
por Fernando Labanca
Dirigido por Shawn Levy (Uma Noite no Museu, Gigantes de Aço), o longa é uma adaptação da obra de Jonathan Tropper, que aliás, também escreveu o roteiro. Minhas expectativas eram altas, não só pelo ótimo elenco que conseguiram reunir aqui, mas principalmente por se tratar de um livro que me encheu com diversas sensações, uma mistura muito bem orquestrada de drama e humor, e entre sarcasmos e discursos inspiradores, a trama escrita por Tropper tinha o poder de nos colocar ali dentro, íntimos daqueles personagens e estranhamente, nos fazia se identificar por algo da trama, e por diversos instantes, nos fazia pensar na própria vida.
Judd Altman (Jason Bateman) é um cara azarado que, do dia pra noite, perdeu tudo o que tinha, o trabalho e a esposa, assim que pegou no flagra sua mulher o traindo com seu chefe. Para piorar, recebe a notícia de que seu pai faleceu e que precisava retornar para sua cidade natal para a realização do Shivá, uma tradição judaica onde os membros da família se unem durante sete dias de luto. O problema é que os Altmans não se viam durante anos e nunca lidaram bem com a aproximação, é então que nesses sete dias, a mãe (Jane Fonda) e seus quatro filhos Judd, Paul (Corey Stoll), Wendy (Tina Fey) e Philip (Adam Driver), cada um com suas peculiaridades, terão que se aguentar, o que se torna o cenário perfeito para reviver brigas e conflitos do passado.
A velha história do personagem que retorna para a casa por causa da morte do pai e assim, precisa lidar com situações que ficaram para trás. Já vimos isso em muitos outros filmes e aqui, inúmeros clichês retornam. Porém, o que há de mais interessante em "Sete Dias Sem Fim" é essa ideia distorcida de família. O lar, ironicamente, é exatamente o espaço onde todos os personagens se sentem desconfortáveis, desconexos. Não retornar foi o que motivou todas as escolhas de Judd Altman durante sua vida, estar em casa é como um retrocesso, mais um sinal de fracasso. E enquanto acompanhamos as angustias do protagonista, ao seu redor, nos deparamos com pessoas desiludidas com algo, mais do que a perda do pai, a desilusão de uma vida fora do trilho, tão distinta da infância que viveram ali, daquela vida simples, sem dificuldades e sem ter com o que se preocupar. É o desastroso encontro de personagens que não compreendem o passado, enquanto vivem o presente que não querem encarar. Há muito humor em tudo isso, mas há também, uma boa dose de melancolia.

Jason Bateman foi uma ótima escolha, mesmo que ele traga alguns trejeitos de outros personagens que já interpretou, convence na pele de Judd. Por outro lado, há tantas coisas acontecendo a todo tempo, que alguns ótimos atores acabam sumindo no meio da bagunça como Corey Stoll, Connie Britton e Kathryn Hahn. Jane Fonda e Timothy Olyphant estão bem, mas não surpreendem, assim como Tina Fey, que diverte como sempre, mas infelizmente, decepciona nas cenas mais dramáticas. Adam Driver, mais uma vez, irritantemente, fazendo o mais do mesmo. Ao lado de Bateman, a melhor escolha para o elenco foi, com certeza, Rose Byrne, ainda que em um papel menor, surge extremamente carismática e encantadora, a atriz faz do filme algo melhor, sabe lidar com as nuances do roteiro e brilha em cena.
.jpg)
NOTA: 7

País de origem: EUA
Duração: 103 minutos
Distribuidor: Warner Bros.
Elenco: Jason Bateman, Tina Fey, Adam Driver, Rose Byrne, Jane Fonda, Corey Stoll, Timothy Olyphant, Abigail Spencer, Debra Monk, Connie Britton, Kathryn Hahn, Ben Schwartz
Diretor: Shawn levy
Roteiro: Jonathan Tropper
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe um comentário #NuncaTePediNada