
Chegando tímido nos cinemas, "Não Olhe Para Trás" é uma grande surpresa, daquele tipo de filme que ninguém espera nada e de repente ele te prova inúmeras razões para adorá-lo. Simples, objetivo e incrivelmente bem escrito.
por Fernando Labanca
Baseado em um evento real, o longa nos apresenta Danny Collins (Al Pacino), um popstar que já viveu seu tempo e agora sobe aos palcos para cantar sucessos de muitos anos atrás, reprisando canções para seus fãs, que também já envelheceram. Sem escrever nenhuma música por mais de trinta anos, ele ainda possui uma vida de luxo, com dinheiro, mulheres, drogas e álcool. Até que seu amigo e empresário Frank (Christopher Plummer) lhe entrega, de presente de aniversário, uma carta escrita por John Lennon na década de 70, mas que esteve nas mãos de um colecionador. Destinada ao próprio Collins, na época em que ele era apenas um garoto promissor, a carta era um aviso de Lennon para que o dinheiro não destruísse sua carreira, deixando, inclusive, seu telefone, caso precisasse de ajuda. Devastado pelo ocorrido, e reflexivo sobre o que teria sido sua vida se tivesse acesso a carta na época em que fora escrita, Danny decide parar sua turnê e ir atrás daquilo que deixou no passado, seu filho (Bobby Cannavale), que nunca chegou a conhecer.
"Stay true to yourself. Stay true to your music."
"Não Olhe Para Trás" marca a primeira empreitada de Dan Fogelman como diretor. Roteirista de renome em Hollywood, Dan já escreveu filmes como "Amor a Toda Prova" (2011) e "Última Viagem a Vegas" (2013), além das animações da Disney como "Carros" (2006) e "Enrolados" (2010), entre outras. Podemos dizer que foi um excelente primeiro passo, vemos aqui uma direção cuidadosa, além, é claro, de mais uma vez, trazer um excepcional roteiro. Fogelman, soube, brilhantemente, escapar das armadilhas deste "subgênero", aquele em que o personagem principal procura a redenção. Vemos, aqui, caminhos não tão óbvios e isso ocorre principalmente quando são colocados na tela personagens muito bem escritos e desenvolvidos, não só o protagonista, mas de todos aqueles que o cercam. Danny Collins é um ser único e isso transforma sua jornada em uma jornada única. Claro, que nada seria possível sem a composição magistral de Al Pacino, que entrega energia e um carisma pouco mostrado pelo ator nos últimos anos. Danny é um protagonista engraçado, curioso, que nos instiga a ficar ali, observando seu jeitão grosseiro com seu figurino bizarro de "popstar tiozão", daquele cara que não faz ideia de como reconquistar sua vida, reconquistar seu filho, e por isso seu percurso é tão interessante, porque ele não tem a habilidade da fazer as coisas darem certo, mas ainda assim, ele tenta, mesmo se utilizando dos modos mais absurdos, ele não desiste. Para melhorar, sua trajetória é engrandecida pelas ótimas canções de John Lennon, com direito à "Imagine", "Working Class Hero" e "Instant Karma". Aliás, vale citar o ótimo trabalho de Ryan Adams, que compôs a trilha ao lado do veterano Theodore Shapiro, escrevendo, inclusive, a canção original "Don't Look Down".


NOTA: 8,5
Duração: 106 minutos
Distribuidor: Imagem Filmes
Elenco: Al Pacino, Annette Bening, Bobby Cannavale, Christopher Plummer, Jennifer Garner, Melissa Benoist, Josh Peck, Giselle Eisenberg
Diretor: Dan Fogelman
Roteiro: Dan Fogelman
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe um comentário #NuncaTePediNada