Baseado na obra de Emma Donoghue, "O Quarto de Jack" é um drama arrebatador, com trama e atuações poderosas. É mais um daqueles filmes especiais, que nos faz sentir bem por tê-lo encontrado.
por Fernando Labanca
Roteirizado pela própria autora do livro e dirigido por Lenny Abrahamson, que ano passado já havia nos entregado o excelente "Frank", "O Quarto de Jack" narra a história de Joy (Brie Larson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay) de apenas cinco anos. Ambos vivem isolados em um quarto e o único contato com o mundo exterior é com o Velho Nick (Sean Bridgers) que os mantém em cativeiro. O filho, por sua vez, é um espirituoso menino que jamais soube o que havia do lado de fora, além de sua imaginação e além do que ele via em uma pequena TV. Até que, desgastada daquela realidade e decidida a oferecer uma chance de vida à Jack, Joy desenvolve um arriscado plano de fuga.
"O Quarto de Jack" tem o poder de nos fisgar em seus primeiros minutos. Acontece uma identificação rápida e quando menos esperamos já sentimos uma grande afeição aos indivíduos ali retratados e ao mundo em que vivem. O quarto do título, funciona quase como um personagem ali dentro, é ele quem define do que os protagonistas são feitos, é nele que habitam seus traumas, seus receios e principalmente a imaginação de Jack ou tudo o que ele acredita ser real. Narrado pelo garoto, a grande beleza da obra está neste seu olhar, que vê o caos com bons olhos, que acredita na magia e nos milagres, que aceita sua vida como sendo um universo imenso e repleto de possibilidades guardado dentro de uma caixa. É curioso quando começamos a ver o mundo a sua maneira, em como é difícil compreender o que é real e o que não é, e assim como ele, até certo ponto da trama, também não sabemos como é a vida do lado de fora. Por causa desta inocência de Jack, a obra ainda nos presenteia com cenas de extrema delicadeza, é tudo muito simples, mas é justamente esta ingenuidade que faz do filme tão especial, tão belo.













