domingo, 7 de novembro de 2010

4 em 1: Suspense/ Terror

Pegando carona nos especiais de "terror" feitos aqui no blog, resolvi comentar um pouco dos que vi recentemente ( e dos que valem a pena comentar)! Atualmente, não é sempre que surge filmes decentes do gênero, como a Babi disse, os melhores ficaram nos anos 80, mas ainda há algumas raras excessões, e quando elas aparecem, merecem destaque. Citarei então quatro, e mesmo com seus defeitos, valem a pena serem assistidos!

por Fernando Labanca



Contatos de 4º Grau (The Fourth Kind, 2009)

Suspense misturado com ficção ciêntífica, o longa, lançado este ano no Brasil, causou polêmica ao falar de casos de abdução alienígena e dizer que todos os fatos contados eram reais. Logo no início do filme, a atriz Milla Jovovich aparece como ela mesma dizendo que o estamos prestes a ver é algo perturbador, baseado em entrevistas reais arquivadas e o que tentarão fazer é uma reconstituição fiel a elas.

Milla interpreta a psicóloga Abigail Tyler que após ver seu marido misteriosamente morto em sua cama, resolve pesquisar a fundo acontecimentos instigantes no Alaska, onde começa a relacionar e tentar compreender o que houve com ele. Ela, como psicóloga, tem três pacientes com sisntomas semelhantes, de insônia, acordam sempre as 3 da manhã e se deparam com uma coruja em suas janelas.

A partir de então, o longa mostra a trajetória dessa mulher para descobrir a verdade e todos os obstáculos que ela passa a enfrentar devido a isso, principalmente quando começa a ter um grande avanço em suas consultas e presencia imagens surreias, todas gravadas (que supostamente, posteriormente serviu como fonte para a realização do filme).

Um filme bastante realista e devido a isso assustou muitas pessoas, as imagens não são tão fortes, mas a maneira como é mostrada, sempre mesclando entre realidade e ficção acaba chocando. Por outro lado, ao meu ver, é tudo muito nítido de que tudo se trata de uma grande mentira, histórias e personagens que eles dizem e mostram e ainda tentam provar que são reais, são todos, na verdade, grandes invenções. Seria muito mais interessante, e porque não, mais justo e mais ético da parte dos realizadores, inventar e criar uma ficção, qual seria o problema? Mas não, eles preferem mentir na cara dura, até porque a farsa foi provada, acreditando que o público é realmente sem noção e que vai acreditar, ou seja, nos subestimam e você termina se sentindo um grande idiota.

Posso parecer contraditório, mas vale a pena assistir. Milla Jovovich convense na pele da doutora, e além disso, tudo é muito bem feito, e apesar das mentiras contadas, é interessante a tentativa e o resultado acaba que sendo satisfatório, simplesmente pela seriedade com o qual é tratado o tema. Vai de cada um, tem gente que acredita e o filme tem capacidade de influenciar muitas pessoas. Apesar de alguns aspectos positivos do longa, é impossível não levar em consideração a grande farsa e por isso...

NOTA: 5






Garota Infernal (Jennifer's Body, 2009)

Da aclamada roteirista Diablo Cody, premiada por "Juno", ela chutou o balde e resolveu adaptar um de seus livros, com produção executiva de Jason Reitman, diretor do filme que a consagrou e direção de Karyn Kusama.

No longa, Megan Fox é Jennifer, uma sexy líder de torcida, popular e desejada por todos os garotos da escola, por onde anda chama a atenção e ofusca todos ao seu redor, principalmente de sua melhor amiga, a nerd Needy (Amanda Seyfried). As duas são amigas de infância e apesar de terem personalidades completamente opostas não se largam.

Até que, certa noite, num show de rock, enquanto as duas se divertiam, ocorre um incêncio, e na fuga, Jennifer aceita o convite dos estranhos caras da banda para entrar na van deles. Depois disto, Jennifer nunca mais foi mesma. Ela retorna para a casa de Needy sangrando e vomitando coisas estranhas e no dia seguinte não se recordava de nada. Asssutada, Needy começa a tantar desvendar os mistérios que cercam a amiga que a cada dia se torna mais medonha. Enquanto isso, Jennifer se torna uma mulher fatal, seduzindo os pobres rapazes do colégio e se alimentando deles.

A intensão era fazer uma comédia de terror, mas o terror aqui não funciona, são poucas as cenas aterrorizantes e nem assustam tanto assim. Portanto, a comédia acaba prevalecendo e funciona, o longa se torna algo divertido pelas situações bizarras e acaba surpreendendo fácil, pelo trailer, pela história, tudo parece ser muito idiota, mas logo percebemos que o filme, apesar de grotesco, é agradável e descomprometido.

Megan Fox só sabe ser bonita e sexy mesmo, o que não atrapalha em "Garota Infernal", aliás, essa era a intenção para Jennifer, o único requisito para interpretá-la, ser sexy, nada mais. A função de atriz mesmo fica para Amanda Seyfried que toma o posto de protagonista e faz sua parte muito bem, ainda temos Adam Brody quase irreconhecível como vocalista da banda. Enfim, vale a pena ver, não tanto pelo terror, mas pela comédia, pela tosquice, que durante alguns minutos você entra naquele universo completamente nonsense e bizarro e mesmo quando termina percebe que seu tempo não foi disperdiçado.

NOTA: 7,5






2019 - O Ano da Extinção (Daybreakers, 2009)

Lançado diretamente nas locadoras aqui no Brasil, "Daybreakers" que chegou recentemente no país trás uma inovação no quesito "vampiros", enterrando de vez a família Cullen e provando que ainda se pode fazer coisas decentes neste universo dos mortos-vivos. Aliás, a intenção do longa era justamente essa, ser uma alternativa para aqueles que não aguentavam mais as delicadesas e frescuras de Edward e sua família da saga de Stephanie Meyer. Aqui, os vampiros retornam de forma muito mais digna e original.

Um vírus foi espalhado, e no ano de 2019, a maior parte da população se transformou em vampiros e eles é quem comandam na Terra, tudo para a imortalidade do ser. Sob o sol, o silêncio, quando ele se põe, as ruas ganham vida, eles se libertam e andam normalmente, estão nas cidades, trabalham, são donos dos estabelecimentos, são médicos, advogados, enfim, os vampiros dominaram o mundo. Enquanto isso, os poucos humanos que restam são caçados, capturados e armazenados numa fonte de alimentação, aliás os vampiros ainda se alimentam de sangue.

Devido a essa extinção da raça humana, aqueles que sobreviveram se uniram e vivem escondidos. No mundo das trevas, vive o vampiro Edward Dalton (Ethan Hawke), um cientista que sob o comando de seu chefe (Sam Neil) tenta encontrar uma nova fonte de alimentação, logo que os humanos estão se esgotando e no futuro estarão sem comida e esta busca acaba ganhando maior importância quando descobrem que a falta de sangue nos vampiros acaba os tranformando em seres semelhantes a zumbis, rececados, doentes, em verdadeiros monstros.

Entretanto, a busca para achar uma nova alimentação tem outro motivo para Edward, um motivo particular, parar com a extinção dos humanos, logo que dentro de si, se nega a ser como os outros vampiros, ainda existe um lado humano dentro dele e pretende mantê-lo. Eis que ele é capturado pelo grupo de sobreviventes, é onde conhece Audrey (Claudia Karvan) e Elvis (Willen Dafoe) um ex-vampiro que descobriu a cura e juntos poderão salvar a humanidade com essa nova descoberta.

Original, a palavra que define este filme. Escrito e dirigido por Peter e Michael Spierig, "Daybreakers" é definitivamente algo muito inteligente que veio na hora certa para acabar com a safra de filme ruins sobre vampiros. E vai muito além, o longa é o melhor que vi sobre este universo desde "Entrevista com o Vampiro", que não o supera, mas depois de muitos anos, finalmente um filme conseguiu, pelo menos, competir com a obra-prima de Neil Jordan.

Recomendo, para aqueles que curtem vampiros e para aqueles que não curtem também, assim como eu, não se decepcionarão. A história é ótima, o elenco é bom também, os efeitos especiais são simples, mas não chegam a atrapalhar. O longa perde um pouco o pique da metade para o final, na batalha do bem contra o mal, acaba que se tornando um filme de ação não muito diferente do que já se viu, seguindo para um final até que previsível, mas vale pela idéia inicial e pela criatividade dos realizadores.

NOTA: 8





A Órfã (Orphan, 2009)

Como de costume, sempre gosto de deixar o melhor para o final. "A Órfã", um dos melhores filme de suspense que vi recentemente. Me pegou de surpresa, algumas pessoas haviam me indicado este filme, mas como não curto muito o estilo, minhas expectativas eram baixas, mas veio a surpresa. Um filme interessante, extremamente bem feito pelo diretor Jaume Collet-Serra, com atuações marcantes e um final surpreendente e bastante original.

No longa, a história básica de uma família que perdeu um filho e decidem adotar uma criança, mas essa criança não é o que pensavam e bla bla blá. Mas o longa tem o diferencial, essa família é interpretada por Vera Farmiga e Peter Sarsgaard, que já valem o filme, com interpretações convincentes deste casal que perdeu algo. A jovem escolhida é Esther (Isabelle Fuhrman), uma adorável garota de 9 anos, que gosta de artes e música clássica, enfim, era perfeita.

O casal já tinha dois filhos, um garoto mais velho e uma pequena, surda e muda. A chegada de Esther começa aos poucos abalar a relação da família, principalmente por parte do garoto que não aceita ser "trocado". E conforme os dias vão passando, Kate (Farmiga), a mãe começa a presenciar atos estranhos vindo de uma criança, como trancar a porta ao entrar no banheiro, vigiar o casal a noite e falar palavrões.

Assustada com algumas atitudes de Esther, Kate vai contra o próprio marido e começa a pesquisar sobre o passado da menina, e começa a desvendar grandes mistérios sobre seu passado, e quanto mais pesquisa mais tem a certeza que ela não foi a melhor escolha para ser sua "filha".

Vou parar por aqui na sinopse para não estragar as surpresas, que aliás, surpresas não faltam neste suspense muito bem armado, onde desde o início somos fisgados e só nos desgrudamos no final e ainda sim, precisamos de um bom tempo para voltar a realidade. A cada cena, uma nova surpresa e no final vem a verdade, um final surpreendente, nada previsível, e muito, muito original. E este é o maior triunfo do longa, onde desde o começo temos a certeza absoluta que o filme vai ter o mesmo final dessas histórinhas, vai cair na mesmice de sempre, mas não, muito pelo contrário.

Assista, para quem gosta de suspense e terror é um prato cheio, um filme eletrizante, hipnotizador, daqueles que ficamos falando com nós mesmos baixinho, coisas do tipo "não!, Corre, atrás de você, mais depressa!!". Ainda temos o privilégio de ter Vera Farmiga como protagonista, que simplesmente dá um show de atuação, como poucas neste gênero, ainda Peter Sarsgaard muito bem em cena e a novata Isabelle Fuhrman, outra grande surpresa do longa. Enfim, imperdível!

NOTA: 9

sábado, 6 de novembro de 2010

Especial Brinquedo Assassino

Depois de ter feito o especial para um dos ícones do cinema de horror moderno (e da cultura pop, diga-se de passagem), o senhor Freddy Krueger, em meados de setembro do ano passado, resolvi que era muito importante dar espaço não só a ele, mas a todos os ícones deste gênero tão fascinante, que um dia, num passado muito distante, nos fizeram ficar acordados durante a noite, ou ter terríveis pesadelos.Sim, eu já tive medo do Chucky, assim como tive medo de Freddy Krueger, mas agora eles são os meus ídolos.Mas fico triste por que este especial vai ficar bem menor do que o de Freddy, pois não tem uma história interessante por trás da criação do boneco macabro, nem um ator com carreira relevante (a não ser Brad Dourif) e tem menos filmes do que o seu coleguinha chamuscado.Senhores, hoje eu lhes apresento mais um Especial Cinemateca.Com vocês: A Saga do Brinquedo Assassino.


Por Bárbara


Brinquedo Assassino (Child's Play, 1988):

Charles Lee Ray (Brad Dourif) era um perigoso assassino, chamado de o "Estrangulador de Lakeshore", por matar várias pessoas em rituais de magia negra.Um dia, foi perseguido e atingido por um tiro do policial Mike Norris (Chris Sarandon), e enquanto trocava tiros com ele, é abandonado pelo comparsa Eddie Caputo (Neil Giuntoli).Quando é atingido mais uma vez, fatalmente, ele se esconde numa loja de brinquedos.Querendo vingança, ele procura por qualquer corpo para transferir sua alma, já que prometeu se vingar de Norris e de Caputo.Como não tinha coisa melhor, através de feitiços de magia negra, possuiu um dos bonecos "Good Guy", um dos brinquedos mais populares do momento.Após a possessão, um raio atinge a loja, fazendo com que boa parte dela exploda.Depois da explosão, Norris decide verificar a loja, e encontra Charles (apelidado de Chucky pelos mais próximos) "morto".

Dias depois, um mendigo encontra um desses bonecos, e o vende para Karen Barclay (Catherine Hicks), que presenteou seu filho Andy (Alex Vincent), de 6 anos, com justamente o “Good Guy” possuído por Chucky.Depois de fazer algumas vítimas e de saber, por um amigo, que poderia trocar de corpo, Chucky persegue implacavelmente Andy, afim de possuir seu corpo, e dar prosseguimento a sua matança.

Comentários: De longe,o melhor da franquia.Apesar da idéia ser estapafúrdia, e das reações das vítimas serem mais estapafúrdias ainda (todos tinham medo do Chucky, um merdinha de um boneco de plástico de no máximo 60 cm de altura!!!), o longa emplaca, o ritmo é bom e ainda não há tantos erros de continuidade como o restante da série.Acreditamos piamente na maldade de Chucky, na sua frieza e isso graças a “interpretação” de Brad Dourif, tanto no início do filme, em sua forma humana, quanto na dublagem que fez ele para o boneco.E ao mesmo tempo que você torce para que Andy se salve e ache o Chucky simplesmente um filho-da-mãe,você nutre simpatia pelo boneco.Um dos poucos vilões extremamente

simpáticos, e que ao decorrer da franquia, se torna tão mais simpático do que

os supostos mocinhos, que se transforma na única razão para se assistir um filme da série Brinquedo Assassino.

Os outros protagonistas, Andy e Karen Barclay também são dignos de nota.O menininho dá conta do recado, e a mãe toma as atitudes que grande parte das pessoas tomariam em relação ao filho: acreditar nele ou achar que se trata de um amiguinho imaginário.O único que eu achei meio apagado foi o policial de Chris Sarandon, o típico tira bonzinho...Graças a Deus, os roteiristas tiveram o bom senso de não forçar um envolvimento romântico entre ele e Karen.

Em suma, Brinquedo Assassino é uma ótima opção de entretenimento, não é uma obra-prima, mas cumpre suas premissas básicas: diverte e distrai o espectador por aproximadamente uma hora e meia, e isso pra mim já basta.

Nota: 8/10.


Brinquedo Assassino 2 (Child’s Play 2, 1990):

Depois do incidente envolvendo Andy e Karen Barclay, e a linha de bonecos “Good Guy”

, o fabricante dos bonecos, a Play Pal, resolve reconstruir o

“suposto” boneco possuído.Justamente quando iriam lhe colocar os olhos, um funcionário acabou eletrocutado e a alma de Chucky (Brad Dourif) voltou para o boneco.

Dando cabo de um dos funcionários da fábrica, por meio de um simples telefonema, ele descobre o paradeiro de Andy(Alex Vincent), que foi adotado por um casal que cuida de crianças abandonadas ou retiradas de suas famílias.Chucky parte em busca de Andy para o acerto de contas, e por mais que o menino diga que está sendo perseguido pelo boneco, ninguém lhe dá ouvidos.


Comentários: Até que este não é ruim, mas fica evidente que o nível começa a cair, e que as idéias começam a acabar.Uma coisa que ainda não entrou na minha cabeça, é por que diabos Chucky volta, no corpo do mesmo boneco, sem nenhum feitiço de magia negra???Ele fez o feitiço no primeiro filme, ok, mas neste ninguém faz nada pra justificar a sua volta.Enfim, Chucky não perde tempo e já manda duas pessoas para o além em menos de 10 minutos.Facilmente, mas muito facilmente, ele descobre onde está Andy, que foi mandado para um orfanato, depois que a sua mãe insistiu que o boneco estava possuído por Chucky e acabou internada em uma clínica psiquiátrica.O menino , dias depois, foi adotado por Joanne (Jenny Agutter) e Phil Simpson (Gerrit Graham), e vivia com eles e com a adolescente Kyle(Christine Elise), a outra filha adotiva do casal.

Andy, depois do ocorrido, tenta levar uma vida normal, mesmo sem sua mãe, e também tenta provar para as pessoas, que ele não tem mais medo dos bonecos “Good Guy”, mesmo quando, abrindo um armário na sua nova casa, caiu um boneco desses em cima dele.Depois de constatar que se tratava de Tommy (cada boneco tinha um nome diferente), ele fica mais tranqüilo, mas ele não contava com a possibilidade de Chucky destruir esse boneco, enterrá-lo no quintal e se passar por ele, só para tentar possuir o corpo de Andy outra vez.Sim, Chucky “mata” e enterra Tommy no quintal, como se fosse um cadáver...memorável essa cena.

Bom, algumas pessoas próximas a Andy morrem, como sua professora, depois que ela o deixa de castigo, por que Chucky escreve na prova de Andy “Vai se foder, vadia” e ela pensa que foi o coitado do moleque, é “castigada” por Chucky logo em seguida.Como é bastante previsível , nem vou ficar com a consciência pesada de contar que o casal Simpson também morre, restando apenas Andy e Kyle contra Chucky.

A praga tenta de novo fazer o ritual, mas como já passou muito tempo naquele corpo, ele não consegue transferir sua alma para o corpo de Andy, mas ainda dá muto trabalho para ele e Kyle antes de morrer.Chucky é um bichinho muito complicado de se matar...no primeiro filme foi necessário queimar, esquartejar, degolar e balear o maldito boneco para que ele morresse (de novo).Neste filme, não é diferente, como ele está “virando” humano, ele sangra e sente dor, perde um braço, toma um banho de plástico derretido, e é explodido, finalmente dando descanso para o pobre Andy.

Apesar dos pesares, ainda é um bom filme, mas não é um clássico absoluto do gênero como o seu antecessor.

Nota: 6/10




Brinquedo Assassino 3 (Child’s Play 3, 1991):

Mesmo tendo ocorrido os eventos dos filmes anteriores, a fábrica de brinquedos Play Pal, resolve voltar a fabricar a linha de bonecos “Good Guy”.

A antiga fáb

rica (local onde Chucky (Brad Dourif) foi morto outra vez, no filme anterior) é reativada.Mas no

processo de fabric

ação dos bonecos, o sangue de Chucky, que estava dentro ao boneco destruído, já que Chucky estava se tornando um humano de novo, escorre lentamente nos tonéis de plástico derretido, dando origem a um novo boneco, e fazendo voltar a alma de Charles Lee Ray.


Logo de cara, depois de voltar à ativa, Chucky já despacha Sullivan (Peter Haskell), o dono da fábrica.E por meio dos arquivos do computador dele, descobre o paradeiro de Andy (Justin Whalin), agora com 16 anos, aluno de uma rígida escola militar.

E foi para lá, acertar (de novo) as contas com o garoto.Mas lá ele estabelece um novo alvo, o garotinho Tyler (Jeremy Sylvers), que sempre quis ganhar um “Good Guy” e acaba fazendo amizade com Chucky.Andy sabe de tudo e enquanto tenta convencer Tyler de que Chucky não presta, ainda tem que enfrentar uma dura rotina na escola e ainda por cima o Tenente Shelton (Travis Fine), que adora pisar em seus subalternos e que não vai com a cara dele.Mas nem tudo é ruim, pois a bela Cadete Kristen de Silva (Perrey Ree

ves), se interessa por ele, e se junta na luta contra Chucky.

Comentários: Nos comentários do segundo filme, eu disse que queria uma explicação para a ressureição de Chucky.Neste filme, é ainda pior..Somente por escorrer o sangue de Chucky, já foi o suficiente para que a alma dele voltasse.Bizarro, forçado e ridículo.Colocar Chucky para matar meio mundo numa academia militar, onde a principal atividade é “encenar” uma guerra, no meio do mato, é forçar a amizade!Tudo bem, ele carrega as armas de paintball da moçada com munição real, o que faz algumas pessoas irem pro saco, mas mesmo assim é ridículo.Além disso, corta a garganta de um, faz outro ter um ataque cardíaco, e bota medo em supostos soldados treinados.Mas o que tem de bom nesse filme são algumas frases de Chucky.O boneco está mais sádico, sarcástico e politicamente incorreto do que nos outros filmes, o que deixa claro que ele já estava se tornando uma figura cômica, mesmo antes de A Noiva de Chucky.As frases como “o Chucky vai ser negão” (pois o garotinho Tyler, o alvo de Chucky ,era negro), “Puxa, você cresceu”, quando Chucky entra no quarto de Andy e vê uma revista Playboy na mala do garoto, e mais legal,”Cara, eu preciso sair deste corpo”, quando ele vê Andy e Kristen se beijando.Memorável.

Fora isso, não tem muito o que falar.Lógico que Andy consegue acabar com Chucky e salvar Tyler.Brinquedo Assassino 3 é previsível do começo ao fim.Recomendo para um sábado a noite chuvoso.

Nota: 3/10.


A Noiva de Chucky (The Bride of Chucky, 1998):

Tiffany (Jennifer Tilly), namorada de Charles Lee Ray, mais conhecido como Chucky (Brad Dourif), resolve reconstruir o boneco e ressuscitar seu amado, para que possam se casar.Com os restos do boneco que foi destruído no terceiro filme e que serviam de evidência policial, algumas partes de bonecas velhas e um ritual de vodu, ela traz Chucky de volta.Mas, quando ela propõe o casamento e ele simplesmente ri da sua cara, ela resolve trancafiá-lo numa gaiola, e lhe compra uma boneca vestida de noiva pra lhe fazer compania.No entanto, Chucky reverte essa situação, mata Tiffany e transfere sua alma para a boneca.Depois ele lhe diz que ainda podiam trocar de corpos, mas teriam que recuperar o Coração de Damballa, um amuleto que Chucky usava no dia em que foi morto (pela primeira vez) e que está enterrado com ele em Hackensack, Nova Jersey.Como eles simplesmente não podem perambular por aí sozinhos, pagam para que Jesse (Nick Stabile), vizinho de Tiffany, os leve para lá.Junto com eles, vai a namorada de Nick, Jade (Katherine Heigl), que fugia de seu tio,o chefe da polícia Warren Kincaid (John Ritter), pois ele não aceitava o namoro deles.Na trajetória até o cemitério, Chucky e Tiffany cometem crimes e fazem vítimas, mas tudo isso acaba caindo nas costas de Jade e Jesse.

Comentários: O segundo melhor da franquia, na minha opinião.Se era pra fazer palhaçada, fizeram mesmo e assumiram que a produção era de humor negro e ponto final.E isso garante que A Noiva de Chucky seja um bom filme, mesmo com os seus defeitos.Não tem coisa pior do que um filme que é claramente pastelão se levando a sério.O casalzinho de bonecos é impagável, e o filme é só deles mesmo, a trama de Jade e Jesse é meramente para encher lingüiça.Ver Chucky e Tiffany brigarem como se fossem marido e mulher de verdade, e pior, seres humanos de verdade me fez chorar de rir.Fora o senso de humor de Chucky, que garante boas risadas.Eu tentei assistir a versão legendada, mas só tive acesso a dublada e a dublagem brasileira não deve nada em comparação a dublagem de Brad Dourif, ambas divertidas, sarcásticas e ácidas.A vozinha de Tiffany irrita um pouco, mas quando ela se junta a Chucky não tem pra ninguém.Katherine Heigl, antes de fazer sucesso na série Grey’s Anatomy e nas suas infindáveis comédias românticas está totalmente ofuscada pelo casal de bonecos, e olhe que ela é a mais famosa no elenco “humano”.Nick Stabile e John Ritter nem vale a pena comentar, ninguém liga pra eles.E o final ainda tem o nascimento do bebê de Chucky, a coisinha mais feinha que eu já vi na minha vida, hehehe...hilário.

Nota: 8/10.


O Filho de Chucky (The Seed of Chucky, 2004):

Glen (Billy Boyd), filho de Chucky (Brad Dourif) e Tiffany (Jennifer Tilly), que nasceu no final de A Noiva de Chucky, é explorado por um ventríloco de meia-tigela chamado Psychs (Keith – Lee Castle), na Inglaterra.Vendo na TV que Hollywood estava fazendo um filme contando a lenda urbana sobre seus pais, Chucky e Tiffany, os bonecos assassinos, ele decide ir pra lá, e com o Coração de Damballa, que foi roubado por Psychs, do corpo humano de Chucky, ressuscita os dois.

Decididos a trocarem de corpos, os três se escondem na casa da atriz Jennifer Tilly (que interpreta a si própria) e planejam possuir o corpo dela e o de seu namorado e chofer, Stan (Steve Lawton), e ainda inseminá-la para que ela fique grávida , para Glen possuir o corpo da criança.Mas esse plano não é tão fácil de se por em prática, já que enquanto Chucky tem orgulho de ser assassino e quer que Glen siga os seus passos, Tiffany se vê como uma viciada e quer parar.Já Glen, não tem o mínimo interesse em seguir os passos de Chucky.Para piorar, o boneco não tem sexo, o que faz com que Chucky e Tiffany briguem, ele quer um menino e ela, uma menina.

Comentários: O mais fraco da franquia, inclusive perdendo para a parte 3, que era a pior até então.Boas ideias foram utilizadas de maneira errada, ou subutilizadas, o que faria com que O Filho de Chucky fosse mais divertido.Mas as referências a clássicos, como por exemplo, ao filme O Iluminado, de Stanley Kubrick, compensam a chatice de Glen.Ô bonequinho mais chato esse, hein??!!!Pelo amor...Já Chucky não está com a língua tão afiada quanto em A Noiva de Chucky e Tiffany continua com aquela vozinha enjoada e tenta se redimir, mas fica bem óbvio que ela não consegue..basta os interesses dela entrar em jogo, pra ela fazer tudo o que disse que não ia fazer.

E aquela historinha de Glen ou Glenda é uma das coisas mais xaropes que eu já vi em toda a minha vida, inclusive em filmes pastelão.Ed Wood deve ter chorado de emoção em seu túmulo.

P.S: O melhor momento do filme foi a morte de "Britney Spears" (na verdade, foi uma sósia)..quando o Chucky jogou o carro dela do precipício..hehehe...

Nota: 2/10

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Crítica: Atração Perigosa (The Town, 2010)


Entre os filmes da 34ª Mostra Internacional de Cinema e que também entra em circuito normal, o mais novo filme de Ben Affleck, "Atração Perigosa", que trás pela segunda vez o astro como diretor, porém desta vez, ele também aparece na frente das câmeras como protagonista deste suspense policial bem armado, que ainda conta com atuações de Rebecca Hall, Jeremy Renner, Jon Hamm e a nova queridinha dos Estados Unidos, a bela Blake Lively.


por Fernando Labanca

Em 1998, Ben Affleck ganhou ao lado de Matt Damon o Oscar de Melhor Roteiro por "Gênio Indomável". Muitos anos depois, apenas em 2007, o astro volta a trabalhar por trás das câmeras, mas desta vez como diretor, no ótimo "Medo da Verdade". Voltando na mesma função, Affleck não foge muito daquilo que já conhece onde havia trabalhado em seu primeiro filme, a cidade de Boston, que também é sua cidade de origem e palco de grandes filmes policiais.

Lá, é onde vivem os melhores bandidos, aqueles mais inteligentes e que entendem do "negócio", funciona como tradição, passando os dons de pai para filho, formando gangues temidas pela população, reconhecidas entre os perigosos e perseguidas por policiais. Entre essas gangues está a de Doug (Affleck) e seu amigo Jem (Jeremy Renner), que juntos trabalham com competência em grandes assaltos. Eis que foram assaltar um banco, mascarados, e fogem do cotrole, fazendo uma refém, a gerente Claire (Rebecca Hall), só para assustá-la. Entretanto, percebem que ela viu coisas demais e poderá acabar com tudo com uma simples denúncia, logo que o FBI está em sua cola.

Decidido a impedir isso, Doug vai atrás de Claire, apenas como Doug, um simples desconhecido, fazem amizade fácil e ele acaba percebendo o quanto aquele ato irresponsável afetou a vida dela. O problema é que ele acaba se apaixonando e esta improvável união acaba fazendo com que passe a refletir sobre sua vida e se é exatamente isso o que ele quer para viver, e fica dividido entre qual lado deve permanecer. Entretanto a escolha não será tão fácil, logo que abandonar seu amigo está fora de cogitação, pois Jem faz questão de lembrá-lo que devido a ele passou nove anos preso e que esta dívida ainda não foi paga.


Uma história não muito original, porém interessante, ainda mais sobre o olhar de Ben Affleck que mais uma vez acerta como diretor. O bandido que fica dividido após se apaixonar e tem que escolher qual será seu destino, clichê. Entretanto, o longa ainda reserva algumas surpresas e durante a projeção vamos nos deparando com situações que não esperávamos e acaba que tendo um final satisfatório, não muito previsível.

Tudo é muito correto em "Atração Perigosa", uma direção segura e atores competentes conduzem esta trama que facilmente nos sentimos inseridos nela. Ainda temos uma fotografia bela e uma boa trilha sonora, além de uma edição ágil e bastante dinâmica, principalmente nas ótimas cenas de perseguição e assaltos, ação de qualidade.

Ben Affleck não é um Martin Scorsese, soube trabalhar bem no gênero mas ainda não se pode compará-lo aos veteranos, por outro lado, juntando seu excelente desempenho em "Medo da Verdade" com este em cartaz, podemos perceber claramente seu dom e que definitivamente está no caminho certo. Como ator, entretanto, não tem desempenho tão bom assim, convence, está simplesmente correto, sem nenhuma surpresa, em determinadas cenas, até, poderia ter se entregado um pouco mais. O destaque fica para Rebecca Hall, ótima como Claire e que faz deste filme bem superior, assim como a excelente atuação de Jeremy Renner. Chris Cooper ainda faz uma pequena participação, muito bem, aliás. Ainda vemos a bela Blake Lively, mais conhecida como Serena em Gossip Girl, aqui ela tenta algo extremamente diferente do que faz no seriado, da boazinha menina rica, ela se transforma radicalmente na viciada em sexo e drogas, não convence tanto, mas não atrapalha, muito pelo contrário, é interessante vê-la se testando e ousando fazer algo novo.

Enfim, roteiro bom, mas não muito diferente, baseado no livro de Chuck Hogan, direção segura e bastante competente, há rumores como um dos possíveis indicados ao Oscar ano que vem. Vale a pena arriscar, não só para quem procura entretenimento, que aliás funciona muito bem, mas também para aqueles que simplesmente admiram algo que foi bem realizado.


NOTA: 8,5




Crítica: Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro (2010)

Entrando para a lista dos filmes mais esperados e mais importantes de 2010, a sequência de "Tropa de Elite" bate recordes, como a melhor estréia do ano e a maior bilheteria de um filme nacional da década, com mais de 6,2 milhões de espectadores.

por Fernando Labanca

São poucas as sequências que fazem sentido, e "Tropa de Elite 2" se encaixa no grupo das que fazem. O primeiro, fantástico, chamou a atenção da população, não só pelos problemas de pirataria, mas também pelo conteúdo e esta sequência merecia acontecer, até porque conseguiram a proeza de mostrar uma outra face do crime, utilizando outras fórmulas, construindo uma história completamente nova, mas sem afastar o público que aplaudiu a obra original.

Na sequência, ocorre uma rebelião num perigoso presídio, o Bope toma as responsabilidades e sob o comando do capitão Nascimento (Wagner Moura), o líder André Matias (André Ramiro) acaba que prejudicando toda a equipe por uma ação não calculada, levando todo o grupo parar na justiça e acabar com sua carreira. Afastado, Nascimento é promovido a subsecretário de Segurança Pública, perdendo a confiança de seu amigo Matias e para piorar, seu filho está crescendo e separado de sua mulher, os dois entram em conflito na hora de revelar a verdadeira função do pai, logo que o garoto não entende o porquê dele ter que matar tantas pessoas. O problema ainda é que sua mulher o largou para ficar com Fraga (Irandhir Santos), um defendor dos Direitos Humanos e inimigo mortal de Nascimento.



Entretanto, o inimigo agora é outro, o que antes eram as drogas e a violência nas favelas do Rio, o buraco agora é muito mais embaixo, como subsecretário, Nascimento agora tenta combater as milícias, porém, quanto mais trabalha, mais percebe que está cercado de inimigos, e quão podre é o sistema o qual antes defendia, e em sua função ele terá que ir contra tudo e contra todos para desmascarar a corrupção, e percebe que até aqueles que acreditava que "lutavam" para segurança da sociedade, são aqueles que mais estão envolvidos com a sujeira deste país.

Uma outra história, novos personagens, novos conflitos, enfim, uma sequência bem diferenciada, logo que consegue com bastante competência dar continuidade aquilo que já estava perfeito e conseguir ser melhor, e isto é uma grande surpresa. "Tropa de Elite 2" é por bem pouco superior ao anterior, o clima é mais pesado, é mais tenso, o humor é menor e o "romance" também é deixado de lado. Ainda vemos cenas fortes de assassinato, mas o contexto agora é outro e portanto pouco se lembra do primeiro, porém as pessoas que gostaram do original dificilmente se desapontarão com este. José Padilha como diretor, impecável, constrói um filme sério e digno de sucesso.

Wagner Moura ainda incrível. Capitão Nascimento cresce e sua brilhante interpretação deixa isto visível, se torna mais complexo e definitivamente deixa a marca na história como um dos personagens mais marcantes dos últimos tempos. O elenco de coadjuvantes também não escorregam, destaque para Iranghir Santos como Fraga, com bastante destaque na trama ele surpreende e facilmente nos identificamos com ele. Ainda vemos Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, André Ramiro, André Mattos e a mocinha, mas pouco aproveitada Tainá Muller.

O filme obrigatório do ano, definitivamente. O longa termina, e eu assim como qualquer brasileiro me senti mal. "Tropa de Elite 2" é um tapa na cara não só nos políticos corruptos mas também na sociedade brasileira, e assim o longa tem uma função social importantíssima que muda visões, abre a mente de muita gente, toca na ferida do país e vai fundo, sem medo, com ousadia. Um filme que precisa ser visto, jamais ignorado.

NOTA: 8,5

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crítica: A Lenda dos Guardiões (Legend of The Guardians: The Owls of Ga'Hoole, 2010)


Baseado nos livros infantis de Kathryn Lasky, "A Lenda dos Guardiões" trás novamente a direção, Zack Snyder, o visionário que trouxe aos cinemas filmes como "300" e "Watchmen", e mais uma vez, o diretor inova no quesito visual, colocando nas telas, algumas das cenas mais belas do ano.


por Fernando Labanca

Na trama, conhecemos Soren e sua família "coruja", literalmente. Ele, um sonhador, mesmo acordado vive a vida cercado por suas ilusões, adora contar uma lenda antiga, onde um grupo de guardiões salvaram e libertaram as corujas anos atrás. Diferente dele, há seu irmão mais velho, Kludd, mais concentrado na realidade, e que se sente menosprezado pelos pais por não saber voar tão bem quanto o Soren. Numa tentativa de ensinar Kludd a voar, os dois acabam discutindo, caem do ninho e perdem o rumo de casa.

Porém, desse descuido, há consequências trágicas. Os dois são capturadas por um grupo de corujas chamadas de "Puros", eles capturam corujas iniciantes, as mais bravas, lhe são ensinadas o voo e se tornam espécies de "capangas", porém, as restantes, se tornam "escravas" e passam a coletar um elemento mágico que fará com que os "Puros" dominem o mundo. Os irmãos são separados, enquanto Kludd tem a chance de enfim ser grande e ter seus talentos recompensados, Soren, vira coletor. Desesperado, a pequena coruja consegue escapar, e parte em busca da Grande Árvore, o lar dos lendários Guardiões, logo que para ele, são os únicos que poderão salvá-los. E nesta jornada, Soren conhece alguns amigos e junto com eles, começa a fazer parte daquilo que nunca imaginou fazer, passa a fazer parte da lenda, seguindo caminhos de um herói, pronto para se tornar um mito.

Do início ao fim, "A Lenda dos Guardiões" segue uma linha de total conforto, sem sair desse caminho, o filme cai na mesmice, sem nenhuma ousadia no roteiro, o longa recheado de clichês não inova, e sabemos desde o início no que a história vai dar, completamente previsível e sem nenhuma, NENHUMA surpresa.


O filme é infantil, desde a construção da trama até o desenvolvimento dos personagens, nada de muito complexo e maduro. Entretanto, o tom mais pesado que Zack Snyder optou pode não agradar as crianças, logo que não há personagens carismáticos, muito menos marcantes, humor pouco aproveitado, onde a seriedade ganha maior espaço, porém, de uma trama fraca acaba que não chamando a atenção dos adultos, e nisso, o longa perde público e digamos também, a coerência. Hoje em dia, a animação ganhou proporções maiores, e os criadores sempre tem a preocupação de atingir o maior público possível, utilizando o humor e o carisma para conquistar as crianças e trabalhando forte nos roteiros para agradar não só os adolescentes e adultos como também os críticos, e muitos conseguem, em 2010 temos bons exemplos como "Toy Story 3" e "Como Treinar o Seu Dragão".



Por outro lado, "A Lenda dos Guardiões", assim como citei acima, trás as telas algumas das cenas mais belas do ano. Zack Snyder é um excelente diretor e sabe trabalhar com o visual melhor do que ninguém, isso é inegável. 300 e Watchmen foram sim uma revolução visual, e seu filme em cartaz não chega a ser diferente. Snyder constrói imagens surreais, fora do imaginável, a utilização da câmera lenta, acaba exaltando e deixando algumas sequências deslumbrantes e podemos assim perceber detalhes riquíssimos de animação, além da fazer nosso coração parar de bater. O 3D aqui é muito bem utilizado, acredito que tenha sido o melhor desde "Avatar". Portando, se ainda quiser ver este filme, que veja no cinema, o resultado é impressionante.



Resumindo, pela história, não vale a pena, nada de inovador, um filme que esquecemos segundos após sairmos da sala, entretanto, o que Zack Snyder nos proporciona é algo grandioso, fantástico, pelo visual vale a pena, pela equipe talentosa do estúdio que havia criado "Happy Feet" e que mais uma vez revoluciona a animação, atingindo o mais alto nível no gênero. Logo, juntando os prós e contras, vale a pena arriscar, até porque, por mais que a trama não traga nada de novo, não significa que não tem conteúdo, um filme acima de tudo, bem intencionado.


NOTA: 7

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Crítica: Comer, Rezar, Amar (Eat Pray Love, 2010)

Criador de uma das séries mais comentadas da atualidade, "Glee", Ryan Murphy, elogiado por sua criação, foi para o cinema, afim de transpor para as telas o best seller "Comer, Rezar, Amar" de Elizabeth Gilbert. Com Julia Roberts no papel principal, o filme nos guia a uma incrível viagem de descobertas para a personagem, mas quem sai ganhando, definitivamente, é o público!

por Fernando Labanca

Elizabeth (Roberts) é uma escritora, com um trabalho promissor, dinheiro, um marido que a ama num relacionamento estável, enfim, tinha em suas mãos tudo o que muitas mulheres anceiam. Até que chega um momento em sua vida que começa a questionar tudo ao seu redor, se é isso que a faz feliz, que precisa para continuar vivendo. Percebendo que não ama mais seu marido, Steven (Billy Crudup), tem um surto, pede o divórcio, e numa tentativa de reconstruir sua vida, começa a se relacionar com um ator, um homem bem mais novo que ela, o sensível e intelectual, David (James Franco). Porém, esta união não é o suficiente para satisfazê-la como pessoa e percebe que precisa mais, não de um novo homem, não de outro emprego, mas precisa se encontrar no mundo, descobrir quem realmente é e do que realmente precisa para viver.

Ela decide abandonar tudo e todos, faz as malas, e faz um roteiro de viagem, três lugares, Itália, Índia e por último, o lugar onde a faz questionar tudo isso, Bali, na Indonésia, onde, numa viagem a trabalho havia conhecido um guru cheio de sabedoria que a fez acreditar que um dia abandonaria tudo e retornaria para o local. Na Itália, conhece a gastronomia mais requintada do mundo, belos pratos e muito sabor, faz alguns amigos, começa a aprender italiano, descobre as curiosidades sobre a cultura local. Na Índia, decide entrar em maior contato com a religião, começa a frequentar alguns templos, é onde conhece Richard (Richard Jenkins), um homem, a princípio irritante, mas depois, ela descobre seu passado, e numa intensa conversa com ele, Elizabeth começa a refletir sobre sua vida, principalmente sobre o homem que a amava de verdade e ela o abandonou, e por isso se sentia tão presa, por não ter se perdoado pelo ato. Ainda no país, conhece uma jovem indiana que pela tradição, é obrigada a se casar com um desconhecido. Em Bali, Elizabeth pretende encontrar o equilíbrio, encontrar, enfim, a paz, e lá conhece o brasileiro Felipe (Javier Bardem), e acaba encontrando o que não estava em seus planos, o amor.











Quem nunca pensou em desistir de tudo? E desistir, não significa cortar os pulsos, mas sim, abandonar a rotina, conhecer novos lugares, respirar novos ares. Quem nunca acordou diferente do "ontem" e começa a querer novas coisas e percebe que tudo o que tem, na verdade, não é o que precisa, a instabilidade e a complexidade do ser humano. "Comer, Rezar, Amar" nos coloca na vida de Elizabeth, uma mulher, assim como muitas pessoas, cansa da vida que leva, e num ato de desespero, talvez, mas também de muita coragem, embarca numa viagem de auto-descobertas. O público é mais feminino, mas não significa que os homens não o aprovem, muitos poderão se identificar com as crises de Elizabeth e se envolver facilmente com essa bela trajetória, de comida, de religião e amor, três dos elementos que muitos procuram para viver.

Muito criticado, "Comer, Rezar, Amar", ao meu ver, é delicioso. Não só pelos pratos italianos, mas principalmente pelo conteúdo. A jornada exposta é incrível, e Ryan Murphy, como diretor, acerta em cheio, ele consegue guiar essa viagem brilhantemente, seja pela trilha sonora, pelas ótimas locações e fotografia. O filme é longo, 2 horas e meia, tempo suficiente para colocar as tramas de forma tranquila, sem correr, dando espaço devido para cada situação e personagem, tudo na dosagem certa.

Julia Roberts está linda, convence em tudo, tanto nos momentos de crise de Elizabeth, quanto nos momentos de maior descontração. Os coadjuvantes acertam também, principalmente Richard Jenkins e James Franco, em cenas memoráveis, ambos contróem personagens belos e com muita comoção, e são por eles feitos, alguns dos melhores diálogos do filme. Billy Crudup, carismático e correto. Viola Davis aparece como melhor amiga de Elizabeth, e até hoje não consigo enxergar na atriz tal posição, como se ela fosse boa demais para isso, para uma simples coadjuvante-confidente, papel que exerceu também em "Noites de Tormenta". Javier Bardem, ator espanhol e experiente, fica com o pior desempenho no filme, totalmente deslocado na trama, ele não convence nenhum um pouco como brasileiro, desde seu sotaque até suas atitudes.

Sim, o longa tem seus defeitos, Javier Bardem é um deles, por incrível que pareça, também algumas músicas se repetem e isso chega a incomodar. Além, disso, há alguns detalhes da cultura brasileira totalmente erradas, como o beijo na boa dos filhos (What???), e também acredito que acabou se tornando um defeito, o fato da passagem pela Itália, a primeira, ter sido a melhor de todas, tanto pelos personagens, pelas situações, e principalmente pelo ótimo rítimo dado ao capítulo, que infelizmente se perde no decorrer do filme. Mas isso, não chega a estragar, aliás, seria preciso muito mais para fazer deste filme algo ruim, "Comer, Rezar, Amar" está acima da média, e vai além, um filme delicioso, divertido e emocionante, tudo é feito para fazer o público refletir, nada vem de graça no longa, cada diálogo, cada cena, tem um propósito, e acredito que o filme tenha consigido alcançar seu objetivo. Um longa cheio de vida, cheio de lições com frases de efeitos, cenas belamente construídas, tudo em perfeita harmonia.

NOTA: 9

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cinema ao redor do mundo

Algumas pessoas não sabem, mas cinema também existe fora dos Estados Unidos e Brasil, um cinema de qualidade que existe ao redor do mundo e que nem todos tem acesso (até porque aqui no Brasil, eles mal chegam no cinema). Resolvi, então, comentar um pouco desses filmes, que vi recentemente. Filmes de países como China, Espanha, França, México e Canadá.

por Fernando Labanca


CHINA:

2046: Os Segredos do Amor (2046, 2004)

Uma produção que conta com outros países, como Alemanha e França, o longa dirigido pelo aclamado Wong Kar-Wai, conta com um elenco de peso, como Tony Leung e as belíssimas Zhang Ziyi e Gong Li.

A história é viajada, literalmente. Um escritor (Leung) viaja a Hong Kong para escrever um livro, lá ele se hospeda num hotel barato, até que começa a se envolver amorosamente com várias mulheres, cada uma com seus defeitos e qualidades, todas de um mesmo quarto, o 2046. Enquanto isso, ele escreve uma ficção ciêntífica sobre passageiros de um trem chamado 2046, e todos vão para um mesmo destino, um lugar onde poderão reencontrar todas as memórias perdidas e que gostariam por algum motivo, resgatá-las.

Lendo a história já parece algo confuso, vendo o filme, você tem a certeza de que se trata de algo, definitivamente interessante e inovador, porém, confuso. São tantas mulheres, histórias parelelas que parece que o filme não tem rumo algum e quando ele termina, essa dúvida é esclarecida, viajou demais para chegar a lugar algum.

Já houveram críticos que o citaram como um dos filmes mais românticos de todos os tempos, entretanto, ao meu ver, "2046" nem chega a ser um romance, logo que o personagem principal de envolve com as mulheres de uma forma tão fria e sem nenhum tipo de sentimento, e quando as magoa nem ao menos sente arrependimento. Enfim, o que sobra do filme é apenas o visual, aliás estamos falando de Wong Kar-Wai, o filme surpreende pelas beas cenas, os cenários, os figurinos, mas isso não é tudo.

NOTA: 4



ESPANHA:

Azul Escuro Quase Preto (Azul Oscuro Casi Negro, 2006)

Dirigido e escrito por Daniel Sánchez Arévalo, o filme conta a história de Jorge (Quim Gutiérrez), um rapaz que trabalha como porteiro num edifício, enquanto termina seus estudos. Acredita ter sido responsável pelo derrame de seu pai e por isso, cuida dele, em estado quase vegetativo como se fosse seu filho. Para piorar, seu irmão mais velho, Antonio, homem da pior espécie, preso, acaba se apaixonando por uma jovem prisioneira, a bela Paula (Marta Etura), que por sua vez, não aguenta mais as condições precárias da cadeia feminina, além de apanhar constantemente, ela deseja ficar grávida para ter alguns benefícios, e Antonio, para vê-la feliz, decide engravidá-la (por solidariedade, é claro), até que descobre que é estéril.

Antonio está prestes a ser libertado, porém, para realizar o sonho de Paula, ele pede este último pedido a seu irmão. Jorge, inocentemente embarca nessa idéia, porém acaba se envolvendo demais com a jovem, e ela passa a ser a melhor coisa em sua realidade. Eis que uma antiga namorada retorna, e para piorar seu melhor amigo passa por novas descobertas, como por exemplo, ser homossexual.

Loucura total. "Azul Escuro Quase Preto" viaja legal nas idéias e isso é que faz deste filme algo grandioso. O Título estranho, a princípio, remete a cor do terno que Jorge sempre vê numa vitrine, a roupa de alguém muito importante, coisa que ele acredita que nunca irá ser. E como ele, todos os personagens se veem em um obstáculo, presos em suas próprias realidade, e que nas horas mostradas terão que enfrentar alguns medos e inseguranças.

O problema é o humor que muitas vezes entra em hora indevida, numa cena que se levada a sério seria incrível, perde o encanto por ter uma piadinha, além de algumas atitudes incompreensíveis como a de uma mulher que age naturalmente mesmo descobrindo que tanto seu marido e seu filho são gays...fala sério! Mas no geral, o longa se sai bem, personagens interessantes e muito bem interpretados, histórias envolventes e muito bem guiadas pelo diretor, recomendo!

NOTA: 7



FRANÇA:

Caché (Caché, 2005)

Dirigido por Michael Haneke, de "A professora de Piano" e "Violência Gratuita", o filme considerado por muitos um dos melhores da década, conta a história de uma família amedrontada por um "espião".

Georges (Daniel Auteuil) e Anne (Juliette Binoche) começam a receber fitas de vídeo que mostram uma gravação da fachada da própria casa, como se alguém do lado de fora, ficasse o dia inteiro os observando o mostrando o que via, além disso, lhes enviava desenhos, aparentemente feitas por uma criança, mostrando um garoto vomitando sangue e uma galinha estrangulada.

Até que Georges recebe uma gravação da casa onde passou a infância, é quando começa a duvidar se aquele que está destruindo a paz de sua família nada mais é que seu irmão adotivo, que foi retirado de sua casa devido a mentiras contadas por Georges. E ele começa a temer e refletir se isso é uma vingança, de alguém tentando destruir aquilo que nunca teve devido a seu próprio irmão, uma família.

Interessante, uma história ótima e uma direção impecável. Porém, "Caché" começa muito bem, nos prende facilmente na situação mostrada e acabamos superestimando o longa logo de início, nos faz acreditar que vai ter um grande final, daqueles bem surpreendentes, mas não passa de um engano. Logo na metade do filme, os mistérios são revelados, a partir de então, é só enrolação para o final, sem mais surpresas, e quando acaba sentimos que faltou algo, uma história como essa merecia um final muito mais decente.

NOTA: 6



Entre os Muros da Escola (Entre Les Murs, 2008)

O vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008, "Entre os Muros da Escola" mostra um lado da França pouco conhecida pelo público brasileiro, a periferia, mas precisamente numa escola, onde ocorre todo o filme.

Um professor, interpretado por François Bégaudeuau, ator não-profissional, que havia escrito um livro sobre suas experiências como professor. Aqui ele também é François, um professor iniciando mais um ano letivo, e durante o filme, acompanhamos um ano na vida dele dentro de uma sala com seus alunos, e conhecemos de perto os conflitos que ele enfrenta a cada dia, tentando passar conhecimento para jovens que não sabem nem o porquê de estarem ali. Ainda existem os conflitos entre os próprios alunos e dos alunos para com o professor, logo que muitos levam esta relação para o lado pessoal.

Claustrofóbico. Um filme inteiro dentro de uma sala de aula, dentre esses muros que o título anuncia, que aliás, muros que existem até de forma, digamos, invisível, nesta relação professor/aluno, e quando esses "muros" caem, é quando surgem os choques de civilização.

"Entre os Muros da Escola" é bastante realista, até porque é feito por não-atores, François um professor de verdade e os jovens mostrados, alunos na vida real, somentes eles entenderiam o que se passa de verdade, naquele universo tão único e isolado. Parece que entramos na sala de aula e durante o filme fazemos parte daquela turma enfrentando os mesmos dilemas, surreal.

Definitivamente, o melhor retrato já feito sobre a escola, sobre tudo o que faz parte desta instituição. Palmas para o diretor Laurent Cantet e para todos os envolvidos. Brilhante, merecedor dos elogios que recebeu.

NOTA: 9




Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme, 2007)

O longa, dirigido por Olivier Dahan, conta a trajetória de uma das cantoras francesas mais respeitadas, Edith Piaf, interpretada por Marion Cotillard, vencedora do Oscar 2008 por Melhor Atriz.

Piaf, uma mulher independente e muitas vezes arrogante, com uma voz inconfundível e admirada por muitos. Mas por trás desta fama existe uma história, fatos do passado que definiram quem ela se tornou. De uma infância sofrida, acompanhava a mãe cantar nas ruas, eis que seu pai ausente aparece e decide mudar o rumo da garota, sem condições de ficar com ela, lhe entrega para a avó da menina, sua mãe. Ela, uma dona de um bordel, Edith cresce no meio de um ambiente sujo, mas acaba se envolvendo com as prostitutas que se tornam suas amigas, mas logo é retirada por seu pai, mais uma vez que decide colocá-la nas ruas novamente para poder lucrar, é quando conhece o talento da menina em cantar e descobre um novo modo de gerar dinheiro.

Até que ela é descoberta por um dono de uma boate famosa, e Edith passa a fazer pequenos shows, sem muita experiências no palco e com uma voz marcante, ganha destaque, e sua vida começa a seguir outros rumos, mas o sofrimento, as perdas, as angústias, a acompanharam até sua morte, além delas, lhe sobrou o amor, amor pelas pessoas, pela sua profissão, era intensa ao extremo, quando amava, amava profundamente.

Uma trajetória de vida única, daquelas que deveria sim virar filme, não há roteirista que conseguisse criar uma vida como essa. "Piaf" consegue em pouco mais de 2 horas contar detalhadamente essa jornada, alternando entre seu presente e seu passado, aos poucos vamos entendo os porquês, e esse é um dos pontos positivos do filme, que opta por não contar sua vida numa ordem cronológica correta, o transformando em algo hipnotizador e original.

Uma trilha sonora empolgante, figurinos belíssimos, cenários caprichosos, enfim, acertarem em tudo. Destaque para a maquiagem que faz com que Marion Cottilard convença tanto como uma adolescente de 16 anos a uma idosa.

Marion Cotillard. É difícil e arriscado dizer isso, mas digo com toda a certeza, a melhor performance feminina dos últimos tempos. Sua encarnação em Edith Piaf é de arrepiar, inacreditável, sua voz, seu jeito de andar, seu olhar, tudo muda, Cottilard renasce na pele da cantora, alcança a perfeição e vai além. Maravilhosa, magnífica, de ficar sem palavras ao vê-la em cena.

NOTA: 8,5



MÉXICO:

E Sua Mãe Também (Y Tu Mama También, 2001)

Dirigido por Alfonso Cuarón, de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" e do ótimo "Filhos da Esperança", ainda no cinema mexicano, o diretor e também roteirista realizou "E Sua Mãe Também" que conta com Gael García Bernal, Diego Luna e Maribel Verdú no elenco.

No filme, após suas namoradas viajarem a estudos, dois amigos, Tenoch (Luna) e Julio (Bernal), se juntam para curtir a vida, até que conhecem, em uma festa de família, a namorada de um primo de Tenoch, 11 anos mais velha que eles, a bela e independente Luisa (Verdú), numa brincadeira, eles comentam com ela que vão fazer um tuor em busca de uma ilha paradisíaca chamada "Boca do Céu". O que eles não imaginavam é que não muito tempo depois do encontro, ela é traída por seu namorado e decide fazer uma viagem, esquecer dos problemas, fugir de sua realidade e entra em contato com os adolescentes, pois sabiam que eles poderiam proporcionar isso a ela.

Julio e Tenoch, então, controlado por seus hormônios, forjam essa viagem para tê-la como acompanhante. Os três embarcam num caminho desconhecido, onde eles fazem as próprias leis, até que Luisa resolve tomar o controle do jogo e juntos entram num conflituoso e sensual relacionamento, de sexo, bebidas e novas descobertas.

Até a metade do filme, ele se resume a cena de sexos sem compromissos, chegando a incomodar, logo que se torna facilmente algo vazio, sem propósito, nada além de querer mostrar os corpos dos atores principais. Da metade para o final, ele começa a seguir um novo rumo, surgem os conflitos e se torna, algo, digamos, decente.

"E Sua Mãe Também" pode incomodar muitas pessoas, principalmente pelo papel da mulher exposto, onde ela nada mais é que um objeto, pronta para servir os homens da meneira como eles desejam, chegando a ser patético, preconceituoso e porque não, machista. Apesar de ter um final até que interessante, não chega a salvar o resto que foi um grande desperdício.

NOTA: 4



CANADÁ:

C.R.A.Z.Y - Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y, 2005)

Resolvi deixar o melhor para o final. Primeiro e até então único filme canadense que vi e me surpreendi. Dirigido por Jean-Marc Vallée, o longa conta sobre uma família no lado "francês" do Canadá, o Quebec.

Uma espécie de Paixão de Cristo comtemporânea, o filme nos mostra a trejetória de Zachary (Marc-André Grordin), desde seu nascimento até alcançar sua maturidade num aventura mística a Jerusalém. Zachary, o quarto filho, os outros Christian, Raymond, Antoine e o último Yvan: C.R.A.ZY. O nome do disco predileto do pai.

Nasceu no Natal, devido a isso, ganhava apenas um presente e uma festa, o de aniversário e o de Natal, seu aniversário praticamente nem existia, assim como sua pesssoa. Se sentia menos importante que os demais, eis que de uma mecha misteriosa no cabelo, a mãe coloca na cabeça que o filho é milagroso e pode curar as pessoas, devido a isso vai estudar num colégio para cristãos.

Na adolescência, vira ateu. Conhece o rock n' roll e as drogas, se recusa a ser como todos ao seu redor, mas ainda ama seus pais, e o que mais o aflinge é o distanciamento com o pai, que tanto ama. Até que numa festa, conhece o namorado de sua prima, é quando descobre ser homossexual e começa a ter um desejo quase obsessivo pelo rapaz. Tem conflitos fortes com seu irmão Raymond por suas opções de vida, e devido a seu comportamento forte, acaba destruindo a harmonia da família que aos poucos vai se desistruturando. Entretanto, por medo de magoar seus pais, ele se recusa a ser quem ele realmente quer ser, admitir o que ele realmente deseja ter.

Uma história de amor, não entre um homem e uma mulher, mas entre uma família, que enfrenta os conflitos, as mágoas e tentam se manterem unidos. A história de um jovem que traça uma jornada em busca de ser aceito pelo pai, e poder sentir o retorno desse amor que sente por ele, um jovem que por amor, viveu uma mentira.

Incrível, inteligente, encantador, original ao extremo. Um drama muito bem desenvolvido, 2 horas muito bem preenchidas, com história interessantes, personagens bem escritos e conflitos empolgantes o suficiente para prender o público do início ao fim. Além de uma parte técnica muito bem produzida, como a trilha sonora bem utilizada, como a memorável cena de uma missa ao som de Rolling Stones e o clássico "Sympathy for the Devil", além de várias músicas de boa qulidade que traduzem muito bem a época, os anos 80.

"C..R.A.Z.Y" acima de tudo é poético e merece ser visto e admirado.

NOTA: 10

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