
por Fernando Labanca
O diretor conquistou o público e a crítica com seu conturbado e memorável "Réquiem Para um Sonho" (2000) e filmes como "O Lutador" (2008) e "Cisne Negro" (2010) confirmaram seu talento, o tornando ícone e referência no cinema independente. Quando um cineasta conquista tamanho status é sempre arriscado. Terrence Malick, Christopher Nolan, Lars Von Trier, entre outros, muitas vezes se perdem em suas próprias ambições. Aronofsky, que até então parecia ter sua carreira intacta, entrega, enfim, seu produto mais inconsistente e confuso. É difícil até para Aronofsky ser Aronofsky, que em uma tentativa de manter as expectativas em torno de suas criações, se descontrola, entregando um produto megalomaníaco, exagerado. "Mother!" é, de longe, seu pior momento no cinema.
A trama envolve a vida de uma jovem dona de casa (Jennifer Lawrence), que casada com um homem bem mais velho (Javier Bardem), tem sua rotina preenchida por cuidar do lar e ser o suporte que seu marido, como um escritor sem muitas inspirações, tanto precisa. Esse mundo "perfeito", no entanto, é destruído com a chegada de estranhos, que abalam aquelas estruturas e trazem o caos àquela casa, revelando a fúria existente na mãe que sempre foi tão pacífica.


"Mãe!" traz para as telas uma premissa um tanto quanto curiosa. De fato, me vi preso naquele universo tentando entender o que de fato estava acontecendo. Quem eram aqueles personagens e por que agiam de tal maneira? Entre diálogos misteriosos e situações inesperadas, Aronofsky realiza seu mais novo terror psicológico, que nos causa um constante desconforto, nos causa estranheza a tudo o que nos oferece. Se até sua metade, nada parece fazer muito sentido, logo suas charadas vão sendo decifradas e vamos compreendendo suas loucas metáforas, percebendo que cada detalhe possui sua razão de estar ali. Vamos, então, construindo em nossa mente, um segundo filme, aquele com todas as nossas possíveis teorias. As referências bíblicas são claras e por isso, muitos já o chamam de controverso, no entanto, ainda assim, seu final deixa algumas questões em aberto, dando aquele nó no cérebro e permitindo com que cada um tenha sua própria interpretação.

Jennifer Lawrence é uma ótima atriz, se esforça e, de fato, faz de "Mother!" algo melhor do que realmente é. A câmera que sempre está mais interessada em suas reações do que nas ações que acontecem ao seu redor, captura as expressões da atriz ininterruptamente, inclusive, em alguns planos sequência. É belo o trabalho de Lawrence. É forte. É brutal. E espanta por ser uma atriz tão jovem e ainda assim realizar algo de tamanha grandeza. Dos coadjuvantes, todos bem corretos. Como disse anteriormente, nenhum personagem causa interesse e todos não passam de peças para os tantos simbolismos que o diretor desejou criar.

NOTA: 5
País de origem: EUA
Duração: 121 minutos
Distribuidor: Paramount Pictures
Diretor: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Kristen Wiig, Michelle Pfeiffer, Ed Harris, Domhnall Gleeson
O critico não entendeu o filme é detona na superficialidade. Lamentável.
ResponderExcluirA pessoa não aceita uma opinião contrária e prefere dizer que o outro "não entendeu o filme".
ExcluirÉ possível entender o filme e não gostar dele.