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quarta-feira, 18 de março de 2020
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Crítica: O Círculo (The Circle, 2017)
Baseado no livro de Dave Eggers, um dos autores mais consagrados da atualidade, "O Círculo" tem ideias brilhantes mas sua mal execução o tornam em um produto extremamente descartável, insosso e um tanto quanto irresponsável.
por Fernando Labanca
É espantoso saber que o próprio Eggers assinou o roteiro. É, também, difícil de entender que se trate de um filme de James Ponsoldt (O Maravilhoso Agora). O diretor provou ao longo de sua curta carreira ser um profissional talentoso, no entanto, não há como defender este seu último trabalho. O que vemos na tela é uma sucessão de equívocos, que parece afundar a carreira de todos os envolvidos. É uma pena quando isso acontece. Quando uma premissa tão interessante e de certa forma, tão relevante no mundo atual, é destruída por um filme preguiçoso, que não se esforça em nenhum instante em construir algo a altura de sua ideia, que por sua vez, é brilhante e (tenta) trazer discussões necessárias.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Crítica: Negócio das Arábias (A Hologram for the King, 2016)
por Fernando Labanca
Ao longo de seus minutos fiquei constantemente me perguntando sobre o que exatamente era o filme. Uma comédia, talvez...depende de seu humor. Um drama motivacional? Talvez. Depende muito do momento em que vive a pessoa que assiste. Sim, porque no fundo, "A Hologram for the King" pode significar algo diferente para cada um. Resolvi não encaixá-lo em algum gênero ou criar qualquer tipo de expectativa, logo que seu início deixa claro que não possui muitas pretensões. Refletindo sobre tudo isso e somando ao fato sua lentidão, cheguei a conclusão de que é muito fácil detestá-lo. E respeito e entendo aqueles que o odiarem. Por alguma razão que não sei muito bem, porém, me senti estranhamente atraído pela obra, por sua calmaria, por sua atmosfera. Existe algo sendo dito ali e não são com palavras fáceis.
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Crítica: Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr.Banks, 2013)
Todos conhecem o clássico da Disney "Mary Poppins", porém, finalmente o que houve por trás desta obra vira um filme. De fato, é daqueles histórias que precisavam ser contadas. A jornada da autora P.L. Travers que escreveu o livro, ao mesmo tempo em que vemos a jornada de Walt Disney por conseguir os direitos do mesmo. Cheio de nuances e boas surpresas, o longa dirigido por John Lee Hancock é muito mais do que um convite à fantasia, é um convite à vida.
por Fernando Labanca
Lançado em 1964, pouco se soube até então do grande esforço de Walt Disney em conseguir adaptar "Mary Poppins" para os cinemas. E durante vinte anos ele tentou. Vinte anos. O longa inicia quando a autora do livro, Pamela Travers (Emma Thompson), com uma carreira estagnada e sem planos futuros, viaja aos Estados Unidos, depois de muita recusa, a pedido do próprio Walt (Tom Hanks) para que ela acompanhasse a produção de perto, onde apenas assinaria os direitos de sua obra se concordasse com as adaptações feitas, logo que sempre deixou bem claro que era contra o uso de animações e músicas, exatamente como pretendiam fazer no filme, não queria, justamente, um filme "Disney". Desta forma, Walt e sua equipe precisam lidar com a difícil personalidade de Pamela, ao mesmo tempo em que precisam fazer alguns sacrifícios, desistindo de várias ideias para atender os caprichos da autora. Enquanto isso, voltamos na infância desta mulher, onde conhecemos sua verdadeira trajetória, onde conhecemos a real inspiração de "Mary Poppins".
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Crítica: A Viagem (Cloud Atlas, 2012)
Quatro anos de desenvolvimento, dificuldades em ser concluído e dificuldades em conseguir apoio financeiro, logo que poucos acreditavam neste projeto. "A Viagem", que fora baseada no livro de David Mitchell de 2004, tem todos os elementos que o tornam uma obra impossível de se fazer, é então que com o comando dos famosos irmãos Wachowski, da trilogia "Matrix" e do cultuado diretor Tom Tykwer, que arriscam tudo e levam esta ideia adiante, tornam aquele impossível no possível e realizam uma das obras mais ambiciosas de nosso tempo.
por Fernando Labanca
Várias histórias, vidas diferentes em tempos diferentes. Passado, presente e futuro. Não adianta resumi-las aqui, como faço de costume em minhas resenhas, logo que elas não funcionam isoladamente, são histórias bem simples, algumas aliás, com personagens fortes, no entanto fazem parte de uma só composição e que funcionam quando visto o plano geral. "Tudo está conectado", a frase clichê é a premissa de todas elas, pode parecer básico, mas as tramas nem sempre se unem de forma óbvia, é preciso pensar para compreender. O que percebemos logo de início é que teremos um só grupo de atores, interpretando diversos personagens. Tom Hanks, Halle Berry, Doona Bae, Jim Sturgess, James D'Arcy, Ben Whishaw, Jim Broadbent e Hugo Weaving são os principais e são vistos em quase todas as histórias, no entanto, nem sempre são reconhecidos facilmente, é então que surge a maquiagem transformando estes atores de acordo com cada tempo.
"Cloud Atlas" é definitivamente bastante confuso, é muito fácil se perder nesta viagem, isso porque o roteiro não nos entrega uma obra redondinha, como geralmente é feito neste tipo de filme, que praticamente já virou um gênero a parte, aquele que conta diversas histórias ao mesmo tempo e que de alguma forma tudo se conecta. Além do fato de serem tempos diferentes, a ligação de uma trama para outra surge nos pequenos detalhes, nem sempre perceptíveis ao primeiro olhar. Porém, é apenas em seu final onde tudo faz realmente sentido, onde conseguimos finalizar este complexo quebra-cabeça. A história, por fim, gira em torno de um "legado", elementos do passado que são somados e alteram o futuro, e estas tramas contadas nada mais são que o nascimento deste legado e como pequenas ideias sobreviveram no tempo. Em certo momento do filme eles lançam a frase "Nossas vidas não são nossas. Estamos vinculados a outras, passadas e presentes. E de cada crime e de cada gesto generoso nasce nosso futuro". Acredito que esta frase sintetize bem a ideia de "A Viagem", onde um ato do futuro não nasceu ali, nasceu muito antes, onde uma escolha de alguém de outra época, um caminho alterado, um simples discurso improvisado, tudo leva a história a uma nova saída. "Cada encontro sugere uma nova direção possível."
Claro que com tantas ideias, o que o filme nos permite ao seu final é nossa própria interpretação. Não há como dizer exatamente sobre o que se trata. Uma das interpretações possíveis é a vida após a morte, onde a alma de um determinado personagem ressurge em outra época, levando consigo algumas ideias. "Cloud Atlas" nos revela não só a jornada destes pensamentos pelo tempo, mas toda a evolução da vida no planeta, onde essas almas vão se readaptando a cada geração, no entanto, cometendo os mesmos erros. É então que surge a ironia do roteiro ao retratar o último estágio da evolução como o mais primário de todos, revelando esta natureza destrutiva do ser humano. É interessante perceber também, que em cada passagem, encontramos personagens que de alguma forma deixam algo que no futuro fará diferença, mas que no momento de sua existência era feito apenas para salvar alguém, um puro gesto de amor ou de afeto. Pessoas que tentam fugir daquilo que um dia alguém estabeleceu como certo, seja do advogado salvando o escravo ou o velhinho se libertando do asilo. "Existe uma ordem natural neste mundo e aqueles que tentam abandoná-la não se dão bem."
Um ambicioso filme, que aposta em tudo, que em nenhum momento se permite ser pequeno, ordinário. É pretencioso, mas diferente de muitos filmes com esta característica, consegue nos oferecer uma obra completa capaz de preencher esta pretensão, de ser tão grande quanto pretende ser. É tudo muito incrível o que vemos na tela, uma junção de elementos que provam que Andy e Lana Wachowski (que antes era o Larry) , assim como Tom Tykwer, realizaram algo a altura do que já fizeram no cinema. Da belíssima e sensível trilha sonora, dos efeitos visuais e toda a construção de diferentes épocas, fazendo bonito tanto nos cenários do século XX quanto na elaboração de um futuro distante, tendo a todo instante um cuidado com detalhes como locações e figurinos. Conseguem ainda arquitetar cenas memoráveis como o acidente de carro vivido por Halle Berry, num maravilhoso plano sequência, e a cena dos amantes, Whishaw e D'Arcy, arremessando pratos. Vale, claro, destacar a maquiagem, que ao mesmo tempo em que deixa seus atores irreconhecíveis em algumas histórias, peca, por muitas vezes, não ser realista e exagerada, jamais convencendo Jim Sturgess e Hugo Weaving como orientais, mais parecendo alienígenas, e assim, acabam realizando cenas bizarras, mesmo com boas intenções.
Acredito que "Cloud Atlas" teria sido ainda mais potente se não picotasse tanto suas histórias. Há algumas passagens que perdem o foco e a intensidade justamente por serem cortadas em horas indevidas e o problema se torna ainda maior quando, resolvem colocar na sequência de uma grandiosa cena uma história sem a mesma força. É quase que injusto colocar a fraca passagem dos velhinhos de 2012 ao lado da genial e eletrizante sequência futurística de Nova Seul. Claro que isso nem sempre acontece, a maior parte da projeção houve uma preocupação nestas sequências, ou seja, ao mesmo tempo que isso é um de seus maiores defeitos, por vezes, acaba sendo seu grande mérito. Se torna mérito quando a edição insere elementos que contribuem para diversas histórias simultaneamente, seja a trilha sonora que acompanha vários segmentos, fazendo sentido tanto para um quanto para outro, ou algumas narrações em off, que mesmo vindas de um determinado personagem, revelam o mesmo sentimento vindo de uma outra época. E são essas conexões que provam a genialidade da obra.
E todas essas tramas entrelaçadas também não possuem a mesma força. Encontramos a genialidade dos irmãos que um dia realizaram "Matrix" de volta ao nos depararmos com o futuro de Sonmi-451 (Doona Bae), definitivamente, um dos pontos altos de todo o filme. Há beleza em toda a criação daquele mundo, seja pela arquitetura, pelo design inovador, pelo clima e principalmente por suas ideias, sem contar a força desta incrível personagem. Dirigido por Tykwer, o segmento do compositor interpretado por Ben Whishaw é outro momento marcante, tudo é guiado com uma certa delicadeza e sensibilidade, além da complexidade do personagem que de certa forma, cria uma curiosidade acerca desta trama que termina de forma impactante. Por outro lado temos histórias como a do escritor (Jim Broadbent) que vai parar num asilo e com a ajuda de alguns companheiros, tenta fugir de lá. Parece haver um desinteresse enorme da equipe para com esta trama, que surge sempre quebrando o clima, é pequeno demais perto do resto, a impressão que fica é que tentaram usá-la como uma espécie de alívio cômico, mas não funcionou, é tudo caricato e forçado. Enfim, há histórias facilmente esquecidas ao mesmo tempo em que há momentos memoráveis. No entanto, o que acaba sendo muito interessante na diferença de uma trama para outra, é que "Cloud Atlas", por fim, consegue trabalhar todos os gêneros possíveis, da comédia para o romance, de uma aventura épica para um suspense policial, de um drama intenso para uma ficção científica. É então que compreendemos a dificuldade em realizá-lo, em torná-lo algo possível. Por mais que seja nítido as falhas do longa, também é nítido a coragem dos roteiristas e diretores em finalizá-lo. Um filme com inúmeros gêneros, inúmeras histórias, personagens tão distintos interpretados pelos mesmos atores. Tramas complicadas, repletas de ideias e que ainda não segue uma ordem cronológica correta. Há ainda cenas de sexo e nudez, além de uma relação homossexual, chave para todo o resto da trama, que querendo ou não, o torna um projeto ainda mais arriscado. É exatamente isso o que "A Viagem" é, três grandes diretores correndo o risco de por tudo a perder, que não se contentam com pouco e testam na tela todas as possibilidade possíveis. E que bom que tiveram tanta coragem, caso contrário, jamais poderíamos ver algo tão único como este filme.
A grande sacada de colocar os mesmos atores em tramas diferentes não seria tão interessante caso não fossem escolhidos os atores certos. Tom Hanks, que há muito tempo não se destacava em um longa, retorna demonstrando mais uma vez seu talento, ele, que praticamente aparece em todas as histórias, demonstra uma capacidade imensa em se transformar e surpreende. Halle Berry não tem nenhum grande momento no longa, mas convence em todas suas transformações também. O veterano Jim Broadbent também não desaponta, seja como um velhinho inocente ou como um severo compositor de música. Jim Sturgess sofre um pouco com a maquiagem, mas fez bem seus papéis, assim como Hugh Grant, longe de suas comédias românticas, que infelizmente não tem tanto espaço nas tramas, mas é nítido seu esforço. Hugo Weaving que surge irreconhecível em diversas passagens, tem na maioria, o papel do vilão ou de alguém que pretende mantar a ordem das coisas. Ainda temos o ótimo James D'Arcy e Susan Sarandon. Os destaques ficam para o jovem e talentoso Ben Whishaw e para a atriz coreana Doona Bae, que demonstram sensibilidade diante de seus personagens e emocionam por suas trajetórias.
"Cloud Atlas" pode incomodar muita gente, muitos já o odeiam e o criticam. De certa forma, até entendo essas opiniões, o filme possui seus defeitos, é confuso e por muitas vezes lento, além de possuir quase três horas de duração. No entanto, aos que ainda não viram, eu realmente espero que sintam o que senti, não o considero uma obra-prima nem a coisa mais inovadora da história, mas confesso que nunca foi tão difícil escrever sobre um filme, até mesmo depois da sessão, simplesmente não conseguia reunir palavras para descrever o que acabara de ver, fiquei dias remoendo o filme na cabeça tentando chegar a uma conclusão. Quando se entra na grande ideia dos Wachowski e Tykwer, talvez esses sejam algum dos sintomas. O filme não entrega respostas nem significados, deixa pontas soltas e momentos que são livres para nossa própria interpretação. Não há certo ou errado quando se trata de "A Viagem". Talvez, quem sabe, seja um filme a frente de seu tempo, que não conseguiu espaço nos tempos de hoje, mas faça mais sentido daqui uns anos. Um filme que me tocou profundamente, seja por sua sensibilidade ou por seus personagens. "Cloud Atlas" é algo que nunca se viu igual, grandioso, inovador, corajoso, visualmente belo e repleto de ideias, de um roteiro inteligente e uma edição dinâmica e muito bem realizada. Um filme raro e memorável. Recomendo.NOTA: 9
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segunda-feira, 12 de março de 2012
Crítica: Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close, 2011)
Baseado na obra de Jonathan Safran Foer, o longa indicado ao Oscar de Melhor Filme este ano, narra a história de um garoto que perdeu o pai no fatídico 11 de setembro, sendo muito mais do que apenas uma homenagem às perdas desta data, "Tão Forte e Tão Perto" é um drama competente, extremamente bem dirigido por ninguém mais que Stephen Daldry, nome por trás de belíssimos projetos como "Billy Elliot", "As Horas" e "O Leitor", sendo este, apenas seu quanto filme e por incrível que pareça, sua quarta indicação ao Oscar. por Fernando Labanca
Assim como em 1999, Stephen Daldry lançava ao cinema um ótimo protagonista mirim, Jamie Bell em "Billy Elliot", neste seu novo trabalho, coloca o jovem Thomas Horn para guiar toda a história. Horn interpreta Oskar Schell, um garoto que tem a síndrome de Asperger, possuí graves problemas de comunicação e interação social, encara o mundo de outra forma e para isso conta sempre com a ajuda de seu pai, Thomas (Tom Hanks) que inventa diversos "mistérios" na cidade de Nova York para incentivar seu filho a interagir com a sociedade enquanto fizesse suas "investigações". Até que Thomas falece por uma ironia do destino, estava presente no World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001. Oskar, então, se vê perdido no mundo, sem chão. Eis que ele encontra, guardado nas coisas do pai, uma chave dentro de um pequeno envelope com o nome "Black".
A partir deste momento, o garoto resolve ir atrás de todas as famílias Black's da cidade, acreditando que encontraria um segredo importante guardado por seu pai. Desenvolve, então, um roteiro rico em informações e detalhes para sua incrível jornada, para isso, passa a contar com o auxílio de um misterioso vizinho (Max Von Sydow), um senhor mudo que se comunica através da escrita. E a cada porta em que bate, uma nova vida que conhece, uma nova história. E a cada passo que dá, mais perto se vê de seu pai, porém, mais longe se vê de sua mãe (Sandra Bullock).
"Tão Forte e Tão Perto" me surpreendeu e muito e acredito que possa surpreender muitas pessoas também. É aquele filme que chega do nada, ninguém espera muita coisa e quando ele termina, aquele sentimento de imensa satisfação. A verdade é que eu não esperava muita coisa, desde que vi seu nome entre os indicados ao Oscar, não acreditava em seu potêncial e nem que pudesse existir algum motivo para o filme estar ali. Também achava que seria mais um clichê hollywoodiano sobre o 11 de setembro. O longa de Stephen Daldry mereceu estar entre os indicados e é mais ou tão poderoso quanto qualquer outro indicado este ano. O ataque terrorista, aqui, serve como pano de fundo de uma história muito mais profunda, o roteiro não usa do ocorrido para criar a emoção ou pena no público, o roteiro é bom demais e não se permite a isso, consegue ir muito mais além, emociona, mas não por isso. Emociona pelo todo, por toda a trajetória de Oskar, sua relação com o pai falecido, os fantasmas de suas lembranças, emociona pela delicada relação com sua mãe, ou por inúmeros outros detalhes de uma trama muito bem escrita, que não força a barra e não exagera ao tentar criar esta comoção no público, como muitos críticos vem apontando, a empatia para com as personagens vem fácil, logo, nos vemos envolvidos por seus dramas. Vale citar que os conflitos na família gerados pela morte do pai são fortes e nem sempre trilham pelo caminho fácil e pelo clichê, vemos então, ótimas cenas, que comovem pelos bons e surpreendentes diálogos.
O roteiro tem a assinatura de Eric Roth, conhecido por seu trabalho em "Forrest Gump" e "O Curioso Caso de Benjamin Button". É interessante notar algumas pequenas semelhanças na sua escrita, o talento que ele tem para criar algo grandioso, pegar uma personagem, seja Forrest, Benjamin ou agora Oskar, e colocá-lo diante de uma jornada, onde ele acaba se envolvendo com outras histórias e acaba tirando lições destas novas relações. Este mesmo roteiro, surpreende em outros detalhes, como a personificação do garoto, a maneira como trabalham suas manias e estranhezas, ajudado sempre pela ótima direção de Daldry. Achei interessante também as voltas que a história dá, ganha força ao não seguir uma linha cronológica correta, por vezes nos revelando eventos passados e que fazem toda a diferença, melhor ainda é seu final, onde um pequeno detalhe revelado muda toda a forma como estávamos vendo a história, o roteiro nos mostra uma outra perspectiva, acaba sendo inovador essas sacadas e por elas o filme ganha fôlego, onde a cada instante, uma nova informação. O roteiro não usa sua premissa inicial, o segredo do pai, para prender a atenção do público, consegue criar diversos elementos interessantes na trama para isso. O talento de Roth é nítido, infelizmente não sei avaliar como adaptação, mas como cinema, tudo funciona perfeitamente bem.
As atuações é outro ponto alto do longa. Thomas Horn, o jovem protagonista consegue e com muito êxito passar as emoções de sua personagem, mesmo que Oskar seja chato e extremamente irritante, o ator mandou muito bem e soube guiar o filme, trabalho difícil, talento provado. Os coadjuvantes são de grande peso, Tom Hanks faz uma pequena participação e convence, fazia tempo que não o via tão a vontade e tão bem num filme. Mas os grandes destaques ficam para o indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante, Max Von Sydow, o senhor mudo e consegue dizer tanta coisa sem ao menos dizer, passa tanta emoção sem usar nenhuma palavra, belíssima performance. Assim como Sandra Bullock, que surpreende e muito na pele da mãe do garoto, se destaca nas cenas dramáticas, para minha surpresa, está mais ousada que o normal, se entrega de forma fantástica, emociona e constrói algumas das melhores cenas do filme. Ainda vemos ótimas participações de Viola Davis, Jeffrey Wright e John Goodman.
Com um elenco poderoso, um roteirista de primeira como Eric Roth e um dos diretores mais brilhantes do cinema norte-americano, Stephen Daldry, não teria como dar errado. Daldry soma este poderoso filme a sua belíssima filmografia, e assim como todos seus outros trabalhos, realiza algo admirável, soube guiar o ótimo roteiro, faz ótimas sequências, contando com o auxílio da incrível trilha sonora de Alexandre Desplat, além da bela fotografia. Perde um pouco de pontos pelo excesso de narração em off, por vezes, revelando o que já estava na tela e por algumas atitudes exageradamente estranhas de Oskar que acabam o afastando do público. Para se ver, se envolver, se emocionar, admirar. Hollywood já realizou inúmeros filmes sobre 11 de setembro, mas nenhum conseguiu ser tão completo como este. Recomendo. NOTA: 8,5
domingo, 31 de maio de 2009
Crítica: Anjos & Demônios (Angels & Demons, 2009)

Ron Howard (Uma Mente Brilhante) volta na direção de mais uma adaptação da saga criada por Dan Brown, depois do criticado O Código da Vince, agora ele investe em Anjos e Demônios. E fez bem, ele mostra que dessa vez ele se empenhou de verdade e constrói um filme que vale a pena conferir, até mesmo aqueles que não leram o livro.
por Fernando Labanca
Não compensa contar a história do livro, porém, é necessário saber que houveram algumas mudanças e elas merecem ser ressaltadas. Esqueça o personagem Maxmilliam Kohler, o ciêntista do CERN, ele simplesmente foi tirado da trama. Assim como o Leonardo Vetra, em seu lugar, foi colocado Silvano, um mero cientista e colaborador de Vittoria que também foi assassinado pelo mesmo motivo do livro. Gunther e Chinita também são desprezados. Entretanto todas essas mudanças, felizmente são bem trabalhadas pelo roteiro do excelente Akiva Goldsman, que trabalhou ao lado de Hovard em Uma Mente Brilhante, O Código da Vince e Luta Pela Esperança, também trabalhou em Eu Sou a Lenda e Hancock. O roteiro é esperto e ágil e consegue trabalhar bem com as mudanças que foram feitas, em nenhum momento a falta de uma personagem ou de uma situação muda a história. Para quem leu, sente falta, mas como roteiro de filme, a história convence e aceitamos fácil as mudanças.
No longa de Hovard, tudo se inicia no CERN (incrível as cena dos laboratórios e a criação das partículas da antimatéria no início) onde um cientista é assassinado e uma partícula da antimatéria é roubada. Ela, por sua vez, foi levada para o Vaticano onde quatro cardeias foram sequestrados e tudo segue como no livro. Os futuros assassinatos relacionados com os elementos, o envolvimento de Robert Langdon, mais uma vez interpretado por Tom Hanks, para desvendar o esconderijo dos Illuminatus e o local onde está a antimatéria e impedir que a população seja exterminada por ameaça terrorista baseada numa antiga vingança contra a Igreja Católica.
Robert se une a Vittoria (Ayeler Zurer), a criadora da antimatéria e a responsável por tudo isso, para encontrar as pistas, contam com algumas ajudas, como o inspetor Olivetti (Pierfrancesco Favino) e Chartrand (Thure Lindhardt), assim como no livro. Também contam com a ajuda do conservador comandante Richter (Stellan Skarsgard) e do carmerlengo Patrick (Ewan McGregor) que trabalha no Vaticano a serviço da Igreja e auxilia no atual conclave e passa a liderar tomando a posição do antigo Papa, enquanto não é elegido um novo, porém a Igreja entra em crise com o sequestro dos cardeais que seriam os possíveis escolhidos.
Robert e Vittoria desvendam os mais inigmáticos mistérios, começam a traçar uma linha lógica sobre Roma para acharem o paradeiro dos Illuminattus e acabar de vez com esse terrível acontecimento. E eles tem até meia noite para acharem a antimatéria e até que essa hora chegue, os cardeis vão sendo assassinados de maneiras inimagináveis, assustando a todos que se envolvem no caso.
E com essa nova arma e esse mistério ao redor do Vaticano, voltam os fantasmas do passado que a Igreja tanto tentou esconder durante anos. E os religioso tem que encarar de frente a verdade, de que a Igreja perseguiu inocentes e os matou e agora isso está acontecendo com eles, o jogo inverteu. Mas seriam eles os verdadeiros vilões, logo que os Illiminatus estão os matando de maneira hedionda e terrorista? E as questões sobre religião e ciênci e essa antiga rivalidade voltam a tona.
Ron Howard é um dos diretores mais aclamados da atualidade, devido o seu elogiado Frost/Nixon, um dos melhores filmes entre os indicados ao Oscar esse ano segundo alguns críticos. Ele falhou em O Código da Vince, um filme fraco e totalmente fora do que foi mostrado por Dan Brown, acabou com a espertesa e o brilho da trama, uma adaptação muito mal feita, com uma parte técnica incrível mas roteiro falho. Howard ousa por voltar e praticamente clicar na mesma tecla, mas acerta em cheio dessa vez, pois Anjos e Demônios não é, e está longe de ser, uma adaptação fiel, mas como filme funciona.
Ron Howard tira as situações das páginas do livro de Brown com grande habilidade para as telas, chega a ser espantoso determinadas cenas, onde a maioria são externas e são feitas com tanta dedicação e competência. Quem leu livro vai adorar o que foi feito no filme, as cenas facilitam a compreensão do livro, tudo parece feito perfeitamente de acordo como foi descrito por Dan Brown. As igrejas, os quadros, o CERN, o vaticano, tudo reproduzido da melhor maneira possível, genial.
O elenco não surpreende muito. Tom Hanks está melhor, assim como sua personagem, Robert Langdon está mais parecido com o do livro, não fiscamente, mas os jeitos, a maneira como trabalha, o humor sutil e suas ironias. Vittoria Vetra é interpretada pela israelense Ayelet Zurer, logo nas primeiras cenas vemos que ele á uma grande atriz, mas infelizmente a trama não faz tão bom proveito dela, a Vittoria do livro é mais ágil, fala mais, aparece mais, no filme, eles a apagam, diminuindo o brilho que esta personagem tem sobre Anjos e Demonios, logo que no livro, ela é disparada, a melhor personagem. O maior destaque fica para Ewan McGregor e seu carmerlendo Patrick, que também é uma incrível personagem, ele não faz nada muito especial, mas num elenco mediano, ele se destaca.
Palmas para a parte técnica do filme. Trilha sonora de arrepiar, cada cena de suspense se torna mais tensa com a trilha mais que eficiente. Mas o destaque fica para os cenários que são perfeitos, vemos que tudo foi pensado e bem colocado no filme. Todas as cenas são tão bem feitas que surpreendem. Anjos e Demonios é um filme bem feito, bem trabalhado, diferente de O Código da Vince, vemos que foi um filme mais bem cuidado, planejado, não é uma trama corrida, eles apagam alguns fatos mas não acrescentam outros piores como foi feito no anterior, todas as mudanças são coerentes e bem trabalhadas. Muito melhor que o anterior, mais dinâmico, mais empolgante, mais surpeendente. Um suspense maravilhoso que faz você esquecer de tudo ao seu redor, você se prende fácil, e até que o filme acabe você não consegue desgrudar o olho da tela, hipnotizante! É um excelente filme, só não dou 10 por não ser uma adaptação tão fiel, mas bem que merece.
NOTA: 8,5
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