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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Crítica: O Plano de Maggie (Maggie's Plan, 2015)

Crônicas de uma vida excêntrica vivida por Greta Gerwig.

por Fernando Labanca

Casada com o diretor e roteirista Noah Baumbach, Greta teve, ao lado dele, a chance de levar um pouco de si mesma ao cinema. Quase como uma trilogia não programada, "O Plano de Maggie" muito se assemelha com os outros filmes da dupla, "Frances Ha" (2012) e "Mistress America" (2015). É, mais uma vez, a atriz vivendo ela mesma ou essa persona adorável que resolveu construir para si. A mulher que se recusa a crescer e que fracassa constantemente na intenção de acertar. Mesmo que escrito e dirigido por Rebecca Miller (O Mundo de Jack e Rose), que nada tem a ver com os projetos anteriores, parece ter desenvolvido toda sua obra visando ter Greta como protagonista. De fato, Maggie não existiria sem a excentricidade e carisma dessa musa do cinema indie.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Crítica: Drama em Família (Ten Thousand Saints, 2015)

Baseado no livro homônimo de Eleanor Henderson, "Ten Thousand Saints" é um relato sincero sobre essas pessoas que encontramos na vida e chamamos de família.

por Fernando Labanca

Bastante curioso a construção desta história. Contá-la em uma breve sinopse é quase como tirar o brilho de tudo aquilo que ela é feita, mas vou arriscar, apenas como forma de introduzir o texto. Teddy e Jude são melhores amigos, eis que certa noite, Teddy resolve voltar mais cedo para sua casa. Poderia ser um evento qualquer, mas esta pequena ação definiu o rumo na vida de todos. Na mesma noite, Jude descobriu que é adotado e que seu pai (Ethan Hawke) traiu sua mãe e teve uma filha fora do casamento. Anos depois, no final da década de 80, longe do pai e no auge de sua rebeldia, Jude (Asa Butterfield) recebe em sua cidade a filha bastarda, sua irmã sem sangue, Eliza (Hailee Steinfeld), que resolveu tentar algum tipo de aproximação. É nesta noite em que ela também conhece Teddy (Avan Jogia), seu melhor amigo. E este é outro evento que acaba por transformar seus destinos, unindo-os de uma forma que eles jamais poderiam prever.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Crítica: O Predestinado (Predestination, 2014)



- "Quem nasceu primeiro...o ovo ou a galinha?
- "O galo"

Para quem ainda não assistiu "O Predestinado", recomendo assistir sem saber nada, sem ler qualquer sinopse ou comentário. Foi exatamente o que fiz e confesso, foi uma viagem surpreendente, que me deixou extasiado durante seus minutos e feliz por finalmente ver uma obra tão diferente, dessa mistura louca de drama, ação, suspense e ficção científica. Uma história tão fantástica que de tantas perguntas que me deixou no final, a mais cruel de todas foi: por que diabos que ninguém está falando sobre este filme ainda?

por Fernando Labanca

Um agente temporal (Ethan Hawke) sofre um acidente em sua última missão, quando precisava desativar uma bomba, queimando seu rosto e o desfigurando completamente. Depois de várias cirurgias e com um rosto irreconhecível, ele passa a trabalhar, aparentemente, como bartender. É, então, que no balcão de seu bar surge John (Sarah Snook), que promete lhe contar a melhor história que ele já ouviu, cantando sobre sua difícil infância e todos os percalços que o levaram até ali. Após ouvir tudo, o agente lhe oferece sua própria missão, voltar no tempo, lhe dando a chance de se colocar frente a frente com aquele que arruinou sua vida.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Crítica: Boyhood - Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)

"Boyhood" foi um dos filmes que mais esperei nesses últimos doze meses e é com ele que concluo mais um ano aqui no blog. Mais do que uma das melhores obras de 2014, o longa dirigido por Richard Linklater, pode ser citado como uma das obras mais ambiciosas dos últimos tempos. Filmado durante 12 anos, a sensação que temos ao assistí-lo e ver seu elenco envelhecendo, ali na tela, é uma experiência nova, única, de uma coragem e genialidade que há muito tempo a sétima arte não presenciava. O cinema precisava disso. "Boyhood" representa muita coisa, é um marco, uma inovação. Nasce aqui uma obra-prima, em sua mais genuína forma.

por Fernando Labanca

Ao longo de 12 anos, o diretor Richard Linklater reuniu sua equipe para rodar seu filme, uma vez a cada ano, para mostrar a jornada e o crescimento de seus personagens. Ellar Coltrane, que interpreta o protagonista Mason, inicia as filmagens aos 6 anos e termina aos 18. Não haveria forma melhor para Linklater, que também assina o roteiro, relatar sobre o que pretendia, o tempo. E assim, acompanhamos todo seu elenco, que conta ainda com Patricia Arquette e Ethan Hawke como os pais de Mason e Samantha, interpretada por Lorelei Linklater. É muito curioso pensar como tudo isso foi feito, parece aquelas ideias malucas que alguém para e pensa: "e se gravarmos um filme durante vários anos? Como seria o resultado?". Penso que foi preciso muita coragem, disposição em fazer o melhor, dedicação em se doar a um único projeto, não só do diretor, mas de todos os envolvidos. É fascinante pensar nisso, para quem ama cinema, quem ama ver de perto essas histórias sendo contadas, é incrível poder ver algo assim, tão grandioso, tão genial, dando certo, quebrando qualquer padrão ou qualquer lógica. O resultado é mágico, muito mais do que ver os atores envelhecendo no mesmo filme, é ver e poder sentir as intenções que a obra teve, deste milagre em nos transportar ao passado, reviver uma vida que não foi a nossa, mas que poderia muito bem ter sido.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Crítica: Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013)

Em 1995, o diretor Richard Linklater, ao lado dos atores Ethan Hawke e Julie Delpy, lançou um dos romances mais interessantes que o cinema já teve a oportunidade de conhecer, a jornada de Jesse e Celine em “Antes do Amanhecer”, que surpreendentemente teve sua sequência, nove anos depois (Antes do Pôr-do-Sol, 2004). Pois bem, em “Antes da Meia-Noite”, o trio retorna para fechar essa trilogia, uma longa história que durou dezoito anos a ser concluída. A verdade é que não poderiam ter terminado tudo isso de forma melhor. Confesso, eu chorei. Chorei pois vi a mais real e mais honesta história de amor já contada. 

por Fernando Labanca

Li recentemente sobre uma entrevista que o diretor Richard Linklater cedeu a um site. Ele confessa que o encontro de Jesse e Celine fora inspirado em um encontro que ele teve na vida real, com uma estranha. Passaram a madrugada juntos, jogando palavras fora. Sua ideia era que ela reconhecesse a história deles em “Antes do Amanhecer” e quem sabe, eles pudessem se encontrar novamente, entretanto, antes que o filme fosse lançado, ela falece. Logo no começo de “Antes do Pôr-do-Sol” entendemos que Jesse havia escrito um livro sobre o encontro que ele teve com Celine em uma viagem pela Europa e é através desse livro publicado, que eles se reencontram. É triste pensar, mas essa trilogia é nitidamente sobre a história de amor de Linklater nunca vivenciou. Somado a isto, os atores Ethan Hawke e Julie Delpy sempre o auxiliaram no roteiro e, também, colocaram muito de si nos diálogos, experiências próprias, como os conflitos vividos por Hawke e sua ex-esposa com quem teve um filho. Tudo isso acaba trazendo um toque de realidade absurdo, as palavras ditas pelo casal em cena são extremamente humanas, nos faz refletir sobre tantas coisas como infância, família, amor, morte, enfim, tudo dito da forma mais honesta possível. E o fato de existir três filmes, em diferentes tempos, em diferentes situações, tivemos a oportunidade de conhecê-los, tão a fundo e de forma intensa. Conhecemos Jesse e Celine como nunca tivemos a chance de conhecer um casal de verdade nos cinemas e como consequência disso, conhecemos o grande vilão dessa história, o tempo. 



sexta-feira, 31 de maio de 2013

Crítica: Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989)

Lançado em 1989, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro e tem Peter Weir como diretor, que nos últimos anos realizou pouquíssimas obras como "Caminho da Liberdade". Um belíssimo e inspirador filme que nos faz pensar sobre como aproveitamos nosso dia, nossa vida, nos faz refletir sobre pelo o que se vale a pena viver. Uma obra milagrosa, magnífica, enfim...um clássico!

por Fernando Labanca

Tradição, honra, disciplina e excelência. Estes são os pilares que sustentam uma escola preparatória para garotos, com leis rígidas e uma doutrina conservadora. Neste local há jovens que estudam para serem médicos, advogados ou algum outro cargo importante, pressionados pelos pais e pela própria sociedade. Até que eles são apresentados ao novo professor de inglês, John Keating (Robin Williams), com seus métodos nada ortodoxos, ele tenta através da poesia, inspirar esses jovens e fugindo um pouco daquela antiga tradição, Keating acaba causando um certo impacto entre os outros professores e principalmente entre os alunos, que passam a refletir sobre o que realmente querem da vida. Keating os ensina a essência do "Carpe Diem", explorar a aproveitar o máximo o dia, os instiga a viver a vida como deve ser vivida, a viver uma vida extraordinária e principalmente, os inspira a perseguir suas paixões individuais e a lutar por elas. Eis que um grupo de alunos, como Neil (Robert Sean Leonard), Todd (Ethan Hawke), Charlie (Gale Hanson), Knox (Josh Charles), entre outros, tão empolgados com essa nova aula, pesquisam sobre a vida de John no colégio quando ainda era um estudante e decidem reabrir um grupo de estudos iniciado por ele anos atrás...a "Sociedade dos Poetas Mortos".


"Sou um poeta morto! Fui para os bosques viver de livre vontade para sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que não era vida e para, quando morrer, não descobrir que não vivi"

Mais do que aprender, estar em uma escola sempre acaba tendo um significado maior, é onde crescemos como pessoas, uma jornada de auto descobertas, de novas experiências. "Sociedade dos Poetas Mortos" consegue com maestria traduzir esses sentimentos, colocando alunos que de início tão acostumados com a tradição, se veem inspirados por um professor, é então que ganham vida, e na poesia descobrem a liberdade, a fome de viver, de ser alguém. É belo a trajetória desses personagens, que aos poucos conquistam a coragem de se aceitarem pelo que são, pelo o que amam, descobrem que o sentido da vida não será encontrado nos estudos que os levarão a serem médicos, advogados, o sentido está na luta por aquilo que os inspira. É belo o que Keating acaba levando a estes jovens, o que se torna quase que impossível não se afeiçoar a este grande personagem, que mesmo já mais velho, é um novato no colégio, tem a coragem de um adolescente, pronto para quebrar certas regras. Chega até ser previsível o fato de que suas atitudes teriam uma consequência ruim, de que seria mal visto por seus superiores, no entanto, o filme, com seu belíssimo e bem trabalhado roteiro, nos surpreende em seu final, trazendo algo impactante, e aquele sorriso leve e involuntário que permanece durante toda a obra, some e dá lugar as lágrimas, a emoção.

Em seu elenco, jovens que hoje já não são mais tão jovens, como Ethan Hawke, capaz de realizar grandes cenas, já na época, provando seu talento e a naturalidade com que consegue atuar, assim como Robert Sean Leonard, totalmente espontâneo, construindo um personagem memorável. Destaque também para Gale Hanson e Josh Charles, e sem, é claro, deixar de comentar de Robin Williams e como é bom vê-lo em um papel dramático, mesmo que tão carismático, tão alegre, o ator trás muita emoção em cena, dá vida a John Keating, o defende, como se acreditasse me cada palavra que ele diz. "Sociedade dos Poetas Mortos" tem em seus personagens sua grande força, são neles que as mudanças ocorrem, tudo acontece em um só lugar, o roteiro então, vencedor do Oscar, prova seu brilhantismo através dos diálogos, da construção desses indivíduos, como uma pequena ideia lançada em seu início atinge cada ser ali apresentado e como cada um reage. É por fim, um filme de sentimentos, que expõe ideologias, trás questionamentos que nos fazem refletir, inevitável não pensar na própria vida enquanto se assiste a esta obra.

Um filme atemporal, que fará sentido ainda daqui muitos anos, mesmo sendo de época, a maneira como o roteiro trabalha os dramas pessoais, podem se encaixar em qualquer contexto, em qualquer sociedade. Vemos na tela, pessoas sendo pressionadas, pressionadas por um consenso, consenso de que jovens precisam estudar numa faculdade renomada para que exerçam uma atividade de respeito, fazer exatamente o que se esperam delas, o que a sociedade espera, o que os próprios pais esperam. "Sociedade dos Poetas Mortos" é exatamente sobre esta libertação, viver por aquilo que se ama e não por aquilo que um dia alguém disse ser o certo, o melhor. Enfim, um filme maravilhosamente bem construído por este grande diretor chamado Peter Weir, com argumento consistente, atuações convincentes e momentos que ficarão na memória. Brilhante, fantástico, emocionante! Recomendo.   

NOTA: 10

"Não lemos e escrevemos poesia porque é moda. Lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana está impregnada de paixão. Medicina, Direito, Administração, Engenharia, são atividades nobres, necessárias à vida. Mas a poesia, a beleza, o romance, o amor, são as coisas pelas quais vale a pena viver."




quarta-feira, 27 de abril de 2011

2 em 1: Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol

Durante muito tempo dois filmes sempre me despertarem uma certa curiosidade, "Antes do Amanhecer" e "Antes do Pôr-do-Sol", eis que depois de muita enrolação resolvi assistí-los e não poderia deixar de comentar aqui, logo que se tratam, digamos, de duas incríveis obras-de-arte! Ambos são dirigidos por Richard Linklater (Escola de Rock) e tem Ethan Hawke e Julie Delpy como protagonistas, o primeiro em 1995 e nove anos depois houve uma sequência, um caso raro em filmes de romance.

por Fernando Labanca



Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995)

Ethan Hawke é Jesse, um jovem de 20 poucos anos, norte-americano, um tanto quanto perdido em sua própria vida, acabou de levar um fora de sua namorada que morava na Europa, tem alguns planos de trabalho mas nada muito concreto, e antes de voltar para casa resolve fazer um tuor entre as principais cidades da Europa, e sua próxima parada seria Viena. No trem em que estava acaba conhecendo Celine (Julie Delpy) uma francesa que fala inglês, uma jovem extremamente inteligente e que de imediato lhe desperta um certo interesse. Os dois conversam e em pouco tempo decobrem uma inacreditável afinidade.

Até que Jesse refletindo que talvez ele nunca mais iria vê-la e que essa pudesse ser a última chance dele encontrar o amor de sua vida, faz um pedido inusitado, a convida para descer em Viena e passar até o fim do dia com ele e antes do amanhecer ela voltaria e embarcaria para seu destino final. E para sua surpresa, ela aceita.

E enquanto conhecem juntos a beleza da cidade, trocam informações, segredos e angústias, passando pelos traumas de infância, as descobertas da adolescência, experiências de vida, momentos engraçados, seus planos para o futuro. E durante essas horas eles vão se conhecendo e descobrindo que há muito em comum entre eles, como se realmente fossem feitos um para o outro e a todo o tempo não descartam o que lhes irá ocorrer ao amenhecer, a despedida. Eles tinham apenas um dia para viver aquilo e por isso se deixam levar com muita intensidade, era a última chance, viver como se fosse a último dia passa a ter um significado mais concreto para Jesse e Celine.

Um filme único. Um dos romances mais incríveis que vi na minha vida, fato! Uma história extremamente simples transformada em algo grandioso, devido principalmente aos diálogos inesquecíveis e cenas memoráveis. Cada fala é um pedaço de genialidade e inteligência, soa quase como música aos ouvidos. São poucos filmes que falam por mim, mas neste, tive a sensação, em vários momentos, que poderia ter sido eu a falar determinados diálogos, há muito do que sinto sobre várias coisas ou até mesmo histórias de vida em que me identifiquei e acredito que isto possa ocorrer com muita gente, logo que foram escritos dois personagens muito humanos. Não teria o mesmo efeito, é claro, sem as ótimas atuações de Ethan Hawke e Julie Delpy, naturais ao extremo, havendo a todo o tempo uma deliciosa química entre eles, além de duas performances muito sensíveis, que acreditam no que dizem e nos convensem em cada palavra.

Richard Linklater em seu auge, sua grande obra-prima. Se constitui basicamente de dois personagens e os cenários reais de Viena e mesmo assim, não desgrudamos o olho da tela e o assunto entre eles é tão interessante que nos prendemos até o final, somado a curiosiidade de saber o que irá ocorrer no final. Um filme belíssimo, não só pelas paisagens, mas principalmente pela história. Uma fuga da realidade, dois jovens fugindo de uma vida cheia de regras e imposições, vivendo apenas por um dia um romance um tanto quanto utópico, mas sem deixar de ter os pés no chão e sempre precisam encarar a triste realidade, o fim daquilo que acabou de começar. Não há como não torcer pelo casal, dá uma vontade de entrar no filme e gritar para Celine: "Não vá embora!", ou de poder alterar o destino dos protagonistas e fazer de tudo para que eles possam ficar juntos. Dificilmente sinto isso num filme de romance, geralmente é só bonitinho, mas "Antes do Amanhecer" foge do óbvio, constrói um romance diferente de todos, mesclando com um delicioso humor e muita emoção, principalmente na parte final, que faz até o coração doer. Enfim, palmas que esta genial obra de arte!

NOTA: 10



Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004)

Sem deixar telefone ou endereço, é assim que Celine se despede de Jesse, eles deixam um encontro marcado, mas não acontece, por inonia do destino. E somente nove anos depois, os dois voltam a se ver. É então que vem pergunta: E se você tivesse uma segunda chance para resolver algo que ficou no passado?

Jesse escreve um livro sobre a história de um jovem que se apaixona por uma desconhecida em um trem na Europa. Coincidência ou não, seu livro vende bem e para publicá-lo em outros países, ele viaja mais uma vez pelo continente e numa entrevista em uma livraria em Paris, reencontra Celine.

Ele, casado e com um filho. Ela, namorando e uma carreira promissora, uma espécie de ativista, tentando melhorar o mundo que na juventude ela reclamava. O tempo agora é mais curto, menos de duas horas para ele voltar para casa, e neste pequeno período, ela lhe apresenta sua cidade, e enquanto isso, eles vão descobrindo o que aconteceu com a vida de cada um, os erros e os acertos, planos que nada tinha a ver com o que eles sonhavam e descutiram nove anos atrás.

E nesta conversa, Celine e Jesse percebem o quanto aquele dia significou em suas vidas, talvez a coisa mais importante que tenha acontecido com eles. Percebem que nenhum conseguiu seguir em frente como deveria ser, ele foi infeliz no casamento, sabia que Celine era a mulher para ele mas o destino não foi amigo deles, e ela não conseguiu amar ninguém como amou ele em apenas um dia e vive com o fantasma daquele romance que não aconteceu.

A conversa agora é mais política do que no primeiro filme, é interessante perceber como os personagens evoluiram como pessoas, e o roteiro deixar nítido que não são mais adolescentes, são adultos com responsabilidades e que carregam em si muito mais decepções. Os diálogos ainda são únicos e ainda o ponto alto do filme, inteligente ao extremo, sensível e delicado e ainda muito apaixonante. Julie Delpy se destaca e cresce como atriz, mostrando mais versatilidade, o que já estava incrível no primeiro, neste consegue ser ainda melhor. Ethan também ótimo, mas faz o mesmo.

Interessante notar que o longa acontece em tempo real, os 80 minutos de filme é exatamente o tempo em que ocorre a história. Destaque para montagem muito bem feita, nos fazendo acreditar que realmente este tempo é real, vale citar a fotografia impecável.

É sim um excelente filme, mas não consegue ser tão bom quanto o primeiro. O original é mais romântico, neste a conversa é mais amigável, mas não é por isso que é inferior, simplesmente não consegue ser tão intenso e tão emocionante quanto "Antes do Amanhecer". Mas o problema maior é seu final, o roteiro a todo custo tentando fugir do óbvio acaba que nos dando um final sem muitas respostas, não que eu esperasse um "felizes para sempre", mas o próposito do longa era justamente responder aquilo que ficou sem resposta no primeiro e não nos encher com mais dúvidas e infelizmente é isso que ocorre. Mas ainda assim vale muito a pena, não há como assistir o primeiro e não ter vontade de ver o que aconteceu depois, ainda há cenas marcantes e diálogos incríveis, e por eles já vale cada segundo, recomendo.

NOTA: 8.5

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You, 2009)

Em 2006 vários diretores cultuados se reuniram para mostrar, cada um com seu curta-metragem, histórias de amor em Paris, em "Paris, Eu Te Amo", a idéia deu certo e deram partida para um projeto promissor chamado "Cities of Love", e Nova York foi a escolhida para ser palco desta sequência, reunindo diretores não muito conhecidos numa mescla adorável de amor, comédia e drama.

por Fernando Labanca

Dentre os diretores a mais conhecida é a indiana Mira Nair (Feira das Vaidades), há a iniciante Natalie Portman por trás das câmeras e na frente delas também. Há também Brett Ratner (X-Men e o Confronto Final) e alguns diretores desconhecidos do grande público, atores que se aventuraram como realizadores e alguns até estrangeiros escolhidos para finalizarem os 11 curta-metragens, que por sua vez, funcionam quase como um longa-metragem, um mosaico cheio de histórias paralelas, assim como o britânico "Simplesmente Amor".

Há algumas passagens dispensáveis como a do norte-americano Allen Hughes (O Livro de Eli), numa cansativa declaração de amor entre desconhecidos, interpretados por Bradley Cooper e Drea de Matteo, bons em seus respectivos personagens. Já a sequência dirigida por Natalie Portman que fala sobre preconceito na cidade, não empolga nem emociona. O indiano Shekhar Kapur faz uma das passagens mais belas, visualmente falando e o curta mais complexo dentre todos, com ótimas atuações de Shia LaBeouf e Julie Christie, mas que de certa forma não se encaixa na proposta e parece pertencer a outro longa qualquer, menos "Nova York, Eu Te Amo", a história acontece num hotel e pouco se comunica com a cidade. Há também Mira Nair e sua bela história entre uma cliente (Portman) e um comprador, com um diálogo intenso, mas pouco empolgante também.

Brett Ratner, o mais criticado entre todos, acredito que foi o que conseguiu se comunicar mais entre a "massa", vamos dizer assim, o curta com um toque mais popular, conta com atuações dos jovens Anton Yelchin, Olivia Thirlby, Blake Lively e do veterano James Caan e nos mostra a noite inesquecível de um garoto em sua formatura ao lado de uma cadeirante que acabara de conhecer. Estranho, mas simpático. O diretor Joshua Marston nos trás uma deliciosa tarde ao lado de um casal na terceira idade (Elie Wallach e Cloris Leachman) e a pespectiva deles sobre Nova York, ótimo. Há também algumas passagens que entrelaçam esses acontecimentos, fazendo assim, paracerem histórias paralelas e não tão distantes uma das outras, como a personagem de uma cinegrafista (Emilie Ohana- uma pseudo-protagonista) que registra esses momentos inusitados em Nova York e tem contato com as diferenças dessa incrível cidade, das diferentes religiões, raças e credos.


Entre os grandes destaques está exatamente o primeiro longa, dirigido pelo chinês Jiang Wen e nos mostra a divertida história de um "batedor de carteira" (Hayden Christensen, ótimo) e como conheceu uma bela jovem (a "the O.C" Rachel Bilson) a partir de seus roubos, o curta ainda conta com ótima participação de Andy Garcia. O japonês Shunji Iwai é talvez o que mais agrade os mais jovens, numa espécie de mini comédia romântica, conta com Orlando Bloom e Christina Ricci e marca um bom momento do filme. Mas quem acerta em cheio, para mim, é o ator israelense Yvan Attal (atuou em A Hora do Rush 3) que faz duas passagens, uma entre Ethan Hawke, brilhante em seu papel e algumas tentativas de não passar a noite sózinho jogando seu inocente charme para as desconhecidas com quem se depara, inclusive com uma prostituta (Maggie Q.). Mas a melhor mesmo é quando Yvan dirige Chris Cooper na noite de Nova York, conversando com uma suposta desconhecida no intervalo de um jantar, a sempre incrível Robin Wright Penn. A passagem é muito rica nos diálogos e o final é bem tocante.

Um filme marcado por altos e baixos, mas as qualidades prevalecem. No geral são curtas bem interessantes com participações de um elenco brilhante, destaque para Ethan Hawke, Natalie Portman e Robin Wright Penn, mas não há sequer um ator que desaponte, ainda há participações de John Hurt, Shu Qi, Carlos Acosta, e Ugur Yucel. O filme vale mesmo pelos atores. Porém, vale destacar as divertidas e emocionates histórias que no geral, empolgam, e formam um quebra-cabeça digno de elogios.

O defeito mesmo é a falta de identidade de cada diretor, que na edição final, parecem mesmo pertencer a um só realizador. Faltou aquele toque particular de cada que assim mostraria mais nitidamente a perspectiva de cada um sobre Nova York. A fotografia é bela e a trilha sonora é simples e quase nula. Mas ainda assim vale muito a pena, um filme divertido e emocionante, que vai além de se comunicar somente com os nova iorquinos, é uma linguagem universal, histórias que poderiam acontecer em qualquer outro lugar, uma sensível e deliciosa experiência, prova de que em cada esquina de qualquer cidade há alguém que carrega em si grandes acontecimentos, um amor perdido, um amor encontrado, uma nova amizade, uma nova descoberta, amores que se perdem no meio do caminho, amores que permanecem por uma vida inteira, histórias de pessoas que cansaram da solidão e histórias de pessoas que tem suas vidas resumidas em um só dia, por um só momento. Ótimo, recomendo.

NOTA: 9

domingo, 7 de novembro de 2010

4 em 1: Suspense/ Terror

Pegando carona nos especiais de "terror" feitos aqui no blog, resolvi comentar um pouco dos que vi recentemente ( e dos que valem a pena comentar)! Atualmente, não é sempre que surge filmes decentes do gênero, como a Babi disse, os melhores ficaram nos anos 80, mas ainda há algumas raras excessões, e quando elas aparecem, merecem destaque. Citarei então quatro, e mesmo com seus defeitos, valem a pena serem assistidos!

por Fernando Labanca



Contatos de 4º Grau (The Fourth Kind, 2009)

Suspense misturado com ficção ciêntífica, o longa, lançado este ano no Brasil, causou polêmica ao falar de casos de abdução alienígena e dizer que todos os fatos contados eram reais. Logo no início do filme, a atriz Milla Jovovich aparece como ela mesma dizendo que o estamos prestes a ver é algo perturbador, baseado em entrevistas reais arquivadas e o que tentarão fazer é uma reconstituição fiel a elas.

Milla interpreta a psicóloga Abigail Tyler que após ver seu marido misteriosamente morto em sua cama, resolve pesquisar a fundo acontecimentos instigantes no Alaska, onde começa a relacionar e tentar compreender o que houve com ele. Ela, como psicóloga, tem três pacientes com sisntomas semelhantes, de insônia, acordam sempre as 3 da manhã e se deparam com uma coruja em suas janelas.

A partir de então, o longa mostra a trajetória dessa mulher para descobrir a verdade e todos os obstáculos que ela passa a enfrentar devido a isso, principalmente quando começa a ter um grande avanço em suas consultas e presencia imagens surreias, todas gravadas (que supostamente, posteriormente serviu como fonte para a realização do filme).

Um filme bastante realista e devido a isso assustou muitas pessoas, as imagens não são tão fortes, mas a maneira como é mostrada, sempre mesclando entre realidade e ficção acaba chocando. Por outro lado, ao meu ver, é tudo muito nítido de que tudo se trata de uma grande mentira, histórias e personagens que eles dizem e mostram e ainda tentam provar que são reais, são todos, na verdade, grandes invenções. Seria muito mais interessante, e porque não, mais justo e mais ético da parte dos realizadores, inventar e criar uma ficção, qual seria o problema? Mas não, eles preferem mentir na cara dura, até porque a farsa foi provada, acreditando que o público é realmente sem noção e que vai acreditar, ou seja, nos subestimam e você termina se sentindo um grande idiota.

Posso parecer contraditório, mas vale a pena assistir. Milla Jovovich convense na pele da doutora, e além disso, tudo é muito bem feito, e apesar das mentiras contadas, é interessante a tentativa e o resultado acaba que sendo satisfatório, simplesmente pela seriedade com o qual é tratado o tema. Vai de cada um, tem gente que acredita e o filme tem capacidade de influenciar muitas pessoas. Apesar de alguns aspectos positivos do longa, é impossível não levar em consideração a grande farsa e por isso...

NOTA: 5






Garota Infernal (Jennifer's Body, 2009)

Da aclamada roteirista Diablo Cody, premiada por "Juno", ela chutou o balde e resolveu adaptar um de seus livros, com produção executiva de Jason Reitman, diretor do filme que a consagrou e direção de Karyn Kusama.

No longa, Megan Fox é Jennifer, uma sexy líder de torcida, popular e desejada por todos os garotos da escola, por onde anda chama a atenção e ofusca todos ao seu redor, principalmente de sua melhor amiga, a nerd Needy (Amanda Seyfried). As duas são amigas de infância e apesar de terem personalidades completamente opostas não se largam.

Até que, certa noite, num show de rock, enquanto as duas se divertiam, ocorre um incêncio, e na fuga, Jennifer aceita o convite dos estranhos caras da banda para entrar na van deles. Depois disto, Jennifer nunca mais foi mesma. Ela retorna para a casa de Needy sangrando e vomitando coisas estranhas e no dia seguinte não se recordava de nada. Asssutada, Needy começa a tantar desvendar os mistérios que cercam a amiga que a cada dia se torna mais medonha. Enquanto isso, Jennifer se torna uma mulher fatal, seduzindo os pobres rapazes do colégio e se alimentando deles.

A intensão era fazer uma comédia de terror, mas o terror aqui não funciona, são poucas as cenas aterrorizantes e nem assustam tanto assim. Portanto, a comédia acaba prevalecendo e funciona, o longa se torna algo divertido pelas situações bizarras e acaba surpreendendo fácil, pelo trailer, pela história, tudo parece ser muito idiota, mas logo percebemos que o filme, apesar de grotesco, é agradável e descomprometido.

Megan Fox só sabe ser bonita e sexy mesmo, o que não atrapalha em "Garota Infernal", aliás, essa era a intenção para Jennifer, o único requisito para interpretá-la, ser sexy, nada mais. A função de atriz mesmo fica para Amanda Seyfried que toma o posto de protagonista e faz sua parte muito bem, ainda temos Adam Brody quase irreconhecível como vocalista da banda. Enfim, vale a pena ver, não tanto pelo terror, mas pela comédia, pela tosquice, que durante alguns minutos você entra naquele universo completamente nonsense e bizarro e mesmo quando termina percebe que seu tempo não foi disperdiçado.

NOTA: 7,5






2019 - O Ano da Extinção (Daybreakers, 2009)

Lançado diretamente nas locadoras aqui no Brasil, "Daybreakers" que chegou recentemente no país trás uma inovação no quesito "vampiros", enterrando de vez a família Cullen e provando que ainda se pode fazer coisas decentes neste universo dos mortos-vivos. Aliás, a intenção do longa era justamente essa, ser uma alternativa para aqueles que não aguentavam mais as delicadesas e frescuras de Edward e sua família da saga de Stephanie Meyer. Aqui, os vampiros retornam de forma muito mais digna e original.

Um vírus foi espalhado, e no ano de 2019, a maior parte da população se transformou em vampiros e eles é quem comandam na Terra, tudo para a imortalidade do ser. Sob o sol, o silêncio, quando ele se põe, as ruas ganham vida, eles se libertam e andam normalmente, estão nas cidades, trabalham, são donos dos estabelecimentos, são médicos, advogados, enfim, os vampiros dominaram o mundo. Enquanto isso, os poucos humanos que restam são caçados, capturados e armazenados numa fonte de alimentação, aliás os vampiros ainda se alimentam de sangue.

Devido a essa extinção da raça humana, aqueles que sobreviveram se uniram e vivem escondidos. No mundo das trevas, vive o vampiro Edward Dalton (Ethan Hawke), um cientista que sob o comando de seu chefe (Sam Neil) tenta encontrar uma nova fonte de alimentação, logo que os humanos estão se esgotando e no futuro estarão sem comida e esta busca acaba ganhando maior importância quando descobrem que a falta de sangue nos vampiros acaba os tranformando em seres semelhantes a zumbis, rececados, doentes, em verdadeiros monstros.

Entretanto, a busca para achar uma nova alimentação tem outro motivo para Edward, um motivo particular, parar com a extinção dos humanos, logo que dentro de si, se nega a ser como os outros vampiros, ainda existe um lado humano dentro dele e pretende mantê-lo. Eis que ele é capturado pelo grupo de sobreviventes, é onde conhece Audrey (Claudia Karvan) e Elvis (Willen Dafoe) um ex-vampiro que descobriu a cura e juntos poderão salvar a humanidade com essa nova descoberta.

Original, a palavra que define este filme. Escrito e dirigido por Peter e Michael Spierig, "Daybreakers" é definitivamente algo muito inteligente que veio na hora certa para acabar com a safra de filme ruins sobre vampiros. E vai muito além, o longa é o melhor que vi sobre este universo desde "Entrevista com o Vampiro", que não o supera, mas depois de muitos anos, finalmente um filme conseguiu, pelo menos, competir com a obra-prima de Neil Jordan.

Recomendo, para aqueles que curtem vampiros e para aqueles que não curtem também, assim como eu, não se decepcionarão. A história é ótima, o elenco é bom também, os efeitos especiais são simples, mas não chegam a atrapalhar. O longa perde um pouco o pique da metade para o final, na batalha do bem contra o mal, acaba que se tornando um filme de ação não muito diferente do que já se viu, seguindo para um final até que previsível, mas vale pela idéia inicial e pela criatividade dos realizadores.

NOTA: 8





A Órfã (Orphan, 2009)

Como de costume, sempre gosto de deixar o melhor para o final. "A Órfã", um dos melhores filme de suspense que vi recentemente. Me pegou de surpresa, algumas pessoas haviam me indicado este filme, mas como não curto muito o estilo, minhas expectativas eram baixas, mas veio a surpresa. Um filme interessante, extremamente bem feito pelo diretor Jaume Collet-Serra, com atuações marcantes e um final surpreendente e bastante original.

No longa, a história básica de uma família que perdeu um filho e decidem adotar uma criança, mas essa criança não é o que pensavam e bla bla blá. Mas o longa tem o diferencial, essa família é interpretada por Vera Farmiga e Peter Sarsgaard, que já valem o filme, com interpretações convincentes deste casal que perdeu algo. A jovem escolhida é Esther (Isabelle Fuhrman), uma adorável garota de 9 anos, que gosta de artes e música clássica, enfim, era perfeita.

O casal já tinha dois filhos, um garoto mais velho e uma pequena, surda e muda. A chegada de Esther começa aos poucos abalar a relação da família, principalmente por parte do garoto que não aceita ser "trocado". E conforme os dias vão passando, Kate (Farmiga), a mãe começa a presenciar atos estranhos vindo de uma criança, como trancar a porta ao entrar no banheiro, vigiar o casal a noite e falar palavrões.

Assustada com algumas atitudes de Esther, Kate vai contra o próprio marido e começa a pesquisar sobre o passado da menina, e começa a desvendar grandes mistérios sobre seu passado, e quanto mais pesquisa mais tem a certeza que ela não foi a melhor escolha para ser sua "filha".

Vou parar por aqui na sinopse para não estragar as surpresas, que aliás, surpresas não faltam neste suspense muito bem armado, onde desde o início somos fisgados e só nos desgrudamos no final e ainda sim, precisamos de um bom tempo para voltar a realidade. A cada cena, uma nova surpresa e no final vem a verdade, um final surpreendente, nada previsível, e muito, muito original. E este é o maior triunfo do longa, onde desde o começo temos a certeza absoluta que o filme vai ter o mesmo final dessas histórinhas, vai cair na mesmice de sempre, mas não, muito pelo contrário.

Assista, para quem gosta de suspense e terror é um prato cheio, um filme eletrizante, hipnotizador, daqueles que ficamos falando com nós mesmos baixinho, coisas do tipo "não!, Corre, atrás de você, mais depressa!!". Ainda temos o privilégio de ter Vera Farmiga como protagonista, que simplesmente dá um show de atuação, como poucas neste gênero, ainda Peter Sarsgaard muito bem em cena e a novata Isabelle Fuhrman, outra grande surpresa do longa. Enfim, imperdível!

NOTA: 9

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