sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Crítica: Agora e Para Sempre (Now is Good, 2012)

“Agora e Para Sempre” é daquelas obras que surgem sem ninguém notar e de repente você vê as pessoas comentando, recomendando. Pouco vi divulgação sobre ele e mal sabia do que se tratava, logo, me surpreendi. Conta, na verdade, uma história bastante comum e já relatada em outros filmes, no entanto, é feito com extrema sensibilidade por este competente diretor, Ol Parker (Imagine Eu & Você, 2005), que entrega alma a seus personagens e faz tudo com uma honestidade pouco vista em obras sobre o mesmo tema.

Por Fernando Labanca

Lançado diretamente nas locadoras, aqui no Brasil, “Now is Good” fora baseado no livro “Antes de Morrer” de Jenny Downham e conta a trajetória de Tessa (Dakota Fanning), uma jovem de 17 anos que sofre de leucemia em estágio terminal e como última meta de vida, decide fazer uma lista com tudo aquilo que não fez e deseja fazer antes de morrer, desde perder a virgindade até fazer uma tatuagem. Até que Tessa conhece seu novo vizinho, Adam (Jeremy Irvine, de "Cavalo de Guerra") que parece ser o salvador de todos os seus problemas, parece ser aquele elemento que faltava em sua vida, é aquilo que lhe dá sentido, e se entrega a essa relação mesmo sabendo que em breve teria um fim.


"Momentos...nossa vida é uma série de momentos. Cada um...uma viagem para o fim. 
Desapegue. Desapegue-se de tudo"

“Agora e Para Sempre” é uma mistura de “Um Amor Para Recordar”, contando sobre o caso da garota que antes de morrer passa a realizar seus últimos desejos e que no meio do percurso acaba se apaixonando, com a obra de Gus Van Sant, “Inquietos”, onde até mesmo o casal protagonista é visualmente parecido. Logo em seu começo tive essas impressões e isso me incomodou, não por não gostar dos filmes citados, mas por não estar disposto a ver algo que já vi. Entretanto, aos poucos, o longa vai convencendo e mostrando seu diferencial, seu potencial, não chega a ser tão novelesco quanto um Nicholas Sparks e diferente de Van Sant, trás vida a seus personagens e sinceridade às situações que eles enfrentam, consegue em alguns diálogos provar sua inteligência, insere com competência sua trama no mundo real, os sentimentos são traduzidos com verdade, os olhares, as palavras, os dramas. Não tem a intenção de mostrar o quanto o amor salva vidas, nem que o humor da protagonista é aquilo que a deixa forte, elementos tão clichês em filmes do gênero, aqui, eles nos revelam suas fragilidades, nos revelam seus medos e por isso, consegue com muito mais facilidade, trazer emoção às cenas, simplesmente por ser mais honesto.

O roteiro é interessante, tem a nobre intenção de não mostrar apenas o drama de Tessa, mas também reserva um espaço para nos relatar o quanto sua doença e o quanto suas atitudes afetam as pessoas que a cercam. Adam que se esquiva de seus beijos e prefere não falar sobre suas conquistas pessoais por medo de parecer superior ou por medo de provar que ele tem uma vida além dela. Sua mãe que nunca sabe como lidar com a situação e seu pai, tão protetor, que volta a enxergar a criança que existe nela. Gostei de cada um desses detalhes, eles enriquecem a trama e fazem os conflitos parecerem mais reais. A escolha do elenco foi certeira, Jeremy Irvine é carismático e surpreende em algumas cenas e os pais de Tessa são maravilhosamente bem interpretados por Olivia Williams e Paddy Consadine. Dakota Fanning, que provou seu talento quando criança, e desde que cresceu, porém, não teve a chance de brilhar tanto quanto neste projeto, a meu ver, seu melhor filme e com toda a certeza, sua melhor atuação, desde muito tempo.


“Now Is Good” não foge dos clichês, obviamente, a trama quase que não permite isso. No entanto, é tudo tão belo e convincente, que vai ganhando nossa empatia ao decorrer do filme, confesso que me mantive bloqueado até metade dele, além de possuir alguns momentos imaturos, tem um final bastante previsível. Porém, não teve como, o roteiro soube como trabalhar as emoções do público, vai conquistando nosso coração com seus diálogos e vai nos destruindo aos poucos, até que em seu final só nos resta as lágrimas. O texto é ótimo e o diretor Ol Parker trás beleza às cenas com soluções visualmente interessantes, e com uma fotografia impecável vemos sequências que ficarão facilmente na memória (e as boas canções também ficarão). Um filme poético, sensível, que sabe trazer humor quando deve e sabe inserir emoção quando deve, tudo na medida certa, sem exageros. Cheio de estilo e possuindo aquela elegância que todo bom filme britânico tem, "Agora e Para Sempre" tem potencial para estar na lista de favoritos de muitos. Recomendo, não é para todo tipo de público, mas recomendo.  

NOTA: 8


País de origem: Reino Unido
Duração: 103 minutos
Distribuidor: California Filmes
Elenco: Dakota Fanning, Jeremy Irvine, Paddy Considine, Olivia Williams
Diretor: Ol Parker
Roteiro: Ol Parker, Jenny Downham





16 comentários:

  1. Eu recomendo, a história é linda, apesar de ser triste... quase me acabo de chorar.

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    1. Quando assisti esse filme há mais ou menos um mês atrás fiquei muito emocionado e até chorei. A história se parece muito com a do filme "Um Amor para Recordar", e eu até o achei mais realista quanto a retratar de maneira fiel a vida de uma pessoa em estado terminal de câncer. Um Amor Para Recordar deixou a desejar nesse quesito e apelou muito para o romantismo. Porém não deixa ser bom. Mas Agora e Para Sempre me surpreendeu. Mera opinião minha!Rsrsrs

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  2. Um daqueles filmes que faz vc pensar sobre a vida...refletir e talvez mudar sua forma d agir ...amo esse filme mt bom!!!!

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  3. Eu não entendi o final..

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  4. Por que no final a menina aparece com cabelo grande e vendo a filha da amiga dela??

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    1. Interpretei que essas foram as visões que Tessa tinha em sonhos antes de morrer.

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    2. Exatamente Alanna. Assim como foi informado pela enfermeira, o efeito da Morfina nao permitiria ela sentir dores e faria com que ela tivesse sonhos lindos no momento de partir. Ela sonhou com o que ela mais queria ter na vida : A família reunida e feliz , sua bela aparência física e conhecer o bebê da amiga .

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  5. Passando aqui para agradecer a todas as pessoas q comentaram por aqui! Que bom que curtiram o filme também!

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  6. Tbm fiquei confusa no final, mas acho que isso era o que ela imaginava o que queria que acontecesse

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  7. Toda vez q assisto esse filme choro demais, Dakota Fanning me surpreendeu, fantástico esse filme na categoria de drama.

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  8. Toda vez q assisto esse filme choro demais, Dakota Fanning me surpreendeu, fantástico esse filme na categoria de drama.

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  9. eu ja vi ele varias vezes e em todas me emociono, gostei mais do que a culpa é das estrelas

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