quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Crítica: Dois Lados do Amor (The Disappearance of Eleanor Rigby: Them, 2014)


Arriscaria dizer que "Dois Lados do Amor" é uma das experiências mais inovadoras que o cinema nos trouxe este ano. Não se deixe enganar pelo título nacional, se trata de um projeto único, uma grande ideia, realizada pelo cineasta Ned Benson, e que resultou em um belíssimo filme, ou melhor, em três belíssimos filmes.

por Fernando Labanca

No original. "The Disappearance of Eleanor Rigby" conta a história de um casal em crise. Poderia até ser algo comum, se não fosse pelo fato de terem feito dois filmes para contar a trama. A versão do homem, interpretado por James McAvoy em "The Disappearance of Eleanor Rigby: Him", e a versão da mulher, interpretada por Jessica Chastain em "The Disappearance of Eleanor Rigby: Her". Dois lados da mesma história. As duas obras foram lançadas em 2013 do Festival de Toronto, no entanto, para que seu trabalho conseguisse ser comercializado, Ned Benson, os editou, construindo dessa forma, o "Them", lançado na Mostra Um Certo Olhar de Cannes 2014. É esta versão editada que chegou aos cinemas, intitulada de "Dois Lados do Amor", aqui no Brasil.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Crítica: Marcados Pela Guerra (Camp X-Ray, 2014)

Lançado em 2014, no Festival de Sundance, "Camp X-Ray" marca mais uma boa escolha de Kristen Stewart em sua carreira, além de revelar o talento do diretor estreante Peter Sattler.

por Fernando Labanca

Stewart interpreta Cole, uma jovem que resolve largar sua cidade pacata para realizar um trabalho como soldado na base de Guantánamo, em Cuba, anos após o atentado de 11 de setembro. Sua função, ao lado de outros iniciantes, é vigiar os detentos, que são mantidos presos por serem acusados de terrorismo, e que constantemente se rebelam ou tentam suicídio. Até que Cole começa, aos poucos, a desenvolver - proibidamente - uma relação de amizade com um dos detentos, Ali Amir (Peyman Maadi), que lhe chama a atenção por sua inteligência e por seu gosto pelas artes e leitura.

Durante seus anos de atividade, a prisão de Guantánamo, gerou bastante polêmica e sempre foi vista como algo abusivo e controverso. Era conhecida pela forma desumana como os soldados tratavam os detentos, além de receber diversas denúncias contra suas práticas ilegais. Logo, me surpreende e muito ver um filme norte-americano realizando um filme como este. Se recentemente, tivemos o desprazer de assistir o patriotismo exacerbado em obras como "Invencível" de Angelina Jolie e "Sniper Americano" de Clint Eastwood, que mostram, assim como de costume no cinema do país, uma visão conservadora e manipuladora sobre como seus soldados são heróis. "Marcados Pela Guerra" mostra uma nova perspectiva sobre o pós "11 de setembro", e mesmo com a simplicidade de um produto independente, revela um poder e uma coragem pouco vista, que tem a ousadia de não tomar um lado, de não criar vítimas nem vilões. O roteiro, sabiamente, mostra um pequeno evento e deixa com que as conclusões sejam tiradas por aqueles que assistem. É ousado, também, quando não teme fazer certas críticas, onde cada ataque de fúria do personagem Ali Amir, que é muçulmano, serve como um soco na cara, que não esconde sua crença de que os próprios americanos são os verdadeiros terroristas. O filme trabalha muito bem esta ideia de que existem pessoas e pessoas e de que o meio em que vivem não define caráter. É sobre o encontro dessas duas pontas opostas, desse homem, que no meio de acusados, se diz inocente e dessa mulher que tenta encontrar a dignidade dentro de si e dentro daquele em que passa a acreditar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Crítica: Enquanto Somos Jovens (While We're Young, 2014)

A obra marca o retorno do diretor e roteirista Noah Baumbach, que realizou há dois anos atrás o hit cult "Frances Ha". Mais comercial e menos cool, "Enquanto Somos Jovens" até poderia ser considerado um trabalho menor do cineasta, se não fosse sua capacidade em transformar uma trama simples em algo surpreendente, construindo uma comédia refinada, inteligente e muito acima do que o gênero costuma trazer. E ele vai além, oferecendo um estudo complexo e bastante original sobre a sociedade atual.

por Fernando Labanca

Digo te antemão: se trata de um filme diferente, longe de ser convencional. Talvez isso afaste boa parte do público, ao se dar conta de que a trama trilha por outros caminhos, longe daqueles que ofereceu nos trailers e em suas sinopses. Por outro lado, "Enquanto Somos Jovens" se destaca, justamente por sua ousadia em fugir do comum, e poderá ganhar alguns admiradores por isso. É mais uma daquelas comédias que não faz rir, que faz piada da tragédia humana sem intenção de agradar ou ser divertido, pelo contrário, é sutilmente devastador, que ao final, deixa um vazio e algumas reflexões em nossa mente.

Conhecemos Josh (Ben Stiller) e Cornelia (Naomi Watts), de quarenta e poucos anos. Casados há muito tempo, eles se sentem desconfortáveis com o fato de viverem uma relação mais conservadora do que antes e principalmente com o fato de que, mesmo envelhecidos, não se sentem partes de suas gerações por não terem tido um filho, como todos os outros. Eis que, eles acabam fazendo amizade com um casal vinte anos mais jovem que eles, Jamie (Adam Driver) e Darby (Amanda Seyfried). Duas pessoas descolados, que criam uma rotina sem regras, cheio de planos e projetos guiados por uma espontaneidade inspiradora. Fascinados pelo modo como os dois vivem, Josh e Cornelia passam a criar novos interesses, buscando a jovialidade que perderam e encontraram no casal de estranhos. Este encantamento, porém, vai sendo destruído quando Josh resolve trabalhar ao lado de Jamie na realização de um documentário, percebendo, então, que há algo por trás desta inocente relação construída por todos eles.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Crítica: O Universo no Olhar (I Origins, 2014)


Sabe quando você assiste um filme só porque achou o poster legal e não faz ideia do que se trata? Desta forma que me aventurei a conhecer "I Origins", sem nem mesmo ler uma sinopse antes. E o choque foi instantâneo, pois logo percebi que estava diante de algo único e muito bem realizado pelo diretor Mike Cahill. Uma experiência extasiante e difícil de ser esquecida.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Crítica: Cidades de Papel (Paper Towns, 2015)

Pegando carona no sucesso que "A Culpa é das Estrelas" fez ano passado, o filme é mais uma adaptação de John Green para as telas. Mais descompromissada, a obra não deixa de ser, ainda, um interessante relato sobre a adolescência, e no meio de boas ideias, diálogos e personagens, "Cidades de Papel" surpreende, ao ser muito mais do que pretende ser.

por Fernando Labanca

Tenho percebido que o público tem encarado, de longe, o filme com um certo preconceito. Muitos já o acusam de ser clichê e previsível somente pelo trailer. O garoto desajustado que se apaixona pela vizinha, que é inclusive, muito popular no colégio. Os adolescentes norte-americanos que tanto conhecemos e já estamos cansados de ver. Sim, ele foi vendido como "mais do mesmo". Por isso é tão bom chegar ali, no cinema e se deparar com algo maior, se surpreender pela forma como o roteiro consegue escapar dessas previsibilidades. Li o livro e fiquei feliz em saber que os responsáveis pela adaptação foram Scott Neustadter e Michael H.Weber, que já mereciam todo o respeito por obras como "500 Dias Com Ela" (2009) e "O Maravilhoso Agora" (2013). Aqui, eles realizam mais um excelente trabalho, compreendem o que é ser jovem, entregam beleza à adolescência e aos tempos que passaram. Nos fazem sentir falta de uma época que adorávamos odiar, o colégio. Trata-se de um produto extremamente simples, leve, teen, mas que ganha pontos por esta vibe saudosista que insere em sua trama, pela nostalgia que nos traz.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Crítica: Frank (2014)

"Frank" é um daqueles filmes independentes um tanto quanto especiais, que instiga por toda sua estranheza e excentricidade, ao mesmo tempo em que encanta por todos os seus sentimentos, que diverte, que inspira e nos faz querer viver um pouco da loucura que oferece.

por Fernando Labanca

Levemente baseado no personagem Frank Sidebottom, criado pelo músico e comediante Chris Sievey. A trama foca na jornada de Jon (Domhnall Gleeson), um aspirante tecladista que escreve suas próprias canções, porém, enfrenta um bloqueio criativo no qual não consegue se ver livre. Eis que se depara com a banda The Soronprfbs, um grupo bastante alternativo que iria se apresentar em sua cidade mas acaba perdendo, coincidentemente, o tecladista, devido ao surto que teve, e sem muitas opções, resolvem colocam Jon no lugar. Ansioso por fazer exatamente o que sempre sonhou, ele ainda aceita participar de uma viagem para Irlanda, ao lado dos desconhecidos, para que pudessem gravar um álbum. E deste inesperado contato, Jon se vê cada vez mais fascinado por aquele universo, pela loucura e excentricidade dos membros da banda, principalmente por Frank, o vocalista, que usa uma cabeça grande de papel machê e não a tira por nada, e com seu jeito estranhamente amigável, ele busca extrair o que há de mais louco em cada um, os inspirando na criação de suas músicas.


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Crítica: O Ano Mais Violento (A Most Violent Year, 2014)

Sendo apenas o terceiro filme de J.C. Chandor, que dirigiu anteriormente "Margin Call" (2011) e "Até o Fim" (2013), vemos aqui mais uma prova de que seu nome é um dos mais promissores do cinema atual. Ignorado nas grandes premiações de 2015, "O Ano Mais Violento" é uma daquelas obras quase que irretocáveis, que se torna um deleite cinéfilo, ao oferecer uma história interessante e um primoroso visual. 

por Fernando Labanca

A trama acontece no ano de 1981 em Nova York, época em que os gangsters dominavam os negócios e construíam seus reinados através de métodos não muito louváveis. É neste cenário em que Abel Morales (Oscar Isaac), que herdou de seu sogro uma empresa no setor de combustíveis, tenta se erguer, sempre com a ajuda de sua esposa Anna (Jessica Chastain), como um dos melhores empresários no ramo, passando a investir muito dinheiro para conseguir uma área onde poderia armazenar seu produto. Alvo forte de seus concorrentes, tudo começa a se desestabilizar quando uma série de assaltos e ameaças começam a ocorrer contra seus funcionários, além da pressão que sofre pelo promotor (David Oyelowo) que decide iniciar uma investigação sobre seu negócio. E dentre tantos obstáculos, Abel tenta se manter limpo, honesto, sempre distante de tudo aquilo que vai contra sua moral.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Crítica: Cake - Uma Razão Para Viver (Cake, 2015)


Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz - Drama, "Cake" é uma grande chance para Jennifer Aniston, que depois de tantos anos se dedicando à comédia, se entrega com força neste papel intenso, que não só confirma seu inegável talento como também prova o quão longe ela é capaz de ir.

por Fernando Labanca

"Cake" é um filme que me surpreendeu bastante. Já esperava uma boa atuação de Aniston, mas pelo trailer me pareceu mais uma daquelas dramédias do Festival de Sundance, onde todos os problemas são resolvidos com bom humor. Não, bem diferente disso, o longa é um drama pesado, que discute assuntos delicados como o suicídio, sem jamais apelar ou cair no dramalhão, por outro lado, sem nunca procurar caminhos fáceis para seus personagens. Acompanhamos o caminho árduo de sua protagonista, Claire Bennett, que parece estar o tempo todo no fundo do poço, não há chances para ela, o que torna seus minutos em instantes dolorosos. Chega a ser claustrofóbico ver o mundo por sua perspectiva, ela é a personificação da dor, de uma mulher que perdeu demais na vida e não sabe como se reerguer, e se não fosse o bastante, sua dor também é física, mal consegue se locomover e possui uma pele cheia de cicatrizes. O que, de fato, aconteceu com ela é o mistério que move a obra.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Crítica: Sob o Mesmo Céu (Aloha, 2015)

Finalmente consegui ir ao cinema e ver um dos filmes que mais aguardava neste ano. O motivo por esta minha espera? Como já disse algumas vezes no blog, sou um grande fã de Cameron Crowe e fiquei contando os meses, assim que soube que seu mais novo trabalho seria lançado em 2015. Por tudo isso, digo que ao final da sessão só conseguia sentir uma única coisa: decepção.

por Fernando Labanca

Aquele que assinou obras como "Quase Famosos", "Vanilla Sky" e até o subestimado "Elizabethtown", Cameron Crowe é um diretor que acompanho desde mais jovem, gosto de sua filmografia e alguns de seus filmes estão entre os meus favoritos. A leveza e originalidade com que consegue construir um feel good movie, o tornam em um profissional muito único, além de outros elementos sempre presentes que fazem de seus trabalhos bastante autorais, como uma excelente trilha sonora, personagens carismáticos e diálogos marcantes e inspiradores. E o fato dele demorar muito para lançar um filme, sempre fico no aguardo, esperançoso sobre seus próximos projetos e assim, é quase que impossível não criar uma alta expectativa a cada vez que ele ressurge.

"Sob o Mesmo Céu" teve uma campanha de marketing das boas, com direito a comerciais na TV e um excelente trailer, além de atores conhecidos estampados no poster. Aliás, que produto estrelado por Emma Stone, Bradley Cooper e Rachel McAdams poderia dar tão errado? A grande decepção vem de tudo isso, se trata de uma propaganda enganosa, que vende o que o filme não é e nem se esforça para ser. Sendo, na verdade, uma comédia sem graça, um drama que não emociona e um romance que não empolga, onde nem mesmo o brilhante elenco consegue salvar, este que é, infelizmente, o grande fracasso na carreira de Cameron Crowe, que faz seu último trabalho, "Compramos um Zoológico", até então, seu projeto menos interessante, parecer uma obra-prima.

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