quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

As 17 melhores cenas de 2018


Continuando a retrospectiva aqui no blog, faço um post agora para relembrar as melhores cenas que tivemos em 2018 nos cinemas. Seja por uma boa direção, uma atuação ou um diálogo marcante, todo ano somos presenteados com momentos brilhantes que merecem destaque.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Os 30 melhores pôsteres de 2018


Dando largada à retrospectiva 2018, vou começar a fazer uma série de postagens com o que teve de melhor neste ano. Começando com os pôsteres, reuni as 30 artes que mais me chamaram a atenção, pensando nas obras lançadas no Brasil nesses últimos doze meses.  Seja pelas cores, tipografia ou imagens utilizadas, destaco cartazes que além de um bom apelo estético, conseguiram transmitir todo o conceito do filme. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Crítica: O Ódio Que Você Semeia

Nada vai te preparar para o que esse filme tem a mostrar.

por Fernando Labanca

"O Ódio Que Você Semeia" não é somente baseado em um livro de Angie Thomas, é baseado nas vidas de muitas pessoas, em muitas histórias e relatos reais. E essa é a parte que nos quebra, por ouvir seus discursos e saber que tudo aquilo aconteceu com alguém e que ainda acontece nos dias atuais. Inclusive, a autora teve inspiração para sua ideia justamente por sentir a necessidade de expor esses cruéis eventos onde negros são assassinados nos Estados Unidos e que, numa sucessão de protestos, movimentos como o Black Lives Matter foram criados. Agora, com a cuidadosa direção de George Tillman Jr., ele cria na tela  alguns instantes de catarse, nos lembrando com honestidade o mundo sem lógica em que vivemos. Esse filme é poderoso porque ele dá voz ao que antes era apenas silêncio. É milagroso porque faz isso em alto e bom som. 


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

13 Ótimos filmes dirigidos por mulheres em 2018


O cinema ainda é uma arte dominada por homens. Nomes consagrados, premiados e admirados...sempre são os homens que nos vem à mente. No entanto, há muitas mulheres por trás das câmeras, aliás, muitas delas nem fazemos ideia. Pensando nisso, faço esta lista para nos lembrar que existem mulheres talentosas realizando obras incríveis e que precisamos celebrar a existência delas!

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Crítica: Em Chamas

Sobre mulheres e celeiros.

por Fernando Labanca

Representante da Coréia do Sul no Oscar 2019 e vencedor do prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes, "Em Chamas" entrega uma experiência cinematográfica rara, que deixará marcas em você um bom tempo depois de acabar. Confesso que por várias vezes me via perdido, sem entender a intenção da obra e isso acontece porque o roteiro segue uma linha de raciocínio distante do convencional. São pontas abertas e diálogos soltos que impregnam em nossa mente e nos deixam ali, extasiados por cada instante e curiosos sobre o sentido de tudo aquilo. Esse mistério que o envolve é o que o torna tão fascinante, porque não é óbvio e porque nos leva para lugares que nunca visitamos antes.

O filme reserva um longo tempo apenas para conhecermos seus personagens e o cenário em que vivem. Temos como protagonista Lee Jong-soo (Ah-In Yoo), um garoto introspectivo que, certo dia, enquanto caminhava na rua, reencontra Shin Haemi (Jong-seo Jeon), uma antiga amiga que morava na mesma região e que não evita em demonstrar interesse nele. Após um rápido envolvimento, ela viaja para África, o deixando solitário à espera de seu retorno. No entanto, quando Haemi volta, trás ao seu lado um novo amigo: Ben (Steven Yeun), um jovem misterioso que conheceu fora do país. A partir deste momento, os três se tornam inseparáveis, mesmo que Lee duvide do caráter do estranho novo amigo, ainda mais quando ele revela um hobby bem peculiar e cruel.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Globo de Ouro 2019: Surpresas, expectativas e esnobados


Nesta quinta-feira (06/12) foram divulgados os indicados ao Globo de Ouro 2019. A premiação, que acontecerá dia 6 de janeiro, terá uma dupla de apresentadores bem improvável mas que me agrada bastante: Andy Samberg e Sandra Oh. 

Considerado como a grande largada nas premiações de cinema, temos aqui uma lista não muito empolgante, talvez uma das mais fracas dos últimos anos. O filme mais indicado - 6 ao todo - é "Vice", protagonizado por Christian Bale e que marca o retorno de Adam McKay (A Grande Aposta) na direção. Sucessos de bilheteria como "Bohemian Rhapsody", "Pantera Negra" e "Nasce Uma Estrela" também foram lembrados nas principais categorias. "Infiltrado na Klan", que é uma ótima produção, foi categorizado como drama e isso deve enfraquecer suas chances (logo que é uma comédia).

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Crítica: Infiltrado na Klan

Retorno do renomado diretor Spike Lee, que levou o Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes, "Infiltrado na Klan" vem disfarçado de comédia de época para denunciar as atrocidades de nosso presente. O filme é, curiosamente, baseado em fatos reais e brinca com a caricatura para deixar evidente o quão absurda a realidade é. Usando do humor a seu favor, temos aqui um relato atual, impactante e necessário.

por Fernando Labanca

Acompanhamos a jornada de Ron Stallworth (John David Washington), o primeiro homem negro a integrar a policia de Colorado Springs. A procura de uma missão mais relevante ali dentro, decide entrar em contato com a Ku Klux Klan, usando da sua boa lábia para se infiltrar na poderosa organização. No entanto, para isso ser realmente possível, ele conta com a ajuda de seu parceiro de trabalho, Flip Zimmerman (Adam Driver), para assumir sua identidade nas reuniões presenciais.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

17 atores para se prestar mais atenção



A cada ano novos astros surgem na tela, seja no cinema ou na televisão. Por isso, sempre gosto de fazer essa lista para destacar nomes que estão surgindo em Hollywood e que prometem muito sucesso. São as estrelas em ascensão e que devemos prestar mais atenção. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Crítica: Bohemian Rhapsody

A ascensão de um ícone (e nenhuma verdade por trás disso)

por Fernando Labanca

"Bohemian Rhapsody" é, sem surpresa alguma, um dos lançamentos mais aguardados desse ano. Um filme sobre Freddie Mercury e o sucesso do Queen é um evento que, de fato, precisávamos. O longa se assume como essa carta de amor ao fãs e principalmente a este mito que, com seu jeito irreverente, entrou para a história da música. É emocionante estar na sala de cinema e ouvir, por um som potente, os refrões de tantos clássicos como We Will Rock You, Love of My Life, Radio Ga Ga, entre tantos sucessos da banda. Para os admiradores do Queen, a obra é um presente dos mais agradáveis, no entanto, para aqueles que esperam encontrar a história por trás dos ícones, a decepção pode ser grande. 

O filme narra a rápida ascensão do Queen e como os integrantes tiveram que lidar com os excessos do vocalista. Se trata de um recorte bem tradicional, que jamais foge dos clichês que o cinema definiu quando fala de astros da música. A busca por sucesso, as divergências com produtores e a arrogância que leva ao isolamento. O roteiro, assinado por Anthony McCarten, que já foi responsável por outras biografias como "A Teoria de Tudo" e "O Destino de Uma Nação", segue passo a passo a cartilha hollywoodiana e jamais entrega a história que o Queen, definitivamente, merecia. É apressado quando não deveria e tão didático quanto uma pesquisa no Google. São informações que já sabíamos pinceladas por um texto preguiçoso, que aborda a homossexualidade, a AIDS e a "vida tumultuada" da banda de forma superficial. É difícil adentrar na jornada dos músicos justamente porque nada transmite verdade.


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Crítica: O Primeiro Homem

A versão intimista de Damien Chazelle sobre um momento histórico. 

por Fernando Labanca

Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na lua e é este o evento que o cineasta Damien Chazelle (Whiplash, La La Land) resgata para contar em sua nova obra. Vemos o homem por trás de um dos capítulos mais importantes da humanidade, a relação que possui com sua família e as perdas que precisou enfrentar até colocar seu nome na história. Passou a ser visto como herói norte-americano, mas ele mesmo nunca se viu assim. O filme propõe, então, sua visão sobre os fatos de forma singela e bem realista, sem a necessidade de romantizar o ato, mas sem menosprezar seus esforços. 

Pela primeira vez distante do tema musical, Damien entrega seu produto menos explosivo e também, o seu menos pessoal. Ainda que seja incrivelmente bem executado, falta a emoção que existia em seus trabalhos anteriores. Se trata de um filme apático, que nos coloca para dentro da cena, mas é quase impossível se ver envolvido com os dramas que relata. É cru, seco e por isso é difícil se importar até mesmo quando seus personagens morrem. O filme não procura emoções baratas e nem uma comoção gratuita, o que é bom porque foge a todos instantes de possíveis clichês do gênero, no entanto, essa falta de empatia causada por essa sua frieza nos distancia da obra, nos torna meros expectadores. A presença de Ryan Gosling não ajuda. Sempre fazendo o tipo introspectivo, o ator some juntamente com suas expressões. Dessa forma, é sua parceira quem realmente brilha. Claire Foy, que chamou a atenção na série "The Crown", explora o pouco tempo que tem e entrega uma atuação potente. Ela devora o texto e se torna a única coisa com vida dentro do filme. 


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Crítica: Nasce Uma Estrela

Grande demais para o pouco que tem. 

por Fernando Labanca

Este é o terceiro remake de "Nasce Uma Estrela". A história da moça simples que cantava em um bar e acaba conhecendo o sucesso volta aos cinemas agora com Lady Gaga na pele da protagonista. Apesar da trama simples, os norte-americanos parecem ter um certo fascínio por ela. Digamos, porém, que não estamos falando de uma adaptação qualquer. Se trata de uma produção grande, bem realizada e que surpreende por ser apenas o primeiro trabalho de Bradley Cooper como diretor, que aqui também atua. Ainda que as canções apresentadas tenham força, é um musical de atuações, que aposta seu sucesso na presença de Cooper e Gaga. De fato, é um espetáculo que precisa ser visto na tela grande e apesar de ser um evento não tão digno de sua espera, encanta como um bom entretenimento que é. 

Lady Gaga é Ally, uma garçonete que conseguiu espaço para cantar as noites em um bar. Sua voz potente acaba chamando atenção do cantor Jackson Maine (Bradley Cooper), um astro do rock. Os dois se apaixonam e enquanto a relação entre eles vai crescendo, o sucesso dos dois acaba indo em direções opostas. Ele passa a ser uma espécie de mentor dela que logo encontra os holofotes e a fama repentina. Por outro lado, os problemas de Jackson com bebidas o faz perder cada vez mais o controle de sua carreira, que já não consegue mais seguir os mesmos passos daquela que tanto ama. 


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Crítica: Você Nunca Esteve Realmente Aqui

O irretocável e vazio cinema de Lynne Ramsay.

Havia uma grande expectativa quanto a este novo filme de Lynne Ramsay, que não lançava nada desde o extraordinário "Precisamos Falar Sobre o Kevin", de 2011. Exibido na mostra de competição no Festival de Cannes em 2017, onde saiu vencedor dos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator, a obra é baseada no livro de Jonathan Ames e narra a história de Joe (Joaquin Phoenix), veterano de guerra, que vive sua vida resgatando garotas que são presas e trabalham como escravas sexuais em bordéis. A tensão aumenta quando uma de suas missões falha e ele passa a ser alvo de uma brutal conspiração. 

Existe aqui um cinema de extrema qualidade. Ramsay constrói, cena por cena, instantes de puro sadismo. Seu produto é pesado, violento, mas seguimos contemplando cada recurso que se utiliza. Sua arte é milimetricamente calculada e dessa forma, entrega um filme rigorosamente bem realizado. A montagem se destaca, assim como a potente trilha sonora composta por Jonny Greenwood. Existe uma violência gráfica aqui e a diretora expõe sem muita censura. É interessante essa atmosfera que ela consegue criar, logo nos remetendo ao classico Táxi Driver e essa solidão do homem que dirige pelas ruas violentas da cidade. Joaquin Phoenix parece um monstro em cena, atordoado pelo passado que não temos acesso e rumo um caminho que não vê sentido, mas segue como única solução. É uma atuação mais contida, sem muito o que explorar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Crítica: Buscando...

O falso registro de nossa existência.

por Fernando Labanca

Buscando é uma grande surpresa. Apesar de já chegar no Brasil com inúmeras críticas positivas, é muito bom poder confirmar sua qualidade no cinema. Dirigido pelo novato Aneesh Chaganty, a obra é bastante ousada em sua proposta e consegue manter a atenção do público utilizando recursos inovadores, mas que nas mãos de profissionais errados poderia ter resultado em um grande desastre. No filme, tudo é apresentado por telas de celulares, computadores, televisão e quando seus personagens entram na ação, os vemos por câmeras de segurança ou por uma transmissão de FaceTime. Conhecemos seus personagens e suas tramas através de vídeos, arquivos e todo tipo de registro salvos, inclusive nas redes sociais. 

Ainda que tal formato já tenha alcançado o cinema em 2015 com "Amizade Desfeita" e em um dos episódios mais brilhantes da série "Modern Family", não deixa de ser novidade e de surpreender pelas soluções que encontra. A todo instante somos lançados a uma nova alternativa, a uma nova forma de transitar pela trama. A técnica é incrível sim, mas é seu roteiro que torna a obra tão fantástica. O plot nada mais é sobre um pai, David (John Cho), que perdeu sua esposa devido uma grave doença e foi aos poucos se distanciando de sua única filha, Margot, por nunca saber como lidar com essa repentina ausência. O mistério começa quando ela desaparece e nasce a possibilidade não só de um sequestro mas de uma fuga. Para entender o que realmente aconteceu, David precisa descobrir se realmente conhece aquela que viu crescer.


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Crítica: Domando o Destino

Quando a ficção encontra a realidade. 

por Fernando Labanca

"The Rider" é um projeto curioso. Tão curioso a ponto de me fazer ler várias coisas a seu respeito assim que acabou. Simplesmente me deixou intrigado como tudo aquilo aconteceu e como esse filme, que passou despercebido aqui no Brasil, se tornou possível. Aconteceu que a diretora Chloé Zhao, que já conhecia o jovem Brady Jandreau, decidiu fazer um filme sobre o que acabara de acontecer com ele na vida real. Ele, que é realmente um domador de cavalos, sofreu um acidente e estava impossibilitado de exercer seu trabalho. Pronto. Ela escreveu um roteiro romantizando um pouco a situação, o colocou para interpretar, basicamente, ele mesmo e sua família verdadeira para atuar ao seu lado. Tudo isso acaba que sendo uma experiência bastante inusitada e nos deixa reflexivos sobre até que ponto é realidade e até quando é a ficção que comanda a cena.

O filme, que narra acontecimentos reais, nos leva para o interior dos Estados Unidos onde vive o jovem Brady Blackburn, um cowboy que acabou de sofrer um gravíssimo corte na cabeça. Quando se vê obrigado a se afastar de seu trabalho, um vazio toma conta de sua existência, que não encontra mais sentido em sua rotina distante da arena. Enquanto isso, ele precisa cuidar de sua irmã mais nova, além de visitar com frequência seu melhor amigo, que ficou tetraplégico após um acidente de rodeio. 


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Crítica: As Aventuras de Brigsby Bear

A imaginação e tudo aquilo que nos difere. 

por Fernando Labanca

"Brigsby Bear" chegou este ano sem alarde algum. Quase ninguém descobriu, mas é daquelas obras que merecem ser achadas. Produzido pelo comediante Andy Samberg (da série Brooklyn Nine-Nine), que aqui faz uma ponta, o filme vem com uma trama um tanto quanto perturbadora e bizarra. Apesar de ser, inesperadamente, assustador, o longa encanta pela forma sensível com que desenvolve sua trama, encontrando humor quando não se espera, conseguindo ser doce quando poderia ser simplesmente trágico e melancólico. 

O filme já nos apresenta uma reviravolta em seus primeiros instantes, quando o protagonista descobre que sua vida inteira foi uma grande mentira. James (Kyle Mooney) é um homem excêntrico que passa suas horas trancado dentro de seu quarto, assistindo sua série de TV favorita, o Brigsby Bear. Além de colecionar itens e desenvolver longas teorias sobre a trama, aquele urso acaba por lhe ensinar todo seu caráter. Eis que tudo muda quando policiais invadem sua casa e James descobre que tinha sido vítima de um sequestro, onde estava sendo refém de dois estranhos que passou a vida toda acreditando serem seus pais. Do lado de fora, ele reencontra com seus pais biológicos e passa a descobrir o mundo que lhe foi escondido todos esses anos.


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

17 Filmes que precisamos ver até o fim do ano



Eu não entendi bem o que aconteceu com esse ano mas ele tá acabando! Sim...já estamos em setembro e daqui a pouco é Natal. Vendo esses poucos meses que nos restam, pensei em reunir em um post os filmes que devemos ver até lá e que por alguma razão, seja uma divulgação pesada ou por ser de um diretor ou ter um determinado elenco, merecem uma chance. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Crítica: Dente Canino

A assustadora mente humana.

por Fernando Labanca

Vencedor do prêmio de Melhor Filme na Mostra "Um Certo Olhar" no Festival de Cannes de 2009 e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, "Dente Canino" marca o primeiro grande passo do cineasta grego Yorgos Lanthimos, que posteriormente realizou "O Lagosta" e "O Sacrifício do Cervo Sagrado". Há uma linguagem muito similar entre suas obras, algo excêntrico que as une e, como consequência, o torna neste diretor singular, único, com forte assinatura. Seus temas são complexos e geram, dentro de suas estranhezas, muitas reflexão, além daquele já conhecido nó no cérebro. 

O filme não nos oferece muitas respostas e ao seu decorrer, vamos tentando juntas suas partes para chegar a alguma conclusão, que nunca é muito clara. Vemos um pai que isola seus três filhos dentro de casa e não os permite sair, criando, desde que nasceram, a ilusão de que o universo existe apenas dentro daquele muro. É assustador ver esta realidade distorcida que é oferecido a esses jovens e como eles aceitam tudo como verdade. A omissão do mundo os torna em seres completamente despreparados e dependentes das histórias contadas pelos pais. As sequências são naturalmente perturbadoras, e mesmo que Yorgos saiba inserir humor de forma inteligente e inesperada, é impossível não sentir um constante soco na alma e uma vontade desesperadora de ver os personagens livres de tudo o que nos apresenta. 


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Crítica: Benzinho

A breve história de todos nós.

por Fernando Labanca

"Benzinho" nasceu forte. Sua carreira internacional o levou para o concorrido Festival de Sundance e chega ao Brasil com essa alta expectativa, já vencendo, inclusive, importantes prêmios no recente Festival de Gramado. O diretor Gustavo Pizzi é novato, mas a obra se sustenta pela qualidade do elenco que traz nomes de peso como Karine Teles, Adriana Esteves e Otávio Müller. Estamos falando de um filme simpático, agradável de se ver e tem potencial para conquistar grande parte do público. O maior acerto aqui é o retrato que faz sobre a família brasileira, que alcança nossa memória afetiva e nos faz enxergar ali na tela muitas de nossas histórias.

O drama vivido pela protagonista convence porque ele vem carregado de muito do que já vivemos, do que já vimos de perto. Há uma identificação fácil nessas pequenas relações familiares que o roteiro constrói de maneira tão sensível e tão honesta, sempre muito distante de qualquer caricatura. Irene (Karine Teles) é a mãe que batalha diariamente para manter sua família unida, trabalhando fora e sempre forte para aguentar qualquer problema que precise enfrentar. Seu emocional é abalado quando recebe a notícia de que seu filho mais velho foi convidado a jogar handebol na Alemanha. Acompanhamos, então, os últimos dias do jovem dentro de casa e como Irene vai sentindo a dor da partida daquele que acreditou que estaria eternamente ao seu lado, abraçado por sua proteção. Emociona a jornada dessa mãe, que jamais nega o sonho do filho mesmo quando isso implique na indesejada separação. 


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Crítica: Permissão

Quando o eterno é tempo demais. 

por Fernando Labanca

Eu estou em uma fase que ando procurando filmes maduros sobre relacionamentos modernos. "Permission" pode até não ser muito marcante, nem mesmo uma grande obra, mas, com certeza, vem para debater alguns assuntos relevantes e só por isso merece uma chance. Tem coisas interessantes a dizer e diz com sinceridade. Questiona sobre como saber se aquela pessoa com a qual nos relacionamos é "a" pessoa, aquela que deveríamos viver a eternidade ao lado. E ao duvidar disso acaba por trazer uma verdade desconfortável: a de que, talvez, a vida seja curta demais para se viver uma única história de amor. 

"Permission" se inicia quando um casal de longa data está prestes a dar o próximo passo, o casamento. Anna (Rebecca Hall) nunca namorou ninguém além de Will (Dan Stevens) e isso passa a atormentá-la, pois ele nunca soube o que é a vida além deles. É então que ela surge com uma inesperada proposta: o liberta a transar com outra mulher por uma noite. O trato se expande e Anna passa a ter o passe livre também. A partir dessa traição consentida, ambos começam a questionar sobre a vida que construíram juntos e se ficar com uma única pessoa é o que realmente querem dali para frente. 


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Crítica: Sem Fôlego

O visual é de tirar o fôlego sim, mas a história nem tanto.

por Fernando Labanca

"Wonderstruck", no original, significa maravilhado. Um título pretensioso que logo remetemos a sua aventura cheia de elementos deslumbrantes, feitos para encantar os olhos. Baseado no livro homônimo de Brian Selznick, que aqui também assina o roteiro, a obra muito nos lembra outra adaptação do autor, "A Invenção de Hugo Cabret". Com cenários lúdicos, maquinários retrô e seu tom de fábula infantil, nitidamente estamos falando do mesmo criador. E da mesma forma que Scorsese aproveitou para homenagear o início do cinema em 2011, Todd Haynes (Longe do Paraíso, Carol), que dirige este, acaba entregando um produto nostálgico e, também, uma bela homenagem ao cinema antigo, mudo e preto e branco, que se torna ainda mais encantador por colocar a atriz Millicent Simmonds, que é surda na vida real, para protagonizar esses instantes. Estamos falando de um diretor extremamente caprichoso, que enriquece cada pequeno detalhe e nos transporta no tempo. De fato, parece que estamos vendo um filme de anos atrás.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Crítica: Por Trás dos Seus Olhos

Tudo o que os olhos dizem.

por Fernando Labanca

"Por Trás dos Seus Olhos" é um filme ousado. Preciso começar dizendo isso. O diretor Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca, Guerra Mundial Z) não procura caminhos muito fáceis aqui e o filme ganha ao ilustrar tão bem as sensações de se viver na pele da protagonista. Ele vem de uma carreira irregular, transitando entre gêneros e produções de tamanhos diversos. Mas uma coisa é incontestável sobre Forster: ele sempre está a procura de uma inovação visual para dizer algo. Geralmente ele erra, mas essa sua inquietação como realizador não deixa de ser admirável. 

É uma obra sensorial, que busca, através de imagens, expor o desconforto e a fragilidade de estar na pele de Gina, interpretada por Blake Lively. A personagem passou grande parte da vida sendo cega e é brilhante os instantes que o filme ilustra sua rotina. Através de ruídos, cenários abstratos e uma excelente montagem, conseguimos sentir o que ela sente e é perturbador e claustrofóbico. A trama segue quando surge uma cirurgia em seu olho e a chance de uma nova vida é anunciada.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Crítica: Ilha dos Cachorros

Wes Anderson usa da simetria no mundo dos cachorros para falar do desequilíbrio no mundo dos homens. 

Por Fernando Labanca

Vencedor do prêmio de Melhor Direção no último Festival de Berlim, "Ilha dos Cachorros" marca o retorno de um dos realizadores mais cultuados do cinema independente, Wes Anderson. Cores pastéis, movimentação rápida de câmera, closes em expressões, personagens deslocados e histórias de famílias rompidas. E claro, a semetria das composições estão lá, também, assim como o cinema irretocável e quase que artesanal de Anderson, que construiu ao longo desses anos, uma assinatura inigualável. Entretanto, acredito que ele nunca tenha sido tão atual como foi dessa vez. Sua obra que fala sobre questões sociopolíticas, aborda temas como xenofobia e intolerância, demonstrando uma maturidade em sua escrita e entregando um produto relevante nos tempos de hoje. 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Crítica: Adeus Christopher Robin

A história que encantou milhares de crianças, mas destruiu a vida de uma.

por Fernando Labanca

Lançado em 1926, "Ursinho Pooh" - originalmente conhecido como "Winnie the Pooh" - foi um marco na literatura. Ganhou série animada e fez parte de toda uma geração. "Adeus Christopher Robin" vem para nos revelar o lado que não conhecíamos sobre as verdadeiras inspirações que levaram o autor, Alan Milne, a escrevê-lo. Dirigido por Simon Curtis, responsável por "Sete Dias Com Marilyn" (2011), o filme é bastante delicado e traz muito sentimento em cada passo que avança. É aquele produto que vai nos convencendo aos poucos, que vai nos conquistando ao seu decorrer e ao seu fim, estamos completamente afeiçoados a seu universo e tudo o que de mais belo tem a contar. Pena que não chegou aos cinemas aqui no Brasil. É bem produzido e merecia mais reconhecimento.

A obra se inicia quando o autor Alan Milne (Domhnall Gleeson) retorna para sua casa em Londres, depois de ter vivenciado a Primeira Guerra Mundial. Traumatizado, ele demonstra bastante dificuldade em se conectar com sua realidade e um interesse em contar ao mundo sobre os caóticos eventos que presenciou. Para que ele conseguisse escrever um novo livro, vai morar em uma casa isolada no campo, ao lado de sua esposa, Daphne (Margot Robbie), e o pequeno filho, Christopher Robin (Will Tilston). É neste tempo que ele começa a prestar atenção à criança que teve, encontrando nele a grande inspiração para sua nova criação. O livro que começa a nascer a partir dali passa a ser o grande elo com seu filho, que até então encontrava na babá Olive (Kelly Macdonald), a única relação afetuosa dentro daquela imensa casa.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Crítica: Jogador Nº1

O futuro nostálgico de Steven Spielberg.

por Fernando Labanca

Apesar de ter visto o painel de divulgação da Warner na última Comic Con e admirar o trabalho do diretor, essa sua empreitada de adaptar o livro "O Jogador Nº1" de Ernest Cline nunca me empolgou muito. No entanto, enquanto assistia ao filme não consegui pensar em alguém melhor para comandar a obra que Spielberg, que deposita aqui toda sua paixão pelo universo nerd e pelo cinema. Diria até que é emocionante ver o cara que nos trouxe clássicos como "ET", "Indiana Jones" e "Jurassic Park", voltar ao gênero que o consolidou. Talvez poucos cineastas tenham a competência que ele tem para comandar um projeto como este, uma aventura grandiosa, feita para a família ver e que diverte tanto quanto esses seus blockbusters um dia divertiram.

Com roteiro assinado pelo próprio Ernest Cline -  uma possível justificativa pela ótima qualidade do texto - somos levados para o ano de 2045, quando a humanidade deixou quase por completo de viver a realidade e se deixou tomar pelo vício que é viver dentro do OASIS, um jogo de realidade virtual que permite que seus jogadores tenham a vida que desejam ter, com a face que desejam ter, explorando seus inúmeros universos. Até que o excêntrico criador do jogo (Mark Rylance) morre, deixando três chaves escondidas, que são encontradas por aqueles que desvendarem seus misteriosos easter eggs. A pessoa que encontrá-las será dona de sua inestimável fortuna. Wade Watts (Tye Sheridan) é um jovem que está decidido a conquistar o tal prêmio, no entanto, assim que se torna o jogador número 1, descobrindo o local da primeira pista, ele passa a ser alvo de uma grande Corporação que fará de tudo para ter direito às ações do OASIS.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Filmes vistos em junho



Mais um mês voou e não percebi! Apesar de ter passado rápido, consegui ver alguns filmes nessas últimas semanas e posto aqui todos eles, como forma de indicação para quem está sem ideias do que ver. E você? O que de bom assistiu em junho?

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Crítica: Hereditário

O demônio fez um filme e o resultado é esse. 

por Fernando Labanca

"Hereditário" se une a nova safra de filmes de terror que se deu início nos últimos anos. Mas vai além. Definitivamente, é o mais marcante de todos eles. Segue a mesma linha de "A Bruxa" (2016) e além de alcançar o mesmo alvoroço da crítica especializada, também pode decepcionar uma boa parte do público, que poderá tanto odiá-lo quanto amá-lo. Não se trata de uma obra fácil, de resoluções óbvias e caminhos previsíveis. O diretor estreante Ari Aster é corajoso o suficiente para criar algo surpreendentemente novo, que vai contra os clichês do gênero e entrega um produto grandioso, que tem potencial para ser um clássico cult e de servir de referência para o que vier posteriormente. 

A trama se inicia com a morte da matriarca de uma família. Misteriosa em vida, ela deixa para trás sua filha Annie Graham (Toni Collette), seu genro (Gabriel Byrne) e seus dois netos, Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro). Esta família, por sua vez, tenta seguir em frente, no entanto, eles são atingidos por um novo evento trágico, que os desestabiliza de vez. No ápice de seu descontrole emocional, Annie acaba conhecendo uma mulher (Ann Dowd) que lhe ensina como entrar em contato com os mortos, fazendo com que forças sobrenaturais tomem conta de sua casa. Tomados pelo mal, eles descobrem que a herança que receberam é um destino pavoroso e sem saída.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Crítica: Coherence

Um experimento cinematográfico como nunca se viu antes. Simples no formato, grandioso em suas ideias. 

por Fernando Labanca

Sempre gostei deste modo de contar uma história. Reunir um grupo de pessoas em um único local e permitir que a trama vá sendo construída dentro daquele pequeno limite. É assim que nasceu o ousado projeto de James Ward Byrkit (que, curiosamente, trabalha como ilustrador de storyboards, participando de obras como "Rango" e "Baby Driver"), que definiu apenas os personagens e espaço, alguns caminhos que deveriam percorrer e sugestões de como agir em cada situação. Sem um roteiro estabelecido e uma equipe de produção enxuta, ele gravou o filme em sua própria casa durante cinco noites. Se trata de uma enorme ruptura do cinema tradicional e é brilhante quando pensamos em todas as limitações que tinha e ainda assim conseguiu entregar um produto tão refinado, complexo e inteligente. Sua câmera nos hipnotiza e ficamos ali, vidrados por cada solução que encontra.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Filmes vistos em maio


Todo mês separo um tempinho para ver alguns filmes, então faço esse post para citar aqueles que consegui ver em maio. Aproveito para dar aquela dica, caso estejam com dúvida do que ver. Deixem nos comentários algo que tenham visto, também, neste mês e valha a pena compartilhar!


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Crítica: Tully

O reencontro entre Jason Reitman e Diablo Cody, que vieram dessa vez falar sobre depressão pós-parto, é tão bom que nem sabíamos que precisávamos. 

por Fernando Labanca

Tudo começou com "Juno", aquela dramédia que chegou ao Oscar em 2008. Primeiro roteiro escrito por Diablo Cody que chamou a atenção do público e crítica. Alguns acharam que era sorte de iniciante. "Tully" vem justamente para mostrar, dez anos depois, que não, Cody sabe o que faz e continua a fazer com maestria. Sua parceria com o diretor Jason Reitman também sempre funcionou ao longo desses anos, onde marcam aqui, a terceira colaboração (a segunda foi com o ótimo "Jovens Adultos", também protagonizado por Charlize Theron). Quase como uma trilogia não anunciada, de cinco em cinco anos eles retornam para falar sobre um tema em comum: as dificuldades da mulher em diferentes fases da vida. E há algo de muito encantador no cinema que eles fazem juntos. Uma pureza e uma sensibilidade que não vemos com tanta frequência na tela grande.


quinta-feira, 24 de maio de 2018

17 filmes realistas sobre relacionamentos



Confesso que sempre gostei de ver filmes de romance. Até mesmo as comédias românticas...nunca neguei. No entanto, não são todos os títulos que representam muito bem a realidade e quando isso acontece a experiência acaba sendo ainda melhor. Pensando nisso, pensei em fazer esta lista com 17 obras que me marcaram justamente por trazerem uma visão mais honesta sobre relacionamentos, por evitar firulas e um romantismo desnecessário. Filmes que falaram a verdade, por mais dolorosa que seja. Filmes que conseguimos olhar para tela e nos ver ali, representados. 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Crítica: Ingrid Vai Para o Oeste

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por Fernando Labanca

"Ingrid Goes West" é uma comédia dark, que de tão trágica não conseguimos rir. Nos faz questionar se deveríamos ver humor em tudo o que nos revela. Ao seu fim, me senti diante de tudo o que não esperava...atingido por um drama denso, reflexivo e tão humano quanto perturbador. Se trata de uma trama que nos afeta justamente por ser tão próxima de nós, por falar sobre algo que vemos todos os dias. E que, apesar de seus exageros e bizarrices, é sim sobre todos nós, sobre as mentiras que dizemos a nós mesmos. Sobre a pessoa que inventamos e tentamos vender nas redes sociais. É um retrato triste sobre a modernidade e as consequências de se viver cercado que tudo que não é mais real. 

Aubrey Plaza interpreta Ingrid, uma jovem viciada em aplicativos. Passa suas horas curtindo fotos, vendo vídeos e interagindo com pessoas que desconhece. Dona de uma grande herança deixada por sua mãe, que faleceu recentemente, decide investir seu dinheiro em uma viagem para Los Angeles, lugar que reside Taylor Sloane (Elizabeth Olsen), uma nova influencer digital. Apaixonada pelo estilo de vida cool e descolado de sua musa, Ingrid coloca em prática um bizarro plano de aproximação, tentando aos poucos fazer parte daquela rotina, se tornando aquilo que ela tanto admira e que só era real nas fotos que curtia. 


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