por Fernando Labanca
Dirigido por Julia Rezende, "Ponte Aérea" coloca, mais uma vez, em discussão, os relacionamentos à longa distância. De longe, até parece muito do que já vimos em outros filmes, entretanto, felizmente, este filme nacional, se supera, provando uma maturidade e inteligência rara quando pensamos em comédias românticas. Traz em cena, argumentos relevantes sobre as relações modernas, construindo, aos poucos, uma trama singela, realista e sutilmente emocionante.
Amanda (Letícia Colin) é uma publicitária extremamente dedicada ao trabalho. Bruno (Caio Blat), um artista plástico talentoso, que não sabe muito bem o que fazer da vida. Ela, de São Paulo. Ele, do Rio de Janeiro. Quando um voo tem seu percurso desviado, devido a uma forte tempestade, todos os passageiros são colocados, temporariamente, em um hotel. É lá que eles se conhecem, nesta brecha de tempo e espaço, passam a noite juntos por puro impulso, mas ao amanhecer, cada um segue com sua vida. No entanto, assim que Bruno chega em São Paulo, cidade que é obrigado a visitar frequentemente por causa da internação de seu pai, resolve procurá-la. E de pequenos e rápidos encontros, eles tentam construir uma relação. Entretanto, quanto mais se conhecem, mais conhecem os defeitos um do outro, é então que a longa distância passa a ser o menor dos problemas entre o casal.
São Paulo e Rio de Janeiro, mesmo que duas cidades, relativamente, tão próximas, são extremamente distintas e "Ponte Aérea" traz beleza à elas, cada uma a seu modo, ainda para isso traga alguns conceitos batidos como o fato da mocinha ser workaholic enquanto que o cara é um artista que não tem a noção do próprio talento. Por trás das caricaturas, porém, tem boas intenções e sabe brincar bem com o que tem mãos, retrata de forma interessante essas diferenças culturais, acentuando, claro, as incompatibilidades entre o casal principal. Aliás, este é um dos grandes acertos da obra, Amanda e Bruno são dois seres que vivem em universos distintos e cada um segue com suas próprias prioridades, e o mais curioso do roteiro é justamente o fato de que o amor parece que nunca é prioridade, parece que sempre é difícil um estar ao lado do outro, e não por estarem em cidades distantes, mas principalmente pelo fato de que cada um vive seu próprio mundo, tão preso a ele, tão resistente a qualquer invasão ou a qualquer contato que os faça desestabilizar. São dois seres sem sintonia, que amam, que dividem gostos em comum, mas nunca são capazes de dar o mesmo passo, ao mesmo tempo. É então que vejo o quanto o filme tem a dizer e quanto ele é belo e incrivelmente inteligente ao retratar com tanta verdade essa teoria de que amor é muito mais do que palavras ou qualquer outro conceito barato que já tenhamos ouvido sobre, de que relações necessitam mais para sobreviver, necessitam dessa sintonia, desta dedicação, compromisso. Como foi bom ver um filme nacional ser aquele a dizer tudo isso.


NOTA: 9
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Elenco: Letícia Colin, Caio Blat, Emílio de Mello, Sílvio Guindane, Felipe Camargo, Martha Nowill
Diretor: Julia Rezende
Roteiro: Julia Rezende
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