quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Filmes vistos em novembro



Dando continuidade aquilo que comecei mês passado, faço agora uma seleção de tudo o que vi no mês. Seja no cinema, Netflix ou por outros meios, acabei descobrindo algumas obras interessantes e outras nem tanto, mas vale sempre como dica para quem não sabe o que assistir!



Doutor Estranho
(Doctor Strange / EUA / 2016)


Como já disse, recentemente, minha querida Lorelai Gilmore, os filmes da Marvel tem o incrível poder de serem esquecidos. Não gosto de generalizar, logo que o estúdio tem lá seus acertos, mas infelizmente, apesar dos tantos elogios e das notáveis qualidades, "Doutor Estranho" se enquadra no grupo dos facilmente esquecidos. Os efeitos especiais são ótimos, mas a trama não empolga e mais uma vez temos um vilão mal aproveitado. Um longa que se difere em muitos quesitos de outros do mesmo gênero, no entanto, não tem força e o roteiro erra ao nunca encontrar o tom certo para sua obra, sempre quebrando o clima com piadas desnecessárias.



O Homem da Máfia
(Killing Them Softly / EUA / 2012)

Tudo o que eu não imaginava que fosse, o longa marca o retorno do diretor Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford), que constrói uma obra inusitada, surpreendentemente cômica. Com situações absurdas e personagens desequilibrados, o filme soa quase como uma peça de Teatro, onde o bom roteiro aproveita para fazer duras críticas ao Governo norte americano. O texto é excelente e dá a chance para seus atores se destacarem. Brad Pitt e James Gandolfini incríveis, mas são os menos conhecidos Scoot McNairy e Ben Mendelsohn que realmente brilham aqui.



Lilo e Stitch
(Lilo & Stitch / EUA / 2002)

Nunca entendi o porquê não havia visto esse filme antes e resolvi dar uma chance, mesmo agora adulto. Talvez se assistido quando criança minha experiência teria sido melhor e o veria com o amor que todos o veem. Encontrei uma animação fraca, que empolga em poucos momentos, que gira em torno de uma trama de poucas novidades e resoluções fáceis. Nem mesmo os personagens, tão adorados pelo público, me agradaram. Resumindo, torci para acabar.



Snowden: Herói ou Traidor
(Snowden / Alemanha, EUA, França / 2016)


Não tinha altas expectativas pela visão de Oliver Stone sobre a polêmica e controversa trajetória de Edward Snowden, no entanto, acabei me surpreendendo. É um filme interessante, que acerta no roteiro e faz da jornada deste homem um evento a ser descoberto. Para aqueles que já viram o documentário "Citzenfour", não encontrará muitas novidades aqui, que ainda é uma obra muito mais relevante sobre o assunto. O grande problema é o próprio Oliver Stone, que tão desatualizado em seus próprios recursos e referências, faz um filme com cara antiga mesmo quando trabalha com um assunto tão atual. Parece sempre desconexo com suas intenções.



Noite de Verão em Barcelona
(Barcelona, nit d'estiu / Espanha / 2013)

Um filme espanhol, romântico, leve e divertido. Várias histórias de amor que acontecem em uma noite em Barcelona. Pelo belo trailer esperava bem mais. Todas suas tramas são bem clichês e extremamente previsíveis, o que acabam perdendo o brilho. Bonito, mas descartável.



Jane Eyre
(Jane Eyre / EUA, Reino Unido, Irlanda / 2011)

O filme revelou o talento de Mia Wasikowska como atriz, o de Cary Joji Fukunaga (Beasts of No Nation, True Detective) como diretor e firmou de vez à carreira de Michael Fassbender. Adaptação do livro escrito por Charlotte Brontë, a trama é interessante, assim como seus personagens, além da fotografia e figurinos que são destaques na produção. Uma obra bem feita, mas não há muitos elementos nela que a diferem de outros romances de época. 



Jason Bourne
(Jason Bourne / EUA / 2016)

No minimo, uma continuação bem desnecessária. Não há muitos novos argumentos aqui, mesmo que discutindo temas atuais dentro de uma sociedade insegura pós Snowden, o longa não se justifica. Teria sido melhor parar no Ultimato mesmo, mas estamos falando de Hollywood. Por outro lado, temos ainda um filme de ação eficiente, que se difere dos demais no gênero. É inteligente e muito bem guiado por um competente Paul Greengrass. A edição é fantástica, trazendo um excelente ritmo. Ganha também pela excelente presença de Alicia Vikander, que se coloca como a única grande soma na saga.



O Nascimento de uma Nação
(The Birth of a Nation / EUA / 2016)


É difícil separar a obra do autor e me vi preso neste dilema enquanto assistia e analisava "O Nascimento de Uma Nação". Despontado como um dos favoritos ao próximo Oscar no começo deste ano, o longa foi perdendo a força quando a vida pessoal de Nate Parker, ator, diretor e roteirista veio a mídia. Focando na obra em si, estamos falando de algo forte e de grande impacto. Peca um pouco no roteiro, mas ainda me deixou extasiado em seus instantes finais. É comovente, perturbador e de difícil digestão. Sinceramente, acho que merece uma chance sim.



Meu Amigo, o Dragão
(Pete's Dragon / EUA / 2016)

Aventura familiar da Disney pode até parecer descartável se visto de longe, mas há algo de especial aqui. Vindo do cinema independente, o diretor David Lowery encontra beleza em diversos instantes e mesmo agora trabalhando com um estúdio e com grande orçamento, não deixa de fazer um cinema mais puro, sensível e de extremo bom gosto visual. Os efeitos especiais são incríveis, mas é na trama que encontramos seu coração, que encanta ao falar da amizade entre um menino órfão e um Dragão. É tudo bem simples e sem muitas surpresas, mas vale a descoberta. Tem o poder de agradar os mais pequenos e os mais exigentes também.



Vidas em Jogo
(The Game / EUA / 1997)

O filme que faltava para ver da excelente filmografia de David Fincher. Perdido ali na Netflix, resolvi dar uma chance para este que é, talvez, o menos cultuado do diretor. Logo, acabei me surpreendendo bastante. A trama é absurda, intrigante e nos deixa hipnotizados por cada nova saída que sugere, construíndo um caminho imprevisível e de soluções inimagináveis. Fazia tempo em que não ria de nervoso com um final, onde me inclinei para perto da tela e fiquei ali, bobo, sem saber o que pensar. Falar que seu término é brilhante e genial parece pouco. Excelente!



A Luz Entre Oceanos
(The Light Between Oceans / EUA / 2016)


Um dos filmes mais emocionantes deste ano. Sem dúvidas. É daqueles  dramas intensos, densos e que não medem esforços para induzir o público as lágrimas. As fortes atuações de Michael Fassbender, Alicia Vikander e Rachel Weisz sustentam esta belíssima história, que ganha ainda mais pela incrível direção de Derek Cianfrance, que faz aqui seu filme mais convencional, mas ainda muito admirável. Seu grande pecado, porém, foi no exagero. É muito drama, sofrimento e dor para um único filme, cansando um alguns instantes. Sorte que souberam dosar nos minutos finais, que é quando encontra seu auge.



Sexo, Rock e Confusão
(Empire Records / EUA / 1995)

Clássico dos anos 90, descobri "Empire Records" fuçando a Netflix. Foi uma bela descoberta e me diverti bastante com a leveza e descontração da obra. Começo de carreira de atrizes como Liv Tyler e Renée Zellweger, o longa se destaca pela excelente trilha musical que embala o cotidiano de jovens que trabalham em uma loja de discos. É delicioso acompanhar a rotina de todos eles e nos dá aquela vontade de viver um pouco ali dentro.



Horizonte Profundo - Desastre no Golfo
(Deepwater Horizon / EUA / 2016)

Drama baseado em um trágico evento real e dirigido pelo competente Peter Berg (Hancock, O Grande Herói), acerta na primeira metade quando nos insere dentro de seu universo, mostrando com um realismo chocante a vida dos trabalhadores dentro de uma plataforma de perfuração marítima. Os detalhes daquela rotina, as conversas e a tensão existente naquele ambiente vulnerável é brilhante. Eis que vem o cinemão hollywoodiano na segunda parte e faz com que o filme perca seu brilho, entregando sequências confusas de destruição, explosões e barulhos. É interessante, emociona na medida certa, mas deixa a sensação de que poderia ter sido melhor caso o desastre em si fosse realizado com mais cuidado e no mesmo grau de realismo que havia mostrado até ali.



Filadélfia
(Philadelphia / EUA / 1993)

Outra pérola da Netflix, "Filadélfia" traz atuações impecáveis de Tom Hanks e Denzel Washington. A história é centrada dentro de um tribunal, onde um homem portador do vírus da AIDS entra na justiça quando acredita ter sido demitido de seu trabalho quando souberam de sua doença. É belo todos os discursos, que fala sobre preconceito e ainda soa tão atual, tão corajoso. O diretor Jonathan Demme coleciona alguns clássicos em sua carreira e este entra para o grupo dos melhores que ele já realizou. Aquele tipo de filme obrigatório, que tem muito o que dizer e nos toca de forma profunda.



Animais Fantásticos e Onde Habitam
(Fantastic Beasts and Where to Find Them / EUA, Reino Unido / 2016)


Apesar da empolgação dos fãs e dos muitos elogios, eu, como sendo um grande admirador do universo Harry Potter, saí bem decepcionado da sala de cinema. É interessante a forma como os novos personagens são introduzidos e as relações que são construídas ao decorrer da trama, além dos animais, que além de divertidos são visualmente muito belos. Entretanto, faltou história para preencher suas longas duas horas. É estranho, mas se alguém me perguntasse sobre o que era exatamente este filme no instante em que ele acabasse, não saberia responder. É vazio e tenho a sensação de que nada aconteceu. Elementos, universo e personagens foram apresentados, mas infelizmente nenhuma história foi contada para justificar todas suas criações.



E você? O que de melhor viu nesse mês de novembro?


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Crítica: Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!, 2015)

Denominado como sequência espirituosa de "Jovens, Loucos e Rebeldes" (1993), o filme, novamente escrito e dirigido por Richard Linklater, traz novos personagens mas a mesma sensação libertadora de seu grande clássico.

por Fernando Labanca

"Jovens, Loucos e Mais Rebeldes" é, de longe, a obra mais simples da carreira de Linklater, o que, de certa forma, é compreensível se pensarmos que seu último trabalho foi o complexo e grandioso "Boyhood". É quase como um momento de descanso, de regresso, de voltar às origens e a simplicidade de quando havia começado. Ao mesmo tempo em que isso é  aceitável, é estranho assistir ao filme e pensar que estamos falando do mesmo diretor que realizou obras tão incríveis como a Trilogia do Antes. Estamos falando de um cineasta que sempre soube encontrar a genialidade na sutileza, que revelou ao longo de sua carreira o poder que pode ser encontrado no cinema menor, mais genuíno. Tudo isso se perde aqui, onde entrega mais do que um produto pequeno, mas um produto sem relevância e sem a inteligência que o trouxe até aqui.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Crítica: O Programa (The Program, 2015)

Baseado em uma das maiores farsas da história do esporte, "The Program" nos revela que na vida é possível encontrar tramas tão absurdas quanto as da ficção.

Fernando Labanca

O ciclista Lance Armstrong foi protagonista de um polêmico capítulo do esporte. O longa, dirigido pelo veterano Stephen Frears, se baseia no livro "Sete Pecados Capitais" escrito pelo jornalista David Walsh, que durante anos se dedicou a compreender as mentiras por trás da gloriosa carreira do competidor. Armstrong, vitorioso por anos consecutivos da Tour de France, uma das maiores e mais prestigiadas competições de ciclistas, teve todos os seus prêmios invalidados em 2012, quando revelou na mídia aquilo que escondeu durante toda sua trajetória, que fez parte do mais sofisticado esquema de doping já visto na história. O filme acompanha todo o caminho percorrido pelo promissor esportista (interpretado por Ben Foster), que sobreviveu a um câncer e se revelou um herói, ajudando organizações em prol de vítimas da doença e superando sua fraqueza, se tornando um grande campeão.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica: Destino Especial (Midnight Special, 2016)

Se há aqueles que duvidam do potencial das ficções científicas atuais ou que o gênero perdeu a originalidade, "Midnight Special" vem para provar que ainda é possível reciclar ideias sem perder o frescor, sem subestimar o público. Trata se de uma obra sensorial, intrigante e que ao longo de seus belos minutos, conquista pela sensibilidade e pela comoção causada por sua trama.

Se em 2016 o grande achado da Cultura Nerd foi "Stranger Things", podemos dizer que "Destino Especial" não poderia ter vindo em melhor hora, logo que dialoga muito bem com os admiradores da série. Desde suas boas referências ao clima oitentista. Os projetos secretos do governo também estão lá e mais uma vez, um criança com habilidade sobrenatural é o centro de tudo. Uma das grandes diferenças, porém, está na condução do diretor Jeff Nichols, que foge da aventura familiar e constrói uma obra mais intimista, mais realista, flertando muito mais com a complexidade dos quadrinhos do que com as ficções de Spielberg. Aqui, ele também traz muitas características do cinema independente norte americano, remetendo aos seus ótimos trabalhos anteriores (Take Shelter, Mud), ainda que este seja seu primeiro filme financiado por um estúdio. Com baixo orçamento, o diretor faz aqui seu produto mais completo, onde a simplicidade de sua produção não o impediu de realizar algo grandioso, belo, tão intrigante quanto fascinante.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Crítica: Demônio de Neon (The Neon Demon, 2016)

O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn chamou a atenção dos críticos com "Drive" (2011), sua obra mais prestigiada, nascendo ali uma expectativa muito grande para seu próximo projeto. No entanto, com a recepção bastante negativa de "Apenas Deus Perdoa" (2013), seu segundo longa-metragem lançado em grandes Festivais, deixou de ser aquele profissional aclamado por todos, ainda que sua obra chamasse a atenção por sua belíssima estética, onde entrega uma forte assinatura. "Demônio de Neon" traz consigo este peso. Seria ele realmente um diretor promissor ou apenas um profissional perfeccionista preocupado em manter uma identidade forjada? Vaiado no último Festival de Cannes, NWR tornou-se quase que uma persona non grata após a exibição de seu filme, perdendo a confiança dos críticos. Cabe agora, esperar a reação do público, que sendo aprovado ou não, sempre haverá aquela curiosidade sobre seus próximos trabalhos.

por Fernando Labanca


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Crítica: A Garota no Trem (The Girl on the Train, 2016)

Desde seu lançamento nas bancas, o best seller "A Garota no Trem" ganhou comparações com o elogiado "Garota Exemplar". Digamos que ambas as tramas acontecem no mesmo ambiente e possuem o mesmo público. Mas ainda que seja um excelente livro, estamos falando de dois produtos distintos e essa diferença se torna ainda maior quando assistimos suas adaptações na tela grande.

por Fernando Labanca

"A Garota no Trem" é mais uma obra que encontra fascínio nesta espécie de thriller doméstico, onde os mistérios são trabalhados dentro dos limites das casas do subúrbio e tem seus simples moradores como protagonistas. É uma dinâmica interessante e torna suas tramas mais próximas do público. Aqui, temos uma única história guiada por três mulheres, três olhares distintos que vão se somando e construindo, assim, um intrigante quebra-cabeça. Rachel (Emily Blunt) é uma mulher alcoólatra, que divorciada de seu marido, tenta seguir com sua vida miserável e sem novos propósitos. Diariamente, quando embarca no trem, avista de longe a casa que um dia foi sua, mas que agora é habitada por seu ex (Justin Theroux) e sua atual esposa, Anna (Rebecca Ferguson) . Bem perto dali, ela também consegue observar uma outra casa, onde vive um casal, aparentemente perfeito, Megan (Haley Bennett) e Scott (Luke Evans). Eis que certo dia, ao passar por ali, percebe que aquela mulher está traindo o marido. Se apegando as dores de alguém que ela nem sequer conhece, mas que de certa forma abre feridas antigas, Rachel decide, erroneamente, se aproximar dessa história e acaba se transformando na principal suspeita quando Megan, misteriosamente, desaparece.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Filmes vistos em outubro




Começo hoje uma nova coluna aqui no blog. Como costumo assistir alguns filmes por mês e não dou conta de fazer a crítica de todos eles, vou tentar fazer um apurado de tudo o que vi, com pequenos comentários. 


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Crítica: Cavaleiro de Copas (Knight of Cups, 2015)

Quando a beleza e superficialidade coexistem.

por Fernando Labanca

Lançado oficialmente no Festival de Berlim no qual ainda concorreu ao prêmio de Melhor Filme, "Cavaleiro de Copas" marca mais um passo atrás na carreira de Terrence Malick, que se distancia cada vez mais do primor de seu próprio modo de fazer cinema. Essa é a prova concreta de que até mesmo para Malick é difícil ser Malick, que tenta ao longo de tortuosos 120 minutos, reprisar seus próprios acertos. Não consegue e acaba oferecendo uma obra oca, que chega com a pretensão de expressar muita coisa, mas nada diz, nada faz, caminhando em um ciclo sem fim de narrações em off e personagens superficiais, que trilham melancólicos proferindo palavras belas rumo a lugar algum.

A proposta de Malick aqui é confusa, ainda que bem intencionada. Sem ter escrito um roteiro, apenas diálogos aleatórios para seus atores, não permitiu que nem mesmo eles soubessem do que se tratava a obra. Christian Bale, que encara o protagonista, não diz nenhuma palavra em cena e já confessou que ao longo das gravações não sabia sua função ali. Logo, "Cavaleiro de Copas" é uma junção de várias sequências que não possuem lógica ou um arco narrativo e são unidas pelas narrações dos indivíduos ali mostrados. Dessa forma, são inúmeros cortes, cenas perdidas e vozes sussurrando frases como "diz para montanhas Perdoe-me" ou "O que nós somos agora?", buscando erroneamente dar alguma profundidade a tudo aquilo. Pura pretensão de Malick, que faz uma bela poesia, mas esquece de todo o resto, inclusive o próprio público.


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Crítica: Aquarius (2016)

Uma das produções nacionais mais comentadas dos últimos anos, "Aquarius", que esteve presente no último Festival de Cannes e era um dos favoritos ao prêmio principal, é um retrato honesto de nosso país, que pode até não nos representar mais no Oscar, mas continua representando a essência de ser brasileiro. É um ode à nossa cultura, à nossa intensidade. É um ode às lembranças que nos compõe.

por Fernando Labanca

Pode até ser um jeito covarde de começar uma crítica, mas já digo de antemão: não há palavras que possam descrever a grandeza deste filme. Minhas expectativas eram altas diante dos bons comentários que havia lido, no entanto, ao seu término, senti algo tão forte que não cabia em mim. Uma mistura de orgulho, por poder ver uma obra que resgata o que há de melhor no cinema nacional, com puro prazer. Prazer de estar ali, assistindo aquilo, vivenciando e sentindo todo sentimento que o filme expõe. E são muitos. Me encontrei trêmulo, sem reação, admirado não só pelo belíssimo e poderoso final, mas por toda a poesia e significados de "Aquarius".  Dirigido por Kleber Mendonça Filho, que já havia chamado a atenção em "O Som ao Redor" (2012), o longa ainda traz de volta uma revigorante Sonia Braga, que entrega alma à sua protagonista e acaba por fazer da sessão um grande e espetacular evento.