quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Crítica: Mommy (2014)

O vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2014, "Mommy" é mais um filme realizado pelo jovem diretor canadense Xavier Dolan (Amores Imaginários). Visualmente irretocável, o longa é, definitivamente, seu melhor trabalho até aqui.

por Fernando Labanca

Visto como um diretor promissor desde seus primeiros filmes, Xavier Dolan, apesar da pouca idade, é um profissional ambicioso, dono de um talento indiscutível. As altas apostas em cima de seu nome estavam certas, pelo menos, ele ainda não provou o contrário. Vejo "Mommy" como o ponto ápice de sua carreira, tanto como diretor tanto como roteirista. Tudo flui melhor aqui, seus personagens, diálogos, suas ideias e até mesmo seu humor. É mais completo, mais verdadeiro e talvez por ele não protagonizar desta vez, é também, menos egocêntrico, sem deixar de ser ainda uma obra bastante pessoal, autoral. Recuperando o tema de seu primeiro trabalho, "Eu Matei Minha Mãe" de 2009, a trama foca, novamente, no relacionamento conturbado de um jovem problemático com sua mãe, interpretada, mais uma vez por Anne Dorval. Antoine-Olivier Pilon interpreta Steve, um adolescente hiperativo que é expulso do reformatório em que estava devido sua má conduta e por isso, passa a morar novamente com sua mãe. Com a personalidade agressiva de ambos, a relação entre eles apenas encontra um certo equilíbrio com a chegada de uma vizinha à suas vidas, Kyla (Suzanne Clément).


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Crítica: Um Amor a Cada Esquina (She's Funny That Way, 2014)

Sabe quando você escolhe um filme aleatório só para passar alguns minutos vendo qualquer coisa? Encontrei "Um Amor a Cada Esquina" dessa forma, título genérico, comédia com elenco famosinho...por que não? É fantástico quando isso acontece, quando você espera absolutamente nada de um filme e de repente se vê diante de algo tão bom, tão incrível, que renova não só o gênero, como renova, mesmo se utilizando de uma beleza e um formato retrô, o próprio cinema.

por Fernando Labanca

E quando sobem os créditos finais, me deparo com a grande surpresa: o longa fora produzido por ninguém mais que Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste) e Noah Baumbach (Frances Ha). O que fez aumentar ainda mais a admiração que já tinha do filme. A obra também marca o retorno do diretor veterano Peter Bogdanovich, que esteve longe das câmeras por cerca de doze anos e ao assinar o roteiro, ao lado de Louise Stratten, traz como grande referência as comédias da década de 30, as conhecidas screwball comedies, com suas histórias malucas e situações inesperadas. E a partir disso, é o cinema de Woody Allen que nos vem mais a cabeça, com seus inteligentes e rápidos diálogos e com sua história simples, concisa e divertida. Vemos uma comédia leve, sem altas pretensões e um tanto quanto refinada. O cenário também nos remete aos trabalhos de Allen, aqueles personagens vivendo da arte em uma Nova York bela e aconchegante, em uma trama onde realidade e ficção se misturam.

Na trama, somos apresentados ao diretor de teatro Arnold Albertson (Owen Wilson), que vai à cidade para selecionar o elenco de seu mais recente trabalho. Entretanto, apesar de casado, ele não resiste aos encantos do local e como de costume, entra em contato com uma agência de prostitutas, é assim que conhece Izzy (Imogem Poots), com quem passa a noite. Jovem e bela, o sonho da garota, por sua vez, é ser atriz e justamente por isso, logo no dia seguinte, ela vai a uma audição para conseguir um papel em uma peça de teatro, onde, inesperadamente, se reencontra com Arnold. O grande problema é que Izzy precisa contracenar com a esposa do diretor, Delta (Kathryn Hahn), que acredita no talento da moça e insiste para que ela tenha uma chance em cima dos palcos, sem jamais imaginar a traição de seu marido. Apesar da grande confusão, o circo se arma completamente quando entram em cena outros personagens, como a psicanalista Jane (Jennifer Aniston), seu namorado Josh (Will Forte), um detetive (George Morfogen), um juiz apaixonado (Austin Pendleton) e um outro ator (Rhys Ifans), que assiste de camarote todos os problemas causados por um simples incidente.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Crítica: Sicario - Terra de Ninguém (Sicario, 2014)

Um dos grandes destaques do último Festival de Cannes, "Sicario", conta com a direção do canadense Denis Villeneuve (Incêndios, Os Suspeitos), e começa, já na reta final do ano, a corrida para o Oscar 2016.

por Fernando Labanca

Desde já, um dos prováveis indicados à premiação, "Sicario" tem conseguido vários elogios e quem sabe, pode, finalmente, premiar Villeneuve, que não é de hoje que vem construindo uma carreira interessante, sempre retornando com excelentes trabalhos. O longa, que conta com os nomes de Emily Blunt, Benicio Del Toro e Josh Brolin nos papéis principais, mostra, através de um clima tenso, a luta contra o tráfico de drogas na fronteira dos Estados Unidos com o México em uma grandiosa e arriscada operação para deter o líder de um Cartel mexicano. Blunt interpreta Kate Macer, policial do FBI, que acaba parando nesta missão, sem compreender exatamente como tudo será executado e qual sua real função ali dentro.

"Sicario" traz uma trama pesada e que causa bastante incômodo, seja pela violência, seja pelos assuntos que debate. É um retrato cru e real sobre o narcotráfico e Villeneuve imprime na tela, um constante clima de tensão e seriedade, assim como todos os seus outros trabalhos. E no meio disso, há cenas bem marcantes, como o eletrizante tiroteio no meio de um congestionamento ou como a do "jantar", perto de seu final, bastante chocante e um tanto quanto memorável. A  produção do longa é, definitivamente, um show a parte, há muito o que ressaltar, como a fotografia e a interessante e bastante original trilha sonora, assinada por Jóhann Jóhannsson, que venceu o Globo de Ouro este ano por "A Teoria de Tudo", ele realiza mais uma composição notável, que enaltece cada instante do filme. E claro, belíssima direção de Denis Villeneuve, que constrói sequências, visualmente, fantásticas.



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Crítica: Eu Estava Justamente Pensando em Você (Comet, 2014)


"Me sinto como se eu estivesse no mundo errado. 
Porque não pertenço a um mundo onde não terminamos juntos. 
Existem universos paralelos onde isso não aconteceu. 
Onde eu estou com você e você está comigo. 
E seja qual for esse universo, é nele que meu coração vai estar."


Vendido como uma mistura de "500 Dias Com Ela" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", o longa é lançado com um atraso de um ano, aqui no Brasil, e marca a estreia do diretor Sam Esmail, atualmente conhecido por ser o criador da série-sensação "Mr.Robot". Simples e nitidamente produzido com baixo orçamento, "Comet" é apaixonante, aquele tipo de obra tão adorável que dá vontade de entrar na tela e desfrutar, por alguns minutos, um pouco de seu louco e delicioso universo.

por Fernando Labanca

Este atraso de lançamento pode ter causado alguma confusão no público, logo que muitos já o haviam assistido por meios ilegais e seu lançamento aqui no Brasil sempre foi incerto (como milhões de outros filmes, infelizmente). Por alguma razão, a distribuidora nacional Imovision o trouxe para os cinemas recentemente e sou eternamente grato por isso, é uma obra que merecia a tela grande. Realmente, acho desnecessário esta comparação com os trabalhos de Marc Webb e Michel Gondry, pois acaba criando uma expectativa que pode não ser alcançada. Fui ver ciente de que se tratava de algo diferente e não me decepcionai, pelo contrário, saí apaixonado, com um sorriso no rosto e com o coração batendo forte, uma sensação que há muito tempo um romance não me proporcionava.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Crítica: Orgulho e Esperança (Pride, 2014)

Indicado na categoria Melhor Filme - Comédia no Globo de Ouro deste ano, "Pride" é, definitivamente, um evento. Por ter passado despercebido aqui no Brasil, o longa não gerou expectativas e devido a isso, acaba se tornando uma grata surpresa, um privilégio para aquele que o encontrar.

por Fernando Labanca

A trama do filme fora baseada em fatos reais e nos leva ao ano de 1984, na consolidada Parada Gay em Londres, onde um grupo ativista de gays e lésbicas decide juntar dinheiro em prol da greve dos trabalhadores de minas que já estava em andamento. Na época, o governo de Margaret Thatcher estava prestes a avançar com o plano de destruir vinte minas de carvão, e como consequência disso, acabar com empregos e comunidades. Os mineiros, assim como os homossexuais da época, também faziam parte de um grupo minoritário, que precisavam enfrentar não só o governo, mas a mídia e o público em geral. É neste cenário que surge Joe (George MacKay), que acabara de completar vinte anos e frequenta sua primeira Parada, se deparando com estes ativistas que logo o fascinam, se encontra, longe da repressão de sua família. Liderados por Mark (Ben Schnetzer), esse grupo entra em contato com uma pequena comunidade de mineiros no País de Gales, decididos a doar o dinheiro e a voz diante da greve. No entanto, os membros deste pequeno vilarejo não se sentem confortáveis em receber apoio de gays e lésbicas, apesar de necessitarem de ajuda, o choque com essas pessoas vai contra a tudo o que acreditavam.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Crítica: Beasts of No Nation (2015)

Primeiro longa-metragem original da Netflix, o filme dirigido por Cary Joji Fukunaga, nasce como um marco da indústria audiovisual, logo que fora lançado via streaming simultaneamente com algumas salas de cinema, nos Estados Unidos. Poucas salas, aliás, mas o suficiente para colocá-lo na corrida para as grandes premiações. Trata-se de uma obra grandiosa, bem realizada, mas que será lembrada muito mais por sua revolução mercadológica do que por suas qualidades.

por Fernando Labanca

A Netflix, ao longo dos últimos anos, tem modificado esta relação entre o público e a TV, com seu conteúdo sob demanda. A empresa já havia se consolidado entre as produções de séries, conseguindo reconhecimento, inclusive no Globo de Ouro e Emmy, e agora decide investir em filmes (e quem sabe uma indicação ao Oscar!), chegando a investir cerca de $12 milhões para ter os direitos de exibição de "Beasts of No Nation" e ainda tem outros títulos a serem lançados, via streaming, até o final do ano.

A obra, por sua vez, teve seu lançamento no último Festival de Toronto e fora baseado no romance homônimo de Uzodinma Iweala. O longa narra o drama de crianças-soldado na África e conta com a narração do pequeno Agu (Abraham Attah), que no meio de uma Guerra, acaba perdendo toda sua família e na fuga se depara com um exército rebelde, liderado pelo Comandante, interpretado por Idris Elba. E neste mundo sem lei, Agu se vê como um animal selvagem, tendo sua infância roubada, matando para não morrer.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

TOP Guilty Pleasure: Os 15 filmes que odiamos amar


"Guilty Pleasure" é um termo usado no cinema para relacionar aqueles filmes que, digamos, não temos muito orgulho de gostar. Aquele que guardamos no nosso íntimo e só revelamos o que achamos caso alguém pergunte, do contrário, jamais revelamos o quanto amamos/somos essas obras, que assistimos quase todo final de semana ou não perdemos a oportunidade de ver a cada vez que reprisa na TV.

por Fernando Labanca

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Crítica: Força Para Viver (Rudderless, 2014)

Primeiro longa-metragem dirigido pelo ator William H.Macy, "Rudderless" é muito mais do que aparenta ser. Passando pelo drama familiar ao musical descompromissado, o filme acaba se tornando uma das tramas mais chocantes e mais tocantes do ano.

por Fernando Labanca

Após a morte de seu filho adolescente, Sam (Billy Crudup) abandona a carreira de executivo e se vê cada vez mais perto do fundo do poço. Desmotivado, ele acaba encontrando forças quando recebe de sua ex-esposa (Felicity Huffman), uma caixa com objetos que pertenciam ao garoto. Ali, ele encontra letras de músicas e algumas gravações originais, descobrindo, então, um lado de seu filho que desconhecia, um talento jamais revelado. É então que Sam resolve subir ao palco e cantar essas canções como forma de superar sua perda, não demorando muito até que o jovem Quentin (Anton Yelchin) entre em seu caminho, fascinado por sua qualidade musical, ele se mostra disposto a montar uma banda com o desconhecido. Sucesso em um bar local, eles montam a "Rudderless", sem ninguém imaginar o que realmente motiva aquele estranho homem solitário a continuar cantando.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Crítica: Ex Machina - Instinto Artificial (Ex Machina, 2014)

A ficção científica foi se desgastando ao longo dos anos e por isso digo que é sempre bom ter a chance de encontrar pérolas como "Ex Machina", que vai muito além do que oferecer ótimos efeitos visuais, oferece uma trama complexa, repleta de incríveis ideias e momentos tão intrigantes que o colocam, facilmente, na lista dos bons exemplares que o gênero lançou nos últimos tempos.

por Fernando Labanca

Alex Garland, diretor do filme, é no mínimo, um sujeito muito talentoso. Escreveu o livro "A Praia" que virou um longa-metragem pelas mãos de Danny Boyle em 2000, com quem voltou a trabalhar em "Extermínio" (2002) e "Sunshine" (2007), porém, como roteirista. Se não fosse o bastante, ainda escreveu o roteiro de "Não me Abandone Jamais" (2010) e "Dredd" (2012). É um currículo e tanto, e Garland, mostrou, através dessas obras, sua admiração pela ficção científica, sempre realizando, produtos de extrema originalidade. "Ex Machina" se junta a esses filmes, que se destaca dentre tantos que são lançados. A obra também é a prova de que ele sabe muito bem como conduzir suas boas ideias para tela, logo que se trata de sua primeira empreitada como diretor e podemos afirmar que começou extremamente bem, realizando um trabalho marcante, de uma qualidade notável.


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