domingo, 26 de julho de 2009

Crítica: Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009)


Harry Potter retorna, junto com seus amigos, ao sexto ano em Hogwarts, e no cinema, a saga chega a reta final, sem perder o estilo construído há 8 anos atrás.

por Fernando

Harry Potter (Daniel Radcliffe) cresce e passa a se comportar de maneira diferente, aceitando seu destino, como o eleito, como aquele que pode derrotar o temido Voldemort. O mundo já não é mais o mesmo, o medo está tomando conta não só no mundo dos bruxos, mas também no mundo dos humanos, os Comensais da Morte estão a solta, destruindo e botando terror em tudo o que veem pela frente. E para isso, Dumbledore toma uma grande decisão, trazer o antido professor de poções mágicas, Horácio Slughorn (Jim Broadbent) de volta para Hogwarts.

Dumbledore (Michael Gambon) procura Harry Potter e pede para que ele se aproxime do experiente professor, pois só ele pode descobrir o modo como destruir Voldemort. Dumbledore mostra a Harry uma sala que contém todas as mais importantes memórias de Tom Ridle, mas há somente uma, a mais crucial de todas em que foi perdida, uma lembrança que pertence somente a Slughorn, onde há a grande revelação, de como Voldemort se tornou imortal. Para isso, Harry Potter, juntamente com Hermione (Emma Watson) e Ronny Weasley (Rupert Grint), passa a participar das novas aulas de poções mágicas de Slughorn, e nessas aulas, Potter acaba encontrando um livro de magias, igual ao que todos ganharam, com um diferencial, há "colas", rasuras, explicações fáceis sobre tudo e é assinado por Príncipe Mestiço, Harry fica fascinado pela descoberta e passa a se destacar facilmente nas aulas do professor.

Enquanto isso, Draco Malfoy segue cada vez mais para o lado negro das forças, enquanto Harry é o eleito, Malfoy segue seu destino de Comensal da Morte. Ele passa a ter alguns problemas familiares e tem a ajuda de Bellatrix (Helena Bonham Carter) que vai atrás de Severo Snape (Alan Rickman) para fazer um pacto com a mãe de Malfoy, Narcisa (Helen McCrory), de que ele ajudaria acima de qualquer dificuldade o jovem, que livraria ele de qualquer mal, e se por ventura, Malfoy fizesse o mal, Snape tomaria a responsabilidade e o faria ele mesmo.


Mas nem tudo é terror, em Hogwarts, enquanto os jovens tentam desvendar os mistérios que o cercam, seus hormônios estão a flor da pele, Ronny entra para o quadribol, chamando a atenção da mulherada, chateando Hermione, que se surpreende por ele nunca enxergar quem realmente ama ele, de verdade. Enquanto isso, Harry tenta de qualquer forma esconder seus sentimentos por Gina Weasley (Bonnie Wright) que cresce e passa a paquerar os garotos de Hogwarts, deixando Harry com ciúmes. Ele, por sua vez, tenta se concentrar em Slughorn, mas impedir de que todos saibam o que ele realmente sente por Gina fica cada vez mais difícil.

Aventuras, emoção, romance. Tem de tudo no novo filme de David Yates, que como diretor, faz um trabalho exemplar. Harry Potter, pode se dizer, que foi o filme mais aguardado do ano, logo que reuniu legiões de fans em todo o mundo, graças ao sucesso dos livros, mas também graças ao grande trabalho cinematográfico que foi feito em cima das histórias de J.K Rowling.

Yates, constrói um belo filme, com espertas movimentações de câmeras, e um ritmo interessante, lento, mas interessante. Os efeitos especiais são excelentes, muito bem trabalhados, mas infelizmente, pouco explorados. As cenas de ação e aventura são poucas, não empolgando o quanto era esperado, a maioria das cenas são mais lentas, deixando o filme com a sensação de longo demais, pois acontecem poucas coisas no longo tempo de projeção. E quando surge uma grande cena, alcançando o auge da emoção e adrenalina, a próxima surge, lenta e cansativa, destruindo o que fora feito na cena anterior, fazendo com que não haja um clímax, um grande momento.


O Enigma do Príncipe é um bom filme, tem ótimos efeitos especiais, fotografia belíssima, cenários encantadores, trilha sonora empolgante, tudo muito bem dirigido nas mãos de Yates, é de dar gosto estar sentado na sala de cinema a apreciar tudo o que há de belo exposto no filme. O sexto episódio, em algumas passagens, chega a ser um dos melhores da saga, é sem sombra de dúvida, o mais engraçado, o mais divertido e claro, o mais romântico, dando bastante espaço para as personagens em si, e não tanto para as magias e efeitos visuais. Por outro lado, falha como todos os anteriores, é bem melhor que A Ordem da Fênix, mas repete seu mesmo erro, não deixa de ser um filme de passagem, uma passagem para o final, uma ponte entre o que já foi feito e o desfecho. Harry Potter foi uma saga belíssima, mas já estamos no sexto filme, e se pararmos para pensar, pouca coisa ocorreu, os filmes costumam ser longos mas com poucas ações, poucas histórias. E O Enigma do Príncipe não foge disso, é ótimo, mas falta muita coisa. O filme acaba, e sentimos satisfeitos, mas não deslumbrados, pois sentimos que faltou algo, e faltou mais o que contar. Como sempre, o filme nos enrola a projeção inteira, para colocar as grandes emoções para o final, e decepcionam, pois mostram batalhas sem graças, sem ação, sem clímax. E nesse caso, nem há batalha, há alguns efeitos (ótimos), mas passam rápido e nem nos empolgamos. Talvez esse último se difere, por não deixar as grandes emoções somente para o final, durante a projeção, há algumas perseguições, no entanto, logo no ínicio já vimos grandes destruições, e ainda há algumas histórias interessantes, mas nada tão inovador, nada do que deveria ser, deveria ter sido algo muito, muito maior, já estamos no sexto filme, não queremos mais aulas de poções mágicas e conversas sobre o passado, queremos ver ação e um roteiro incrível, digno de sexto filme da saga de maior sucesso dos últimos anos.

Os atores estão melhores, o trio principal cresceu, fisicamente, mas também na questão de atuação, até Daniel Radcliffe conseguiu divertir nesse filme. Mas o grande destaque fica por Jim Broadbent, que surge no papel de Horácio Slughorn, excelente, muito divertido, engraçado, carismático, e rouba todas as cenas em que está presente, perfeito. O resto dos atores, como sempre ótimos, Alan Rickman como o severo, Severo Snape, e Helena Bonham Carter, que infelizmente, pouco mostrada no filme, mas dá a Bellatrix uma loucura interessante, se encaixa perfeitamente nesse mundo gótico de Harry Potter. Outro que cresce, é Tom Felton, o Draco Malfoy, sua personagem cresce na trama, assim como a ator em si. Bonnie Wright tem bem mais destaque como Gina, mas ela é completamente inexpressiva, faltando emoção nas cenas românticas, aliás, que deveriam ter sido românticas, ao lado de Radcliffe. Outra personagem, é a original Luna, interpretada por Evanna Lynch, mais uma vez dando o carisma e estranheza necessária para a jovem bruxa.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem seus defeitos e muitos, não sei avaliar como adaptação, mas como filme, é belo e divertido. Tem inúmeras qualidades, mas poderia ter sido muito melhor, logo que repetiu os erros dos filmes anteriores, mostrando que a projeção nunca evolui, construindo uma saga linear. Porém, numa época onde o cinema prefere colocar efeitos especiais de cegar os olhos se esquecendo de colocar boas histórias, Harry Potter ganha mais um ponto por preferir estender sua duração para colocar conteúdo, do que encher a tela de efeitos desnecessários para arrecadar mais dinheiro e conseguir mais fans.

NOTA: 8

3 comentários:

  1. Bom, Férnand adorei sua resenha ...Vc tah ficando cada vez melhor,hein... Toda essa linguagem técnica e talz...

    GOSTEI DE VER ! ...

    Mas discordo, acho q o filme não é lento , nem parece longo demais...

    Acontece que este filme é o começo de uma sequência de coisas q vão acontecer nos outros 2 q virão. Por isso tem a necessidade de ser mais explicativo e menos agitado.

    Bjão!

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  2. Por não ser fã de Harry Potter, eu discordo de ti quando falas que foi ou é o filme mais esperado do ano. Para falar a verdade, assisti até o anterior da Ordem da Fenix e não lembro de muita coisa que se passa nos enredos. Enfim, a crítica ficou boa, continue assim! Se alguma hora tiver vontade, irei assistir aqueles que restam para poder ver esses dois últimos que são tão aguardados ansiosamente...

    Fernando K. do Cine Interativo

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  3. Pois eh...espero q os dois últimos sejam bem mais dinâmicos, com mais história e mais ação. O Enigma do Principe ficou mto bem feito, melhor q alguns anteriores, mas ainda tem seus erros, e espero q sejam reparados nos capítulos finais, para fechar com chave d ouro!! Mas apesar dos defeitos, vale a pena!!

    Pode até ser q naum, mas eu achei meio lento sim. Apesar d ser mais divertido q os outros, e mais interessante, em determinadas passagens, ele não cansa, na verdade, mas qm for mais fraco, dá pra dar umas cochiladas!!

    Valeu galera pelo apoio...continuem comentando!!

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