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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Crítica: Agora e Para Sempre (Now is Good, 2012)

“Agora e Para Sempre” é daquelas obras que surgem sem ninguém notar e de repente você vê as pessoas comentando, recomendando. Pouco vi divulgação sobre ele e mal sabia do que se tratava, logo, me surpreendi. Conta, na verdade, uma história bastante comum e já relatada em outros filmes, no entanto, é feito com extrema sensibilidade por este competente diretor, Ol Parker (Imagine Eu & Você, 2005), que entrega alma a seus personagens e faz tudo com uma honestidade pouco vista em obras sobre o mesmo tema.

Por Fernando Labanca

Lançado diretamente nas locadoras, aqui no Brasil, “Now is Good” fora baseado no livro “Antes de Morrer” de Jenny Downham e conta a trajetória de Tessa (Dakota Fanning), uma jovem de 17 anos que sofre de leucemia em estágio terminal e como última meta de vida, decide fazer uma lista com tudo aquilo que não fez e deseja fazer antes de morrer, desde perder a virgindade até fazer uma tatuagem. Até que Tessa conhece seu novo vizinho, Adam (Jeremy Irvine, de "Cavalo de Guerra") que parece ser o salvador de todos os seus problemas, parece ser aquele elemento que faltava em sua vida, é aquilo que lhe dá sentido, e se entrega a essa relação mesmo sabendo que em breve teria um fim.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

DVD: O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, 2010)

Vencedor do Urso de Prata de Melhor Diretor para Roman Polanski no Festival de Berlim este ano e recentemente, o grande vencedor do European Film Awards, o "Oscar europeu", levando nas principais categorias como Melhor Filme, Diretor, Ator (Ewan McGregor) e Melhor Roteiro. "O Escritor Fantasma" é um suspense muito bem arquitetado, com ótimas cenas, momentos de tirar o fôlego e grandes atuações.

por Fernando Labanca

O gênero suspense é sempre muito arriscado, raramente saem bons títulos, mas quando estão nas mãos dos diretores certos, acabam se tornando obras bastante interessantes, como é o caso do recente "Ilha do Medo", onde Martin Scorsese realiza um trabalho digno de elogios e assim também funciona com o novo filme do veterano Roman Polanski. "O Escritor Fantasma" é um suspense bem diferenciado, maduro e muito bem feito, sem sustos, mas ainda há o suspense, de forma bastante sutil, mas ainda há.



Conhecemos o ex-primeiro ministro Adam Lang (Pierce Brosnan), vive com sua mulher Ruth (Olivia Williams) numa ilha afastada de tudo nos Estados Unidos. Decidido a fazer sua biografia, ele contrata um escritor fantasma, um escritor que todos sabem que existe mas ninguém o conhece, somente os envolvidos na obra. Entretanto, este autor acaba falecendo na beira do mar e há um grande mistério envolvendo sua morte. Para terminar o livro, ele contrata um outro escritor fantasma (Ewan McGregor), que passa a se exilar juntamente com Adam Lang e sua família na ilha, tem acesso aos manuscritos de seu antecessor a passa a tentar compreender a vida de Lang através de entrevistas e pesquisas.

Porém, quanto mais pesquisava, mais pecebia que entrar na vida do ex primeiro ministro seria algo difícil, é quando que, recolhendo fatos, dados, percebe que há grandes mistérios envolvendo o passado de Lang, desde seu partido, o sindicato em que fazia parte, mistérios envolvendo até mesmo a CIA e envolvendo aquilo que ele mais temia, a morte de seu antecessor. Para piorar, Adan lang está sendo duramente acusado por autorizar a prisão e tortura de suspeitos de terrorismo. A partir de então, o escritor fantasma passa a juntar as peças desse quebra-cabeça e percebe que tentar achar respostas para todas suas dúvidas será algo completamente perigoso onde poderá ter o mesmo final que seu antecessor.


"O Escritor Fantasma" é definitivamente um filme extramamente bem realizado. Começando pelo roteiro, baseado no livro de Robert Harris que também assina a adaptação, ao lado de Polanski. Toda a trama é muito bem escrita, todos os mistérios, a forma como eles chegam, a forma como a personagem principal vai os revelando, nos prendendo de uma forma muito interessante, pelo menos, eu me senti completamente envolvido na história. Este roteiro poderia ter se perdido se não tivesse as mães de Roman Polanski que realiza um trabalho excelente, desde a movimentação das câmeras, construindo cenas belíssimas, a ótima edição, até a utilização da trilha sonora, muito bem feita por Alexandre Desplat, mais uma vez colaborando para a melhoria de um filme. Vale citar a fotografia, as locações e até mesmo os figurinos. Tudo em perfeito estado.

O elenco se destaca também. Já premiado por sua atuação, Ewan McGregor está incrível, na pele do escritor fantasma, nos transmite com bastante segurança a quase obsessão pela finalização de seu trabalho, com certeza foi a escolha certa para protagonizar o longa. Pierce Brosnan se sai melhor que alguns de seus trabalhos anteriores, constrói um personagem interessante e acaba surpreendendo. Ainda há a ótima participação de Olivia Williams, uma de suas melhores aparições no cinema e a correta Kim Cattrall e o sempre ótimo Tom Wilkilson.

Enfim, um filme brilhante muito bem realizado por Roman Polanski, para quem procura um filme cabeça, com conteúdo mas que ainda consegue agradar aqueles que procuram entretenimento. Com um ótimo roteiro, atuações notáveis e boas cenas de suspense, com perseguições de tirar o fôlego e um final um tanto quanto surpreendente. Uma ótima escolha, recomendo!

NOTA: 9

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Crítica: Reflexos da Inocência (Flashbacks of a Fool, 2008)


Reflexos da Inocência é um filme que chegou quieto nos poucos cinemas em que foi lançado, e agora chega na locadora, para a sorte de todos que terão o privilégio (sim, privilégio) de ver essa pérola escondida do cinema norte-americano.


por Fernando

Tudo o que existe hoje, tudo o que vemos ao nosso redor, um dia, óbvio, teve seu passado, e muitas vezes, esse passado explica e muito sobre o que ocorre no presente, é o que acontece com Joe Scott (Daniel Craig). Ele, é uma estrela fracassada de Hollywood, que alcançou o auge da fama e hoje vive isolado numa mansão, vivendo uma vidinha de consumismo, bebidas e sexo sem compromisso. Ele podia ter o queria, mas ele prefere pagar pelo o que quer.

Porém, certo dia, sua mãe que há anos não o via, liga para dar uma péssima notícia, seu melhor amigo faleceu. Amigo de infância, aquele companheiro que estava em todas as grandes histórias, em todos os grandes momentos, tudo acabara. Com isso, ele é obrigado a partir de volta para casa, reencontrar com aqueles que havia abandonado no passado, e antes que isso ocorra, ele relembra todos os mais importantes fatos de sua vida, daqueles momentos que fizeram ele ser o que é hoje.

Joe, agora interpretado por Harry Eden, vive com sua mãe Grace (Olivia Williams), sua irmã e sua tia Peggy Tickell (Helen McCrory), juntos, eles vivem em um lugar nada concencional, em frente ao mar ao lado de uma humilde comunidade. Joe e seu melhor amigo vivem aprontando pela cidade e jogando o charme deles nas garotinhas inocentes. Adolescência, período de descobertas, o período de transição, quando se perde a inocência.

As coisas começam a se complicar quando Joe passa a se envolver com a vizinha, Evelyn, mais velha, casada e com uma filha. Ela é uma mulher perturbada, vive sózinha logo que seu marido nunca está em casa, e sua filha não a ama como ela esperava e tem dificuldades em dar carinho e educação a ela. Joe, de certa forma, é inocente, não tem noção das consequências de seus atos. Até que ele tenta se envolver com uma garota de sua idade, Ruth Davies (Felicity Jones) e junto com ela, ele descobre só por uma noite (o grande momento do filme) um mundo ele desconhecia, de música, maquiagem e rock n' roll (o "glam Rock"), estilo típico de David Bowie e Roxy Music que eram ícones na época e influenciavam a juventude. Mas graçás o seu relacionamento "carnal" com a vizinha, Ruth não passa de uma noite.

Porém seus atos acabam tendo consequências trágicas para a vida de todos ao seu redor, e por causa de uma atitude sem pensar, tudo desmorona, seus sonhos, seus desejos, sua inocência. Joe se vê obrigado a partir, logo que para ele, era a única saída. E agora com a morte de seu amigo, ele volta, e relembra de tudo o que aconteceu, seus medos e mágoas do passado vem a tona em seu presente, além de todos os bons momentos de uma juventude que ficou para trás e nunca mais voltará, aqueles velhos e bons tempos...E para aceitar e encarar a todos novamente, ele precisa aceitar quem ele foi e o que ele fez de sua vida e compreender e refletir que seus atos refletiram por toda sua vida.


Reflexos da Inocência é o filme de estréia de Baillie Walsh, diretor veterano em video-clips e agora investe em sua carreira cinematográfica, e na minha opinião, começou com o pé direito. Baillie é incrível, transforma um roteiro simples e delicado em uma trama envolvente, forte, trágica, sensual e intensa. Aliás, se eu tivesse que escolher uma só palavra para esse filme, seria "intenso", pois é isso o que ele é, do início ao fim, intenso nas atuações, no roteiro e na direção.


A trilha sonora só intensifica mais o drama, reforçando com competência cada cena, cada diálogo. Baillie deixa claro seu gosto pela música e video-clips, em determinadas cenas, ele literalmente nos teletransporta para aquela época, através das músicas, dos cenários e figurinos bem utilizados.

Se Daniel Carig queria fazer diferente de tantos atores que interpretaram James Bond e simplesmente deixaram que suas carreiras se resumissem a 007, ele conseguiu. Craig é versátil, e fora das cenas de ação, ele convence na tragicomédia, ele é engraçado e comovente, nos faz rir e nos emociona em algumas cenas. Isso graçás ao grande roteiro, mas sua atuação contribuiu e muito para esse filme ser um grande projeto cinematográfico.

O resto do elenco também estão afinados. Mas destaco Olivia Williams, que faz com sua personagem cresça mesmo ela tendo tudo para ser só mais uma em cana. Claire Forlani, interpreta Ruth Davies quando mais velha e em poucos minutos em cena, ela é competente e poderá até arrancar lágrimas dos mais incensíveis. Mas a grande revelação, talvez não por sua atuação, não que seje ruim, mas pelo papel que desempenha no longa, Felicity Jones, a jovem Ruth, que faz de longe o mais envolvente e carismático momento do filme, e digo mais, uma das cenas mais memoráveis no cinema atual, indiscutivelmente maravilhoso o momento em que ela dubla If There is Something, de Roxy Music, ao lado de Harry Eden.

Reflexos da Inocência, poderia ser só mais um filme sobre o pobre homem rico que vive um atual fracaso e volta as origens, assim com Tudo Acontece em Elizabethtown, Hora de Voltar, Um Bom Ano entre outros. Mas ele inova, fungindo dos clichês, e recria essa mesma história de uma maneira bem mais ousada, forte e intensa.

O filme poderia ter se limitado, logo que a história é um tanto quanto batida, mas ele abre espaço para momentos memoráveis, personagens delicados, sensíveis e sinceros. Coloca em cena pontos para serem refletidos, como família, amizade, perdão, redenção. O filme também nos faz refletir sobre o tempo, o pouco tempo que ainda temos de vida, e que ele acaba, assim como tudo ao nosso redor, além do sofrimento, os mementos mais felizes de nossas vidas ficam no passado e não podem mais serem resgatados, o que passou passou, toda a inocência de uma época que não volta mais, onde os problemas eram pequenos e eramos livres para ser o que queríamos ser.

NOTA: 10

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