quarta-feira, 7 de setembro de 2016

25 filmes recentes que mudarão seu olhar sobre o cinema nacional


Não é de hoje que o cinema nacional sofre um certo preconceito. Em várias rodinhas de conversas sempre ouviremos falas como "filme brasileiro só tem nudez e violência" e sempre há aquele com um discurso pronto sobre como a produção realizada aqui é pobre, jamais podendo ser comparada com as feitas lá fora.

O que acontece, também, é que filmes nacionais são mal distribuídos aqui dentro. Se chegam aos cinemas, por milagre, são mal divulgados e ficam por poucas semanas. A concorrência externa é forte e nunca haverá o devido e merecido espaço para nossas produções. A verdade é que existem muitos filmes brasileiros bons, mas infelizmente são de difícil acesso. Faço esta lista, então, para relembrar o que vi de relevante nesses "últimos anos" (desde 2010, para ser mais exato!) e que merece ser descoberto e mais do que isso, filmes que poderão mudar este olhar tão preconceituoso quanto ao nosso (brilhante e poético) cinema. Tentei evitar colocar obras como "Tropa de Elite" - que é fantástico, aliás - para dar espaço a títulos poucas vezes valorizados. "O Som ao Redor" também não se encontra e assim como qualquer lista...muitas obras interessantes ficaram de fora! E vale dizer, também, ainda não tive a oportunidade de assistir "Aquarius", no qual todos estão elogiando bastante. 

por Fernando Labanca



25. Boa Sorte
direção de Carolina Jabor / 2014


Um filme simples porém incrivelmente encantador. Somos apresentados a João (João Pedro Zappa), um jovem que ao ser internado em uma clínica psiquiátrica, devido sua depressão, se apaixona por outra paciente, Judite, dependente química em fase terminal. Existe beleza na relação dos dois e poesia em cada diálogo, em cada expressão. Deborah Secco mostra uma força na tela que jamais conseguiu mostrar na TV, é marcante sua composição, é intensa e verdadeira.



24. Minha Mãe é Uma Peça
direção de André Pellenz / 2013


O cenário da comédia nacional é preocupante e com a Globo Filmes invadindo o mercado com produções cada vez mais duvidosas, filmes como "Minha Mãe é uma Peça" se tornaram um bom alívio. Nasce do mesmo ovo, tem o mesmo formato e as mesmas intenções. No entanto, diferente de muito do que foi vendido nos últimos anos, a comédia forçada de Paulo Gustavo acertou no humor, humanizou sua protagonista e entregou um produto divertido, bem filmado e surpreendentemente bem escrito. E sem muitas pretensões, Dona Hermínia acabou se tornando um símbolo forte no nosso cinema.



23. Contrato Vitalício
direção de Ian SBF / 2016


Lançado este ano, confesso que fiquei bastante chocado com a recepção que o filme teve do público. Houve preconceito e senti que muitas pessoas o viram com certo ódio e o julgaram diante das opiniões políticas dos integrantes do "Porta dos Fundos", como consequência, o filme em si pouco foi julgado. Se trata de uma comédia nacional rara e infelizmente não foi compreendida. É admirável toda sua ideia e suas sátiras, é bem escrito, inteligente e muito bem interpretado por um time de atores incrivelmente entrosado. Uma trama mirabolante e extremamente corajosa diante das outras tantas comédias descartáveis lançadas no país.



22. Faroeste Caboclo
direção de René Sampaio / 2013


Inspirado na clássica canção do Legião Urbana, o filme está bem longe de ser um videoclipe estendido, é uma obra única que busca sua própria identidade e que por fim, toda equipe entrega algo extremamente bem feito, ousado e poético. Fabrício Boliveira deu alma à João de Santo Cristo e Isis Valverde também surpreende na pele de Maria Lúcia.



21. Confissões de Adolescente
direção de Daniel Filho e Cris D'Amato / 2014


Baseado na série de TV da década de 90, "Confissões de Adolescente" é maior do que parece ser. Havia uma premissa difícil aqui, adaptar as tramas de anos atrás e ainda conseguir dialogar com o público jovem atual. Pois bem, deu certo. Leve, contagiante, espirituoso, o longa flui deliciosamente bem por seus minutos e com seu esperto roteiro, dá voz a quatro adolescentes, irmãs, que passam por diversos dilemas e entre rompimentos, desilusões e novos desejos, nos vemos ali, compartilhando seus mesmos sentimentos.



20. À Beira do Caminho
direção de Breno Silveira / 2012


Com roteiro inspirado nas canções de Roberto Carlos, que entram em cena para ilustrar a emoção de seus personagens, apostando não só numa forte cultura nacional, como também na emoção do público ao tratar de temas como a morte, a perda de alguém que se ama e as lembranças constantes de um passado mal resolvido. Temas que um dia Roberto cantou e que são resgatadas de forma sensível neste grande filme nacional. Vale, também, pelo realismo cru das sequências e por mais uma irretocável interpretação de João Miguel.



19.Tatuagem
direção de Hilton Lacerda / 2013


Bastante polêmico, "Tatuagem" é um filme libertador, corajoso e provocante. O filme revelou Jesuíta Barbosa que contracena com um dos monstros de nosso cinema, Irandhir Santos. Vemos o envolvimento amoroso entre um soldado e um líder de uma trupe teatral. que usa de canções e performances para criticar o momento em que viviam, a ditadura militar. Cheio de humor, arte e discursos poderosos, o longa de Hilton Lacerda provou a força do cinema nordestino.



18.Vips
direção de Toniko Melo / 2011


Protagonizado por Wagner Moura, o longa é baseado na inusitada história de Marcelo Nascimento Rocha, um criminoso que durante anos se passou por várias pessoas, construindo para si um universo de mentiras, luxo e incontáveis viagens. O filme explora o absurdo destes acontecimentos da melhor forma e mesmo não ignorando o "elemento fantasia", entrega um produto divertido, curioso, que nos instiga a ficar ali tentando imaginar os próximos passos do personagem, oferecendo ainda um surpreendente final.



17. Boi Neon
direção de Gabriel Mascaro / 2016


Premiado longa-metragem, "Boi Neon" é aquele tipo de filme difícil de definir, que não traz conflitos óbvios e ignora a montagem clássica de começo, meio e fim. O que vemos durante seus minutos é a rotina de um grupo de pessoas nos bastidores de um boiadeiro, enquanto buscam por suas próprias identidades, de uma mulher que precisa ser pai, de uma menina que se recusa a aprender os afazeres de casa e de um homem que procura se aperfeiçoar naquilo que mais ama fazer, costurar. A obra trabalha bem estas questões de gênero e neste sentido soa como um grito de liberdade. Filmagem belíssima, com suas cores e locações, o filme também traz atuações marcantes de Juliano Cazarré e Maeve Jinkings.



16. As Melhores Coisas do Mundo
direção de Laís Bodanzky / 2010


Aquele filme adolescente que nos faz lembrar o que é ser adolescente e nos faz querer voltar no tempo e viver tudo de novo. Laís Bodanzky relata diversos conflitos tão comuns nesta idade, desde a dolorosa separação dos pais até o bullying vivido entre os muros da escola. Leve, divertido e bastante verdadeiro em todos os seus discursos, "As Melhores Coisas do Mundo" encontra a beleza em ser jovem.



15. Zoom
direção de Pedro Morelli / 2016


Um dos roteiros mais originais já desenvolvido dentro de uma produção brasileira (apesar de ser praticamente todo falado em inglês). Protagonizado pelo mexicano Gael García Bernal, pela canadense Alison Pill e por nossa querida Mariana Ximenes, o longa é uma insana mistura de técnicas e histórias, onde a jornada de um diretor de cinema, uma ilustradora e uma escritora são fundidas de forma inesperada. Com um belo visual, o filme surpreende por suas brilhantes ideias e por explorar universos quase nunca explorados no nosso cinema.



14. Nise - O Coração da Loucura
direção de Roberto Berliner / 2016


Gloria Pires dá vida à Nise da Silveira, uma doutora que decide encontrar um novo tratamento aos pacientes de um hospital psiquiátrico, os instigando a se expressar através da arte e da pintura. Forte, doloroso, o filme segue em uma crescente e nos destrói com suas sequências finais, que emociona ao ser extremamente realista, por nos inserir àquele ambiente tão degradante, tão desumano. É inspirador a luta desta mulher, seu dom em encontrar a voz naqueles seres fragilizados, abandonados diante de um sistema que não os enxerga. Apesar da simples produção, o longa conta com boas atuações de todo seu elenco.



13. O Menino e o Mundo
direção de Alê Abreu / 2014


É um prazer enorme poder dizer que "O Menino e o Mundo" é uma animação brasileira. Um filme lindo e singelo do começo ao fim, que desperta em nós os sentimentos mais puros. Assistimos a jornada de uma criança que larga o campo em que mora e parte para a cidade grande em busca do pai, se deparando com um mundo em constante degradação, o impedindo de ver o futuro com mais esperança. Melancólico e lúdico, o longa aposta em técnicas "simples" para ilustrar o inocente olhar do protagonista e encanta, com todas as suas cores e sons. É bonito de ver, de sentir, faz bem para a alma.



12. Hoje eu Quero Voltar Sozinho
direção de Daniel Ribeiro / 2014


Ainda acho uma pena o cinema nacional não apostar mais em filmes adolescentes, as poucas vezes que isso aconteceu nos últimos anos deram certo e "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" marca o ápice deste subgênero ignorado no país. Baseado no curta-metragem de Daniel Ribeiro, que aqui volta a dirigir, o longa coloca como protagonista um jovem cego (Guilherme Lobo) que, em uma fase de descobertas, percebe estar apaixonado por seu novo colega de classe. Simples, divertido e bastante honesto na forma de relatar a adolescência, o filme é apaixonante e tem o poder no colocar um sorriso em nosso rosto e não deixar que ele saia até seu final. Mais do que falar sobre homossexualidade, a obra fala sobre afeto e sobre como toda forma de amor é válida.



11. Entre Abelhas
direção de ian SBF / 2015


Sucesso com o canal "Porta dos Fundos" no youtube, o diretor Ian SBF e o ator Fábio Porchat resolveram arriscar no cinema e ninguém poderia imaginar que daria tão certo. Na inusitada trama, conhecemos um homem que aos poucos deixa de enxergar as pessoas ao seu redor, tornando seu mundo cada vez mais solitário. É aquele tipo de história que até então só poderia ser possível em produções estrangeiras, logo que o cinema nacional nunca pareceu se interessar por este tipo de criação, que envolve o absurdo, uma realidade fantasiosa, paralela. "Entre Abelhas" dá um novo fôlego para o cinema realizado no país, oferece uma nova saída, uma nova forma de se expressar, resultando em uma obra de extrema inteligência, original, que diverte e ainda deixa reflexões válidas. Sim, todos nós estamos deixando de ver as pessoas que nos cercam e o longa narra isso com humor, sem deixar de ser melancólico, sem deixar de ser doloroso.



10. De Onde Eu Te Vejo
direção de Luiz Villaça / 2016


Nem todas as histórias duram para sempre, as pessoas se transformam ao longo dos anos assim como os muros e arquitetura de uma grande cidade. Entre as inúmeras modificações de São Paulo, Denise Fraga e Domingos Mantagner acabam de se separar, mas precisam lidar com o fato de que moram em apartamentos um de frente para o outro. Entre situações cômicas e bastante possíveis, o filme encanta por suas ideias e pela delicadeza com que fala sobre seus temas. É atual. É romântico e faz um bem enorme ao coração...veja e entenda o porquê!



9. Mais Forte Que o Mundo
direção de Afonso Poyart / 2016


Mais do que traçar a trajetória de sucesso do lutador José Aldo em uma emocionante história de superação, o que temos aqui é a constante luta de um homem fora do combate, das oportunidades perdidas em uma adolescência sem rumo e um conflituoso embate com seu pai, violento, alcoólatra. É tão impactante tudo o que precisamos encarar durante suas duas horas, chegamos a sentir a fúria de alguém que tem muito o que odiar e a força de quem já caiu demais. Intenso, doloroso, eletrizante...há tantas características para denominar o cinema de Afonso Poyart, que nos entregou um produto raro, de uma grandiosidade quase nunca alcançada pela produção nacional. De fato, "Mais Forte Que o Mundo" não deve nada para obras estrangeiras e isso nos enche de muito orgulho.



8. Ponte Aérea
direção de Julia Rezende / 2015


"Ponte Aérea" é um romance atual, que mais do que relatar a relação à distância entre duas pessoas, é um relato honesto e profundo sobre o quanto o vazio existente em nossa geração afeta os novos encontros e transforma as paixões em um produto exposto em uma vitrine pronto para ser descartado. É aquele filme que bate um orgulho. Orgulho porque quase nunca vemos uma comédia romântica decente e quase nunca o gênero tem algo a dizer. Este tem muito a dizer e ele é brasileiro. Letícia Colin e Caio Blat estão sensacionais e digo que é quase impossível não se apaixonar por eles e não se ver envolvido em suas histórias, torcer para que tudo dê certo e sofrer por cada discussão que iniciam. Divertido, cool, o que também temos aqui é um filme gostoso de ver, inteligente e muito verdadeiro em cada sentimento que expõe.



7. O Lobo Atrás da Porta
direção de Fernando Coimbra / 2014


Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento encaram um provocante e instigante trio amoroso, que acaba por se tornar um jogo de mentiras e vingança. Uma trama surpreendente, que nos engana, que nunca segue caminhos óbvios e entrega um final catártico e perturbador.



6. Que Horas Ela Volta?
direção de Anna Muylaert / 2015


Divertido, crítico e emocionante, "Que Horas Ela Volta?" mostra uma realidade brasileira pouco discutida e revela através de uma personagem icônica, tão bem defendida por Regina Casé, tantas verdades ocultas em nossa sociedade. O texto é excelente, que encanta pela simplicidade e pela humildade de sua protagonista.



5. Praia do Futuro
direção de Karim Aïnouz / 2014


Você foi avisado sobre as cenas polêmicas envolvendo os atores Wagner Moura e o alemão Clemens Schick e talvez tenha perdido a chance de ver essa pérola no cinema. Jamais esquecerei da experiência que foi ver "Praia do Futuro" na tela grande, com todas suas cores, paisagens e sons. Um turbilhão de sensações e a prova de que Karim Aïnouz é um dos grandes diretores do cinema nacional, que construiu um produto requintado, fora do comum, grandioso. O roteiro, bastante sensível, deu a chance das imagens dizerem por si, pouco nos contando sobre a história e sobre os personagens, fazendo com que um outro filme acontecesse em nossa mente. Um projeto corajoso, que nos deixa extasiados por suas palavras, por tudo o que diz, por tudo o que nos faz sentir.



4. 2 Coelhos
direção de Afonso Poyart / 2012


Não há nada como "2 Coelhos" na memória de nosso cinema. Ação empolgante, efeitos visuais de qualidade e uma trama eletrizante, que envolve um quebra cabeça engenhoso e um romance crível. Com roteiro e direção espetacular, o longa colocou Afonso Poyart como um de nossos diretores mais promissores. É aquele tipo raríssimo de entretenimento, que sabe ser crítico sem esquecer do público.



3. Paraísos Artificiais
direção de Marcos Prado / 2012


Antes de o ver, só havia lido comentários negativos contra o filme. Quando terminei de assistir só consegui pensar em como todas aquelas pessoas estavam erradas..."Paraísos Artificiais" não só é muito bom, como é um dos melhores de nosso cinema dos últimos anos. Estreia de Marcos Prado (Estamira) em um longa de ficção, a obra que também conta com a produção de José Padilha, narra os encontros e desencontros de um casal (Nathalia Dill e Luca Bianchi) que se conheceu em uma rave e entre sexo, drogas e músicas eletrônicas, tiveram suas vidas marcadas. Intenso e poético, poucas vezes um romance foi tão devastador na tela. Há força e muito sentimento presente em cada sequência que nos guia para um belíssimo final.



2. Entre Nós
direção de Paulo Morelli e Pedro Morelli / 2013


Tenho um apreço enorme por esta obra. Foi um dos últimos que vi dessa lista e já o coloco como um dos meus filmes nacionais favoritos. "Entre Nós" longa narra o reencontro de seis amigos escritores em uma casa de campo dez anos após um evento trágico. O longa encontra delicadeza em cada momento e entre fortes diálogos e personagens tão bem definidos, acaba por trazer reflexões profundas. Com um texto primoroso e elenco afiadíssimo, é difícil sair ileso da obra ou simplesmente esquecê-la. 



1. O Palhaço
direção de Selton Mello / 2011


Um dos filmes nacionais que mais me marcou nos últimos anos, "O Palhaço", escrito, dirigido e protagonizado por Selton Mello, é de um primor visual e uma aula de sensibilidade. A trama narra a jornada de auto descobertas do palhaço Benjamin e as relações fraternas entre um grupo de circenses. É lindo, emocionante, poético, nos faz criar uma empatia muito grande por seu universo lúdico e nos faz pensar em nossa própria vida. Com uma delicada trilha sonora e um humor ingênio, é aquele tipo de filme que preenche a alma e que fazemos questão de guardar na memória. 


E para você? Qual seu filme nacional favorito?

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