por Fernando Labanca
Escrito e dirigido por Seth MacFarlane, o criador da série de sucesso "Uma Família da Pesada", que resolve arriscar num longa-metragem apostando naquilo que ele sempre fez de melhor, o politicamente incorreto, através de piadas ofensivas e referências nerds. Na tela, ele nos mostra o pequeno John que ignorado pelos meninos de sua idade, procura um novo amigo e é assim que seu desejo mais íntimo se realiza, através de um milagre, seu ursinho Ted se torna real. John (Mark Wahlberg) cresce e mesmo depois de anos, conta com Ted para tudo, o problema é que ele tem uma incrível namorada (Mila Kunis), que passa a questionar sua relação com seu urso de pelúcia, é neste momento em que precisa tomar a decisão mais importante de sua vida, sobre quem ele deve escolher para continuar ao seu lado.
"Ted" é definitivamente algo bem diferente, algo que não se vê com muita frequência nos cinemas. O que de início pode parecer bizarro o fato do ursinho ganhar vida, o roteiro consegue driblar muito bem esta estranheza e transforma este inusitado evento em algo natural e logo nos primeiros minutos nos convencemos sobre aquela ideia. Desde o surto dos pais de John até as entrevistas em programas televisivos, acreditamos, pois Seth faz a brincadeira parecer bem real e tudo funciona. O grande problema, porém, é que funciona nos primeiros quinze minutos. Não demora muito até que a novidade deixa de ser novidade, quando isso acontece, o pobre roteiro não consegue mais preencher seu tempo com alguma coisa útil, o nível das piadas continua o mesmo, são até que divertidas e por vezes bem interessantes, mas o filme se torna algo vazio quando a única coisa boa a oferecer são suas piadas, não mais sua história que depois dos primeiros minutos já não nos oferece mais nada, pura enrolação. É nítida a intenção de MacFarlane, um grande pretexto para por em uso seu humor politicamente incorreto e mostrar toda sua referência nerd, entretanto para se fazer cinema é preciso muito mais que isso, comédia é mais que piadas aleatórias que nada alteram a trama, infelizmente Seth provou não compreender isso.
O roteiro é problemático. Depois de apresentar os personagens e seu universo, nada mais acontece e até seu final são misturadas na tela situações lamentáveis, num filme que nada tem a dizer, tenta ainda colocar uma lição de moral como se estivesse passando uma linda mensagem. Não, não está. Para piorar tenta inserir outros gêneros que nunca funcionam. O romance entre o casal principal é decepcionante e nem mesmo a relação dos dois foi capaz de prender minha atenção, já o bizarro suspense na parte final, coloca o ator Giovani Ribisi em situações "vergonha alheia" num personagem totalmente fora de contexto que infelizmente tem grande importância na trama. Como diretor, Seth MacFarlane também decepciona, ao perceber que de fato não há nenhuma grande cena no filme, muito pelo contrário, uma montagem pobre, sequências feitas por alguém sem nenhum intuito de fazer um cinema de qualidade.

NOTA: 3
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