Mostrando postagens com marcador Festival de Sundance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Festival de Sundance. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de abril de 2019

Crítica: Culpa


O som que uma história tem.

por Fernando Labanca

Lançado ano passado aqui no Brasil, "Culpa" é um filme dinamarquês premiado no último Festival de Sundance, importante evento que celebra o cinema independente. É aquele produto simples, pequeno mas que nos leva à lugares inimagináveis. Um belo exercício cinematográfico, que mesmo filmado em um único espaço, consegue entregar um thriller potente, envolvente, hipnotizante e com surpreendentes reviravoltas. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Crítica: Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 2016)

O que você (realmente) precisa pra sobreviver no mundo?

por Fernando Labanca

"Capitão Fantástico" é, dentre tantas qualidades que não cabem em uma crítica, um filme mágico. É coração puro, cheio de alma. Dirigido pelo ator Matt Ross, o longa narra a história de uma família que vive na floresta. Com treinamento rígido para sobreviver, os filhos encontram no corajoso pai, Ben (Viggo Mortensen) uma espécie de mentor, aquele que os ensina tudo o que precisam e tudo o que é necessário para continuar vivendo naquele ambiente. Entre manusear ferramentas, caçar animais selvagens e plantar seus próprios alimentos, Ben vê no legado de Noam Chomsky a sabedoria que não encontrou em nenhum Deus. A jornada dos personagens se inicia quando recebem a notícia de que a mãe, que por um longo tempo se manteve afastada e em tratamento devido sua bipolaridade, se suicidou. Todos embarcam para a cidade, afim de impedir que ela seja enterrada e seja cremada, assim como escreveu em seus últimos pedidos. No entanto, no mundo afora, as leis de sobrevivência são outras e o pai terá que enfrentar o julgamento de todos aqueles que são contra seus excêntricos métodos de ensino.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Crítica: O Diário de uma Adolescente (The Diary of a Teenage Girl, 2015)

Baseado no livro de Phoebe Gloeckner, "O Diário de uma Adolescente" narra a descoberta de novos desejos de uma jovem enquanto se envolve com o namorado da própria mãe.

por Fernando Labanca

Apesar da vibe indie e descolada, "The Diary of a Teenage Girl" não é de fácil digestão e muito menos de fáceis conclusões. O longa nos coloca na década de 70 e revela uma fase de descobertas para a jovem Minnie Goetze (Bel Powley), narrando sua primeira relação sexual e como aquilo definiu seus próximos passos, como aquilo a transformou em outra pessoa. Poderia até ser um evento comum, como na vida de qualquer garota se não fosse seus complicados laços familiares. Uma mãe distante (Kristen Wiig) que vive em um universo próprio e que abriga em sua casa Monroe (Alexander Skarsgard), um namorado abusivo, com quem Minnie se envolve sexualmente. É naquele homem mais velho que ela acaba encontrando paixão e um corpo que negue suas tantas neuras e inseguranças.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Crítica: Drama em Família (Ten Thousand Saints, 2015)

Baseado no livro homônimo de Eleanor Henderson, "Ten Thousand Saints" é um relato sincero sobre essas pessoas que encontramos na vida e chamamos de família.

por Fernando Labanca

Bastante curioso a construção desta história. Contá-la em uma breve sinopse é quase como tirar o brilho de tudo aquilo que ela é feita, mas vou arriscar, apenas como forma de introduzir o texto. Teddy e Jude são melhores amigos, eis que certa noite, Teddy resolve voltar mais cedo para sua casa. Poderia ser um evento qualquer, mas esta pequena ação definiu o rumo na vida de todos. Na mesma noite, Jude descobriu que é adotado e que seu pai (Ethan Hawke) traiu sua mãe e teve uma filha fora do casamento. Anos depois, no final da década de 80, longe do pai e no auge de sua rebeldia, Jude (Asa Butterfield) recebe em sua cidade a filha bastarda, sua irmã sem sangue, Eliza (Hailee Steinfeld), que resolveu tentar algum tipo de aproximação. É nesta noite em que ela também conhece Teddy (Avan Jogia), seu melhor amigo. E este é outro evento que acaba por transformar seus destinos, unindo-os de uma forma que eles jamais poderiam prever.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Crítica: Amizades Improváveis (The Fundamentals of Caring, 2016)

Mais um produto original da Netflix, "Fundamentals of Caring" é uma obra genérica para ser vista em um sábado a tarde e esquecida logo depois.

por Fernando Labanca

Impossível não comprá-lo com outros dois filmes recentes, o francês "Intocáveis" e o romance "Como Eu Era Antes de Você". Em todos eles, temos o curioso encontro entre uma pessoa que sofre de alguma deficiência com aquele que é responsável por seus cuidados e ao decorrer da história, ambos acabam aprendendo e muito um com o outro. A ideia é até interessante e funcionou bem nos exemplos citados, mas deixou de ser novidade, não existe mais o elemento surpresa porque sabemos exatamente como tudo irá acontecer e justamente por isso, "Amizades Improváveis" se torna um produto totalmente descartável, pois não consegue, em momento algum, oferecer um argumento novo ou algo que justifique sua criação. E dentro do contexto que já conhecemos, esta lá o homem frustrado, Ben (Paul Rudd), que teve duras perdas ao longo de sua vida e como forma de se reerguer, se oferece como um "cuidador" e seu primeiro cliente é Trevor (Craig Roberts, de "Submarine"), portador de atrofia muscular. Cansado de ver a rotina do jovem trancafiado dentro da própria casa, Ben resolve levá-lo a uma viagem, realizando alguns de seus inusitados desejos como conhecer "o maior bovino do mundo" e "o buraco mais fundo do mundo".


terça-feira, 26 de abril de 2016

Crítica: O Fim da Turnê (The End of The Tour, 2015)

Em 1996, o jornalista David Lipsky viajou ao lado do renomado escritor David Foster Wallace durante sua última turnê de divulgação de seu livro. Esse filme é sobre esta viagem e sobre tudo o que você conseguir absorver dela.

por Fernando Labanca

A trama se inicia quando é anunciado a morte do escritor David F. Wallace. Quando recebe a notícia, o também escritor e jornalista David Lipsky relembra do momento em que conheceu aquele excêntrico homem. 1996, quando Lipsky trabalhava na revista Rolling Stone, decide escrever sobre o autor do momento naquela época, quando lançava sua obra-prima "Infinite Jest" e estava prestes a finalizar sua turnê de divulgação pelos Estados Unidos. É então que o jornalista, surpreendentemente, consegue este encontro, viajando lado a lado com este ser que tanto o fascina e o inspira.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Crítica: A Bruxa (The Witch, 2015)

Vendido como um dos melhores filmes de terror dos últimos anos, "A Bruxa", que venceu o prêmio de melhor direção em Sundance, pode pegar muita gente desprevenida, e ainda que seja muito bem realizado e que redefina todas as fórmulas do gênero, poderá frustrar grande parte de seu público.

por Fernando Labanca

Existe uma discrepância enorme entre o que o filme prometia ser, com seu marketing nos fazendo acreditar que estávamos prestes a encontrar o novo nome do terror contemporâneo, com o que ele realmente oferece. Fazia tempo em que não via um público tão decepcionado, até mesmo irritado com o que acabara de ver. "A Bruxa" é aquele tipo de produto que ou se ama ou se odeia. Terminei de assisti-lo com a sensação de que o longa não é tão bom quanto os críticos querem que ele seja, no entanto, está bem longe de ser tão ruim quanto aqueles que tiveram suas altas expectativas destruídas querem que ele seja.

"A Bruxa" oferece tudo aquilo que o gênero deixou de oferecer há muitos anos e talvez esta seja uma das razões de tanta revolta, pois a identificação com seu universo não vem fácil. Não há a câmera trêmula, os sustos, a violência, a correria e nem uma trama que se prenda a uma surpreendente reviravolta. Um filme lento, de poucas ações, onde é necessário se desprender daquilo que ele vendeu e tentar apreciar sua proposta, muito clara, aliás, desde o começo. Vemos aqui um terror psicológico muito raro, que busca conversar com seu público através de um cinema mais antigo, é subjetivo, cheio de simbolismos e que poderá significar algo diferente para cada um, de acordo com a experiência vivida daquele que assiste. O terror criado pelo estreante diretor Robert Eggers não é óbvio, o terror está em sua atmosfera, está nos diálogos e em tudo aquilo que os personagens representam. O terror vem de dentro da alma. Vem de uma sociedade que segrega aquilo apontado como diferente, vem da voz feminina silenciada por uma comunidade guiada por patriarcas, vem da religião que cega, do legado deixado por um Deus cruel, impiedoso e no peso que o pecado exerce na consciência de cada um.


Outras notícias