sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You, 2009)

Em 2006 vários diretores cultuados se reuniram para mostrar, cada um com seu curta-metragem, histórias de amor em Paris, em "Paris, Eu Te Amo", a idéia deu certo e deram partida para um projeto promissor chamado "Cities of Love", e Nova York foi a escolhida para ser palco desta sequência, reunindo diretores não muito conhecidos numa mescla adorável de amor, comédia e drama.

por Fernando Labanca

Dentre os diretores a mais conhecida é a indiana Mira Nair (Feira das Vaidades), há a iniciante Natalie Portman por trás das câmeras e na frente delas também. Há também Brett Ratner (X-Men e o Confronto Final) e alguns diretores desconhecidos do grande público, atores que se aventuraram como realizadores e alguns até estrangeiros escolhidos para finalizarem os 11 curta-metragens, que por sua vez, funcionam quase como um longa-metragem, um mosaico cheio de histórias paralelas, assim como o britânico "Simplesmente Amor".

Há algumas passagens dispensáveis como a do norte-americano Allen Hughes (O Livro de Eli), numa cansativa declaração de amor entre desconhecidos, interpretados por Bradley Cooper e Drea de Matteo, bons em seus respectivos personagens. Já a sequência dirigida por Natalie Portman que fala sobre preconceito na cidade, não empolga nem emociona. O indiano Shekhar Kapur faz uma das passagens mais belas, visualmente falando e o curta mais complexo dentre todos, com ótimas atuações de Shia LaBeouf e Julie Christie, mas que de certa forma não se encaixa na proposta e parece pertencer a outro longa qualquer, menos "Nova York, Eu Te Amo", a história acontece num hotel e pouco se comunica com a cidade. Há também Mira Nair e sua bela história entre uma cliente (Portman) e um comprador, com um diálogo intenso, mas pouco empolgante também.

Brett Ratner, o mais criticado entre todos, acredito que foi o que conseguiu se comunicar mais entre a "massa", vamos dizer assim, o curta com um toque mais popular, conta com atuações dos jovens Anton Yelchin, Olivia Thirlby, Blake Lively e do veterano James Caan e nos mostra a noite inesquecível de um garoto em sua formatura ao lado de uma cadeirante que acabara de conhecer. Estranho, mas simpático. O diretor Joshua Marston nos trás uma deliciosa tarde ao lado de um casal na terceira idade (Elie Wallach e Cloris Leachman) e a pespectiva deles sobre Nova York, ótimo. Há também algumas passagens que entrelaçam esses acontecimentos, fazendo assim, paracerem histórias paralelas e não tão distantes uma das outras, como a personagem de uma cinegrafista (Emilie Ohana- uma pseudo-protagonista) que registra esses momentos inusitados em Nova York e tem contato com as diferenças dessa incrível cidade, das diferentes religiões, raças e credos.


Entre os grandes destaques está exatamente o primeiro longa, dirigido pelo chinês Jiang Wen e nos mostra a divertida história de um "batedor de carteira" (Hayden Christensen, ótimo) e como conheceu uma bela jovem (a "the O.C" Rachel Bilson) a partir de seus roubos, o curta ainda conta com ótima participação de Andy Garcia. O japonês Shunji Iwai é talvez o que mais agrade os mais jovens, numa espécie de mini comédia romântica, conta com Orlando Bloom e Christina Ricci e marca um bom momento do filme. Mas quem acerta em cheio, para mim, é o ator israelense Yvan Attal (atuou em A Hora do Rush 3) que faz duas passagens, uma entre Ethan Hawke, brilhante em seu papel e algumas tentativas de não passar a noite sózinho jogando seu inocente charme para as desconhecidas com quem se depara, inclusive com uma prostituta (Maggie Q.). Mas a melhor mesmo é quando Yvan dirige Chris Cooper na noite de Nova York, conversando com uma suposta desconhecida no intervalo de um jantar, a sempre incrível Robin Wright Penn. A passagem é muito rica nos diálogos e o final é bem tocante.

Um filme marcado por altos e baixos, mas as qualidades prevalecem. No geral são curtas bem interessantes com participações de um elenco brilhante, destaque para Ethan Hawke, Natalie Portman e Robin Wright Penn, mas não há sequer um ator que desaponte, ainda há participações de John Hurt, Shu Qi, Carlos Acosta, e Ugur Yucel. O filme vale mesmo pelos atores. Porém, vale destacar as divertidas e emocionates histórias que no geral, empolgam, e formam um quebra-cabeça digno de elogios.

O defeito mesmo é a falta de identidade de cada diretor, que na edição final, parecem mesmo pertencer a um só realizador. Faltou aquele toque particular de cada que assim mostraria mais nitidamente a perspectiva de cada um sobre Nova York. A fotografia é bela e a trilha sonora é simples e quase nula. Mas ainda assim vale muito a pena, um filme divertido e emocionante, que vai além de se comunicar somente com os nova iorquinos, é uma linguagem universal, histórias que poderiam acontecer em qualquer outro lugar, uma sensível e deliciosa experiência, prova de que em cada esquina de qualquer cidade há alguém que carrega em si grandes acontecimentos, um amor perdido, um amor encontrado, uma nova amizade, uma nova descoberta, amores que se perdem no meio do caminho, amores que permanecem por uma vida inteira, histórias de pessoas que cansaram da solidão e histórias de pessoas que tem suas vidas resumidas em um só dia, por um só momento. Ótimo, recomendo.

NOTA: 9

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