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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Crítica: Toda Forma de Amor (Beginners, 2010)

Vencedor do Oscar e Globo de Ouro 2012 na categoria Melhor Ator Coadjuvante para o veterano Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor" é um delicado e sensível filme que narra de forma bastante complexa a inusitada relação de pai e filho e como eles são iniciantes diante de algumas situações da vida. Dirigido pelo artista gráfico Mike Millis, mais conhecido por fazer documentários e curta-metragens, o longa ainda conta com atuações de Ewan McGregor e da belíssima atriz francesa Mélanie Laurent.

por Fernando Labanca

Conhecemos a mente de Oliver (McGregor), e através de uma narração em off, toda a complexidade de seu mundo. No passado, seu pai Hal (Plummer) se assume gay aos setenta e cinco anos de idade, assim que sua esposa falece, depois de anos de casados. Passa a namorar um homem mais novo e se entrega com grande intensidade a este relacionamento. Não muito tempo depois, revela para o filho que tem uma doença terminal. Após a morte de Hal, Oliver, ainda apegado as lembranças do pai, conhece uma jovem atriz, Anna (Laurent), e tenta aos poucos se aproxima dela mesmo não tendo noção de como é amar alguém, pois durante anos se fechou em sua vida e não soube como aproveitá-la e assim, suas recordações, desde pequeno, assistindo de perto o fracassado relacionamento de seus pais até os últimos momentos de Hal, passam a moldá-lo como ser humano, justificando seus medos ao mesmo tempo que o encorajam para viver algo de verdade. 


Lançado diretamente nas locadoras aqui no Brasil, "Toda Forma de Amor" tem muitos elementos que justificam a escolha da distribuidora em não arriscá-lo no cinema, pois é uma obra não muito convencional, pode não agradar o grande público. Entretanto, é nítido a qualidade do filme. Não possui um roteiro linear e apesar desta técnica estar se tornando clichê, aqui ela é bem aproveitada e eleva o nível, feita de forma não confusa, cria um sensível quebra-cabeça onde aos poucos vamos conhecendo a mente do protagonista Oliver e como suas lembranças revelam os porquês de suas atitudes, o medo que ele tem em se envolver com alguém, o fato de ser cético em relação ao amor e como ele tem o dom em afastar aquelas pessoas que ama. É ainda belo o envolvimento que este tem com o pai e como a forma como Hal encarava a vida, doente, mas sem deixar de acreditar, velho, mas sem deixar de se jogar ao amor, sem temer se assumir homossexual, sem temer ser julgado, passa a modificar o modo como Oliver enfrenta a sua. E entre flashbacks, o roteiro também assinado por Millis se mostra consistente, conseguindo construir uma trama sem muitas surpresas, mas repleta de bons momentos. Em um filme que mostra como os seres humanos se sentem iniciantes quando enfim conhecem o amor e como este puro sentimento acaba salvando a vida das personagens.

É bastante nítido também a forte influência do clássico francês "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", desde a forma como é narrado, mostrando de forma divertida e encantadora o modo como a vida era em cada ano citado por Oliver, revelando de forma nada sutil as características de cada época e cada personagem, onde a narração parece convidar o público a entender aquele mundo. Além dos belos momentos silenciosos onde a trilha sonora parece fazer seu papel, revelando sentimentos e claro, fazendo das cenas ainda mais interessantes, isso porque a trilha sonora minimalista lembra e muito aquela criada por Yann Tiersen em 2002, porém dessa vez foi composta pelo trio Roger Neill, David Palmer e Brian Reitzell e realizam um belo trabalho, sendo este aspecto um dos pontos mais positivos do filme. 

"The Begginers" se torna ainda mais interessante por seu poderoso elenco. Ewan McGregor é um figura que chama a atenção, sua voz conduz com delicadeza toda a trama e seu olhar tão profundo comove sem grandes esforços, tem uma performance notável. A bela Mélanie Laurent não é tão cativante assim, mesmo sendo linda e possuindo um adorável sorriso, por vezes parece fria demais e não é a primeira vez que sinto isso da atriz, ainda assim, parece se encaixar bem em sua personagem e funciona muito bem ao lado de McGregor. E claro, o coadjuvante de ouro, Christopher Plummer, que no auge de sua carreira se joga num personagem difícil e nada menos que merecido seu reconhecimento, é lindo o que o ator realiza aqui, memorável. 

No entanto, "Toda Forma de Amor", apesar dos inúmeros pontos positivos não chega a empolgar. A idéia é boa mas parece insuficiente para preencher os poucos minutos de duração que possui. Há cenas longas, que tem lá seus significados, mas nada que prenda muita a atenção. Além do estranho relacionamento entre Oliver e Anna, por vezes confuso, dificultando a compreensão de determinados conflitos, devido também a ausência de diálogos. E outro ponto que me desagradou um pouco foi o fato de Oliver passar a pixar as ruas, como forma do roteiro dizer que ele finalmente está vivendo sua vida, livre de julgamentos, sem temer consequências, mas acredito que existem maneiras mais interessantes e mais maduras de querer aproveitar a juventude, e nestas cenas ainda temos que acompanhar os patéticos novos amigos de Oliver que de tão bizarros aparentam ter cinco anos de idade. Em suma, não deixa de ser uma obra de qualidade, que consegue comover e encantar pela forma como a trama é guiada, que nos faz afeiçoar pelas personagens bastante humanas, além do fato do diretor ter construído algumas cenas que de tão belas fazem o filme valer a pena, um delírio para os olhos e ouvidos, devido às atuações competentes e diálogos de um roteiro bem escrito e uma trilha sonora muito bem composta e inserida. Recomendo.

NOTA: 7,5




segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

DVD: O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, 2010)

Vencedor do Urso de Prata de Melhor Diretor para Roman Polanski no Festival de Berlim este ano e recentemente, o grande vencedor do European Film Awards, o "Oscar europeu", levando nas principais categorias como Melhor Filme, Diretor, Ator (Ewan McGregor) e Melhor Roteiro. "O Escritor Fantasma" é um suspense muito bem arquitetado, com ótimas cenas, momentos de tirar o fôlego e grandes atuações.

por Fernando Labanca

O gênero suspense é sempre muito arriscado, raramente saem bons títulos, mas quando estão nas mãos dos diretores certos, acabam se tornando obras bastante interessantes, como é o caso do recente "Ilha do Medo", onde Martin Scorsese realiza um trabalho digno de elogios e assim também funciona com o novo filme do veterano Roman Polanski. "O Escritor Fantasma" é um suspense bem diferenciado, maduro e muito bem feito, sem sustos, mas ainda há o suspense, de forma bastante sutil, mas ainda há.



Conhecemos o ex-primeiro ministro Adam Lang (Pierce Brosnan), vive com sua mulher Ruth (Olivia Williams) numa ilha afastada de tudo nos Estados Unidos. Decidido a fazer sua biografia, ele contrata um escritor fantasma, um escritor que todos sabem que existe mas ninguém o conhece, somente os envolvidos na obra. Entretanto, este autor acaba falecendo na beira do mar e há um grande mistério envolvendo sua morte. Para terminar o livro, ele contrata um outro escritor fantasma (Ewan McGregor), que passa a se exilar juntamente com Adam Lang e sua família na ilha, tem acesso aos manuscritos de seu antecessor a passa a tentar compreender a vida de Lang através de entrevistas e pesquisas.

Porém, quanto mais pesquisava, mais pecebia que entrar na vida do ex primeiro ministro seria algo difícil, é quando que, recolhendo fatos, dados, percebe que há grandes mistérios envolvendo o passado de Lang, desde seu partido, o sindicato em que fazia parte, mistérios envolvendo até mesmo a CIA e envolvendo aquilo que ele mais temia, a morte de seu antecessor. Para piorar, Adan lang está sendo duramente acusado por autorizar a prisão e tortura de suspeitos de terrorismo. A partir de então, o escritor fantasma passa a juntar as peças desse quebra-cabeça e percebe que tentar achar respostas para todas suas dúvidas será algo completamente perigoso onde poderá ter o mesmo final que seu antecessor.


"O Escritor Fantasma" é definitivamente um filme extramamente bem realizado. Começando pelo roteiro, baseado no livro de Robert Harris que também assina a adaptação, ao lado de Polanski. Toda a trama é muito bem escrita, todos os mistérios, a forma como eles chegam, a forma como a personagem principal vai os revelando, nos prendendo de uma forma muito interessante, pelo menos, eu me senti completamente envolvido na história. Este roteiro poderia ter se perdido se não tivesse as mães de Roman Polanski que realiza um trabalho excelente, desde a movimentação das câmeras, construindo cenas belíssimas, a ótima edição, até a utilização da trilha sonora, muito bem feita por Alexandre Desplat, mais uma vez colaborando para a melhoria de um filme. Vale citar a fotografia, as locações e até mesmo os figurinos. Tudo em perfeito estado.

O elenco se destaca também. Já premiado por sua atuação, Ewan McGregor está incrível, na pele do escritor fantasma, nos transmite com bastante segurança a quase obsessão pela finalização de seu trabalho, com certeza foi a escolha certa para protagonizar o longa. Pierce Brosnan se sai melhor que alguns de seus trabalhos anteriores, constrói um personagem interessante e acaba surpreendendo. Ainda há a ótima participação de Olivia Williams, uma de suas melhores aparições no cinema e a correta Kim Cattrall e o sempre ótimo Tom Wilkilson.

Enfim, um filme brilhante muito bem realizado por Roman Polanski, para quem procura um filme cabeça, com conteúdo mas que ainda consegue agradar aqueles que procuram entretenimento. Com um ótimo roteiro, atuações notáveis e boas cenas de suspense, com perseguições de tirar o fôlego e um final um tanto quanto surpreendente. Uma ótima escolha, recomendo!

NOTA: 9

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Crítica: O Golpista do Ano (I Love You Phillip Morris, 2009)

Dirigido pelos iniciantes John Requa e Glenn Ficarra, o filme conta com atuações de Jim Carrey, Ewan McGregor, Leslie Mann e Rodrigo Santoro.

por Fernando Labanca

O Golpista do Ano, é uma história absurda baseada em fatos reais. O filme que foi rodado em 2008, foi lançado no começo de 2009 no Festival de Sundance, que recolheu tantas críticas positivas quanto negativas. E aqui no Brasil, foi lançado oficialmente no semestre passado. Um longa um tanto quanto polêmico, acabou passando por vários problemas, por um longo tempo ficou sem distruibuidora e ainda teve algumas cenas refeitas para fazer do filme algo mais aceitável pelo público.

Na inusitada história, baseada na vida de Steven Russel, interpretado por Jim Carrey, um policial do Texas, que vive uma vida aparentemente feliz ao lado de sua esposa Debbie (Leslie Mann). Eis que sofre um acidente de carro e percebe que sua vida poderia ter terminado ali, naquele momento, e decide viver de outro jeito, ser quem realmente ele é, já mentiu para si mesmo por muito tempo e a vida é curta, não há mais tempo para encenações.

Steven se declara gay, sai de casa, larga o emprego e começa a viver de maneira completamente diferente. Entretanto, ele percebe que ser gay é muito caro, todo o glamour e luxo que todo homossexual anceia, é tudo muito distante de sua realidade. E para resolver esse "probleminha", Steven passa a viver de fraudes e trapaças, se tornando um "expert" no assunto, porém, mais uma vez a realidade vem a tona, e ele é preso. Na prisão, ele conhece Philip Morris (McGregor), um homem sensível e delicado, e rapidamente, os dois se apaixonam.

A partir de então, os dois vivem uma intensa paixão, e quando ambos saem da prisão, um relacionamento surge e o golpista profissional passa a dar a Philip Morris a vida que qualquer um deseja, mansões, dinheiro, viagens e tudo que ele faz passa a ter um outro propósito, um propósito muito maior, amor, sem se preocupar se seu amado um dia descobrirá, sem se preocupar com leis muito menos com as consequências.


O Golpista do Ano é um filme que pode espantar muita gente, logo que muitas vezes, é mais polêmico que "O Segredo de Brokeback Mountain", e trata a homossexualidade de uma maneira mais grosseira e até mais, impactante, digamos. Por outro lado, não é um filme ofensivo, o roteiro e os atores souberam trabalhar esse tema sem cair no clichê e nos estereótipos, e chega até ser original e interessante como os gays aqui aparecem, com um humor escrachado e algumas vezes com bastante delicadeza. Pode se dizer, então, que o grande triunfo do longa é colocar humor onde não se espera e sem fazer com tudo se torne banal.

O problema do longa fica na indecisão de se fazer uma comédia, drama ou romance. Esses gêneros podem ser trabalhados juntos e isso já deu grandes resultados, mas aqui, falha. Nunca sabemos realmente do que estamos diante, e isso foi um dos problemas pelo qual o filme não conseguia distruibuidora, é díficil ser vendido, para aqueles que esperam uma comédia, podem se decepcionar, para aqueles que esperam um drama ou um romance, também. E essa confusão gera desconforto, logo que o filme não é tão engraçado a ponto de ser denominado de "comédia" e nem emocionante o suficiente para ser chamada de "drama".

Jim Carrey está ótimo, mas já esteve melhor, até arrisco dizer, para aqueles que são muito fã do ator, não ter muita pressa em assistir o filme. Infelizmente, o ator está caricato demais, em outros papéis sua fórmula de humor funciona, mas na pele de alguém real, fica estranho, não tinha tanta liberdade em ser Jim Carrey, eis o problema, está Jim Carrey demais e menos Steven Russel. Diferente de Ewan McGregor que está fantástico, consegue ser super gay sem cair no estereótipo, dá uma sensibilidade intensa e muito verdadeira a seu personagem, nos emocionamos e divertimos com seu Philip Morris. Ainda vemos Leslie Mann, boa, mas com uma persongem incompreensível e Rodrigo Santoro como o primeiro amor de Steven, pequena participação, mas ainda sim, está ótimo.

Não assista "O Golpista do Ano" esperando muita coisa, o resultado por de ser decepcionante. A história é absurda, há coisas que vemos e nos perguntamos: isso realmente aconteceu? É tudo possível, mas muito fora do que taxamos de normal. É divertido, original, e algumas vezes, emocionante, para aqueles que curtem um filme diferente, alternativo, uma espécie de "dramédia", podem arriscar.

NOTA: 6.5



domingo, 27 de junho de 2010

Grafites Cinematográficos

Algum artista francês sob o codinome MTO pintou e bordou pelas ruas de Berlim. O artista recriou imagens de clássicos do cinema nas paredes e portas de estabelecimentos da cidade. Apesar do incrível trabalho, ninguém sabe de fato quem é seu autor - ou autora.

Eu, particularmente, achei fantástico, mas ainda pelo fato do anonimato...ele ( ou será, ela?? ) mandou muito bem...Pois então, vamos aos grafites:


Por Bárbara

Ewen Bremner, Ewan McGregor e Robert Carlyle em Trainspotting - Sem Limites

Brad Pitt em Clube da Luta


Angelina Jolie em O Procurado


Jack Nicholson em O Iluminado


Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes


Zoom na face do Dr Hannibal


Johnny Depp em Medo e Delírio


Douglas Silva em Cidade de Deus
Jim Carrey em Ace Ventura

domingo, 31 de maio de 2009

Crítica: Anjos & Demônios (Angels & Demons, 2009)


Ron Howard (Uma Mente Brilhante) volta na direção de mais uma adaptação da saga criada por Dan Brown, depois do criticado O Código da Vince, agora ele investe em Anjos e Demônios. E fez bem, ele mostra que dessa vez ele se empenhou de verdade e constrói um filme que vale a pena conferir, até mesmo aqueles que não leram o livro.

por Fernando Labanca

Não compensa contar a história do livro, porém, é necessário saber que houveram algumas mudanças e elas merecem ser ressaltadas. Esqueça o personagem Maxmilliam Kohler, o ciêntista do CERN, ele simplesmente foi tirado da trama. Assim como o Leonardo Vetra, em seu lugar, foi colocado Silvano, um mero cientista e colaborador de Vittoria que também foi assassinado pelo mesmo motivo do livro. Gunther e Chinita também são desprezados. Entretanto todas essas mudanças, felizmente são bem trabalhadas pelo roteiro do excelente Akiva Goldsman, que trabalhou ao lado de Hovard em Uma Mente Brilhante, O Código da Vince e Luta Pela Esperança, também trabalhou em Eu Sou a Lenda e Hancock. O roteiro é esperto e ágil e consegue trabalhar bem com as mudanças que foram feitas, em nenhum momento a falta de uma personagem ou de uma situação muda a história. Para quem leu, sente falta, mas como roteiro de filme, a história convence e aceitamos fácil as mudanças.

No longa de Hovard, tudo se inicia no CERN (incrível as cena dos laboratórios e a criação das partículas da antimatéria no início) onde um cientista é assassinado e uma partícula da antimatéria é roubada. Ela, por sua vez, foi levada para o Vaticano onde quatro cardeias foram sequestrados e tudo segue como no livro. Os futuros assassinatos relacionados com os elementos, o envolvimento de Robert Langdon, mais uma vez interpretado por Tom Hanks, para desvendar o esconderijo dos Illuminatus e o local onde está a antimatéria e impedir que a população seja exterminada por ameaça terrorista baseada numa antiga vingança contra a Igreja Católica.

Robert se une a Vittoria (Ayeler Zurer), a criadora da antimatéria e a responsável por tudo isso, para encontrar as pistas, contam com algumas ajudas, como o inspetor Olivetti (Pierfrancesco Favino) e Chartrand (Thure Lindhardt), assim como no livro. Também contam com a ajuda do conservador comandante Richter (Stellan Skarsgard) e do carmerlengo Patrick (Ewan McGregor) que trabalha no Vaticano a serviço da Igreja e auxilia no atual conclave e passa a liderar tomando a posição do antigo Papa, enquanto não é elegido um novo, porém a Igreja entra em crise com o sequestro dos cardeais que seriam os possíveis escolhidos.

Robert e Vittoria desvendam os mais inigmáticos mistérios, começam a traçar uma linha lógica sobre Roma para acharem o paradeiro dos Illuminattus e acabar de vez com esse terrível acontecimento. E eles tem até meia noite para acharem a antimatéria e até que essa hora chegue, os cardeis vão sendo assassinados de maneiras inimagináveis, assustando a todos que se envolvem no caso.

E com essa nova arma e esse mistério ao redor do Vaticano, voltam os fantasmas do passado que a Igreja tanto tentou esconder durante anos. E os religioso tem que encarar de frente a verdade, de que a Igreja perseguiu inocentes e os matou e agora isso está acontecendo com eles, o jogo inverteu. Mas seriam eles os verdadeiros vilões, logo que os Illiminatus estão os matando de maneira hedionda e terrorista? E as questões sobre religião e ciênci e essa antiga rivalidade voltam a tona.

Ron Howard é um dos diretores mais aclamados da atualidade, devido o seu elogiado Frost/Nixon, um dos melhores filmes entre os indicados ao Oscar esse ano segundo alguns críticos. Ele falhou em O Código da Vince, um filme fraco e totalmente fora do que foi mostrado por Dan Brown, acabou com a espertesa e o brilho da trama, uma adaptação muito mal feita, com uma parte técnica incrível mas roteiro falho. Howard ousa por voltar e praticamente clicar na mesma tecla, mas acerta em cheio dessa vez, pois Anjos e Demônios não é, e está longe de ser, uma adaptação fiel, mas como filme funciona.

Ron Howard tira as situações das páginas do livro de Brown com grande habilidade para as telas, chega a ser espantoso determinadas cenas, onde a maioria são externas e são feitas com tanta dedicação e competência. Quem leu livro vai adorar o que foi feito no filme, as cenas facilitam a compreensão do livro, tudo parece feito perfeitamente de acordo como foi descrito por Dan Brown. As igrejas, os quadros, o CERN, o vaticano, tudo reproduzido da melhor maneira possível, genial.

O elenco não surpreende muito. Tom Hanks está melhor, assim como sua personagem, Robert Langdon está mais parecido com o do livro, não fiscamente, mas os jeitos, a maneira como trabalha, o humor sutil e suas ironias. Vittoria Vetra é interpretada pela israelense Ayelet Zurer, logo nas primeiras cenas vemos que ele á uma grande atriz, mas infelizmente a trama não faz tão bom proveito dela, a Vittoria do livro é mais ágil, fala mais, aparece mais, no filme, eles a apagam, diminuindo o brilho que esta personagem tem sobre Anjos e Demonios, logo que no livro, ela é disparada, a melhor personagem. O maior destaque fica para Ewan McGregor e seu carmerlendo Patrick, que também é uma incrível personagem, ele não faz nada muito especial, mas num elenco mediano, ele se destaca.

Palmas para a parte técnica do filme. Trilha sonora de arrepiar, cada cena de suspense se torna mais tensa com a trilha mais que eficiente. Mas o destaque fica para os cenários que são perfeitos, vemos que tudo foi pensado e bem colocado no filme. Todas as cenas são tão bem feitas que surpreendem. Anjos e Demonios é um filme bem feito, bem trabalhado, diferente de O Código da Vince, vemos que foi um filme mais bem cuidado, planejado, não é uma trama corrida, eles apagam alguns fatos mas não acrescentam outros piores como foi feito no anterior, todas as mudanças são coerentes e bem trabalhadas. Muito melhor que o anterior, mais dinâmico, mais empolgante, mais surpeendente. Um suspense maravilhoso que faz você esquecer de tudo ao seu redor, você se prende fácil, e até que o filme acabe você não consegue desgrudar o olho da tela, hipnotizante! É um excelente filme, só não dou 10 por não ser uma adaptação tão fiel, mas bem que merece.

NOTA: 8,5

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