domingo, 19 de dezembro de 2010

Crítica: O Mundo Imaginário do Dr.Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus, 2009)

O mais recente filme do visionário diretor Terry Gilliam, e também o último filme de Heath Ledger. Um belo filme que marca o adeus a este grande ator, que mais um vez, se envolveu no projeto certo, com cenas encantadoras e um roteiro bem original, muito raro nos dias de hoje.

por Fernando Labanca

O filme teve várias complicações para ser finalizado, a principal delas foi a morte de Ledger, que tinha um personagem de bastante destaque na trama, para finalizá-lo, a história foi modifcada e outros atores entraram para suprir sua falta, Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell. O roteiro deu uma grande manobra e acaba que sendo convincente a entrada de outros atores, devido também ao fato da trama ter a imaginação como centro de tudo.

Na história, conhecemos o Dr.Parnassus (Christopher Plummer), um homem que tem o dom de dominar a imaginação das pessoas, e com sua trupe de teatro itinerante, ele viaja para alguns locais e atravéz de um espelho, o público entra e se depara com um novo mundo, um mundo guiado por suas próprias ilusões. Nesta sua equipe está seu fiel amigo e anão Percy (Verne Troyer), o mágico Anton (Andrew Garfield) e sua filha Valentina (Lily Cole).

Porém, por trás dessa magia há uma trágica história. Há muitos anos atrás, Parnassus fez um pacto com o Diabo para ter a vida eterna, depois de muitos anos, ele percebe que ser imortal pode lhe impedir de ter uma vida normal, principalmente quando se apaixona, e decide novamente fazer um pacto com ele, ter uma vida normal e envelhecer como todos os outros, mas isso teria um custo, em troca, Parnassus teria que dar a alma de sua filha quando completasse dezesseis anos. Até que, quando, Valentina estava prestes a completar a idade, o Diabo (Tom Waits) retorna com uma nova aposta, o valor seria cinco almas, se Parnassus conseguisse essas cinco almas, teria sua filha de volta, caso contrário, teria que entregar a alma dela. Eis que certa noite, a trupe se depara com um homem, Tony (Heath Ledger), um ser misterioso que não lembrava mais de sua vida e passa a ajudá-los nas apresentações, porém, aos poucos seu passado vai aparecendo, é quando Parnassus percebe que sua presença pode ter um motivo muito mais significativo.



Um filme surpreendente, visualmente falando. Recheado de belas sequências, onde a imaginação das personagens toma conta da tela, e temos o privilégio de presenciar imagens deslumbrantes, cheias de cores e detalhes, com uma fotografia belíssima e efeitos especiais interessantes. Tudo é possível em "O Mundo Imaginário", a realidade é esquecida e facilmente entramos neste universo e fazemos questão de nos deixar levar, a história não é nada convencional e naquele instante acreditamos nas estranhezas do roteiro brilhante, também de Terry Gilliam.

Quando a personagem de Heath Ledger entra no espelho e se depara com sua imaginação, é quando os outros atores entram em cena, não faz tanto sentido assim, mas como havia dito anteriormente, o roteiro permite que tais inovações sejam feitas. Até ai tudo bem, o problema mesmo fica no final, onde seu personagem tão interessante se perde completamente na trama. Sim, o final do filme é bom e vale a pena, mas para despistar a ausência do ator, o final do personagem não foi dos melhores.

O elenco está impecável. Christopher Plummer, ótimo na pele de Dr.Parnassus, toda a tristeza e melancolia diante dos fatos de sua vida são muito bem expressadas pelo ator. Heath Ledger é quem se sai melhor na pele de Tony, mais uma vez com uma atuação surpreendente, enche a tela com seu carisma e versatilidade. As escolhas de Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell foi bem feita, Farrell é quem permanece mais no filme e acaba tendo mais destaque, mas a melhor atuação é de Depp, mas não dura muito e assim como Law tem a duração de uma cena. O longa ainda trás duas grandes revelações, Andrew Garfild, que atualmente está em cartaz com "A Rede Social" e está sendo indicado a alguns prêmios, se sai muito bem e definitivamente tem a melhor atuação do filme e seu personagem, o mais agradável. Lily Cole surpreende, a novata com personagem de destaque, é quase uma protagonista e consegue dar o recado e prova seu talento.

"O Mundo Imaginário de Dr.Parnassus" é mágico, nos leva a um novo mundo. Por algumas vezes este mundo não é tão agradável assim, em algumas passagens o longa dá umas escorregadas e se torna um pouco cansativo e o excesso de detalhes nas cenas acaba incomodando, não sabemos exatamente para onde olhar, uma espécie de poluição visual, por mais que sejam belas, algumas vezes são exageradas. Mais ainda sim, vale muito a pena, não é só o último filme de Heath Ledger, nem só mais um filme de fantasia, é um filme diferente de tudo, inova na trama, na construção das personagens, nos figurinos e cenários inusitados. Cheio de belas e adoráveis sequências, diálogos rápidos e inteligentes, tudo bastante teatral, mas tudo com muita qualidade. Vale a pena conferir este mundo imaginário.

NOTA: 8

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cinema: Megamente (Megamind, 2010)

A mais nova animação da DreamWorks é diversão garantida, com um roteiro bastante original e inteligente, ou seja, longe de ser um entretenimento barato!

por Fernando Labanca

Predestinação, uma vida que era para ser, já estava escrito, assim era o destino do ser misterioso que veio para nosso planeta, se auto denominou de "Megamente" e nasceu para ser vilão. Quando chegou à Terra, acabou caindo numa prisão, onde teve os primeiros contatos com a maldade, ia para a escola, mas era ridicularizado pelos demais, por ser azul e ter uma cabeça enorme, é onde conhece o seu arqui-inimigo, um garoto bonito, inteligente e adorado por todos. Este, quando cresceu, se tornou o Metroman (Brad Pitt), o herói de Metro City, enquanto o outro, se tornou o mais terrível de todos os vilões, o Megamente (Will Ferrell) ao lado de seu fiel amigo, o Criado (David Cross).

Os anos se passaram, e Megamente já não era mais tão temido assim, suas maldades caíram na rotina, ele fazia coisas ruins para a população, principalmente para réporter Roxanne (Tina Fey), alvo preferido dele, e o Metroman a salvava, que devido sua adoração, ganha um Museu, até que no dia de sua inauguração, para surpresa de todos, perde uma batalha com Megamente e morre. Megamente ganha notoriedade, começa a roubar tudo o que queria, e assim como o desejo de todo vilão, dominar toda a cidade.

É quando se pergunta, e agora? Percebendo que ainda não estava feliz, chega a conclusão de que não existe um vilão sem um herói, e para isso, transforma um ex-cinegrafista, Hal (Jonah Hill) em super herói. Hal era um zero a esquerda e apaixonado por Roxanne, que por sua vez não lhe dava atenção, e percebe que ser um herói poderia enfim conquistá-la. Até que por incidente, Megamente, com seu "relógio" que o transforma em outras pessoas, acaba se transformando em Bernard, um funcionário do Museu e nisso, acaba conhecendo a bela repórter, e para sua surpresa, acaba se apaixonando, e tem a chance de tê-la por perto, logo que ela nunca se apaixonaria por alguém azul de face estranha.

Tudo muda para Megamente, está apaixonado e treinando Hal, o que ele não esperava é que Hal descobre que Roxanne está com outro e somando com o fato de que ser herói não o levaria para lugar algum, percebe que ser vilão é o que há. E nessas crises de identidades, onde o homem predestinado a ser herói morre, o cara que supostamente deveria se transformar em herói se torna o vilão, e Megamente que deveria ser o vilão, percebe que predestinação não é tudo, o destino, na verdade, é aquilo que ele escolhe.



Do diretor Tom McGrath, o mesmo de Madagascar e Madagascar 2, faz desta animação, uma das mais interessantes que surgiram recentemente, isso, devido principalmente ao roteiro bastante criativo, cheio de inovações e surpresas. Outro ponto que faz de "Megamente" um sucesso, são as personagens, Megamente é hilário, muito interessante, conhecemos durante os minutos de filme toda sua trajetória e torcemos por ele e até nos emocionamos com ele, mesmo sabendo que ele é o vilão, e este acredito que seja o grande triunfo do filme, conseguir com competência inverter os papéis, quebrando o arquétipo do vilão, e o transformando num ser adorável sem deixar de fazer maldades. Além dele, há seu amigo, o Criado, outro ser divertidíssimo, dono de cenas hilárias, e a doce repórter Roxanne, a mocinha muito bem inserida na trama, não sendo aquela chata que sempre é alvo, mas alguém que faz parte da história e até torcemos por ela.

A trilha sonora completa o show, com canções clássicas de AC/DC e Elvis Presley, até as instrumentais que fazem das cenas ainda melhores pelo sempre ótimo compositor Hans Zimmer. Além das locações, dos cenários, dos feitos, dignos de um filme de herói, uma animação caprichada que se esforça bem nas cenas de ação, além do 3D muito bem inserido no filme, que aliás, vale muito a pena vê-lo desta forma.

"Megamente" é uma animação, mais uma vez, indicada para todas as idades, logo que os já crescidos não se decepcionarão com toda a certeza! Um filme divertido, com boa piadas que faz rir fácil em todas as situações, além de um roteiro bem escrito que nunca se permite derrapar sempre tendo uma surpresa durante o longa, fugindo sempre do óbvio. Além de questões interessantes que o filme aponta, desde a ricularização que o personagem sofre na escola por ser diferente e como isso afetou toda sua vida, levantando aquela idéia de que os outros o transformaram num vilão, nos fazendo refletir sobre como nossa relação com outro pode lhe afetar, as maldades de algumas pessoas podem ser uma resposta daquilo que elas viveram. Além das clássicas, seja quem você é, o destino é você quem faz, tudo depende de suas escolhas, e aquilo que define o ser humano não é sua aparência, mas sim suas atitudes. Enfim, um belo filme, com boas intenções, que vale muito a pena ver! Recomendo, muito mais do que apenas entretenimento para um final de semana, mas um filme para se rever muitas outras vezes.

NOTA: 9,5

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Indicados ao Globo de Ouro 2011

Nesta terça-feira, dia 14, Califórnia, foram revelados os indicados ao Globo de Ouro 2011. Serão conhecidos os vencedores no evento que acontecerá dia 16 de Janeiro em Los Angeles. Façam as apostas!

Entre os favoritos, "A Rede Social" se saiu bem entre os indicados, assim como era previsto, e ficou com 6 indicações, assim como uma das surpresas "O Vencedor", novo longa de Mark Wahlberg, que chega no Brasil neste final de ano. Quem levou a melhor, foi o ainda inédito no país, "O Discurso do Rei" com 7 indicações. Sem muitas surpresas também, "Minhas Mães e Meu Pai" ficou com a indicação de Melhor Filme-Comédia, e as atrizes Julianne Moore e Annette Bening também foram lembradas, ambas na categora Melhor Atriz-Comédia. Um dos sucessos de 2010, "A Origem", felizmente, não foi esquecido, conquistando importantes indicações, como Melhor Filme, Roteiro e Diretor.

Vamos aos indicados...


Melhor Filme -Drama

A Origem
A Rede Social
Cisne Negro
O Vencedor
O Discurso do Rei


Melhor Filme -Comédia ou Musical

Minhas Mães e Meu Pai
Burlesque
O Turista
Red - Aposentados e Perigosos
Alice no País das Maravilhas (????!!!!)


Melhor Diretor

Christopher Nolan (A Origem)
David Fincher (A Rede Social)
Darren Aronofsky (Cisne Negro)
David O.Russel (O Vencedor)
Tom Hooper (O Discurso do Rei)


Melhor Roteiro

Aaron Sorkin (A Rede Social)
Christopher Nolan (A Origem)
Danny Boyle (127 Horas)
David Seidler (O Discurso do Rei)
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg (Minhas Mães e Meu Pai)


Melhor Atriz -Drama

Natalie Portman (Cisne Negro)
Nicole Kidman (Habbit Hole)
Michelle Williams (Blue Valentine)
Halle Berry (Frankie e Alice)
Jennifer Lawrence (O Inverno da Alma)


Melhor Atriz -Comédia ou Musical

Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai)
Julianne Moore (Minhas Mães e Meu Pai)
Anne Hathaway (Amor e Outras Drogas)
Emma Stone (A Mentira)
Angelina Jolie (O Turista)


Melhor Ator -Drama

Jesse Eisenberg (A Rede Social)
Ryan Gosling (Blue Valentine)
Colin Firth (O Discurso do Rei)
Mark Wahlberg (O Vencedor)
James Franco (127 Horas)


Melhor Ator -Comédia ou Musical

Jake Gyllenhaal (Amor e Outras Drogas)
Paul Giamatti (Minha Versão Para o Amor)
Johnny Depp (O Turista)
Johnny Depp (Alice no País das Maravilhas)
Kevin Spacey (Cassino Jack)



Melhor Atriz Coadjuvante


Amy Adams (O Vencedor)
Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)
Mila Kunis (Cisne Negro)
Melissa Leo (O Vencedor)
Jackie Weaver (Animal Kingdom)


Melhor Ator Coadjuvante

Andrew Garfield (A Rede Social)
Christian Bale (O Vencedor)
Jeremy Renner (Atração Perigosa)
Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)
Michael Douglas (Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme)


Melhor Filme Estrangeiro

Biutiful (Espanha/Máxico)
O Concerto (França)
The Edge (Rússia)
I am Love (Itália)
In a Better World (Dinamarca)


Melhor Animação

Toy Story 3
Como Treinar Seu Dragão
Meu Malvado Favorito
O Mágico
Enrolados


Melhor Canção Original

Bound To You (Burlesque)
Coming Home (Country Strong)
I See the Light (Tangled)
There's a Place For Us (As Crônicas de Nárnia e o Peregrino da Alvorada)
You Haven't Seen the Last of Me (Burlesque)



Melhor Trilha Sonora

Alexandre Desplat (O Discurso do Rei)
Danny Elfman (Alice no País das Maravilhas)
A.R.Robin (127 Horas)
Trent Reznor (A Rede Social)
Hans Zimmer (A Origem)


As críticas já feitas aqui no blog dos indicados:

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crítica: Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, 2010)

Comédia Dramática dirigida por Lisa Cholodenko e com atuações brilhantes de Julianne Moore, Annette Bening e Mark Ruffalo. Filme que há pouco tempo estava em cartaz nos cinemas, trouxe às telas a vida de uma família nada convencional, no melhor do estilo "indie".

por Fernando Labanca

Bem recebido em festivais de Cinema como o Sundance e o de Berlim, é a mais nova pérola do circuito independente. O longa nos mostra a vida de uma família bem fora dos padrões, Laser (Josh Hutcherson) e Joni (Mia Wasikowska) chegaram ao mundo por inseminação artificial, atualmente com 16 e 17 anos, respectivamente, vivem bem ao lado das mães Jules (Moore) e Nic (Bening), um casal homossexual que para terem filhos resolveram opitar pela inseminação. Há anos vivendo como família, os quatro já não vivem como se fossem uma minoria, uma raridade e juntos contruiram uma família de verdade.

Até que, Joni, prestes a completar 18 anos, decide realizar um pedido de seu irmão, ir atrás do "pai", ou melhor, o doador de espermas. Ela consegue contato com ele e junto com Laser, marcam um encontro e finalmente conhecem aquele que os concebeu ao mundo, Paul (Ruffalo), um cara sem muitas responsabilidades, sem família, é dono de um restaurante e não se prende emocionalmente a ninguém. Jules e Nic, ao descobrirem o ocorrido, decidem trazê-lo para um almoço em família e conhecê-lo, antes que cresça uma união entre o estranho e os filhos sem seus conhecimentos. Nic, é uma médica e profissionalmente bem resolvida e é quem realmente sustenta a todos, enquanto Jules não consegue encontrar sua função e se perde em vários "bicos", e o da vez é como paisagista, eis que Paul, pede para ela o ajudar na elaboração de um jardim no fundo de sua casa. Se sentindo , enfim, como alguém importante, decide ajudá-lo, é quando por trás de sua família, começa a ter um caso com ele, e aos poucos, a entrada do desconhecido na vida dessas pessoas, começa a desestruturar toda a base sólida que eles construíram.



Com título original "The Kids Are All Right", o filme nos mostra que realmente os filhos estão bem. Remetendo a idéia de que muitos acreditam que uma união entre homossexuais pode abalar a estrutura de uma família, e o longa nos dá um outro ponto de vista, onde os problemas está nos adultos, por mais que os jovens tenham lá seus problemas, como qualquer outro, nada tem a ver com a relação dos pais, mas sim com suas vidas pessoais fora de casa. O que abala a estrutura são as escolhas mal feitas pelo casal, pelos erros cometidos, e não por serem homossexuais, mas por serem humanos, erros que qualquer um comete, falhas que podem exitir em qualquer outra família. Já o título nacional, bom, enfim, acho que não precisamos nem comentar, só mais uma pérola de criatividade daqueles que criam esses nomes!!

"Minhas Mães e Meu Pai" é interessante exatamente por isso, por mostrar conflitos bastante comuns, mas não como clichê ou falta de criatividade do roteiro, mas como forma de dizer: "Vejam, eles são normais!". Outro lado positivo é o fato de não ser mais um filme independente, aqueles com o carimbo "Sundance" e que não fogem da zona de conforto, geralmente comédias dramáticas, aclamadas por filme como "Pequena Miss Sunchine" e "Juno" e só por esses terem feito sucesso, os realizadores desse estilo, acharam a fórmula certa e não fogem dela. "Minhas Mães e Meu Pai", enfim, foge, dessa área de conforto, bebe em outra fonte, com um roteiro mais ousado e cenas, digamos, mais picantes, e atuações memoráveis. Claro, não chega a ser o novo "Miss Sunshine", mas é uma outra pérola do gênero, também digna de elogios.

O que mais marca no filme são definitivamente as atuações. Annette Bening retorna numa boa personagem, que adimito, não vi mais nada de sua carreira desde "Beleza Americana", e mais uma vez ela surpreende, com uma atuação notável e está sendo vista como possível indicada ao Oscar. Apesar do foco da mídia ter virado mais para Bening, ao meu ver, o destaque do longa fica para Julianne Moore, em mais uma atuação memorável da atriz, uma das mais competentes de sua geração, devido a ela, vemos cenas belíssimas e muito comoventes. Mark Ruffalo, impecável, uma de sua melhores performances. Mia Wasikowska, muito superior ao seu desempenho em Alice no País das Maravilhas, aqui ela reage as situações, consegue demostrar sentimentos e se sai muito bem, assim como Josh Hutcherson.

Um filme divertido, com um humor bastente sutil, mas que funciona, e um drama bem guiado pelas mãos de Lisa Cholodenko, comovente e emocionante em determinadas cenas. Vale mesmo pelas atuações, que foram uma das melhores esse ano, pela ótima química entre Julianne Moore e Annette Bening, que brilham na tela, num roteiro simples, mas que consegue passar sua mensagem. Recomendo.


NOTA: 9


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Crítica: A Rede Social (The Social Network, 2010)

Um dos filmes mais comentados dos últimos meses e vencedor de prêmios importantes na Associação Nacional de Críticos de Cinema dos Estados Unidos, incluindo Melhor Filme e Diretor, e citado como um dos favoritos para o Oscar 2011. "A Rede Social" tem a direção do aclamado David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button) e conta com atuações marcantes de Jesse Eisenberg e Andrew Garfield.

por Fernando Labanca

O filme mostra a criação do Facebook, uma das redes sociais mais populares da internet, e mais do que isso, nos mostra como esses jovens por trás desse projeto se tornaram milionários tão cedo. Primeiramente, conhecemos os jovens intelectuais afim de muita badalação nos corredores de Harvard, dentre eles, está Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), mimado, folgado, grosseiro, inteligente e ao mesmo tempo, um verdadeiro babaca. É apaixonado por Erica (Rooney Mara), sua namorada, até que um dia ela resolve abandoná-lo, logo que percebeu o quão idiota ele é. Decepcionado com a situação, e ao mesmo tempo querendo levar a melhor, achando que estaria "virando o jogo" começa a humilhá-la em seu blog. Não suficiente, com a ajuda de seus amigos, inclusive de Eduardo Saverin (Andrew Garfield), seu colega de quarto, utilizando seus conhecimentos em criação de programas, cria na mesma hora um, onde buscando imagens das garotas da faculdade em redes sociais e hackeando a segurança de Harvard, tem o intuito de criar uma espécie de duelo entre desconhecidas, e os internautas escolheriam quais eram as melhores, o "facemash".


Com isso, Mark ganha notoriedade, principalmente da parte de três jovens, Tyler e Cameron Winklevoss (Armie Hammer) e Divya (Max Minghella) que buscavam conhecimento para criarem um grandioso projeto na internet e vão atrás do expert, que aceita o convite. Enquanto isso, Eduardo se vê envolvido com alguns grupos importantes da faculdade, coisa de Mark sempre quis, mas nunca conseguiu, e para resolver este problema se envolve neste projeto, acreditando se tornar um milionário e ser reconhecido pelos seus conhecimentos. Entretanto, ele não participa das reuniões da criação, e sem que os estudantes percebessem, Mark "rouba" as idéias deles e cria o "thefacebook".

Sem se importar com as consequências de seu ato, Mark acaba parando na justiça, acreditando que realmente não está errado, sem se importar com qualquer outro depoimento que não seja o seu. No presente, Eduardo leva Mark para a justiça para ter o que lhe é de direito sobre a criação do facebook, e para compreender como os dois amigos foram parar ali naquela discussão, o filme vai nos mostrando fatos do passado que os levaram até ali, desde a criação do projeto, as primeiras desavenças, até a chegada de Sean Parker (Justin Timberlake), um empreendedor sacana que vendo um futuro brilhante para o "facebook" começa a participar do projeto, influenciando diretamente nas escolhas de Mark.

"A Rede Social" é muito mais do que apenas a criação do facebook, é um retrato fial a juventude 2.0, aos novos tempos, os novos caminhos que a nova geração seguiu devido a tecnologia. Onde as relações se limitam a sites de relacionamento e quando os conflitos tem que ser resolvidos cara a cara, o ser humano falha, é quando vemos, então, a falta de caráter dos mesmos. O que mais impressiona nessa nova sociedade mostrada no filme, não é apenas a fragilidade das relações, mas o quão longe o homem vai para conquistar seus objetivos, indo contra seus próprios valores, valores como família, amizade, bondade, enfim, tudo o que denominamos de correto, são completamente ignorados. Os valores mudaram, e são assustadores, fama, dinheiro, nem que para tê-los seja preciso roubar, trair, mentir.

David Fincher acerta mais uma vez, construindo uma filmografia invejável. Há uma certa badalação em cima de seu nome recentemente, como provável indicado e quem sabe vencedor do Oscar no ano que vem. Não concordo com essas afirmações, "A Rede Social" definitivamente é um filme incrível, mas ao meu ver, diante das maravilhas que Fincher já realizou, este é o mais fraco. Se era para ter prêmios importantes em sua prateleira, deveria ter sido por outros trabalhos, e não por este, que ainda sim é ótimo, mas não inova em muitas coisas. O roteiro é simples, ajudado pelo fato de ser editado de forma não linear, onde os fatos do passado e presente são mesclados, enriquecendo o filme, e não permitindo que ele escorregue, se tornando algo atrativo e nos prende pela curiosidade de compreender o que realmente aconteceu.

O elenco ajuda ainda mais. Jesse Eisenberg está muito interessante na pele de Mark Zuckerberg, com trejeitos novos e bem diferentes de seus outros papéis, por outro lado, cria uma forma de falar bem complicada para aqueles que acompanham o filme com a legenda, extremamente rápida, comendo sílabas e principalmente vírgulas. Outro destaque é Andrew Garfield, que futuramente estará nos cinemas na pele do Homem Aranha, realiza um trabalho notável e seu personagem é de longe o mais interessante do filme e é por ele que torcemos e sofremos. Ainda temos Justin Timberlake, muito bem em cena, mais uma vez, Armie Hammer interpretando dois personagens, os gêmios, onde acreditamos facilmente que são dois atores diferentes, e participações de belas mulheres, como Rooney Mara, bastante interessante e Rashida Jones (ex- "The Office").

Um filme excelente, não tão bom quanto a mídia está citando. O fato de ter sido estreiado nesta época do ano favorece na seleção de prêmios por ser mais lembrado, se tivesse sido lançado no meio do ano, talvez teria sido ignorado, assim como os próprios criadores do "facebook" acreditavam. Um projeto muito bem realizado, com diálogos interessantes, sequências bem elaboradas e atuações notáveis, um filme acima de tudo, inteligente e marcante e nas mãos do diretor certo. Pode sim ser considerado "um dos" melhores do ano, mas não "o".

NOTA: 8.5

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1, 2010)

Baseado na obra de J.K Rolling, dividido em duas partes para os cinemas, sendo que a segunda lançará no meio de 2011. A "Parte 1" chega batendo alguns recordes como a segunda maior abertura no ano. Uma continuação interessante que vale muito a pena ser conferida.

por Fernando Labanca

Antes de mais nada, não li o livro, portanto minha resenha se refere nada a mais que o filme em si, como adaptação infelizmente não poderei opinar. O que posso dizer com toda a certeza é que o longa agradará sim mesmo aqueles que não leram os livros assim como eu, mas que por algum motivo admiram os trabalhos cinematográficos em cima das obras.

Na sétima parte, muita coisa muda, mas a maior diferença é a ausência das aulas de magia e as sequências nos corredores de Hogwarts, a ação agora é externa. Prestes a completar 17 anos, Harry (Daniel Radcliffe), assim como todos os bruxos recebem a notícia de que o Ministério da Magia caiu, o que significa que uma guerra está prestes a começar. Assim, como ele, Hermione (Emma Watson) abandona sua família e juntamente com a Ordem da Fênix, bolam um plano para a segurança de Harry Potter. Eles os enviam para a "Toca", a casa dos Weasley. Entretanto, nesta fuga são atacados pelos Comensais da Morte, onde Edwiges e Olho-Tonto morrem.

Na toca, recebem a visita do Ministro da Magia (Bill Nighy), que entrega para Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione objetos que ele havia deixado para eles como testamento: para Rony, um apagador que absorvia toda luz presente assim como lhe mostrava a luz quando ela estava ausente, para Hermione, "Os Contos de Beedle, o Bardo", um livro e para Harry, o pomo de ouro que havia capturado em seu primeiro jogo de quadribol. Algumas horas depois, ocorrem alguns ataques no local, e para a segurança de todos, Harry se "teletransporta" para as ruas de Londres junto com seus fiéis amigos. Assim como foi guiado por Dumbledore a destruir a seis horcrux, pois só assim conseguiria destruir Valdemort, logo que são "pedaços"de sua alma, Harry traça sua missão, encontrá-las. Duas já haviam sido destruidas, pelo próprio Harry (em A Camera Secreta) e por Dumbledore (no Enígma do Príncipe) e quando começam a seguir algumas pistas descobrem a localização de mais uma, e para isso correm os maiores riscos e são perseguidos constantemente pelos Comensais.

Para se manterem seguros, começam a acampar em vários lugares, e com o passar do tempo, percebem que os objetos deixados por Dumbledore tinham um significado muito a maior e que por algumas razões, passam a guiá-los para o caminho certo, enquanto isso, surgem alguns conflitos entre eles onde a amizade é colocada a prova, como a desconfiança de Rony em Harry, por não aprovar sua forte união com Hermione e pelo fato deles correrem risco de vida por ele, sendo que o próprio não tem planos para o futuro e nem sabe ao certo como conquistar as coisas deseja.


Acima de tudo, uma ótima sequência. É difícil imaginar um filme que consegue chegar até a sétima parte e com o nível que Harry Potter chegou. Graças a base sólida deixada por Chris Columbus e todo o ambiente criado por ele e sua equipe, e para sequência de bons diretores que passou pelas mãos do projeto, difícil escolher qual o melhor de todos. Mas não há dúvidas de que David Yates (A Órdem da Fenix, O Enígma do Príncipe e As Relíquias da Morte) fez mais do que um excelente trabalho e contribuiu e muito para a saga do bruxo se tornasse um projeto grandioso.

"As Relíquias da Morte" iniciou muito bem esta parte final, deixou várias pontas soltas, mas ao mesmo tempo, houve uma divisão bem feita, onde houve conflitos suficientes para preencher o filme todo, não se tornando uma simples parte do final, mas sim, um filme completo da saga Harry Potter. Em falar em conflitos, devido a eles, o trio principal cresce e se tornam bem mais interessantes, o melhor desempenho dos atores em todos os filme. O fato de ser apenas uma parte do final e ter a duração de um filme normal, teve suas vantagens, o roteiro teve espaço para aproveitar melhor todas as situações, desde a profundidade dos personagens até um melhor desenvolvimento da trama, permitindo que a história ocorrece sem pressa, ao mesmo tempo, sem derrapar e sem cansar o público. E segundo aqueles que leram, foi um dos filmes mais fiéis a obra.

Trilha sonora do experiente Alexandre Desplat, faz um trabalho notável e bastante interessante, a fotografia é mais uma vez muito bela, assim como todas as locações e os efeitos visuais. Um visual deslumbrante, cheio de belas imagens e incríveis sequências, vale citar que o estilo que o diretor opitou é ainda mais dark. David Yates construiu um filme belíssimo, e mostrou uma outra concepção do que conhecemos por blockbusters, assim como as últimas sequências da saga. Um filme que não perde tempo com explosões e muitos efeitos visuais, mas se prende ao roteiro, numa boa elaboração das tramas, respeitando todos os públicos, aqueles que começaram a gostar da obra recentemente, até aqueles que cresceram vendo os filmes e que amadureceram, e hoje esperam um filme mais cabeça, e Harry Potter cresceu também, e tem condições de oferecer aqueles que assistem, conteúdo.

O foco desta parte é trio principal. Esqueça Hagrid (Robbie Coltrane), Severo Snape (Alan Rickman), Lucio (Jason Isaacs) e Draco Malfoy (Tom Felton), Bellatrix (Helena Bonham Carter, ótima), Gina (Bonnie Wright) e o vilão Valdemort (Ralph Fiennes, mais uma vez, irreconhecível). Estão presentes, mas aparecem bem pouco, quase como participações especiais. As novidades ficam com Rhys Ifans, como pai de Luna, e fundamental para a trama, e a participação do sempre ótimo Bill Nighy, e o retorno do simpático Dobby, o elfo doméstico. Um filme incrível, uma das melhores sequências da saga, para quem curte Harry Potter, dificilmente se decepcionará com esta parte. Recomendo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

2 em 1: Kill Bill

Pegando carona na postagem da Babi sobre dois dos clássicos de Quentin Tarantino, "Cães de Aluguel" e "Pulp Fiction", comentarei sobre Kill Bill, que marca a presença do aclamado diretor nessa década que em breve se encerrará. Muitos dizem que Tarantino recuperou o fôlego perdido em 1994, após "Pulp Fiction", com Kill Bill, que aliás não se sabe o porquê, o diretor o considera seu quarto trabalho, mesmo sendo seu, teoricamente, sexto filme.

Filmados juntos, e separados nas telas de cinema, Kill Bill volume 1 e 2 tem suas diferenças, tanto no roteiro quanto na forma. Idéia feliz de Tarantino, que somado isto a todo grandioso resultado dos longas, criou dois de seus mais belos trabalhos, provando de vez ser um grande diretor e provando que ainda tem fôlego para fazer grandes projetos, assim como posteriormente, realizou "Bastardos Inglórios" e "À Prova de Morte", mais uma vez, aclado pela crítica.

por Fernando Labanca



Kill Bill vol. 1 (2003)

Inicia aqui a doce história de vingança, uma das mais belas na história do cinema. Cheia de sarcasmo e ironias, batalhas eletrizantes e muito, muito sangue, Kill Bill foi um marco na carreira de Tarantino e um marco nos filmes de ação.

No filme, vemos uma bela mulher (Uma Thurman) com seu "Pussy Wagon", um chaveiro chamativo em busca de pancadaria, e logo na primeira cena assassina Vernita Green (Vivica A.Fox), uma antiga companheira de um grupo de assassinos de aluguel. Após a morte, ela risca mais um nome em sua lista, a lista de sua vingança, com cinco nomes, e agora dois já riscados.

No próxima cena, Quentin Tarantino nos apresenta a jornada dessa mulher misteriosa até ali, o que ela passou e por que está atrás de vingança. Ela é a "Noiva", foi brutalmente violentada em pleno dia de seu casamento pelo grupo o qual fazia parte, "Esquadrão Assassino de Víboras Mortais" liderado por Bill (David Corradine), o mandante do crime. O problema é que ela estava grávida e seu filho era de Bill que mesmo ouvindo isso de sua boca, lhe deu um tiro.

Para surpresa do grupo, ela sobrevive. Depois de meses em coma num hospital, ela acorda, sem filho, e com uma única coisa em cabeça, vingança. Seu grande alvo era Bill e até chegar até ele, fez sua lista, com seus capangas, iria matar um a um até chegar a ele. O-Ren Ishii (Lucy Liu), Elle Driver (Daryl Hannah), Vernita Green e Budd (Michael Madsen) seriam sua vítimas. Sua primeira escolha foi O-Ren Ishii, simplesmente porque de todos foi a única que se manteve na ativa, matava sem piedade e liderava um grupo de mafiosos japoneses. Porém, para conseguir matá-la, a Noiva foi atrás de Hattori Hanzo, um renomado especialista em espadas que a pedido dela fez uma para contrinuir em sua vingança. Com uma Hattori nas mãos nem tudo facilita, logo que teve de enfrentar um exército gigantesco, seguidores de O-Ren, e a batalha passa a ser muito mais difícil do que ela havia planejado.

"A vingança é um prato que se come frio", assim se inicia Kill Bill. Ou seja, para uma vingança ser bem realizada dever ser feita com total frieza daquele que a executa, e assim segue o filme, a "Noiva", assim como todos os coadjuvantes, lutam atrás de sangue e morte e vão até as últimas consequências para conquistá-los. E nesta intenção, o filme é bastante violento, e exagero é a palavra chave, sangues saem dos corpos como petróleo, mas logo entramos no jogo de Tarantino, e que nada deve ser levado tão a sério. O humor está ali também para provar a brincadeira, surge quando menos esperamos e até mesmo em cenas sérias não sabemos se damos risada ou se aquilo é sério mesmo. Uma experiência nova e extremamente divertida.

As cenas de luta que homenageiam filmes de kung fu e a cultura oriental, com uma mescla de uma cultura mais contemporênea, misturando filmes trash com animes, violência exagerada com bastante humor. Tarantino faz um mix daquilo que o consagrou, violência e citações "nerds". Ainda vemos uma trilha sonora que virou mito e até hoje é vista como referência, que transforma um simples olhar num grandioso momento, músicas que fazem deste filme algo eletrizante, canções atrás de canções, melhorando cada cena e contribuindo para Kill Bill ser definitivamente, um marco.

Além de todos esses pontos positivos, ainda há Uma Thurman. Que sem ela, esse projeto poderia ter sido um grande desastre, mesmo nas mãos de Tarantino. Ela se entrega com muita verdade a sua personagem, onde seu passado se resume a um momento, e seu futuro a uma só certeza, a vingança, sem nome, nos conectamos com a "Noiva" e com seu objetivo, torcemos por ela, e sentimos na pele sua perda. Thurman se entrega por total, tanto nas cenas mais dramáticas que são poucas, até as belas e longas cenas de ação, luta como alguém que realmente sabe o que está fazendo.

A primeira parte de Kill Bill termina muito bem, e mesmo que o grande vilão nem mesmo apareça, ficamos a espera da sequência, que foi lançada um ano depois. Mas mesmo assim, a divisão foi bem feita, e o volume 1 consegue um final digno. E mesmo sem o tão falado Bill, Tarantino nos apresenta a duas grandes vilãs, Elle Driver e a cena antológica como enfermeira assobiando nos corredores de um hospital, interpretada por Daryl Hannah e O-Ren Ishii, interpretada por Lucy Liu, que manda muito bem. Um filme fantástico, milagroso, divertido e único. Recomendo.

NOTA: 9



Kill Bill vol. 2 (2004)

A vingança continua. Mas dessa vez é para valer. Neste segundo volume, Quentin Tarantino que mais uma vez escreve e dirige, faz o que poucos cineastas conseguem, fazer uma sequência melhor que o original, sende este original, algo já excelente. Neste longa, conhecemos mais sobre a Noiva, sobre seu passado, sobre o dia em que foi assassinada e tudo o que faltou no primeiro.

Mais uma vez optando por contar a história de forma não-linear, "Kill Bill volume 2" é um simples quebra-cabeça, vemos uma mescla de fatos do passado e do presente, colocados de forma coerente, sempre facilitando a compreenção da cena seguinte. E essa forma de se fazer filme já foi bastante utilizado por Tarantino, como em "Cães de Aluguel" e "Pulp Fiction" e mais uma vez acerta e nisso transforma o longa em algo mais atrativo do que já era.

A "Noiva" trabalhava com seu noivo e o amava, vivia uma vida pacata em Texas, eis que no ensaio de seu casamento, reecontra um antigo amigo, ou melhor, uma antiga paixão, Bill (David Corradine), devastado pelo abandono de sua amada, traçou uma jornada afim de encontrá-la, e a encontrou noiva e grávida de outro homem. Faziam parte de um grupo de assassinos, que também voltaram, mas para matá-la. O-Ren Ishii e Vernita Green havian sido assassinadas. Budd abandonou esse tipo de vida, passou a ser um trabalhador qualquer, sabia que uma hora ou outra ela, que agora tem nome, Beatrix Kiddo, voltaria para se vingar. O que mais temia era o fato dela ter uma poderosa espada de Hattori, mas por outro lado, compreendia sua vingança. Porém, em sua batalha com Budd, Beatrix perde e acaba sendo enterrada viva. Acreditando que os problemas haviam sido resolvidos, para ganhar dinheiro, vende a Hattori para Elle Driver que para não perder o dinheiro e ainda ficar com a espada, mata Budd.

Conseguindo sair debaixo do solo, Beatrix parte, mais forte e mais sedenta por vingança, em busca de Bill. Voltando ao passado, presenciamos uma bela e verdadeira relação que ela mantinha com Bill, amantes que se amavam mais do que qualquer outra coisa, ele a leva para ser treinada por Pei Mei, um chefe de Kung Fu, arrogante e estúpido, faz de Beatrix uma profissional e é onde entendemos seus conhecimentos nas artes marciais. Entretanto, no reencontro com Bill, ela acaba reecontrando algo que tinha certeza de que havia perdido, sua filha.

Fechando com chave de ouro essa árdua jornada, "Kill Bill volume 2" trás mais uma vez cenas fortes e violentas e sequências eletrizantes e um final digno para todo esse espetáculo. O longa termina num nível altíssimo, numa sequência memorável, antológico seu reencontro com Bill, diálogos inteligentes, com direito a citações de HQ, humor e para surpresa de um filme tão pesado e tenso, enfim, um grande momento de emoção, comovente na pele de dois atores que surpreendem, Uma Thurman e David Corradine.

"Kill Bill vol.2" é bastante diferente do primeiro, e mais uma vez repito meu respeito pela divisão mais do que feliz feita pelos realizadores dos dois longas. Apesar de seguir o mesmo roteiro, a forma como tudo é feito é diferente, as cenas de morte e muito sangue são deixadas em segundo plano, dando preferência para a história em si, nos mostrando detalhes importantes do passado e que fazem toda a diferença. O filme também reserva mais espaço para conhecermos mais os personagens, onde todos ganham uma profundidade psicológica mais ampla, além das cenas mais comoventes, transformando o que antes eram apenas fantoches lutando, em humanos, que sentem, tem uma história e sofrem. Brilhante.

Os pontos positivos permanecem, como a ótima trilha sonora, a bela fotografia e as grandiosas cenas de ação. O filme, assim como o primeiro e assim como todos os filmes de Tarantino, são divididos em capítulos, contando com o volume 1, ao todo, são 10, e neles, há cenas com longa duração, preenchidas por diálogos inteligentes e rápidos, e diferente de por exemplo, "Bastardos Inglórios" a longa duração das cenas não deixam o filme intediante. Ao meu ver, Tarantino soube trabalhar melhor com seu estilo, e por isso, depois de "Pulp Fiction", tanto o volume 1 quanto o 2, foram o ponto alto de sua carreira.

Uma Thurman também cresce, já estava ótima no primeiro, mas graças ao roteiro, sua personagem cresce psicológicamente permitindo que a atriz prove de vez seu talento. Ela se sai muito bem não somente nas cenas de luta, demonstrando toda sua leveza no King Fu, mas também nas cenas mais sérias. David Corradine (que faleceu em 2009), excelente em cena, e junto com Thurman finaliza maravilhosamente o longa. O restanto do elenco, corretos.

Um filme incrível, que superou todas as minhas expectativas, logo que eu, sinceramente, não esperava muita coisa, e vi esperando criticá-lo, mas acabou e eu estava simplesmente chocado com o que acabava de ver, um espetáculo, repleto de bons momentos e cenas marcantes, excelentes atuações e um visual deslumbrante. Imperdível, para quem curte Quentin Tarantino, uma obra indispensável.

NOTA: 9,5




Vale lembrar que Quentin Tarantino afirmou que fará uma continuação, porém, ele ainda tem outras prioridades e o filme só chegaria em 2014. Alguns rumores apontam Uma Thurman mais uma vez como protagonista, e também haverá o retorno de Danyl Hannah e sua Elle Driver, logo que a mesma não teve um final revelado na parte final, e ela retornaria atrás de vingança. Outros personagens retornariam também em busca de vingança contra Beatrix Kiddo, houve boatos que indicaram que a filha de Vernita Green, que viu sua mãe sendo assassinada no primeiro, voltaria, assim como Sofie (Julie Deyfus), assistente de O-Ren Ishii, que teve um dos braços cortados por Kiddo, também no primeiro.

Enfim, agora é só aguardar...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Crítica: Kick Ass - Quebrando Tudo (Kick Ass, 2010)

Um mix de humor e pancadaria pesada, "Kick Ass" se firma como o filme mais "cool" do ano.

por Fernando Labanca

Baseado na HQ criada por Mark Millar em 2008, onde ele havia criado um herói possível, um cara como qualquer outro que decide fazer justiça com as próprias mãos e inventa situações interessantes e bastante criativas para transpor essa idéia no mundo atual, onde por exemplo, o "herói" fica famoso por um vídeo no "YouTube", entre outras coisas.

O cara em questão é Dave Lizewski (Aaron Johnson), um jovem nerd (é claro) viciado em história em quadrinhos e apaixonado por uma linda garota popular que nunca lhe dá atenção (Lyndsy Fonseca). Refletindo sobre o mundo atual e como a violência invadiu o cotidiano das pessoas, passa a se perguntar o porquê dos heróis que ele tanto admira nas páginas não existem de verdade, porque ninguém em nenhum lugar do mundo decidiu se manifestar e dar um basta. Pensando nisso, Dave decide fazer ele mesmo, compra uma fantasia pela internet, mascarado e com codinome "Kick-Ass" vai para as ruas da cidade fazer justiça. É espancado quase até a morte, vai para o hospital, é quando percebe que não ter poderes especiais poderá prejudicá-lo e tornar tudo mais difícil. Mas ele retorna, mais confiante, e em uma de suas brigas, surpreende a todos e vai parar no "YouTube" e passa a ter uma legião de fãs.

Não muito longe, Damon (Nicolas Cage) treina sua filha de 11 anos, Mindy (Chloe Grace Moretz), e neste treino envolve saber manusear armas e saber apanhar também. Tudo para lhe ensinar a força, e mais do que isso, lhe ensinar a não temer o que lhe virá pela frente. Damon é Big Daddy e Mindy é Hit Girl, e juntos tentam fazer vingança a um poderoso mafioso. Este mafioso é Frank D'Amico (Mark Strong) que por sua vez, percebe que há algo de errado com seus "negócios", onde muito de seus informantes estão sendo eliminados, é quando descobre que há um novo justiceiro na cidade, "Kick-Ass" e tem a certeza que ele é quem está estragando seus planos e para dar um fim nisso, ele conta com a ajude de seu filho, Chris (Christopher Mintz-Plasse), que se faz de herói, o "Red Mist", para chegar até Kick-Ass.


A direção é de Matthew Vaughn (Stardust), uma direção confiante e bastante segura, onde sabe trabalhar com competência toda a liberdade que o roteiro permite, de humor à muita violência, no melhor estilo Quentin Tarantino, com bastante pancadaria e muito sangue. Ainda há um toque de romance e drama para completar. Ou seja, um filme completo.

Definitivamente, um filme imperdível. O melhor de herói do ano, o que por outro lado, não se pode definir "Kick Ass" como apenas um filme de herói, o roteiro é bem abrangente, e por muitas vezes faz reflexões bastante interessantes sobre o mundo atual. Como adaptação também não sei opinar, mas como filme, é simplesmente um furacão que como o título sugere, quebra tudo. Surpreendente, desde as ótimas atuações, ao roteiro, as cenas de ação de muita qualidade e um fim bastante digno com toda a originalidade e criatividade que o filme expôs. Além de uma parte técnica impecável, desde a ótima trilha sonora, fotografia, pelas diversas locações e pelos efeitos especiais e sonoros.

Aaron Johnson surge como um ator promissor, convence com seu nerd justiceiro, é carismático e engraçado e se encaixou perfeitamente em Dave/ Kick Ass. Nicolas Cage finalmente fazendo um papel decente nos cinemas e se sai bem nas telas, assim como Mark Strong, que já está craque em interpretar vilões e caras mal-humorados (vide Reflexos da Inocência, Robin Hood e Sherlock Holmes) e portanto sabe como fazê-los muito bem, por outro lado, não surpreende em nenhum ponto, fazendo bem, mas o de sempre. Outro destaque vai para o eterno McLovin de Superbad, o ator Christopher Mintz-Plasse que me surpreendeu pois não conseguia imaginar ele fazendo outra coisa além de nerds estranhos como em seu primeiro filme, mas provou que sabe e muito bem. Mas quem rouba a cena, definitivamente, é Chloe Grace Moretz com uma das personagens mais interessantes do ano, Hit Girl. Com uma atuação digna de aplausos e boas críticas, a jovem atriz desponta com uma das grandes revelações do ano.

"Kick-Ass", o filme "cool" do ano. Ágil, divertido, inteligente e muito original, diferente de qualquer outra adaptação de herói já feita. Um dos melhores do ano! Recomendo.

NOTA: 10






































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