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terça-feira, 3 de maio de 2016

Crítica: O Presente (The Gift, 2015)

"O Presente" é o primeiro longa-metragem dirigido pelo ator australiano Joel Edgerton, que também atua, escreve e produz. Com atuações marcantes de seus protagonistas e uma trama envolvente, é aquele tipo de suspense que prende a atenção e que não permite que o público saia ou pense em outra coisa até a chegada de seus créditos finais.

por Fernando Labanca

Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) estão de mudança para uma nova cidade em uma nova casa. É um momento de recomeço para o casal que acabara de enfrentar uma situação complicada e por isso tentam se adaptar em um outro local. Tudo flui perfeitamente até que um antigo colega de escola de Simon, Gordo (Joel Edgerton), surge em suas vidas e tenta. insistentemente, se reaproximar, revivendo uma amizade que nitidamente nunca existiu. Devido ao desconforto caudado por este inusitado encontro, o casal começa a se afastar do estranho, no entanto, alguns segredos do passado vem à tona e eles passam a compreender que esta relação não é tão simples assim e que existem certas contas a serem pagadas.


segunda-feira, 28 de março de 2016

Crítica: Zootopia - Essa Cidade é o Bicho (Zootopia, 2016)

A Disney tem acertado e muito com suas animações e "Zootopia" marca o ápice do estúdio nesses últimos anos. Que grata surpresa poder ir ao cinema e se deparar com esta delícia de filme, tão inteligente, criativo e que além da boa diversão, traz para as telas uma mensagem muito válida para os dias de hoje.

por Fernando Labanca

Não tinha muitas expectativas quanto esta animação e fico feliz por ter percebido que, bem diferente do que eu achava, está longe de ser "só mais uma dentre tantas". Penso que seja o ápice do estúdio desde muito tempo, por ser um filme muito completo, que surpreende pelo alto nível de seu texto, que constrói uma trama muito bem amarrada, bem pensada, que exige um pouco mais de seu público ao entregar um mistério envolvente e cheio de reviravoltas, que faz rir, que emociona e que apesar de ter um grande potencial para agradar os mais novos com seus personagens cativantes, acredito que, mais uma vez dentro do gênero, serão os adultos aqueles que serão melhor recompensados. "Zootopia" dialoga melhor com os mais crescidos, tanto por trazer referências como "O Poderoso Chefão" e "Breaking Bad", mas principalmente por sua história e por tudo aquilo que ela transmite.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Crítica: Sete Dias Sem Fim (This is Where I Leave You, 2014)

Depois de alguns meses afastado no blog, devido aos trabalhos finais da faculdade, finalmente consegui retornar e confesso que estava com muita vontade de escrever! Para isso, pensei em comentar sobre um filme que estava à espera por muito tempo, "Sete Dias Sem Fim", baseado num dos últimos bons livros que li.

por Fernando Labanca

Dirigido por Shawn Levy (Uma Noite no Museu, Gigantes de Aço), o longa é uma adaptação da obra de Jonathan Tropper, que aliás, também escreveu o roteiro. Minhas expectativas eram altas, não só pelo ótimo elenco que conseguiram reunir aqui, mas principalmente por se tratar de um livro que me encheu com diversas sensações, uma mistura muito bem orquestrada de drama e humor, e entre sarcasmos e discursos inspiradores, a trama escrita por Tropper tinha o poder de nos colocar ali dentro, íntimos daqueles personagens e estranhamente, nos fazia se identificar por algo da trama, e por diversos instantes, nos fazia pensar na própria vida.

Judd Altman (Jason Bateman) é um cara azarado que, do dia pra noite, perdeu tudo o que tinha, o trabalho e a esposa, assim que pegou no flagra sua mulher o traindo com seu chefe. Para piorar, recebe a notícia de que seu pai faleceu e que precisava retornar para sua cidade natal para a realização do Shivá, uma tradição judaica onde os membros da família se unem durante sete dias de luto. O problema é que os Altmans não se viam durante anos e nunca lidaram bem com a aproximação, é então que nesses sete dias, a mãe (Jane Fonda) e seus quatro filhos Judd, Paul (Corey Stoll), Wendy (Tina Fey) e Philip (Adam Driver), cada um com suas peculiaridades, terão que se aguentar, o que se torna o cenário perfeito para reviver brigas e conflitos do passado.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Crítica: Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, 2011)

Pegando carona no humor ágil de "Se Beber Não Case", a comédia dirigida por Seth Gordon (Surpresas do Amor, 2008), trás também um trio de protagonistas masculinos, os atores cômicos Jason Sudeikis, Jason Bateman e Charlie Day, bem menos conhecidos do grande público que o trio de coadjuvantes, aqueles que roubam a cena, Jennifer Aniston, Kevin Spacey e Colin Farrell. Se no longa de Todd Phillips, o bando de lobos enchia a cara por pura diversão, a premissa desse se mostra bastante diferente, quando o trio, aqui, para se livrar da opressão no ambiente de trabalho decidem fazer algo bem inusitado, matar seus respectivos chefes. A diversão vem fácil, criatividade, nem tanto.

por Fernando Labanca

Conhecemos os três amigos, que se encontram a noite numa mesa de bar para lamentar a pressão que sofrem no dia-a-dia, mais especificamente, no local onde trabalham. Nick (Bateman) que se mata em seu escritório para conseguir uma promoção, mas só o que consegue é ser traído por seu próprio chefe (Spacey), além de ter que aturar seu constante mau-humor e sua falta de caráter. Kurt (Sudeikis) que após a morte de seu adorável chefe (Donald Sutherland) vê o cargo sendo ocupado pelo herdeiro Bobby (Colin Farrell), o filho idiota e irresponsável que não tem noção de como comandar uma empresa. Já Dale (Charlie Day), enfrenta o problema que nenhum dos outros dois consegue ver como um sério problema, é assediado por sua chefe gostosona e ninfomaníaca (Aniston), mas detesta ter que enfrentar isso por ser apaixonado por sua noiva. Até que decididos a por um fim nisso tudo, eles chegam a conclusão que a única saída é matando seus superiores, é então que eles partem para uma louca jornada, descobrindo o "submundo" do crime e tentando encontrar soluções viáveis para as mortes. 


"Quero Matar meu Chefe" consegue agradar fácil, isso devido ao bom roteiro que leva seus protagonistas a uma inusitada trama, onde cada passo é uma nova surpresa. O fato deles quererem matar seus chefes em nenhum momento parece agressivo demais e em nenhum momento nos convencemos de que a morte seja realmente a única saída, mas para um filme de comédia aceitamos esse pequeno detalhe e embarcamos na história. É tudo muito hilário essa jornada, o trio planejando as mortes mesmo não sabendo como, três homens completamente comuns se envolvendo num assassinato acaba que gerando boa piadas e sequências bastante engraçadas, dando espaço a algumas referências como O Silêncio dos Inocentes, CSI e até mesmo Woody Allen. Consegue ainda manter um certo suspense em toda a trama e este talvez seja um dos grandes triunfos da obra, por prender a atenção do começo ao fim, desde as invasões que o trio faz da privacidade de seus chefes até a curiosidade que nos cerca sobre como esses personagens irão morrer, se é que o plano vai realmente dar certo. O ótimo roteiro acerta também quando nos surpreende em diversas passagens, onde foge completamente do que imaginávamos, se tornando assim, até certo ponto, uma trama imprevisível. Mas peca justamente quando prevê na metade da história como tudo iria terminar, é então que tudo caminha exatamente como o próprio filme havia revelado, tendo então, um final planejado, sem nenhuma surpresa, indo na contramão do que supostamente era, algo original e surpreendente.

O filme tem uma grande arma nas mãos, a composição de seus excêntricos personagens, que por vezes se tornam mais interessantes que a própria história. Entretanto, ao mesmo tempo em que tem com seus personagens um ponto positivo, são eles também que prejudicam algumas passagens. A personagem Julia Harris, por exemplo, chama muito a atenção por ser interpretada por Jennifer Aniston, a atriz se mostra a vontade e desenvolve trejeitos novos, bem diferentes do que havia feito em toda sua carreira, no entanto, está perdida na trama, parece a única que não faz realmente parte de todos os planos, é a única que não interage com outros personagens e a única que parece não ter uma razão para ser assassinada. Colin Farrell aparece pouco, apesar de estar bem caricato, diverte, mas é pouco explorado pelo roteiro. O trio de protagonistas é bastante comum e por isso, perde espaço para os coadjuvantes, isso porque os veteranos do elenco tem a chance de provar talento em composições inovadoras. Jason Sudeikis agrada e assim como Jason Bateman, tem carisma. O pior dos três é sem sombra de dúvida, Charlie Day, que desenvolve algum dos piores momentos do filme, é chato, irritante, imaturo e perde grande parte de seu tempo gritando e agindo de forma caricata e forçada. É então que vemos na tela um tal de Kevin Spacey, e aponta como o grande vilão da história, mais do que isso, o grande personagem do filme, numa atuação admirável, é por ele que a obra vale a pena. Tem ainda boas participações de Jamie Foxx e Julie Bowen.

"Horrible Bosses" é divertido, acima de tudo, entretêm e nos faz esquecer um pouco da realidade, mas não vai muito além. Parece pequeno, é como um episódio bem feito de alguma série cômica de TV, onde os conflitos são fáceis e são resolvidos de forma sem graça, longe de ser algo memorável e bem perto de ser um sucesso na Tela Quente. Vale para reunir um grupo de amigos e dar algumas gargalhadas, vale ainda mais para presenciar Kevin Spacey, e é por ele e pelo bom roteiro que a obra consegue se manter acima da média.

NOTA: 7


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Final de Ano - Uma geral nas locadoras

Para finalizar minhas postagens de 2010, a próxima só para mostrar o que houve de melhor do ano, fazendo a listinha que é tradição aqui no Cinamateca!!! Resolvi então, fazer um geral dos últimos filmes que vi e que já estão nas locadoras, mais do que isso, aquelas resenhas que iria ficar devendo, mas resolvi uma postagem mais decente, como despedida mesmo de final de ano!!! E que servem como dica para aqules que passarão os dias de folga em casa e curtem uma sessão pipoca!!

por Fernando Labanca



Coincidências do Amor (The Switch, 2010)

Jennifer Aniston é Kassie, uma mulher madura que já atingiu a idade de sucesso e a idade em que as mulheres já constituiram suas famílias, e neste quesito, ela estava para trás. Até que decide, sem querer depender de homem para realizar seu desejo de ser mãe, ir atrás de um doador de espermas, o que é completamente contra ao que seu melhor amigo, Wally (Jason Bateman) acha. Wally é um solitário, também não obteve muito sucesso em sua vida e tem uma queda pela bela moça que só o enxerga como amigo. Eis que seu desejo se realiza, surge um homem (Patrick Wilson) que aceitou o desafio, e para isso, ela e suas amigas realizam uma grande festa, e neste mesmo dia, em que Wally, embriagado, joga fora os espermas do desconhecido e coloca os seus.

Kassie se muda para outra cidade, e depois de muitos anos retorna, com seu filho já crescido. É quando Wally percebe as semelhanças que tem com o garoto e passa a se lembrar do erro que cometeu, a verdade é uma só, ele é o pai do filho da mulher que ama. E sem que ela perceba, Wally vai se ligando a ele, surgindo uma bela e verdadeira amizade, e recuperando aquilo que deixou de ter há um bom tempo, uma família.

Não, não é uma comédia romântica, assim como o filme é vendido. Uma comédia com humor bem sutil com umas pitadas de drama, que funcionam. O longa é uma ótima pedida para um final de semana, sem dúvidas, um filme delicioso, com uma história não muito inovadora, mas que passa sua mensagem e conclui com competência seus objetivos. O romance fica um pouco para o segundo plano, o foco aqui é a relação de Wally e seu novo e desconhecido filho, é simplesmente belo a maneira como esta relação é explorada, os diálogos e principalmente as atuações convincentes de Jason Bateman e do novato Thomas Robinson. Recomendo!

NOTA: 8


Em Busca de Uma Nova Chance (The Greatest, 2010)

Rose (Carey Mulligan) durante um ano inteiro trocava olhares com Bennett (Aaron Johnson) nos corredores do colégio, eis que no último dia, eles se conhecem, e vivem uma paixão profunda, e depois da primeira noite de amor, eles sofrem um acidente de carro, e Bennett morre.

A família do jovem passa por momentos difíceis, até que Rose aparece na casa deles, dizendo que está grávida e não tem mais para onde ir. Ela passa a morar na casa da família, e vai enfrentando juntamente com eles, a superação diária da ausência de Bennett. Desde o sofrimento da mãe, Grace (Susan Sarandon), do irmão (Johnny Simmons) que se perde nas drogas e do pai (Pierce Brosnan) que mesmo com tanta dor tenta se mostrar forte para apoiar a família.

Aparente, belo. Pelo trailer principalmente que vendeu o filme muito bem, mas a sensação que sentimos após vê-lo é pura decepção, algo muito diferente do que foi vendido, cheio de clichês, frases feitas, melodrama forçado que não convense mesmo nas boas atuações de Susan Sarandon e Carey Mulligan. O filme tenta o tempo todo nos converser de aquilo é triste e naquela cena devemos chorar, mas os diálogos forçam tanto a barra que a vontade é de desistir de chegar até o final. Pierce Brosnan se esforça, mas exagera e muito nas cenas dramáticas. Johnny Simmons também se esforça, mas seu personagem é ctrl C+ ctrl V puro de muitos outros filmes. Passe longe.

NOTA: 4


Entre Irmãos
(Brothers, 2009)

Refilmagem de um filme dinarmaquês de 2004 e dirigido por Jim Sheridan. Nele, conhecemos dois irmãos, Tommy (Jake Gyllenhaal), um tanto quanto fracassado na vida e que está prestes a sair da prisão, por outro lado, há Sam (Tobey Maguire), o filho exemplo, fez uma família adorável ao lado de sua amada esposa Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas pequenas. Sam é do exército e está prestes a ir para o Afeganistão em missão de paz. Enquanto, Tommy tenta retomar sua vida fora das grades, Sam vai para enfrentar os perigos da guerra, até que é feito refém por alguns nativos e é dado como morto.

A notícia chega para Grace e sua família e é o fim para todos. Todos sofrem a perda de Sam e aos poucos vão tentando viver com a ausência dele, e Tommy passa a frequentar a casa de Grace e apoiá-la neste tempo de dor, e passa a ter uma relação muito forte com ela. Eis que Sam retorna, e percebe que voltar vivo de uma guerra não significa que continua vivendo e passa a tentar viver naquela vida que perdeu todo o significado ao mesmo tempo que tenta conviver com a dúvida de ter perdido sua esposa para seu irmão.

Uma história não muito inovadora, mas que surpreendentemente funciona muito bem nas mãos do diretor que realiza um trabalho incrível, assim como o roteiro que explora o máximo e o melhor de cada personagem, sem cair no clichê o que é muito difícil neste tipo de trama e este é seu maior triunfo, além de conseguir não cair no melodrama, construindo um drama convincente e muito sincero. Palmas para a grandiosa atuação de Tobey Maguire, sua melhor performance no cinema e uma das melhores atuações masculinas do ano, simplesmente incrível. Jake Gyllenhaal também surpreende e sai bem e Natalie Portman é Natalie Portaman, não tem como errar, linda e ótima como sempre.

NOTA: 8,5


Karatê Kid (The Karate Kid, 2010)

Refilmagem do clássico Karate Kid de 1984. Nos mostra a transformação na vida do jovem Dre (Jaden Smith) que se muda junto com sua mãe (Taraji P.Henson) para Pequim, devido o trabalho dela. Lá, ele tem que se acostumar com as novas tradições e descobrir uma nova cultura, enquanto isso ele passa a ser perseguido por alguns jovens do local, é quando percebe que eles fazem parte de um treinamento rígido de kung fu. Percebendo a vulnerabilidade do novato, surge o Senhor Han (Jackie Chan), o zelador do apartamento onde Dre mora, e passa a lhe passar alguns conhecimentos úteis não só para se livrar dos garotos, mas para a vida também, como equilíbrio e disciplina.

Até que Dre é convocado para participar de um torneio de kung fu e só se veria livre das perseguições se participasse, a partir de então, Han passa a ser seu "mestre" e lhe ensina o verdadeiro kung fu. Enquanto isso, Dre se envolve com uma bela jovem do local, e junto com ela, vai descobrir as maravilhas da cidade.

Roteiro fiel ao original, mas ainda sim consegue ser melhor. É claro que foram feitas algumas adaptações, e a principal delas é a entrada do kung fu, o título serve como marca mesmo para remeter ao clássimo, mas a idéia agora é outra, e funciona. Elenco correto, numa história ainda interessante nos tempos de hoje, devido também a direção competante de Harald Zwart. Bela fotografia, trilha sonora e cenas muito bem realizadas, tudo em perfeito estado. O final é previsível e não foge da linha de conforto, mas ainda assim é bom! Não esperava nada desta refilmagem, mas superou todas as minhas expectativas, melhor que o original, uma ótima pedida.

NOTA: 8,5


Lunar (Moon, 2009)

Filme aclamado em alguns festivais e vencedor do prêmio Revelação no Bafta, para o estreiante em longas metragens, Duncan Jones, filho de David Bowie. Uma ficção ciêntífica inovadora, que conta a árdua trajetória de Sam Bell (Sam Rockwell) numa missão na Lua num período de três anos, através da empresa Lunar que o enviou para explorar um material do solo que salvaria a crise energética do Planeta Terra.

Tem a única companhia do robô GERTY e está prestes a voltar para casa, mais ainda enfrenta uma difícil e solitária missão. Eis que ele sofre um acidente, curioso para voltar no local onde aconteceu o ocorrido, encontra um outro astronauta, tirando seu capacete o que ele enxerga é um clone seu. E na nave passa a conviver dois Sam, e nenhum sabe o que realmente está acontecendo e quem é o verdadeiro, e o que era solidão se transforma em paranóia. E curiso para tentar entender o estranho acontecimento, começa a descobrir que esta missão tem muitas verdades a serem discutidas e muitos mistérios a serem revelados.

Finalmente uma ficção ciêntífica decente, a melhor, digamos, desde a animação Wall-e. Um filme inteligente, interessante, com um roteiro muito original que nos mostra o que houve de melhor no gênero, com referências do clássico de Stanley Kubrick, "2001", e nos lembrando o porquê deste estilo ser ainda interessante, e nas mãos de Duncan Jones, "Lunar" se torna um grande exemplo de ficção ciêntífica, sem explosões e grandes efeitos especiais, os conflitos são internos, acontece com a personagem principal, no seu psicológico, e tem uma trama interessante capaz de prender a atenção do público sem precisar apelar para "muito barulho e pouco conteúdo". Além da incrível atuação de Sam Rockwell que leva o filme inteiro nas costas, sem ele, nada disso seria possível. Recomendo.

NOTA: 9

domingo, 24 de janeiro de 2010

Crítica: Amor Sem Escalas (Up in The Air, 2009)

Esqueça esse título, pois ele nada tem a ver com o ótimo drama de Jason Reitman, um filme inteligente e maduro que retrata com fidelidade o mundo atual.

por Fernando Labanca

Ganhador do Globo Ouro, recentemente, por Melhor Roteiro, é uma das grandes apostas para o Oscar. Jason Reitman também é um grande nome para o Melhor Diretor, pelo menos uma indicação é bem provável. Reitman, depois de dirigir os ótimos Obrigado por Fumar e Juno, volta seguindo mais a linha do primeiro, deixando a "ingenuidade" do mundo jovem para os problemas mais complexos da idade adulta.

George Clooney interpreta Ryan Bingham, um homem compromissado com uma profissão muito inusitada. Ele ganha para demitir pessoas. Na atual crise mundial, onde várias empresas estão prestes a falir, começam a demitir milhares de empregados e pagam pessoas como Ryan para esse serviço nada agradável. Ele, viaja para várias partes do mundo, simplesmente entra nas empresas e faz seu trabalho, demite! Para infelicidade de todos, mas felicidade de sua companhia que basicamente lucra com o fracasso alheio. Ryan ainda faz palestras motivacionais, onde até mesmo na hora das demissões, tenta mostrar a luz no fim do túnel, mostra que nem tudo está perdido, estar desempregado pode não ser o fim de tudo, muito pelo contrário, pode ser o ínicio de uma grande conquista.



Bingham praticamente não tem moradia, vive sua vida nos ares, viajando para todos os cantos e por isso se esqueceu completamente do termo "lar", logo que nem ao menos mantém uma relação com suas duas irmãs. Não é casaso, não tem filhos e é feliz dessa maneira. Até que um dia conhece uma mulher incrível, Alex (Vera Farmiga), sua versão feminina, vive da mesma forma que ele e juntos descobrem muitas coisas em comum e com isso a relação entre eles flui facilmente, nada muito sério, sem compromissos, só diversão. Mas seu mundo se abala completamente, quando seu chefe (Jason Bateman) anuncia a chegada de Natalie (Anna Kendrick), uma jovem executiva, extremamente inteligente e dedicada ao trabalho que trás uma grande novidade que suspenderá todas as viagens e assim diminuir os custos da empresa, ela cria um sistema onde as demissões são feitas via internet. A vida de Ryan é viajar, e vendo que seu emprego está sendo ameaçado tenta provar a ineficência desse sistema e a inexpreiência de Natalie. Para fazer esse projeto decolar, o chefe coloca Natalie e Ryan lado a lado, para que a moça acompanhasse suas próximas demissões para que ela conhecesse os dois lados da moeda.

A partir de então, Bingham mostra a bela jovem seu agitado mundo e a triste realidade do mundo contemporâneo, e mesmo que num trabalho difícil, ele tenta fazê-lo com toda a dignidade, sem misturar sentimentos e tentar ser o mais profissional possível. Natalie, por sua vez, tem algumas dificuldades em ser tão forte, mesmo quando as pessoas estão "caindo" ao seu redor, e ainda mais quando seu namorado termina com ela via torpedo, seus sentimentos vão a flor da pele e passa junto com Ryan e mais para frente com Alex, refletir sobre a vida, carreira, o que quer fazer com sua vida, pensa o que vai ser quando chegar na idade adulta e o casal começa a refletir se são exatemente o que queriam ser quando eram mais jovens. E essas duas mulheres, juntamente com suas irmãs, logo que uma delas está prestes a se casar, começam a abalar as estruturas desse mundinho fechado a que ele vive, em seu "casulo de autoexílio", fazendo ele por os pés e a mente, finalmente no chão.

Um filme belo, divertido com piadas leves, que nos leva a grandes reflexões sobre a atual vida da sociedade, sobre casamento, família e outros desastres. O maior triunfo de Amor Sem Escalas é o roteiro, principalmente no desenvolvimento das personagens, elas são reais, suas atitudes são compreensíveis de acordo com as características que são impostas a elas, e graçás a isso, o final, não é dos mais felizes, logo que o roteiro se aproxima muito da realidade, e para muitos, isso pode ser decepcionante. Os diálogos também são ótimos, em conversas rápidas e francas, e o que em "Obrigado por Fumar" a persuasão era referente à "comprem cigarro", agora é sobre "é possível ser feliz sózinho, sem casa fixa, casamento e família". E por mais egoísta que essa reflexão pareça ser, não deixa de ser um modo de vida, e isto é interessante neste filme, pois em outros longas essa idéia seria desmanchada no final e o protagonista passaria a dar valor a coisas em que mal enchergava, neste, ainda há reflexões valiosas, mas não há uma auto punição em cenas dramáticas, cada personagem segue fielmente seu ponto de vista, portanto, o filme não nos apresenta uma verdade absoluta, uma única ideologia de vida.

As atuações também são um ponto alto neste longa, vale lembrar que as principais foram indicadas ao Globo de Ouro, Bafta e outros prêmios importantes. George Clooney, depois de tantos anos tentando, acredito que essa seja sua melhor performance como ator, não que ele seje ruim, mas desta vez, ele está muito melhor. Seu jeitão sedutor, canalha e sarcástico, mesmo que já usado por ele em outros filmes, neste é encaixado com mais conveniência, portanto, com mais perfeição. Está incrível, transmite segurança no que faz, assim como sua personagem. Vera Farmiga, mais uma vez, muito agradável, depois de ser a delicadeza e sensibilidade em pessoa diante de tanta testosterona em Infiltrados de Martin Scorcese, ela brilha mais uma vez, sua Alex é simplesmente adorável, divertida e encantadora e há uma boa química entre ela e Clooney, sendo as cenas em que contracenam juntos de extremo bom gosto. Anna Kendrick está muito bem, diverte facilmente com sua Natalie e consegue transmitir com fidelidade as angústias e os medos de qualquer iniciante na fase adulta.

A trilha sonora é perfeita. Ótimas canções no mesmo estilo de Juno. As músicas utilizadas facilitam a identificação do público para com o que acontece na tela. A edição também acrescenta o filme, rápida e conveniente em ótimas sequências. A direção de Jason Reitman, mais uma vez, brilhante, e se consagra como um dos melhores diretores da atualidade.

Não há como rotular, ora comédia romântica, ora comédia dramática, seja o que for, vale a pena assistí-lo. E mesmo que esteje presente aqueles momentos básicos sobre a importância da família, Amor Sem Escalas foge dos clichês, nos apresentando uma história madura com personagens maduros. Quando o filme termina, sinti a mesma sensação que senti quando vi Obrigado por Fumar e Juno, que ainda é possível fazer filmes inteligentes, filmes que não nos subestimam. Brilhante, sensível, 2010 começando com o pé direito!

NOTA: 9

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