quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Crítica: Águas Rasas (The Shallows, 2016)

O diretor espanhol Jaume Collet-Serra tem chamado a atenção de Hollywood desde que surpreendeu no excelente "A Órfã" (2009). Nos anos seguintes, se dedicou a alguns filmes de ação ao lado de Liam Neeson, como "Sem Escalas" (2014). "Águas Rasas", seu novo longa-metragem, que fez um inesperado sucesso lá fora, vem para mostrar um outro lado do cineasta e provar, finalmente, que ele é dono de um talento notável.

por Fernando Labanca

Na década de 70, Steven Spielberg deu origem, com seu clássico "Tubarão", uma espécie de subgênero dentro do terror. Jovens indefesos que se tornam presas fáceis para o grande predador, que conquistou fama de vilão na tela grande. "Águas Rasas" toma um pouco dessa fonte, construindo além de um thriller em alto mar, um drama envolvente sobre sobrevivência. Neste sentido, o longa nos remete à obras como o ótimo "127 Horas", onde um único protagonista precisa encontrar maneiras de escapar da morte. Na trama, Nancy (Blake Lively), uma surfista do Texas, que após desistir de seu curso de Medicina, viaja até uma praia paradisíaca e isolada em uma espécie de culto à sua mãe, que lhe concebeu naquele mesmo lugar e que faleceu devido uma doença grave. Após tomar uma certa distância no mar, ela percebe que não está sozinha, sendo atacada e cercada por um faminto tubarão.


A obra tinha tudo para ser simples e descartável, mas não é. Collet-Serra se utiliza de pequenos recursos e constrói um filme grandioso, tenso e mesmo dependendo de uma única personagem em uma única situação, consegue segurar o público devido ao ótimo ritmo que entrega às sequências. Existem poucos artifícios aqui e o diretor domina todos eles com maestria. O medo que cria também não é apenas sugestivo, apesar de trabalhar muito bem com o suspense, onde descobrimos a presença do animal apenas quando Nancy também o descobre. O medo é real e o tubarão mostrado causa um certo pânico, dando ainda mais adrenalina aos acontecimentos. Destaque para os efeitos visuais que tornam tudo ainda mais real, a trilha sonora e a fotografia, que realça as belas paisagens.

A atriz Blake Lively acaba sendo mais uma das boas surpresas do filme. Muito mais do que um rosto bonito no cinema, ela consegue expressar o desespero de estar ali. É uma personagem cativante e o roteiro acerta no tom dramático que ela carrega, em suas reais motivações e na evolução que sofre diante de sua luta. Logo, é muito consciente o uso da canção Bird Set Free da Sia em seu final. Ela é como um pássaro procurando sua própria voz, sua própria força e por ironia (ou genialidade) dos envolvidos, temos ali uma amigável gaivota com suas asas machucadas acompanhando os passos da protagonista. Jaume Collet-Serra cria, por fim, não apenas um divertido e eletrizante thriller, recuperando com primor os filmes com tubarões, mas uma obra com boas intenções e que através de seus simbolismos fala de superação, de encontrar a vida diante de uma perda lastimável.

NOTA: 8




País de origem: EUA
Duração: 86 minutos
Distribuidor: Sony Pictures
Diretor: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Anthony Jaswinski
Elenco: Blake Lively


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