quinta-feira, 18 de junho de 2015

Crítica: Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock, 2009)

Já devo ter dito em algum outro momento, aqui no blog, sobre o quão versátil é o diretor Ang Lee (O Tigre e o Dragão, O Segredo de Brokeback Mountain). A cada novo filme que resolvo conferir de sua filmografia, me deparo com algo novo, um outro tema e sempre acabo me surpreendendo. "Aconteceu em Woodstock" é um de seus projetos menos conhecidos, no entanto, só me fez admirá-lo ainda mais. Aqui, voltamos no tempo e embarcamos em um dos eventos mais importantes da história da música. Mais do que compreender a época, compreendemos os sentimentos daqueles que vivenciaram o Festival.

por Fernando Labanca

O Festival de Woodstcock aconteceu no ano de 1969 e foi um marco para a história da música popular. "Três dias de paz e música", era assim que os jovens organizadores anunciavam o evento que trouxe, numa vasta área ao ar livre, no interior de Nova York, nomes como Janes Joplin, The Who, Grateful Dead e Jimi Hendrix. A trama do filme começa pouco antes do início do Festival, quando o mesmo havia sido barrado na pequena cidade de Wallkill. É então que somos apresentados à Elliot (Demetri Martin), um jovem esforçado que retorna para a casa dos pais (interpretados por Imelda Staunton e Henry Goodman), onde passa a ajudá-los a administrar um pequeno hotel que passa por sérios problemas financeiros. Decidido a reerguer o negócio, Elliot, que sempre foi um grande incentivador da arte no local, resolve entrar em contato com os organizadores do Festival de Woodstock e oferece a pequena aldeia de White Lake como novo lugar do evento. Entretanto, os moradores não aceitam bem a ideia e começam a protestar sobre a "invasão hippie" que estava por acontecer, até se darem conta do quanto tudo aquilo poderia ser lucrativo.


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Crítica: Pássaro Branco na Nevasca (White Bird in a Blizzard)

Baseado no livro de Laura Kasischke, o longa fora lançado no Festival de Sundance no ano passado. Com direção do sempre polêmico Gregg Araki, "Pássaro Branco na Nevasca" é mais uma trama que ele usa para falar sobre a juventude, realizando, como de costume, um cinema muito único, estranho e bizarro, mas ainda assim, fascinante.

por Fernando Labanca

Escrevo "estranho e bizarro" no melhor dos sentidos. Este é o cinema independente de Gregg Araki, que ele realiza ainda com muita competência. Para quem já dirigiu obras como "Mistérios da Carne" (2004) e "Kaboom" (2010), "Pássaro Branco" poderá até soar um trabalho mais contido do diretor, entretanto, é um filme que se encaixa perfeitamente em sua filmografia e mesmo que sendo uma adaptação de um livro, Araki não perde a chance de assinar o que faz, é um cinema ainda autoral, ele deixa muito claro sua visão sobre a trama. O interessante é que não deixa de ser um filme "teen", feito para os jovens, os diálogos, as conversas descontraídas, as festas, o mistério um tanto quanto bobinho e a presença da atriz-sensação do momento, Shailene Woodley . Apesar de ser diferente e por trilhar um caminho não muito usual em toda sua construção, espero que o longa encontre este público.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Crítica: O Predestinado (Predestination, 2014)



- "Quem nasceu primeiro...o ovo ou a galinha?
- "O galo"

Para quem ainda não assistiu "O Predestinado", recomendo assistir sem saber nada, sem ler qualquer sinopse ou comentário. Foi exatamente o que fiz e confesso, foi uma viagem surpreendente, que me deixou extasiado durante seus minutos e feliz por finalmente ver uma obra tão diferente, dessa mistura louca de drama, ação, suspense e ficção científica. Uma história tão fantástica que de tantas perguntas que me deixou no final, a mais cruel de todas foi: por que diabos que ninguém está falando sobre este filme ainda?

por Fernando Labanca

Um agente temporal (Ethan Hawke) sofre um acidente em sua última missão, quando precisava desativar uma bomba, queimando seu rosto e o desfigurando completamente. Depois de várias cirurgias e com um rosto irreconhecível, ele passa a trabalhar, aparentemente, como bartender. É, então, que no balcão de seu bar surge John (Sarah Snook), que promete lhe contar a melhor história que ele já ouviu, cantando sobre sua difícil infância e todos os percalços que o levaram até ali. Após ouvir tudo, o agente lhe oferece sua própria missão, voltar no tempo, lhe dando a chance de se colocar frente a frente com aquele que arruinou sua vida.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Crítica: Sem Direito a Resgate (Life of Crime, 2013)

Ambientada na década de 70, a trama mostra os primeiros passos dos personagens vividos por Samuel L.Jackson e Robert De Niro em "Jackie Brown" (1997), Ordell Robbie e Louis Gara, agora interpretados por Yasiin Bey e John Hawkes, respectivamente. Assim como a obra de Quentin Tarantino, "Sem Direito a Resgate" fora baseado na obra de Elmore Leonard, que faleceu em 2013. Mesmo que falte personalidade a este filme, vale pela curiosidade de reencontrar a dupla já conhecida e pela história, mais uma vez, inteligente e bastante inusitada.

por Fernando Labanca

Logo de início, o longa já nos apresenta ao plano de Ordell (Bey), que com a ajuda de Gara (Hawkes) e do neonazista Richard (Mark Boone Junior), pretende sequestrar Mickey (Jennifer Aniston), a esposa do milionário Frank Dowson (Tim Robbins), afim de conseguir 1 milhão de dólares pelo resgate. Tudo segue como o planejado, porém o que eles não contavam é que Frank não estaria disposto a pagar o dinheiro, isso porque, pouco antes do sequestro, ele já havia dado entrada ao divórcio. A partir de então, Ordell passa a apelar para conseguir o que quer, inclusive, se unir à amante do milionário, Melanie (Isla Fisher). Por outro lado, Mickey não parece fazer muita questão em retornar aos braços do marido, principalmente quando sente uma grande afinidade com aquele que a sequestrou, Louis.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Crítica: Para Sempre Alice (Still Alice, 2014)

Baseado no livro escrito pela neurocientista Lisa Genova e Vencedor do Oscar 2015 de Melhor Atriz para Julianne Moore, "Para Sempre Alice" narra, de forma bastante realista, a luta diária de uma professora afetada pelo mal de Alzheimer.

por Fernando Labanca

Alice é uma talentosa e renomada professora de linguística, divide seu tempo entre o trabalho e os afazeres de casa, tentando sempre dar atenção a seu marido (Alec Baldwin) e seus três filhos, Anna (Kate Bosworth), Lydia (Kristen Stewart) e Tom (Hunter Parrish). A família, porém, é desestabilizada com o recente diagnóstico de Alice, que sofre, precocemente, pelo mal de Alzheimer. É então, que aos poucos, ela vai perdendo, cada dia mais, um pouco de si, são palavras que somem, nomes e costumes que se apagam, perdendo sua memória, e como consequência, sua própria identidade.

É um caminho bastante doloroso, este vivido por Alice, vendo sua própria vida ser apagada diante de si. A vergonha que tem perante os outros, o medo que sente por não ser mais a mesma com sua família e com aqueles que tanto ama e a força que demonstra ao tentar viver cada dia como se fosse o último. É sufocante assistir essa triste transição da personagem e o filme acerta e muito ao mostrar isso tão de perto, de forma tão honesta. São pequenos instantes, como Alice esquecendo onde deixou seu celular ou como quando passa a anotar coisas banais de seu dia-a-dia. É através desses pequenos detalhes que o tornam um projeto tão verdadeiro.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Crítica: Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015)

Muito bom quando isso acontece. Aquele blockbuster que ninguém espera nada, surge de repente e quando nos damos conta...todos estão falando sobre. E existe uma razão para esse sucesso repentino, por todo esse falatório, uma razão bem simples: "Mad Max: Estrada da Fúria" é um dos melhores filmes de ação que tivemos a chance de ver nos últimos anos. Vemos aqui um cinema raro, uma insana, eletrizante e magnífica obra de arte.

por Fernando Labanca

São exatos trinta anos que separam este filme da antiga trilogia, estrelada por Mel Gibson. Apesar de ser considerado um reboot, também podemos vê-lo como uma sequência, logo que a trama sempre permitiu isso, nunca oferecendo um final para Max, deixando sempre assim, uma possibilidade de retorno, no mesmo universo, vivendo sob o mesmo transtorno. O responsável por trazer novamente o personagem às telas do cinema é o diretor George Miller, que já havia realizado os três primeiros capítulos. Confesso que sou contra ressuscitar obras do passado, entretanto, assim como eu, acredito que ninguém esperava que Miller pudesse retornar e fazer algo tão bom, tão único. Surpreendentemente, "Estrada da Fúria" é ainda melhor que os outros filmes, a trajetória mais épica e mais extraordinária já vivida por Max e como é bom ter a chance de ver isso no cinema. George Miller ensinou na década de 70 como se fazia um bom filme de ação e volta agora para trazer um novo frescor ao gênero, tanto narrativo quanto estético. Depois de tantos blockbusters descartáveis, finalmente uma obra que não insulta seu público e por fim, oferece muito mais do que estamos acostumados, nos oferece algo a admirar, algo a ser lembrado.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Especial Mad Max



Nunca tive uma ligação muito forte com a saga "Mad Max", a única lembrança que tinha era das chamadas do SBT, com a presença de Mel Gibson e da Tina Turner em algumas sequências de ação, ao som de "We Don't Need Another Hero". Portanto, quando soube que estava para lançar mais um novo filme, também não liguei...até ver o trailer de "Mad Max: Estrada de Fúria". Foi quando compreendi que havia algo de interessante ali, algo a ser visto. Curioso por todo aquele universo que presenciei durante poucos minutos, resolvi dar uma chance aos capítulos anteriores e agora estou aqui, escrevendo sobre o que vi, pensando naqueles que admiram este clássico e pensando também, naqueles, assim como eu, que não faziam ideia de que já haviam sido feitos 3 longas-metragens, sendo o último deles, lançado há exatos 30 anos atrás.

por Fernando Labanca

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Crítica: Ponte Aérea (2015)

Quando o amor não é o suficiente.

por Fernando Labanca

Dirigido por Julia Rezende, "Ponte Aérea" coloca, mais uma vez, em discussão, os relacionamentos à longa distância. De longe, até parece muito do que já vimos em outros filmes, entretanto, felizmente, este filme nacional, se supera, provando uma maturidade e inteligência rara quando pensamos em comédias românticas. Traz em cena, argumentos relevantes sobre as relações modernas, construindo, aos poucos, uma trama singela, realista e sutilmente emocionante.

Amanda (Letícia Colin) é uma publicitária extremamente dedicada ao trabalho. Bruno (Caio Blat), um artista plástico talentoso, que não sabe muito bem o que fazer da vida. Ela, de São Paulo. Ele, do Rio de Janeiro. Quando um voo tem seu percurso desviado, devido a uma forte tempestade, todos os passageiros são colocados, temporariamente, em um hotel. É lá que eles se conhecem, nesta brecha de tempo e espaço, passam a noite juntos por puro impulso, mas ao amanhecer, cada um segue com sua vida. No entanto, assim que Bruno chega em São Paulo, cidade que é obrigado a visitar frequentemente por causa da internação de seu pai, resolve procurá-la. E de pequenos e rápidos encontros, eles tentam construir uma relação. Entretanto, quanto mais se conhecem, mais conhecem os defeitos um do outro, é então que a longa distância passa a ser o menor dos problemas entre o casal.


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Crítica: Não Olhe Para Trás (Danny Collins, 2015)


Chegando tímido nos cinemas, "Não Olhe Para Trás" é uma grande surpresa, daquele tipo de filme que ninguém espera nada e de repente ele te prova inúmeras razões para adorá-lo. Simples, objetivo e incrivelmente bem escrito.

por Fernando Labanca

Baseado em um evento real, o longa nos apresenta Danny Collins (Al Pacino), um popstar que já viveu seu tempo e agora sobe aos palcos para cantar sucessos de muitos anos atrás, reprisando canções para seus fãs, que também já envelheceram. Sem escrever nenhuma música por mais de trinta anos, ele ainda possui uma vida de luxo, com dinheiro, mulheres, drogas e álcool. Até que seu amigo e empresário Frank (Christopher Plummer) lhe entrega, de presente de aniversário, uma carta escrita por John Lennon na década de 70, mas que esteve nas mãos de um colecionador. Destinada ao próprio Collins, na época em que ele era apenas um garoto promissor, a carta era um aviso de Lennon para que o dinheiro não destruísse sua carreira, deixando, inclusive, seu telefone, caso precisasse de ajuda. Devastado pelo ocorrido, e reflexivo sobre o que teria sido sua vida se tivesse acesso a carta na época em que fora escrita, Danny decide parar sua turnê e ir atrás daquilo que deixou no passado, seu filho (Bobby Cannavale), que nunca chegou a conhecer.

"Stay true to yourself. Stay true to your music."


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