terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Crítica: Sing Street - Música e Sonho (Sing Street, 2015)

Para o último post do ano resolvi escrever sobre uma das obras mais incríveis que vi em 2016!

Recentemente indicado ao Globo de Ouro como Melhor Filme de comédia, "Sing Street" marca o retorno de John Carney (Mesmo Se Nada Der Certo) na direção de mais uma obra adorável, que ao trazer toda a beleza dos anos 80, constrói um produto nostálgico, encantador e definitivamente, imperdível.

por Fernando Labanca

Bastante elogiado pelos Festivais que passou, "Sing Street" ficou por muito tempo com um destino incerto aqui no Brasil. Eis que foi salvo pela Netflix e finalmente poderá ser apreciado por aqui. Se trata do mais novo trabalho do diretor John Carney, que conta, mais uma vez, uma história envolvendo músicas...sem necessariamente ser um musical. É um gênero que ele, como músico, tem dominado como ninguém. Assim como suas deliciosas obras anteriores, "Sing Street" tem potencial para listar entre os favoritos de muita gente, isso porque existe algo de muito mágico no cinema de Carney, quase que inexplicável. É fácil de gostar, de se envolver. É fácil se apaixonar pelo o que ele nos apresenta. Tudo parece estar em seu devido lugar e ainda assim sempre nos surpreende positivamente, sempre nos oferece mais uma razão para amar aquilo que ele cria. Sim, você vai querer viver neste filme!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Crítica: Demolição (Demolition, 2015)

Novo longa-metragem do já renomado diretor Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas), "Demolição" traz autenticidade a um tema batido e constrói, ao seu decorrer, um produto marcante, original e de extrema sensibilidade.

por Fernando Labanca

Ainda não consigo entender como uma das maiores pérolas de 2016 não chegará aos cinemas. Vejo "Demolição" como o melhor filme em território norte americano do canadense Jean-Marc Vallée, o mais completo e o que mais alcança a genialidade e brilhantismo de sua obra-prima, "CRAZY - Loucos de Amor" (2005). É admirável toda a trajetória do cineasta e fico feliz que ele tenha chegado até aqui, entregando um produto tão incrível e, ao mesmo tempo, tão diferente do que ele já fez. Há muito de Jason Reitman aqui também, que ao assinar a produção do longa, recupera em toda sua construção, a espontaneidade e doçura do cinema independente. E assim como em "Livre", o último trabalho do diretor, temos aqui um protagonista que precisa lidar com o luto e parte em uma jornada de autodescobertas, de aceitação de seu novo mundo. Ainda é um relato delicado, muito longe da obviedade, oferecendo um roteiro difícil, que jamais encontra soluções e palavras fáceis.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Crítica: Before We Go (2014)

Sobre se jogar e abraçar o inesperado.

por Fernando Labanca

Chris Evans, mais conhecido do grande público por interpretar o herói da Marvel, Capitão América, nunca escondeu sua afeição à comédia romântica. Mocinho de algumas produções açucaradas, o ator se aventurou a dirigir um filme, surpreendendo por sua escolha em comandar um romance maduro e realista e surpreendendo por alcançar um resultado tão positivo. "Before We Go", de certa forma, vai contra a tudo o que esperávamos dele. Rosto de um cinema mais comercial, Evans constrói um produto refinado, de bom gosto e ainda que seja completamente simples na ideia e no formato, realiza um trabalho notável, sutil, bastante delicado e romântico.

O longa acompanha algumas horas na vida de Nick (Evans) e Brooke (Alice Eve), dois estranhos que se conhecem na noite de Nova York. Em uma estação de trem, ele se encontra perdido em si mesmo, indeciso sobre o que fazer com sua vida, é então que se esbarra com Brooke, que acaba de perder o último trem e sente frustrada pelas consequências que isso trará no seu casamento. Nick decide ajudá-la, principalmente quando descobre que ela perdeu sua bolsa com todos os seus pertences. Juntos, eles caminham para encontrar soluções e no meio disso, trocam experiências de vida, contam histórias do passado e tudo o que os levaram até ali e sobre os planos futuros e o que esperam após aquela noite.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Crítica: A Chegada (Arrival, 2016)

O cultuado diretor Denis Villeneuve (O Homem Duplicado, Sicário) cumpre o que prometia e entrega uma ficção científica que renega qualquer fórmula, inteligente e na altura dos grandes clássicos do gênero. Desde já, um dos melhores filmes do ano.

por Fernando Labanca

Baseado no conto "A História de Sua Vida" de Ted Chiang, conhecido como o novo Philip K.Dick na literatura, "A Chegada" inova ao trilhar por caminhos não tão óbvios da ficção científica e fascina pela maneira única com que trabalha seus elementos, desde a jornada de sua protagonista à invasão alienígena. E nada depende de respostas fáceis. A trama pode soar simples, no entanto, está nos pequenos detalhes sua grande genialidade. Acompanhamos Louise Banks (Amy Adams), tradutora e linguista que é procurada pelo exército norte-americano para se comunicar com alienígenas, assim que doze objetos não identificados são estacionados em doze países diferentes, nitidamente, desejando algo da Terra. Entretanto, para que exista algum tipo de comunicação entre a outra raça, ela desenvolve táticas para decifrar aquela desconhecida linguagem.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Crítica: O Plano de Maggie (Maggie's Plan, 2015)

Crônicas de uma vida excêntrica vivida por Greta Gerwig.

por Fernando Labanca

Casada com o diretor e roteirista Noah Baumbach, Greta teve, ao lado dele, a chance de levar um pouco de si mesma ao cinema. Quase como uma trilogia não programada, "O Plano de Maggie" muito se assemelha com os outros filmes da dupla, "Frances Ha" (2012) e "Mistress America" (2015). É, mais uma vez, a atriz vivendo ela mesma ou essa persona adorável que resolveu construir para si. A mulher que se recusa a crescer e que fracassa constantemente na intenção de acertar. Mesmo que escrito e dirigido por Rebecca Miller (O Mundo de Jack e Rose), que nada tem a ver com os projetos anteriores, parece ter desenvolvido toda sua obra visando ter Greta como protagonista. De fato, Maggie não existiria sem a excentricidade e carisma dessa musa do cinema indie.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Filmes vistos em novembro



Dando continuidade aquilo que comecei mês passado, faço agora uma seleção de tudo o que vi no mês. Seja no cinema, Netflix ou por outros meios, acabei descobrindo algumas obras interessantes e outras nem tanto, mas vale sempre como dica para quem não sabe o que assistir!


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Crítica: Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!, 2015)

Denominado como sequência espirituosa de "Jovens, Loucos e Rebeldes" (1993), o filme, novamente escrito e dirigido por Richard Linklater, traz novos personagens mas a mesma sensação libertadora de seu grande clássico.

por Fernando Labanca

"Jovens, Loucos e Mais Rebeldes" é, de longe, a obra mais simples da carreira de Linklater, o que, de certa forma, é compreensível se pensarmos que seu último trabalho foi o complexo e grandioso "Boyhood". É quase como um momento de descanso, de regresso, de voltar às origens e a simplicidade de quando havia começado. Ao mesmo tempo em que isso é  aceitável, é estranho assistir ao filme e pensar que estamos falando do mesmo diretor que realizou obras tão incríveis como a Trilogia do Antes. Estamos falando de um cineasta que sempre soube encontrar a genialidade na sutileza, que revelou ao longo de sua carreira o poder que pode ser encontrado no cinema menor, mais genuíno. Tudo isso se perde aqui, onde entrega mais do que um produto pequeno, mas um produto sem relevância e sem a inteligência que o trouxe até aqui.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Crítica: O Programa (The Program, 2015)

Baseado em uma das maiores farsas da história do esporte, "The Program" nos revela que na vida é possível encontrar tramas tão absurdas quanto as da ficção.

Fernando Labanca

O ciclista Lance Armstrong foi protagonista de um polêmico capítulo do esporte. O longa, dirigido pelo veterano Stephen Frears, se baseia no livro "Sete Pecados Capitais" escrito pelo jornalista David Walsh, que durante anos se dedicou a compreender as mentiras por trás da gloriosa carreira do competidor. Armstrong, vitorioso por anos consecutivos da Tour de France, uma das maiores e mais prestigiadas competições de ciclistas, teve todos os seus prêmios invalidados em 2012, quando revelou na mídia aquilo que escondeu durante toda sua trajetória, que fez parte do mais sofisticado esquema de doping já visto na história. O filme acompanha todo o caminho percorrido pelo promissor esportista (interpretado por Ben Foster), que sobreviveu a um câncer e se revelou um herói, ajudando organizações em prol de vítimas da doença e superando sua fraqueza, se tornando um grande campeão.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica: Destino Especial (Midnight Special, 2016)

Se há aqueles que duvidam do potencial das ficções científicas atuais ou que o gênero perdeu a originalidade, "Midnight Special" vem para provar que ainda é possível reciclar ideias sem perder o frescor, sem subestimar o público. Trata se de uma obra sensorial, intrigante e que ao longo de seus belos minutos, conquista pela sensibilidade e pela comoção causada por sua trama.

Se em 2016 o grande achado da Cultura Nerd foi "Stranger Things", podemos dizer que "Destino Especial" não poderia ter vindo em melhor hora, logo que dialoga muito bem com os admiradores da série. Desde suas boas referências ao clima oitentista. Os projetos secretos do governo também estão lá e mais uma vez, um criança com habilidade sobrenatural é o centro de tudo. Uma das grandes diferenças, porém, está na condução do diretor Jeff Nichols, que foge da aventura familiar e constrói uma obra mais intimista, mais realista, flertando muito mais com a complexidade dos quadrinhos do que com as ficções de Spielberg. Aqui, ele também traz muitas características do cinema independente norte americano, remetendo aos seus ótimos trabalhos anteriores (Take Shelter, Mud), ainda que este seja seu primeiro filme financiado por um estúdio. Com baixo orçamento, o diretor faz aqui seu produto mais completo, onde a simplicidade de sua produção não o impediu de realizar algo grandioso, belo, tão intrigante quanto fascinante.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Crítica: Demônio de Neon (The Neon Demon, 2016)

O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn chamou a atenção dos críticos com "Drive" (2011), sua obra mais prestigiada, nascendo ali uma expectativa muito grande para seu próximo projeto. No entanto, com a recepção bastante negativa de "Apenas Deus Perdoa" (2013), seu segundo longa-metragem lançado em grandes Festivais, deixou de ser aquele profissional aclamado por todos, ainda que sua obra chamasse a atenção por sua belíssima estética, onde entrega uma forte assinatura. "Demônio de Neon" traz consigo este peso. Seria ele realmente um diretor promissor ou apenas um profissional perfeccionista preocupado em manter uma identidade forjada? Vaiado no último Festival de Cannes, NWR tornou-se quase que uma persona non grata após a exibição de seu filme, perdendo a confiança dos críticos. Cabe agora, esperar a reação do público, que sendo aprovado ou não, sempre haverá aquela curiosidade sobre seus próximos trabalhos.

por Fernando Labanca


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Crítica: A Garota no Trem (The Girl on the Train, 2016)

Desde seu lançamento nas bancas, o best seller "A Garota no Trem" ganhou comparações com o elogiado "Garota Exemplar". Digamos que ambas as tramas acontecem no mesmo ambiente e possuem o mesmo público. Mas ainda que seja um excelente livro, estamos falando de dois produtos distintos e essa diferença se torna ainda maior quando assistimos suas adaptações na tela grande.

por Fernando Labanca

"A Garota no Trem" é mais uma obra que encontra fascínio nesta espécie de thriller doméstico, onde os mistérios são trabalhados dentro dos limites das casas do subúrbio e tem seus simples moradores como protagonistas. É uma dinâmica interessante e torna suas tramas mais próximas do público. Aqui, temos uma única história guiada por três mulheres, três olhares distintos que vão se somando e construindo, assim, um intrigante quebra-cabeça. Rachel (Emily Blunt) é uma mulher alcoólatra, que divorciada de seu marido, tenta seguir com sua vida miserável e sem novos propósitos. Diariamente, quando embarca no trem, avista de longe a casa que um dia foi sua, mas que agora é habitada por seu ex (Justin Theroux) e sua atual esposa, Anna (Rebecca Ferguson) . Bem perto dali, ela também consegue observar uma outra casa, onde vive um casal, aparentemente perfeito, Megan (Haley Bennett) e Scott (Luke Evans). Eis que certo dia, ao passar por ali, percebe que aquela mulher está traindo o marido. Se apegando as dores de alguém que ela nem sequer conhece, mas que de certa forma abre feridas antigas, Rachel decide, erroneamente, se aproximar dessa história e acaba se transformando na principal suspeita quando Megan, misteriosamente, desaparece.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Filmes vistos em outubro




Começo hoje uma nova coluna aqui no blog. Como costumo assistir alguns filmes por mês e não dou conta de fazer a crítica de todos eles, vou tentar fazer um apurado de tudo o que vi, com pequenos comentários. 


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Crítica: Cavaleiro de Copas (Knight of Cups, 2015)

Quando a beleza e superficialidade coexistem.

por Fernando Labanca

Lançado oficialmente no Festival de Berlim no qual ainda concorreu ao prêmio de Melhor Filme, "Cavaleiro de Copas" marca mais um passo atrás na carreira de Terrence Malick, que se distancia cada vez mais do primor de seu próprio modo de fazer cinema. Essa é a prova concreta de que até mesmo para Malick é difícil ser Malick, que tenta ao longo de tortuosos 120 minutos, reprisar seus próprios acertos. Não consegue e acaba oferecendo uma obra oca, que chega com a pretensão de expressar muita coisa, mas nada diz, nada faz, caminhando em um ciclo sem fim de narrações em off e personagens superficiais, que trilham melancólicos proferindo palavras belas rumo a lugar algum.

A proposta de Malick aqui é confusa, ainda que bem intencionada. Sem ter escrito um roteiro, apenas diálogos aleatórios para seus atores, não permitiu que nem mesmo eles soubessem do que se tratava a obra. Christian Bale, que encara o protagonista, não diz nenhuma palavra em cena e já confessou que ao longo das gravações não sabia sua função ali. Logo, "Cavaleiro de Copas" é uma junção de várias sequências que não possuem lógica ou um arco narrativo e são unidas pelas narrações dos indivíduos ali mostrados. Dessa forma, são inúmeros cortes, cenas perdidas e vozes sussurrando frases como "diz para montanhas Perdoe-me" ou "O que nós somos agora?", buscando erroneamente dar alguma profundidade a tudo aquilo. Pura pretensão de Malick, que faz uma bela poesia, mas esquece de todo o resto, inclusive o próprio público.


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Crítica: Aquarius (2016)

Uma das produções nacionais mais comentadas dos últimos anos, "Aquarius", que esteve presente no último Festival de Cannes e era um dos favoritos ao prêmio principal, é um retrato honesto de nosso país, que pode até não nos representar mais no Oscar, mas continua representando a essência de ser brasileiro. É um ode à nossa cultura, à nossa intensidade. É um ode às lembranças que nos compõe.

por Fernando Labanca

Pode até ser um jeito covarde de começar uma crítica, mas já digo de antemão: não há palavras que possam descrever a grandeza deste filme. Minhas expectativas eram altas diante dos bons comentários que havia lido, no entanto, ao seu término, senti algo tão forte que não cabia em mim. Uma mistura de orgulho, por poder ver uma obra que resgata o que há de melhor no cinema nacional, com puro prazer. Prazer de estar ali, assistindo aquilo, vivenciando e sentindo todo sentimento que o filme expõe. E são muitos. Me encontrei trêmulo, sem reação, admirado não só pelo belíssimo e poderoso final, mas por toda a poesia e significados de "Aquarius".  Dirigido por Kleber Mendonça Filho, que já havia chamado a atenção em "O Som ao Redor" (2012), o longa ainda traz de volta uma revigorante Sonia Braga, que entrega alma à sua protagonista e acaba por fazer da sessão um grande e espetacular evento.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Ranking - Todos os filmes da Pixar


Desde criança acompanhamos os filmes da Pixar. Seja pegando pela milésima vez o VHS para ver em casa - e se apaixonando posteriormente pelas versões em DVD porque eles vinham com extras -  seja indo ao cinema com a família, com amigos ou até mesmo sozinhos já depois de crescidos. Faz parte de nossas vidas, crescemos vendo essas animações, no entanto, só depois de adultos que compreendemos a genialidade de suas criações e passamos a ver o estúdio com ainda mais admiração.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Crítica: O Que Fazemos nas Sombras (What We Do in The Shadows, 2014)

Fazer comédia é para poucos. Foram raras as vezes que, nos últimos anos, nos deparamos com uma obra inteiramente engraçada, com bom humor e que nos fizesse rir de verdade. "O Que Fazemos nas Sombras" veio para preencher essa lacuna, porque não é apenas uma excelente obra como, também, um filme muito, muito hilário.

por Fernando Labanca

Escrito, dirigido e protagonizado por Jemaine Clement e Taika Waititi, o longa é um falso documentário que tem como intenção mostrar a rotina de um grupo de vampiros que vive atualmente na Nova Zelândia. Antes de ser realizado o tão esperado "Baile de Máscaras Profano", uma equipe de filmagens passa a ser responsável por revelar a vida de algum grupo secreto, sejam eles zumbis, lobos ou bruxas e desta vez os vampiros serão expostos, mostrando a verdade sobre o que realmente fazem nas sombras (e que ninguém mais sabe). É então que conhecemos a rotina de quatro amigos vampiros, Viago (Waititi), Vladislav (Clement), Deacon (Jonathan Brugh) e Petyr (Ben Fransham), que nasceram em épocas diferentes, possuem características muito distintas e dividem um castelo assombroso.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Crítica: O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine's Home For Peculiar Children, 2016)

Uma história peculiar. Um diretor peculiar. Um filme nem tão peculiar assim. 

por Fernando Labanca

Baseado no best-seller de Ransom Riggs, "O Lar das Crianças Peculiares" parecia o projeto perfeito para o retorno do sempre excêntrico Tim Burton. Confesso que após ter ido à exposição que teve sobre sua obra em São Paulo, no começo deste ano, mudei meus conceitos sobre ele. Deixei de encará-lo apenas como um cineasta que entrega uma identidade visual forte à seus trabalhos e passei a vê-lo como um completo artista, muito além do cara que fica atrás da câmera. É uma pena, porém, que Burton, ao longo dos últimos anos, perdeu a mão no cinema, que deixou de ser a arte que ele tanto dominava. Triste e estranho pensar que desde "Sweeney Todd" (2007), ele não nos apresenta um produto marcante. Seu novo filme é a prova do quanto está distante de seus momentos mais notáveis, voltando a entregar uma obra vazia, sem alma, mesmo quando se baseia em um livro que tinha tanto o que dizer, que tanto se assemelha aos temas que ele um dia já debateu.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Crítica: Negócio das Arábias (A Hologram for the King, 2016)

Um filme estranho. E isso é um elogio.

por Fernando Labanca

Ao longo de seus minutos fiquei constantemente me perguntando sobre o que exatamente era o filme. Uma comédia, talvez...depende de seu humor. Um drama motivacional? Talvez. Depende muito do momento em que vive a pessoa que assiste. Sim, porque no fundo, "A Hologram for the King" pode significar algo diferente para cada um. Resolvi não encaixá-lo em algum gênero ou criar qualquer tipo de expectativa, logo que seu início deixa claro que não possui muitas pretensões. Refletindo sobre tudo isso e somando ao fato sua lentidão, cheguei a conclusão de que é muito fácil detestá-lo. E respeito e entendo aqueles que o odiarem. Por alguma razão que não sei muito bem, porém, me senti estranhamente atraído pela obra, por sua calmaria, por sua atmosfera. Existe algo sendo dito ali e não são com palavras fáceis.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Crítica: 99 Casas (99 Homes, 2014)

Quanto vale o seu sucesso?

por Fernando Labanca

Inspirado em eventos reais, "99 Casas" retoma a crise econômica que ocorreu em 2008 nos Estados Unidos e como o colapso nos bancos afetou o mercado imobiliário. Na trama, Rick Carver (Michael Shannon) é um corretor de imóveis, que dono de seu próprio e promissor negócio, encontrou algumas saídas para lucrar na crise e sobreviver no mundo capitalista (nem que para isso ele precise forjar alguns documentos). Sangue frio, ele não se afeta em ver famílias sendo despejadas de suas residências e é desta forma que seu destino cruza com o do jovem Dennis Nash (Andrew Garfield). Pai solteiro, ele também divide a casa com sua mãe (Laura Dern) e devido algumas dívidas, todos são obrigados e se retirar do lugar que viveram durante anos. Sem salário fixo e sem perspectivas para o futuro, Dennis acaba aceitando uma oferta tentadora de trabalho, vinda do próprio Rick Carver, o homem que lhe tirou tudo.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Crítica: O Diário de uma Adolescente (The Diary of a Teenage Girl, 2015)

Baseado no livro de Phoebe Gloeckner, "O Diário de uma Adolescente" narra a descoberta de novos desejos de uma jovem enquanto se envolve com o namorado da própria mãe.

por Fernando Labanca

Apesar da vibe indie e descolada, "The Diary of a Teenage Girl" não é de fácil digestão e muito menos de fáceis conclusões. O longa nos coloca na década de 70 e revela uma fase de descobertas para a jovem Minnie Goetze (Bel Powley), narrando sua primeira relação sexual e como aquilo definiu seus próximos passos, como aquilo a transformou em outra pessoa. Poderia até ser um evento comum, como na vida de qualquer garota se não fosse seus complicados laços familiares. Uma mãe distante (Kristen Wiig) que vive em um universo próprio e que abriga em sua casa Monroe (Alexander Skarsgard), um namorado abusivo, com quem Minnie se envolve sexualmente. É naquele homem mais velho que ela acaba encontrando paixão e um corpo que negue suas tantas neuras e inseguranças.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Crítica: Julieta (2016)

Retorno de Almodóvar aos dramas, "Julieta" foi o selecionado para representar a Espanha na disputa pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido indicado à Palma de Ouro no último Festival de Cannes. 

por Fernando Labanca

Baseado em contos de Alice Munro, é curioso notar que mesmo se apropriando de um material que não é seu, Pedro Almodóvar entrega a obra sua identidade, dialogando muito bem com sua filmografia. Da excelente condução do roteiro aos exageros visuais, com suas cores marcantes e texturas, o diretor faz de "Julieta" um trabalho seu, que pode até não figurar entre seus melhores, mas que o reergue novamente após o fiasco de "Amantes Passageiros" (2013). Um filme bem escrito, provocante e envolvente, que coloca, mais uma vez a mulher e todos os seus desejos e traumas como protagonista.

Conhecemos Julieta, uma mulher amargurada, que decide não seguir adiante com sua vida enquanto não resolver uma grande pendência de seu passado. Ao descobrir que sua filha, no qual não se comunica por longos anos, foi vista em Madrid, ela abandona tudo pela remota possibilidade de reencontrá-la. A partir deste instante, o filme busca nas lembranças desta mulher os eventos que as separaram, as razões por esta constante distância.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Crítica: O Homem nas Trevas (Don't Breathe, 2016)

Até pouco tempo atrás era raro poder ir ao cinema e se deparar com um filme de terror bom. Felizmente, este cenário tem mudado e obras como "O Homem nas Trevas" prova o quanto ainda há a ser explorado no gênero e prova que existe um novo cara em cena, corajoso e talentoso o suficiente para recriar as fórmulas, Fede Alvarez. 

por Fernando Labanca

Já podemos afirmar que 2016 foi o ano do terror ou ano em que ele renasceu. Foi uma onda inciada ano passado, quando "Corrente do Mal", com baixo orçamento, conseguiu trazer um novo fôlego, uma nova saída para o gênero. "A Bruxa", que ainda conquistou prêmios importantes, mostrou que existe cinema e existe arte quando bem realizado. "Invocação do Mal 2" e "Rua Cloverfield, 10" quebraram a sina das continuações ruins e entregaram filmes de grande qualidade. "O Homem nas Trevas" entra para este seleto grupo, com baixo orçamento, sem pretensões, que faz sucesso pelo boca-a-boca e nem tanto por uma boa campanha de marketing. Fede Alvarez, diretor uruguaiano, que apadrinhado pelo mestre Sam Raimi - que aqui produz -, retorna depois do bem sucedido remake de "A Morte do Demônio" (2013) e consegue trazer um produto ainda melhor, mais refinado e ainda mais poderoso, mais marcante. Temos aqui uma aula de cinema em uma das obras mais surpreendentes do ano. 


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

25 filmes recentes que mudarão seu olhar sobre o cinema nacional


Não é de hoje que o cinema nacional sofre um certo preconceito. Em várias rodinhas de conversas sempre ouviremos falas como "filme brasileiro só tem nudez e violência" e sempre há aquele com um discurso pronto sobre como a produção realizada aqui é pobre, jamais podendo ser comparada com as feitas lá fora.

O que acontece, também, é que filmes nacionais são mal distribuídos aqui dentro. Se chegam aos cinemas, por milagre, são mal divulgados e ficam por poucas semanas. A concorrência externa é forte e nunca haverá o devido e merecido espaço para nossas produções. A verdade é que existem muitos filmes brasileiros bons, mas infelizmente são de difícil acesso. Faço esta lista, então, para relembrar o que vi de relevante nesses "últimos anos" (desde 2010, para ser mais exato!) e que merece ser descoberto e mais do que isso, filmes que poderão mudar este olhar tão preconceituoso quanto ao nosso (brilhante e poético) cinema. Tentei evitar colocar obras como "Tropa de Elite" - que é fantástico, aliás - para dar espaço a títulos poucas vezes valorizados. "O Som ao Redor" também não se encontra e assim como qualquer lista...muitas obras interessantes ficaram de fora! E vale dizer, também, ainda não tive a oportunidade de assistir "Aquarius", no qual todos estão elogiando bastante. 

por Fernando Labanca


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Crítica: Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line, 1998)

O estonteante cinema de Terrence Malick em em uma das obras mais incríveis sobre a Segunda Guerra Mundial.

por Fernando Labanca

Fato é que Terrence é um dos maiores diretores ainda em atividade e sua trajetória no cinema é uma das mais admiráveis. Responsável pelo clássico e belíssimo "Days of Heaven" de 1978, o cineasta só retornou após um longo hiato de vinte anos com outra obra-prima, "Além da Linha Vermelha". Adaptação do livro de James Jones, o filme, assim como todos os projetos do diretor, passou por um longo processo de pós-produção, sendo que o primeiro corte alcançou 5 horas. Para ser lançado, no entanto, a edição final fez com que vários atores conhecidos fossem meramente descartados como Billy Bob Thornton e Gary Oldman e outros como Adrien Brody, que era um dos protagonistas da história e acabou quase que sem falas. A obra venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi indicada à 7 Oscars, concorrendo inclusive como Melhor Filme e Melhor Diretor.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Crítica: Águas Rasas (The Shallows, 2016)

O diretor espanhol Jaume Collet-Serra tem chamado a atenção de Hollywood desde que surpreendeu no excelente "A Órfã" (2009). Nos anos seguintes, se dedicou a alguns filmes de ação ao lado de Liam Neeson, como "Sem Escalas" (2014). "Águas Rasas", seu novo longa-metragem, que fez um inesperado sucesso lá fora, vem para mostrar um outro lado do cineasta e provar, finalmente, que ele é dono de um talento notável.

por Fernando Labanca

Na década de 70, Steven Spielberg deu origem, com seu clássico "Tubarão", uma espécie de subgênero dentro do terror. Jovens indefesos que se tornam presas fáceis para o grande predador, que conquistou fama de vilão na tela grande. "Águas Rasas" toma um pouco dessa fonte, construindo além de um thriller em alto mar, um drama envolvente sobre sobrevivência. Neste sentido, o longa nos remete à obras como o ótimo "127 Horas", onde um único protagonista precisa encontrar maneiras de escapar da morte. Na trama, Nancy (Blake Lively), uma surfista do Texas, que após desistir de seu curso de Medicina, viaja até uma praia paradisíaca e isolada em uma espécie de culto à sua mãe, que lhe concebeu naquele mesmo lugar e que faleceu devido uma doença grave. Após tomar uma certa distância no mar, ela percebe que não está sozinha, sendo atacada e cercada por um faminto tubarão.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Crítica: A Intrometida (The Meddler, 2015)

Obrigado, Susan Sarandon.

por Fernando Labanca

Nunca será o bastante ver Sarandon na tela grande. Perto do seus 70 anos de idade (sim!), a atriz prova que o tempo lhe fez bem, esbanjando não só sua beleza, como a serenidade no olhar de quem já fez de tudo, mas não cansa de mostrar. "The Meddler", parece um agradecimento aos anos de carreira desta talentosíssima mulher, que com um constante sorriso no rosto, encanta, emociona e prova que seu auge nunca foi um evento passageiro. É bom demais vê-la em cena, é melhor ainda quando um roteiro tão bem escrito lhe entrega algo à sua altura.

Susan dá vida à Marnie, que tenta encontrar a vida após a morte de seu marido. Ganhou uma excelente fortuna e usa esse dinheiro para preencher sua rotina, comprando, descobrindo, viajando. No meio disso, ela se esforça para se conectar a filha, que sofre pela perda do pai e por romper, recentemente, um relacionamento. Marnie vê sua desgraça como a chance de um novo hobbie, reerguer a filha e fazê-la feliz novamente. Nesta sua jornada, ela ainda acaba conhecendo o policial Zipper (J.K.Simmons), com quem acaba desenvolvendo uma nova relação. 


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Crítica: Quando Te Conheci (Equals, 2016)

Distopia criada e dirigida por Drake Doremus e produzida por Ridley Scott, "Equals" traz a história de um casal que tenta encontrar amor em uma sociedade que oprime sentimentos. Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.

por Fernando Labanca

O aguardei por muito tempo pelo simples motivo de ter Doremus por trás do projeto. Diretor de "Like Crazy" (2011) e "Paixão Inocente" (2013), ele ainda foi responsável por realizar uma das coisas mais belas e românticas que vi nos últimos anos, a mini série "The Beauty Inside". Desde então, Drake se tornou um nome notável, há algo muito singelo e doce na forma como o diretor constrói suas ideias e fiquei curioso por vê-lo nesta ficção científica. É uma pena, porém, que seus trabalhos nunca tenham chance nos cinemas aqui no Brasil e "Equals" é outro lançado apenas em home vídeo.

Após um longo bombardeio que dizimou grande parte da população na Terra, nasce dos remanescentes um novo grupo de seres-humanos, os Equals, que vivem em harmonia dentro de um complexo que possui alta tecnologia. O que os difere é o fato de não terem mais nenhum tipo de emoção, os tornando seres pacíficos, justos e compenetrados em suas funções dentro daquele novo ecossistema. Eis que uma doença é detectada e qualquer pessoa que demonstre qualquer tipo de sentimento é diagnosticada com SOS (Switched-On-Syndrome), que por não haver cura, será banida da sociedade. É neste universo controlador que Silas (Nicholas Hoult) descobre ser portador da doença, mas acaba encontrando esperança quando percebe que Nia (Kristen Stewart), uma colega de trabalho, também possui sentimentos. Os dois se apaixonam e precisam encontrar maneiras de se envolver sem serem descobertos, logo que qualquer tipo de relação afetiva é proibida.