terça-feira, 23 de abril de 2019

Crítica: Culpa


O som que uma história tem.

por Fernando Labanca

Lançado ano passado aqui no Brasil, "Culpa" é um filme dinamarquês premiado no último Festival de Sundance, importante evento que celebra o cinema independente. É aquele produto simples, pequeno mas que nos leva à lugares inimagináveis. Um belo exercício cinematográfico, que mesmo filmado em um único espaço, consegue entregar um thriller potente, envolvente, hipnotizante e com surpreendentes reviravoltas. 

É sempre interessante quando o cinema nos apresenta este tipo de ideia. Um conceito sempre arriscado mas fascinante se bem realizado. Um personagem de destaque, um cenário fechado e nada além disso. Aqui temos o policial Asger (Jakob Cedergren), que aparentemente está sofrendo um processo judicial e trabalha como atendente no setor de emergência. O plot principal se dá início quando ele recebe a ligação de Iben, uma mulher desesperada que está sendo vítima de um sequestro. Com pouquíssimas informações sobre o caso, Asger precisa correr contra o tempo para que uma tragédia maior não aconteça. 

A experiência de ver "Culpa" é tão intrigante e mágica como a que temos ao ler um livro. O roteiro, tão rico e brilhantemente bem escrito, nos permite viajar em suas ideias, construindo em nossa mente tudo aquilo que o filme não nos revela. Tudo acontece através de ligações e o som que cada evento emite é aquilo que ativa nossa imaginação. Sequestro, fuga, dramas familiares. Um mundo inteiro dentro daquela chamada e é fantástico como o filme não decai nunca, sempre nos mantendo atentos aos acontecimentos e sempre nos levando para uma nova direção. As reviravoltas são ótimas e muito bem conduzidas pelo texto. E claro, destaque para o ator Jakob Cedergren, que é nosso ouvido e nosso olhar diante de tudo. É um ator carismático e que nos leva junto em sua jornada. Trata-se, aliás, de um grande personagem, cheio de dúvidas e dilemas morais que precisa enfrentar dentro daquele tempo e espaço limitado. 

"Culpa" surpreende por alcançar proporções enormes mesmo dependente de pouquíssimos recursos. Tudo é trabalhado através de sugestões. Uma história tensa que cresce sem a necessidade de mostrar seus reais protagonistas. A única imagem que temos é a do herói, que diferente das perseguições hollywoodianas, ele está incapaz de encarar as ruas e resolver por suas próprias mãos. Sua voz é sua única arma. É incrível, neste sentido, como a direção precisa buscar na montagem, som e fotografia os artifícios necessário para nos manter atentos. E consegue. Temos aqui, no fim, um thriller fascinante, incrivelmente bem conduzido, revigorante e um exercício de linguagem prazeroso. É brilhante. É o cinema independente em sua melhor forma.

NOTA: 9




País de origem: Dinamarca
Título original: Den skyldige
Ano: 2018
Duração: 85 minutos
Distribuidor: California Filmes
Diretor: Gustav Möller
Roteiro: Gustav Möller
Elenco: Jakob Cedergren

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Love, Death + Robots: Do pior ao melhor


"Love, Death + Robots" é uma série de animação antológica destinada ao público adulto e lançada pela Netflix recentemente. Criada por Tim Miller (Deadpool) e David Fincher (Clube da Luta, Se7en), o show nos apresenta 18 episódios que funcionam mais como curta-metragens, com histórias independentes e estéticas bem diferenciadas.

segunda-feira, 25 de março de 2019

VÍDEO: 10 filmes que completam 10 anos em 2019


Estamos ficando velhos! É sempre um susto quando nos damos conta de que aquele filme que "vimos ontem" já está completando 10 anos. 2019 esta aí e decidi reunir 10 títulos que comemoram uma década neste ano!


segunda-feira, 18 de março de 2019

VÍDEO: 7 filmes ruins que foram indicados ao Oscar


O Oscar é uma premiação conhecida por destacar produções relevantes do cinema, no entanto, isso nem sempre acontece. Houveram vezes em que deu ruim e filmes de gostos duvidosos foram parar entre os indicados. 

Pensando nisso, decidi fazer esse vídeo curto para nos lembrar dessas zebras que, por alguma razão, conquistaram a proeza de estar no Oscar! Se tiverem mais ideias de vídeos para fazer, deixem nos comentários pois é algo que pretendo me dedicar um pouco mais daqui para frente!



quarta-feira, 13 de março de 2019

Crítica: Se a Rua Beale Falasse



Retorno do diretor Barry Jenkins que, após vencer o Oscar por "Moonlight", volta para falar sobre a luta das minorias nos Estados Unidos. Baseado no livro de James Baldwin, temos aqui um duro relato sobre tantas injustiças raciais que permeiam até hoje.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Crítica: Querido Menino


"Querido Menino" marca o primeiro filme de língua inglesa do diretor Felix van Groeningen, q foi indicado ao Oscar, há seis anos atrás, por "Alabama Monroe". Apesar de se tratar de um belo projeto, sua obra acaba que se sustentando quase que por completo na atuação de Timothee Chalamet, que prova aqui, ser um dos atores mais talentosos de sua geração. Há muita entrega sua nesse papel e me surpreende não tê-lo visto no Oscar deste ano. 

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