sábado, 2 de outubro de 2010

Crítica: Amor à Distância (Going the Distance, 2010)

Pelo menos uma vez ao ano, surgem comédias românticas, que valem a pena serem assistidas e admiradas, ano passado com o cult "500 Dias com Ela" e uma das surpresas "Ele Não Está Tão Afim de Você", este ano, fica para "Amor à Distância" como aquela que merece destaque, num gênero onde ninguém espera muita coisa, logo, quando apresentam novidades, surpreendem fácil.

por Fernando Labanca

No filme, Garret (Justin Long), vive em Nova York e trabalha numa gravadora, o que não lhe trás muita satisfação, logo que percebeu que o que lucra nem sempre é de qualidade. Essa satisfação ele encontra nas mulheres, e por isso, vive se relacionando com várias, sem se entregar verdadeiramente, só por passatempo e diversão. Até que conhece Erin (Drew Barrymore) num bar, os dois logo fazem amizade e percebem muita afinidade e na mesma noite...transam. Os dois começam a se encontrar é quando ele descobre que ela é de São Francisco, faz pós em jornalismo e está passando apenas seis meses na cidade para um estágio e logo voltaria.

Só lhes restavam seis semanas, os dois aproveitam ao máximo, e o que era apenas um "caso de verão" sem futuro, sem compromissos, acaba virando paixão. Ela vai embora, e ambos decidem continuar a relação mesmo distantes, enfrentando esta dificuldade que é muito comum na vida das pessoas. A partir de então, Erin e Garret mergulham no mais improvável relacionamento, mensagens de texto, ligações, e-mails, onde até mesmo o sexo é via telefone, mas as coisas ficam mais tensas quando eles começam a refletir sobre o futuro e se os dilemas e incertezas que vivem terão mesmo validade.


Assim como "Ele Não Está Tão Afim de Você", o filme aborda temas bastante atuais e que se encaixam perfeitamente na vida de muitas pessoas, portante, facilmente ganha a identificação do público. E a história de amor à distância é muito bem desenvolvida pelo roteiro, onde consegue tirar o máximo proveito das situações, na maioria das vezes com bastante humor, mas mostrando as dificuldades e conflitos que este tipo de relacionamento pode gerar, claro, que muitas vezes é tudo muito exagerado, mas é comédia, o exagero das situações é essencial.

"Amor à Distância" tem tudo para agradar o público e ser, talvez, a comédia romântica do ano. Atores competentes e extremamente carismáticos, humor afiado, boas sacadas, referências ao anos 80 como "Top Gun" e "Dirty Dancing", ou como os mais contemporâneos como "Um Sonho de Liberdade" e uma imitação impagável de Morgan Freeman, ou uma piadinha a Michael Bay e seu filme-desastre total "Transformers", belas e variadas locações e uma trilha sonora arrebatadora, que conta com The Cure e seu clássico "Just Like Heaven" e The Pretenders com "Don't Get me Wrong", além da banda indie mais atual "The Boxer Rebellion".

Drew Barrymore, da menina de ET a uma das atrizes mais lucrativas de Hollywood, carisma é seu forte, talvez se fortaleceu na indústria devido a ele. Vê-la em cena é algo surreal, sua atuação é ótima, nada tão surpreendente, mas há um brilho em sua atuação que nem todas as atrizes possuem, sabe ser divertida e exagerada com muita naturalidade. Justin Long também diverte em cena e junto com ela, fazem um dos casais mais agradáveis do ano, que torcemos de verdade. Os coadjuvantes agradam, os amigos de Garret, interpretados pelos comediantes Charlie Day e Jason Sudeikis, praticamente improvisando em cena, e ainda a bela e divertidíssima Christina Applegate, da série "Samantha Who?", como irmã de Erin, excelente como coadjuvante.

O erro, acredito, que seja pelas longas cenas desnecessárias, como as conversas de Garret e seus amigos, que nada somam na história, só pelo humor mesmo, e que muitas vezes, nem o humor funciona. Tirando isso, o resto é incrível. "Amor à Distância" é incrível por inovar em alguns elementos, como apimentar mais as comédias românticas, quebrando um pouco as regras, palavrões, cenas de sexo, isso pode pegar alguns de surpresa, e ser mal visto por muitos, porém, querendo ou não, é uma fuga daquilo que sempre é muito correto, além de criar o que podemos chamar de "anti-heróis" das comédias românticas, Erin e Garret são duas pessoas fracassadas profissionalmente e que se entregam um ao outro de forma mais radical e isto na tela, acaba sendo mais original, longe do convencional, enfim só assistindo pra entender o que quero dizer. Resumindo, assista, mesmo aqueles que tem preconceito com este gênero, pode se surpreender com esta pérola.

NOTA: 9

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Crítica: A Estrada (The Road, 2009)

Baseado na obra vencedora do prêmio Pulitzer de Literatura em 2006, do norte-americano Cormac McCarthy (o mesmo de "Onde os Fracos Não Tem Vez"), "A Estrada" é um filme apocalíptico, mas diferente de filmes como 2012, Zumbilândia e Eu Sou a Lenda, trás uma carga dramática mais profunda, não se entregando a grandes efeitos especiais, mas sim, na complexidade de seus personagens.

por Fernando Labanca

O filme já inicia num mundo totalmente devastado, não sabemos o porquê e nem como todo o desastre aconteceu, só sabemos que há poucos sobreviventes, que por sua vez, se alimentam dos poucos que restaram, isso mesmo, de carne humana!! Neste caos, um homem (Viggo Mortenesen) e seu filho (Kodi Smit-McPhee) caminham em direção ao mar, e nesta trajetória, tentam encontrar comida, comida de verdade, já que se recusam a ser como os outros e tentam ao máximo manterem a pouca dignidade que lhe restam, e mais do que isso, da necessidade do pai em mostrar ao filho algo que desapareceu junto com a humanização da sociedade, a bondade.

E na estrada, se deparam com pessoas que perderam completamente a integridade, matam sem piedade, atrás de comida. Ainda encontram seres que caminham sózinhos, como um senhor (Robert Duvall), onde o menino faz de tudo para o pai ajudá-lo, mas ele nega, pois sabe que não há mais como ajudar o próximo. E no meio deste pesadelo sem fim, o homem ainda se prende as poucas lembranças que lhe restam de sua mulher (Charlize Theron) que simplesmente desistiu de viver. E este pai de priva de sofrer, para mostrar ao filho, coragem, mostrar que ele está protegido, e provar que ainda pode haver esperança, mesmo sabendo que só há uma saída para este caos, a morte.

"A Estrada", dirigido por John Hillcoat, é um filme tenso, que nos prende e nos comove desde a primeira cena. E este clima pesado, tenso, é mostrado através de um fundo cinzento, sem cor, sem alma, e só pela fotografia e pelos "cenários" sentimos o vazio, a insegurança, a falta de fé e esperança daquele mundo, se esta era a intensão do diretor, funcionou muito bem.

Assim como explicou o diretor certa vez: "É a dimensão humana que me interessa no espetáculo de destruição", o filme diferente de outros sobre o mesmo tema, se prende mais na complexidade de seus personagens do que na destruição em si, que na verdade, nada mais é que apenas um pano de fundo para se explorar a humanização perdida de uma sociedade perante uma tragédia. E os personagens escritos cumprem este papel, e nos emocionamos com suas jornadas, é claro, que não teria este impacto sem as grandes atuações. O pequeno Kodi Smit-McPhee compreende sua função e vai bem durante toda a projeção, ainda temos a participação marcante e comovente da bela Charlize Theron e um irreconhecível Robert Duvall, brilhante. Destaque para Viggo Mortensen, no papel principal, simplesmente irretocável, impecável, numa atuação memorável, de deixar qualquer surpreso e emocionado.

A mais complexa e impactante versão de um mundo apocalíptico dos últimos tempos, uma mistura de suspense com drama de deixar filmes como "2012" completamente humilhados. Percebi algumas semelhanças com "Ensaio Sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles, onde haviam personagens sem nome e que perderam a dignidade e a humanização perante o caos, ambas as obras funcionam bem na tela e surpreendem pelas idéias bastante reflexivas. Enfim, assista, não espere um filme para entretenimento, logo que se trata de um filme bastante denso, numa história pessimista, mas que vale a pena conferir.

NOTA: 9,5

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

2 em 1: Paul Thomas Anderson

Um dos diretores mais aclamados da atualidade e considerado um dos melhores realizadores dos últimos anos. P.T Anderson foi consagrado por filmes como Boggie Nights (1997) e por seu último trabalho, o excelente "Sangue Negro" (2007), e recentemente tive o prazer de ver dois de sua maravilhosa filmografia: Magnólia e Embriagado de Amor.

Vale citar que o diretor está realizando um novo projeto, ainda intitulado como "The Master", que deveria chegar no final deste ano nos EUA, mas as últimas notícias indicam que a obra está parada, por "bloqueio criativo". O filme conta com Philip Seymour Hoffman, Jeremy Renner e Reese Witherspoon no elenco.

por Fernando Labanca


Magnólia (Magnolia, 1999)

Definitivamente, uma obra-prima, o melhor de Paul Thomas Anderson, que além de dirigir, escreveu e editou o filme. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2000 e indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante para Tom Cruise e Melhor Canção Original.

O longa conta algumas horas na vida de alguns moradores de Los Angeles. Claudia (Melora Walters), uma viciada em drogas, abusada sexualmente por seu pai na infância e com mantém um relacionamento atordoado no presente, ele é Jimmy Gator (Philip Baker Hall), que por sua vez, um apresentador de TV bem sucedido, que apresenta um famoso quadro onde crianças super inteligentes provam seus conhecimentos: no presente, um garoto é obrigado por seu pai a participar do programa pelo dinheiro; e no passado, um menino fez muito sucesso respondendo as perguntas e hoje (interpretado por William H.Macy), afetado psicológicamente pela fama repentina na infância, sofre por não encontrar seu lugar no mundo. Enquanto isso, um homem em coma afeta algumas vidas ao seu redor: um enfermeiro (Philip Seymour Hoffman), sua atual esposa (Juliane Moore) e seu filho (Tom Cruise), um guro do sexo, abandonado por ele na infância e que agora vai atrás de perdoar os erros passados do pai. Não muito distante, Jim (John C.Reilly), um policial que acaba se apaixonando por Claudia, uma viciada em drogas.


Pessoas que acabam se encontrando por pura coincidências do destino, ou melhor, por fatos inexplicáveis com uma probabilidade mínima de acontecerem, mas que acontecem, é a estranheza desse mundo, inexplicável, incoerente, surpreendente.


Uma história sobre perdão, sobre pessoas que por algum motivo deixaram de seguir em frente, mas que nessas horas, terão seus medos, suas fraquezas, suas crenças confrontadas. Ainda vemos várias aparições do número 82, referência de uma passagem bíblica, êxodo 8:2, uma breve metáfora sobre o perdão, onde há uma chuva de sapos e no filme, isso ocorre literalmente. E há quem diga que magnólia seja a flor do perdão, ou seja, um filme cheio de simbologias.

Editado pelo próprio Paul Thomas Anderson, "Magnólia" é ágil, sabendo contar cada história de forma magestral, um drama hipnotizante que nos fisga desde o primeiro segundo, fazendo as 3 horas de filme parecerem rápidos minutos.

As atuações são ótimas, porém as performances masculinas tiveram mais destaque. Juliane Moore, sempre incrível, tem uma personagem um pouco incompreensível que só chora e sofre. Melora Walters, uma pseudo-protagonista, derrapa feio em determinadas cenas, mas se recupera em outras. O destaque fica para John C.Reilly, incrível em sua performance, assim como William H.Macy, o melhor desempenho do ator que vi. A surpresa fica para Tom Cruise, indicado ao Oscar e vencedor do Globo de Ouro por sua atuação, muito bom em cena, surpreende qualquer um que achava que ele só era capaz de fazer filmes de ação.

Repito, uma obra-prima. Incrível, magnífico, surpreendente no roteiro e nas atuações, hipnotizante e emocionante. E mesmo após 11 anos de seu lançamento, vale a pena ser resgatado e apreciado.

NOTA: 10




Embriagado de Amor
(Punch-Drunk Love, 2002)

Nesta sutil comédia romântica, bem fora dos padrões, PTA também dirige e escreve o roteiro. Um filme bem leve e com uma direção impecável.

Na trama, Barry (Adam Sandler) é um pequeno empresário, que vende algumas criações num depósito, mas que tem a noção de que isto não lhe trará dinheiro, para resolver seu problema financeiro, ele descobre uma falha na promoção de uma compania aérea, comprando alguns pudins no mercado, ele conseguiria uma grande quantidade de milhas para viagens de graça. Logo, ele se torna um "viciado em pudim", sem que ninguém saiba seu plano incrível. Trabalha de terno para provar a si próprio que seu trabalho é sério e tem sete irmãs, o que para ele é uma desgraça, pois desde criança sempre foi sete contra um, e devido a isso, foi alvo de brincadeiras e humilhações que seguiram durante toda sua vida, e toda sua infelicidade, guardada, ele expõe para o mundo com algumas crises de raiva e depressão repentinas.

Até que conhece Lena (Emily Watson), uma mulher tão estranha quanto ele, e logo ele se identifica, entretanto, ele não tem a menor idéia de como ser legal e amar alguém. E aos poucos ela vai entrando neste estranho e louco mundo de Barry e descobre que a vida do rapaz é muito mais fora do comum do que ela imaginava, principalmente quando ele começa a ser perseguido por mafiosos perigosos, que dizem que Barry tem uma dívida com eles.

"Embriagado de Amor" nos mostra com bastante delicadeza essa estranha história de amor e a busca de um cara perdido no próprio mundo em ser forte e ser capaz de fazer alguém feliz. Um roteiro bem dirferente para uma comédia romântica e sua direção também caminha por novos rumos, cenas longas e silenciosas, humor bastante sutil e referências a filmes clássicos de romance, construindo cenas memoráveis.

O defeito fica na introdução de personagens necessários, porém, muito mal desenvolvidos, como os mafiosos, liderado por Philip Seymour Hoffman, se tornando vilões patéticos, o problema que eles acabam tendo bastante destaque na trama, destruindo toda a história que estava indo maravilhosamente bem.

Adam Sandler é a surpresa da vez, muito bem como ator de comédia, ele surpreende também nas cenas mais tensas e dramáticas. Emily Watson, sempre incrível, com seu jeitinho meigo e seu carisma inquestionável, ela facilmente conquista o público. Vale a pena pelos dois, pela inovação do gênero comédia romântica e pela impacável direção de Paul Thomas Anderson. Um filme belo e divertido, mas que infelizmente derrapa na história, acabando de um jeito sem graça, destruindo aquilo que era para ser perfeito.

NOTA: 6

domingo, 19 de setembro de 2010

2 em 1: Tim Burton

Tim Burton, um dos diretores mais adorados do cinema, digamos, não contribuiu muito para a sétima arte este ano com seu péssimo "Alice no País das Maravilhas", por outro lado, muito contribuiu para o cinema em geral, com sua visão inovadora, e recentemente vi dois de seus filmes: Ed Wood e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Sempre é valido relembrar o bom e velho Tim Burton que todos torcemos para voltar num projeto muito melhor!

por Fernando Labanca


Ed Wood (Ed Wood, 1994)

Ed Wood, considerado um dos piores diretores de toda a história do cinema. Não tinha a menor noção do que fazia, ou melhor, até tinha, mas o que para ele era ótimo, para o bom senso era patético e de mal gosto. Tim Burton resolveu, então, como forma de homenagear este diretor que no final das contas acabou se tornando "cult", dirigiu "Ed Wood" com Johnny Depp no papel do próprio irreverente e excêntrico diretor do título.

O filme acompanha o desejo do jovem diretor em filmar sua obra-prima, sem nem ao menos ligar para o que os outros pensam e com ajuda de alguns colegas e de sua esposa, também atriz, Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker). Produtor de ficções ciêntíficas e filmes "trash", Ed finalmente escreve o roteiro de sua vida, "Glen ou Glenda" onde expõe a sua vontade de se vestir de mulher e consegue vender a idéia para uma pequena produtora que estava atrás de um novo roteiro e apostou na idéia de Ed.

Não tendo percepção alguma do que seja uma "boa produção", não tendo condições financeiras para um grande projeto, e não tendo noção alguma de sua incapacidade em fazer algo bom, Ed vai em frente, enfrentando a crítica, as crises de sua esposa, e a ainda passa a contar com a ajuda de Bela Lugosi (Martin Landau), ator decadente que por falta de opção passa a coloborar com a péssima equipe tecnica e a péssima equipe de atores que o acompanham.

Quando vi, não me simpatizei muito, eis que tive a oportunidade de assistir "Glen ou Glenda" do verdadeiro Ed Wood, e me espantei. O filme tem uma idéia boa mas é mal realizado e isso é nítido. Mas o que mas me espantou foi a genialidade de Tim Burton, pois só ali percebi o quão fiel ele foi ao projeto de Ed, conseguiu com perfeição capturar a essência do diretor. Fimado em preto e branco, "Ed Wood" trás referências fortes do próprio estilo do cineasta sem perder o estilo do próprio Tim Burton, que aliás não poderia ser outro diretor a realizar esta obra.

Todos os defeitos que achei ter achado em "Ed Wood", nada mais foram que referências bem feitas às obras do falecido diretor. Portanto, filme muito bem realizado. Ainda vemos Johnny Depp, hilário e muito bem na tela e Martin Landau vencedor do Oscar por seu papel. Além de Sarah Jessica Parker e Bill Murray, também interessantes. Vale a pena, não é a obra-prima de Tim Burton, mas com certeza, apesar do humor quase pastelão, uma de suas obras que mais merece respeito.

NOTA: 7



A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999)

A história ocorre em 1799, e mostra a jornada do investigador Ichabod Crane (Johnny Depp, mais uma vez) a uma comunidade distante para descobrir misteriosos assassinatos onde as vítimas sempre são encontradas sem a cabeça. Muitos acreditam que este assassino é um fantasma, um ex-combatente de guerra que perdeu sua cabeça numa batalha e voltou para resgatá-la.

Enquanto as investigações acontecem, Crane ainda tem que lidar com pesadelos sobre seu passado que agora o atormentam, e para seu alívio conhece a bela Katrina (Christina Ricci) que passa a ajudá-lo, e os dois acabam se apaixonando.

Basicamente é isso, o resto são perseguições, cabeças sendo decapitadas, sangue, pesadelos, tudo isso no visionário mundo criado por Tim Burton, que constrói belíssimas imagens, firmando de vez seu estilo "dark".

Johnny Depp não faz nada do que já não tinha feito antes, e seu persenagem chega a ser patético. Assim como a ótima Christina Ricci, que não se esforçou tanto, até porque sua personagem é medíocre e não exigiu nada do que ela realmente é capaz. Christopher Walker, interessante, sem nenhuma fala, acabou se saindo muito melhor que seus últimos trabalhos, onde fala.

Estéticamente, maravilhoso. Entretanto, como filme, "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça" deixa a desejar. A história é interessante, e o filme até que tem um bom rítimo, mas não empolga. É uma fantasia de terror, que não agrada as crianças por ser muito assustador e muito menos os adultos por ser uma obra, apesar do tema, ser tratado com bastante imaturidade. É tipo um filme de terror feito pela Disney, não convence. Ou seja, assista numa tarde onde não tiver nada melhor para fazer.

NOTA: 5

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

2 em 1: Woody Allen

Woody Allen, conhecido por suas comédias irreverentes e de alto nível!! Este ano ele irá lançar seu mais novo filme "Você vai conhecer o homem dos Seus Sonhos" com Antonio Banderas e Naomi Watts e já está filmando mais um projeto, "Midnight in Paris", com a primeira dama francesa, Carla Bruni, Marion Cottilard e Owen Wilson.

Aproveitando a boa fase do diretor, decidi postar dois de seus filmes que assisti recentemente: Manhattan (1979) e Melinda e Melinda (2004).

por Fernando Labanca


Manhattan

O filme de 79, conta com Woody Allen não só na direção como também protagonizando, numa história ambientada em...como é mesmo o nome? Ah! sim, Manhattan, Nova York. Conta com a participação de sua musa de longa data, Diane Keaton e Maryl Streep.

Na história, Allen é Isaac Davis, de 42 anos, escritor, não muito satisfeito com sua profissão, ainda tem que lidar com sua ex-esposa, Jill (Streep) que o largou por outra mulher a ainda por cima, resolveu escrever um livro sobre o relacionamento com ele, contando detalhes picantes e o destruindo moralmente o transformando em um ser detestável.

Isaac, também seguiu com sua vida, mantém um caso com uma jovem de 17 anos (Mariel Hemingway), porém não se entrega completamente. Eis que conhece a nova namorada de seu melhor amigo, a bela Mary (Keaton), uma mulher independente, inteligente, tão culta e arrogante quanto ele. De pequenas discussões, acaba surgindo uma amizade, e os dois percebem o quanto são parecidos um com o outro. Até que ela abandona seu amigo, e ele percebe que nada mais pode impedir que fiquem finalmente juntos, é quando ele se entrega verdadeiramente. Entretando, quanto mais Isaac a conhece, mais ele percebe a sua distância, e que talvez Mary não o ame da mesma maneira que ele.

Filmado inteiramente em preto e brando, Woody Allen capta cenários encantadores de Manhattan, a trazendo inteiramente para dentro da história. Ainda vemos a intelectualidade daquele que dirige e atua, em diálogos cheios de referências à literatura e clássicos do cinema.

Filme engraçadinho, com uma história bastante interessante e um final bem diferente do convencional. O ponto alto, definitivamente são os diálogos, espertos e bastante inteligentes. As atuações são boas, exceto da inexperiente Muriel Hemingway, com uma personagem de destaque, faz com que cenas que deveriam ser interessantes se tornem muito fracas, por outro lado, é delicoso ver Woody e Diane contracenando, os dois demonstram muita intimidade em cena.

"Manhattan" é interessante, vale a pena ser conferido. Para muitos é um clássico, para mim, não muito marcante, encontrei muitos pontos positivos, porém nada de tão diferente, nada que fizesse desse filme grandioso, quando o filme acaba você continua seguindo sua vida normalmente, como se nada de tão importante tivesse acontecido, ou seja, filme facilmente esquecido.

NOTA: 6,5


Melinda e Melinda

Uma brincadeira de Woody Allen. Um desafio para um roteirista onde desenvolve de um mesmo ponto de partida, duas histórias paralelas e muito distintas.

Um grupo de intelectuais se reunem num restaurante (cena que me lembrou muito "Manhattan"), dentre eles está dois escritores de teatro, um de comédia outro de drama e cada um, num discurso bastante consistente tenta defender seus estilos. É quando, numa brincadeira, começam uma história e cada um vai desenvolvendo de acordo com seus gêneros.

Eles criam Melinda (Radha Mitchell), uma jovem que misteriosamente aparece num jantar de amigos. Na tragédia, uma mulher que reaparece, muitos anos depois, para antigos colegas, eles a abrigam e tentam concertar sua vida, toda despedaçada, e aos poucos, vão guiando um novo caminho para Melinda, e para isso lhe apresentam um dentista elegante (Josh Brolin), mas é por um músico culto por quem ela acaba se apaixonando (Chiwetel Ejiofor), e ao mesmo tempo em que começa a seguir o trilho certo percebe que aqueles que a hospedam estão infelizes.

Na comédia, Melinda, uma mulher desesperada e perdida acaba se deparando num jantar entre amigos. Curiosos, eles começam a perguntar sobre sua vida e como ela foi parar ali, e todos acabam se envolvendo com a louca jornada da desconhecida. Porém o que mais se interessa é Hobie (Will Ferrell) e começa aos poucos se apaixonar por ela, o problema é que ele é casado.

E ambas as histórias acabam que se fundindo e criando um novo gênero, a comédia dramática ou a também conhecida "tragicomédia". Seria a vida uma comédia ou um drama? Tudo depende de como olhamos para ela, de como a enfrentamos. Uma idéia incrível, entretanto, é um daqueles casos onde a idéia é muito maior que o próprio filme, que não consegue se manter do início ao fim e não consegue ser tão grandioso quanto sua proposta.

O elenco é de peso, Radha Mitchell na oportunidade de sua carreira, qualquer atriz gostaria de ser Melinda e ter a chance de desenvolver dois estilos em um só filme. Uma ótima atriz, isso é inegável, porém apesar de Melinda ser a personagem dos sonhos, Woody Allen não esforça tanto para escrever a personagem e acaba sendo bastante fraca, tanto na comédia quanto na tragédia. O elenco ainda conta Will Ferrel, o melhor de todos, Chiwetel Ejiofor, Chlöe Savigny, Amanda Peet, Steve Carell, Johnny Lee Miller, todos corretos, mas sem nenhum destaque. Vale a pena pelos cenas de Radha e Ferrell, as únicas que dão um pouco mais de empolgação.

Recomendo pela experiência, mas o filme está longe de ser um dos melhores de Allen, não agrada nem aqueles que curtem drama e nem aqueles que curtem comédia, não chega a ser engragado, muito menos emocionante. Extremamente morno e sem sal. Que além da curiosidade, não desperta nenhum sentimento naqueles que assistem.

NOTA: 5

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Crítica: Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones, 2009)

Filme que chegou aqui no Brasil no início do ano, e conta com a direção do aclamado Peter Jackson, trás uma história interessante, mas um resultado nem tanto assim!

por Fernando Labanca


Muito se comentou deste longa no período de suas gravações: "novo filme de Peter Jackson fala sobre uma jovem estrupada e assassinada!!!!". Dakota Fanning estava envolvida no projeto, mas foi proibida pela família pela temática muito forte. Já tinha cara de ser um dos grandes indicados ao Oscar. Enfim, na grande premiação, foi esquecido, ficando apenas com a indicação de Melhor Ator Coadjuvante para Stanley Tucci e quando chegou ao Brasil dividiu a crítica e todos viram que se tratava de uma obra muito abaixo de qualquer expectativa.


Na história, década de 70, Susie Salmon vive feliz com sua família, seu pai Jack (Mark Wahlberg), sua mãe Abigail (Rachel Weisz) e sua irmã Lindsey (Rose McIver). São da classe média e vivem no subúrbio da Filadélfia. Susie era feliz, isso era nítido, tinha a fotografia como hobbie e na escola uma paixão por um jovem de sua classe, Ray. Até que descobre que essa paixão pode ser correspondida e marca um encontro com o jovem. No mesmo dia, enquanto voltava para casa, depois da escola, se depara com seu vizinho, o solitário George Harvey (Stanley Tucci), ele a convida para conhecer uma de suas invenções, uma "casa" subterrânea. Susie aceita o convite. Ela é estrupada e assassinada.


Com a trágica notícia, a família Salmon não aceita os fatos. Abigail não aguenta a pressão e vai embora de casa, por outro lado a família ganha a chegada da avó de Susie, Lynn (Susan Sarandon). Descontrolado com a situação, Jack começa uma busca interminável ao assassino de sua filha, não confiando na incompetência dos policiais. Em outra dimensão, Susie numa espécie de limbo, o paraíso, onde ainda não se desligou de seu corpo totalmente, acompanha a trajetória daqueles que ficaram, suas desilusões, seus desejos de vingança e percebe que muito do que ela era permanece, um encontro com Ray que não aconteceu, sua família que não se despediu e um assassino que continua sua vida como se nada tivesse acontecido. No fundo ela ainda deseja um fim para essa história e só assim se desligaria por completo.




"A história de uma vida e tudo que veio depois", Um Olhar do Paraíso nos mostra com bastante delicadeza essa trajetória pós-morte, não se trata de uma conversão ao espiritismo, mas sim, nos mostra a história de uma morte e tudo o que dela permanece na vida daqueles que ficam. E essa delicadeza, Peter Jackson nos mostra através de diálogos interessantes, efeitos especiais e uma fotografia que nos remete a um sonho, tudo extremamente belíssimo, usa cores leves onde em cada cena tem um significado para estar lá, através das cores, percebemos a tensão, o desespero ou a sensibilidade daquela que nos narra, Susie Salmon.



Por outro lado, essa delicadeza chega ao extremo. Como contar uma história sobre uma jovem de 14 anos, assassinada de forma tão trágica, de forma tão angelical? Não faz sentido e isso torna o filme estranho e imcompreensível. Peter Jackson optou por não levar essa história ao dramalhão, tranformando esse trágico episódio em algo poético, belo aos olhos, fantasioso. E devido a isso, foge completamente da realidade, faz tudo parecer uma mistura de comercial de sabão em pó e margarina, de tão belo que é, e essa delicadeza definitivamente não se encaixa no contexto!


Outro fato que se torna imcompreensível são as personagens. Colocar uma atriz do nível de Rachel Weisz num papel tão patético, sua participação se torna tão inutil e isso não deveria acontecer, aliás ela é a mãe daquela que morreu, mas felizmente (ou não) logo sai de cena. Mark Wahberg se esforça de uma maneira como poucas vezes se esforçou em sua carreira, compreende seu personagem e interpreta de forma convincente, entretanto, o desenvolvimento e o roteiro escrito para Jack Salmon também é fraco e todo seu esforço vai para o ralo. Susan Sarandon está ótima, a personagem mais engraçada, levanta o astral completamente, mas parece fazer parte de outro filme e sua personagem também não faz o menor sentido na trama.


Ok, esses dois merecem um parágrafo para eles: Stanley Tucci e a protagonista Saoirse Ronan. Ele, ator veterano, indicado ao Oscar esse ano por sua atuação, realmente merece destaque, constrói um personagem interessantíssimo, o que melhor foi desenvolvido na trama. Uma atuação memorável digna de elogios. Já Saoirse, jovem atriz, entra de cabeça em seus projetos, definitivamente faz desse filme ser muito melhor do que deveria ser, se ela não fosse a protagonista não sei o que seria de "Um Olhar do Paraíso", ela segura o filme nas costas e o carrega até o final, sem derrapar. Enfim, esqueça a direção imcompreensível de Jackson, efeitos especias, atrizes como Rachel Weisz e Susan Sarandon, este filme se resume a somente dois elementos: Saiorse Ronan e Stanley Tucci!



Sim, o longa está abaixo de minhas expectativas, que sinceramente era bem altas. Mas mesmo assim, recomendo e com certeza verei outras vezes. Apesar de imcompreensível e muitas vezes Peter Jackson derrapar legal em sua direção (aliás existem cenas tão mal feitas que até se esquece que é feito por ele!), o filme merece ser visto, pelo menos uma vez, nem que seja para criticar, mas não merece a indiferança. Apesar dos pezares, é bonito, emocionante em determinadas sequências, engraçado em outras, o filme ainda trás grandes cenas e um final até que interessante. Não deixe que este longa passe despercebido. Recomendo, mas não tenha tanta pressa!


NOTA: 7

Trailer Legedado

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Crítica: Star Trek (2009)

Star Trek, uma das criações mais influentes da história do cinema, uma ficção científica que marcou gerações. Criada em 1966 em uma série de televisão, a história já serviu de base para mais cinco seriados e onze filmes. A resenha agora nada mais é que sobre o décimo primeiro longa que estreou ano passado e teve 4 indicações ao Oscar 2010!

por Fernando Labanca

Intitulado apenas de Star Trek, o filme se baseia nos personagens originais criados em 66 por Gene Roddenberry. Dirigido por JJ Abrams, o filme tem o intuito de nos mostrar o início desta longa saga, ou seja, não se trata de um "remake", é simplesmente um novo começo, com argumentos originais.

O filme já começa com uma grande batalha, o vilão e romulano Nero (Eric Bana) vindo diretamente do futuro, cria uma guerra atrás de um grande inimigo, Capitão Spock, mas desta guerra, acaba tendo consequências trágicas, como a morte do capitão George Kirk, que entregou sua vida para salvar milhares, virou uma lenda.



Muitos anos depois, com a nave USS Enterprise recrutando novos tripulantes para missões espaciais, há a chegada de jovens inspirados, com a telentosa Uhura (Zoe Saldana) e Spock (Zachary Quinto), um ser meio humano e meio vulcaniano que desde criança sofreu preconceito por suas origens e desde sempre aprendeu a ser forte psicologicamente e por isso não consegue transmitir sentimentos. Ainda há a chegada de James T.Kirk (Chris Pine), um jovem viciado em adrenalina, que sempre se depara em briga nos bares, até que o capitão da Enterprise, Christopher Pike, o incentiva a seguir o rumo de seu pai, George, que muito fez pela Federação e acredita que James é a nova salvação. E com a ajuda de um amigo, Leonard McCoy (Karl Urban), também novo tripulante, James acaba parando na nave. Tendo Spock como comandante, entre outros tripulantes, a USS Entrepise embarca numa grande missão, a investigação de uma misteriosa tempestade magnética.

Lembrando do histórico do pai, James, menosprezado pelos demais, percebe que tudo isso nada mais é que uma armadilha de Nero. Durante 25 anos, Nero esperou por Spock e começa a tramar seu grande plano de captura, a vingança de algo que no presente nem chegou a acontecer. Exilado por mau comportamento, James T.Kirk se depara com o impossível, diretamente do futuro, Spock (Leonard Nimoy, da série original) o prova o caos que o futuro lhes espera, e que só ele poderá salvar a vida dos demais. Ele cometeu um erro no futuro e voltou para reparar os danos. A partir de então, James volta, enfrentando a inimizade de Spock e tentando impedir que os mesmo erros aconteçam.



Enfim, o filme ainda reserva muitas outras surpresas que prefiro não comentar pra não estragar as inúmeras novidades deste novo Star Trek. Viagens para futuro, seres de outros planetas, monstros de outros planetas, batalhas visualmente belíssimas e sequências arrebatadoras, personagens inteligentes e muito bem desenvolvidos, diálogos espertos e bem escritos. Ou seja, difícil é achar um defeito para esta mega produção, que me pegou de surpresa, sinceramente não esperava muita coisa.

Um filme feito, não só para os fãs, mas também para aqueles que nunca se sentiram envolvidos com a saga, assim como eu, mesmo aqueles que nunca viram nenhum filme e nenhum episódio de nenhuma série, não irá se sentir perdido. E para aqueles que já viram, ainda estarão diante de algo novo. E este é o triunfo de Star Trek, por conseguir inovar aquilo que já estava fadado ao esquecimento, aquilo que há muitos anos deixou de ser novidade, um caso raro de resgatar algo do passado e ser tão bom quanto, ou quem sabe, até melhor.

JJ Abrams surpreende, Star Trek é um filme poderoso, extremamente bem cuidado, os efeitos especiais são ótimos, ajudado pela ótima fotografia e ainda temos uma trilha sonora empolgante muito bem utilizada. Vencedor do Oscar deste ano por Melhor Maquiagem, merecidamente, logo que fez Eric Bana estar irreconhecível. Aliás, Eric Bana é outra surpresa do longa, excelente como vilão, os outros também estão ótimos em cena, Chris Pine também surpreende, assim como Zachary Quinto que desenvolve um personagem interessantíssimo. Zoe Saldana sempre bela e compenetrada em cena, ainda temos Simon Peg, com seu humor britânico, divertindo fácil.

Ou seja, imperdível! Mesmo quem nunca suportou essa invenção, não deixe de assistir, um filme único, maravilhosamente bem feito. Hipnotizante, inteligente, ágil, dinâmico, divertido, incrível como pouquíssimas ficções científicas, deixa os "novos" episódios de Star Wars no chinelo!


NOTA: 9,5




















Trailer Star Trek - Legendado

sábado, 11 de setembro de 2010

3 em 1: Nacionais

Dentre os últimos filmes nacionais que vi, tive uma grata surpresa, ambos fogem completamente dos estereótipos que muitas pessoas colocam sob as produções do Brasil. Para aqueles que acham que cinema nacional se resume a palavrões, cenas de sexo e violência, não deixem de ver esses três grandes filmes: A Máquina (2006); Divã e Jean Charles (2009).

por Fernando Labanca



A Máquina
, de João Falcão (2006)

Diferente de todos os filme nacionais que já vi, ponto! Nada se compara a esta deliciosa produção, baseada no livro de Adriana Falcão, que virou peça de teatro dirigida por João Falcão, seu esposo, que posteriormente dirigiu este filme.

A história ocorre em Nordestina, cidade desconhecida e minúscula que não está nem no mapa. Nela, vive moradores que sonham em "ganhar o mundo", sair e viver a vida longe dali. Porém entre eles, está Antônio (Gustavo Falcão), um jovem sonhador, que não vê problemas em realizar seus sonhos naquele fim de mundo, mas para seu desespero, Karina (Mariana Ximenes), sua grande paixão, sonha em ser atriz e ser famosa, ter o mundo ao seus pés.

Para não perder sua amada, Antônio tem uma inusitada idéia, impedir que Karina ganhe o mundo lá fora, e para isso, decide trazê-lo para ela. Para isso, ele vai até as principais mídias, ou seja, as pincipais redes de televisão, não só do Brasil, como a de todo o mundo, dizendo que criou uma máquina do tempo, e diz a data e o horário em que ele viajaria para o futuro. 50 anos depois, Antônio (Paulo Autran), espera o dia e o horário para impedir que seu "eu" passado repita o mesmo erro de 50 anos atrás. Como tudo isso ocorre? Só assistindo para ver, não vou estragar a grande surpresa do filme!

Para falar a verdade, "A Máquina" é a única ficção científica brasileira que já vi, se existem outras, não tive a oportunidade de conhecer. E por isso, o grande mérito do longa, por inovar em todos os sentidos pelo o que conhecemos de "cinema nacional". Até mesmo os cenários são diferentes, um estúdio fechado, no melhor estilo da série global "Hoje é Dia de Maria", com diálogos poéticos, inteligentes e muitas vezes engraçados e com atuações teatrais e geniais. Gustavo Falcão, incrível e Paulo Autran acho que não preciso comentar. Ainda temos Mariana Ximenes dando o ar de sua graça e veteranos fazendo participações como Vladimir Brichta, Wagner Moura e Lázaro Ramos. Assista, o resultado vale muito a pena!

NOTA: 8,5



Jean Charles, de Henrique Goldman (2009)

Em 2005, a morte de Jean Charles causou grande impacto em muitas pessoas, e como não causar? Um brasileiro, assassinado por policiais ingleses num metrô, confundido por um terrorista.
O filme, dirigido por Henrique Goldman e com produção executiva de ninguém mais que Stephen Frears (Alta Fidelidade, A Rainha e Cheri), conta a trajetória deste brasileiro antes de sua morte.

Jean Charles (Selton Mello), vive em Londres, o que para muitos seria viver um sonho, para ele, é correria total, tenta sobreviver e dar a família dele, aqui no Brasil, uma condição financeira melhor. Vive com seus amigos, tembém longe de suas famílias. O longa começa com a chegada de sua prima Vivian (Vanessa Giácomo) na cidade, e mostra suas dificuldades em viver num mundo tão diferente. Ao mesmo tempo, mostra os conflitos de Jean, que sempre com aquele jeitinho brasileiro tenta sobreviver, trabalha no que for preciso e ainda ajuda brasileiros a entrarem ilegalmente ao país.

O filme basicamente é isso, a trajetória de jovens tentando viver um sonho, tentando buscar um espaço num lugar onde sabem que nunca serão deles. Enquanto isso, em Londres, atentados assustam a população, explosões inesperadas em locais públicos. Até que em um dia qualquer, Jean é morto, à oito tiros. Esta é a vida, inexplicável, impossível viver como se fosse o último dia, como alguém iria imaginar que morreria de tal forma?

Um filme muito bem feito, com uma fotografia belíssima que facilmente confundida com qualquer filme estrangeiro, as locações externas muito bem capturadas. Selton Mello muito bem em cena, uma de suas melhores interpretações, arrisco dizer, consegue não trazer seus trejeitos de sempre, construindo um personagem novo. Ainda temos os ótimos Luis Miranda e Vanessa Giácomo.

O grande mérito de "Jean Charles" é não transformar o brasileiro num santo, como alguém perfeito que só fazia o bem. Não, Jean Charles aqui é um ser humano qualquer, humilde, amigo, mas também tem seus defeitos, não é santo, se tiver que mentir, mente, vale tudo por sua sobrevivência. E sem forçar a barra, o longa consegue trazer grandes reflexões.

NOTA: 7



Divã, de José Alvarenga Jr (2009)

Do mesmo diretor de "Os Normais" e baseado na obra de Martha Medeiros, Divã, definitivamente é um dos melhores filmes nacionais que vi nos últimos anos. O diretor consegue usar as fórmulas para um grande sucesso de público e ao mesmo tempo usar da profundidade e complexidade para desenhar a trajetória dessa grande personagem, Mercedes, interpretada brilhantemente por Lilia Cabral.

O filme começa quando Mercedes decide ir ao psicanalista, sentar do divã e falar sobre sua vida. Uma mulher que tem tudo que qualquer uma luta em ter, um marido presente, filhos, uma casa, dinheiro suficiente para viver e sustentar sua família, uma amiga adorável com quem troca segredos. Enfim, uma vida perfeita.

Entretanto, ao falar sobre sua vida, ela começa analisar, sem a ajuda do profissional, o quão vazio pode ser tudo isso, seria ter uma vida que todos sonham em ter a verdadeira felicidade? É quando revê seus conceitos, percebe que seu marido não é o amor de sua vida, pede o divórcio e começa a ter uma vida diferente, uma vida a qual nunca imaginou ter, um escape, uma fuga da rotina, da mesmice, namorados, baladas, novas descobertas, percebendo que nunca é tarde para viver a vida, não da maneira em que deve ser vivida, mas da meneira que a deixa mais completa.

Tudo isso de maneira bastente cômica e original, é hilário ver Mercedes dando uma de adolescente, quebrando a cara, levantando e tentando tudo de novo, mas ao mesmo tempo é belíssimo essa trajetória de alguém que cansou do "mesmo de sempre". E ainda, o longa deixa reservado espaços para granes surpresas, conflitos não faltam, nada é tão fácil e belo quanto parece.

As atuações são ótimas. Lilia Cabral já dá um show na televisão, no cinema então. Simplesmente arregaça com sua Mercedes. Ainda temos José Mayer, que pela primeira vez o vi como um ator de verdade, não mais como um galã de novela, com o mesmo jeito e as mesmas expressões, aqui ele trás algo novo. Alexandra Richter, de humorista do "Zorra total" a uma grande atuação no cinema.

Enfim, vale muito a pena ver este filme, inteligente, complexo como poucos no cinema nacional, que faz refletir, se emocionar e se divertir. Simplesmente incrível, fantástico.

NOTA: 9,5

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Crítica: O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, 2009)

Vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro, o argentino "O Segredo dos Seus Olhos" desbancou filmes como o favorito "A Fita Branca" de Michael Henecke, e prova que não só em Hollywood são feitos filmes de grande impacto!

por Fernando Labanca

Uma das surpresas do Oscar deste ano, foi ver um filme argentino como indicado, maior surpresa ainda foi vê-lo ganhando, o segundo de toda a história. Dirigido por Juan José Campanella o filme conta a história de Benjamin Esposito (Ricardo Darín), que trabalhou durante muitos anos num departamento de justiça, aposentado e com muito tempo livre, ele decide escrever um livro. Porém, somente duas coisas não saem de sua mente e somente delas conseguiria escrever: um crime hediondo resolvido de forma trágica e um amor interrompido, deixado pelo tempo, jamais resgatado. Decide escrever sobre o crime.

Em 1974, Benjamin, funcionário público e oficial de justiça, trabalha ao lado de seu grande e fiel amigo, Pablo Sandoval. O departamento em que trabalham fica responsável por investigar o estupro e assassinato de uma mulher, o crime que nunca mais esqueceu. Para as investigações, ele conta a ajuda de sua superior, Irene (Soledad Villamil), com quem mantém uma paixão secreta, logo que ela fica noiva, e de uma relação basicamente profissional, nasce uma amizade. E para solucionar o crime, Banjamin e sua equipe começam a utilizar métodos não muito convencionais, como por exemplo, ter um dos principais suspeitos um jovem, amigo de infância da vítima, em que olhava com certa obsessão e mistério em uma antiga foto, e este simples olhar, definiu toda a investigação.


Fugas alucinantes, assassinatos, um jogo de mistérios e segredos surge, num crime que marcou uma época e teve a vida dos envolvidos marcadas de uma forma muito mais profunda que todos imaginavam. E voltando no tempo para conseguir escrever sua história, Benjamim percebe que há muito o que fazer por este assassinato, que não teve seu final merecido, e mais do que isso, resolver sua vida amorosa com aquela que esteve durante todos os anos ao seu lado, Irene, sua grande paixão.

Juan José Campanella, primeiro filme que assisto do diretor, e fiquei muito surpreso com o resultado. Seu trabalho é excepcional, fantástico, cria uma teia de acontecimentos que na mão de outro diretor poderia dar errado, mas ele consegue guiar toda a história de uma forma incrível, capaz de prender o público do primeiro ao último minuto. Ainda constrói cenas memoráveis como um fuga num estádio de futebol lotado, perfeito!


Claro que a direção não chama tanta a atenção se o roteiro não ajudar, mas a história de "O Segredo dos Seus Olhos" é de deixar qualquer um de boca aberta no final do filme, não só pelo final surpreendente, mas por todos os acontecimentos. Baseado num livro, o longa faz uma deliciosa mistura de suspense, romance e drama, e sem deixar de contar o grande humor com boas piadas nas horas certas. E o triunfo foi fazer todos esses estilos acontecerem de forma conjunta, sem deixar a desejar em nenhum deles.

As atuações estão incríveis, atores que se entregam a suas personagens de forma interessante, se permitindo trabalhar em diferentes tipos de cena, sendo ela cômica ou dramática. Uma das grandes surpresas do ano, definitivamente, e um dos melhores finais do ano. Vale cada centavo, um filme maravilhoso, que com certeza mereceu seu Oscar. Para quem, assim como eu, curte arriscar em novas produções e apostar em filmes de outros países que não seja Brasil e Estados Unidos, não vai se arrepender, garanto!

NOTA: 9,5

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