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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Crítica: O Círculo (The Circle, 2017)

Baseado no livro de Dave Eggers, um dos autores mais consagrados da atualidade, "O Círculo" tem ideias brilhantes mas sua mal execução o tornam em um produto extremamente descartável, insosso e um tanto quanto irresponsável. 

por Fernando Labanca

É espantoso saber que o próprio Eggers assinou o roteiro. É, também, difícil de entender que se trate de um filme de James Ponsoldt (O Maravilhoso Agora). O diretor provou ao longo de sua curta carreira ser um profissional talentoso, no entanto, não há como defender este seu último trabalho. O que vemos na tela é uma sucessão de equívocos, que parece afundar a carreira de todos os envolvidos. É uma pena quando isso acontece. Quando uma premissa tão interessante e de certa forma, tão relevante no mundo atual, é destruída por um filme preguiçoso, que não se esforça em nenhum instante em construir algo a altura de sua ideia, que por sua vez, é brilhante e (tenta) trazer discussões necessárias.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Crítica: Magia ao Luar (Magic In The Moonlight, 2014)

Como todo ano que passa, este não poderia faltar um filme de Woody Allen. O título da vez é "Magia ao Luar", protagonizado por Colin Firth e Emma Stone. Assim como algumas de suas obras anteriores, como "Escorpião de Jade" (2001) e "Scoop" (2006), Allen volta a flertar com a fantasia em mais uma deliciosa comédia romântica. É mais um daqueles momentos descompromissados do diretor, leve, gostoso de ver, mas que aos poucos, prova ser bastante reflexivo e tão bom quanto seus trabalhos anteriores.

por Fernando Labanca

Nos palcos, Stanley (Colin Firth) é um renomado ilusionista conhecido como Wei Ling Soo, fora dele, na vida real, é um cético rabugento incapaz de acreditar em qualquer coisa que não se tenha provas de sua existência, por isso sempre é convidado a desmascarar charlatões que ganham dinheiro em cima de inocentes que creem no além. É então que, atendendo o pedido de um amigo (Simon McBurney), viaja até o sul da França para desmascarar a bela e jovem norte-americana Sophie (Emma Stone), que tem chamado a atenção de uma família rica devido aos seus dons como médium, capaz de falar com os mortos e desvendar o passado de qualquer pessoa. Entretanto, quanto mais tempo Stanley passa ao lado de Sophie, mais difícil se torna acreditar em sua farsa, mais impossível ainda, passa a ser renegar seus encantos.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Crítica: Bling Ring - A Gangue de Hollywood (The Bling Ring, 2013)

No ano de 2008, um grupo de adolescentes ficou famoso por invadir e roubar a casa de celebridades. “Bling Ring”, novo filme de Sofia Coppola, é baseado em um artigo que Nancy Jo Sales escreveu para a Vanity Fair sobre o ocorrido. Sem a intenção de julgar ou compreender a mente destes jovens, o que vemos é um filme sobre futilidades, que assusta por ser tão real e tão perto do que vemos diariamente na mídia e nas redes sociais. Mais do que isso, a obra de Coppola expõe o vazio existencial, aquele mesmo sentimento (ou ausência de) tão presente em sua filmografia.

Por Fernando Labanca

Conhecemos Marc (Israel Broussard), um jovem que não se sente tão bonito e atraente e por isso, se sente tão distante dos outros. É seu primeiro dia de aula em seu novo colégio, é onde conhece Rebecca (Katie Chang), uma garota que o enturma em seu grupo de amigos, e logo percebe que ela realiza alguns furtos para não cair na rotina e não demora muito até que Marc passe a auxiliá-la. No entanto, eles querem mais, é a cidade de Los Angeles, local onde residem grandes celebridades, eles passam a invadir suas mansões em busca de qualquer coisa. Até que outros amigos ficam sabendo, como Chloe (Claire Julien), Sam (Taissa Farmiga) e Nicki (Emma Watson) e se deslumbram por este mundo cheio de possibilidades, joias, roupas de grife, vestidos, sapatos, bolsas, de Paris Hilton a Lindsay Lohan. Nada os impede, vivendo loucamente a liberdade de uma vida vazia, sem sentido, exatamente como aquela que a mídia insiste em vender.


“É incômodo que tantos me adorem por algo tão odiado pela sociedade. Se fosse por algo que beneficiasse a comunidade ou algo parecido, eu adoraria. Mas isso demonstra que a América tem um fascínio mórbido por Bonnie e Clyde.”

Quem são nossos heróis? Quem queremos ser? Quem realmente nos fascina, nos inspira? “Bling Ring” coloca essas questões de forma sutil, sem deixar de chocar, de nos fazer refletir, pensar no mundo em que vivemos, na futilidade que vemos diante de nossos olhos diariamente, na televisão e nas revistas que definiram o que é beleza e o que é ser bem sucedido, ou até mesmo nos clipes musicais (que aqui os jovens fazem questão de cantar em alto e bom som) que exaltam a cultura do gangsta e o fascínio que a sociedade tem sobre Bonnie e Clyde. Muitos podem até achar que o filme vangloria este tipo de vida, o “lifestyle of rich and famous”, muitos até o julgarão de vazio, até porque é este sentimento que fica ao seu final. Vejo de forma diferente, vejo que Sofia Coppola acerta ao retratar este mundo, no qual conhece tão bem, a vida destes jovens que tem em comum a ausência dos pais e a fascinação, quase que inconsciente, pela futilidade. Jovens que veem a felicidade nas roupas de grife e principalmente na foto em que vai postar no facebook, nesta vontade imbecil de querer vender a própria vida, ou neste caso, viver, nem que seja por alguns instantes, como se fosse uma celebridade, desfrutando daquilo que eles jamais teriam, desfrutando do holofote que nunca seria deles, num mundo em que glorifica este ato, ser o centro da atenção por não fazer nada, ser tão descartável como uma capa de revista. É impactante, ao mesmo tempo compreensível, o sorriso em que Marc lança ao receber tantos convites de amizade nas redes sociais, como se isso realmente importasse, sua felicidade em perceber que está presente nas fotos, é como se passasse a ser como os outros. “Bling Ring” é extremamente realista nesses detalhes e não foi preciso se aprofundar tanto, conseguiu em poucos minutos extrair a verdadeira e atual sociedade, de forma cruel e chocante. 

O filme em nenhum momento julga o que é certo ou errado, apenas nos mostra os acontecimentos, a parte da reflexão e compreensão cabe a nós. E assim como todas as obras de Sofia Coppola, se instala, em seu final aquele sentimento de vazio, que surge não como um erro, mas por ela, justamente relatar, sempre de forma tão intimista, o vazio existencial, seja do reinado de Maria Antonieta, daquele pai em “Um Lugar Qualquer”, do casal de estranhos em “Encontros e Desencontros” ou das jovens em “Virgens Suicidas”. “Bling Ring” dialoga muito bem com os dias de hoje, mesmo sendo tão simples consegue ser complexo, assim como seus projetos anteriores. Não é seu melhor momento, mas não deixa de ser ainda um grande filme. É até irônico e bastante coerente a maneira como Coppola flagra os acontecimentos da trama, em tom documental, parecendo um verdadeiro reality show, é como se ela entregasse a esses jovens exatamente o que eles queriam, a fama fácil, o espaço para se vender, onde ninguém é amigo de ninguém, estão todos preocupados com suas próprias conquistas. 

A simplicidade está entre as características mais marcantes da cineasta, entretanto, chega alguns momentos que isso passa a ser um defeito, quando ela se limita ao máximo, tanto no roteiro quanto em sua direção, como as cenas das invasões ou dos jovens sendo perseguidos por jornalistas, dando entrevistas. É tudo muito repetitivo e muito igual, não há dinamismo, dando às vezes a impressão de estarmos vendo as mesmas cenas em diferentes momentos. Chega a ser muito didático, quadrado, há um processo muito esquemático no filme que incomoda, primeiro eles roubam, depois ficam famosos por isso, são perseguidos pela polícia e pela mídia, primeiro um dá entrevista, depois o outro, depois o outro, e Coppola não se esforça em criar maneiras diferentes para contar a mesma coisa.

O elenco jovem não desaponta, Israel Broussard constrói um personagem interessante, faz um homossexual sem ser forçado ou irreal, é com certeza, o personagem melhor desenvolvido na trama, é através dele que visualizamos o vazio e a futilidade daquela vida. Muitos acharam que Emma Watson seria a protagonista e se desapontaram por ela não ser, e penso que foi uma escolha acertada, ela é uma grande coadjuvante e se destaca fácil, rouba a cena, eu diria, há filmes feitos para os coadjuvantes, “Bling Ring” é de Emma Watson, ofuscando sem muito esforço suas colegas de cena, como Katie Chang e Taissa Farmiga, ainda que muito competentes. É inevitável não dedicar toda a nossa atenção a Emma em todas as cenas em que aparece.

“Bling Ring” é mais um grande trabalho de Sofia Coppola que se firma como uma das diretoras mais interessantes do cinema atual, que mesmo com suas falhas, conseguiu, somando este, construir uma das filmografias mais adoráveis e coerentes que já se teve notícias. Sou um fã, por isso, é importante deixar claro que sou bem suspeito para falar de qualquer filme que ela faça. Tirando as reflexões e complexidade, a obra é simplesmente deliciosa, gostosa de se ver, com personagens interessantes, história inusitada e uma das trilhas musicais mais envolventes do ano. Recomendo.


NOTA: 8,5  



País de origem: EUA
Duração: 90 minutos
Elenco: Israel Broussard, Katie Chang, Emma Watson, Taissa Farmiga, Leslie Mann, Claire Julien
Diretor: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola


domingo, 18 de novembro de 2012

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2012)

Desde já, um clássico do cinema contemporâneo.

por Fernando Labanca

Baseado no livro de Stephen Chbosky, que também escreveu e dirigiu o filme. Tem sua trama guiada através de cartas destinadas a um anônimo, escritas por um garoto deslocado e tímido contando sua vida no início do colégio, enfrentando seu maior medo...não ser aceito por nenhum grupo. A história se passa no começo da década de 90, tendo então o cuidado da produção em reinventar aquela época, desde os figurinos e detalhes saudosistas como as fitas cassetes, além da trilha sonora, muito bem selecionada. "As Vantagens de Ser Invisível" ainda conta com atuações marcantes de um trio extremamente talentoso, Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller.

Conhecemos Charlie (Lerman), aos seus dezesseis anos, iniciando seu colégio. Solitário, não consegue interagir com outras pessoas, além de ter que conviver com alguns dramas do passado como a morte de seu melhor amigo e de sua tia, a pessoa que mais o inspirava. Sente que não faz parte daquele mundo e a única pessoa com quem consegue conversar é seu professor de inglês (Paul Rudd). Até que tenta forçar amizade com um dos veteranos, o carismático Patrick (Miller), que logo o apresenta a seu grupo, o grupo dos desajustados, jovens não populares que seguem seus próprios caminhos. É neste grupo que ele conhece também, Sam (Watson), com quem logo se apaixona. Pessoas que o fazem sentir finalmente vivo, que lhe provam o que é amizade e juntos enfrentam os dilemas dessa fase, do uso de drogas, homossexualismo, sexo, onde tudo é novidade e tudo é muito mais intenso.


Escrito e dirigido pelo próprio autor do livro, é nítido o quão pessoal é esta obra para Stephen Chbosky, talvez somente ele seria mesmo capaz de levar esta ideia de forma tão honesta, tão verdadeira, se fosse outra pessoa, quem sabe "As Vantagens de Ser Invisível" se tornasse algo banal, logo que o que vemos na tela não é nada tão original assim, a história do garoto deslocado, sofrendo bullying, os dilemas da adolescência, amizade, enfim, elementos que já estiverem presentes em outros títulos e este tinha tudo para ser mais um, mas não é. O trunfo do filme está em suas entrelinhas, não exatamente sobre o que ele conta, mas sim, como ele conta. É um filme sobre uma geração, é sobre sentimentos, muitos longas já nos mostraram sobre o que é ser jovem, mas nunca de forma tão sincera como este, um dos únicos que realmente entende o que é ser jovem, de forma madura, crua, levando a sério até mesmo os conflitos mais pequenos da adolescência, trazendo a intensidade necessária para cada situação, nos envolvendo, nos encantando com cada cena, cada personagem, vivenciamos cada passagem, sentimos, rimos, nos emocionamos como se estivéssemos ali, como se Sam e Patrick também fossem nossos amigos, torcemos por eles, sofremos por eles. É interessante como o roteiro não caminha por caminhos fáceis, trazendo profundidade e complexidade aos personagens, é então que compreendemos que "The Perks of Being Wallflower" não é só mais um filme sobre adolescentes para adolescentes, é mais um dos méritos do longa de Chbosky, entender os jovens mas de forma universal, de maneira a conquistar também os mais adultos, aqueles que sentem falta dos tempos de colégio e como todas aquelas aventuras eram gostosas, como tudo era vivido com mais intensidade, os dramas, as amizades, e com um delicioso clima nostálgico, o autor e diretor nos trás, uma das obras mais adoráveis deste ano.

Chbosky pode não ser um grande diretor, mas ainda assim realiza cenas marcantes. O que dizer do trio ouvindo "Heroes" de David Bowie no carro? Ou a dança no baile do colégio? Enfim, cenas que ficarão na memória de tão belas, divertidas ou simplesmente bem feitas. Chega a ser um exagero de tantas coisas boas que vemos, diálogos que inspiram e trazem grandes reflexões, personagens bem escritos e muito bem desenvolvidos. E como disse anteriormente, elementos saudosistas que nos levam de volta ao início da década de 90, fazendo de tudo isso ainda mais gostoso de se ver. A trilha sonora faz sua parte, assinada por Michael Brook, o mesmo que encantou o público em "Na Natureza Selvagem", encanta mais uma vez, uma seleção de excelentes músicas que farão muita gente cantar junto, com clássicos como Bowie, New Order, The Smiths e Sonic Youth, entre outros.

"As Vantagens de Ser Invisível", através de sua narrativa extremamente sensível, comove pelos detalhes. Charlie é um personagem muito interessante, enigmático, por muitas vezes, onde somente no final entendemos o que de tão trágico aconteceu em seu passado que interferiu em toda sua personalidade, e surge não como forma de justificar suas atitudes, mas para ilustrar o quão atormentado era aquele garoto. Sam e Patrick também possuem lá seus dramas e tudo é muito bem cuidado pelo bom roteiro, principalmente Patrick enfrentando os conflitos por ser homossexual, e é com ele que a trama alcança bons momentos dramáticos, onde nada é tratado de forma superficial. "Aceitamos o amor que acreditamos merecer", é através desta frase que muito dos conflitos são guiados. Patrick que enfrenta a dor de não ser aceito até mesmo por aquele a quem ama, a irmã de Charlie que aceita ser violentada pelo namorado, Sam que namora os piores caras por nunca acreditar em seu próprio potencial, sem nunca se dar conta do quanto é especial e por fim, Charlie, que encara a solidão da vida por acreditar que seja digno de nada, não é bom o bastante para aqueles que ama.

Logan Lerman, que é mais conhecido por protagonizar "Percy Jackson", ganha enfim, um papel digno de seu talento, emociona com seu Charlie e trás verdade a cada um de seus dramas. Ezra Miller que já havia surpreendido em "Precisamos Falar Sobre o Kevin" no começo deste ano, consegue fugir completamente de seu perturbado personagem e trás uma atuação, ainda assim muito forte, mas revela ainda um carisma não conhecido, e se mostra um ator, apesar de muito jovem, muito competente. Emma Watson prova que seu talento vai muito além de Hermione, é uma promissora atriz, ela brilha em cena, encanta com cada sorriso, cada fala, emociona com sua sensibilidade e faz deste filme um evento ainda mais marcante. Ainda temos bons coadjuvantes como Mae Whitman e Paul Rudd.

Tem todos os elementos para um dia se tornar "cult", e desde já, o vejo como um clássico. Pois pouquíssimos filmes conseguiram ir tão a fundo na mente e nos sentimentos dos adolescentes e todo este universo dramático, divertido, inconsequente, controverso. Que respeita aqueles que vivem e que vivenciaram esta época, não banalizando seus problemas, seus dilemas. Um filme sensível e muito honesto em sua proposta, que ganha proporção ainda maior quando três grandes atores se jogam de forma intensa e convincente, repleto de boas intenções e de momentos que ecoarão na memória, como lembranças de um momento, que mesmo vindo da ficção, parece, agora, fazer parte de nossas vidas. "As Vantagens de Ser Invisível" nos faz sentir infinitos, ou pelo menos, nos dá aquela sensação de voltar no tempo e fazer com que tudo dure para sempre.

NOTA: 9




sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cinema: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II


11 anos. Me lembro quando, aos meus 10 anos de idade, fui ao cinema ver "Harry Potter e a Pedra Filosofal", não fazia idéia do que aquilo significava ou muito menos o que aquilo significaria para a história do cinema. Não conhecia o livro e ia mesmo para ver os efeitos especiais, a partir de então, ver Harry Potter nos cinemas virou quase que um ritual, vi exatamente todos na tela grande, sou um daqueles que cresceu junto com Harry e seus amigos e hoje vejo que valeu muito a pena, me dedicar a esta obra que somente quando tive mais idade para discernir o que é ou não é de qualidade é que consegui enxergar que a franquia não só era uma das mais longas de todos os tempos, como também fora uma das melhores, um filme que definitivamente entrou para a história, uma saga que respeitou tanto a obra original, quanto seus fãs, uma obra que resgatou o que houve de melhor na fantasia e na aventura, uma saga que há anos não se via igual, que recolheu fãs de todas as idades e que os prendeu até seu fim, um fim, digamos, épico, um fim antológico que deixa sua marca. Dizer adeus a uma franquia nunca foi tão difícil.

por Fernando Labanca


Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part II, 2011)

Para começar, foi o primeiro "Harry Potter" que vejo já tendo lido o livro antes, logo que este semestre me dediquei, além dos estudos da faculdade, em ler do primeiro ao último livro de JK Rowling e só posso dizer que é uma obra fantástica, superior a todos os filmes feitos. Também não pude deixar de analisar o fato de Chris Columbus, o diretor responsável pelos dois primeiros, ter feito um excelente trabalho, conseguiu transpor para a tela o universo de JK, sem sua criatividade e o excelente trabalho de sua equipe, esta franquia não alcançaria seu sucesso com tanto primor. Passando pelos corredores de Hogwarts, a construção dos conflitos e o desenvolvimento das personagens, tudo foi perfeitamente planejado e por isso, apesar de nunca ter alcançado o nível da narração de JK, pode-se dizer, todos, foram grandiosas adaptações.

Alfonso Cuarón com seu "Prisioneiro de Azkaban" e Mike Newell com "O Cálice de Fogo" atingiram um dos pontos mais altos da franquia, onde a aventura ganhou mais força. Logo depois David Yates foi o responsável pelos próximos, e foi ele quem deu um tom mais dark para a saga, aliás, estética muito necessária, logo que a partir de "A Ordem da Fênix" a jornada do "Menino que Sobreviveu" realmente evolui, amadurece, o público de "A Pedra Filosofal" também havia crescido e acredito que este foi o maior mérito de "Harry Potter" nos cinemas, ter feito a franquia crescer junto com aqueles que assistiam, sem deixar de conquistar novos fãs. Mas foi em "Relíquias da Morte" que a saga chegou a seu auge, felizmente, tanto a primeira parte quanto a segunda foram adaptações riquíssimas além de terem sido filmes de grandiosa qualidade. Aliás, a divisão em dois longas foi uma escolha sábia, na primeira parte, há os conflitos entre as personagens principais, há mais texto, mais diálogo e mais explicação sobre o que aconteceria no futuro. Já na segunda, a ação ganha mais força, o filme encara de vez seu final, com mais aventura, mais batalhas, ou seja, tudo aquilo que não teve em nenhum outro filme e fecha com maestria, capaz de emocionar os menos aficionados.

Em "Relíquias da Morte- Parte II", vemos Harry (Daniel Radcliffe), Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint) partindo numa jornada sem volta, em busca das últimas horcruxes, ou seja, os últimos pedaços de alma que restavam de Lord Voldemort (Ralph Fiennes) que após encontrar a "Varinha das Varinhas" no túmulo de Dumbledore, passa a verificar suas horcruxes logo que percebe que Harry está atrás delas. Juntos, eles vão atrás da "Taça de Hafflepuff" que estava no cofre de Belatriz Lastrange (Helena Bonham Carter) no Banco de Gringotes, depois tentam chegar a Hogwarts, pois Potter sabia que Voldemort havia guardado alguma na escola, justamente a que faltava, o "Diadema de Ravenclaw". Para chegar em Hogwarts, os amigos contam com a ajuda do irmão de Dumbledore, Aberforth. Na escola, reencontram com todos os amigos, inclusive com Neville (Mathew Lewis) e Luna (Evanna Lynch) que junto com outros alunos aguardam o sinal de Potter para lutarem, o problema que Harry não tinha um plano muito bem planejado, mas ele não estava sozinho, estava junto de seus fiéis companheiros e até mesmo dos professores que se aliam para dar um fim em Lord.

Até que Voldemort chega em Hogwarts e dá seu ultimato, um duelo marcado com seu grande inimigo, Harry Potter, que por sua vez, percebe que este é seu fim e compreende toda sua jornada, os porquês de estar ali, a verdade sobre Dumbledore e principalmente, a verdade sobre Severo Snape, que guarda as lembranças que definiram toda sua vida.


Um belo final, e que final! É realmente muito bom criar expectativas sobre um filme e perceber ao seu término que ele não decepciona em nenhum ponto. Um filme que mereceu ser aguardado, ser esperado por 11 anos, um final não menos que muito marcante, uma batalha final tão aguardada quanto o término de Star Wars na década de 80 ou até mesmo "A Vingança dos Sith" em 2005 que fazia a ligação da trilogia recente com a antiga. Em outras palavras, fazia muito tempo em que o cinema e o público não celebrava um fim tão épico, que o público não se apegava a uma história e torcia para seu gran finale. É então que refletimos, quando sentiremos isso mais uma vez? Quando é que uma fantasia e a aventura chegará ao nível das produções de Harry Potter? Por isso, ver um final nunca foi tão difícil, termina aqui uma era.

Este é o melhor de todos, fato! O que é ótimo, pois é exatamente o que esperamos de uma saga, que o último seja o melhor. "As Relíquias da Morte-Parte II" não desaponta, tem tudo que um grande filme de aventura tem, mais do que isso, tem tudo que o final de uma franquia necessita para ser memorável. Os bons efeitos especiais se superam e criam ótimas cenas, destaque para a fuga dos jovens amigos de Gringotes com a ajuda de um dragão, excelente sequência, sem deixar de citar as incríveis batalhas que se seguem da metade para o final, finalmente elas existem em "Harry Potter" e em dose certa, capaz de empolgar e nos prender na trama. Batalhas, aliás, ignoradas no livro de JK Rowling, que termina a saga de forma morna, para minha felicidade, no filme, o final é mais digno, há mais emoção nas lutas e Voldemort se torna um vilão mais interessante nas mãos de David Yates.

Como adaptação, o filme é incrível, há sim muitas mudanças, mas nenhuma que comprometa o resultado final, muito pelo contrário, como já disse, há sequências superiores aos do livro. E por isso tem tudo para agradar os fãs e tem tudo para agradar aqueles que só acompanharam Harry nos cinemas, responde todas as perguntas e não deixa nenhuma ponta solta, é realmente o fim. Uma obra acima de tudo, que emociona, sim, emociona! Para quem curte muito a saga, se prepare para as lágrimas! Onde cada detalhe parece emocionar, pois temos a sensação de "esta é a última vez que veremos isto", cada personagem que aparece e são muitos, surgem na tela com um ar de adeus. Personagens, talvez tanto os livros quanto os filmes deram certo devido a eles, em grande parte, a obra não seria a mesma sem Hermione e Rony, não há como não amar esses dois. O que falar de Gina (Bonnie Wright) e todos os Weasley? Lupin (David Thewlis) e Tonks (Natalie Tena) ? E o retorno de Dumbledore e Sirius (Gary Oldman)? A força de personagens que surpreendem como Neville, Luna e a professora Minerva (Maggie Smith) e enfim, o que falar de Severo Snape (Alan Rickman)? Está nele a grande surpresa do filme em um dos momentos mais emocionantes de toda a saga.

Um filme que fala sobre amizade, é claro. Parece bobo e uma moral batida, mas lendo os livros e vendo o filme, percebemos o quanto isto é diferente e muito mais intenso aqui. Nos afeiçoamos a eles, conhecemos eles perfeitamente bem, aliás foram 8 filmes! É realmente bonito ver Harry Potter se entregar e ver que ele era o alvo, ao mesmo tempo em que ele se depara com todos lhe ajudando, colocando suas vidas em risco, perceber que ele definitivamente não estava sozinho! É interessante ver Neville crescendo como pessoa e perder sua baixa-estima quando todos passam a apostar em seu potencial, ou quando Aberforth compreende que nem tudo está perdido e que vale a pena lutar quando se tem esperança de um mundo melhor. É bonito ver Potter e sua preocupação não só em lutar, mas se preocupando que no final de tudo pudesse encontrar seus amigos para contar como foi, eles eram seu apoio, seu suporte, sua maior fonte de inspiração para querer entrar nesta batalha. E este amor que existe entre as pessoas, nas relações do dia-a-dia vale muitos sacrifícios e como Dumbledore diz em certo momento: "Não tenha piedade dos mortos, tenha piedade dos vivos, principalmente aqueles que vivem sem amor".

Os atores também estão incríveis, o trio principal cresceu a cada filme e neste marca um grande momento de cada um, ainda que na primeira parte tiveram uma chance melhor de provar algum talento. Entre os coadjuvantes vemos atores britânicos de alto nível, como Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes e Maggie Smith, simplesmente fantásticos. Destaque também para Alan Rickman que nos emociona mostrando finalmente sua fragilidade como Snape. Além das participações de Gary Oldman, Jason Isaacs, Jim Broadbent, Emma Thompson, John Hurt, Michael Gambon como Dumbledore e Robie Coltrane como nosso querido Hagrid.

Este foi o fim! É triste até pensar nisso. Quando o filme acaba o que se sente além de uma grande emoção, é um vazio. Vazio de uma história que não mais retorna, é como um triste adeus a um amigo querido. Vale a espera, um filme muito bem feito, fiel a obra de JK Rowling, com bons efeitos especiais, figurinos, fotografia e a bela trilha sonora de Alexandre Desplat, além das atuações convincentes. "Harry Potter" com este último capítulo entra para a história do cinema, como uma das mais longas franquias já feita, onde toda a equipe e os atores se comprometeram a seguir até o fim e este é seu outro grande mérito, foram fiéis e respeitaram o público, coisa rara quando se fala de blockbusters e este é um dos melhores já feito. A aventura perde este ano uma grande obra, uma grande idéia. Um filme que marcou não só a história, mas como toda uma geração! Uma obra que será lembrada daqui muitos e muitos anos.

NOTA: 10






[Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1]
[Crítica: Harry Potter e o Enígma do Príncipe]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1, 2010)

Baseado na obra de J.K Rolling, dividido em duas partes para os cinemas, sendo que a segunda lançará no meio de 2011. A "Parte 1" chega batendo alguns recordes como a segunda maior abertura no ano. Uma continuação interessante que vale muito a pena ser conferida.

por Fernando Labanca

Antes de mais nada, não li o livro, portanto minha resenha se refere nada a mais que o filme em si, como adaptação infelizmente não poderei opinar. O que posso dizer com toda a certeza é que o longa agradará sim mesmo aqueles que não leram os livros assim como eu, mas que por algum motivo admiram os trabalhos cinematográficos em cima das obras.

Na sétima parte, muita coisa muda, mas a maior diferença é a ausência das aulas de magia e as sequências nos corredores de Hogwarts, a ação agora é externa. Prestes a completar 17 anos, Harry (Daniel Radcliffe), assim como todos os bruxos recebem a notícia de que o Ministério da Magia caiu, o que significa que uma guerra está prestes a começar. Assim, como ele, Hermione (Emma Watson) abandona sua família e juntamente com a Ordem da Fênix, bolam um plano para a segurança de Harry Potter. Eles os enviam para a "Toca", a casa dos Weasley. Entretanto, nesta fuga são atacados pelos Comensais da Morte, onde Edwiges e Olho-Tonto morrem.

Na toca, recebem a visita do Ministro da Magia (Bill Nighy), que entrega para Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione objetos que ele havia deixado para eles como testamento: para Rony, um apagador que absorvia toda luz presente assim como lhe mostrava a luz quando ela estava ausente, para Hermione, "Os Contos de Beedle, o Bardo", um livro e para Harry, o pomo de ouro que havia capturado em seu primeiro jogo de quadribol. Algumas horas depois, ocorrem alguns ataques no local, e para a segurança de todos, Harry se "teletransporta" para as ruas de Londres junto com seus fiéis amigos. Assim como foi guiado por Dumbledore a destruir a seis horcrux, pois só assim conseguiria destruir Valdemort, logo que são "pedaços"de sua alma, Harry traça sua missão, encontrá-las. Duas já haviam sido destruidas, pelo próprio Harry (em A Camera Secreta) e por Dumbledore (no Enígma do Príncipe) e quando começam a seguir algumas pistas descobrem a localização de mais uma, e para isso correm os maiores riscos e são perseguidos constantemente pelos Comensais.

Para se manterem seguros, começam a acampar em vários lugares, e com o passar do tempo, percebem que os objetos deixados por Dumbledore tinham um significado muito a maior e que por algumas razões, passam a guiá-los para o caminho certo, enquanto isso, surgem alguns conflitos entre eles onde a amizade é colocada a prova, como a desconfiança de Rony em Harry, por não aprovar sua forte união com Hermione e pelo fato deles correrem risco de vida por ele, sendo que o próprio não tem planos para o futuro e nem sabe ao certo como conquistar as coisas deseja.


Acima de tudo, uma ótima sequência. É difícil imaginar um filme que consegue chegar até a sétima parte e com o nível que Harry Potter chegou. Graças a base sólida deixada por Chris Columbus e todo o ambiente criado por ele e sua equipe, e para sequência de bons diretores que passou pelas mãos do projeto, difícil escolher qual o melhor de todos. Mas não há dúvidas de que David Yates (A Órdem da Fenix, O Enígma do Príncipe e As Relíquias da Morte) fez mais do que um excelente trabalho e contribuiu e muito para a saga do bruxo se tornasse um projeto grandioso.

"As Relíquias da Morte" iniciou muito bem esta parte final, deixou várias pontas soltas, mas ao mesmo tempo, houve uma divisão bem feita, onde houve conflitos suficientes para preencher o filme todo, não se tornando uma simples parte do final, mas sim, um filme completo da saga Harry Potter. Em falar em conflitos, devido a eles, o trio principal cresce e se tornam bem mais interessantes, o melhor desempenho dos atores em todos os filme. O fato de ser apenas uma parte do final e ter a duração de um filme normal, teve suas vantagens, o roteiro teve espaço para aproveitar melhor todas as situações, desde a profundidade dos personagens até um melhor desenvolvimento da trama, permitindo que a história ocorrece sem pressa, ao mesmo tempo, sem derrapar e sem cansar o público. E segundo aqueles que leram, foi um dos filmes mais fiéis a obra.

Trilha sonora do experiente Alexandre Desplat, faz um trabalho notável e bastante interessante, a fotografia é mais uma vez muito bela, assim como todas as locações e os efeitos visuais. Um visual deslumbrante, cheio de belas imagens e incríveis sequências, vale citar que o estilo que o diretor opitou é ainda mais dark. David Yates construiu um filme belíssimo, e mostrou uma outra concepção do que conhecemos por blockbusters, assim como as últimas sequências da saga. Um filme que não perde tempo com explosões e muitos efeitos visuais, mas se prende ao roteiro, numa boa elaboração das tramas, respeitando todos os públicos, aqueles que começaram a gostar da obra recentemente, até aqueles que cresceram vendo os filmes e que amadureceram, e hoje esperam um filme mais cabeça, e Harry Potter cresceu também, e tem condições de oferecer aqueles que assistem, conteúdo.

O foco desta parte é trio principal. Esqueça Hagrid (Robbie Coltrane), Severo Snape (Alan Rickman), Lucio (Jason Isaacs) e Draco Malfoy (Tom Felton), Bellatrix (Helena Bonham Carter, ótima), Gina (Bonnie Wright) e o vilão Valdemort (Ralph Fiennes, mais uma vez, irreconhecível). Estão presentes, mas aparecem bem pouco, quase como participações especiais. As novidades ficam com Rhys Ifans, como pai de Luna, e fundamental para a trama, e a participação do sempre ótimo Bill Nighy, e o retorno do simpático Dobby, o elfo doméstico. Um filme incrível, uma das melhores sequências da saga, para quem curte Harry Potter, dificilmente se decepcionará com esta parte. Recomendo.

domingo, 26 de julho de 2009

Crítica: Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009)


Harry Potter retorna, junto com seus amigos, ao sexto ano em Hogwarts, e no cinema, a saga chega a reta final, sem perder o estilo construído há 8 anos atrás.

por Fernando

Harry Potter (Daniel Radcliffe) cresce e passa a se comportar de maneira diferente, aceitando seu destino, como o eleito, como aquele que pode derrotar o temido Voldemort. O mundo já não é mais o mesmo, o medo está tomando conta não só no mundo dos bruxos, mas também no mundo dos humanos, os Comensais da Morte estão a solta, destruindo e botando terror em tudo o que veem pela frente. E para isso, Dumbledore toma uma grande decisão, trazer o antido professor de poções mágicas, Horácio Slughorn (Jim Broadbent) de volta para Hogwarts.

Dumbledore (Michael Gambon) procura Harry Potter e pede para que ele se aproxime do experiente professor, pois só ele pode descobrir o modo como destruir Voldemort. Dumbledore mostra a Harry uma sala que contém todas as mais importantes memórias de Tom Ridle, mas há somente uma, a mais crucial de todas em que foi perdida, uma lembrança que pertence somente a Slughorn, onde há a grande revelação, de como Voldemort se tornou imortal. Para isso, Harry Potter, juntamente com Hermione (Emma Watson) e Ronny Weasley (Rupert Grint), passa a participar das novas aulas de poções mágicas de Slughorn, e nessas aulas, Potter acaba encontrando um livro de magias, igual ao que todos ganharam, com um diferencial, há "colas", rasuras, explicações fáceis sobre tudo e é assinado por Príncipe Mestiço, Harry fica fascinado pela descoberta e passa a se destacar facilmente nas aulas do professor.

Enquanto isso, Draco Malfoy segue cada vez mais para o lado negro das forças, enquanto Harry é o eleito, Malfoy segue seu destino de Comensal da Morte. Ele passa a ter alguns problemas familiares e tem a ajuda de Bellatrix (Helena Bonham Carter) que vai atrás de Severo Snape (Alan Rickman) para fazer um pacto com a mãe de Malfoy, Narcisa (Helen McCrory), de que ele ajudaria acima de qualquer dificuldade o jovem, que livraria ele de qualquer mal, e se por ventura, Malfoy fizesse o mal, Snape tomaria a responsabilidade e o faria ele mesmo.


Mas nem tudo é terror, em Hogwarts, enquanto os jovens tentam desvendar os mistérios que o cercam, seus hormônios estão a flor da pele, Ronny entra para o quadribol, chamando a atenção da mulherada, chateando Hermione, que se surpreende por ele nunca enxergar quem realmente ama ele, de verdade. Enquanto isso, Harry tenta de qualquer forma esconder seus sentimentos por Gina Weasley (Bonnie Wright) que cresce e passa a paquerar os garotos de Hogwarts, deixando Harry com ciúmes. Ele, por sua vez, tenta se concentrar em Slughorn, mas impedir de que todos saibam o que ele realmente sente por Gina fica cada vez mais difícil.

Aventuras, emoção, romance. Tem de tudo no novo filme de David Yates, que como diretor, faz um trabalho exemplar. Harry Potter, pode se dizer, que foi o filme mais aguardado do ano, logo que reuniu legiões de fans em todo o mundo, graças ao sucesso dos livros, mas também graças ao grande trabalho cinematográfico que foi feito em cima das histórias de J.K Rowling.

Yates, constrói um belo filme, com espertas movimentações de câmeras, e um ritmo interessante, lento, mas interessante. Os efeitos especiais são excelentes, muito bem trabalhados, mas infelizmente, pouco explorados. As cenas de ação e aventura são poucas, não empolgando o quanto era esperado, a maioria das cenas são mais lentas, deixando o filme com a sensação de longo demais, pois acontecem poucas coisas no longo tempo de projeção. E quando surge uma grande cena, alcançando o auge da emoção e adrenalina, a próxima surge, lenta e cansativa, destruindo o que fora feito na cena anterior, fazendo com que não haja um clímax, um grande momento.


O Enigma do Príncipe é um bom filme, tem ótimos efeitos especiais, fotografia belíssima, cenários encantadores, trilha sonora empolgante, tudo muito bem dirigido nas mãos de Yates, é de dar gosto estar sentado na sala de cinema a apreciar tudo o que há de belo exposto no filme. O sexto episódio, em algumas passagens, chega a ser um dos melhores da saga, é sem sombra de dúvida, o mais engraçado, o mais divertido e claro, o mais romântico, dando bastante espaço para as personagens em si, e não tanto para as magias e efeitos visuais. Por outro lado, falha como todos os anteriores, é bem melhor que A Ordem da Fênix, mas repete seu mesmo erro, não deixa de ser um filme de passagem, uma passagem para o final, uma ponte entre o que já foi feito e o desfecho. Harry Potter foi uma saga belíssima, mas já estamos no sexto filme, e se pararmos para pensar, pouca coisa ocorreu, os filmes costumam ser longos mas com poucas ações, poucas histórias. E O Enigma do Príncipe não foge disso, é ótimo, mas falta muita coisa. O filme acaba, e sentimos satisfeitos, mas não deslumbrados, pois sentimos que faltou algo, e faltou mais o que contar. Como sempre, o filme nos enrola a projeção inteira, para colocar as grandes emoções para o final, e decepcionam, pois mostram batalhas sem graças, sem ação, sem clímax. E nesse caso, nem há batalha, há alguns efeitos (ótimos), mas passam rápido e nem nos empolgamos. Talvez esse último se difere, por não deixar as grandes emoções somente para o final, durante a projeção, há algumas perseguições, no entanto, logo no ínicio já vimos grandes destruições, e ainda há algumas histórias interessantes, mas nada tão inovador, nada do que deveria ser, deveria ter sido algo muito, muito maior, já estamos no sexto filme, não queremos mais aulas de poções mágicas e conversas sobre o passado, queremos ver ação e um roteiro incrível, digno de sexto filme da saga de maior sucesso dos últimos anos.

Os atores estão melhores, o trio principal cresceu, fisicamente, mas também na questão de atuação, até Daniel Radcliffe conseguiu divertir nesse filme. Mas o grande destaque fica por Jim Broadbent, que surge no papel de Horácio Slughorn, excelente, muito divertido, engraçado, carismático, e rouba todas as cenas em que está presente, perfeito. O resto dos atores, como sempre ótimos, Alan Rickman como o severo, Severo Snape, e Helena Bonham Carter, que infelizmente, pouco mostrada no filme, mas dá a Bellatrix uma loucura interessante, se encaixa perfeitamente nesse mundo gótico de Harry Potter. Outro que cresce, é Tom Felton, o Draco Malfoy, sua personagem cresce na trama, assim como a ator em si. Bonnie Wright tem bem mais destaque como Gina, mas ela é completamente inexpressiva, faltando emoção nas cenas românticas, aliás, que deveriam ter sido românticas, ao lado de Radcliffe. Outra personagem, é a original Luna, interpretada por Evanna Lynch, mais uma vez dando o carisma e estranheza necessária para a jovem bruxa.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem seus defeitos e muitos, não sei avaliar como adaptação, mas como filme, é belo e divertido. Tem inúmeras qualidades, mas poderia ter sido muito melhor, logo que repetiu os erros dos filmes anteriores, mostrando que a projeção nunca evolui, construindo uma saga linear. Porém, numa época onde o cinema prefere colocar efeitos especiais de cegar os olhos se esquecendo de colocar boas histórias, Harry Potter ganha mais um ponto por preferir estender sua duração para colocar conteúdo, do que encher a tela de efeitos desnecessários para arrecadar mais dinheiro e conseguir mais fans.

NOTA: 8

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