
por Fernando Labanca
É espantoso saber que o próprio Eggers assinou o roteiro. É, também, difícil de entender que se trate de um filme de James Ponsoldt (O Maravilhoso Agora). O diretor provou ao longo de sua curta carreira ser um profissional talentoso, no entanto, não há como defender este seu último trabalho. O que vemos na tela é uma sucessão de equívocos, que parece afundar a carreira de todos os envolvidos. É uma pena quando isso acontece. Quando uma premissa tão interessante e de certa forma, tão relevante no mundo atual, é destruída por um filme preguiçoso, que não se esforça em nenhum instante em construir algo a altura de sua ideia, que por sua vez, é brilhante e (tenta) trazer discussões necessárias.


A trama é curiosa e poderia até dialogar bem com os dias de hoje, se não fosse o pobre tratamento que recebe. Inclusive, funcionaria como um episódio de "Black Mirror", ainda que nunca alcance a genialidade e ousadia da série. Acompanhamos a vida da jovem Mae Holland (Emma Watson) que, vinda de uma família humilde, sonha em dar condições melhores a seus pais. O jogo muda quando ela é, enfim, contratada em uma empresa renomada de tecnologia e informação. Lembrando a grandeza e despojamento da Google, o local criou algumas ações para melhorar a comunicação interna e aumentar a confiança e conexão entre seus membros, fazendo com que Mae ganhasse pontos a cada nova interação com os outros e a cada avanço em seus atendimentos com os clientes. Apesar de estranhar tamanha invasão, ela decide aceitar ser cobaia de um enorme experimento desenvolvido pelo chefe (Tom Hanks), que visando levar a informação do mundo mais perto dos usuários, decide monitorar as ações da jovem aprendiz, vigiando e revelando toda sua rotina a quem tivesse interesse.

Eu não sei até que ponto Emma Watson é fraca como atriz ou apenas mal dirigida. O mundo ao seu redor sofre constantes mudanças e ela não consegue expressar nada com sua estranha passividade. Nunca sabemos o que passa na mente da personagem e Watson não facilita. Tirando Tom Hanks, que se firma como a melhor coisa existente na obra, se mostrando bastante confortável no papel, o restante do elenco entra em uma disputa acirrada de quem vai pior em cena. Se Ellar Coltrane incomoda por sua inexpressividade, Karen Gillian surge irritante e não convence em suas transformações, dando vida a uma personagem sem lógica alguma. Temos ainda um ótimo John Boyega, que como tudo aqui, é mal explorado.

NOTA: 5
País de origem: EUA
Duração: 115 minutos
Distribuidor: Imagem Filmes
Diretor: James Ponsoldt
Roteiro: Dave Eggers, James Ponsoldt
Elenco: Emma Watson, John Boyega, Tom Hanks, Karen Gillian, Ellar Coltrane
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