segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Crítica: A Intrometida (The Meddler, 2015)

Obrigado, Susan Sarandon.

por Fernando Labanca

Nunca será o bastante ver Sarandon na tela grande. Perto do seus 70 anos de idade (sim!), a atriz prova que o tempo lhe fez bem, esbanjando não só sua beleza, como a serenidade no olhar de quem já fez de tudo, mas não cansa de mostrar. "The Meddler", parece um agradecimento aos anos de carreira desta talentosíssima mulher, que com um constante sorriso no rosto, encanta, emociona e prova que seu auge nunca foi um evento passageiro. É bom demais vê-la em cena, é melhor ainda quando um roteiro tão bem escrito lhe entrega algo à sua altura.

Susan dá vida à Marnie, que tenta encontrar a vida após a morte de seu marido. Ganhou uma excelente fortuna e usa esse dinheiro para preencher sua rotina, comprando, descobrindo, viajando. No meio disso, ela se esforça para se conectar a filha, que sofre pela perda do pai e por romper, recentemente, um relacionamento. Marnie vê sua desgraça como a chance de um novo hobbie, reerguer a filha e fazê-la feliz novamente. Nesta sua jornada, ela ainda acaba conhecendo o policial Zipper (J.K.Simmons), com quem acaba desenvolvendo uma nova relação. 


Quase como crônicas do cotidiano, vemos na tela, táticas de aproximação segundo Marnie Minervine. Com idade para não ter com que se preocupar e dinheiro suficiente para ser livre, poderia até ser difícil se identificar com ela, se não fosse sua total falta de noção em sua sobrevivência. De frases típicas de qualquer mãe que não entende o limite de nada até sua falta de habilidade com tecnologias. É divertido vê-la se enquadrando no mundo, procurando seu espaço mesmo onde não tem. Singela e honesta sua composição, desta que ama a nova música da Beyoncé só porque diz tudo o que ela almeja, deixar um legado, uma lembrança importante na vida daqueles que toca. Apesar do constante humor, é bonito sua jornada, enquanto busca encontrar sua filha incomunicável, se permite esbarrar na vida dos outros, salvá-los quase que em uma espécie de projeto pessoal e nisso ainda acaba se apaixonando. Sua relação com Zipper é cativante, e por sorte, não cai no clichê. E convenhamos, colocar Sarandon dividindo a cena com J.K. Simmons é covardia, não há do que reclamar...é um privilégio.

"The Meddler" não deixa de oferecer, também, um doce olhar sobre a vida de quem tem filhos. Em como o tempo mata relações, em como aquilo que deveria ser eterno precisa ser reconquistado diariamente. Chega a ser emocionante este árduo reencontro de Marnie e Lori, que foram separadas pelo luto. Os instantes finais entre as duas é belo e muito honesto. Me comove, também, a história do policial com sua filha e como o amor incondicional de um pai, às vezes, precisa ser expressado em alto e bom som. O longa acerta nesses relatos, na verdade que encontra nessas pequenas histórias. Os diálogos são todos muito bons, alguns até ficam ecoando na mente. Espontâneo, leve e delicioso de assistir, "A Intrometida" mostra um aprimoramento não só narrativo como visual de Lorene Scafaria (Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo), que entrega sua produção mais elegante. Uma comédia refinada, bem-vinda e um tanto quanto irresistível. É interessante notar a influência da música na trama, elemento crucial na filmografia da diretora.

Marnie é uma daquelas fortes protagonistas femininas. Tudo o que faz e diz não apenas nos faz querer abraçá-la, mas guardá-la na memória com certo carinho. Uma personagem difícil, que segue a vida com um sorriso no rosto, quando na verdade, esconde uma tremenda dor e só uma atriz como Susan Sarandon poderia expressar suas nuances com tamanha perfeição. Os coadjuvantes, por sua vez, não deixam de brilhar. Rose Byrne é um caso sério a ser estudado, uma atriz que flui muito bem de um gênero para o outro e aqui realiza brilhante sequências. J.K. Simmons é sempre ótimo e é bom demais vê-lo contracenando com Sarandon. Mais do que um presente para a veterana atriz, vejo a obra como um presente genuíno ao público, que emociona com toda sua simplicidade, que tem o poder de nos levar às lágrimas com sua habilidade em dizer as palavras certas nas horas certas. Isso é mérito dos bons roteiros e Lorene Scafaria tem se especializado neles.

NOTA: 8,5




País de origem: EUA
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Sony Pictures
Diretor: Lorene Scafaria
Roteiro: Lorene Scafaria
Elenco: Susan Sarandon, J.K. Simmons, Rose Byrne, Cecily Strong, Jason Ritter, Lucy Punch

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