que já foi feito, levando a quadrilogia, enfim, para o fundo do poço!

por Fernando Labanca

O primeiro, de 2000, teve uma boa recepção nos cinemas, e no entanto é lembrado até hoje e serviu de referência para muitos filmes de suspense. E assim como disse anteriormente, deveria ter parado por ai, as sequências foram de mal gosto, destacando principalmente a última parte, que foi ao extremo, o que já estava ruim, agora ficou péssimo.

Na história, o mesmo de sempre, um cara, neste caso, Nick (Bobby Campo), enquanto estava junto de seus amigos, Hunt, Janet e sua namorada Lori (bela, é claro!) numa arquibancada de uma famosa corrida de carros, percebe que as instalações do local são muito antigas e portanto, frágeis, até que acontece um terrível acidente na pista, despedaçando carros, peças voando para todo o local, pessoas morrendo das formas mais inusitadas, e com isso a estrutura do local não aguenta e a quantidade de mortes é absurda. Logo, Nick acorda no meio da corrida e percebe que tudo foi uma visão e tenta salvar seus amigos do terrível acidente, pois em sua premonição todos iriam morrer, inclusive ele, alguns da arquibancada lhe dão ouvidos, outros saem irritados pela agitação que o jovem provocou, e logo quando chegam do lado de fora, exposões e gritos, Nick estava certo, para felicidade de alguns e desconfiança de outros, mas apenas o grupo estava salvo.


Porém, uma sequência de mortes começam a ocorrer, e Nick e Lori começam a juntar as peças do quebra-cabeça e percebem que aqueles que foram salvos ainda seriam pegos de surpresa pela morte, pois é impossível fugir duas vezes do destino final. E ainda, as mortes ocorrem na mesma sequência que deveriam ter ocorrido se todos estivessem na arquibancada. Nick, passa a partir de então, a lembrar de sua premonição para tentar salvar as próximas vítimas, além de ter novas visões destorcidas sobre como cada um vai morrer.

Nada de original, tudo do mesmo, o roteiro, nem ao menos se esforça para tentar ressucitar o que já houve de bom em Premonição, muito pelo contrário, ele resgata tudo de pior que foi utilizado nas sequências. E para meu espanto, o roteiro é de ninguém mais que Eric Bress, o mesmo de Efeito Borboleta, um dos roteiros mais incríveis dos últimos anos. Ele, assim como o diretor David R.Eliss, participaram também de Premonição 2, o pior desde então.

E mais uma vez, os rostinhos bonitinhos estão ali, atores completamente fracos, que parecem se preocuparem mais em fazer belas poses e expressões para sairem bem nas câmeras e serem capturados por seus melhores angulos do que se esforçarem para interpretar bem, não maravilhosamente bem, apenas "bem", suas respectivas personagens.

Diante de um roteiro ruim, atores fracos, diálogos forçados e cheios de clichês, só resta ao público se prender nas mortes, "como o próximo vai morrer?" Essa é a única preocupação e interesse que surge durante o longa. E infelizmente, até nisso o roteiro falha, a criatividade se esgotou, há uma chata e desinteressante sequência de mortes extremamente forçadas e apelativas, fugindo completamente da realidade e alcançando o auge do absurdo.

Quem não viu, nem perca tempo. Conseguiu ser pior que os piores do ano passado, é sem graça, tosco, péssimo, mortes grotescas, não há sustos e não faz o público sentir medo, e ainda há uma pitada de humor, aliás, de péssimo humor, empregadas inconvenientemente nas cenas. Em outras palavras, passe longe, bem longe!

NOTA: 1

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Crítica: Zumbilândia (Zombieland, 2009)


Os zumbis atacam novamente os nossos cinemas, mas agora, com um grande diferencial! Além de inserir na trama, comédia, o grande roteiro ainda se permite, mesmo com tanto sangue e pancadaria, ser inteligente e sensível!


por Fernando Labanca

Hollywood não se cansa, eles querem mesmo os zumbis! Filmes como Resident Evil e Madrugada dos Mortos tiveram destaque nos cinemas e agora o mesmo tema volta com outra perspectiva.

Zumbilândia, filme de Ruber Fleischer, conta sobre a praga do século XXI, onde o planeta inteiro foi contaminado por um perigoso vírus que transformou todos (quase todos) os seres humanos em terríveis zumbis, que se arrastam pelas ruas atrás de carne viva! O mundo se torna um verdadeiro caos, não há mais vida, casas foram destruídas. E no meio de tudo isso, há um sobrevivente, Columbus (Jesse Eisenberg), um jovem que mora sózinho, longe da família, que provavelmente virara zumbis, não tem vida social, não namora, não tem amigos próximos, mas quando se vê diante desse desastre, passa a sentir falta de tudo aquilo que nunca teve...vida! Porém, há um grande motivo por ele ainda estar vivo, criou mentalmente regras para não ser pego por zumbis e virar um deles, pratica exercícios físicos para poder correr deles, não entra em banheiros públicos pois é um péssimo lugar para fugir e um ótimo lugar para ser encontrado, sempre olha no banco de trás do carro, para não correr o risco de ser pego de surpresa, entre outras.


Até que Columbus, em busca de sua família, encontra um outro sobrevivente, Tallahassee (Woody Harrelson), porém, um ser bem diferente dele, não cria regras para não ser pego, muito pelo contrário, faz de tudo para encontrar um zumbi e espancá-lo até a morte, e por isso, anda para todos os lados com todos os tipos de armas possíveis. Percebendo que são um dos poucos sobreviventes, se unem, cada um com seu objetivo, Columbus deseja encontrar sua família e Tallahasse um bolinho Twinkie. Eles se tornam os heróis do pedaço, até a chegada de duas damas, que é onde o jogo vira completamente. Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) são duas irmãs, bem espertas que passam a sacanear com os dois valentões, roubam o carro deles e suas armas, mas logo percebem que estão lutando contra aqueles que estão no mesmo time e que todos deveriam estar do mesmo lado, os zumbis é quem são os inimigos! Wichita tem o plano de levar sua irmã mais nova para um famoso parque de diversões, logo que a pequena aprendeu a ser gente grande muito cedo e diante de tanto sangue e violência, ela pretende resgatar para a irmã, digamos, a infância perdida, a inocência que não vivenciam mais. Columbus começa a se envolver muito com Wichita, porém a jovem se recusa a se envolver profundamente com alguém, logo que a perda é algo constante nessa nova vida e que ninguém é tão confiável assim. E juntos, descobem as fraquezas e angústias de cada um, e mais do que isso, descobrem o que é ter uma família de verdade, logo que se tornam órfãos, órfãos de tudo, e que ser um verdadeiro zumbi é não se deixar envolver com pessoas e não se permitir viver uma vida digna.



Zumbilândia nos remete ao que há de mais trash do cinema, Quentin Tarantino deve ter se sentido grato com esta obra. E mais do que isso, o filme coloca em cena, o que há de melhor no trash, e a fusão de comédia e terror há muito tempo não a faziam com tanta competência. E ainda o filme dá espaço para um pouco de drama, logo que diferente dos outros filmes de zumbis, neste, as personagens não são um mero pano de fundo, não são apenas um pedaço de carne que futuramente seriam as próximas vítimas, são humanos acima de tudo, com falhas, medo e insegurança e diante disso, o roteiro consegue trabalhar muito bem com cada personagem, em cenas delicadas e sensíveis. E é claro, romance não podia ficar de fora. Há uma harmonia fantástica entre terror-comédia-aventura-drama-romance, e este é o grande triunfo de Zumbilândia, por não se permitir escorregar diante de tantas possibilidades, o brilhante roteiro consegue trabalhar perfeitamente todas essas diferenças, construindo um filme original e muito estiloso.

As personagens são um ponto alto na trama, logo, as atuações se superam. Jesse Eisenberg é extremamente divertido, suas expressões, seu jeito de andar e falar são tão cômicos e faz o público rir e se identificar com a personagem facilmente. Woody Harrelson é Woody Harrelson, fantástico, hilário, diverte fácil com seu jeitão valentão e diverte mais ainda com as oscilações de Tallahassee, ora sedento por violência, ora profundamente sensível. Emma Stone é ótima, fez bonito em "Superbad" em 2007 e brilha novamente neste longa. Abigail Breslin, diferente de outros filmes, sua participação é um pouco menor, mas ainda de muita eficiência, sempre carismática e iluminando a cena.


Zumbilândia é daqueles filmes que facilmente conquista o público, por abranger em seu tema, mais do que sangue e boa pancadaria, inteligência também foi colocada em questão, ousando no gênero e incluindo diálogos reflexivos, personagens bem escritos e interpretados, comédia, drama, terror e ação em boa dose e em perfeita harmonia. Todas as cenas são ótimas, até mesmo as mais sangrentas são de extremo bom gosto. Indico para todos os gostos, neste, a diversão, sem sombra de dúvida, é garantida!

NOTA: 9.5

Outras notícias